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Descobertos novas múmias e tesouros no Egito

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Nas nossas aulas de história aprendemos que no Egito Antigo os faraós e seus familiares eram enterrados em construções suntuosas, como tumbas, às vezes na forma de pirâmides. Utiliza-se inclusive a expressão “construção faraônica” para obras que se assemelhem em suntuosidade a estas obras-primas da engenharia da Antiguidade.

Recentemente descobriu-se que não seriam apenas os membros da realeza que teriam o privilégio de serem enterrados em tumbas com sarcófagos e outros petrechos que eram enterrados junto com os mortos, o que incluem verdadeiros tesouros preservados na secura desértica da região do atual Egito. Na verdade, funcionários públicos e pessoas que serviam à realeza também tinham este privilégio.

Esta semana que passou o Ministério da Antiguidades do Egito anunciou a descoberta da tumba de um ourives que viveu há 3.500 anos atrás. Na tumba foram encontradas três múmias, cerca de 150 estatuetas e outras raridades.

Tem sido relativamente comum encontrar sítios arqueológicos no Egito atual. É como se o novo Egito tivesse sido construído sobre o Egito Antigo. Às vezes alguém está fazendo a reforma de sua casa e se depara com indícios de uma obra do passado.

A ciência ainda tem muito o que descobrir sobre a vida em civilizações antigas e que não possuem um registro amplo de sua história.

Insulina em pó: isto já é possível?

A vida do diabético não é fácil. Além dos dissabores de não poder se alimentar do que gosta tem que enfrentar uma maratona de alimentos com adoçantes artificiais que, além de mais caros, não são a mesma coisa do açúcar.

A diabetes é uma das piores epidemias que afetam a humanidade e mata de forma torturante. Afeta a distribuição sanguínea prejudicando membros, principalmente os inferiores, o desempenho sexual, gera problemas renais, problemas cardíacos, cegueira e até problemas no sistema nervoso central.

Os portadores da Diabetes Tipo 1 necessitam complementar doses de insulina dada a deficiência na produção deste hormônio pelo pâncreas. O que é um problema a mais para crianças que precisam suportar e conviver com furadinhas diárias para uso do medicamento.

A complementação de insulina, ou insulinoterapia é usada há muito tempo. Inicialmente usava-se a insulina extraída de pâncreas de porcos. Nos anos 1970, com a advento da Engenharia Genética, foi possível inserir genes humanos para produção de insulina em uma bactéria da flora intestinal humana chamada Escherichia coli, caracterizando esta bactéria como um dos primeiros organismos transgênicos a serem usados pela humanidade (bactéria com genes humanos). A E. coli produz a insulina humana que é usada atualmente em doses injetáveis nos diabéticos tipo 1.

A prática de usar insulina injetável pode estar com os dias contados. Pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (UNESP), Campus de Araraquara (SP), estão testando o bioprocesso de inserção do gene para produção de insulina em lactobacilos. Os lactobacilos são bactérias encontradas no leite e em alimentos lácteos e consegue permanecer mais tempo viva dentro do organismo humano do que a E. coli, especialmente na passagem pela acidez do estômago. Os testes estão conduzindo à possibilidade de se produzir a insulina em um formato que não necessite a veiculação por via injetável. A ideia é produzir a insulina em pó que pode ser diluído na água, em sucos ou outras bebidas.

A ciência brasileira está tentando melhorar a vida dos que sofrem com a diabetes.

Sexo dos crocodilos pode estar sendo afetado pela poluição

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A determinação do sexo em cada indivíduo segue padrões diferentes na natureza. Existem os organismos que apresentam cromossomos especiais influenciando na sua determinação sexual. É o caso do ser humano que tem um par de cromossomos com esta finalidade: as meninas são XX e os meninos XY. Em outras espécies existem sistemas similares que trabalham com cromossomos de forma um pouco diferente. É o caso das aves que apresentam uma situação inversa em relação aos seres humanos: as galinhas (ZW) e os galos (ZZ)[i].

Em outros seres a determinação sexual segue padrões inusitados. Em alguns répteis como tartarugas e crocodilos a determinação sexual é fruto da variação de fatores ambientais, como a temperatura, por exemplo. Em um ninho de tartaruga os ovos situados mais próximos à superfície do ninho e que recebem mais calor do sol geram filhotes do sexo feminino. Os ovos situados mais ao fundo do ninho geram filhotes do sexo masculino. Este fator de determinação, inclusive, é uma das preocupações dos pesquisadores quando se fala em aquecimento global. Se a Terra está mesmo aquecendo, com o tempo, as espécies que usam a temperatura como critério para determinação sexual passarão por um desequilíbrio sexual.

