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A BICICLETA COMO OPÇÃO

O trânsito de Teresina cresceu além do que a cidade esperava ou para o qual tinha sido planejada, tornando absolutamente estressante o simples deslocamento de um ponto a outro. Uma das alternativas pensadas para fugir aos constantes congestionamentos é o sistema viário para bicicletas. Atualmente, Teresina dispõe de 24,15 km de ciclovias e 25,85 km de ciclofaixas, aquelas faixas vermelhas pintadas do lado direito da pista para uso dos ciclistas. Ainda é muito pouco diante da extensão territorial da cidade. Mas a Secretaria Municipal de Planejamento está elaborando o Plano Diretor Cicloviário, que encontra-se em fase de diagnóstico. A ideia é definir um padrão viário para bicicletas em função da demanda existente. Já está previsto no PAC (Programa de Aceleração de Crescimento) Mobilidade o investimento para a construção de mais 22 km de ciclovias. O uso da bicicleta como alternativa para fugir ao trânsito caótico dos grandes centros não é mais novidade. Na Europa, essa opção já vem sendo adotada há algum tempo com sucesso. Em Londres, existe um projeto, ainda não aprovado, de utilizar túneis subterrâneos de estações de metrô abandonadas para criar uma ciclovia por baixo da terra, onde qualquer pessoa poderia alugar uma das bicicletas públicas da cidade, que custam uma libra por pessoa por dia ou 50 libras por ano. Chamado de London Underline, o projeto utiliza principalmente o trecho das estações do centro da cidade, incluindo também alguns túneis que ligavam abrigos anti-bombas durante a Segunda Guerra. É bem verdade que o clima europeu ajuda. Aqui em Teresina o sol forte desencoraja as pessoas a trocarem o conforto do carro pelo esforço da bicicleta. Os que se aventuram a pedalar pela cidade, em boa parte, o fazem como prática esportiva à noite ou aos finais de semana. Ainda assim, muitos trabalhadores que não dispõem de dinheiro para comprar um carro ou motocicleta poderiam usar mais a bicicleta se tivéssemos mais estrutura urbana para que eles pudessem circular com segurança.

O SOL E O VENTO COMO SOLUÇÃO

Um grupo de deputados piauienses visita hoje o parque eólico do Araripe, que está sendo construído na divisa dos Estados do Piauí  e de Pernambuco. A obra está prevista para ser concluída no próximo ano e, depois de pronta, deve gerar energia 15 vezes superior a da Usina de Boa Esperança.

As fontes alternativas de energia são uma solução altamente viável, especialmente no Brasil, e mais ainda no Nordeste, onde há condições climáticas favoráveis com ventos e sol em abundância durante quase o ano inteiro. No entanto, tanto a energia eólica quanto a solar ainda são pouco utilizáveis por aqui.

O petróleo, além de caro é uma fonte esgotável. O custo das usinas térmicas é altíssimo e as usinas hidrelétricas, vez por outra, como agora, sofrem o problema da escassez de água por conta da irregularidade das chuvas. Por que então não investir nas fontes de energia renováveis, cujo custo inicial pode até ser alto, mas se pagam depois?  E, ainda por cima, possuem a vantagem de produzir energia limpa.

Os parques de energia eólica funcionam a partir de aerogeradores que captam a força dos ventos por meio de hélices ligadas a uma turbina que, por sua vez, aciona um gerador elétrico. Para isso, precisa que a região onde seja instalada a usina possua velocidade mínima de vento de 7 a 8 m/s.

No caso da energia solar, a matéria prima é farta e intensa. O Brasil recebe energia solar da ordem de 1013 MWh ( mega watt hora) por ano, o que corresponde a 50 mil vezes o consumo anual de eletricidade. Precisa de argumento melhor do que este para que haja investimento na área? Claro que não. Precisa apenas haver interesse e disposição em fazer projetos para buscar financiamento e dar resposta a  um problema gravíssimo e que vem, inclusive, inibindo a indústria piauiense. O Estado tem que se planejar e pensar no futuro, mas pensar grande, com projetos que venham realmente a alavancar o desenvolvimento do Piauí.

MUNICÍPIOS PIAUIENSES NÃO CUMPREM LEI DA TRANSPARÊNCIA

Em vigor desde 2011, a Lei da Transparência é cumprida apenas por dez dos 224 municípios piauienses. E, ainda assim, de forma parcial. Nem mesmo a capital, Teresina, cumpre todos os pré requisitos da lei. Por ela, é assegurado a qualquer cidadão o acesso a todas as informações relativas à execução orçamentária financeira das administrações públicas. A Lei 12.527 estabelece que os gestores devem colocar à disposição da população um portal com informações claras, objetivas e de fácil acesso sobre todas as despesas realizadas, incluindo licitações, contratos administrativos, transferência de recursos e gastos com pessoal, além do acompanhamento de programas, ações, projetos e obras. O objetivo é desenvolver o controle social da administração, incentivando a sociedade a fiscalizar os gastos com os recursos públicos. Acontece que os cidadãos ainda não adquiriram o hábito de fiscalizar o dinheiro que depositam nos cofres públicos sob a forma de imposto e, quando o fazem, nem sempre encontram resposta, como no caso dos municípios piauienses. Não sabem eles que se a informação solicitada não estiver disponível, a administração em questão pode ser denunciada ao Ministério Público. E que esse tipo de negligência do poder público pode ensejar ação de improbidade administrativa.

