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Dez municípios piauienses estão em risco por causa da chikungunya

Ele já estava quase esquecido, pouco se ouviu falar sobre ele nas últimas semanas, no entanto, continua vivo a atormentar a população piauiense. Quem pensa que estava livre do mosquito Aedes aegypti , está redondamente enganado. Traiçoeiro como é, estava esperando as chuvas cessarem de vez para que seus ovos começassem a eclodir. E é justamente o que está acontecendo agora.

A Secretaria de Saúde do Estado  informou que o número de casos de chikungunya, doença transmitida pelo mosquito, aumentou consideravelmente. Um crescimento de 103,9%, mais precisamente. A situação é tão grave que 10 municípios foram considerados em situação de risco e outros 75 estão em estado de alerta. O norte e o sul do Piauí são as regiões mais atingidas, com destaque para Parnaíba, Luís Correia e Cajueiro da Praia.

A chinkungunya é uma doença que debilita o paciente, submetendo-o a fortes dores por todo o corpo, acompanhadas de febre alta. Os sintomas podem se estender por várias semanas,  e até meses, causando muito desconforto.

Portanto, nada de se acomodar, achando que a situação está sob controle. A população piauiense inteira deve redobrar a vigilância com os criadouros para impedir a proliferação dos mosquitos em água parada. Uma vez que o vírus está presente em nosso meio, esta é a única maneira de nos livrarmos dessa incômoda doença.

As contas não fecham lá e cá

A economia deve balançar um pouco esta semana com o anúncio programado para hoje da revisão da meta fiscal do governo federal. O déficit orçamentário, previsto inicialmente para R$ 139 bilhões, deve subir para R$ 159 bilhões. Um rombo bem maior que o esperado.

Para tentar melhorar os números , o governo pensa em algumas medidas, como o aumento da contribuição previdenciária dos servidores federais, que passaria dos atuais 11% para 14%. É provável que isso não ocorra por conta do imenso desgaste que traria ao governo, que já despenca em popularidade.

A verdade é que está difícil fechar as contas públicas, ainda mais depois da sangria vista no mês passado para obter os votos necessários à renúncia do pedido de investigação do Presidente Temer pela Procuradoria da República. Os servidores não têm como entender um aumento de imposto para eles, enquanto o dinheiro corre frouxo entre os parlamentares. Melhor não mexer em vespeiro.

Aqui no Piauí, o cenário não é diferente. O governo contava com um repasse maior do Fundo de Participação dos Estados, mas o que tem acontecido é exatamente o contrário. Só agora em agosto, a primeira parcela do FPE foi 10% abaixo do valor do mesmo período do ano passado. A cúpula do Karnak já sabe que fechará o ano com déficit, só falta dimensionar o valor. O Piauí ainda depende muito de transferências orçamentárias para compor sua Receita. Quando essas transferências caem, como agora, a situação complica.

O problema dos governos, de um modo geral, é que quando as receitas estão um pouco melhor, a tendência é gastar, muitas vezes desordenadamente. Depois, não sabem mais conter os excessos e enxugar as despesas. Também não é comum contar com uma reserva para eventuais perdas e, assim, com uma máquina pública inchada, pesada e burocrática fica difícil navegar em águas turbulentas como agora.

Agentes provocam constrangimento em nome da lei

Ontem, foi registrado mais um episódio lamentável envolvendo agentes da Strans que, na sanha de perseguir os motoristas da Uber, estão perdendo a noção do bom senso e respeito ao cidadão teresinense. Um vendedor autônomo que transportava a filha com necessidades especiais no banco traseiro foi abordado de forma agressiva ao ser confundido com um motorista do aplicativo para transporte de passageiros. Mesmo o senhor se identificando e explicando que era vendedor, o constrangimento não cessou.

Pior ainda foi a explicação de um gestor da Strans, horas depois, ao tentar explicar o fato. “ Se ele andasse com a certidão de nascimento da filha, nada disso teria acontecido.” Só pode ser piada, e de muito mau gosto. Quer dizer que , agora, quem dirige e, por ventura, esteja transportando alguém no banco traseiro tem de andar com todos os documentos , da certidão de nascimento até a de casamento? Sim, porque já houve um outro episódio em que o agente da Strans exigiu a aliança de casamento para provar que o casal que andava no carro era mesmo marido e mulher.

Até onde eu sabia, o direito prega que o ônus da prova cabe a quem acusa. Mas a Strans parece ter leis próprias. O que parece mais estranho nessa história é que, com tantas falhas no trânsito de Teresina, os esforços estejam concentrados todos sobre os motoristas da Uber, como se eles fossem os maiores bandidos da cidade. Todo dia, milhares de motociclistas circulam perigosamente pelas ruas sem capacete, provocando acidentes e ajudando a engrossar as estatísticas de atendimento no já sobrecarregado HUT. Durante as madrugadas, é possível encontrar  motoristas dirigindo em estado de embriaguês, pondo em risco a vida de outras pessoas. Isso, sem falar na falta de sinalização em muitas vias. No entanto, o inimigo eleito é o motorista da Uber.

