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O atraso no saneamento prejudica o crescimento

O Fórum Nacional, coordenado pelo piauiense João Paulo dos Reis Velloso,  editou uma oportuna publicação, denominada “ Investindo contra a crise e procurando voltar a crescer”.  Nela, diferentes autoridades e pensadores dão a sua contribuição sobre o que poderia ser feito no atual cenário brasileiro para enfrentar a turbulência que paralisou a economia do país, com efeitos danosos sobre a vida de todos os brasileiros.

Em um dos artigos, a presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social- BNDES, Maria Sílvia Bastos Marques, toca numa ferida que deveria corar de vergonha todos os gestores públicos que governaram o país nas últimas décadas: o saneamento urbano, ou a falta dele.

Maria Sílvia defende que o Brasil precisa investir urgentemente em infraestrutura para dar o  salto de qualidade necessário que permita ao país atingir um nível de competitividade para a produção e comercialização dos seus produtos. “ A infraestrutura é crucial para o que nós precisamos hoje no Brasil, que é a retomada de investimentos, a preservação, manutenção dos empregos, produtividade, eficiência e competitividade”, diz ela.

E entre esses serviços que necessitam ser alavancados estão a mobilidade urbana, eficiência energética e saneamento. Vivemos hoje como se ainda estivéssemos na idade média. No ranking de 200 países , realizado em 2011, o Brasil está na 112ª posição na área do saneamento, atrás de países do norte da África, do Oriente Médio e de alguns países da América do Sul.

O relatório aponta que 35 milhões de brasileiros não têm acesso a água tratada, e que mais de 100 milhões não têm os seus esgotos coletados. Mais estarrecedor ainda: das 100 maiores cidades do Brasil, apenas dez tratam mais de 60% dos seus esgotos. Teresina tem apenas 17% de esgoto tratado, uma vergonha que se reflete na permanência de doenças  que já deveriam ter sido extintas, como dengue, e agora, ainda por cima, zika e chikungunya. Mas, entra ano e sai ano, e nada é feito para tirar essa mancha vergonhosa que nos coloca em condição de atraso. Se a capital encontra-se nessa situação, caro leitor, imagine você o restante do Estado.