Alguns peixes têm sua determinação sexual equilibrada pela variação da razão sexual: se existem muitos machos, os próximos filhotes serão fêmeas. Se existem muitas fêmeas, os próximos filhotes serão machos. O que determina isso? A quantidade de hormônio na água. Se existe muito hormônio masculino há um processo de inibição no nascimento de novos machos e vice-versa: muito hormônio feminino inibe novas fêmeas.

O homem tem influenciado e, certamente de forma negativa, neste processo. Descoberta recente, publicada na Revista Science de 01 de setembro de 2017, mostrou o caso dos crocodilos na região de Palo Verde na Costa Rica, América Central. Lá há um desequilíbrio forte entre machos e fêmeas dos crocodilos. Estão surgindo 4 machos para cada fêmea. Os cientistas desconfiam de um hormônio sintético encontrado nas águas – o 17a-Metiltestosterona, chamado comumente de MT.

A razão para encontrar altos níveis de MT nas águas da Costa Rica está associada ao uso deste na produção de tilápias. Os produtores destes peixes usam os hormônios para induzir uma geração de machos mais vigorosos e que atingem massa muscular mais rápido, aumentando a produtividade. A notícia cai como uma bomba nos processos de preservação da espécie de Crocodilo Americano que se encontra ameaçada de extinção e tem, nesta região da Costa Rica, uma das maiores reservas da espécie no planeta.

 

 

[i] X, Y, Z e W são nomes dados aos cromossomos sexuais em dois sistemas antagônicos. São os cromossomos alossômicos ou heterossômicos.

Não alimente os pombos!

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Um dos grandes problemas de saúde pública no Brasil é a expansão e crescimento das populações de aves urbanas. Dentre elas a mais prejudicial à saúde do homem, sem dúvida alguma, é o pombo.

Os pombos (Columba livia) são aves aparentemente graciosas e indefesas. Pertencem a família das Columbídeas, que reúne outros representantes como as rolinhas Fogo-pagou, Sangue-de-boi e Avoante, bem comuns na nossa região. Entretanto, os pombos são depósitos críticos de doenças letais para os seres humanos.

Dentre as doenças transmitidas pelos pombos está a micose Criptococose. O pombo transmite esta doença através de suas fezes: os esporos do fungo são liberados nas fezes que quando ressecam favorecem a liberação para o ar que é inalado por humanos e animais domésticos, como cães e gatos. A micose pode se instalar em vários órgãos incluindo a pele e o cérebro (veja as fotos).

No Brasil e em outras partes do mundo existem inclusive campanhas para não alimentar pombos que vivem em praças públicas e até invadindo prédios como residenciais e até igrejas (recentemente a Igreja da Consolação em São Paulo até instalou um curioso sistema de hipnose para as aves não entrarem mais, incomodando os fiéis especialmente com sua movimentação e sujeira. Veja no link: http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2017/09/1916850-igreja-instala-painel-colorido-para-tentar-espantar-pombos.shtml ).

O correto mesmo é não alimentar estas aves que, apesar de graciosas, podem causar problemas de saúde graves.

Governo autoriza 1,5 bilhões de reais para pesquisa básica pelos próximos três anos

Considerada uma medida surpreendente para os pesquisadores, o Governo resolveu, de repente, autorizar a liberação de 1,5 bilhões de reais para serem investidos apenas na Pesquisa Básica pelos próximos três anos.

A Pesquisa Básica é fundamental para o desenvolvimento de todas as formas de pesquisas, pois é capaz de gerar o grosso das informações que podem ser imediatamente utilizadas para subsidiar as pesquisas aplicadas, em geral, consideradas prioritárias por serem capazes de gerar produtos e saberes de interesse direto da população.

Geralmente os recursos para pesquisa básica são negligenciados porque não geram resultados imediatos e por isso tem o retorno mais lento para a sociedade. Em tempos de crise a prioridade é, quase sempre, a pesquisa aplicada. A pesquisa aplicada também conta com o apoio mais forte da iniciativa privada que, muito raramente, investe na pesquisa básica.

Estudos de novas doenças, estudos da biodiversidade animal e vegetal e isolamento de substâncias de interesse medicinal estão entre os conhecimentos considerados como temas para a pesquisa básica.

Os cientistas italianos estão de parabéns com esta decisão proferida esta semana pela ministra da Educação, Universidade e Pesquisa da Itália, Valeria Medeli. O anúncio contraria a política desenhada no último triênio onde foram liberados o equivalente a 350 milhões de reais, um quarto do valor anunciado agora.

