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RECICLAR LIXO É LUXO

A Prefeitura de Teresina anunciou que vai deixar de recolher o lixo de grandes geradores de resíduos sólidos, como supermercados, shoppings e  cadeias de lojas, como já acontece em outros centros urbanos. O recolhimento do lixo domiciliar continuará sendo responsabilidade do município. O lixo é um desafio a ser enfrentado pelas civilizações modernas, especialmente por aquelas constituídas pela lógica do consumo nem sempre racional.

No Japão, por exemplo, usinas de reciclagem transformam lixo em energia elétrica. Tive a oportunidade de visitar uma dessas usinas que produzia energia suficiente para iluminar uma cidade inteira. Uma atividade sustentável econômica e ambientalmente. O Brasil ainda sofre com a dependência da energia gerada pelas hidrelétricas e, com isso, fica na dependência dos fenômenos naturais, nem sempre favoráveis, como agora.

Em outros países, a cultura da reciclagem já foi incorporada pelos cidadãos. O lixo doméstico é cuidadosamente separado em recipientes para papel, plástico, vidro e lixo orgânico. Ainda temos muito o que aprender com relação ao destino dos resíduos que produzimos e que, descuidadamente, devolvemos ao planeta. Este, certamente cobrará a conta. E a um preço alto demais.

No Brasil, e particularmente em Teresina, o lixo ainda é tratado com um descaso injustificável para o século XXI. Não é raro assistirmos à cena de copos descartáveis sendo jogados fora pela janela de carros de luxo. Ou mesmo, sendo arremessados nas calçadas de praças e jardins. A lei do lixo zero foi promulgada na tentativa de coibir essa prática, mas ela não dispõe de fiscalização suficiente para cobrir toda a extensão territorial do município.

Consciência ambiental deve nascer dentro de casa, ser reforçada na escola e acompanhada pela administração pública. Precisamos nos preocupar em produzir menos lixo e a tratá-lo de forma adequada se realmente quisermos  nos tornar uma sociedade civilizada. Isso, sim , é luxo.

A PAZ PERDIDA

O deputado Fábio Abreu assume hoje a Secretaria de Segurança com uma pesada carga de responsabilidade sobre os ombros. Dele, espera-se uma das respostas mais eficazes e rápidas dentro do governo que iniciou em janeiro. A violência tornou-se absolutamente insuportável no Piauí, com registros diários de assaltos, assassinatos, sequestros, explosões de caixas eletrônicos e toda espécie de crime já inventada pelos bandidos.

Os piauienses mudaram seus hábitos de vida e passaram a viver reclusos dentro de casa, sendo punidos com a privação do direito de circular livremente, porque o Estado falhou no seu dever de garantir segurança aos cidadãos. As belas casas ajardinadas, com quintais plantados com frondosas árvores, propícias ao nosso clima, foram substituídas por apartamentos. Os que ainda resistem a deixar suas casas tiveram que subir os muros, colocar cercas elétricas e instalar câmeras de vigilância, trancando-se em verdadeiros bunkers, e perdendo aquela convivência harmoniosa com os vizinhos na calçada.

Fábio Abreu é um policial reformado experiente e com todas as credenciais para fazer um bom trabalho. Mas, para isso, precisa de respaldo e orçamento suficientes para implementar as  medidas necessárias que tragam de volta a paz perdida em nosso Estado.

Hoje cedo, em entrevista aqui na Tv Cidade Verde, o novo secretário de segurança prometeu instalar câmeras em táxis, ônibus e pontos estratégicos . É uma boa medida. As administrações de Londres e Nova York, para citar apenas dois exemplos, adotaram essa estratégia com resultados positivos. Só que esta não pode ser uma medida isolada.  O monitoramento precisa ser acompanhado de estrutura nas delegacias, com combustível nas viaturas, telefones funcionando, pessoal qualificado e em número suficiente. E faz-se necessário, acima de tudo, que o judiciário também cumpra seu dever, julgando os processos em tempo hábil e encaminhando os criminosos para os presídios. Aliás, a situação dos presídios e a falta de vagas para abrigar os presos é outro grave problema que precisa ser encarado com a seriedade que a questão merece. Só assim, poderemos voltar a circular tranquilamente pelas ruas, exercendo plenamente nossa cidadania. É o que todos esperamos.

BRASILEIROS EM MIAMI

A crise econômica brasileira já começa a mostrar seus sinais nos Estados Unidos. Os brasileiros, que antes lotavam ruas e lojas em Miami, atraídos pelos preços convidativos da cidade, passaram a vir com menos frequência. E os que ainda vêm, já não compram mais com tanta intensidade. Com a cotação do dólar ultrapassando a barreira dos R$ 3, o turismo de compras nos EUA não é mais tão vantajoso para os brasileiros.

