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JUIZ MANDA TIRAR TODOS OS PRESOS DAS DELEGACIAS

O Juiz Luís Moura expediu decisão judicial agora à tarde para que todos os presos que encontram-se hoje nas delegacias de Teresina sejam removidos para presídios, sob a responsabilidade da Secretaria de Justiça. O prazo para a transferência é de 48 horas, sob pena de mandar prender o Secretário de Justiça, Daniel Oliveira.

Atualmente, cerca de 80 a 90 presos encontram-se nas delegacias de Teresina. A ordem de remoção inclui também a Central de Flagrantes, que está sob constante ameaça por conta da superlotação de presos. A justiça entende que com a inauguração do presídio de Altos não há mais razão para os detentos permanecerem tanto tempo nos distritos.

Nesta quinta-feira pela manhã, o Secretário de Segurança, Fábio Abreu, irá se reunir com o juiz Luís Moura para definir os termos da transferência dos presos. Decisão oportuna e há muito aguardada. Os delegados já vêm denunciando essa situação há bastante tempo. Delegacia não é lugar para guardar preso por tempo indeterminado, mas aqui no Piauí era o que vinha ocorrendo, especialmente na Central de Flagrantes, onde o risco é imenso, com várias tentativas de fugas e rebeliões.

Veja a Decisão na íntegra.

RETRAÇÃO NA CONSTRUÇÃO CIVIL

 

A combinação de recessão, inflação alta e juros em disparada tem afetado fortemente a construção civil e, mais ainda, o segmento da habitação. Sem dinheiro no mercado, o setor entrou em retração, os preços caíram e as demissões já estão acontecendo de forma preocupante. Nos primeiros seis meses deste ano, o desemprego na área alcançou uma média de 7% aqui no Piauí.

O momento é favorável para quem quer comprar imóveis. Isso mesmo, se o cliente dispõe de dinheiro, já que a Caixa Econômica Federal reduziu o financiamento para os mutuários. No caso de imóveis usados, por exemplo, a Caixa só está financiando 50% do valor. Uma boa opção são os consórcios imobiliários.

Para quem constrói, a situação não está nada fácil. Os imóveis da chamada Faixa 1, destinados às casas do programa Minha Casa, Minha Vida, são praticamente subsidiados pelo governo federal, mas este passou a atrasar os pagamentos em até 35 dias, comprometendo o fluxo de caixa das construtoras, principalmente das pequenas, que costumam operar nesse segmento.

As Faixas 2 e 3 , também do Minha Casa, Minha Vida, recebem um subsídio menor do governo. O dinheiro é complementado com recursos do FGTS. Só que os valores estão defasados, com índices relativos ainda ao ano de 2009. E sem correção, os construtores estão inibidos.

Já os imóveis situados acima dessa faixa são bancados com recursos oriundos da poupança, que vem diminuindo progressivamente. Agora em 2015,  cerca de R$ 32 bilhões migraram  da caderneta de poupança para outros investimentos mais rentáveis, como os fundos de renda fixa.

Para completar o quadro pouco animador, ainda há o custo burocrático para entregar uma obra. O Presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil no Piauí, André Baía, diz que aqui se perde muito tempo para obter uma certidão em cartório, ou conseguir um alvará do Corpo de Bombeiros, uma ligação da AGESPISA ou ELETROBRÁS.

Na avaliação de André Baía,  o mercado só vai conseguir se recuperar no final do próximo ano. Segundo ele, o governo está usando o pior remédio para segurar a inflação, que é gastar mais do que pode.  Ele  ainda acredita no ajuste fiscal, embora o Congresso aponte para o sentido contrário. “ Ou o ajuste sai, ou o país pára”, conclui um dos empresários que ajudam a construir o Brasil.

CAMINHADA PELA PAZ E FRATERNIDADE

Faltam apenas cinco para dias para a Caminhada da Fraternidade, que completa 20 anos agora em 2015. E ela chega justamente em um momento em que a sociedade piauiense pede um basta à violência que varre o Estado de norte a sul. A Caminhada da Fraternidade é mais que uma aglomeração de pessoas nas ruas de Teresina. É um sinal de mobilização comunitária contra a exclusão social e, como o próprio nome sugere, por mais fraternidade entre as pessoas, portanto, uma caminhada de paz.

Surgida inicialmente para pôr fim ao preconceito contra os portadores do vírus HIV e para arrecadar recursos que pudesse manter uma casa que abrigasse essas pessoas, a Caminhada cresceu em dimensão e propósitos. Hoje, reunindo em média 60 mil pessoas a cada ano, o dinheiro arrecadado com a venda dos kits sustenta não apenas o Lar da Fraternidade, mas ajuda também outras instituições mantidas pela ASA – Ação Social Arquidiocesana  , como o Lar de Misericórdia, que recebe pacientes com câncer que vêm do interior do Piauí e até de outros Estados em busca de tratamento; o Centro Maria Imaculada, referência no atendimento a pessoas com hanseníase e, ainda, atende a crianças em situação de risco. A Caminhada também é solidária com outros projetos desenvolvidos pela sociedade civil, de reconhecida importância para a cidade, como o Lar da Esperança e a Casa Frederico Osanam.

