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A FESTA DA MÚSICA EM PEDRO II

O Festival de Inverno de Pedro II volta com toda força melódica para aquecer as noites amenas da cidade ( durante a noite, as temperaturas variam de 20° a 16°). Este ano, as atrações nacionais são: Ana Carolina, Frejat e Jorge Ben Jor. Três nomes de peso com público fiel e uma bonita história escrita nas páginas da música popular brasileira. Cada um a seu estilo, os três artistas formam um conjunto capaz de agradar diferentes gostos.

Há ainda as apresentações locais, também cuidadosamente escolhidas, que valorizam e difundem a música produzida aqui no Piauí. Na abertura do festival, o grupo Ockteto faz um tributo a Gonzagão, o rei do baião. O grupo já é conhecido pela beleza de suas apresentações. A novidade é a interpretação de músicas regionais de Luiz Gonzaga. Outro grupo que vai ganhar destaque nos palcos de Pedro II é o Cojobas, formado por profissionais liberais e empresários apaixonados por música, que tocam pop rock e clássicos como Pink Floyd e Beatles. E tem ainda o Top Gun. Juntos, eles vão dar o tempero local com toque universal ao evento.

Quem for a Pedro II também vai poder se deliciar ao som de King of Blue, tocando Miles Davis, e de Double Deck, além de Felipe Cazaux, de Fortaleza. A música vai invadir a praça, os ouvidos e os corações dos habitantes e turistas que estiverem no município de 4 a 7 de junho.

O Festival de Inverno de Pedro II é uma dessas ideias felizes que vieram para ficar. E ele não se restringe apenas à uma sequência de bons shows musicais. O evento transforma a vida da cidade, que se prepara para receber os milhares de visitantes, não só do Piauí, mas também dos Estados vizinhos. Gastronomia, comércio e hotelaria se fortalecem e se renovam para atender bem os turistas e fazem crescer a economia do município. Oportunidade também para mostrar as atrações da cidade, como o Morro do Gritador, a Cachoeira do Salto Liso e o rico artesanato produzido em  fios de algodão, que tecem redes e tapetes. Outra particularidade de Pedro II são as minas de opala, uma pedra semipreciosa de rara beleza que adorna as joias encontradas nas muitas lojas espalhadas pelo município.

A música é o pretexto que faltava para os turistas conhecerem e explorarem a cidade de Pedro II, um município pequeno e aconchegante, com cerca de 38 mil habitantes, localizado ao norte do Piauí, mais precisamente a 208 km da capital.

POLÍCIA EM ESTADO DE ALERTA

Um perigoso sentimento de insatisfação está ganhando corpo no quartel da PM por conta da ameaça da suspensão da quarta e última parcela do aumento concedido aos militares por Lei Estadual ainda em 2011. Os PMs já contavam na certa com esse dinheirinho a mais. Ocorre que o governo está no limite da Lei de Responsabilidade Fiscal e, portanto, impedido de aumentar os gastos com pessoal.

Ontem de manhã, o sindicato da categoria foi até a Assembleia Legislativa pedir o apoio dos parlamentares para assegurar que o aumento seja pago agora em maio, conforme havia sido acordado. E encontrou respaldo justamente em um dos mais ferrenhos opositores ao governador, o deputado Robert Rios.

Os policiais não dizem abertamente, nem querem dar entrevistas sobre o assunto com medo das punições, mas um deles conversou comigo e explicou que a proposta é resgatar o movimento Polícia Legal, já adotado no passado. Dessa forma, os militares não entrariam formalmente de greve, mas criariam toda sorte de obstáculos para exercerem suas funções. Por exemplo, ao serem destacados para um operação, exigirão a carteira especial de motorista para dirigir ônibus. Se não tem, ninguém sai. Outra estratégia: conduzir todo pequeno infrator para a Central de Flagrantes, a fim de inviabilizar o funcionamento da casa, já bastante saturado. A criatividade é proporcional ao descontentamento.

Se isto realmente vier a acontecer, será o caos para a sociedade que já está apavorada com a violência que tomou conta do Estado. A polícia é a quem o cidadão recorre quando é vítima de algum tipo de crime. Se ele não puder contar com os militares, aí é que o sentimento de impotência diante da insegurança vai aumentar.  Festa para os bandidos, pavor para a sociedade, desgaste para o governo. Uma combinação altamente explosiva que, espera-se, não venha a acontecer.

DIREÇÃO PERIGOSA

Um dos primeiros desafios do teresinense logo de manhã, ao sair para o trabalho ou para deixar o filho na escola, é enfrentar o trânsito na capital.  Quem precisa passar pelo balão da ponte Wall Ferraz  gasta logo toda a sua cota de paciência nas primeiras horas do dia. O trânsito ali faz lembrar o caos visto nas ruas da  Índia, onde todo mundo tenta levar vantagem e ninguém sabe ao certo de quem é a vez.

Cada motorista e todos, ao mesmo tempo, metem cara e tentam ocupar o espaço estreito da faixa que dá acesso à ponte, formando uma confusão generalizada, com permanente risco de acidentes e aborrecimentos. Para completar, motociclistas fazem manobras perigosas entre um carro e outro, complicando ainda mais e deixando todos atônitos.

A mesma cena se repete em outros pontos da cidade, como na ponte Juscelino Kubitscheck, que liga o centro à zona leste. Para não chegar atrasado a seus compromissos, o motorista tem que se programar para sair bem cedo de casa, porque o tempo perdido nos congestionamentos é grande. E tempo, como se sabe, vale ouro.

