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O jogo eleitoral começa, oficialmente, hoje

Hoje é um dia decisivo no processo eleitoral. A partir desta sexta-feira, começa o prazo para a realização das convenções partidárias, quando serão homologadas as chapas que irão disputar o pleito de outubro. É hora de apressar os entendimentos, confirmar nomes, fechar coligações e, no caso do governo do Piauí, aparar as arestas que ficaram da escolha para fechar a chapa da situação.

A estratégia de segurar o anúncio da composição da chapa governista até as vésperas da convenção teve o objetivo de manter unida, enquanto foi possível, uma extensa e heterogênea base aliada, capaz de assegurar recursos para a administração, aprovar os projetos do governo e barrar aqueles que poderiam causar algum desconforto ao Karnak.

Mas a longa espera também serviu para alimentar sonhos, tanto no PP quanto no MDB, e, como se sabe, quanto maior a expectativa, maior a frustração quando ela não se realiza. A dúvida é saber que tipo de reação essas frustrações geradas irão produzir daqui pra frente. Ou se irão produzir mesmo alguma reação, porque há sempre uma compensação sendo gestada para alimentar a fome de poder.

O eleitor assiste a tudo isso, perplexo, sem entender direito para que rumo caminha a sucessão no Piauí. O pior de tudo é que, a pouco mais de dois meses da eleição, não se vê ninguém falar sobre um projeto de desenvolvimento para o Estado, sobre ideias para estimular a economia, gerar empregos, melhorar a qualidade de vida. A realidade aqui parece girar mesmo só em torno de discussões políticas de bastidores.

 

A natureza do MDB é ser governo

O documento do MDB encaminhado ao governador Wellington Dias, sustentando o apoio ao nome do Deputado Themístocles Filho à vaga de vice-governador na chapa da situação, foi mais uma saída honrosa para o presidente da Assembleia do que qualquer outra coisa. Uma espécie de conforto psicológico ao deputado, que contava como certa a sua dobradinha com o governador. Os emedebistas sabem que a chapa já está decidida e nela não há espaço para Themístocles.

Os planos do governador, já pensando em 2022, são o de deixar alguém da sua extrema confiança no Karnak para pavimentar a eleição do seu sucessor. Nos bastidores, já se fala no nome da primeira dama, deputada Rejane Dias, coisa que só o tempo irá confirmar, até porque ainda faltam quatro anos.

O MDB, não obstante a surpresa com que foi tomado na noite de terça-feira, deve acabar se acomodando na sombra do governador, como bem calculou Wellington. Afinal, há muito, o partido desaprendeu a ser oposição. E os deputados, mesmo os que assinaram o documento de apoio a Themístocles, estão mais preocupados em assegurar  a sua reeleição para a Assembleia. Assim funciona a política no Piauí: manda quem pode, obedece quem não quer correr o risco de ficar fora do jogo.

 

Governador surpreende MDB

Esta é uma semana de definições na política piauiense. Pouco a pouco, o Governador Wellington Dias vai anunciando sua chapa, ao agrado do PT, e não sem alguns arranhões entre os aliados. Desde que tomou posse, em 2015, a vice-governadora Margareth Coelho vinha se empenhando para continuar a ocupar a mesma vaga durante a disputa pela reeleição do governador, com o apoio do presidente do PP, senador Ciro Nogueira, que não mediu esforços em trazer recursos para a gestão de Wellington.

Ao final, o governador valeu-se do argumento de que, a cada partido, caberia apenas uma vaga na chapa majoritária, o que, automaticamente, colocaria Margareth de escanteio. O PP engoliu seco e disse que iria continuar apoiando o governo. Ontem, foi a vez do chefe do Executivo  comunicar ao deputado Themístocles Filho que a vaga de vice também não seria dele, como sonhava o MDB.

Para atender a uma pressão do próprio PT, Wellington achou por bem acomodar a senadora Regina Sousa como vice na sua chapa. Com os resultados apontados nas pesquisas até agora, era difícil a senadora disputar uma vaga para a Câmara Alta. ( Regina aparece em sexto lugar, com 5,8% das intenções de voto, segundo Instituto Opinar).

O governador terá pela frente a tarefa de juntar os cacos e acalmar os ressentimentos deixados ao longo do processo. Hoje, as atenções se voltam para saber qual será a posição do MDB depois da reunião de ontem à noite no Karnak.  Apesar da sua inegável vocação governista, os deputados saíram visivelmente decepcionados da reunião com o governador. Se esse sentimento é forte o suficiente para levar o partido para a oposição é difícil prever.

