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A ganância corrói a carne

Ainda há muito a ser explicado sobre a apuração da Operação Carne Fraca, realizada pela Polícia Federal para investigar suborno a funcionários do Ministério da Agricultura que deveriam fiscalizar a qualidade dos produtos de origem animal  produzidos e comercializados no Brasil. Depois do anúncio de que grandes empresas do setor estavam vendendo carne estragada, adulterada e com prazo de validade vencida, o Ministro da Agricultura Blairo Maggi, um dos expoentes do setor agropecuário brasileiro, saiu em defesa dos empresários, afirmando que a Operação foi espalhafatosa e que desconhece os processos de produção.

O Ministro disse que é claro que o papelão a que se refere a polícia é usado nas embalagens e não na mistura da carne, como divulgado. Tudo bem, a polícia pode ter errado em alguns termos e até exagerado o tom. Mas os diálogos interceptados com autorização judicial mostram claramente um empresário do setor orientando seu funcionário a utilizar produto com prazo de validade vencido. Como defender essa prática? Além do mais, se não houvesse irregularidades não haveria a necessidade de subornar fiscais do Ministério da Agricultura.

Para os consumidores, fica o sentimento de desconfiança misturado à revolta de serem enganados por quem deveria protegê-los. O preço da carne vendida nos supermercados é alto, altíssimo. Mas, ao ver o selo de inspeção do Ministério da Agricultura, o consumidor tinha, pelo menos, a certeza de que estava comprando um alimento de qualidade. Agora, essa certeza já não existe mais.

Vender alimento estragado ou fora do prazo de validade é um crime contra a saúde pública. E os responsáveis merecem ser exemplarmente punidos, até como exemplo para que isso não volte a acontecer.  O fato de as exportações de carne e frango terem alcançado a cifra de U$ 10,3 no ano passado não dá ao mercado a autorização para que ele faça o que bem entender, desrespeitando a saúde da população.