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Em pausa

Ainda em estado de choque com os vídeos apresentados nos últimos dias sobre as delações da Odebrecht, esta colunista sai de férias por dez dias, esperando encontrar o país um pouco mais organizado volta. 

Até breve!

Licitação da água será votada esta semana

Esta semana, o Tribunal de Contas do Estado deve votar a análise do processo que trata da subconcessão do sistema de águas e esgotos do Piauí. A votação está marcada para quinta-feira, 20, quando, em sessão plena, os conselheiros irão apreciar o voto do relator Luciano Nunes.

É uma votação que chama atenção porque envolve uma soma vultosa de recursos e que vem enfrentando sucessivos embates jurídicos. A empresa vencedora na licitação, a Aegea, foi questionada pela segunda colocada, Águas do Brasil. O TCE pediu a suspensão do processo até que os auditores da casa analisassem detalhadamente cada planilha. Nesse meio tempo, o desembargador Sebastião Ribeiro Martins decidiu liminarmente que o processo poderia ir adiante, revogando a decisão do TCE. O governo do Estado comemorou e chegou a assinar o contrato com a Aegea, mas, pouco tempo depois, o desembargador voltou atrás e o TCE retomou a análise.

O governo, as empresas concorrentes, os funcionários da Agespisa e a população de Teresina estão atentos a este julgamento, cada um por razões bem particulares. O governo, pela soma de dinheiro envolvido; as empresas, pensando no lucro que irão obter com esta conta generosa; os funcionários da Agespisa, temerosos por perder empregos e benefícios adquiridos ao longo do tempo; e a população, a parte mais indefesa dessa história, só pensa em receber água tratada em casa e ter acesso  ao serviço de esgotamento sanitário para melhorar a sua qualidade de vida.

O TCE deve agir tecnicamente em defesa do interesse comum do Piauí, analisando cada número das propostas das empresas participantes desta, que é uma das licitações mais rumorosas do estado. Que o Piauí precisa melhorar o seu serviço na área de esgoto e abastecimento de água, é inegável, mas que isso não seja feito a um custo penoso para sua população.

Jesus é crucificado outra vez; agora, no Brasil.

A história passada em Jerusalém, há milhares de anos, repete-se hoje, mostrando que a natureza humana é a mesma, independente do tempo e do espaço. Naquela época, Judas vendeu Jesus por trinta moedas de prata, traindo a confiança do mestre. Agora, vemos dezenas de políticos de todos os partidos traindo a confiança do povo que os elegeu por um punhado de dinheiro. A diferença está na quantia embolsada, aumentada na proporção do crescimento de ambição e ganância que tomou conta da atividade política.

Infelizmente, o dinheiro ainda é a moeda que prevalece em muitas relações, mesmo naquelas que deveriam existir para defender o interesse público. Parlamentares, ministros, governadores e prefeitos foram delatados por suas práticas promíscuas com empresas financiadoras de campanha. Há ainda muito a ser apurado e, certamente, algumas das delações não se comprovarão como prática de crimes. A depuração será feita ao longo do tempo e das investigações. De qualquer forma, o estrago é grande.

A traição de Judas levou Jesus à cruz. A traição de nossos representantes leva milhares de brasileiros à cruz do abandono, da falta de escolas, das filas nos hospitais públicos à espera de vaga, das mortes nas estradas por falta de conservação das rodovias, da violência que se alastra pelas ruas desprovidas de segurança pública. E em cada um desses brasileiros traídos e jogados à própria sorte, Jesus é crucificado e morto novamente. Mas isso não parece comover nossa elite política.

A Via Crucis dos políticos delatados

Em plena Semana Santa, o ministro relator da Lava Jato, Edson Fachin, decretou a Via Crucis de 8 ministros de estado, 24 senadores, 39 deputados e 3 governadores, além de outros políticos, incluindo os ex-presidentes Lula, Dilma Rousseff e Fernando Henrique Cardoso. Quase todos os partidos entraram no rol do pedido de abertura de inquérito, sendo que os mais citados são o PMDB, PP, PT, PSDB, PSB e até mesmo o PC do B.