Circulando pelas ruas e lojas aqui em Miami, ouço os vendedores perguntando por onde andamos nós, brasileiros. Aquele barulho festivo que os turistas do Brasil faziam na hora das compras está se tornando mais raro. E quem ainda se aventura está sempre com uma calculadora à mão, fazendo a conversão para saber se os preços continuam valendo a pena, o que não é mais verdade, para tristeza dos consumidores.

Miami sempre foi associada a compras. Mas esse deixou de ser o principal atrativo da cidade. Hoje, brasileiros que visitam ou moram aqui destacam outros atrativos, como a segurança, civilidade, urbanização. A comparação com o Brasil é inevitável e desigual. Quase todos destacam a vantagem de poder  circular tranquilamente pelas ruas sem a ameaça de ter um revólver apontado para a cabeça na esquina seguinte. As leis e os direitos individuais dos cidadãos são respeitados.

Aqui, o preço da gasolina está em queda. A tarifa de energia elétrica é bem mais barata que a cobrada no Brasil. Os serviços funcionam, e com qualidade. Ruas e rodovias bem pavimentadas facilitam a vida de quem precisa dirigir pela cidade. Somando tudo, apesar da elevação do dólar, ainda há quem prefira gastar na terra do Tio Sam.

PENSE PIAUÍ

Pensar o Piauí não é tarefa fácil. Há décadas, o Estado marca posição entre os últimos da fila nos quesitos de economi, analfabetização  e desenvolvimento . Melhoramos um pouco, é verdade, e deixamos de ser o lanterninha dessa competição ao avesso. Mas ainda amargamos índices nada agradáveis nas áreas de educação e crescimento econômico. Se as riquezas naturais não nos faltam, o que está faltando mesmo é um planejamento comprometido com um modelo de desenvolvimento que faça o Estado decolar rumo ao progresso, com a consequente promoção do bem estar social.

Pois um grupo de profissionais de diferentes áreas resolveu assumir sua parte nesse debate e formou o PENSE PIAUÍ, um conjunto de pessoas interessadas em promover a mudança necessária e dar sua contribuição com ideias e sugestões sobre vários temas, que vão desde o turismo, meio ambiente, patrimônio histórico, educação, e o que mais possa ser discutido.

A proposta surgiu a partir de conversas na Universidade Federal do Piauí e no CENAJUS e, em pouco tempo, começou a ganhar corpo. Logo constituiu-se o grupo, de formação bastante eclética, mas com o mesmo objetivo : formar um novo Piauí, aproveitando e valorizando todas as oportunidades e riquezas de que dispomos. As discussões estão evoluindo, com o apoio do SEBRAE, que também abraçou a novidade.

Os próximos passos são a organização e a sistematização de todas as ideias em um seminário, que deve virar um documento. É a contribuição do terceiro setor para formar uma nova sociedade, mais atuante e participativa, com ações concretas para a construção de um novo Piauí, com o qual todos sonhamos.

A ÚLTIMA FLOR DO GÊNERO

Às vésperas das comemorações pelo Dia Internacional da Mulher, o Congresso brasileiro aprovou uma lei que classifica como crime hediondo a violência praticada contra mulheres, também chamada de feminicídio. Demorou a acontecer, mas ainda assim a lei é benvinda. A violência praticada contra pessoas do sexo feminino é inadmissível, mas, infelizmente, uma realidade que persiste no século XXI. E o que é pior, muitas vezes ela é cometida pelos próprios parceiros ou parentes, ou seja, a agressão não vem de um sujeito estranho, mas de alguém bem próximo à vítima. E, ao contrário do que se imagina, não está restrita aos grotões da periferia, mas também faz parte do universo das classes sociais mais abastadas, porque o que leva um homem a agredir sua companheira não está necessariamente ligado à sua condição social, mas ao sentimento de posse que ele supõe ter sobre a mulher que está ao seu lado.

Com o aumento no rigor da pena, é possível que as estatísticas de violência contra a mulher venham a diminuir, já que a impunidade é um combustível perigoso para quem pratica crimes de qualquer natureza.  Tanto é que, com a adoção da Lei Maria da Penha, houve uma redução de cerca de 10% no número de homicídios domésticos contra mulheres. São conquistas pequenas que precisam avançar até que esse tipo de brutalidade seja completamente eliminado da sociedade.

Muitas mulheres ainda sentem medo de denunciar seus agressores, uma vez que nem sempre elas podem contar com a proteção do Estado. A estrutura para o amparo às vítimas desse tipo de crime é precária. Em todo o Piauí, existem apenas oito delegacias especializadas de proteção à mulher, três delas situadas aqui na capital. É um número bastante limitado para o universo de atrocidades praticadas contra as piauienses de norte a sul.

Nestas homenagens pelo dia 8 de março, mais uma vez, as floriculturas irão faturar um bom dinheiro com a venda de rosas a serem distribuídas entre as mulheres. No entanto, as pétalas mais aguardadas são as que compõem a flor do respeito pela dignidade humana, independente do gênero. A lei aprovada pelo Congresso, e que segue agora para a sanção presidencial, é um bom adubo para esse canteiro.

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