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O RISCO DO DESABASTECIMENTO


O Brasil é um país que ainda depende, e muito, do transporte rodoviário. Ao longo do tempo, as ferrovias foram sendo esquecidas, abandonadas, e não houve novos investimentos significativos no setor. Só para se ter uma ideia, 58% de tudo que é produzido no país é transportado pelos 2,5 milhões de caminhões que fazem o transporte de cargas no Brasil, ou seja, nosso abastecimento diário vem pelas rodovias.


Por isso mesmo, uma greve de caminhoneiros, como a iniciada ontem, preocupa tanto a população, quanto os empresários e, principalmente, o governo, que já está fragilizado. A população corre o risco de enfrentar o desabastecimento de alguns produtos, gerando   insatisfação por parte dos consumidores, especialmente nesta época de fim de ano, quando aguardam a chegada de muitos pedidos para o Natal. Os empresários, sobretudo os que exportam commodities, como carne e grãos, podem sofrer grandes prejuízos se a carga não a chegar a tempo nos portos. No inverno rigoroso da Rússia, por exemplo, um dos países consumidores da nossa carne, os portos são fechados por condições climáticas. E aí não tem como os russos receberem a carne enviada pelo Brasil. E o governo, que já vem de sucessivos desgates populares, não quer passar por mais este.


Os grevistas não são ligados a nenhum sindicato. Comandados pela Confederação Nacional dos Transportes Autônomos, eles pedem a redução do preço dos combustíveis, o aumento no valor do frete, com a criação do frete mínimo e, sim, o afastamento da Presidente Dilma Rousseff que, segundo eles, não atendeu às reivindicações da greve da categoria realizada em abril deste ano. O Secretário de Comunicação do Planalto tratou logo de dizer que a greve é política. E, de fato, também o é. Mas é inegável que as condições de transporte não são boas para quem carrega a riqueza do país pelas rodovias brasileiras.

O CUSTO DE EMPREENDER NO BRASIL


A Revista VEJA desta semana traz uma extensa e detalhada reportagem sobre o peso nefasto da burocracia no Brasil e como ela afeta a vida dos empreendedores, categoria que promove o crescimento do país, gerando empregos e pagando impostos cada vez mais altos. O tempo e a energia dispendidos por quem quer investir no Brasil é um verdadeiro desestímulo ao desenvolvimento. 


Não bastasse uma legislação complicada, há ainda a insegurança jurídica. Os empresários não têm a garantia de seus direitos e a lei muda de acordo com os humores do Planalto. Resultado: os empreendedores ficam receosos de ousar na ampliação de suas empresas, o que tem levado alguns deles a estenderem seus negócios para os Estados Unidos.


A migração para o país norte-americano tem sua razão de ser. O empresário carioca Fernando Campos levou seis meses para abrir um negócio de e-commerce aqui no Brasil, onde pagará três impostos que somam 14%. Em Miami, a mesma empresa foi aberta em 48 horas e ele recolherá apenas um imposto de  6%. A comparação é desproporcional.


Nem mesmo dentro do Brasil, há uniformidade com relação à cobrança de taxas ou à  dificuldade para abrir uma empresa. O país é um só, mas como as realidades são distintas! Ainda segundo a pesquisa realizada pela Endeavor, e divulgada por VEJA, a alíquota média do IPTU ( Imposto Predial e Territorial Urbano) pode variar de 0,39, no caso de Vitória (ES), a 3,50, em Blumenau(SC). Aqui em Teresina, o percentual médio do valor venal do imóvel é de 1,18.


O tempo gasto para a regularização do imóvel também é muito diferente, dependendo da cidade onde se mora. Em Campinas (SP), onde gasta-se o menor tempo para essa atividade, ainda perde-se 94 dias, ou mais de três meses. No outro extremo, está Natal (RN), com 241 dias. Em Teresina, o tempo médio é de 161 dias.


E para abrir uma empresa? Aquela mesma que em Miami leva apenas 48h, pode levar até 304 dias se for em Caxias do Sul (RS), por exemplo. Em Teresina são 110 dias. É realmente um esforço de obstinação e persistência para quem quer investir no Brasil.

 

SEGURANÇA PERDE RECURSOS


Não é nenhuma novidade para os piauienses que a segurança pública é, hoje, uma das maiores, senão a maior, preocupações da população. E ela tem motivos de sobra para isso. Não há um só dia na semana em que não sejam registrados assaltos, sequestro relâmpagos, arrombamentos de caixas eletrônicos e outros tipos tipos de crimes. Botar a cara fora de casa virou uma atividade de risco. Ficar dentro dela, também. O cidadão comum está se sentindo desprotegido.


E o que faz o governo do Estado? Reduz o orçamento da Secretaria de Segurança. É inacreditável, mas o orçamento previsto para garantir a segurança dos piauienses em 2016  ( R$ 182 milhões)  é inferior ao que foi destinado para este ano. Enquanto isso, a receita do crime só cresce por conta do avanço do comércio de drogas ilícitas que se estende de norte a sul do Piauí.


Não dá para combater a violência e proporcionar tranquilidade ao cidadão sem o aparelhamento da polícia. As delegacias já estão em estado precário. Quando não falta combustível nas viaturas, falta papel até para registrar um Boletim de Ocorrência. Os armamentos estão defasados, se comparados aos usados pelos bandidos. A mesma coisa acontece com os carros. Sem falar na carência de pessoal.


