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DEOCLÉCIO DANTAS FOI REFERÊNCIA NO JORNALISMO

Jornalistas são acostumados a divulgar as mais diferentes notícias, de conquistas a derrotas, de tristezas a alegrias. Somos preparados para isso. Mas nunca estamos suficientemente preparados a escrever sobre a morte de um colega, ainda mais quando ele é uma referência, uma espécie de ícone do jornalismo, como é o caso do Deoclécio Dantas.

Ainda menina, acostumei-me a ouvir sua voz no rádio, ao lado de outro amigo querido que já se foi, Carlos Augusto Araújo Lima. Meu pai era amigo e fã de Deoclécio e não perdia o seu programa. Com o som em boa altura no rádio da sala, todos nós ouvíamos as suas intervenções, sempre combativas e corajosas.

Tempos depois, entrei para a faculdade de jornalismo na Universidade Federal do Piauí e o Deoclécio Dantas era para mim um exemplo na profissão. Homem sério, inteligente e culto, tinha domínio sobre as palavras  e um raciocínio claro e certeiro. Seus argumentos eram sempre contundentes. A voz firme e a palavra cortante estavam permanentemente em defesa da sociedade, clamando por justiça, transparência e honestidade.

Deoclécio foi exemplo não só para mim, mas para muitas gerações de jornalistas que aprenderam a admirá-lo por seu caráter, integridade e competência. Um piauiense que deixou sua contribuição inestimável na área da comunicação e das letras. Seu legado  tornou-se imortal desde que ingressou na Academia Piauiense de Letras, o mesmo, porém, não aconteceu com seu corpo já cansado, que se despediu hoje do nosso mundo.  Parte o homem, ficam seus ensinamentos e a lição de que o bom jornalismo não morre jamais.

O LADO PROVINCIANO DE TERESINA

Aos 163 anos, Teresina ganhou ares de metrópole, com ruas movimentadas, carros e motocicletas circulando em todas as direções, e uma população de pouco mais de 800 mil habitantes utilizando-se dos mais diferentes serviços nas áreas de educação, saúde e comércio.

A modernidade, no entanto, é aparente. A capital piauiense ainda guarda algumas contradições que revelam seu lado provinciano. Uma delas é a presença de animais nas ruas, indiferentes ao tráfego intenso à sua volta. O problema é que esta cena não é uma raridade. Ao contrário, é comum vê-los pastando por ruas do bairro Ilhotas, na zona sul, e também no bairro dos Noivos, na zona leste, só para citar dois exemplos.

Acontece é que animais passeando pelas ruas não são apenas pitorescos ou prosaicos. São um risco para o trânsito e podem causar graves acidentes. Portanto, não dá para aceitar a cena como natural. A paisagem urbana não pode ser invadida por animais do porte de cavalos, jumentos ou vacas, como ainda se vê por aqui.

Os proprietários desses animais são os responsáveis por mantê-los presos em lugar que não corram perigo de ser atropelados e ou de causarem um acidente, podendo mesmo até tirar a vida do motorista. Se os donos não cuidam dos seus animais, que o poder público cuide da vida dos seus cidadãos e recolha os bichos que estão soltos na cidade antes que aconteça uma tragédia.

A PANELA ESTÁ FERVENDO

A primeira semana de agosto fecha com um saldo negativo para o governo federal e, de resto, para toda a nação. Como já havia sido anunciado, o Congresso voltou com a carga toda para atingir em cheio o Planalto. E, não só conseguiu aprovar a primeira das suas pautas-bomba, como o fez com larga maioria, impondo mais uma derrota à Presidente Dilma. Até mesmo parlamentares petistas votaram a favor do aumento para delegados das polícias federal  e civil, procuradores estaduais e municipais e para as carreiras da AGU – Advocacia Geral da União, comprometendo o programa de ajustes fiscais do Ministro Joaquim Levy.

O dólar disparou e já ultrapassou a barreira dos R$ 3,50, arrastando uma série de aumentos nos preços de mercadorias que têm como matéria prima produtos importados. A bolsa opera em queda e o mercado, como um todo, vai mal. A crise política, definitivamente, comprometeu a economia. O vice-Presidente e articulador político, Michel Temer, chegou a fazer um apelo pedindo a união, um espécie de pacto, pelo Brasil. Os deputados não o ouviram.

Em meio a esse cenário, o programa político do PT foi ao ar, tentando recuperar a confiança dos brasileiros e melhorar a imagem da Presidente Dilma, que chegou a seu pior nível de avaliação já registrado até agora, com 71% de reprovação. De nada adiantou o trabalho dos publicitários para tentar neutralizar o efeito das panelas. Elas ocuparam mais uma vez o cenário urbano, em uma manifestação de protesto coletivo nas grandes cidades brasileiras. Aqui em Teresina, também ouviu-se o barulho do panelaço em algumas regiões, como na Av. Marechal Castelo Branco, onde há uma grande concentração de edifícios residenciais de alto padrão.

