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MP condena agressões a Uber em Teresina

O Ministério Público voltou a se manifestar sobre os  conflitos existentes, e cada vez mais agressivos, entre taxistas, agentes da STRANS e passageiros do aplicativo Uber. Em nota divulgada ontem, a 32ª Promotoria de Justiça de Teresina diz que  a Prefeitura “exorbitou suas competências, incorrendo ainda em comportamento que vai de encontro com os ditames constitucionais e da legislação federal”. E vai mais além, ao informar que “encaminhará todas as notícias recebidas para apuração criminal da autoria e responsabilidade dos envolvidos.”

 A Uber opera no mundo inteiro e a sua chegada ao mercado é irreversível porque quem já se utilizou do serviço ficou satisfeito e não quer abrir mão da comodidade, do conforto e dos preços mais atrativos que a empresa oferece.

Ocorre que aqui, como em algumas cidades brasileiras, os taxistas, em vez de melhorarem o atendimento aos clientes, resolveram travar uma briga insana contra os motoristas da Uber.  E, para isso, vêm contando com o apoio da STRANS, que justifica o seu comportamento dizendo que a empresa opera ilegalmente.

O constrangimento sofrido por um casal na rodoviária de Teresina no último fim de semana, quando foi intimidado a mostrar a aliança para provar que eram marido e mulher, foi o ápice de uma série de atitudes agressivas e grosseiras que têm acontecido contra motoristas e passageiros que utilizam o serviço da Uber.  

O Brasil vive a sua pior recessão econômica. 14 milhões de brasileiros estão desempregados. O serviço da Uber não só é uma alternativa para quem está procurando trabalho, como uma opção considerável para o usuário que deseja utilizar-se de um meio de transporte pago. É preciso que a operação seja logo regulamentada, como deve, para que os teresinenses possam ter a liberdade de pagar pelo serviço que mais lhe agrada, sem que tenha que passar por qualquer tipo de agressão.

Explica, Janot!

Crescem a cada dia os pedidos de explicação ao Procurador-Geral , Rodrigo Janot, sobre o premiadíssimo acordo de delação do empresário Joesley Batista, que fez fortuna e tornou-se o maior processador de proteína animal do mundo às custas de recursos públicos oriundos do BNDEs, e fundos dos  pensão Petros e Funcef.

Depois de dizer que comprou meio mundo do universo legislativo, executivo e judiciário  do país, Joesley, sabendo do estrago que iria causar no mercado financeiro, vende suas ações antes da baixa do dia seguinte às delações e ainda compra uma mega quantia em dólares. Na sequência, parte para os Estados Unidos, livre, leve e solto, sem qualquer punição.

O empresário Marcelo Odebrecht, além de amargar um grande prejuízo , foi afastado da sua empresa e cumpre pena em regime fechado. Deve estar se achando um perfeito idiota. Por que tratamento tão desigual? Esta é a pergunta que deve estar remoendo na cabeça dele e de outros que, igualmente, encontram-se trancafiados na cadeia, enquanto o senhor das carnes aproveita a vida nos Estados Unidos.

Ontem, o perito Ricardo Molina questionou a qualidade da gravação dos áudios entregues por Joesley à PGR. Segundo o perito, eles não se sustentam. São demasiadamente amadoras, cheios de falhas e não passariam pela análise nem de um aluno seu. No entanto, foram estas as provas que garantiram a Joesley o salvo conduto para gastar no exterior o dinheiro ganho com especulação aqui no Brasil, depois de jogar o país em uma confusão que ainda está longe de chegar ao final.

O adeus ao Dr. Chico Ramos

O Piauí se despede hoje de um dos gigantes da medicina no Estado. O médico neurocirurgião Francisco Ramos morreu nesta madrugada, após sofrer uma parada cardiorrespiratória em um hospital de Teresina. Foi o último suspiro do homem que dedicou a sua vida a cuidar dos pacientes com a dedicação de um profissional e o carinho de um pai. Trabalhou até os últimos dias de vida, com o mesmo entusiasmo.

Em janeiro do ano passado, Dr. Francisco Ramos foi personagem de uma reportagem de capa da Revista Cidade Verde sobre pessoas que chegam à terceira idade de forma ativa e produtiva. À época, com 86 anos, ele deu a seguinte declaração: “ Sou apaixonado pela medicina. Hoje, trabalho de manhã e de tarde na clínica e quero continuar fazendo isso até quando eu morrer.” E assim ele fez.