 

Otimismo

O fato é que o governador se sente inteiramente à vontade para mexer as peças do tabuleiro político como quer, confiado nas pesquisas eleitorais que o colocam em franca vantagem diante dos adversários. O resultado da pesquisa Opinar, divulgado ontem pela TV Cidade Verde, deixa isso bem claro. Com uma discreta oscilação negativa de três pontos percentuais ( que pode estar dentro da margem de erro) , o governador mantém a dianteira com folga, navegando em 47,69% das intenções de voto.  O segundo colocado, o tucano Luciano Nunes aparece com discretos 7,21%.

A certeza de uma reeleição tranquila está deixando o governador com coragem para enfrentar os aliados e arrumar tudo do seu jeito.  Mas, uma coisa é o apoio incondicional de uma base com expectativa de poder; outra, é o comportamento dessa mesma base depois da frustração de ser colocada de lado. Pode até compor o mesmo palanque, porém sem o mesmo empenho.

O consumidor é o novo mordomo

Certas coisas, de tão surreais, assustariam até mesmo Salvador Dali – artista plástico espanhol que se notabilizou por suas obras surreais. O fornecimento de energia elétrica no estado do Piauí é precário. As oscilações de energia são tão frequentes quanto a total ausência dela.  Basta perguntar a qualquer consumidor, residencial ou industrial. No entanto, como nos enredos de filme pastelão, em que o mordomo é sempre o culpado, aqui o culpado é o consumidor.

O secretário municipal de Educação, Kléber Montezuma, está sendo processado pela Eletrobrás Piauí por criticar os serviços prestados pela empresa em uma entrevista à imprensa local. O Secretário reclamava dos prejuízos causados à rede municipal por conta da baixa qualidade da energia fornecida.

Em um país onde o consumidor é respeitado e levado a sério, a empresa teria procurado melhorar o seu serviço e saber que tipo de prejuízo teria causado. Talvez até pedisse desculpas publicamente à população por afetar o ensino público. Aqui, não. A Eletrobrás entende que pode cobrar o que quer pelo serviço que presta, e que, de fato, é ruim, e ainda processar o consumidor e transferir para ele o ônus do prejuízo.

Na peça encaminhada à justiça, a Eletrobrás pede uma indenização de 40 salários mínimos ( R$ 38.160), por entender que Montezuma praticou “ato abominável” e “desrespeitoso”. Vejam só a inversão de papeis! A empresa é que deve aos milhões de consumidores afetados pelas constantes faltas de energia. Quanto de prejuízo o comércio e a indústria acumulam por não contarem com um serviço de qualidade em área tão essencial? Quanto se gasta com aluguel de geradores para garantir que o serviço não pare? Mas, se você é uma dessas vítimas, permaneça calado, pois além de pagar caro pela conta, seu prejuízo pode ser ainda maior com indenização. Franz Kafka deve estar sorrindo disso tudo.

O naufrágio do Plamta atinge 300 mil usuários

Em uma última tentativa de acordo, governo e sindicato dos hospitais e clínicas particulares se sentam à mesa logo mais, às 9h, intermediados pelo Ministério Público do Estado. A situação chegou ao nível do “insustentável”, de acordo com os hospitais, devido ao atraso no pagamento do repasse do Plamta. Sem receber pelos atendimentos feitos, os diretores da rede privada de saúde já anunciaram que vão suspender as atividades com os usuários do plano.

Pior para os servidores públicos, cujo pagamento é descontado mensalmente no contracheque. Ou seja, eles estão pagando regularmente, mas não terão direito ao benefício porque o estado não está repassando o dinheiro recolhido aos hospitais. O sindicato dos hospitais diz que não tem como continuar o atendimento se o governo não pagar dentro do prazo estabelecido n contrato, que é de 60 dias após a apresentação da fatura.

O Estado, por meio do Secretário de Fazenda, Antônio Luís Santos, mandou um recado, avisando que não tem como pagar no prazo por conta da dificuldade financeira que o Piauí está atravessando. As contas estão no vermelho, é fato. Mas é preciso estabelecer prioridades e a saúde é a principal delas. O Piauí teve sua máquina pública inchada e hoje conta com mais de 60 órgãos com status de secretaria. Algumas obras, como construção de estradas, estão pulverizadas em várias secretarias ao mesmo tempo.

Um bom começo é otimizar os serviços, diminuir o número de cargos públicos e apertar o cinto onde não haja prejuízo para a população. Certamente, deixar de pagar compromissos assumidos com a saúde não é um bom caminho. Os quase 300 mil usuários do Plamta em todo o Estado têm  o direito de receber o benefício correspondente ao que pagaram.

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