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CAOS NO TRÂNSITO

O trânsito de Teresina travou ontem à noite. Um pequeno acidente sobre a ponte Juscelino Kubitschek, somado aos preparativos para o Corso de hoje, foi o suficiente para provocar extensos  congestionamentos  que começaram no final da tarde e entraram noite adentro.  Longe de ser um fato anormal, cenas como a de ontem  estão se tornando cada vez mais frequentes na cidade.

As ruas e avenidas da capital já não comportam mais a avalanche de carros e motocicletas que passam a circular todos os meses em Teresina. A STRANS – Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito – estima uma frota de 410 mil veículos, entre carros e motos. A proporção é de quase um veículo para cada dois passageiros. A situação ficou insustentável.  Quem precisa fazer a travessia diariamente entre a zona leste e as demais zonas da cidade perde tempo, paciência e gasolina, que já ameaça sofrer novo reajuste.

Por isso, o investimento em mobilidade urbana tornou-se uma necessidade absoluta. O início das obras de duplicação da ponte Wall Ferraz e da terceira pista da ponte Juscelino Kubitschek até trouxeram alguma esperança de melhora para o trânsito. Mas , logo depois, as duas passaram a engrossar a lista de obras inacabadas no Estado.  Agora, com início do novo ano e de nova gestão, espera-se que elas sejam reiniciadas e, finalmente, concluídas.

Mas não basta construir ou alargar pontes e avenidas. É preciso, acima de tudo, melhorar o transporte público, hoje formado por ônibus velhos, desconfortáveis e insuficientes. O Brasil adotou uma política equivocada de priorizar o transporte privado em detrimento do público, ao contrário do que acontece nos países do primeiro mundo. Aqui, os incentivos governamentais são voltados para a indústria automobilística. E, pra completar, os brasileiros não veem o veículo apenas como meio de transporte, mas como símbolo de status. Todo mundo quer ter um carro. De preferência, zero kilômetro.

A oferta de um sistema de transporte coletivo de qualidade é a única saída para uma cidade sustentável e humanizada para seus habitantes.

O CUSTO DA ÁGUA

O Nordeste, e mais especificamente o Piauí, convive secularmente com a seca. Em dezembro do ano passado, 204 dos 225 municípios piauienses decretaram situação de emergência por causa da estiagem. No entanto, tão antigo quando este problema é o desperdício de água em solo piauiense, mesmo sabendo que o produto é finito. Só agora, quando a crise da falta de água se agravou no sudeste, ameaçando a rica nação paulistana a ter que fazer racionamento, acendeu a luz vermelha para a necessidade do uso racional do líquido indispensável à vida humana.

Mesmo com toda escassez, cada piauiense consome uma média de 135 litros por dia ( dados de 2013 do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento do Ministério das Cidades). A Organização Mundial de Saúde recomenda uma quantidade de 110 litros de água por pessoa diariamente. Além do desperdício com a água que jorra das mangueiras para lavar carros e calçadas, ou da torneira que fica aberta indefinidamente enquanto alguém escova os dentes, há ainda a perda decorrente de vazamentos ou ligações clandestinas. E não é raro ver canos quebrados pelas ruas da cidade com a água se esparramando pelo chão.

No Brasil inteiro, o índice de perda de água chega a 37%. Nas nações civilizadas que já tomaram consciência sobre a importância da preservação da água esse índice é bem menor: 7% na Alemanha; e apenas 3% no Japão. Aqui em Teresina, uma cidade sempre tão carente de recursos para investimentos, o índice de perda de água tratada é de 50%. Uma estatística chocante e que se torna ainda mais grave diante do alto custo para tratar essa água. A AGESPISA gasta mensalmente R$ 2 milhões para produzir 250 milhões de litros/dia aqui na capital, sendo R$ 1,2 mi de despesa com energia elétrica e R$ 800 mil com produtos químicos.

Diante desses números e da possibilidade real de ficarmos sem água não dá mais para fingir que o problema não existe. Tanto a AGESPISA precisa ser mais vigilante e diligente para combater os vazamentos como cada cidadão precisa aprender a poupar para não faltar. Até mesmo porque, com as altas temperaturas registradas na cidade, a possibilidade de racionamento de água é o pior dos castigos que o teresinense pode sofrer.

QUEM CONTARÁ OS MORTOS?

Viver tornou-se perigoso, principalmente se você mora no Piauí. Nos últimos anos, a impressão que se tem é que os bandidos assumiram o controle das ruas, obrigando o cidadão a trancar-se amedrontado dentro de casa. Nem mesmo as pessoas mais humildes estão sendo poupadas. Esta semana, uma dupla armada pilotando uma motocicleta fez um arrastão, assaltando todos os passageiros que se encontravam nas paradas de ônibus da Avenida Zequinha Freire até chegar ao hospital do Satélite, na zona leste da cidade.

