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A Via Crucis dos políticos delatados

Em plena Semana Santa, o ministro relator da Lava Jato, Edson Fachin, decretou a Via Crucis de 8 ministros de estado, 24 senadores, 39 deputados e 3 governadores, além de outros políticos, incluindo os ex-presidentes Lula, Dilma Rousseff e Fernando Henrique Cardoso. Quase todos os partidos entraram no rol do pedido de abertura de inquérito, sendo que os mais citados são o PMDB, PP, PT, PSDB, PSB e até mesmo o PC do B.

Aqui do Piauí, foram incluídos na lista de investigados o senador Ciro Nogueira (PP), Paes Landim ( PTB ) e Heráclito Fortes (PSB). É bom lembrar que o fato de serem investigados a partir de delações feitas por executivos da empresa Odebrecht não quer dizer que eles se tornem réus, o que ainda deve ser confirmado pelo Supremo Tribunal Federal. Todos os envolvidos na lista negam a participação nos atos delatados.

A maioria dos crimes de que são acusados diz respeito  à corrupção ativa, corrupção passiva, lavagem de dinheiro, fraudes em licitações e falsidade ideológica. A verdade é que, tirados os excessos das delações, que parecem misturar todos os políticos em um mesmo balaio, as campanhas eleitorais brasileiras tornaram-se negócios milionários, o que leva à relação nada republicana entre empresas e candidatos. Há também aqueles que solicitaram propina não apenas para entrar no jogo eleitoral, mas com o fim do próprio enriquecimento.

A Nação precisa acompanhar com olhos de lince cada passo a ser dado nesse processo para saber realmente a culpa, ou inocência ( se é que isso existe em Brasília) de cada um. Acompanhar, cobrar punição efetiva e, principalmente, guardar esses nomes na memória para não elegê-los nas próximas eleições. Este, sim, é o maior castigo que pode ser dado a quem não honrou o voto recebido.

Um dos efeitos colaterais imediatos dos pedidos de inquérito determinados pelo ministro Fachin é o trâmite da votação de reformas importantes que aguardam a sua aprovação pelo Congresso, como a reforma da previdência. Com parlamentares preocupados em salvar o próprio pescoço e a imagem perante os eleitores, haverá clima para as discussões necessárias que antecedem a votação de matéria tão importante? O país não pode parar e a reforma da previdência tem pressa. Como se vê, a corrupção atrapalha o Brasil de todas as formas.