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FONTES QUE INSPIRAM

Estocolmo - 

Até algum tempo atrás, Teresina possuía fontes que adornavam praças e avenidas e ajudavam a tornar o clima mais ameno. Lembro especialmente das fontes da Avenida Frei Serafim, que conferiam um charme especial ao lugar, além de refrescar os pedestres que circulavam pelo canteiro central. Mas decidiram acabar com as fontes e a paisagem ficou literalmente mais seca. Uma pena! As fontes despertam a atenção onde quer que se encontrem. 

Na Europa, elas são muito comuns e atraem a atenção e os flashes dos turistas. Algumas se tornaram particularmente famosas, como a Fontana de Trevi, em Roma. Em Estocolmo, na Suécia, mesmo com o clima frio, as fontes estão presentes nas praças, deixando-as mais belas. Quem sabe não servem de inspiração para que voltemos a contar com a beleza das águas em movimento na nossa cidade verde.

PRÊMIO NOBEL DE QUALIDADE DE VIDA

 

A Suécia é um país nórdico governado por um sistema de monarquia constitucional. Destaca-se por ser um dos países de menor concentração de renda e de menores índices de pobreza do undo. A justiça social explica a segurança que reina nas ruas, permitindo ao visitante caminhar tranquilamente pelas ruas, sem medo de ser assaltado.

No quesito educação, os suecos também levam vantagem. O índice de aprendizagem é considerado bastante elevado. Educação que não se limita apenas ao currículo pedagógico, mas também sobre o conceito de cidadania e preservação ambiental. A conservação da natureza, aliás, é levada muito a sério por governantes, empresas e cidadãos.

Os suecos são estimulados a fazer uso da bicicleta para evitar a emissão de gases poluentes. A capital, Estocolmo, conta com ciclovias devidamente respeitada pelos motoristas. E é possível observar gente de todas as idades pedalando confortavelmente por suas ruas e avenidas. É bem verdade que o clima ajuda. Agora mesmo, em pleno verão europeu, a temperatura média na cidade é de 20 graus. E ainda há o conforto de contar com bicicletários espalhados em vários pontos para facilitar a vida de quem decide trocar o automóvel pela magrela. 

Não é à toa que este é o país que deu origem ao Prêmio Nobel. E ainda tem muito a ensinar ao resto do mundo.

 

GOTAS DE ÁGUA NÃO ACABAM A SECA

O Ministro da Integração Nacional, Gilberto Occhi, deve vir hoje a Teresina assinar um termo de cooperação com o Governo do Estado para  destinar recursos ao abastecimento de água nos 152 municípios piauienses que estão enfrentando os efeitos da estiagem. A informação divulgada pelo Ministério é de que o valor do repasse deverá passar de R$ 6 milhões para R$ 12 milhões.

Pode até parecer muito, mas não é. Maior é a necessidade de milhões de piauienses que não contam com água sequer para beber e que, anualmente, ficam à mercê da chegada de carros-pipa. Um problema tão antigo quanto a nossa história e que, entra governo e sai governo, nunca é resolvido.

É humilhante, para não dizer vergonhoso, que os habitantes do sertão piauiense ainda sofram com a falta de água por inexistência de investimento em obras de caráter definitivo que garantam o abastecimento na região. Não é por falta de conhecimento ou de tecnologia. É tão somente falta de vontade política. E não apenas de um governo, mas de todos, indistintamente.

Com o piauiense Felipe Mendes à frente da CODEVASF – Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba, espera-se uma melhora na definição de prioridades para os investimentos no Estado, que vão do abastecimento à irrigação. Conhecedor da realidade do Piauí, e técnico de inegável competência, Felipe Mendes já começa a mapear as áreas irrigáveis para iniciar as obras nesse sentido a partir do próximo ano. Claro que, para isso, vai precisar de apoio político e orçamento factível.

As dificuldades financeiras, no entanto, são grandes. Por enquanto, ele ainda está às voltas com pagamentos em atraso de projetos importantes, como o Marrecos, em São João, cujo débito é em torno de R$ 4 milhões. Mas Felipe já anuncia a preocupação, muito pertinente, de revitalizar a bacia do Parnaíba. Trabalho que deve começar por obras de esgotamento sanitário à beira do rio para evitar o despejo de dejetos direto no leito. A preocupação estende-se à preservação das nascentes e microbacias. Salvar o rio é o começo de uma história que pode mudar a nossa realidade.

