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IBGE estima crescimento na safra agrícola do PI

O agronegócio ainda é a redenção da economia  brasileira e deve continuar assim em 2017. Apesar do cenário econômico desfavorável, a produção agrícola do Brasil deve crescer 16% em relação ao ano passado, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística- IBGE. Os dados apresentados pelo órgão apontam para uma safra de 213,7 milhões de toneladas este ano, incluindo aí os cereais, leguminosas e oleaginosas.  Dentre as regiões brasileiras, a que deve apresentar maior crescimento ( 73%) é justamente a região Nordeste.

O Piauí foi muito prejudicado no ano passado por conta dos longos meses de estiagem, o que acabou afetando bastante os números da safra. Mas as perspectivas são animadoras para este ano. O levantamento realizado pelo IBGE aponta um crescimento de 77,9% na cultura do algodão; 143%, no arroz; 415%,6%, no feijão; 149%, no milho; e 226,9%, na soja.

Como a produção industrial é muito baixa, o Estado ainda tem sua economia ancorada no agronegócio. Com a mecanização cada vez mais presente nos campos de produção, o aumento da safra não corresponde à mesma proporção de crescimento na geração de empregos. Atualmente, quase toda a produção é exportada como matéria prima para outros estados. Enquanto não houver indústrias de beneficiamento para agregar valor aos grãos produzidos aqui, mesmo com um aumento considerável na safra, ainda ficaremos patinando na economia.

 

O atraso no saneamento prejudica o crescimento

O Fórum Nacional, coordenado pelo piauiense João Paulo dos Reis Velloso,  editou uma oportuna publicação, denominada “ Investindo contra a crise e procurando voltar a crescer”.  Nela, diferentes autoridades e pensadores dão a sua contribuição sobre o que poderia ser feito no atual cenário brasileiro para enfrentar a turbulência que paralisou a economia do país, com efeitos danosos sobre a vida de todos os brasileiros.

Em um dos artigos, a presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social- BNDES, Maria Sílvia Bastos Marques, toca numa ferida que deveria corar de vergonha todos os gestores públicos que governaram o país nas últimas décadas: o saneamento urbano, ou a falta dele.

Maria Sílvia defende que o Brasil precisa investir urgentemente em infraestrutura para dar o  salto de qualidade necessário que permita ao país atingir um nível de competitividade para a produção e comercialização dos seus produtos. “ A infraestrutura é crucial para o que nós precisamos hoje no Brasil, que é a retomada de investimentos, a preservação, manutenção dos empregos, produtividade, eficiência e competitividade”, diz ela.

E entre esses serviços que necessitam ser alavancados estão a mobilidade urbana, eficiência energética e saneamento. Vivemos hoje como se ainda estivéssemos na idade média. No ranking de 200 países , realizado em 2011, o Brasil está na 112ª posição na área do saneamento, atrás de países do norte da África, do Oriente Médio e de alguns países da América do Sul.

O relatório aponta que 35 milhões de brasileiros não têm acesso a água tratada, e que mais de 100 milhões não têm os seus esgotos coletados. Mais estarrecedor ainda: das 100 maiores cidades do Brasil, apenas dez tratam mais de 60% dos seus esgotos. Teresina tem apenas 17% de esgoto tratado, uma vergonha que se reflete na permanência de doenças  que já deveriam ter sido extintas, como dengue, e agora, ainda por cima, zika e chikungunya. Mas, entra ano e sai ano, e nada é feito para tirar essa mancha vergonhosa que nos coloca em condição de atraso. Se a capital encontra-se nessa situação, caro leitor, imagine você o restante do Estado.

A cobrança sobre o judiciário

O judiciário volta às atividades hoje, depois do recesso de fim de ano. E é bom que volte com muita disposição para o trabalho. Depois das rebeliões do início do ano, no Amazonas e em Roraima, a demora no julgamento dos presos voltou a ser questionada pela sociedade e pelo próprio Conselho Nacional de Justiça.

A superlotação é uma realidade do país inteiro. E parte do problema justifica-se pela demora ou ausência de julgamento dos presos. Muitos estão mofando há anos na cadeia sem que seu processo tenha sido julgado. Nesse caso, o efeito cascata da lentidão que começa nos gabinetes dos juízes termina em massacres como os ocorridos na região norte.

