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Sete anos da tragédia de Algodões

Sete anos. Quase uma década se passou desde o fatídico dia do desastre na barragem de Algodões e até hoje as vítimas imploram pela indenização a que têm direito. Depois de verem suas casas, famílias e propriedades arrastadas pela água numa violência incontrolável, de perderem uma história inteira de vida, de perderem amigos e familiares, ainda resta a dor de não terem sequer o mínimo que deveria ter sido repassado a elas para tentar reparar um dano que não tem preço.

Aquelas famílias receberam a autorização para permanecerem no seu local de moradia com o argumento de que não havia risco de rompimento da barragem. A garantia ruiu junto com a parede de contenção das águas e o que se viu foi um dilúvio, desta vez provocado pela negligência humana. Oficialmente, foram registradas nove mortes. A Associação das Vítimas da Barragem fala em 15 mortes, contabilizando as pessoas que morreram nos dias seguintes, após serem hospitalizadas.

O prejuízo material foi grande; o humano, incalculável. Mas é preciso que haja uma indenização ao sofrimento causado àquelas pessoas. Nem isso, no entanto, elas conseguiram. Sete anos, e nada. Os sobreviventes continuam a humilhante peregrinação em busca do que lhes é de direito. Já sem esperança de receber o que a Justiça determinou, eles concordaram em abrir mão de dois terços do valor acordado para receber apenas um terço, desde que à vista. É pouco, muito pouco.

A tragédia de Algodões não foi uma tragédia anunciada. Ali havia um risco iminente e perfeitamente evitável, mas não o foi. E as famílias seguem carregando dor e prejuízo ao longo dos anos enquanto esperam o reconhecimento de que houve uma falha grave que precisa ser reparada. É um episódio que não pode ser esquecido.

Perigo na Casa de Custódia

Neste final de semana foi registrada a décima fuga de detentos da Casa de Custódia só em 2016, o que resulta em um média de uma fuga a cada quinze dias. A causa apontada é sempre a superlotação do presídio. De fato, lá existem presos demais e agentes penitenciários de menos. Numa casa com capacidade para cerca de trezentos detentos há pelo menos o triplo dessa quantia. Mas não é só isso.

A estrutura do prédio é deficiente, do contrário não seria violado tantas e repetidas vezes. Muitos dos presos que lá se encontram são provisórios, o que gera uma revolta e insatisfação maior que a já habitual. Os agentes penitenciários também encontram-se insatisfeitos, a vigilância é precária, enfim, o sistema é deficiente e isso salta aos olhos da comunidade.

A pergunta que se faz é por que não houve uma intervenção séria para resolver o problema que já vem se arrastando há bastante tempo, sem que houvesse medidas efetivas para por fim a esse clima de insegurança que tanto incomoda a população. As fugas deixaram de ser um evento isolado, atípico, e tornaram-se rotina na Casa que deveria custodiar os presos do Estado.

Os cidadãos que sustentam o presídio com seus impostos já estão cansados de pagar repetidas vezes pelos mesmos consertos de paredes, grades e teto. Além disso, vivem sobressaltados com o medo causado por presos, alguns perigosos, soltos pelas ruas da cidade.

O Governo do Estado está devendo uma resposta à sociedade e ela precisa vir rápido. Nessa proporção de fugas, não dá mais para esperar por discussões intermináveis e soluções a longo prazo. O prazo já expirou. E, hoje, são os cidadãos de bem que estão mantidos presos dentro de casa com medo dos que deveriam realmente estar trancafiados, mas encontram-se soltos, praticando crimes à luz do dia.

 

Lava Jato revela quem são nossos políticos

A cada dia, novos trechos revelados nos diálogos nada republicanos protagonizados pelo alto escalão da república brasileira nos envergonham ainda mais. Figurinhas carimbadas da política que estão sempre presentes em qualquer governo que esteja ocupando o Palácio do Planalto falam da Nação como se fosse uma republiqueta onde não houvesse leis, instituições e controle externo.

As conversas gravadas por Sérgio Machado mostram o tamanho do descaso com que os homens públicos tratam o Brasil. José Sarney, Romero Jucá, Renan Calheiros fazem parte de um mesmo grupo que considera que o país é quem deve servi-los, não o contrário, como era de se esperar de políticos que ocupam o Senado.

