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Os efeitos da lista de Janot

A temida lista do procurador geral da República, Rodrigo Janot,baseada nas delações da Odebrecht,  finalmente chegou ao Supremo. Os 83 pedidos de abertura de inquérito incluem políticos de todos os partidos ( PT, PMDB, DEM, PP, PSDB). Neste balaio, ficam duas impressões ao público: os políticos são todos iguais, independente do partido a que pertençam; o país vem sendo governado por pessoas desprovidas do espírito público que deveria nortear os representantes do povo que paga seus salários.

A lista, ainda mantida oficialmente sob sigilo, caiu como uma bomba em Brasília. Os primeiros vazamentos, com nomes de peso como os dos presidentes da Câmara e do Senado, Rodrigo Maia ( DEM) e Eunício Oliveira (PMDB), de cinco ministros do atual governo, de dois ministros do ex-governo petista e até mesmo os dois ex-presidentes já seriam, por si só, suficientes para provocar um abalo sísmico de proporções catastróficas. Mas ainda há muito a ser revelado.

O próprio Janot é a favor da quebra do sigilo para que haja total transparência do processo. De fato, investigações desse porte, que mexem com as peças mais poderosas do tabuleiro político, precisam do suporte popular, o que só é possível com ampla divulgação. Mesmo sob sigilo, Brasília ferve. Os nomes que ainda não vieram à tona, estão à espreita de aparecerem nos próximos vazamentos.

A grande dúvida que surge é: mais preocupados em salvar a própria pele do que qualquer outra coisa, como se dará a votação de matérias importantes para o governo Temer e para a recuperação econômica do país, como as reformas tributária e da previdência?  O cenário político contamina o econômico. O economista Ricardo Amorim, em palestra apresentada ontem no Congresso das Cidades do Piauí, disse que a perspectiva é de retomada do crescimento. Mas os políticos precisam fazer a sua parte.