Durante alguns dias, agentes de trânsito da STRANS foram deslocados para a rotatória da ponte Wall Ferraz, na tentativa de disciplinar o fluxo de veículos no local. Melhorou bastante e foi um alívio para os motoristas, mas não durou muito tempo e o caos voltou a reinar por ali.

O trânsito, junto com a falta de segurança, são hoje dois dos  maiores problemas enfrentados na capital. Além da falta de orientação e sinalização em pontos cruciais da cidade, falta também a disciplina dos motoristas, que, muitas vezes, comportam-se de maneira selvagem, querendo avançar de qualquer jeito e sem observar a mínima noção de civilidade e bons modos. Parece vigorar a lei dos mais forte ou do mais ousado, que acaba prejudicando a todos.

Infelizmente, a cidade não dispõe de um sistema de transporte público de qualidade que permita ao cidadão deixar o carro em casa durante a semana e o faça optar pelo transporte coletivo, como nos grandes centros europeus. A falta de um metrô rápido, confortável e seguro, ou de outro veículo de massa com essas características, faz com que a população busque adquirir um carro ou motocicleta, contribuindo para piorar cada vez mais o trânsito que já está estrangulado.

GENTE QUE MUDA O MUNDO

Sebastião Ribeiro do Nascimento, o Zumbi, é aparentemente um homem comum. Nascido no interior do Nordeste, em Caxias-MA, era analfabeto até os 12 anos de idade, quando mudou-se para Cubatão, em São Paulo. Como tantas outras famílias nordestinas, a dele também deixava a terra natal em busca de melhores oportunidades de vida.

Trabalhava como ambulante, vendendo água na rodovia dos Imigrantes, até que a rodovia foi duplicada, a velocidade dos carros aumentou e ele teve que procurar outra ocupação. Foi nessa época que começou a se envolver com a associação comunitária da região onde morava, uma área de mangue, fruto de invasão.

A partir daí, o homem comum deu lugar ao líder. Sem qualquer conhecimento teórico, Zumbi começou a aplicar na prática conceitos sofisticados de planejamento estratégico, visão de futuro e organização social. Conseguiu mobilizar uma comunidade completamente desmotivada e, depois de algum tempo, mudou a realidade do lugar.

Brigou pela iconstrução de uma escola, instalou curso de inglês e informática para os jovens, limpou a área do mangue, disciplinou os moradores para a necessidade da coleta seletiva do lixo e até implantou uma moeda local, o mangue. O lixo reciclado é trocado pela moeda social, utilizada hoje em quase todo o comércio da comunidade. O menino que não teve oportunidade de estudar quando criança sempre soube que a educação é o caminho para a transformação. E insistiu em proporcionar ensino de qualidade para crianças e jovens da vila que adotou.

Para chegar até esse ponto, Zumbi enfrentou muitas dificuldades, até mesmo entre os moradores do bairro. Mas desistir não faz parte dos seus planos. Como ele mesmo se define, “ é um eterno inconformado e com espírito de ação”. E aí talvez esteja toda a diferença. Zumbi não apenas reclama. Ele faz as coisas acontecerem, or mais difícil  que seja o desafio. Hoje, a associação que presidiu por dois mandatos consecutivos virou Associação de Educação Ambiental de Bem com o Mangue. E já está finalizando a construção do primeiro Museu da Água do Brasil.

De voz mansa e gestos suaves, o líder comunitário que deixou o Maranhão e refundou a Vila Esperança em Cubatão sabe como superar obstáculos. A teimosia, segundo ele, é sua principal característica. Hoje, formado em Direito, dá palestras em todo o Brasil, contando sua história e emocionando plateias, como fez em sua rápida passagem por Teresina nessa sexta-feira.

 

A CONTA VAI PARA O TRABALHADOR

Não foi fácil. Mas o governo obteve uma vitória ontem ao conseguir aprovar no Congresso a primeira medida do ajuste fiscal proposto pelo Ministro da Fazenda, Joaquim Levy, para equilibrar as contas públicas. A partir de agora, fica mais difícil para o trabalhador obter o seguro-desemprego. Para ter acesso ao benefício, o trabalhador terá que comprovar mais tempo de serviço. Outras medidas, como a que mexe com o benefício previdenciário, por exemplo, estão na fila para serem votadas.

A grande indagação que fica na cabeça de milhares de brasileiros que trabalham duro para ajustar o próprio orçamento é por que a conta do equilíbrio financeiro do país tem que ser jogada apenas no colo, ou melhor, no bolso dos assalariados, a parte mais indefesa? Por que o governo não propõe a redução de ministérios, hoje em número muito além do necessário? Por que não a redução de cargos comissionados distribuídos graciosamente para agradar partidos políticos? Ou ainda, por que não reduzir despesas de custeio, como gastos com passagens e diárias dos engravatados de Brasília?

O governo não corta na própria carne. Em vez disso, triplica o repasse do fundo partidário, despesa que não traz qualquer retorno à massa trabalhadora que carrega esse país nas costas, ralando de manhã à noite, pagando impostos altos e sendo mal servida de serviços essenciais básicos, como saúde, educação e segurança.

Pra completar, o índice de desemprego nos três primeiros meses do ano chegou a 7,9%, o maior desde 2013. Significa que quase 8 milhões de brasileiros estão sem emprego. O Nordeste lidera esse ranking. E os jovens na faixa etária entre 18 e 24 anos são os mais atingidos. Ou seja, o trabalhador está sendo duplamente penalizado. Uma parte, perdeu o emprego. A outra parte, que ainda possui a carteira assinada, vê seus direitos minguarem gradativamente. A classe média, que é a base da economia, já foi esmagada. Agora, a trabalhadora está indo para o sacrifício.

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