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A NECESSIDADE DE MAIS PONTES EM TERESINA

A interdição da ponte Wall Ferraz para manutenção dos dormentes dos trilhos que cruzam a via mostrou a necessidade que a cidade tem de construir mais pontes. Com o privilégio de ser cortada por dois rios, Teresina tem também o desafio de transpor esses obstáculos naturais para que o teresinense possa locomover-se de um lado a outro da cidade.

Na última década, especialmente, o trânsito da capital cresceu assustadoramente e o número de veículos multiplicou-se de tal forma que a cidade não conseguiu adaptar-se à nova realidade, provocando congestionamentos frequentes nas principais vias.

A travessia do rio Poty, ligando a zona leste ao centro de Teresina, já é naturalmente complicada nos horários de pico, quando as pessoas se deslocam para o trabalho ou para a escola. O acesso à Ponte Wall Ferraz é sempre complicado, já que a ponte dispõe de apenas uma via em cada sentido.

Com a sua interdição, o que era ruim ficou péssimo. O deslocamento do teresinense hoje requereu uma boa dose de paciência e atenção dos motoristas que concentraram ainda mais o fluxo nas pontes Juscelino Kubitscheck e Estaiada. Sinal de que ainda há espaço para a construção de novas pontes que facilitem a vida dos teresinenses.

Mas enquanto sonhamos com uma melhor infraestrutura, e a consequente construção de uma nova ponte, nem a tal “ponte do meio” consegue ficar pronta. Depois de todo o investimento feito, a nova pista da ponte que liga a zona leste à Avenida Frei Serafim continua fechada, como um exemplo de dinheiro público desperdiçado. A obra começou errada desde o projeto e seguiu com uma série de erros que a impedem de ser concluída.

Enquanto isso, os motoristas se perdem em longas filas, gastando um tempo precioso do dia, simplesmente para ir e voltar para casa. Um pouco mais de planejamento e nós não precisaríamos passar por tamanho sufoco.

VELHO IMPOSTO, NOVA CONTA

Com as contas em frangalhos e sem conseguir o equilíbrio fiscal, o governo volta a lançar mão da saída mais fácil: aumento de impostos. Simples assim: eles gastam, nós, contribuintes, pagamos. A volta de um imposto equivalente à falecida CPMF é uma dessas ideias rasas de que o Planalto quer lançar mão para remendar a tarefa de casa que deixou de ser feita pelo próprio governo.

O velho novo imposto teria uma alíquota de 0,38% e, segundo os cálculos do Ministro da Saúde, Arthur Chioro, representaria um aporte de cerca de R$ 80 bilhões de reais ainda este ano. Acontece que os brasileiros já viram essa cena. Pagaram pela CPMF e, mesmo assim, a saúde pública continuou precária, com pacientes esperando  meses a fio por uma simples consulta e intermináveis filas nos corredores dos hospitais, onde falta quase tudo, até alguns medicamentos básicos.

Por isso mesmo, a volta do imposto é muito mal vista. Quem garante que, dessa vez, ele vai resultar em melhoria da saúde pública? Ninguém. O que deve acontecer é uma sobrecarga, sobretudo no setor produtivo, já extremamente penalizado neste país. As empresas que geram empregos e fazem a economia seguir em frente já estão passando por dificuldades por conta da recessão, o nível de desemprego chegou a 8,3%. Portanto, não há mais espaço para criar novas dificuldades para quem já está remando contra a maré para garantir a sobrevivência no mercado.

Além do mais, é um imposto injusto, que tem efeito cascata, dizem os empresários. A indústria já se antecipou e disse que vai mover mundos e fundos para impedir a aprovação da CPMF; a oposição, idem. E a população também não deve ficar calada. Agora que aprendeu a bater panelas e a mostrar a cara na rua, não vai ser fácil conter tamanha insatisfação de um povo heroico cansado de pagar por uma conta que não fez.

LAVAGEM DE DINHEIRO É ALVO DA POLÍCIA NO PIAUÍ

Está em curso a primeira operação do Laboratório de Lavagem de Dinheiro da Secretaria de Segurança do Piauí. A ação é sigilosa e o princípio que a rege tem como modelo o trabalho já realizado com sucesso em outros Estados brasileiros. A estratégia do grupo é descapitalizar a atividade criminosa, matando-a por asfixia financeira.

O laboratório de tecnologia contra lavagem de dinheiro foi reativado com a posse do Secretário Fábio Abreu. E começa a dar sinais de que vem novidade por aí. A polícia se preparou para atuar de forma a minar a ação de bandidos, seguindo o curso do dinheiro obtido de forma ilegal

O grupo trabalha com inteligência policial, uma maneira eficaz e econômica de desvendar crimes que envolvem grandes quantidades de dinheiro. Segundo os profissionais que atuam no laboratório, só a prisão não resolve. É preciso secar a fonte que alimenta o crime para que ele não tenha mais fôlego para sobreviver depois que os bandidos já estiverem em liberdade.

