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Para onde vão nossos campeões de Olimpíadas do Conhecimento?

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Por estes dias vimos na imprensa nacional matéria falando sobre garotos que retornavam da Indonésia, trazendo medalhas da Olimpíada Internacional de Física. Conseguiram a proeza de trazer três medalhas de ouro e duas de bronze para o Brasil. Entre gracejos do repórter e a surpresa de pessoas que passavam no aeroporto vendo a chegada noticiada dos campeões uma coisa me chamou a atenção: foi a primeira vez que eu vi uma matéria de TV abordar o tema olimpíada científica tendo como pano de fundo o futuro dos campeões em termos profissionais. A sociedade precisa saber um pouco mais sobre isso.

Durante muitos anos trabalhei em excelentes escolas de Teresina (PI) que não são excelentes apenas por se tratar de senso comum. Nossa cidade tem boas escolas e não é fenômeno recente. Pude trabalhar, na condição de professor, com uma excelente matéria prima. Estudantes de ponta e que se faziam de ponta não somente pelas boas notas, mas sobretudo por resultados em competições científicas como Olimpíadas de Ciências, Matemática, Química, Física, Astronomia, Robótica, entre outras. Desde o fim dos anos 1990 até hoje foram vários campeões que orgulhavam suas famílias e as escolas. Criaram uma cultura que ainda se mantém, especialmente em casos como os estudantes de Cocal dos Alves (PI) e de outras cidades que se destacam neste tipo de competição, com mérito aumentado por se tratarem de estudantes de escolas públicas e do interior do Estado. Mas alguém já parou para verificar o que estes meninos e meninas fizeram quando cresceram?

Muitos dos campeões de Olimpíadas se tornaram médicos. Juntaram o conhecimento em Química ou o melhor do seu raciocínio matemático, por exemplo, e foram estudar a ciência de Hipócrates. Outros encaminharam-se em carreiras acadêmicas respeitáveis, estudando em boas escolas de engenharia ou economia, mas o mercado os absorveu como executivos de instituições financeiras. São pagos para pensar matematicamente como o banco deve investir seus recursos para lucrar mais. Mas porque não viraram professores ou pesquisadores nas áreas de Física ou Química ou Matemática?

A resposta é simples e triste: a carreira de professor não os apetece sob o ponto de vista de carreira profissional. Sempre defendi a premissa de que – “quanto melhor a semente, mais frondosa será a árvore”. Mas fica difícil para um jovem, por vezes genial, submeter-se a rotina, salários e baixo reconhecimento social da condição de professor. Nossa sociedade precisa repensar isso com urgência. Estamos perdendo valores fabulosos e nosso país continua patinando nas últimas colocações dos exames que medem a qualidade do ensino nas áreas de Matemática, Ciências e Letramento (leia-se o PISA - Programme for International Student Assessment).

Como pode um país que se coloca tão bem em Olimpíadas Científicas (esteve entre os 15 melhores na Olimpíada Internacional de Matemática em 2016, por exemplo) ser uma piada quando o básico é medido por estes testes. Estamos falando do mesmo país? Claro que sim. Precisamos de muitos campeões. Especialmente daqueles que possam dividir seu conhecimento e multiplicá-lo. Precisamos atrair nossos melhores talentos para a missão de educar.