A situação ficou tão crítica que a polícia chegou a comemorar porque no mês de janeiro só foram registrados 30 homicídios. SÓ???? Quantos mais precisarão morrer?

A força produtiva do nosso Estado está se perdendo, já que a maioria das vítimas é jovem, do sexo masculino. Um contingente que poderia estar trabalhando, estudando, ajudando a construir um Estado mais rico.

Mas parece que  estamos sendo derrotados na batalha com o tráfico de drogas. Há muito, Teresina deixou de ser apenas rota de passagem para o comércio das drogas para virar origem e destino da mesma.

A polícia sozinha já não dá mais conta. E nem conseguiria porque o efetivo está bem abaixo do previsto na legislação, que é de 11.366. Atualmente, dispomos apenas de 5.294 policiais militares, menos da metade, portanto.

Segurança pública é, hoje, prioridade absoluta. Não dá mais pra fazer de conta que está tudo bem. Não está. Os crimes se multiplicam a toda hora e a todo lugar.

As raízes do problema são muitas e complexas. Vão desde o sistema educacional falido, à falta de perspectiva de trabalho, sem contar com uma legislação leniente e uma justiça tarda e falha. Enquanto há réus que passam anos e anos esperando pelo julgamento, os presídios estão superlotados, formando um caldeirão propício para fugas e rebeliões. Sem falar na proteção aos menores que, aos 15, 16 e 17 anos , agem com crueldade igual ou pior aos que já atingiram a maioridade penal.

As ações precisam ser eficazes e imediatas. Ou daqui a pouco já não teremos mais nem quem contabilize os mortos.

É A TREVA!!!!

A chegada, ainda que tardia, da estação chuvosa trouxe alegria para os piauienses, já temerosos de mais um ano de seca, com as consequências tão temidas provocadas pela escassez de água.

No entanto, as primeiras chuvas não puderam ser comemoradas como era de se esperar, porque se São Pedro começou a ouvir os nossos apelos, o mesmo não se pode dizer da ELETROBRÁS.  Ela, sempre ela, continua a causar dor de cabeça e desassossego a cada vez que as nuvens se formam no céu de Teresina.

Desde domingo passado, quando as chuvas, ou a simples  preparação para que elas ocorram, começaram a aparecer, a má qualidade no fornecimento de energia voltou a ser destaque na imprensa, nas redes sociais ou até mesmo na conversa entre amigos. O problema é que o que deveria ser exceção tem se tornado rotina. Qualquer teresinense já sabe que basta chover para faltar energia.

Não é a toa que a ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica - considera a energia fornecida no Piauí a sexta pior do país. Quem mora aqui já havia percebido isso faz tempo. O que estranha é que a reclamação, embora antiga, não encontra solução.

Pagamos, e pagamos caro, por uma energia de baixa, por que não dizer péssima, qualidade. Este ano, o pagamento passou a ser feito de acordo com as bandeiras tarifárias. No caso da bandeira  vermelha em vigor, há um acréscimo de R$ 3 para cada 100kwh consumidos. E para piorar, há previsão de novos aumentos na conta de energia para os próximos meses. Portanto, não dá mais para os piauienses continuarem desembolsando altos valores por um serviço ruim, que tem provocado sucessivos prejuízos, tanto domésticos, como na indústria e no comércio. 

SANATÓRIO GERAL

Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

O  mês de fevereiro chegou em ritmo diferente este ano. A banda que costuma tocar alegre e festiva desafinou, atravessada por acordes nada promissores  para os brasileiros que sonham o ano inteiro com a maior festa popular do país.

O ano de 2015 traz, na verdade, um enredo pouco animador para os passistas que desfilam o ano inteiro ao longo deste imenso Brasil. As perspectivas não são nada otimistas. A fantasia foi sufocada pela avalanche de aumentos que pesam como um titanic no bolso dos trabalhadores. Compute aí o aumento no preço da tarifa de energia elétrica, dos combustíveis (a gasolina já está sendo vendida a R$3,20 nas bombas), das passagens de ônibus (R$2,50) , dos juros do cheque especial ( este bateu o recorde de 200%), impostos e todos os aumentos gerados em efeito cascata a partir desses citados.

Como se não bastasse, as previsões são de um ano de baixo crescimento, para não dizer recessão, inflação alta e a ameaça do desemprego rodando a cabeça de quem ainda está conseguindo se segurar no mercado de trabalho.

Com todos esses ingredientes, o samba perde um pouco do seu encanto, ainda que a folia esteja batendo à porta. Mas como a alma do nosso povo é alegre por natureza, é provável mesmo que o sanatório geral invada a avenida e anestesie a consciência coletiva durante todo o carnaval. Ou será que os protestos servirão de mote para as alegorias de momo?

De qualquer jeito, passada a quarta-feira de cinzas, o mundo volta a cair na real. Resta saber se, guardada a fantasia, haverá o despertar para o que ficou abafado até agora. 

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