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Piauí não tem estrutura para tratar dependentes químicos

A droga é, inegavelmente, um dos maiores problemas a serem enfrentados pelo poder público e a sociedade. Isso vale para todo o Brasil e, também, para o Piauí. Durante a abertura do Seminário Internacional sobre Drogas, realizado em Teresina, a informação de que o crack está presente em 98 % dos municípios piauienses chocou muitas pessoas. Mas não aquelas que conhecem de perto a realidade.

A outra informação, não menos preocupante, é que em apenas 30% desses municípios existe tratamento. O número de vagas para internação dos pacientes usuários de drogas está longe de atender toda a demanda.  E a droga, como se sabe, é uma porta aberta para a criminalidade.

O governo do Estado anunciou que iria oferecer a opção de tratamento aos presos por pequenos furtos que fossem dependentes químicos. Teoricamente, a ideia é muito boa. Atacaria o problema na sua origem, proporcionando a oportunidade de recuperação e desafogando as celas superlotadas das delegacias e presídios. Só que, na prática, a história é bem diferente. Se hoje já há fila de espera por uma vaga nas comunidades terapêuticas, como absorver mais essa demanda?

Ao longo do tempo não foi desenvolvida uma política pública eficiente para tratar e recuperar os dependentes. O que há são atendimentos precários, por falta de estrutura e suporte adequados. Teresina conta apenas com um Caps- AD, que realiza atendimento ambulatorial. Mas, quando os profissionais identificam a necessidade de internação dos pacientes, não tem para onde encaminhá-los.  Apenas o Hospital do Mocambinho dispõe de leitos para internação, porém insuficientes. Lá, falta até mesmo segurança para pacientes e profissionais. Portanto, primeiro, é preciso montar uma estrutura decente, com profissionais qualificados e vagas suficientes, para depois atrair os pacientes. Do contrário, será mais um discurso vazio perdido para tentar dar uma satisfação à sociedade. 

Empresa Águas de Teresina começa a investir na capital

A empresa Águas de Teresina, que assumiu a subconcessão dos serviços de abastecimento de água e saneamento na capital piauiense, começou a mostrar a cara e a dizer a que veio. Hoje mesmo, a empresa deve iniciar uma obra de interligação na rede de abastecimento no Residencial Eduardo Costa, na zona sul. Esta faz parte de um conjunto de obras emergenciais a serem realizadas prioritariamente para resolver o problema de falta de água constante em alguns bairros da cidade.

Neste caso, especificamente, segundo informações oficiais da empresa, será construída uma nova rede, com aproximadamente 450 metros de extensão, que ampliará a oferta de água a partir de uma adutora inserida no macro sistema a um reservatório com capacidade de 150 m³ de água. Previsão de conclusão dos trabalhos: 15 dias.

Eis a primeira diferença entre uma obra realizada por um empresa privada ou  pelo setor público. No caso da iniciativa privada, o trabalho inicia rapidamente porque não precisa passar por todo o trâmite burocrático das licitações( criadas para impedir a corrupção, porém constantemente fraudadas). Segundo, mais raro ainda quando se trata de obra pública: conclusão em curto espaço de tempo.

Durante anos, a Agespisa foi se agigantando até transformar-se em uma pesada e lenta máquina estatal, muito mais eficiente como cabide de empregos do que como prestadora de serviço para abastecimento de água e coleta de esgoto na capital. Pagando altos salários e proporcionando baixíssimo retorno à população, que até hoje sofre com a falta de esgotamento sanitário e as constantes oscilações no fornecimento de água, a Agespisa entrou em um processo de agonia que acabou resultando na sua extinção.

Agora, população, Estado e Agência Reguladora do Serviço – a Arsete- devem fiscalizar exemplarmente o trabalho realizado pela Águas de Teresina para que ela cumpra fielmente o que está determinado no contrato. Os investimentos já começaram  e devem beneficiar ainda, neste primeiro momento, o residencial Jacinta Andrade e os bairros Santa Maria da Codipi, Angelim, Morada Nova, Alto da Ressurreição, Dirceu Arcoverde, Esplanada, Portal da Alegria, Parque Sul, Vila Meio Norte, Planalto Uruguai e Jockey Clube. 

Tiroteio em frente ao hospital do Promorar faz três vítimas

A violência em Teresina tem sido tema recorrente neste espaço. E não tem como ser diferente, já que a cada dia ela se torna mais acintosa, invadindo espaços inimagináveis. Não é mais apenas nas vias públicas que o teresinense está ameaçado de ser vítima de algum crime, como roubo, latrocínio ou seqüestro relâmpago. Até mesmo em locais oficiais, os bandidos estão fazendo a festa, confiados na impunidade a que estão acostumados.

