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A semana das decisões

O Brasil se prepara para viver uma semana, no mínimo, delicada, em um cenário de turbulência que parece se agravar a cada dia, forçando um pouso de emergência do governo Michel Temer. Não é a toa que o domingo foi tomado por reuniões políticas no Palácio do Jaburu, em Brasília.

Hoje, o relator da denúncia por corrupção passiva contra o presidente, deputado Sérgio Zveiter ( PMDB – RJ), apresenta o seu parecer na Comissão de Constituição e Justiça e, embora seja do mesmo partido de Temer, ele já deu diversas declarações no sentido de que vai recomendar a admissibilidade da denúncia. Aí, a partida passa a ser decidida no campo do plenário, um campo no qual o presidente vai perdendo aliados gradativamente à medida que o tempo passa.

Temer quer que a denúncia seja votada logo, enquanto ainda pode contar com votos que ele considera seguros e antes que surjam novos fatos comprometedores. O ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha, outrora aliado de primeira hora de Temer e responsável pelo encaminhamento do processo de impeachment de Dilma, agora ameaça a todo instante com uma delação devastadora, na qual seriam incluídos tanto o presidente da república, quanto o da Câmara, Rodrigo Maia.

É em meio a esse turbilhão que o Senado vota amanhã a Reforma Trabalhista, tão aguardada pelo mercado. Esta era um dos trunfos do governo antes da delação de Joesley. Temer havia planejado entrar para a história como o presidente que teve a coragem de implementar as reformas antipopulares, porém necessárias, que fariam a economia voltar a crescer junto com a recuperação dos empregos perdidos durante a crise econômica. Mas uma outra crise, a política, atravessou o caminho, atropelando os seus planos e jogando o país outra vez no túnel da incerteza.