Aqui do Piauí, foram incluídos na lista de investigados o senador Ciro Nogueira (PP), Paes Landim ( PTB ) e Heráclito Fortes (PSB). É bom lembrar que o fato de serem investigados a partir de delações feitas por executivos da empresa Odebrecht não quer dizer que eles se tornem réus, o que ainda deve ser confirmado pelo Supremo Tribunal Federal. Todos os envolvidos na lista negam a participação nos atos delatados.

A maioria dos crimes de que são acusados diz respeito  à corrupção ativa, corrupção passiva, lavagem de dinheiro, fraudes em licitações e falsidade ideológica. A verdade é que, tirados os excessos das delações, que parecem misturar todos os políticos em um mesmo balaio, as campanhas eleitorais brasileiras tornaram-se negócios milionários, o que leva à relação nada republicana entre empresas e candidatos. Há também aqueles que solicitaram propina não apenas para entrar no jogo eleitoral, mas com o fim do próprio enriquecimento.

A Nação precisa acompanhar com olhos de lince cada passo a ser dado nesse processo para saber realmente a culpa, ou inocência ( se é que isso existe em Brasília) de cada um. Acompanhar, cobrar punição efetiva e, principalmente, guardar esses nomes na memória para não elegê-los nas próximas eleições. Este, sim, é o maior castigo que pode ser dado a quem não honrou o voto recebido.

Um dos efeitos colaterais imediatos dos pedidos de inquérito determinados pelo ministro Fachin é o trâmite da votação de reformas importantes que aguardam a sua aprovação pelo Congresso, como a reforma da previdência. Com parlamentares preocupados em salvar o próprio pescoço e a imagem perante os eleitores, haverá clima para as discussões necessárias que antecedem a votação de matéria tão importante? O país não pode parar e a reforma da previdência tem pressa. Como se vê, a corrupção atrapalha o Brasil de todas as formas.

 

Ameaça de uma nova guerra

O mundo acendeu o sinal de alerta depois que os Estados Unidos lançaram mísseis contra uma base militar da Síria. Os aliados do ditador Bashar Al Assad, incluindo aí o presidente da Rússia, Vladimir Putin, já mandaram o recado de volta, avisando que não aceitarão novos ataques contra a Síria, sob pena de retaliação. É o estopim para uma nova guerra de proporções inimagináveis, que todos torcem para que não aconteça.

Donald Trump não tem uma  estratégia planejada para o conflito na Síria, muito menos compaixão pelas vítimas atingidas com gás sarim ou qualquer outro tipo de arma usada contra elas. Mas, como está com baixa popularidade, depois das derrotas aplicadas pelo Congresso,  precisa de alguma ação urgente que confira a ele o título de grande líder. Como não pesa a consequência dos seus atos, pode estar entrando em uma enrascada das grandes, que compromete não só os Estados Unidos, mas a paz mundial, já tão fragilizada.

O que acontece na Síria é, de fato, lastimável. Há sete anos metido em uma guerra interna, o país encontra-se devastado. As famílias estão destroçadas e tentam fugir de qualquer jeito, apavoradas com os ataques dos rebeldes. Impossível viver em um lugar assim, onde já não há mais qualquer perspectiva de uma vida normal, na qual as pessoas acordem de manhã cedo e possam se programar para sair para o trabalho ou escola. Os sírios pensam hoje apenas em sobreviver aos ataques.

Os líderes mundiais precisam se unir em busca de uma solução que passe pelo entendimento e pelo bem estar coletivo. Em um mundo já marcado por tantas crises e turbulências, o que menos se espera agora é uma nova guerra, provocada pela insanidade de quem quer mostrar autoridade dentro e fora do seu país.

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