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Artistas promovem Livrada Musical para ajudar o Salipi

Promover cultura é muito difícil no Piauí. Os gestores e empresários não costumam ver nessa área um atrativo para investir e as poucas iniciativas existentes são realizadas ao custo de muito sacrifício e boa vontade dos que as promovem.  Assim tem sido com o Salão do Livro do Piauí, que chegou à 15ª edição este ano. Encerrado no dia 11 de junho, o Salipi não conseguiu fechar suas contas, apesar de todo o sucesso do evento.

Para conseguir cobrir os custos, que envolvem, entre outras coisas, cachê, passagens e hospedagem dos escritores e músicos convidados, a Fundação Quixote vai realizar no próximo dia 1° a Livrada Musical, um festival de música, literatura e gastronomia, das 11h às 20h, no Ginásio da Associação do Pessoal da Caixa Econômica Federal, localizado na Av. Presidente Kennedy.

O ingresso para a  Livrada Musical custa apenas R$ 20,00. Na verdade, quem o comprar não estará adquirindo apenas o acesso ao evento, mas colaborando com a manutenção do Salipi,  a fim de evitar que a maior feira literária do Piauí se acabe por falta de recursos. É uma pena, mas é a mais pura verdade. Não é de hoje que o Salão enfrenta dificuldades financeiras para sua realização. Os custos são bem mais altos que os poucos patrocínios recebidos.

Como o Salão não pertence mais apenas à Fundação Quixote, mas a toda  sociedade piauiense, é importante colaborar para a sua sobrevivência. Os artistas Assis Batista, Moisés Chaves, Wonnak Alves, Roraima, Brito Júnior, Radiofônicos e Fabrício Santos irão se apresentar gratuitamente como forma de manter vivo o Salipi.

Um dia de cão

Teresina viveu um dia atípico ontem, com uma sequência de atos violentos que trouxeram dor e pânico à população. Logo de manhã, a cidade foi acordada com a notícia de que um tenente do 2° Batalhão de Engenharia de Construção havia assassinado a namorada e ferido duas amigas dela por motivos de ciúme. Um crime estúpido por  motivo banal, cometido por alguém que deveria ser preparado para lidar com armas e segurança.

Mais tarde, dois assassinatos cometidos friamente na zona leste da capital após os bandidos roubarem os  celulares das vítimas. O primeiro foi próximo à Avenida Dom Severino e o segundo, na Avenida Pedro Freitas.

Por fim, um tiroteio promovido por grupos rivais que disputam o tráfico de drogas resultou na morte de três homens no povoado Soinho, na zona rural de Teresina. Parecem cenas de uma cidade em guerra. Estamos perdendo vidas em quantidades semelhantes à de áreas de conflito. E por mais que a comparação pareça assustadora, estamos vivendo uma guerra, sim. Uma guerra sem ideologia. As balas que estão tirando a vida dos teresinenses são fruto de uma violência desmedida que parece não encontrar barreira para impedi-la.

A população segue completamente desprotegida, com medo de sair de casa, de entrar no carro, de chegar ao trabalho ou de realizar qualquer atividade rotineira. Basta andar na rua para tornar-se provável vítima  e engrossar as estatísticas policiais que não param de crescer. Ou o Estado toma a segurança como prioridade absoluta e proporciona condições para que seja assegurado o direito de ir e vir dos cidadãos ou faltarão vagas nos cemitérios para enterrar tantos cadáveres.

Agenda policial sufoca crescimento do Brasil

 

Esta parece ser uma semana de muitas e importantes decisões. Amanhã, vence o prazo para que a defesa do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva apresente suas alegações finais ao juiz Sérgio Moro. De posse das alegações da defesa, Moro estará apto a proferir sua sentença, o que determinará o futuro político do ex-presidente e do próprio Partido dos Trabalhadores. Caso seja condenado, Lula torna-se inelegível e perderá o direito de disputar a eleição no próximo ano, como deseja. 

Com sua personalidade centralizadora, Lula concentrou em si próprio a única opção para concorrer à presidência da república. Se isso não for mais possível, em consequência de uma condenação, o partido vai ter que se reinventar para estimular uma candidatura de peso em 2018.

