Pode vir

Venha,
Com todo o seu charme
fazendo graça
Ou mesmo pirraça
Venha de graça
Ou mesmo caro.
Peço encarecidamente
Se for preciso eu pago
O taxi, o pato,
os pecados e a conta.
Vem sem demora,
Ou até me enrola,
mas venha. 

Dos meus amigos

Fiquei amiga da Dan há 15 anos atrás, da Bruna por aí também, do Guido na mesma época. Da bibi um pouco depois, e depois ainda me tornei irmã da Dan, já faz mais ou menos dez anos.

A Isabella conheci na maternidade, e depois reconheci uma numa roda de violão. Cayo conheci porque sentei no seu colo, por acidente, e descobri logo de cara que era lugar seguro e de conforto, pra onde eu podia voltar. O Bruno por um fraco por piscinas, a Marina por simpatia imediata. A Kelly pelo tamanho e Sandy e Junior, o Caio por um quintal e pelo rock. Da Gil por motivos que é melhor eu não contar. 

A Liz pelo amor por uma banda, o Bob pelo amor pelos livros. A Sarah pela convivência, a Jam por mamãe oxum e certas coincidências. A Karyn pela casa de Isabel, e Julia pelas flores e pela gratidão. E depois, Tainá, por um guarda-chuva e uma confusão.  E Ah! as Marianas! Todas pelo amor à primeira vista. 

Da Luíza fiquei amiga porque a vi aos prantos, da Júlia porque fui eu quem chorei. Do Henrik por qualquer coisa de faro. Da Ana, da Yully, da Nina, pelas incríveis diferenças, e do Ricardo pela semelhança. 

Da Ná pelo amor sublime, da Bia pelo desconforto da adolescência, da Lulu me lembro quando, mas já não me lembro porque, hoje é elo fraterno. 

Lara, Denise, Marcus, Vinícius, Pedro, Vitória, Anna...Me ajuda? Tudo pelas férias e pela saudade de um ano inteiro distante. 

Da Deirdree pela faculdade e alguma dificuldade de convívio social. Da Larissa porque não resisti, dos Felipes ainda não descobri. 

Do Carlos porque meu nariz estava sujo de café, do Yke porque rimos juntos na mesma esquina, da Mayam porque torci o pé, rompi uns ligamentos, e ligamos outras coisas. Do Yuri por um spray de pimenta. 

Do Guilherme pela modernidade, do Thiago pela complexidade do ser. 

Do João pelo namoro, da Larissa por Maria, da Taíza pela vida, da Fran por coisas de outras vidas...Do Clark por coisas que a morte não apaga. 

Cada um dos meus amigos teve seu jeito de chegar. Algumas vias estranhas, por brigas, entranhas, tristeza visceral. Outras, por alegria fenomenal! Alguns, duraram meses, férias, outros fizeram história nos meus álbuns de fotos. E os recém-chegados, vamos esperar para ver. 

Cada um dos meus amigos traçou um caminho para o meu coração. Alguns foram mais rápidos, outros cavaram firme. Alguns vão se espalhando com o tempo, outros estão mergulhados, submersos, seguros, eternos. 

Cada um dos meus amigos é um pouco herói, um pouco terapeuta, um pouco louco, um pouco meu, porque encontrou em mim o que eu não via, plantou o que eu não tinha, colheu o que abundava. 

Cada um dos meus amigos é um pouco perfeito, mesmo com tanto defeito! Porque aturam os meus, porque apontam as falhas, mas defendem das farpas. Porque seguram a onda, a barra, o copo, a mão. Porque estão ali, ou aqui, acolá, ou em algum lugar do mundo, mas sempre na minha memória. 

Todos os meus amigos são grandes, imensos, gigantes, tão espaços que foram tornando minha alma mais ampla, mais profunda, mais completa à medida que foram chegando. 

Importa pouco a frequência das ligações, ou mesmo se nosso contato será eterno ou etéreo. Uma amizade verdadeira não é a que dura a vida inteira, mas o que te torna outro, mesmo te aceitando como você é. 