Estão todos tão somente preocupados com os próprios interesses, numa visão mesquinha da política, que só contribui para o descrédito existente hoje em relação a essa atividade. A Lava Jato, nós já sabemos, ameaça hoje figuras de todos os partidos políticos, uns mais, outros menos. E o que se ouviu nas últimas conversas divulgadas foi uma tentativa desastrada de tentar barrar a operação a qualquer custo.

Falam em um pacto nacional, mas o Brasil real, aquele que sustenta de verdade este país, não compactua com essa bandalheira. O Brasil real aplaude o juiz Sérgio Moro e quem mais trabalhe para varrer a corrupção que desvia dinheiro a ser aplicado na saúde, na educação e na segurança.

Os legítimos filhos desta terra que honram a sua cidadania levantam a voz por um judiciário sério e comprometido com a ética. Queremos ver os ministros do Supremo julgando com isenção, o Ministério Público e a Polícia Federal trabalhando livremente e a imprensa mostrando tudo isso à luz da transparência que deve reger os atos públicos.

Quanto aos políticos...bem, eles são responsabilidade nossa, já que fomos nós que os colocamos em Brasília. E é bom ficar de olho no comportamento de cada um para que nós também possamos cumprir a nossa parte quando estivermos frente a frente com a urna eletrônica no dia da eleição. 

Governo passa pelo primeiro teste no Congresso

Temer venceu o primeiro teste no Congresso ao conseguir a aprovação, na madrugada de hoje, da  mudança da meta fiscal com autorização de déficit de R$ 170,5 bilhões nas contas públicas. Um rombo bem superior ao previsto pelo governo de Dilma Rousseff, estimado em R$ 96 bilhões.

A votação, que se arrastou desde o final da manhã de ontem, serviu para medir a temperatura dos parlamentares e avaliar o apoio que Temer poderá contar para a votação dos futuros projetos. Um deles, indispensável para por as contas em dia, é o da reforma da previdência. Em 2015, a seguridade social foi o item que mais pesou nas despesas do governo, somando um gasto de R$ 436 bilhões.

Ontem, o governo anunciou, ainda que de forma genérica, um pacote para reequilibrar as contas públicas. Entre as medidas já divulgadas estão a de limitar os gastos públicos (não se sabe exatamente como); revisar limites para despesas com saúde e educação; extinguir o fundo soberano e revisar obrigações da Petrobras com o pré-sal.

É um momento difícil de ajustes para fazer a economia voltar a crescer com a retomada da atividade econômica e dos níveis de emprego. Mais de onze milhões de brasileiros estão desempregados à espera de uma nova oportunidade para voltarem ao mercado de trabalho. Não há espaço para erros ou improvisos. Por isso, a força do novo governo no Congresso impõe-se como questão fundamental para que as reformas sejam aprovadas e o país volte à normalidade.

A ferida que não sara

Ainda nem deu tempo sarar a ferida aberta pelo estupro coletivo seguido de morte em Castelo do Piauí e a sociedade já é surpreendida com outro crime da mesma natureza, dessa vez em Bom Jesus. A adolescente conhecia os cinco adolescentes que a violentaram, o que torna o ato ainda mais bárbaro.

É inaceitável que ainda ocorra esse tipo de violência contra mulheres. A apropriação e o abuso praticados contra o corpo feminino é repugnante, pois viola o templo sagrado de cada pessoa, que é seu próprio corpo. O ato sexual só pode existir quando há vontade e consentimento de ambas as partes, do contrário torna-se um crime e, como tal, deve ser punido com todo o rigor.

Ao longo dos anos, após muitas lutas em defesa dos direitos das mulheres, algumas leis e órgãos de proteção foram criados para dar suporte às vítimas de violência de gênero. Mas elas parecem ser ineficientes ou ineficazes quando se percebe que homens, independente da idade, continuam julgando-se proprietários do corpo feminino.

Cada vez que uma mulher é vítima de estupro ela é ferida de morte em sua dignidade. E não só ela, mas todas as mulheres do mundo, porque é a condição feminina que está sendo atacada e desrespeitada. E, pior ainda, é quando tentam justificar um crime em função do comportamento da vítima ou das roupas que ela usa. Não importa quem seja, ninguém é obrigado a submeter-se à vontade do outro pela força. O repúdio a crimes dessa natureza deve ser veemente para que não volte mais a acontecer.

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