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Homens públicos, posturas privadas.

O Brasil está em ebulição, com violência se alastrando pelas ruas do Espírito Santo e Do Rio de Janeiro, governadores denunciados, ex-governador preso, rebeliões em presídios e instabilidade social de toda ordem. A população está assustada, procurando uma resposta pública à altura para colocar o país novamente nos trilhos. Mas, infelizmente, os políticos parecem alheios à tudo que está acontecendo nas ruas e repercutindo nas redes sociais, essa importante ferramenta de expressão do sentimento popular.

Quando mais se espera grandeza dos homens públicos, o que acontece? Eles voltam os olhos apenas para seus interesses particulares, preocupados que estão em salvar a própria pele das denúncias que chegam à banca da Lava Jato.  O descompasso entre o que acontece nas ruas e o que é urdido dentro dos gabinetes palacianos é impressionante.  Parece até que nossos representantes vivem em outro mundo, desconectados da vida real.

Dos treze integrantes da Comissão de Constituição e Justiça, dez são investigados pela Lava Jato. Como é possível?  Um assessor direto do presidente da República ganha status de ministro para ter direito a foro privilegiado e fugir da rigidez do julgamento do juiz Sérgio Moro. O presidente da Câmara também é alvo de denúncias comprometedoras. E , à exceção de uma ou outra voz isolada, não há entre as figuras públicas desse país quem questione tamanha imoralidade.

Que crise de valores é esta a que estamos assistindo?  Podem ter certeza de que é bem pior que a crise financeira, porque, neste caso,  já há sinais, ainda que tímidos, de uma possível saída, enquanto que na primeira não se vê uma luz sequer acesa. Estamos carecendo de líderes de verdade, homens e mulheres com espírito público que pensem mais no coletivo e menos no privado.

PT não aceita fatiar os cargos no governo

Não se fala em outra coisa nas rodas de conversa Piauí afora que não seja a reforma tramada pelo governador Wellington Dias para atrair novos aliados ao seu projeto de reeleição em 2018. Os dois partidos cobiçados da vez são o PP e o PMDB. E não será difícil atraí-los, bastam algumas secretarias de peso  (financeiro,claro) para que o governador os tenha ao seu lado.

Difícil mesmo está sendo convencer o seu próprio partido – PT – a abrir mão de espaços generosos na equipe de governo, a começar pela Secretaria de Saúde, reduto do deputado federal Assis Carvalho, e já prometida ao partido do senador Ciro Nogueira. A SESAPI, como todos sabem, é uma pasta robusta, que recebe recursos do SUS e movimenta uma quantia fabulosa em dinheiro. Por isso mesmo, o deputado Assis Carvalho, e sua tropa de choque, não estão assimilando bem essa ideia e já começaram a se manifestar nas redes sociais.

Mas a força do PT no Piauí está concentrada nas mãos de Wellington Dias. É ele quem tem os votos, o carisma e o poder que sustenta o partido no comando do Estado. E, pelo visto, o governador está disposto a fazer o que for preciso para ter uma travessia segura para o quarto mandato.

A despeito da pretensa candidatura do presidente do SESI, João Henrique de Almeida Sousa, rumo ao Karnak, Wellington conversa animadamente com dois nomes de peso do PDMB: Marcelo Castro e Themístocles Filho.  E, lógico, prometendo mais cargos, que serão subtraídos do PT. O partido do governador não aceita fatiar o bolo com partidos que, segundo os petistas, não são confiáveis. E citam como exemplo a votação do processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff.

Se a partilha de cargos e verbas vai mesmo se traduzir em apoio político, com os votos desejados em 2018,  ou se será apenas mais um balão, só o tempo dirá. Convém lembrar que Wellington Dias não é bobo e deve estar amarrando muito bem essa fatura. 

O perigoso exemplo do Espírito Santo

É extremamente perigoso o precedente aberto no Espírito Santo com o aquartelamento dos policiais militares, desde o final de semana passado. Como se não bastasse a explosão de violência que se sucedeu ao movimento dos militares, com assaltos, saques e assassinatos, levando à suspensão das aulas e ao fechamento do comércio, ainda expõe a fragilidade da autoridade estatal.

Todo brasileiro sabe que policial militar não pode fazer greve para não comprometer a segurança pública. E o que fizeram os PMs do Espírito Santo? Encenaram uma ópera bufa, alegando que não podem sair do quartel porque as mulheres estão bloqueando o portão. Que sejam retiradas de lá, então. 

