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Disputa entre os extremos

A nova pesquisa Ibope para presidente da República, divulgada ontem, aponta para a direção de um afunilamento entre os dois candidatos extremos de esquerda e de direita. Os candidatos da chamada terceira via, que representam o pensamento do centro, não conseguiram se viabilizar para chegar ao segundo turno. Ciro Gomes, do PDT, mais alinhado à esquerda, é o que chega mais próximo.

O centro se pulverizou em várias candidaturas que, isoladas, não conseguiram decolar. Se estivessem reunidas como alternativa  aos extremos poderiam romper a polarização existente hoje, que está levando o país a uma radicalização preocupante.

Bolsonaro mantém a liderança conquistada desde o início da campanha, mas esbarra em uma rejeição muito grande que compromete a sua vitória no segundo turno.  46% dos eleitores disseram que não votam no candidato do PSL de forma alguma. É um índice muito superior ao dos que se dispõem a votar nele.

Fernando Haddad, que teve um crescimento vertiginoso desde que foi lançado oficialmente como candidato, também tem uma alta taxa de rejeição: 30%. Ou seja , parece que o pleito vai ser definido por aqueles que não querem determinado candidato: seja do PT, seja do PSL. De fato, a escalada de Bolsonaro se deu muito menos por suas qualidades ou propostas e mais pelo fato de ele conseguir puxar para si a imagem de anti-PT.

De dentro da cela na Polícia Federal em Curitiba, onde cumpre pena por corrupção e lavagem de dinheiro, Lula mostra que continua dando as cartas no jogo pela disputa presidencial. A onze dias da eleição, a novidade é que o número de indecisos diminuiu e limita-se, hoje, a 6% do eleitorado.

 

Impunidade alimenta a revolta da população

Alguma coisa precisa ser feita no país para mudar as leis que permitem demasiada benevolência com o crime e ajudam a alimentar a sensação de impunidade, presente hoje na maioria da população brasileira. As penas aplicadas aqui são um acinte às vítimas e às suas famílias. Mesmo as mais severas são abreviadas no seu cumprimento, colocando o criminoso em liberdade após poucos anos em regime fechado.

Na última sexta-feira, os três adolescentes condenados pelo crime de estupro coletivo a um grupo de meninas na cidade de Castelo, em maio de 2015, deixaram o CEM ( Centro Educacional Masculino), após conquistarem a liberdade assistida. Os três foram encaminhados para o abrigo da Secretaria Estadual de Assistência Social.

À época, chamou atenção de toda a sociedade piauiense a brutalidade e frieza com que os adolescentes violentaram as meninas, que estavam reunidas para fazer umas fotos no alto de um morro. Eles não apenas as estupraram como as espancaram, o que levou uma delas à morte.

Pouco tempo depois, quando um deles resolveu contar tudo o que sabia, foi assassinado pelos colegas dentro do próprio CEM. Embora haja a repetida alegação de que são menores, o que se viu nesse episódio foi uma crueldade incomum até mesmo em adultos. Pior ainda, foi o cinismo desses adolescentes ao conquistarem a liberdade assistida. Saíram dando declarações afrontosas e ameaçadoras, certos de que estão acima da lei. E tudo leva a crer que  estão mesmo, do contrário, ainda iriam permanecer privados de liberdade por um bom tempo. Mas, por aqui, o crime parece compensar.

Chegou a hora do vale-tudo

Na reta final da campanha para a sucessão presidencial, a estratégia dos candidatos é tentar quebrar a polarização formada entre PT e anti-PT, liderada pelo deputado Jair Bolsonaro. Os candidatos que ainda acreditam na chance de chegar ao segundo turno -  Ciro Gomes (PDT), Geraldo Alckmin (PSDB) e Marina Silva (Rede) - concentram seus esforços, neste momento, para atacar Haddad e Bolsonaro.

Ciro bate mais de frente no candidato do PSL  porque espera atrair os votos da esquerda e, em caso de segundo turno contra Bolsonaro, quer contar com o apoio, ainda que silencioso, do PT. Já Alckmin está tentando passar a imagem de que ele é o melhor candidato a confrontar com Haddad e usa o discurso de que, para combater a volta do PT, o eleitor não precisa ir ao extremo oposto, representado pelo radicalismo da direita, que desrespeita os direitos das minorias e prega o uso de mais violência. O candidato tucano fala em pacificação e união do Brasil para resolver a crise.

Marina Silva, que vem caindo sistematicamente em todas as pesquisas, ainda não se deu por vencida. Ela bate com precisão nos candidatos que se encontram na dianteira, , principalmente, as falas de Bolsonaro e do seu vice, General Mourão, que tem se especializado em produzir frases de efeito desastroso nesta campanha tão marcada por polêmicas e agressões.