As escolas públicas tornaram-se alvo dos bandidos, que perderam qualquer noção de respeito pelo espaço onde, possivelmente, os próprios filhos ou sobrinhos deles poderiam estar estudando. O Secretário de Educação de Teresina, Kléber Montezuma, já levantou os muros da escolas, pediu providências à Polícia Militar e não tem mais a quem recorrer.

Ontem à noite, um tiroteio atingiu o hospital do Promorar, na zona sul da cidade, ferindo três pessoas e atingindo uma sala da maternidade. Em menos de um mês, este é o segundo caso de violência próximo aos hospitais do município.

É o limite! Como conviver em uma cidade onde não é possível sequer deixar o filho na escola e ir trabalhar tranquilo? Ou, em um momento dor, procurar assistência médica em um hospital sem se preocupar se vai ser atingido por um tiro? Estamos nos assemelhando à realidade do Rio de Janeiro e não podemos aceitar isso como consequência inevitável do crescimento urbano, ou nos vangloriarmos de estar em melhor condição que os lugares mais violentos. Precisamos dar um basta na violência. Não dá mais pra fingir que está tudo normal. 

No Piauí, a agenda política é maior que a administrativa

Nem parece que o Piauí é um estado com tantas carências, a começar pelo  estado de seca que atinge toda a região do semiárido, impondo um insuportável racionamento de água à população  justamente durante os meses mais quentes do ano. Aqui, o que prevalece mesmo é a agenda política, não a administrativa. A BR 135 é outro exemplo. Foram necessárias 35 mortes só no primeiro semestre deste ano para que os representantes políticos do estado se mobilizassem para encontrar uma solução para a rodovia.

No entanto, quando é para tratar de política, a disposição é invejável. Ainda falta mais de um ano para a eleição majoritária de 2018 e, no entanto, os gabinetes se ocupam dia e noite a tratar do assunto. O PMDB, maior partido do estado, se vê às voltas com a discussão  sobre se lança candidato próprio ao Palácio de karnak ou se permanece aninhado ao bloco do atual governador, Welliington Dias.

O presidente do SESI, João Henrique de Almeida Sousa, já se lançou candidato há um bom tempo e vem percorrendo o interior do estado em caravanas, propagando o seu nome.  Ele não poupa críticas ao governo de Wellington Dias e, por isso, bate de frente com outra ala do partido, comandada pelo presidente da Assembleia Legislativa, Deputado Themístocles Filho, que pleiteia para si a vaga de vice-governador na chapa de Wellington. Os dois andam se estranhando por conta das posições divergentes.

A vaga de vice, aliás, é tida como certa pelo Partido Progressista, partido que a ocupa atualmente com a presença da Deputada Margareth Coelho que, aliás, já disse que pretende continuar ocupando o mesmo espaço na próxima eleição.  E o PP reivindica esse posto sustentado nos recursos federais que vem ajudando a obter para o Piauí por meio do prestígio do Senador Ciro Nogueira.

A segurança anda ruim, a situação nos hospitais regionais não é boa, falta água em muitos municípios, mas as discussões políticas são animadas e acaloradas. E assim sobrevive o Piauí.

Os 16 dias mais tensos do Planalto

Nos próximos 16 dias, Brasília viverá uma contagem regressiva para a  votação do recebimento da denúncia da Procurador Geral da República, Rodrigo Janot, contra o presidente Michel Temer, marcada para o dia 2 de agosto. Até lá, viveremos um período de negociações e negociatas de toda ordem.

O governo sabe bem como lidar com um parlamento predominantemente fisiologista, preocupado em receber algum agrado para suas bases eleitorais, já que no próximo ano tem eleição e, afinal, é isso o que lhe interessa.  A oposição se une a um grupo de artistas para pedir a admissibilidade da denúncia e afastar o atual presidente.

Rodrigo Maia, o presidente da Câmara, não admite publicamente, mas todos os dias dorme e acorda pensando na cadeira presidencial. A estas alturas, já deve estar começando a formar um ministério provisório na cabeça que, se de fato se confirmar, pouco poderá fazer diante de tão curto tempo e em um quadro de tamanha instabilidade, ainda mais por conta do ano eleitoral de 2018.

O único fato alentador para quem vive o dia a dia real, descolado dos bastidores do Planalto, é que o mercado, cansado de esperar por uma definição política, arregaçou as mangas e está tocando a economia num processo lento e gradual de recuperação. E é assim que deve ser. A política no Brasil está altamente contaminada, e  quem trabalha de verdade, produzindo riqueza e gerando emprego,  não pode sentar na calçada esperando o furacão passar. Como disse o filósofo Luiz Felipe Pondé, em entrevista à Revista Cidade Verde: “ Chapeuzinho Vermelho nunca produziu riqueza”. A  melhor forma de defender o Brasil neste momento, portanto, é trabalhar, trabalhar e trabalhar. 

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