Os juízes reclamam que têm muitos processos para julgar. Ninguém duvida, mas com um pouco de esforço e boa vontade dá para diminuir a pilha de papéis da qual depende a liberdade  de quem espera por uma sentença. O próprio CNJ estranhou o fato de não acontecerem audiências no recesso de fim de ano, já que existe o plantão judiciário.

Se nada for feito para dar celeridade aos julgamentos, os governos federal  e estadual podem é gastar dinheiro construindo novos presídios, que ainda assim eles continuarão com a taxa de ocupação bem acima da sua capacidade. O esforço precisa ser conjunto. O judiciário tem de agir rápido, a segurança pública precisa trabalhar com inteligência e repressão e, não esqueçamos: as políticas públicas voltadas para a infância e a juventude devem apresentar maior resolutividade, ocupando esses adolescentes com atividades educativas, esportivas e de formação profissional para tirá-los do “atrativo” mundo do crime. Ou funciona tudo integrado, ou continuaremos a assistir a tragédias dentro e fora dos presídios.

Excesso de gratuitade onera o custo da passagem de ônibus

O aumento  no valor das passagens de ônibus de Teresina ainda gera descontentamento entre passageiros e empresários do sistema. Para quem precisa pagar a passagem inteira, o aumento foi pesado. O índice de 20% aplicado é bem superior ao da inflação medido pelo Índice de Preços ao Consumidor –IPC (6,18%), usado como cálculo para o reajuste do salário mínimo.

Com a variação de R$2,72 para R$ 3,30, o passageiro que depende de quatro ônibus para ir e voltar ao trabalho diariamente, durante cinco dias na semana,  vai desembolsar R$ 44 a mais no final do mês.

Mas, apesar de alto, o aumento não agradou os empresários do transporte coletivo. Com o congelamento da meia passagem, eles consideram que continuam com os custos defasados. Ainda mais agora, com o anúncio do aumento do preço do óleo diesel em 6,1% na refinaria. O setor alega que os benefícios de isenção no pagamento da tarifa concedidos a onze categorias onera os custos do sistema. O último cálculo feito sobre o peso das gratuidades apontou um déficit  de 16%.Isso, há dez anos. Hoje, estima-se que este percentual  seja ainda maior.

Os empresários queixam-se também de que a Prefeitura deve ao sistema R$ 20 milhões, correspondentes ao subsídio que deveria ser pago pelos passageiros transportados com o benefício da gratuidade. De fato, não existe almoço de graça e, quando alguém deixa de pagar, outro assume a conta. É o que está acontecendo agora com o transporte coletivo de Teresina.

O problema dos presídios não é só do Amazonas

A rebelião que resultou na morte de 60 presos no Amazonas, nos primeiros dias do ano, chamou a atenção do mundo inteiro e provocou até mesmo uma mensagem do Papa Francisco, talvez pela grande quantidade de vítimas, só inferior à do massacre do Carandiru, em São Paulo, quando morreram 111 detentos.

Mas a morte de presos dentro das penitenciárias brasileiras está longe de ser um fato raro ou isolado. Há muito, nosso sistema penitenciário mostra sinais de falência, com presídios superlotados, vigilância frouxa, entrada de celulares e armas, condições precárias de higiene e pouco ou nenhum trabalho de recuperação dos detentos.

Aqui, a situação não é diferente. Durante todo o ano de 2016, convivemos com notícias de rebeliões, fugas e mortes dentro dos presídios. Foram 16 detentos mortos de janeiro a dezembro, segundo o sindicato dos agentes penitenciários do estado. As casas de detenção do Piauí, a exemplo das existentes no restante do país, abrigam um número de presos bem maior que a sua capacidade, formando um verdadeiro depósito de bandidos, sem distinção da gravidade dos crimes que praticaram. Forma-se, assim, um caldeirão propício para motins e agressões internas, com disputas de poder entre as gangs.

O Piauí recebeu há pouco R$ 44 milhões do Fundo Penitenciário Nacional, que deve ser aplicado na construção de dois novos presídios, em Parnaíba e em Oeiras, abrindo 800 novas vagas. Mas só abrir mais vagas não adianta. A forma de administrar os presídios precisa ser revista, com fiscalização mais eficiente, terapias que mantenham os presos ocupados  e um controle efetivo  que impeça o acesso deles a armas, drogas e celulares, como acontece hoje.

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