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Remendo novo em tecido velho

O Brasil é mesmo um país sui generis. Com 35 partidos políticos registrados no Tribunal Superior Eleitoral, o que já é em si uma aberração, os aventureiros ainda pensam em criar mais partidos. Não se vê em nenhum deles qualquer traço de compromisso ideológico ou partidário, mas, tão somente, uma ajuntamento de pessoas em busca de interesses pessoais. Muitos deles são criados apenas para servir como siglas de aluguel.

Com tantos partidos, fica difícil para o eleitor, mesmo os mais sintonizados com o mundo político, identificar qual a bandeira que cada um deles representa. No entanto, na hora de uma votação importante, logo se vê os principais líderes reivindicando a parte que eles julgam lhes caber neste imenso latifúndio em que se tornou a República.

Quase todos estão envolvidos com denúncias de corrupção; alguns viram seus representantes de maior expressão ir para a cadeia por causa de propina. Com a credibilidade já no volume morto da confiança dos brasileiros, resolveram que deveriam se “reinventar”. Mas engana-se quem pensa que essa reinvenção passa por uma depuração, com reafirmação de valores éticos e voltados para a defesa dos ideais partidários. Longe disso. Para dar uma roupagem nova, o que os partidos propõem é simplesmente mudar de nome, ora acrescentando uma letra, ora retirando uma  outra( é o PMDB que quer retirar o P; o PP que vai virar apenas Progressistas; PTN, que vira Podemos e por aí vai). Nada disso vai modificar o que está posto e desgastado ante os olhos da Nação. Remendo novo em tecido velho não costuma funcionar.

Falta de segurança gera prejuízo de R$ 27 bilhões na indústria

A falta de segurança pública é hoje um dos piores e mais urgentes problemas a serem enfrentados no país. De norte a sul, os brasileiros sofrem com a violência. No setor produtivo, ela gerou, no ano passado, um prejuízo de R$ 27, 1 bilhões, uma cifra que deixou de ser aplicada em investimentos, que gerariam mais riqueza e mais empregos, e serviria para ajudar a recuperar a economia nacional.

Segundo pesquisa divulgada pela Confederação Nacional da Indústria – CNI – uma em cada três indústrias no Brasil foi vítima de roubo, assalto ou vandalismo em 2016. Mais da metade declarou ter usado segurança privada ou contratado seguros para se prevenir contra a violência. 53% das empresas vítimas de assaltos e roubos avaliam que os prejuízos atingiram 0,5% do faturamento.

Está ficando cada vez mais difícil empreender no Brasil. Não bastassem a insegurança jurídica, o excesso de burocracia, a carga tributária pesada, a falta de qualificação da mão de obra, os empresários ainda têm de bater cabeça para tentar se proteger dos atentados ao seu patrimônio. A pesquisa da CNI ouviu pequenos, médios e grandes empresários de norte a sul do país. 35% deles disseram que a falta de segurança afeta a decisão de investir. Não é para menos. Boa parte do tempo, da energia e dos recursos que deveriam ser aplicados na expansão dos negócios é usada  para pensar em estratégias de defesa.

A violência, há muito, já roubou a paz do cidadão comum, que não tem mais o direito de andar tranquilamente pelas ruas da sua cidade e não se encontra seguro nem mesmo dentro de casa. Agora, ela age em cadeia industrial, literalmente, tirando a capacidade de investimento das indústrias e roubando a oportunidade de criação de novas vagas de emprego para os brasileiros que querem ganhar a vida honestamente.

Fazer brotar a árvore do conhecimento

Teresina foi criada. Não nasceu espontaneamente, como outras cidades. Neste fato, talvez, esteja a explicação para a sua vocação de criar: oportunidades, encontros, talentos. E como são muitos os talentos desta cidade que hoje completa 165 anos. Se a sua história ainda é recente, as estórias aqui criadas são incontáveis.

A localização estratégica escolhida pelo Conselheiro José Antônio Saraiva, na região meio norte do Brasil, para favorecer o comércio e a comunicação, acabou atraindo para cá muitas pessoas de diferentes lugares, em busca de mais visibilidade e, consequentemente, mais chances de prosperar na vida. E, assim, prosperam até hoje sonhos e realizações dos muitos filhos aqui nascidos ou para cá transferidos.

