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Jesus é crucificado outra vez; agora, no Brasil.

A história passada em Jerusalém, há milhares de anos, repete-se hoje, mostrando que a natureza humana é a mesma, independente do tempo e do espaço. Naquela época, Judas vendeu Jesus por trinta moedas de prata, traindo a confiança do mestre. Agora, vemos dezenas de políticos de todos os partidos traindo a confiança do povo que os elegeu por um punhado de dinheiro. A diferença está na quantia embolsada, aumentada na proporção do crescimento de ambição e ganância que tomou conta da atividade política.

Infelizmente, o dinheiro ainda é a moeda que prevalece em muitas relações, mesmo naquelas que deveriam existir para defender o interesse público. Parlamentares, ministros, governadores e prefeitos foram delatados por suas práticas promíscuas com empresas financiadoras de campanha. Há ainda muito a ser apurado e, certamente, algumas das delações não se comprovarão como prática de crimes. A depuração será feita ao longo do tempo e das investigações. De qualquer forma, o estrago é grande.

A traição de Judas levou Jesus à cruz. A traição de nossos representantes leva milhares de brasileiros à cruz do abandono, da falta de escolas, das filas nos hospitais públicos à espera de vaga, das mortes nas estradas por falta de conservação das rodovias, da violência que se alastra pelas ruas desprovidas de segurança pública. E em cada um desses brasileiros traídos e jogados à própria sorte, Jesus é crucificado e morto novamente. Mas isso não parece comover nossa elite política.