Ninguém questiona a reivindicação dos policiais, que, de fato, merecem um bom salário, até mesmo porque eles arriscam a própria vida para defender a dos outros. É uma profissão de risco, tensão, estresse. Precisam ser valorizados, respeitados e bem remunerados. Mas a maneira encontrada por eles para reclamar esse tratamento é totalmente fora de propósito.

O mínimo que se pode dizer é que o movimento é de uma irresponsabilidade sem tamanho. O estado  e toda a população ficaram reféns, amedrontados pela força da bandidagem, que não encontra mais limites para seus atos. O estado precisa recuperar sua autoridade imediatamente, ou ficará completamente desmoralizado. E pior: se a estratégia dos policiais do Espírito Santo der certo por lá, não tarda e será copiada por outros estados brasileiros, o que seria uma tragédia ainda maior.

Quando os policiais deixam de cumprir uma função que é essencial e provocam uma crise de segurança dessa proporção, eles acabam perdendo a razão na luta por sua justa reivindicação.  

PMDB sonha com o Karnak, mas está dividido

O PMDB está mesmo com muita saudade dos tapetes do Palácio de Karnak. O partido, aliás, não consegue passar muito tempo afastado do poder e, por isso, tenta voltar a qualquer custo, seja como protagonista ou figurante.

O atual presidente do SESI, João Henrique de Almeida Sousa, embalado pelo espaço ocupado pelo partido em nível nacional, acredita que é hora de um peemedebista voltar a sentar na cadeira de governador. E já caiu em campo, tentando viabilizar sua candidatura ao governo do estado em 2018. A caravana do ex-ministro  está rodando o interior do estado, tendo marcado presença nas cidades de Piripiri e Floriano. João Henrique tem a convicção de que sua amizade com o presidente Michel Temer pode render bons dividendos e assegurar-lhe  a musculatura necessária para disputar o governo em pé de igualdade com os petistas.

Acontece que ele não conseguiu fechar o apoio integral nem mesmo dentro do próprio partido que, desacostumado com o status de oposição, lança seus tentáculos para integrar o bloco de apoio do governador Wellington Dias. Uma ala do PMDB, liderada pelos deputados Marcelo Castro e Themístocles Filho, já está praticamente nos braços do atual governador. Eles não querem esperar até 2018 para disputar uma eleição com um profissional da política, que ainda por cima conta com o apoio de diferentes partidos, incluindo aí o PP do senador Ciro Nogueira, que pode ganhar até a Secretaria de Saúde nessa negociação. Wellington Dias é bom de voto, tem experiência em campanha, está com a caneta na mão e tem conseguido atrair políticos de várias siglas.

Certo é que, de um jeito ou de outro, o PMDB deve se aninhar no Palácio do Karnak porque é da vocação do partido não conseguir ficar exposto às intempéries da oposição.  A sombra do governo lhe é sempre mais atrativa.

Carteirada de policial é abuso de farda

A Polícia Militar é paga com o dinheiro público para garantir a segurança da sociedade. É , ou deveria ser, um símbolo da moralidade, da integridade e da idoneidade. Infelizmente, porém, vez por outra, surgem alguns pontos fora da curva para manchar a reputação da corporação.

A prerrogativa de entrar armado em festas e shows pelo simples fato de ser policial acaba virando passaporte para as famosas “carteiradas”. Normalmente, os policiais que se valem desse artifício para ingressarem em festas  querem  apenas usufruir de momentos de lazer, sem ter que pagar pelo ingresso, como os demais participantes. Não se vê policial entrando espontaneamente em locais de diversão para proporcionar segurança. Esse trabalho, quando não é feito exclusivamente por seguranças privados, é solicitado oficialmente ao Comando Geral da PM.

Foi o que aconteceu sábado passado no baile pré-carnavalesco do Iate Clube. Um arroaceiro, com designação de policial militar, entrou no clube e, bêbado, provocou a maior confusão ao sacar uma arma de fogo, causando pavor entre os presentes e estragando a festa de quem foi apenas com o intuito de se divertir.

O policial foi identificado como sendo do Maranhão. Ele foi preso e encaminhado para o quartel de Timon. Mas o fato chama atenção porque não é caso isolado de má conduta de quem veste a farda. Em outras ocasiões, policiais foram flagrados comandando milícias que praticavam extorsão contra pessoas comuns, ou ainda realizando assaltos e comandando bandos de marginais.

Pessoas pagas para manter a ordem que se desviam da sua função e passam a agir do lado de quem deveriam combater devem ser punidas com a expulsão dos quadros da Polícia Militar. É inadmissível que agentes da lei comportem-se como marginais. A sociedade não tolera mais isso. 

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