Ora, no mundo todo, passageiros têm a opção de escolher por qual transporte vão pagar para se locomover. E, normalmente, eles escolhem o que oferece o melhor serviço por um menor preço. Por aqui tem de ser diferente? Se duvidar, os mesmos que aqui perseguem a Uber, utilizam seus serviços quando estão fora da cidade. Deixem o povo trabalhar em paz. Já não bastam os 13,5 milhões de desempregados no Brasil? 

A conta sobrou para você, caro eleitor!

Nada como viver em um país rico, com uma economia próspera, e dinheiro sobrando no caixa do governo.  Pelo menos, essa é a imagem que transparece do Brasil nesta quinta-feira, 10 de agosto, depois que os deputados da Comissão Especial entraram madrugada adentro para aprovar o texto da reforma política. Pela ordem natural das prioridades, a reforma da previdência deveria vir antes, mas a lógica no Congresso é diferente da expectativa real dos brasileiros da planície.

A pressa dos parlamentares em aprovar logo a reforma política tem uma explicação: a criação do Fundo Especial de Financiamento da Democracia, que, apesar do nome bonito, nada mais é que o financiamento público de campanhas políticas. Pelo texto aprovado nesta madrugada, a Nação desembolsará, já para o próximo ano, nada menos que de R$ 3,6 bilhões para custear a campanha de suas excelências, os parlamentares. Esse valor é maior do que o que está previsto para o programa da Farmácia Popular, por exemplo.

É, no mínimo, uma afronta a milhares de brasileiros desempregados, que dependem da assistência social e de serviços básicos como saúde, segurança, educação. A polícia federal, assim como as instituições de ensino superior, tiveram seus orçamentos reduzidos, comprometendo a qualidade e a expansão dos serviços prestados à comunidade. Mas quem se incomoda com isso em Brasília? Antes, é preciso agradar deputados e senadores. E, para isso, como o STF proibiu que empresas privadas financiassem campanhas políticas, a conta foi colocada no colo do governo, essa entidade abstrata que tem o poder de tirar dinheiro dos contribuintes para distribuir entre os aliados.

A expressiva quantia de R$ 3,6 bilhões que será tirada do bolso dos brasileiros que trabalham e produzem nesse país para pagar os gastos abusivos das campanhas e seus marketeiros choca com os estudos ( anunciados e negados, logo em seguida) para aumentar ainda mais a carga tributária já extorsiva a que todos nós estamos submetidos. É uma completa inversão de valores em um país que parece viver no mundo de Alice, a personagem de Lewis Carroll, que vive no reino encantado das maravilhas.

Tucanos começam a fazer "mea culpa"

O Partido da Social Democracia Brasileira – PSDB – sentiu o peso do desgaste sofrido por sua eterna indecisão. Desde que Michel Temer assumiu a presidência da República, os tucanos não se definem de que lado estão ( não é a toa que são lembrados pela metafórica figura do muro). É como se estivessem sempre do alto de um muro a observar o rumo que as coisas tomam para decidir o que fazer.

A situação se agravou com a votação para recebimento da denúncia da Procuradoria Geral da República contra o presidente. O partido rachou bem ao meio. Metade votou a favor; e a outra metade, contra a admissibilidade da denúncia. É bom lembrar que o PSDB ocupa cargos no primeiro escalão do governo.

Ontem, começaram a ser veiculadas chamadas nacionais, no horário nobre da televisão, nas quais o partido começa a fazer sua “mea culpa”, assumindo que errou. A peça publicitária mostra acertos do passado, como o controle da inflação e o Programa Saúde da Família, para, logo em seguida, dizer: “mas agora errou”.  E anuncia para breve o programa que irá trazer as explicações que o eleitorado está a esperar por vários meses.

De fato, o PSDB apequenou-se neste governo. Uma parte é fiel ao Presidente, e permanece no ministério; outra parte significativa prega o rompimento, mas nenhuma decisão efetiva é tomada. Indefinição também foi a marca do partido no episódio do afastamento do então presidente da sigla, senador Aécio Neves, depois de divulgada a gravação na qual pedia R$ 2 milhões ao encrencado empresário Joesley Batista. O partido não o afastou ( esperou que ele o fizesse espontaneamente) e também não veio a público manifestar-se  sobre o episódio.

Pode ser que o reconhecimento dos erros, assumidos agora, seja o começo da recuperação da imagem do partido, que já está de olho na eleição presidencial do próximo ano. Mas aí também o partido incorre na velha divisão. O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, apresenta-se como candidato natural, principalmente depois que Aécio Neves veio à lona. Mas seu pupilo, o prefeito João Dória, já começa a andar com desenvoltura de candidato pelo país, como fez no início da semana em Salvador. Pelo visto, não é apenas a população que não entende o PSDB. Os próprios tucanos não se entendem entre si.

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