A CONTA QUE PAGAMOS, MAS NÃO VEMOS.

O Congresso , mais uma vez, levou a melhor. Enquanto o povo brasileiro acompanha, assustado, às notícias sobre recessão, desemprego, inflação e crise econômica, os parlamentares conseguiram triplicar o dinheiro destinado ao fundo partidário, passando dos R$ 289,5 milhões para R$ 867,5 milhões.

Diante disso, pergunta-se: qual a ordem de prioridade no Brasil? Os repasses para programas de educação como FIES e PRONATEC podem esperar, mas os políticos, não. Esses merecem tratamento diferenciado. Afinal, são eles que detêm as regras do jogo, submetendo o Planalto às suas vontades e pressões.

Mas e o trabalhador brasileiro? Aquele que rala de segunda a sexta para pagar o imposto que vai custear essa dinheirama despejada para os partidos políticos, o que ele acha disso? No mínimo, que estão desperdiçando o suor do trabalho derramado de norte a sul do país. E não é para menos. Quantas obras de investimento em infraestrutura estão paradas ou sequer começaram? Tome-se o exemplo do saneamento básico. Esta semana, a TV Cidade Verde exibiu reportagem mostrando que Teresina dispõe de somente 16,33% de domicílios ligados à rede de esgotos. Na região Nordeste, o índice não chega a 50%. É vergonhoso. E perigoso, também; porque esgoto correndo no meio da rua sem tratamento é um canal aberto para transportar doenças que poderiam ser evitadas se tivéssemos 100% dos lares com coleta adequada.

No entanto, o governo abre mão do investimento necessário em obras e programas sociais para afagar os detentores do jogo político, provando que aqui no Brasil o arrocho e a recessão também são desiguais e vêm em  doses diferentes para quem paga a conta e para quem só se beneficia dela.

O PIAUÍ NA ROTA DO TRÁFICO

O fim de semana foi marcado por uma grande apreensão de drogas no Piauí. Só em Parnaíba, foram 180 kg de entorpecentes. Uma ação que está se tornando cada vez mais frequente e que revela que o Estado tornou-se, definitivamente, importante rota para o tráfico de drogas. O Piauí não produz, mas consome muita droga. E de vários tipos: maconha, cocaína, ecstasy , crack, entre outras.

A novidade é que o consumo não está mais restrito apenas à capital, mas também de maneira crescente no interior do Estado. E tornou-se um negócio lucrativo, que envolve famílias inteiras. A própria polícia está surpresa com a quantidade de mulheres que assumiram o comando do tráfico no Piauí. A droga chega hoje até nós por meio do ar, da água e da terra. A polícia federal já fez apreensão em alto mar de droga que seria despachada para a Europa. Há poucos dias, um avião caiu em solo piauiense transportando cocaína. Até pista de pouso clandestina foi construída para dar suporte a esse comércio criminoso que abre as portas para outros tipos de crimes.

O diferencial é que agora o trabalho integrado das polícias está fechando o cerco contra essa atividade, inibindo não só a entrada do produto no Estado, como desmanchando importantes pontos de distribuição e prendendo os traficantes. Para isso, está investindo mais no setor de inteligência e contando com o apoio de denúncias da população para ajudar a combater o tráfico de drogas. A parceria entre polícia e população, aliás, é fundamental nesse processo. Mas isso só ocorre quando há confiança no trabalho da polícia. E é justamente o que estamos vendo agora. O esforço policial (incluem-se aí polícias civil, militar, rodoviária e federal, além da Força Tática) no combate ao tráfico de drogas é inegável e os resultados já começam a aparecer, tornando a população mais confiante.

Mas se o trabalho de repressão é indispensável, não se pode esquecer também o investimento na prevenção social. Hoje, vencemos o desafio de colocar todas as crianças na escola, mas permanece a dificuldade em manter essas crianças em sala de aula, o que só vamos conseguir quando as aulas tornarem-se mais atrativas, com professores comprometidos de verdade com o ensino. A família e a escola são as duas bases para a formação do jovem, fatores determinantes para deixá-los longe das ruas e das drogas. Quando essas duas instituições cumprem seu papel a contento fica mais fácil manter as crianças no caminho certo, com a atenção voltada para outros interesses que passam bem distante do perigoso trajeto das drogas.

 

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