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Rodrigo Maia e as denúncias da Lava Jato

Depois do revés sofrido ontem na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, com a leitura do relatório do deputado Sérgio Zveiter ( PMDB) pela admissibilidade da denúncia do Procurador Geral da República por crime de corrupção passiva, o presidente Michel Temer trabalha hoje para reverter a derrota com a aprovação da reforma trabalhista no Senado. O presidente sabe que esta é uma prova de fogo para testar a sua força política, ou o que restou dela.

O outrora aliado, Rodrigo Maia, já se vê com a faixa presidencial a adornar-lhe o corpo. Conversa com parlamentares e líderes empresariais como se já fosse o futuro Presidente da República. No domingo, encontrou-se com o vice-presidente de relações institucionais da Globo, Paulo Tonet. A Globo tem sido implacável na cobertura para desqualificar o presidente e destituir-lhe o poder antecipadamente. Não que as denúncias contra ele não sejam graves e merecedoras de profunda investigação. Mas, na ânsia de derrubarem Temer, estão esquecendo os outros denunciados. Sim, afinal, não foi só dele que Joesley falou.

O próprio deputado Rodrigo Maia faz de conta que nada pesa contra si. No entanto, ele é apontado como beneficiário de propina da construtora OAS em troca de favores políticos no Congresso para a empreiteira. Também é citado em delações da Odebrecht, outra empreiteira a integrar o cartel que mandava na Petrobrás. É com essa ficha que Rodrigo Maia apresenta-se como o político que irá “salvar” o país da crise.

Temer, inegavelmente, vai ficando cada dia mais debilitado politicamente. Mas este não é o único problema. As soluções que se apresentam no cenário não são nem um pouco promissoras. O risco é o país perder o bonde das reformas que poderiam trazer algum alento na economia para assistir à troca do famoso “seis por meia dúzia.”