Cidadeverde.com

Pacientes graves são atendidos no corredor do Hospital Justino Luz

No último final de semana,o sindicato dos Médicos do Piauí foi até a cidade de Picos fazer uma vistoria no Hospital Regional Justino Luz, em Picos. O que eles viram por lá foi assustador: pacientes em estado grave sendo atendidos em maca,  aparelhos de exame quebrados, UTI desativada e higiene a desejar.

O hospital foi dimensionado para atender a uma população de 500 mil habitantes, mas está longe de conseguir prestar atendimento a toda essa gente. As condições encontradas lá são precárias, nas palavras do presidente do sindicato, Samuel Rego.  Uma das cenas descritas por ele dá conta de um paciente em estado grave, com câncer, fazendo infusão de sangue no meio do corredor. “Isso é inadmissível”, queixa-se o médico.

Outra denúncia grave trata-se da UTI, a única existente no hospital, que já deveria estar funcionando há mais de um ano e, no entanto, está servindo como depósito.  O hospital não conta com mamógrafo, equipamento para detectar o câncer de mama. O tomógrafo, segundo uma profissional que trabalha no hospital, funciona durante um mês e passa os dois seguintes quebrado. E para completar, a comitiva do sindicato encontrou homens e mulheres dividindo a mesma enfermaria, deitados sobre macas.

Diante do que foi visto e documentado, o sindicato dos médicos pretende encaminhar um dossiê para o Ministério Público e para a Secretária de Saúde do Estado relatando as irregularidades e pedindo providências para que os pacientes possam ser atendidos com a qualidade e a dignidade que merecem.

O blog entrou em contato com a Secretaria de Saúde e aguarda resposta para publicar neste espaço.

Lava Jato cobra R$ 2,3 bi do PP

A força-tarefa da Operação Lava Jato ingressou ontem com a primeira ação de improbidade administrativa contra um partido político. O alvo foi o PP – Partido Progressista, que, segundo os procuradores, era um dos maiores beneficiários do esquema de propina que sangrou as finanças da Petrobrás.

O Ministério Público pede que o partido devolva a quantia de R$ 2,3 bilhões para ressarcir os cofres públicos.  Uma cifra astronômica, que dá a dimensão de quanto os políticos usaram a estatal para pilhagem de dinheiro. Só pelo que já foi devolvido até agora, mais o que ainda está sendo pedido, a Operação Lava Jato já justificou sua atuação. Nunca na história desse país se viu tanto dinheiro retornando ao Erário.

Ao atingir o partido, e não só os políticos que dele fazem parte, a Operação deixa mais uma lição pedagógica para o país. No Brasil, os partidos políticos não expressam qualquer ideologia. São apenas aglomerados humanos que se formam para ter força de barganha na indicação de cargos que possam lhe trazer retorno financeiro, como ficou mais do que provado com o mensalão, no passado, e agora, com o petrolâo. Os superlativos dos escândalos dão uma noção do tamanho do rombo promovido nas empresas brasileiras.

Enquanto a escolha de quem vai ocupar cargos estratégicos nas estatais for  feita por indicações políticas não se pode esperar eficiência ou honestidade na sua condução. É uma prática antiga de apadrinhamento que precisa acabar para que as empresas públicas possam funcionar como devem. Do contrário, só darão prejuízos e manchetes policiais,

Novo julgamento do caso Abraão Gomes deve acontecer em abril

Um dos crimes mais conhecidos e ruidosos do Piauí foi o assassinato do deputado Abraão Gomes, na porta da casa dele, na zona leste de Teresina, no dia 29 de agosto de 1989. O acusado de mandar matar o deputado é o advogado Virgílio Bacelar, então adversário político do deputado na cidade de Porto. Entre as provas que constam no processo contra o advogado estão o comprovante de depósito no valor de 100 mil cruzeiros reais ( moeda da época) e a confissão do senhor Alcides, um dos executores do crime, que, posteriormente, negou a primeira versão apresentada aos promotores do caso. 