A estratégia governista precisa mudar e começar a apresentar resultados rápidos. As contas dos governos Itamar Franco, Fernando Henrique e Lula já foram votadas no Congresso, abrindo caminho para a votação das contas de Dilma. Mais um ingrediente apimentado para ir à panela em que frita a popularidade da Presidente.

 

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EDUCAÇÃO QUE TRANSFORMA

Em uma época de tantas notícias ruins sobre a economia, a política e a segurança pública, a educação vem nos redimir. No ranking das maiores notas obtidas na avaliação do Exame Nacional do Ensino Médio de 2014, divulgado ontem pelo MEC, o Piauí aparece com duas escolas entre as vinte melhores do país. E não é a primeira vez que o Estado desponta entre as escolas de ponta do Brasil, competindo com Estados reconhecidamente mais ricos e desenvolvidos, como Rio de Janeiro e São Paulo, por exemplo.

Prova de que a educação pode romper barreiras econômicas e geográficas. Com um projeto pedagógico sério, professores valorizados e o compromisso com o  ensino de qualidade, os alunos são capazes de se destacar, independente de onde se encontrem. Foi isso que o Instituto Dom Barreto e o Colégio Lerote demonstraram, alcançando o décimo sexto e o vigésimo lugar, respectivamente.

Para melhorar ainda mais nossa autoestima, tão castigada por outros indicadores, vale ressaltar uma outra lista: a das escolas públicas que obtiveram melhores  notas no ENEM. Entre os 21 estabelecimentos de ensino público listados, quatro são piauienses: o Campus Angical do Instituto Federal do Piauí, o Campus Parnaíba do Instituto Federal do Piauí , a já conhecida e premiada escola Augustinho Brandão em Cocal dos Alves e o Campus Picos, também do Instituto Federal do Piauí.

Todas essas escolas são motivo de orgulho e devem servir de exemplo para o  Estado, como uma demonstração inequívoca de que, quando bem conduzida,  a educação é um rio que corre intrépido, apesar das margens estreitas que tentam sufocá-lo. E esse é o único caminho possível para vencer o atraso e o subdesenvolvimento. Com alunos bem preparados e qualificados poderemos vencer o ciclo de pobreza que os cerca no sertão piauiense.

São exemplos pontuais e localizados. Mas têm a força de mostrar que é possível e que educação tem mais a ver com determinação e boa vontade do que com dinheiro, embora este seja necessário, sobretudo para pagar salários decentes aos professores.

As notas desses alunos soam para nós como notas musicais de extrema beleza e nos fazem acreditar na nossa capacidade de superação e, acima de tudo, de transformação da nossa realidade. É o Piauí que brilha!

 

VAMOS FLORIR TERESINA?

Ao longo dos anos, Teresina vem perdendo a sua cobertura vegetal. O progresso tem dessas coisas. Na ânsia de construir novos empreendimentos, nem sempre há a salutar preocupação de preservar o verde e muitas árvores são derrubadas impiedosamente para dar lugar ao concreto armado. Piora a paisagem urbana, mas, principalmente, piora o clima e a qualidade do ar que respiramos. Não é a toa que sempre que chega o segundo semestre as reclamações sobre o calor excessivo se multiplicam pelos quatro cantos da cidade.

Pois bem, em vez de simplesmente reclamar, o que estamos fazendo, efetivamente, para reverter essa situação? A Prefeitura de Teresina anunciou que está fazendo um programa de replantio de árvores por toda a cidade. Ótimo! Mas essa não é tarefa exclusiva do poder público. Cada um de nós, cidadãos teresinenses, temos que dar nossa contribuição para tornar o clima da nossa cidade mais agradável e nossas ruas mais belas.

E uma boa oportunidade para isso pode ser encontrada a partir de amanhã na Praça Pedro II. É o Festival de Flores de Holambra que, apesar de estar ainda na sua sexta edição, já virou tradição e conquistou o teresinense. De 6 a 16 de agosto, a cidade fica mais bonita com a exposição e comercialização de mais de 230 espécies de flores, plantas ornamentais e mudas vindas diretamente de Holambra, em São Paulo.

É um espetáculo que enche os olhos. E que não deveria ficar só na contemplação. O ideal é que as flores e plantas ornamentais saiam da praça Pedro II e se espalhem pelos jardins, quintais, praças e canteiros de Teresina, enchendo a cidade de cores, aromas e beleza. Sem dúvida, o melhor presente para Teresina nestes 163 anos.

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