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É A TREVA!!!!

A chegada, ainda que tardia, da estação chuvosa trouxe alegria para os piauienses, já temerosos de mais um ano de seca, com as consequências tão temidas provocadas pela escassez de água.

No entanto, as primeiras chuvas não puderam ser comemoradas como era de se esperar, porque se São Pedro começou a ouvir os nossos apelos, o mesmo não se pode dizer da ELETROBRÁS.  Ela, sempre ela, continua a causar dor de cabeça e desassossego a cada vez que as nuvens se formam no céu de Teresina.

Desde domingo passado, quando as chuvas, ou a simples  preparação para que elas ocorram, começaram a aparecer, a má qualidade no fornecimento de energia voltou a ser destaque na imprensa, nas redes sociais ou até mesmo na conversa entre amigos. O problema é que o que deveria ser exceção tem se tornado rotina. Qualquer teresinense já sabe que basta chover para faltar energia.

Não é a toa que a ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica - considera a energia fornecida no Piauí a sexta pior do país. Quem mora aqui já havia percebido isso faz tempo. O que estranha é que a reclamação, embora antiga, não encontra solução.

Pagamos, e pagamos caro, por uma energia de baixa, por que não dizer péssima, qualidade. Este ano, o pagamento passou a ser feito de acordo com as bandeiras tarifárias. No caso da bandeira  vermelha em vigor, há um acréscimo de R$ 3 para cada 100kwh consumidos. E para piorar, há previsão de novos aumentos na conta de energia para os próximos meses. Portanto, não dá mais para os piauienses continuarem desembolsando altos valores por um serviço ruim, que tem provocado sucessivos prejuízos, tanto domésticos, como na indústria e no comércio. 

SANATÓRIO GERAL

Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

O  mês de fevereiro chegou em ritmo diferente este ano. A banda que costuma tocar alegre e festiva desafinou, atravessada por acordes nada promissores  para os brasileiros que sonham o ano inteiro com a maior festa popular do país.

O ano de 2015 traz, na verdade, um enredo pouco animador para os passistas que desfilam o ano inteiro ao longo deste imenso Brasil. As perspectivas não são nada otimistas. A fantasia foi sufocada pela avalanche de aumentos que pesam como um titanic no bolso dos trabalhadores. Compute aí o aumento no preço da tarifa de energia elétrica, dos combustíveis (a gasolina já está sendo vendida a R$3,20 nas bombas), das passagens de ônibus (R$2,50) , dos juros do cheque especial ( este bateu o recorde de 200%), impostos e todos os aumentos gerados em efeito cascata a partir desses citados.

Como se não bastasse, as previsões são de um ano de baixo crescimento, para não dizer recessão, inflação alta e a ameaça do desemprego rodando a cabeça de quem ainda está conseguindo se segurar no mercado de trabalho.

Com todos esses ingredientes, o samba perde um pouco do seu encanto, ainda que a folia esteja batendo à porta. Mas como a alma do nosso povo é alegre por natureza, é provável mesmo que o sanatório geral invada a avenida e anestesie a consciência coletiva durante todo o carnaval. Ou será que os protestos servirão de mote para as alegorias de momo?

De qualquer jeito, passada a quarta-feira de cinzas, o mundo volta a cair na real. Resta saber se, guardada a fantasia, haverá o despertar para o que ficou abafado até agora. 

PARA SEMPRE ALICE

O período da Semana Santa é um dos favoritos para o teresinense que quer deixar a cidade rumo à fazenda ou à praia. Para os que optaram por ficar aqui, ou não tiveram outra alternativa, recomendo o excelente filme “Para Sempre Alice”, em cartaz na capital. Vencedor do Oscar de melhor atriz pela magistral interpretação de Julianne Moore no papel principal, o filme mostra de maneira delicada e sensível como é a adaptação de uma pessoa diagnosticada com o Mal de Alzheimer. No caso de Alice, a personagem principal, o diagnóstico foi assustadoramente precoce,  aos 50 anos de idade.

Alice fazia tudo o que os médicos costumam recomendar como prevenção à doença. Mantinha a mente em atividade intelectual intensa, como destacada professora de linguística na Universidade de Columbia; praticava exercício físico regularmente, correndo no próprio campus onde lecionava e mantinha um relacionamento afetivo estável com a família. Não obstante, é surpreendida com um diagnóstico no qual ela e o marido custaram a acreditar. Como era possível que alguém tão jovem e ativa como ela desenvolvesse o Alzheimer?

Longe de ser um roteiro piegas, a demonstração de coragem e força de vontade da personagem para superar as perdas cognitivas,  e a maneira como esse sentimento é compartilhado com a família, é uma lição que nos leva a muitas reflexões. Uma delas é sobre a brevidade da nossa existência tal qual a concebemos ou imaginamos. A mesma profissional que hoje  é referência na universidade, proferindo palestras como professora convidada em várias cidades da América, no dia seguinte torna-se alvo de críticas dos alunos por já não poder mais concatenar o raciocínio de maneira lógica. E então, ela própria, que sempre se vira como uma intelectual , perde sua identidade e já não se encontra mais como a pessoa que era. Um diagnóstico médico mudaria para sempre, e de forma substancial, todo o resto da  sua vida.

O mesmo tema, sempre tão difícil de ser abordado, também foi assunto de um livro do professor Cineas Santos, intitulado “Dona Purcina: a Matriarca dos Loucos”. É um terreno difícil para discorrer. A ausência de pessoas queridas é sempre sentida. A ausência em vida não é menos dolorosa, ao contrário, fica até mais complicado entender que a pessoa que está ao nosso lado não é mais a mesma que conhecemos. Restou o corpo, mas as lembranças se foram, deixando os que estão à sua volta ao mesmo tempo assustados e completamente desnorteados. Pela lição extraída do filme, como do livro, independente dos remédios que ainda venham a ser descobertos para conter a doença, o melhor tratamento sempre será o afeto dos parentes e amigos.

 

 

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