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Em defesa do patrimônio histórico de Teresina

Foi aberto ontem, na Oficina da Palavra, um seminário da maior importância para a cidade de Teresina, denominado “Noites de História”.  O evento discute, com a seriedade que o tema merece, a questão do patrimônio histórico e arquitetônico da capital piauiense, que vem se perdendo ao longo dos anos pela demolição destruidora causada pela especulação imobiliária.

Teresina é uma cidade sem memória. Nossos valores, cultura e prédios históricos vão se apagando com tempo, sem que fique, muitas vezes, sequer um registro. A avenida Frei Serafim, outrora repleta de belos casarões, quase já não os possui. A maioria foi destruída, seja para dar lugar a prédios modernos, cobertos de vidros e espelhos, ou pior, para virarem estacionamentos. Afinal, a lógica da cidade sempre foi privilegiar o veiculo particular, inchando as ruas e transformando o trânsito em um caos de tirar a paciência de qualquer motorista.

Patrimônio histórico sempre foi visto como “luxo” ou supérfluo por essas bandas. Não se sabe se por desconhecimento da sua importância para a construção da identidade do município ou por puro desleixo. Fato é que são poucos os prédios com valor histórico e arquitetônico que ainda permanecem de pé.

A Oficina da Palavra, espaço destinado a promover a cultura e as artes de um modo geral, tomou para si a iniciativa de discutir esse problema, chamando para a discussão profissionais das áreas de arquitetura, história e jornalismo, bem como todos os teresinenses que amam a cidade e se propõem a defendê-la da ganância dos que insistem em colocá-la por terra, literalmente. O seminário segue até sábado, na sede da Oficina, na Rua Benjamin Constant.

Bandidos explodem agência em Inhuma

 

Inhuma foi a cidade escolhida da vez. Já virou rotina na mídia, notícias sobre assaltos a agências bancárias no interior do Piauí. Na madrugada desta quarta-feira, por volta das 3h, um grupo armado explodiu a agência do Banco do Brasil em Inhuma, cidade considerada pacata, a  250 km de Teresina. Além do forte barulho da explosão, os moradores acordaram com o som de tiros.

A cidade, claro, está em pânico, aterrorizada com tamanha violência. Até pouco tempo atrás, a vida no interior era sinônimo de tranqulidade, gente pacata sentada na praça ou na calçada. Mas os bandidos descobriram nessas cidades um alvo fácil para agirem à margem da lei, desafiando o aparelho de segurança, quase sempre inexistente nas cidades de pequeno porte.

Bancos, agências lotéricas e dos Correios são os locais preferidos para a ação dos assaltantes. Eles agem de forma extremamente violenta, com armamento pesado, provocando terror e tirando o sossego dos moradores.  Foi assim em Inhuma. Os habitantes de lá não conseguiram mais dormir, assustados com o que aconteceu.

O gerente da agência, ainda atônito, confirmou o assalto, mas não quis dar mais informações. Até mesmo por determinação do Banco, só a superintendência pode se manifestar sobre o assunto. O certo é que ser gerente em agência bancária, especialmente no interior, tornou-se uma profissão de risco. Vez por outra, eles estão na mira de um revólver ou, pior, são levados como reféns.

A população se sente desprotegida e cobra a presença da polícia. Mas o efetivo da PM está reduzido e não tem como atender a todo o Piauí, de norte a sul. De acordo com o próprio Comandante da Polícia Militar, Coronel Carlos Augusto, o Estado necessita de, pelo menos, cinco mil policiais a mais que o número existente atualmen

Ciclistas em defesa da Frei Serafim

Um grande passeio ciclístico está programado para hoje à noite, com concentração a partir das 19h, no cruzamento das avenidas Frei Serafim e Miguel Rosa.  E, desta vez, o prazer de pedalar não é o único motivo que move os ciclistas. Na verdade, eles vão fazer um protesto cívico contra a possível alteração no canteiro central da avenida Frei Serafim para a construção dos terminais de ônibus urbanos, previstos no Plano Diretor de Transporte e Mobilidade Urbana de Teresina.

