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Prisão de Geddel é mais um golpe contra a impunidade

Daqui a pouco, vai faltar espaço para tantos presos de colarinho branco no Brasil. Desde o início da Operação Lava Jato, já foram muitos. E o caminho ainda está aberto para outros tantos que aguardam, temerosos,  na fila, cientes do que fizeram no verão passado, quando acreditavam que poderiam  pilhar indefinidamente o Erário sem que o braço da justiça os alcançasse.

O tempo passou, o juiz Sérgio Moro começou um trabalho sério e corajoso para punir os corruptos e a cascata de prisões não parou mais de acontecer. Ontem, foi a vez  do ex-ministro Geddel Vieira Lima, aquele que foi afastado depois que o então Ministro da Cultura, Marcelo Calero, denunciou que ele estava pressionando-o para obter a liberação da obra de um edifício em Salvador, na Bahia, seu estado natal. Geddel era interessado em tirar o entrave do Iphan porque possuía um apartamento no referido edifício.

A prisão dele, no entanto, dá-se por tentativa de obstrução de justiça. O doleiro Lúcio Bolonha Funaro mostrou os “prints” do celular da sua mulher com mensagens de Geddel indagando sobre uma possível delação do doleiro. Geddel temia a delação de Lúcio Funaro tanto quanto a do ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha. Os dois sabem muito sobre a passagem de Geddel Vieira Lima na Caixa Econômica Federal.

Hoje de madrugada, o ex-ministro chegou a Brasília e foi encaminhado para a sede da Polícia Federal para cumprir prisão preventiva, sem tempo determinado. O  que chama a atenção neste episódio é a desfaçatez de determinadas figuras públicas em continuarem a agir à sombra da lei, mesmo com o trabalho em curso da Lava Jato. Ou essas pessoas ainda acreditam piamente na impunidade ou são de um cinismo impressionante.