No Planalto, as coisas seguem piorando a cada dia. Com uma estratégia bem pensada, Joesley Batista continua a causar estragos no mandato do presidente Temer. Concedeu entrevista para a revista Época, concentrando toda sua carga acusatória nas costas do atual presidente.  Como se não tivesse enriquecido ilicitamente na época dos governos petistas. As falcatruas começaram no governo Lula e prosseguiram nos governos de Dilma e Temer. Mas só o último é alvo dos ressentimentos de Joesley.

Neste contexto, o Procurador Geral da República , Rodrigo Janot, enriquece a queixa que deve apresentar contra o presidente nos próximos dias ao Congresso. E o governo, acuado contra os ataques que chegam até ele, não faz outra coisa a não ser articular planos que venham a barrar a aprovação da denúncia da PGR.

Nos dois últimos meses, a economia apresentou sinais muito tímidos que apontam para o fim da mais longa recessão já sofrida pelo país, mas ainda é pouco para se falar em recuperação. A nação precisaria de uma ação firme do governo e de pleno trabalho do congresso para tocar uma agenda positiva que fizesse com que o Brasil voltasse a crescer com harmonia e distribuição de renda. Mas, por enquanto, a agenda policial é quem dita as regras do jogo.

Mais de 100 pessoas já morreram este ano nas rodovias do PI

As estradas piauienses tornaram-se veias perigosas para quem circula por elas. Em alguns trechos, por conta da má conservação, é verdade. Mas na maioria dos casos o motivo é mesmo a imprudência dos motoristas, que insistem em dirigir com velocidade acima da permitida, desrespeitando a legislação ou, pior, embriagados.

Relatório divulgado pela Polícia Rodoviária Federal revela que de janeiro a maio deste ano 103 pessoas já morreram em nossas estradas e outras 652 ficaram feridas. Até agora, quando ainda estamos no meio do ano, o registro é de 674 acidentes nas BRs que cortam o Piauí. Nesta contabilidade não entram os acidentes ocorridos nas rodovias estaduais.

O número de vidas perdidas é muito alto. Não se concebe que o carro seja usado como arma tão perigosa, capaz de tirar a própria vida ou a dos que cruzam o caminho daqueles que dirigem de forma irresponsável.

As férias de julho estão se aproximando. Um pouco de sensatez é o mínimo que se espera de quem vai pegar a estrada para que novas tragédias não venham a acontecer. A Polícia Rodoviária Federal sempre realiza operações especiais em épocas de grande fluxo de veículos, como nos feriados prolongados, ou nas férias escolares. Mas não deveria ser necessária a presença da polícia para intimidar quem dirige de forma arriscada. Antes da repressão policial, o que deveria prevalecer mesmo era o próprio instinto de sobrevivência e o respeito à vida dos outros.

Segurança fora de controle

Teresina  viveu ontem mais um dia tenso, repleto de ocorrências policiais. Primeiro, uma mulher teve o carro e a bolsa tomados de assalto logo nas primeiras horas da manhã, após estacionar ao lado de um laboratório na zona leste, onde iria fazer seus exames de rotina.  Apesar de ser em uma esquina bem movimentada da Avenida Dom Severino, os ladrões não se intimidaram e agiram com a naturalidade de quem sabe que não será incomodado.

Mais tarde, a polícia evacuou duas quadras na região da Piçarra, zona sul da capital, onde havia uma mochila abandonada na calçada com uma suposta bomba no seu interior. Depois de todo o transtorno e apreensão causados na vizinhança, descobriu-se que tratava-se de um simulacro de bomba, não se sabe com qual motivação.

Ainda no mesmo dia, três homens, provavelmente no mesmo corola que foi roubado pela manhã na Dom Severino, colocaram a arma na cabeça de uma jovem, desta vez no bairro Ilhotas, e levaram o seu carro: um ônix branco, quatro portas.  Nesta ação, os bandidos foram mais ousados: não só apontaram o revólver para a moça como a ameaçaram. Nem precisa dizer que a vítima ficou abalada emocionalmente.

Aliás, vivemos todos em estado de tensão permanente, com medo de que nos aconteça o pior. Estamos rodeados de assaltantes que, agora, praticam seus crimes à luz do dia, sem a menor cerimônia.  A situação está tão fora de controle que, quando a pessoa é assaltada, ainda é acusada de ter facilitado a ação dos bandidos. Enquanto o verdadeiro culpado, o Estado, apresenta justificativas injustificáveis para convencer a população de que está tudo sob controle. 

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