Tem amigo que te dá carinho, tem amigo que te dá bronca, tem amigo que só dá trabalho! Tem amigo que é sempre frequente, tem amigo é que é para sempre na memória, tem amigo que passa. Tem amigo que morre! Tem amigo que vive pra você, ou pra te encher o saco, ou pra te encher de amor, ou tudo isso junto. 

Tem gente que é de poucos amigos, tem gente que é de muita gente. Tem gente que é mais triste, ou mais feliz, ou mais inquieto, ou mais calado, ou revoltado, ou passivo. Tem gente que é mais racional, ou como eu, mais passional. Ou violento, ou barulhento, ou totalmente da paz. 

Tem gente que é de todo jeito, isso que é tão bonito! Mas quem tem um amigo, nunca é uma coisa só. 

 

 

Amor etílico

Bastaram dois mojitos pra saber
que é com você que eu quero envelhecer
Somente duas caipirinhas pra notar
que é com você que eu penso em me casar
cinco choppes,
uma garrafa de vinho, duas doses de cachaça,
mais meia garrafa...
Pra tudo se esclarecer.
Entre tequila e te amo,
eu escolhi ter os dois.
Vamos fugir pra Paris
Ou pra Bahia
que nome você daria pra uma menina?
Vamos fazer amor
e mais uma besteira
Vem, que hoje é sexta-feira
Vem logo, e traz a saideira?
Deixa a ressaca pro domingo
E a culpa pra segunda-feira
Tem ainda a semana inteira
pra gente se arrepender.
Não é só culpa da bebida,
você é mesmo o grande amor da minha vida.
Se amanhã eu te negar, é pura timidez
Se eu pôr a culpa na embriaguez, não acredita
É comprovado que um pouco de birita
Faz a gente acreditar no amor. 

Se eu puder

Serei feliz quando puder
Boa, quando puder
Pura, leve
Livre. 
Generosa, quando eu puder
E gentil também
Serei totalmente do bem, 
Se eu puder. 
Quando puder, serei amada e amável
Serei móvel, mutável, notável! 
E quando eu já não puder, 
E se, por acaso, não der
Serei humana.

Soneto de fidelidade

Hoje fazem 34 anos que Vinícius de Moraes nos deixou.
É, poetinha...Você faz falta pra danar!
Vinícius de Moraes teve papel fundamental na minha vida como autora e pessoa, foi um dos autores que mais li na minha adolescência, e com certeza, se eu sou assim tão romântica, entregue, eternamente apaixonada, é altamente culpa dele! Li, e acreditei que "a vida só se dá para quem se deu", e eu me dou, por inteiro! 
Escrevi essa pequena e bem humorada homenagem há anos atrás, quando tinha recém descoberto Vinícius e chorava noites e noites ouvindo bossa nova. A verdade é que a gente se habitou, se anestesiou, então se ouve chega de saudade, canta junto, mas esquece aquele frio na espinha, mas está guardada comigo a sensação daquele momento inaugural. 
Segue aqui, novamente, poetinha....A minha humilde homenagem e a minha gratidão pela vida inteira!

Contudo, ao coração serei atento
Às vezes com tal zelo, outras nem tanto
Mas mesmo em face do maior espanto
ele comande mais meu pensamento

Quero sentir à cada vão momento
de sensações hei de espalhar meu canto
pra rir meu riso ou derramar meu pranto
Seja pesar ou só contentamento

E assim, quando mais tarde só me cure
Quem sabe a morte, findando quem vive
Quem sabe a solidão, ferindo quem ama

Eu possa dizer do coração(que tive):
Que seja fatal o eletrocardiograma
Mas que sinta infinito enquanto dure.

Golaço

Eu não gosto de futebol.

Eu sei, eu sei. Como assim? Brasil país do futebol, Pelé, Neymar, maracanã...O futebol voltou para casa, é taça na raça...Brasil?!

Eu sei, eu sei que é difícil de entender. E também é difícil de explicar, mas estou aqui, humildemente, me valendo de minhas antigas amigas, palavras escritas, para tentar contar um pouquinho como é do lado de cá: de fora da torcida.