Quando assistimos a tantas cenas de violência, intolerância e descaso com a vida humana, a Caminhada se apresenta como um bálsamo, levando acolhimento, atenção e saúde a quem mais precisa, numa demonstração clara de que nem tudo está perdido e que a solidariedade ainda está presente entre nós.

Este ano, o tema é SERVIR É O NOSSO CAMINHO. É com este espírito que os teresinenses caminharão no próximo domingo, dia 14, a partir das 7h, com saída da Igreja São Benedito, após a celebração da santa missa. Uma oportunidade concreta para que cada um contribua efetivamente para tornar a nossa cidade um lugar melhor para se viver, com mais justiça social e igualdade entre as pessoas.

O SILÊNCIO CRIMINOSO

Amanhecemos todos mais tristes nesta segunda-feira de céu nublado e chuva inesperada. O fim de semana foi pesado para todas as pessoas que ainda conservam a capacidade de indignar-se diante da dor e da violência, cada vez mais presentes em nosso meio.

Depois de mais de dez dias em um leito de UTI, após ser brutalmente violentada e espancada até a morte, uma das meninas da tragédia de Castelo morreu ontem à noite, silenciando mais uma vida,  um futuro que começava a se desenhar cheio de sonhos e alegrias.

As meninas de Castelo, na verdade, são todas as meninas diariamente abusadas e torturadas no Piauí, no Brasil e no mundo, como as nigerianas vítimas do Boko Haram. Nem todas ganham a repercussão que essas quatro garotas tiveram, talvez pela proximidade do caso. Mas em todas, e em cada uma em particular, a dor é a mesma. Como o mesmo deve ser o repúdio a qualquer ato de violência. Como Ludwig Wittgenstein observou: “ o sofrimento de certo  número de pessoas, ou mesmo de toda a humanidade, não pode ser maior – mais agudo, profundo e cruel – que o sofrimento de um único membro da raça humana.”

No mesmo fim de semana, um jovem médico é baleado durante uma tentativa de assalto, enquanto fazia um programa familiar a uma soverteria, em plena Avenida Dom Severino. Já não há mais tranquilidade para se fazer qualquer programa, independente da hora ou do local. E nós não podemos encarar isso como natural. Nunca!

Para completar a indignação diante da bestialidade em que se tornou a vida humana, uma criança de três anos é morta dentro de casa e a suspeita pelo assassinato recai justamente sobre o tio. Mais um caso que não dá para aceitar.

Tão violenta quanto a atitude de quem pratica esses crimes é a indiferença dos que o assistem e não se incomodam com o que veem. O silêncio, em casos como esse, também é criminoso. Por isso, não podemos ficar omissos. Temos que cobrar providências - prevenção e punição - para que a barbárie não venha a tomar conta do nosso Estado como se fosse algo natural e rotineiro.  

O DIA EM QUE O REITOR DANÇOU O CONGO

O 13° Salão do Livro do Piauí foi aberto ontem à noite com um cardápio variado de livros e um resgate que fez o distinto público saltar da cadeira e cair na dança. A solenidade de abertura do evento contou com a apresentação de um grupo de Congos de Oeiras, que fez um espetáculo absolutamente surpreendente.

 

 

A dança dos congos é mais uma herança africana. Ela chegou ao Piauí pelos negros  que acompanhavam o primeiro governador da província, João Pereira Caldas, no início da colonização do Estado. A dança é uma louvação a Nossa Senhora do Rosário e a São Benedito, dois santos venerados pelos negros, e mantida até hoje, de geração a geração, pelos moradores do bairro Rosário, localizado na primeira capital do Piauí.

Não sem algum sacrifício, o grupo vem sendo mantido, com figurino renovado e disposição de fazer inveja às bandas de axé. Por iniciativa do Professor Cineas Santos, os Congos de Oeiras vieram se apresentar na abertura do Salipi, mostrando uma encenação que reúne música, dança, teatro e história.

Ao final da apresentação, quando todos se encontravam extasiados diante do espetáculo que mostrou um pouco do nosso passado e de nossos costumes, o grupo surpreendeu convidando o público a dançar junto com eles no palco. E a platéia, que até então só aplaudia, não se fez de rogada e atendeu prontamente o chamado. Em pouco tempo, professores, alunos e até mesmo o reitor da UFPI, José Arimatéia Dantas, seguiam os passos dos congueiros, provando que a arte e a cultura possuem o condão de unir todos os povos, não importa a raça ou o status social.

A propósito, o Salão fica aberto até o dia 14 de junho no Espaço Rosa dos Ventos da Universidade Federal do Piauí.

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