A campanha em defesa da preservação da paisagem atual da Avenida Frei Serafim  conta com o apoio do Ministério Público do Estado, Conselho de Arquitetura e Urbanismo, Conselho Regional de Engenharia, OAB e IPHAN. No convite feito aos ciclistas, todas essas entidades apelam para o risco de haver uma desconfiguração de um dos maiores símbolos históricos da capital. A avenida Frei Serafim, sem dúvida, é um dos logradouros mais bonitos da cidade, com uma vegetação exuberante que garante a sombra tão necessária para os pedestres que circulam por seu canteiro central.  Agredir o seu paisagismo traria, sem dúvida, um prejuízo inestimável para a população.

Questionada sobre o projeto, a Secretaria Municipal de Planejamento disse que ainda não há sequer o projeto das estações para a avenida Frei Serafim. Justamente pela importância urbanística dessa via, a STRANS está realizando uma licitação específica para escolher o melhor projeto para os terminais, o que significa, nas palavras do Secretário Washington Bonfim, o que menos interferir na paisagem do local. 

O Desembarque do PMDB da nau governista

Amanhã é o dia D para o governo da Presidente Dilma Rousseff. O dia do desembarque da tropa nem tanto aliada assim do PMDB. A maioria dos diretórios já se manifestou a favor do rompimento com o governo, o que significa mais votos favoráveis ao impeachment.  O Planalto teme o que parece ser óbvio: com a debandada do PMDB, outros partidos da base devem seguir o mesmo caminho, minguando ainda mais as forças governistas .

Os ventos do impeachment vão soprando cada vez mais forte, fechando o cerco contra a Presidente, que mantém um discurso de resistência, mas já sem acreditar muito no futuro do seu governo. À falta de apoio político, some-se a falta de apoio popular. Segundo o Instituto Datafolha, 69% da população reprovam o governo da Presidente Dilma. Os escândalos do petrolão, que nunca cessam, têm importante colaboração na formação dessa estatística. Mas não é a única causa. O baixo desempenho econômico tem gerado uma insatisfação crescente entre a massa trabalhadora, que outrora dava sustentação ao PT.

Diante desse cenário, o Vice-presidente, Michel Temer, já conversa com os correligionários sobre uma provável futura equipe de governo que seja capaz de recuperar a confiança dos empresários. O documento elaborado ainda no ano passado, intitulado Uma Ponte para o Futuro, está sendo detalhado e estudado pelos assessores mais graduados do PMDB.

Brasília vive, hoje, de fazer contas. Governo e oposição contam e recontam, várias vezes ao dia, os votos contra e a favor do impeachment. É uma cartada decisiva que será posta em cheque dentro de poucos dias, uma vez que as sessões no Congresso correm a uma velocidade jamais vista naquela Casa. Enquanto isso, Eduardo Cunha, mesmo com a corda no pescoço, se delicia com o sabor da vingança imposta à sua desafeto.

A carta de Rodrigo Janot

Diante do quadro de ebulição vivido pelo país, com revelações bombásticas sendo despejadas diariamente na mídia, exacerbando ainda mais os ânimos de um lado e de outro, o Procurador Geral da República, Rodrigo Janot, encaminhou mensagem aos membros do Ministério Público e à sociedade, pedindo união e serenidade.

Estava faltando mesmo alguém para tentar acalmar os nervos da nação com um pouco de equilíbrio neste momento de tantas turbulências e incertezas. Ele identifica no Brasil uma situação de guerra civil e abre o seu texto fazendo uma citação do ex-presidente norte-americano, Abraham Lincoln, que diz o seguinte: “Encontramo-nos atualmente empenhados numa grande guerra civil, pondo à prova se essa Nação, ou qualquer outra Nação assim concebida e consagrada, poderá perdurar”.

Janot faz um apelo à temperança, à coragem, à sabedoria e à humildade. Talvez estejamos precisando de tudo isso, dosado na medida certa, para recuperarmos a harmonia perdida dentro do turbilhão de acontecimentos que revelou a vulnerabilidade das nossas empresas públicas e privadas, curvadas ao esquema sujo do pagamento de propinas milionárias, que abalaram a confiança e as finanças do Brasil.

O Procurador Geral conclama seus colegas do Ministério Público ao cumprimento dos  seus deveres para com o país.”Devemos dar combate incessante à corrupção, seja onde for e doa a quem doer, mas há de se preservar sempre as instituições”. É isso o que a sociedade espera.

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