 Ainda menino em Valença do Piauí, filho de uma família pobre, Chico Ramos saiu de casa e, segundo ele próprio gostava de contar, pendurou o chapéu de vaqueiro na parede, dizendo que só voltaria quando fosse doutor.   Enfrentou muitas dificuldades, mas cumpriu a promessa. Formou-se em Medicina pela Faculdade Nacional da Universidade do Brasil, no Rio de Janeiro, fez pós-graduação em neurocirurgia, iniciada na Santa Casa de Misericórdia no Rio de Janeiro, concluída no Instituto de Neurocirurgia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Foi médico do Hospital Getúlio Vargas por 50 anos, de onde saiu com um sem número de afilhados, filhos dos funcionários que viam nele bem mais que um chefe. Foi diretor do mesmo hospital por quatro mandatos. Fundador e chefe da Clínica Neurológica do mesmo hospital e professor titular de Neurocirurgia da Universidade Federal do Piauí. Membro titular do Colégio Brasileiro de Neurocirurgia. Autor de quatro livros sobre saúde pública.

Acima de tudo, foi um médico humano. Católico, praticava sua religião no exercício diário da medicina, atendendo a todos com atenção, independente da condição social. Os inúmeros pacientes, alunos e colegas de trabalho sentem hoje a saudade de quem foi exemplo na medicina e na vida. O velório acontece a partir das 10h30 no salão nobre da Assembleia Legislativa do Estado. Além de médico, Chico Ramos foi também deputado estadual pelo PSB na legislatura de 2011-2014.

STF precisa agir com suprema rapidez

Esta, definitivamente, será uma sexta-feira atípica em Brasília, quando normalmente a cidade é tomada por uma calmaria após a debandada de políticos rumo aos seus estados de origem e o Congresso fica em completo silêncio. Desta vez, mesmo sem sessão na Câmara e no Senado, o silêncio que se faz ali é ensurdecedor porque guarda todas as preocupações, conchavos, tramas e projeções para o destino político da República.

Ainda há muita indefinição quanto ao futuro próximo. O Presidente Michel Temer e seus aliados ( cada vez mais reduzidos) resistem tanto quanto podem a deixar o comando do país. Temer disse sentir-se aliviado após ouvir o áudio das gravações da conversa que teve com o empresário Joesley Batista. De fato, o trecho mais explorado até então não era exatamente o  que parecia ser a princípio. O comentário dito pelo Presidente de que “tem que manter isso aí”, foi em resposta à frase “ Eu tou  de bem com o Eduardo.”

Mas isso não basta para deixar o Presidente em situação confortável, uma vez que ele vem perdendo apoio no Congresso, um dos seus principais trunfos até agora, responsável pela aprovação das medidas que vinham dando resultados positivos na economia. Sem a agenda das reformas, o mandato de Temer fica esvaziado, como avaliou o deputado federal Marcelo Castro (PMDB).

A solução para a crise não pode demorar. A Justiça tem que abrir o sigilo do inquérito que corre contra o Presidente e acelerar logo o processo para deixar tudo claro e fazer o país andar novamente. O Brasil estava iniciando o processo de decolagem, quando teve que abortar o voo abruptamente, mas os passageiros têm pressa e não podem ficar mais muito tempo parados em solo esperando o comando do piloto. A vida precisa ser tocada, há milhões de brasileiros esperando um pouso seguro de volta ao mercado de trabalho, com estabilidade econômica, inflação controlada e juros baixos. A extensão da crise pode até interessar a alguns partidos políticos, mas para a nação só traz prejuízos.

O último suspiro de Temer

Contrariando todas as expectativas, o ainda Presidente Michel Temer anunciou agora há pouco, durante pronunciamento oficial , que não renunciará. A declaração do Presidente foi dada pouco depois da notícia de que o Supremo Tribunal Federal autorizou a abertura de inquérito contra ele. O cerco se fecha contra o Presidente. O PSB pediu que o Ministro das Minas e Energia, Fernando Coelho Filho, indicado pelo partido, entregue o cargo imediatamente.

Até mesmo os aliados esperavam que o Presidente renunciasse, o que não aconteceu. Michel Temer foi breve no seu pronunciamento. Ele disse que seu governo viveu o melhor e o pior momento esta semana e citou os indicadores econômicos positivos, como a queda da inflação, como um desses momentos favoráveis.  Como pior, claro, a revelação do conteúdo da delação do empresário Joesley Batista, do grupo JBS, na qual ele aparece supostamente apoiando a compra do silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha.

Michel Temer disse que não teme qualquer delação e que registrava, enfaticamente, que a investigação pedida pelo STF será território para todos os esclarecimentos sobre o caso. Acontece que o problema não se esgota com esse pronunciamento, que mais parece uma última tentativa de suspiro de um presidente já agonizante diante da pressão dos adversários e do abandono dos antigos aliados. A noite vai ser longa em Brasília.

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