Enquanto isso no Brasil...

Cientista piauiense participa da criação de nanorobôs

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A tecnologia está avançando a passos largos para tentar contornar problemas que afetam a humanidade. Está em curso uma pesquisa que visa a construção de nanorobôs para o tratamento do câncer e outras aplicações. E o que seria um nanorobô?

Primeiro é importante esclarecer o que é um nanômetro. Nanômetro é o equivalente a um bilionésimo do metro, no sistema métrico decimal. Ao se deparar com a expressão NANO entenda que se trata de uma fração muito pequena (1 / 1.000.000.000). Então quando ouvir a expressão “nanotecnologia” estamos tratando de algo muito pequeno. Um nanorobô seria capaz de corrigir falhas no nível molecular, dado o seu tamanho.

Como é possível construir os nanorobôs? É a pergunta que surge de imediato quando se tem noção do tamanho de algo “nano”. Eu conversei com Pablo Damasceno, cientista piauiense, hoje em um Pós-Doutorado no Departamento de Farmacologia Molecular e Celular da Universidade da Califórnia em San Francisco (UCSF) nos Estados Unidos. Ele me explicou que seu projeto, orientado pelo Dr. Shawn Douglas visa a construção de robôs construídos a partir de moléculas conhecidas como o DNA, por exemplo.

“Hoje é possível encomendarmos moléculas de DNA com sequências planejadas, possibilitando a construção artificial de estruturas moleculares complexas. Uma das habilidades desses “nano-robôs” é a de distinguir células cancerígenas de células saudáveis, um passo fundamental para a diminuição dos efeitos colaterais em tratamentos modernos de câncer”, me explicou Pablo por e-mail.

Se a técnica desenvolvida pela equipe da qual faz parte Pablo Damasceno alcançar os objetivos planejados, dentro em breve estarão disponíveis no mercado novas ferramentas para o combate de diferentes tipos de câncer, além de outras aplicações como a organização de nanopartículas que compõem materiais diversificados alterando sua organização molecular. A técnica permite a criação de nanoferramentas usando moléculas de estrutura conhecida, como o DNA.

O piauiense Pablo Damasceno é graduado em Física pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCAR), fez doutorado em Física Aplicada pela Universidade de Michigan (EUA) e hoje cumpre estágio Pós-Doutoral na Universidade da Califórnia em San Francisco (EUA).

Pablo é mais um piauiense a serviço da humanidade.

Por que a RENCA é tão importante para Amazônia?

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Nestes últimos dias o Governo Federal através de um decreto extinguiu a RENCA – Reserva Nacional de Cobre e Associados abrindo a legalização para sua exploração mineral. Depois, pressionado pela opinião pública voltou atrás e suspendeu as atividades de mineração por 120 dias e reafirmou compromissos de exploração com todos os cuidados necessários aos procedimentos de extração mineral. Mas porque é tão preocupante a medida do Governo em favorecer a exploração mineral?

A RENCA é uma reserva mineral rica em cobre, ouro e manganês. Fica entre os estados do Amazonas e Amapá e tem uma área gigantesca, do tamanho do Estado do Espírito Santo. Próximo a ela existem várias unidades de conservação entre Parques Nacionais e Reservas Biológicas. O Governo alega que apenas regularizou problemas que já existem na região, mas na verdade o dano é muito maior.

Relatório recente do Instituto Mamirauá, instituto tutelado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicação apontou de 381 espécies recém descobertas de plantas, mamíferos, aves, peixes, anfíbios e répteis, entre os anos de 2010 e 2015, na região Amazônica. Muitas destas espécies em áreas próximas ou pertencentes ao território abrangido pela Reserva.

A exploração mineral é uma atividade econômica de suma importância para qualquer nação, cujo solo e subsolo são ricos em importantes matérias primas para indústria e para o consumo. Entretanto, trata-se da mais impactante atividade de exploração de recursos naturais, muitas vezes absolutamente irrecuperáveis e com danos irreversíveis ao ambiente. O acidente de Mariana (MG) que vitimou o rio Doce é um exemplo recente do que uma atividade mineral pode afetar o equilíbrio ambiental. E as autoridades brasileiras ainda não responderam à altura da lei sobre os danos e o processo de recuperação do meio ambiente causado pela empresa responsável pelos resíduos de mineração que vitimaram pessoas, animais, plantas, o rio, tendo como percurso terras de Minas Gerais e do Espírito Santo.