Está mais do que provado que investir em inteligência é a melhor estratégia a ser utilizada pela polícia porque aborta a ação criminosa antes mesmo de ela ser concretizada, evitando prejuízos materiais e psicológicos, às vezes irreversíveis. No entanto, em vez de apostar nesse caminho, que necessita de recursos, o governo mata por asfixia financeira o trabalho  de investigação policial.


Segurança é prioridade absoluta. Sem ela, não se tem tranquilidade para ir à escola, ao trabalho ou mesmo para desfrutar o lazer em família. Chegamos ao limite do suportável. Mas ainda há tempo de ser feita uma revisão orçamentária, destinando mais verbas a um setor que é essencial para que a sociedade possa viver e produzir em paz. Do contrário, perderemos, todos nós,  e só os bandidos sairão ganhando.

RODOVIAS PIAUIENSES SÃO MAL AVALIADAS PELA CNT

Virou lugar comum dizer que brasileiro não gosta de pagar imposto. Falácia!. Brasileiro, como qualquer outro povo, não gosta de ver seu dinheiro desperdiçado, desviado e usado para alimentar as teias da corrupção. Ora, o que se paga em tributos deveria ser bem administrado pelo governo para ser revertido em benefícios para a população. Mas não é o que se vê.


A Confederação Nacional de Transportes acaba de divulgar o mais completo estudo sobre as condições das rodovias brasileiras e constata que 22,4%  delas estão em estado  ruim ou péssimo. No Piauí, são 23,6% das rodovias assim avaliadas. Para fazer o levantamento, os pesquisadores percorreram 3.084 km no Estado e chegaram à conclusão que em 58,3% da extensão avaliada existe alguma deficiência. As que estão em piores condições são as PI 140 e PI 141. O mesmo estudo diz que seriam necessários R$ 653 milhões de investimentos para reconstrução, restauração e manutenção da malha rodoviária piauiense.


No Brasil, a malha ferroviária é precária e a maior parte do transporte é feita mesmo pelas rodovias. Por elas é que são transportadas  mercadorias e pessoas. E, justamente por isso, deveriam ser de boa qualidade, bem sinalizadas, com acostamento e sem buracos. Mas, à exceção dos trechos privatizados, não é o que acontece.


Quem já teve a oportunidade de viajar de carro pela Europa ou Estados Unidos percebe claramente a diferença. Lá fora, apesar de a população contar com a opção de viajar de trem com conforto e segurança, as rodovias são um convite a pegar a estrada. Pistas absolutamente planas, largas e bem sinalizadas garantem a fluidez do trânsito. 


Viajar de carro no Brasil, ao contrário, é um perigo. Com pistas mal conservadas, animais  na estrada, falta de sinalização ou de acostamento, tudo junto, tornam o trajeto um risco. E para onde vai o dinheiro equivalente a quatro meses do nosso trabalho que pagamos sob a forma de impostos? É isso que incomoda e revolta.


Em São Paulo, a FIESP - Federação das Indústrias de São Paulo - lançou a campanha "Não Vou Pagar o Pato", em protesto ao projeto de recriação da CPMF. De forma criativa e bem humorada, o movimento instalou um vídeo game em um dos prédios da Av. Paulista, no qual a meta do jogador é destruir os impostos que tentam sufocar o contribuinte. O problema é que, na vida real, o contribuinte quase sempre perde esse jogo.

O CLIMA NA CÂMARA VOLTA A ESQUENTAR


A Câmara Municipal de Teresina volta a ser palco de polêmica e acirradas discussões  por conta da nova proposta que prevê a climatização dos ônibus que fazem o transporte público na capital. Depois de rejeitarem o projeto inicial da vereadora Cida Santiago (PHS), 17 vereadores ( portanto, a maioria) apresentam hoje um novo projeto semelhante ao original, só que propondo a climatização de forma escalonada, e ainda com a inclusão de câmeras de monitoramento e wi-fi.


Que o transporte público de Teresina precisa melhorar, é inquestionável. Quem anda de ônibus não se cansa de reclamar do atraso nas linhas, da falta de educação dos motoristas, do desconforto dos carros e, sim, do calor insuportável que faz lá dentro. A Prefeitura alega que a melhoria do sistema está prevista no Plano Diretor. E foi este o mesmo argumento usado pelos vereadores para derrubar o projeto da parlamentar Cida Santiago.


Acontece é que entrou em cena um novo componente nesta discussão: a opinião pública. Depois que descobriram o poder que possuem, os cidadãos já não aceitam mais calados o que é decidido nos gabinetes. Inconformados  com a rejeição do projeto original de climatização dos ônibus, a população resolveu se manifestar e botou a boca no mundo. As reclamações ganharam as redes sociais de diferentes formas: com textos, fotomontagens, caricaturas, palavras de ordem, enfim, de forma contundente até incomodar os vereadores, que precisarão submeter-se ao voto popular no próximo ano, se quiserem manter suas cadeiras.


Como os vereadores que disseram não ao projeto ficaram com a imagem ruim na fita, resolveram rapidamente criar uma saída. Não aprovariam o projeto original, para não dar o braço a torcer, mas apresentariam um novo, com algumas modificações para justificar a mudança de postura. A vereadora Cida vê na manobra um golpe antiético por parte dos colegas. Já os usuários, indiferentes às disputas internas da Câmara, assistem com total expectativa o desfecho da polêmica. Afinal, a única coisa que eles querem é um pouco mais de conforto no transporte que utilizam diariamente para se locomover na cidade.

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