Eu não sei dizer por que eu não gosto de futebol, eu não tenho raiva, nem nada contra, mas simplesmente não mexe com meu coração. “Mas como assim? Quando você vê um gol, a galera gritando, aquilo não te comove?”

E eu preciso responder sincera, “não”.

Mas não pense que eu não me sinto culpada com isso, porque eu realmente me sinto. Ver todo mundo animado, aquela torcida gritando, todo mundo comentando, sofrendo, comemorando, e eu lá... Intacta, imóvel, sem sentir nem um arrepiozinho para contar história.

Começo a me sentir insensível, me sinto péssima. Mas realmente não sou insensível, pelo contrário, sou dessas pessoas que choram até com jornal nacional, não posso ver uma notícia triste nem alegre demais, não posso ver ninguém chorando, não posso ver um casal apaixonando ou terminando, sem oferecer minhas lágrimas.

Mas com o gol do Neymar... Eu ensaio um “uhul”, um “éééé”, um “gooool”, mas vem sem força, e a culpa só aumenta...

Todo mundo tem um time, uma história de família, o pai levando no estádio, aquela primeira camisa, o primeiro campeonato, e euzinha, nada. Nem time eu tenho! Até tentei, mas não adianta, não consigo.

O fato é esse: Eu não gosto de futebol! E tem época pior para quem sofre desse mal?

Copa do mundo! Todo mundo animado. “eeeeeu sou brasileeeeiro, com muito orgulho, com muuuuito amooor...”, mas não pela bola. Ai, que carma!

Todo mundo começa a te olhar feio, a comentar, a dar aquela conferida para saber cadê o verde e amarelo na sua roupa e no seu coração? E eu sem nada para oferecer além de um sorriso amarelo...Será que vale?

Eu compreendo a indignação alheia. Quando alguém me diz que não gosta de samba, ou não gosta de carnaval, ou de alguma coisa autenticamente brasileira, eu penso: “Meu deus, mas como?!”, e eu entendo que diante de toda a minha brasilidade, porque sim, sou brasileira em todos os meus gostos e hábitos, seja de se espantar a falta de tesão pela “paixão nacional”.

Mas como explicar que não é minha culpa?

Por falar em culpa...Ela só aumenta quando encontro uma mulher entendedora de futebol, essas são as piores no quesito me deixar arrasada. Vez ou outra ainda tenho a desculpa de que quem entende mais de futebol são os meninos, mas quando chega uma moça, toda produzida e entendida, que começa a falar das taças, dos campeonatos, da escalação de 60, de 98, de 2002, aí é tristeza total. Nem no gênero posso botar a tal da culpa! Sobra pra mim...

Eu não me importo se o Brasil vai ganhar ou perder. Se a Argentina ganhasse a copa, estava tudo bem para mim, se fosse eliminada, tudo igual também. E, não, por favor, não me olha com essa cara feia, assim você acaba comigo!

Eu confesso, tenho simpatia pelo Neymar, rapaz sorridente, competente, pelo que me consta, sei também quem é o Fred, e gosto daquele do cabelo cacheadinho, acho carismático. Sei também que é o Messi, e o Cristiano Ronaldo, que é aquele do cabelo penteado, e se eu não me engano, o Felipão tem alguma coisa a ver com isso.

Aprendi nos últimos jogos que no segundo tempo troca o campo, e que gol impedido, é quando tem alguém esperando na “banheira”, mas tudo isso foi pela convenção social. Chegou um momento em que eu estava sendo realmente desagradável por não saber o básico, e sequer ter dúvidas. E o jeito foi tentar me adequar, porque de socialização eu bem que gosto!

Além de tudo, nessa copa tive minhas questões políticas, nas quais não quero me alongar porque a discussão é grande, e não foi para falar disso que eu iniciei esse dedo de prosa, mas a questão é que tudo o que eu senti em relação aos gastos excessivos e violência policial, dentre outros casos, que como eu disse, não quero me demorar, só somou para a minha indiferença, e nesse caso, até implicância.