Infelizmente, o crime de lavagem de dinheiro tornou-se mais comum do que se imagina no Brasil, ramificando-se aqui também pelo Piauí. A boa notícia é que a polícia está se organizando cada vez mais para desmontá-lo. O Laboratório existente na Secretaria de Segurança do Piauí revela uma nova forma de trabalhar, na qual a inteligência e a disposição da equipe são as principais armas de combate ao crime que faz escorrer pelo ralo o dinheiro do contribuinte.

Com o sequestro e a indisponibilidade de bens, o Estado tem como reaver o dinheiro sujo, fruto do crime, para devolvê-lo à sociedade sob a forma de serviços que são essenciais à população.

AS CALÇADAS SÃO DOS PEDESTRES

As calçadas são espaços destinados prioritariamente aos pedestres e devem oferecer condições para permitir a sua locomoção com segurança. Mas, em Teresina, decidiu-se, sabe-se lá por que, privatizar um espaço que é público. Não é raro encontrar um estabelecimento  comercial que feche a calçada com correntes e a transforme em estacionamento particular, inclusive ameaçando de reboque quem se atrever a desobedecer tal recomendação.

Acontece que, ao contrário do que parece, o uso das calçadas é regido por Lei, mais especificamente a Lei 4.522, que trata da construção, reconstrução, conservação e utilização das calçadas para garantir condições de acessibilidade. O texto diz claramente que “ os deslocamentos de pedestres devem ser confortáveis, através de espaços generosos ao longo do percurso”. Mas como ter deslocamento confortável se nem espaço há mais para quem caminha? Os carros ocuparam o seu lugar. E, mais privativo ainda, os carros de clientes das lojas e serviços.

A lei define bem os limites para que não haja dúvidas. A faixa livre para pedestre deve ter uma área mínima de 1,20 m, mas o recomendável é 1,50 m.” Nesse espaço não pode ter obstáculos permanentes ou temporários .” Mas dê uma voltinha pela cidade pra ver o que você vai encontrar. Independente da região em que você circule, certamente você vai deparar com estacionamentos irregulares criados sobre as calçadas. E por que isso acontece? Primeiro por uma cultura, ou falta de , de que o espaço público me pertence e eu faço dele o que bem entender, não importa quantas pessoas eu esteja prejudicando. Segundo, porque falta fiscalização e punição efetivas.

Diante desse quadro, perde o cidadão que precisa deslocar-se e não consegue. Perde a cidade, como um todo, que vai se desumanizando e ficando cada vez mais sitiada por carros, ou seja, pelos detentores do poder econômico. As cidades saudáveis devem ser voltadas para pessoas; não para máquinas. Ainda dá tempo de reverter a situação para desfrutarmos de uma cidade realmente civilizada e humana.

ENFIM, A CONTA CHEGA AO PLANALTO

Com muito atraso, o Planalto ouviu o recado das ruas, entendeu que a crise é grave e precisa ser atacada a partir do próprio umbigo. Ontem, o governo federal anunciou que irá extinguir dez dos trinta e nove ministérios, além de cortar muitos dos inúmeros cargos comissionados.

Faz tempo que a população pede que o sacrifício da conta seja compartilhado com o governo. Uma das reclamações frequentes é de que o governo gasta muito e que o aperto do cinto fica só nas costas do contribuinte.

Alguns economistas já se apressaram em dizer que, na prática, a redução dos ministérios não irá resultar em uma economia tão grande quanto os brasileiros esperam. Pode até ser, mas que o efeito pedagógico funciona, isso é verdade. O contribuinte tem dificuldade em entender por que é obrigado a cortar uma série de despesas domésticas para se adequar à nova realidade econômica, enquanto o governo continua gastando indiscriminadamente.

Para corroborar esse sentimento, pesou o acordão feito com os partidos políticos aliados para distribuição de cargos, com o objetivo de acalmar a crise política que, por sua  vez, estava alimentando a econômica. Ainda mais se lembrarmos que foi essa mesma prática de loteamento dos cargos nas estatais que levou ao escândalo do petrolão, o pivô da tormenta enfrentada hoje pelo governo.

O que a população espera é que o anunciado corte na máquina burocrática do governo não seja apenas jogo de cena, mas o começo da virada para uma nova mentalidade de gestão, com Estado mínimo e eficiência máxima. É disso que o Brasil e os brasileiros precisam.

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