A exploração tutelada pelo Governo Federal das terras da RENCA abre uma preocupação sem precedentes sobre o futuro da Amazônia. A Amazônia é o maior de todos os biomas brasileiros e, apesar de avanços do desmatamento e de queimadas detectadas pelos estudos de imagens de satélite, ela ainda é o ecossistema mais preservado do Brasil. A Floresta Atlântica e o Cerrado já atingiram a categoria de Hotspots Mundiais (áreas de grande relevância em termos de biodiversidade e que já perderam mais de 50% da sua composição original).

Neste post escolhi algumas imagens do relatório da WWF com alguns dos mais recentes seres vivos conhecidos pela ciência e que, mal conhecidos, já correm risco iminente de desaparecerem junto com boa parte da Floresta Amazônica.

Roguemos para que os políticos se identifiquem com a máxima de que não comemos dinheiro e o futuro dos nossos filhos depende da preservação do meio ambiente.

Afrânio Fernandes

Na semana passada perdemos um grande expoente da Botânica brasileira: faleceu aos 90 anos o Engenheiro Agrônomo Afrânio Gomes Fernandes. Talvez aqui no Piauí pouco tenha se falado sobre o nome do Prof. Afrânio, mas apesar de ser cearense, ele foi um dos mais importantes botânicos a estudar a Flora do Piauí.

Afrânio Fernandes era um taxonomista de mão cheia. Para quem não sabe os taxonomistas são os cientistas que estudam a descrição e a identificação dos seres vivos. Neste caso ele trabalhava principalmente com a família de plantas das Leguminosas (que possui espécies bastante conhecidas nossas como o feijão, a soja, a fava, o amendoim e muitas outras). Da sua lavra, foram descritas 17 novas espécies de plantas para a ciência. Ele também foi um dos fitogeógrafos mais importantes do Brasil.

Fez várias excursões pelo interior do Piauí, seja de natureza científica, como a primeira expedição ao local que hoje está instalado o Parque Nacional da Serra das Confusões, nos anos 1970; seja de natureza técnica, em estudos de impactos ambientais como o que tive a honra de acompanhá-lo em 1998 para a região de Oeiras e Simplício Mendes, quando estudávamos os impactos da barragem sobre o rio Salinas, naquela região.

Afrânio era o mais piauiense dos botânicos nascidos em outros lugares. Sua importância não foi somente em identificar plantas daqui, mas em fazer também considerações importantes sobre outros grandes botânicos que aqui estiveram nos séculos passados e ajudaram a compor a riqueza de informações da flora do nosso estado, que ainda hoje carece de mais informações. Lembro que em nossas conversas no sertão de Oeiras ele me falou da emoção de estar na mesma trilha percorrida pelo botânico Von Martius, que passou pelo Piauí na década de 1830.

Afrânio era Doutor Honoris Causa pela UFPI e deixa um legado para além dos seus conhecimentos amplos sobre botânica e fitogeografia. Deixa, sobretudo, saudades.

Vá em paz grande Mestre, identificar as plantinhas dos jardins do Criador...

Coevolução pode explicar transmissão do Zika vírus pela muriçoca

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Desde o início do mês de Agosto circula no meio científico o burburinho de que a nossa popular muriçoca (inseto do gênero Culex) pode ser um dos vetores de transmissão do vírus da Zika. Atualmente sua transmissão é devida apenas ao Aedes aegypti que também transmite os vírus causadores da Dengue e da Febre Chikungunya.

O Zika vírus foi descoberto em 1947 como patogênico em macacos na Floresta de Zika, em Uganda, África. Sua manifestação em humanos foi relatada ainda da década de 1950 na Nigéria. Em 2015 o vírus foi identificado em pacientes brasileiros e o que mais causou preocupação foi a coincidência entre sua epidemia e o aparecimento de muitos casos de bebês nascendo com microcefalia. Os sintomas da Zika são dores musculares e articulares, conjuntivite, febre e dermatite. Embora incômoda, a doença não é considerada grave. O relacionamento com os casos de microcefalia levou as autoridades mundiais a se preocuparem muito com a expansão do vírus, em função dos efeitos devastadores da microcefalia nas crianças.

A transmissão do Zika vírus feita pelo Aedes já é muito preocupante, tendo em vista a incapacidade das autoridades em saúde brasileiras em conter o avanço deste mosquito como vetor, que tem um viés relacionado a questões ambientais, sociais e educacionais. Agora imaginem se forem confirmadas as relações entre o vírus e a nossa muriçoca?