Mas não, eu não julgo você porque fez o álbum da copa, ou porque está feliz com a recepção no Brasil, de verdade. E tudo que eu peço é um pouquinho de compaixão com essas pessoas que como eu, não aceleram o coração com um placar.

Mas tudo tem um lado bom! É assim que penso, no meu jeito Pollyana de levar a vida. Não entendo de futebol, mas entendo de amor. Não gosto de jogos, mas gosto de você! Não ligo para o placar, mas ligo para o que te faz feliz. E não é que a tal pelada me serviu de inspiração?

Eu quero fazer as pazes com a copa.

E isso não significa deixar minhas indignações de lado, nem minha luta, minha militância, minha opinião, isso fica no lugar que tem que estar. Mas eu quero aceitar o futebol, e ser aceita por ele, na minha inocente ignorância.

Eu não gosto de futebol! Ufa! Posso dizer essa frase sem tanta culpa agora.

O que me comove é a sua comoção, o que me alegra é ver você feliz. Você está feliz?!

Golaço!

 

Minibiografia

Sobrado da coronel,
59 sobrado.
São 11 da manhã
e eu vou à escola.

O almoço esquenta
a meia dobra
O cabelo milimetricamente arrumado.

Vão me chamar de feia no colégio
Não fiz o dever de casa
Hoje é dia de cantar o hino.

Um silêncio vem do sótão 
e atravessa a janela
Passa por mim
e muda tudo.

Ouve,
algo houve
No sentido de existir. 

Já aconteceu

Já aconteceu
entre nós dois 
No nosso não poder
Querer escondido

Já aconteceu
entre o café e a conta
e na palavra não dita
que eu ouvi

Aconteceu
no gesto que contive
No boa noite que queria ser bom dia
Na despedida que queria dizer "vem"
E você ouviu bem
Só não obedeceu,
e nem eu.

Mas já aconteceu!
Na falta de iniciativa
Da vontade ativa
que se conteve,
mas se manteve.

Aconteceu, rapaz
Você e eu
E agora já não se desfaz
o que foi feito
Perfeito!
E você pode até dizer
que mal me conheceu
Mas eu garanto
que já aconteceu. 

Se eu morresse amanhã

Se eu morresse amanhã, 
nada mudaria no mundo. Os gerentes continuariam gerenciando, os cozinheiros cozinhando, os pilotos pilotando, e só minha mãe cantaria mais triste, e meu pai perderia a graça. E meus amigos diriam, "coitadinha, tão cedo!".
É sempre cedo.
120 anos ainda é cedo. 
Mas só 20 é muito mais.
Se eu morresse amanhã ficaria faltando a carteira de motorista, a terceira prestação de alguns livros, aprender a andar de bicicleta amar livre de posse. E mais algumas coisas que só eu sei que comecei.
Se eu morresse amanhã, seria uma fatalidade. A essa altura da vida, minha saúde vai muito bem. Fígado, pulmão, hormônios, todos trabalhando. Principalmente os hormônios. E o coração!
O que me mataria amanhã, seria o trajeto do ônibus? Seria um assalto, sequestro, ou coisa pior? O Rio de Janeiro anda tão violento... Ou seria dor da alma? Ou será que isso não mata?
Se eu morresse amanhã teria muito pouco a deixar. Minha sorte, nesse caso, seria não ter herdeiros. E que pena passar a vida sem herdeiros!
Se eu morresse amanhã e descobrisse enfim, o que é que a vida é. Se há qualquer coisa depois, se eu visse Deus, eu não ia voltar para contar. Voto pela criatividade das teorias!
Se eu morresse amanhã, gostaria que doassem desde os meus rins até minha pele, até meus olhos, até minhas unhas, se isso fosse ter qualquer finalidade. Se eu morresse amanhã, que eu pelo menos ainda pudesse ser útil.
Se eu morresse amanhã, que dó! que dó!, ainda não teria comprado a cristaleira, ainda não teria visitado o Japão, e nem Curitiba. 
Se eu morresse amanhã seria uma grande sacanagem! Logo eu, que tenho tantas vontades, logo eu que vivi tão pouco! Logo eu, que me considero tão imune, logo eu que sou tão normal. 
Melhor eu do que alguém que ainda vai inventar o teletransporte, a máquina de fazer tempo, a cura das dores irremediáveis. Se isso fosse aliviar as estatísticas, melhor eu. Não sem dor, e com humildade, pois não espero tanto assim da minha existência.
Se ela me chegasse amanhã, a indesejada da gente, não sei se seria morta contente ou rebelde, tenho em minha vida essas duas potências. Mas em caso de morte...Já não posso garantir.
Se eu morresse amanhã, seria um livro ruim. Sem protagonista, é o fim da história. 