A primeira capital brasileira planejada tornou-se o lugar certo para quem tem planos e coragem para executá-los. Sob um sol escaldante, que aquece e ilumina, as luzes da cidade refletem um potencial direcionado ao estudo e ao trabalho. Nossa forma, quem sabe, de compensar a ausência tão sentida da praia que banha outras capitais da região, embora sejamos banhados por dois rios.

Se as belezas naturais próprias do litoral nos fazem falta, por outro lado, nos enche de orgulho surfar na maré sempre positiva da educação. Hoje, abrigamos polos reconhecidos de saúde e educação, com profissionais de excelência e centros formadores de ensino que se destacam no cenário nacional.

E é nisso mesmo que devemos apostar: na boa formação dos nossos alunos, desde o infantário até os cursos de pós-graduação. A boa formação educacional é o melhor e mais promissor caminho para vencermos as adversidades que herdamos. Lapidando as nossas mentes, conseguiremos prosperar cada vez, respeitando o meio ambiente, as pessoas e o espaço urbano. Tudo o mais, vem como consequência. Portanto, neste aniversário, vamos presentear Teresina com a árvore que pode lhe render os melhores frutos hoje e amanhã: a árvore do conhecimento.

 

Dez municípios piauienses estão em risco por causa da chikungunya

Ele já estava quase esquecido, pouco se ouviu falar sobre ele nas últimas semanas, no entanto, continua vivo a atormentar a população piauiense. Quem pensa que estava livre do mosquito Aedes aegypti , está redondamente enganado. Traiçoeiro como é, estava esperando as chuvas cessarem de vez para que seus ovos começassem a eclodir. E é justamente o que está acontecendo agora.

A Secretaria de Saúde do Estado  informou que o número de casos de chikungunya, doença transmitida pelo mosquito, aumentou consideravelmente. Um crescimento de 103,9%, mais precisamente. A situação é tão grave que 10 municípios foram considerados em situação de risco e outros 75 estão em estado de alerta. O norte e o sul do Piauí são as regiões mais atingidas, com destaque para Parnaíba, Luís Correia e Cajueiro da Praia.

A chinkungunya é uma doença que debilita o paciente, submetendo-o a fortes dores por todo o corpo, acompanhadas de febre alta. Os sintomas podem se estender por várias semanas,  e até meses, causando muito desconforto.

Portanto, nada de se acomodar, achando que a situação está sob controle. A população piauiense inteira deve redobrar a vigilância com os criadouros para impedir a proliferação dos mosquitos em água parada. Uma vez que o vírus está presente em nosso meio, esta é a única maneira de nos livrarmos dessa incômoda doença.

As contas não fecham lá e cá

A economia deve balançar um pouco esta semana com o anúncio programado para hoje da revisão da meta fiscal do governo federal. O déficit orçamentário, previsto inicialmente para R$ 139 bilhões, deve subir para R$ 159 bilhões. Um rombo bem maior que o esperado.

Para tentar melhorar os números , o governo pensa em algumas medidas, como o aumento da contribuição previdenciária dos servidores federais, que passaria dos atuais 11% para 14%. É provável que isso não ocorra por conta do imenso desgaste que traria ao governo, que já despenca em popularidade.

A verdade é que está difícil fechar as contas públicas, ainda mais depois da sangria vista no mês passado para obter os votos necessários à renúncia do pedido de investigação do Presidente Temer pela Procuradoria da República. Os servidores não têm como entender um aumento de imposto para eles, enquanto o dinheiro corre frouxo entre os parlamentares. Melhor não mexer em vespeiro.

Aqui no Piauí, o cenário não é diferente. O governo contava com um repasse maior do Fundo de Participação dos Estados, mas o que tem acontecido é exatamente o contrário. Só agora em agosto, a primeira parcela do FPE foi 10% abaixo do valor do mesmo período do ano passado. A cúpula do Karnak já sabe que fechará o ano com déficit, só falta dimensionar o valor. O Piauí ainda depende muito de transferências orçamentárias para compor sua Receita. Quando essas transferências caem, como agora, a situação complica.

O problema dos governos, de um modo geral, é que quando as receitas estão um pouco melhor, a tendência é gastar, muitas vezes desordenadamente. Depois, não sabem mais conter os excessos e enxugar as despesas. Também não é comum contar com uma reserva para eventuais perdas e, assim, com uma máquina pública inchada, pesada e burocrática fica difícil navegar em águas turbulentas como agora.

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