Os parasitas (no caso aqui o vírus) estabelecem uma relação evolutiva com o hospedeiro (no caso aqui o mosquito). É necessário que existam condições proporcionadas pelo hospedeiro que favoreçam a sobrevivência do parasita. Estas condições decorrem de um longo tempo de relacionamento ou tentativas de relacionamento entre os dois. O que a pesquisa identificou foi a presença de Zika vírus em células das glândulas salivares e das paredes intestinais em três amostras de mosquitos: duas amostras de Aedes (uma de exemplares infectados e coletados em Recife e outra coletada em Fernando de Noronha) e em uma amostra de Culex. Os resultados contradizem outras pesquisas que investigavam as mesmas possibilidades. Mas seria possível esta situação (um novo vetor para o vírus) mudar com o tempo? A resposta é sim.

A capacidade de ajuste que as espécies apresentam na natureza é grande e não se direciona de modo racional (como o homem pensa ou planeja). A evolução, tanto da espécie de vírus, quanto da espécie de mosquito pode, com passar do tempo, convergir para o mesmo ponto. O que pode acontecer é que, de repente, condições orgânicas do mosquito, enquanto hospedeiro, favoreçam a sobrevivência do vírus em seu organismo. Só o tempo será capaz de dizer isto. Este fenômeno se chama Coevolução.

Seria terrível se as muriçocas se juntassem aos Aedes na disseminação de mais este agente patogênico. Em tempo: nas regiões tropicais as muriçocas transmitem o verme responsável pela Elefantíase.

Se quiser ler o artigo clique em https://www.nature.com/emi/journal/v6/n8/pdf/emi201759a.pdf

 

Cientistas criam técnica capaz de corrigir mutações ou modificar características

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A herança de características genéticas às vezes é um peso que precisamos suportar e que provoca desgastes cotidianamente. Quando estou na farmácia adquirindo meu estoque de medicamentos que compensam doenças hereditárias (duas cardiopatias e uma doença metabólica) sou interpelado pelo atendente e invariavelmente respondo: preferia ter herdado uma casa na praia! O que provoca risos, mas levanta o insuspeito desejo de que tudo poderia ser bem diferente, de fato.

A ciência genética vem evoluindo para um ponto em que logo será possível fazer uma seleção mais ampla de genes causadores de anomalias genéticas evitando doenças de cunho hereditário que, combinadas com o estilo de vida, são epidêmicas em todo o planeta.

O avanço mais recente sobre a possibilidade de corrigir genes causadores de doenças hereditárias em embriões foi publicado este mês na revista britânica Nature. A descoberta de pesquisadores de universidades dos EUA, Coreia do Sul e China está no artigo intitulado “Correction of a pathogenic gene mutation in human embryos” (Correção de uma mutação em gene patogênico em embriões humanos, em tradução livre) e se refere ao desenvolvimento de uma técnica chamada CRISPR-Cas9 usada para simplesmente editar o gene MYBPC3, mutação gênica responsável pelo desenvolvimento tardio de doença cardíaca.

O experimento gerou embriões livres do gene defeituoso. O desenvolvimento da técnica abre a perspectiva para uso futuro, de forma segura, no processo de conceder ao embrião que se livre de doenças hereditárias. É muito cedo pensarmos em pessoas totalmente saudáveis e livres de doenças hereditárias graves, mas a descoberta joga luz sobre o assunto ao mesmo tempo em que traz uma polêmica que reacende o pensamento eugenista.

A eugenia foi defendida no final do século XIX, início do século XX por alguns pesquisadores da área de Genética como o inglês Francis Galton e ganhou força na época do nazismo, sob os auspícios de um ditador sanguinário que desencadeou o maior genocídio da história da humanidade, buscando, entre outras razões o estabelecimento da raça ariana.

O dilema é que a correção ou a edição de genes defeituosos, capazes de gerar doenças, pode suscitar a ideia de se corrigir caracteres levando em consideração os subjetivos critérios da beleza. Uma pele mais clara, cabelos mais lisos ou íris azulada podem estar entre os caracteres a serem corrigidos usando a técnica. E é aí onde mora o perigo de se atropelarem normas bioéticas.

Depois de assistir o lamentável incidente de Charlottesville (EUA) e os ataques de fúria nas redes sociais contra a Miss Brasil 2017 tenho minhas dúvidas se a humanidade está preparada para usufruir este tipo de ferramenta.

Se quiser ler o artigo clique em https://www.nature.com/nature/journal/v548/n7668/pdf/nature23305.pdf

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