Mágica

Quando eu era criança, gostava de assistir minha mãe se arrumar. Para cantar ou passear, era sempre um espetáculo.

Lembro dos detalhes, ela abria as gavetas e bolsas de maquiagem, tirava várias e várias opções da arara, até encontrar a vestimenta especial para a ocasião.

Às vezes ela me mandava dormir, porque já estava tarde, ou porque queria ficar sozinha. Mas algumas vezes, ela me deixava ficar ali na porta do banheiro, ia conversando, e me ensinando como ela fazia aquela magia da pintura facial.

O cheiro da maquiagem era tão bom, parecia um perfume para mim. E todas as roupas que ela ia provando, e descartando, eu também ia vestindo e desfilando. Ela achava graça, tirava foto. Quando eu exagerava, ela mandava, toda materna “Chega, Clara, agora vai pro quarto”.

À medida que ela ia se arrumando, pintando olho, bochecha, boca, soltando o cabelo, botando a bolsa, eu ia me despedindo da minha mãe. Frente a frente com uma mulher, um mulherão.

O ritual era fascinante e amedrontador, quando ela entrava no banheiro era minha mamãe, quem sabia curar os machucados com beijo, quem via filme e novela comigo, quem buscava no colégio, quem fazia comida, um pouco santa, um pouco fada, como são as mães.

Quando saía, eu já mal a conhecia, era uma outra pessoa.

Não sei dizer quem era a mais bonita, as duas conseguiam me colocar hipnotizada, mas o que eu gostava mesmo era de estar presente na hora do truque, coisa de mágico profissional.

Não sei dizer por que, às vezes depois que ela saia, e já não parecia minha mãe, eu chorava. Outras vezes, eu sorria, vestia suas roupas, tentava imitar o processo, e ia dormir me sentindo também modificada.

Quando era dia de aniversário, ou de festa junina, era a minha vez de ser arrumada por ela. Mas por mais que eu me maquiasse, arrumasse, deixasse ela brincar comigo como tela em branco. Eu olhava no espelho, me achava bonita, mas ainda era a mesma. Não era aquela mulher que eu via sair da minha casa.

Será que a mágica só funcionava com ela? Era o que eu me perguntava.

O que eu não sabia, era que o ingrediente que faltava nesse ritual era o tempo. E a despeito da minha pressa ou paciência, ele chegou.

Nunca mais vi minha mãe se transformar.

Quando olho para ela agora, arrumada, caseira, cantora ou dona de casa, não vejo mais uma ou outra, enxergo as duas, ou mais. Minha mãe era aquela outra mulher, e agora mais que nunca, elas estão juntas.

Mas, o que eu esperava nas quadrilhas, aniversários e outras datas, agora me surpreende. Quando é chegada a minha vez de me arrumar, usando aqueles truques que aprendi com a minha mãe, vejo uma outra pessoa aparecendo em mim. Tão, tão parecida com aquela mulher que saía da minha casa!

Será que minha mãe, quando me pinta ou me assiste, também se despede da filha? Será que ela espera, na porta do banheiro, como eu menina, a chegada da mulher?

Não sei.

Me olho no espelho, percebendo os detalhes, narcisista ou crítica, e vejo cada vez mais as duas facetas da minha mãe, como vieram parar em mim? Não sou nem uma nem outra, mas o momento da mágica.

 

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