Até mesmo o ex-ministro Henrique Meireles (MDB), embora enfileirado entre os nanicos, está levantando a voz contra a proposta apresentada pelo economista Paulo Guedes, o “Posto Ipiranga” de Bolsonaro. Meireles diz abertamente que quem propõe a volta de um imposto nos moldes da CPMF não entende de economia. Pelo visto, até o dia 6 de outubro a temperatura dos debates vai subir até atingir a fervura. Os mais fracos virarão fumaça.

De oásis a deserto

O incêndio que ameaçou a Uespi e outros prédios públicos próximos, como o Emater e a Secretaria de Desenvolvimento Rural, no bairro Pirajá, por pouco não se transformou em uma grande tragédia. As primeiras informações davam conta de que o fogo teria começado em uma vegetação próxima.

Nesta época do ano, os cuidados devem ser redobrados com terrenos baldios e espaços ocupados pela vegetação seca, combustível para o início de incêndio, ao menor descuido da população. Basta uma bagana de cigarro acesa, somada à baixa umidade do ar e à altíssima temperatura, para o pior acontecer. Até mesmo um caco de vidro pode funcionar como prisma, decompondo os raios de sol e gerando a faísca que pode precipitar o fogo.

Não é mera impressão dos moradores da capital. A cada ano, as temperaturas se elevam mais ainda, o tempo torna-se mais seco e quente. Muito pouco ou quase nada é feito em termos de melhoria das condições climáticas da cidade que, temo, pode tornar-se uma grande área de deserto no futuro.

A crescente impermeabilização do solo urbano, a derrubada da vegetação para construção de grandes empreendimentos imobiliários, a agonia dos rios Parnaíba e Poty, e o aumento no número de automóveis expelindo monóxido de carbono representam um perigoso agravante para o clima da cidade, que parece piorar em uma crescente assustadora.

A preservação de áreas verdes, de fontes de água e a contenção de hábitos poluentes são uma necessidade de extrema urgência se quisermos continuar habitando a cidade sonhada por Saraiva, justamente pela riqueza dos rios que a banham. Os dois rios, nosso maior patrimônio natural, de tão maltratados, já apresentam sinais de agonia. Os habitantes da cidade, outrora verde, agonizam junto com eles.

Eleição presidencial lembra FLA X FLU

A pesquisa Ibope divulgada ontem à noite confirmou a tendência de polarização entre petismo e anti-petismo no pleito marcado para o próximo dia 7 de outubro. O PSDB que, em anos anteriores, protagonizava com o PT essa disputa, foi substituído pelo discurso agressivo do deputado Jair Bolsonaro (PSL), que soube apresentar-se ao eleitor como a antítese do partido de Lula.

Depois de anunciado oficialmente como o candidato do Partido dos Trabalhadores,  o ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, só cresce. Já atingiu 19%, ficando em segundo lugar na corrida presidencial, atrás de Bolsonaro, que mantém a liderança com 28%. Ciro Gomes (PDT) está com 11%; Geraldo Alckmin (PSDB), 7%; e Marina (Rede) continua caindo, e agora tem apenas 6%.

Os dois extremos, Haddad e Bolsonaro, tentarão de tudo, daqui para  frente, para tentar obter os votos dos demais candidatos. O candidato do PT voltará seu discurso para conquistar os eleitores de Marina e Ciro, alinhados com a esquerda. Já Bolsonaro , deve voltar sua atenção para os eleitores de centro, que o acompanham não tanto por admirá-lo, mas por temerem a volta do PT ao poder.

O afastamento de Bolsonaro da campanha acabou por beneficiá-lo, de certa forma. Sem participar de sabatinas e debates, onde, costumeiramente, externava um discurso extremista, muitas vezes atentando contra a democracia e as minorias, ele evita cometer novas gafes, tarefa da qual se ocupou seu vice, General Mourão. Por outro lado, em respeito ao seu estado de saúde, os adversários aliviaram as críticas contra ele.

Haddad insiste em colar sua imagem à figura do guru do partido, o ex-presidente Lula, que encontra-se preso em cumprimento de pena por corrupção e lavagem de dinheiro, mas que, ainda assim, mostrou força eleitoral capaz de impulsionar seu substituto, empurrando-o em pouquíssimo tempo para o segundo lugar na disputa.

Pelo visto, a eleição tem tudo para seguir com cara de FLA X FLU, até mesmo na exaltação dos ânimos das torcidas de um e de outro time.

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