 

PEC DA BENGALA GANHA NOVO FÔLEGO

No mesmo dia em que a Polícia Federal anuncia a descoberta de mais uma fraude contra a já combalida Previdência Social, o Senado traz uma boa notícia que pode ser um alento para os cofres do setor. Os senadores aprovaram ontem, por 59 votos a 5, a famosa PEC da Bengala, projeto que eleva de 70 para 75 anos a idade para aposentadoria compulsória de todos os servidores públicos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios.

Os servidores vão continuar podendo aposentar-se antes, quando completarem as regras de tempo de contribuição, mais idade. No entanto, aqueles que desejam continuar na ativa irão poder fazê-lo até a idade de 75 anos, o que representará uma economia para a União entre R$ 800 milhões e R$ 1,4 bilhão ao ano, ao longo dos próximos 55 anos. A estimativa é do senador José Serra ( PSDB-SP), autor do projeto.

Até então, a PEC da Bengala havia sido concedida apenas aos magistrados de tribunais superiores e do Tribunal de Contas da União. Se aprovada agora também na Câmara dos Deputados, a proposta se estenderá a todos os membros dos Tribunais e Conselhos de Contas e os membros das Defensorias Públicas, além dos membros do Poder Judiciário e do Ministério Público.

Não é apenas o fator econômico que pesa nessa PEC. Com o aumento da expectativa de vida dos brasileiros, muita gente competente, ainda em condições de trabalhar, pode continuar contribuindo com seu conhecimento e experiência para o serviço público. Atualmente, aos 75 anos, homens e mulheres ainda estão aptos a realizar diversas atividades, sobretudo as de natureza intelectual, que só enriquecem com o conhecimento acumulado ao longo dos anos.

Resta agora aguardar o posicionamento dos deputados federais para garantir que profissionais que são referência em suas atividades não precisem voltar pra casa mais cedo, levando com eles todo o potencial que adquiriram na carreira e que, muitas vezes, serve de exemplo para os mais jovens que estão ingressando no trabalho.

 

 

 

 

INTRANSIGÊNCIA NÃO COMBINA COM DEMOCRACIA

A sessão para discussão e votação da PEC que trata da redução da maioridade penal no Brasil mostrou o nosso despreparo para o diálogo e o confronto civilizado de ideias. O país está dividido entre os que defendem e os que rejeitam a proposta. E essa divisão não é um mal em si. Ao contrário, revela que as pessoas possuem pensamentos distintos e que essas diferenças são levadas ao parlamento em busca da maioria, como deve ser em um regime democrático de direito.

No entanto, o que se viu ontem no acesso ao plenário foi uma cena que lembrou mais a barbárie que a civilização. Manifestantes contrários à proposta e, portanto, com todo o direito de expressarem seu pensamento, abusaram dessa prerrogativa e protagonizaram uma cena triste de agressões, que culminaram com a derrubada do  deputado Heráclito Fortes (PSB-PI) quando este se dirigia à sessão.

Na casa que deveria ser a sede da democracia, o que reinou foi a intolerância. Os manifestantes só foram contidos quando a polícia utilizou gás de pimenta. Não precisava ter chegado a tanto. Em outros momentos da história, os brasileiros já mostraram mais criatividade e bom humor em seus protestos, obtendo resultados bem melhores. Quando a palavra é sufocada pela violência perde-se o foco do debate.

Impedir os deputados de participarem da sessão é um ato despropositado. Volta e meia a população reclama, muitas vezes com razão, que os deputados não trabalham ou trabalham pouco. E que custam caro ao país. É verdade. Mas quando eles se dirigem ao plenário para trabalhar, votando matérias que estão em pauta, são impedidos por pessoas que se dizem representantes da sociedade. Dá para entender? Claro que não.

Para ganhar a votação, seja lá de qual lado for, os interessados devem ganhar primeiro a mente e o coração das pessoas. Para tanto, devem usar argumentos convincentes nos meios de comunicação, redes sociais, ou em correspondências endereçadas aos seus representantes políticos. Afinal, os deputados que ali estão foram eleitos por nós para desempenharem esse papel. Ontem o papel feio ficou por conta dos eleitores. 

Em tempo: a proposta foi rejeitada ao final da votação. Para ser aprovada, a PEC necessitaria de 308 votos. Obteve 303.

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