Depois de quase vinte e oito anos, o processo ainda tramita na justiça. O primeiro julgamento foi anulado porque houve coação dos jurados, segundo concluiu o Tribunal de Justiça. O caso deveria ir a julgamento novamente hoje, mas, por decisão do desembargador Sebastião Ribeiro Martins, o julgamento foi adiado. Decisão revista, depois, pelo próprio desembargador, ao descobrir que o caso estava próximo de prescrever ( o que deve acontecer no dia 27 de maio deste ano).

Só que ao revogar a suspensão, a convocação dos jurados já havia sido desfeita e o juiz responsável pelo caso, Antônio Noleto, explicou que não daria mais tempo para remarcar para hoje porque ele precisa recompor o júri novamente.  

O caso é tão complexo que já dura quase três décadas sem que haja um julgamento definitivo. A família do ex-deputado segue inconformada ao longo de todo esse tempo esperando uma decisão da justiça para tentar reparar a dor da perda do líder. Eles lembram que o goleiro Bruno, acusado de matar a modelo Eliza Samudio, foi solto recentemente por causa de uma uma dessas lacunas de tempo que terminam beneficiando o acusado.

O advogado do deputado Abraão Gomes revelou que a expectativa agora é que o processo seja julgado na segunda quinzena de abril. Até lá, o acusado continua em liberdade.

TCE compra a briga em defesa da autonomia do órgão

Como era de se esperar, o Tribunal de Contas do Estado reagiu à altura ao ato do Tribunal de Justiça de suspender o julgamento do processo da subconcessão dos serviços de abastecimento de água e de esgotamento sanitário realizado pela Agespisa. A Corte de Contas vai entrar com agravo regimental contra a liminar do desembargador Sebastião Ribeiro Martins que, na prática, retirou do TCE a sua atribuição de fiscalizar os contratos de contas públicas do estado.

É perigoso que uma instituição bata de frente com outra, quando, teoricamente, as duas têm por atribuição o mesmo objetivo de defender o interesse público e zelar pela correta aplicação da lei. O TCE trabalha para fiscalizar processos licitatórios e todo tipo de contrato que envolva o dinheiro do contribuinte. Se o processo envolve uma grande soma de dinheiro, como este da água e esgoto, a atenção deve ser redobrada.

Durante muito tempo, no passado, o TCE foi acusado de ser um tribunal de “faz de conta”. Nos últimos anos, o tribunal modernizou-se, aparelhou-se da mais sofisticada tecnologia da informação e investiu na qualificação dos seus técnicos. Hoje, o TCE é respeitado por suas decisões e temido pelos maus gestores. Por isso, esse choque de decisões torna-se perigoso, pois representa o esvaziamento, e até mesmo a desmoralização do trabalho dos auditores que se debruçam sobre os documentos que lá chegam.

O presidente do TCE, conselheiro Olavo Rebêlo, falou grosso e disse que se o agravo for negado aqui no Piauí irá recorrer ao supremo Tribunal Federal, mostrando que está disposto a ir até a última instância para preservar a autoridade da Corte que preside.

Uma escola para Dona Gal

Um exemplo de determinação e força de vontade capaz de transpor obstáculos e melhorar, efetivamente, a vida da comunidade. Esta é Wânya  Sales, música e professora, que fundou a escola Dona Gal, no bairro Parque Alvorada, para ensinar música aos meninos e meninas da vizinhança. O projeto, que começou de forma despretensiosa, a partir de um violino que ganhou de presente, cresceu e hoje atende mais de mil alunos gratuitamente, despertando novos talentos e fazendo com que essas crianças troquem o perigo das ruas pelo espaço mágico da arte.

A instalação e o funcionamento da escola foram, e continuam a ser, resultado da obstinação dessa mulher que acredita no poder de transformação que a música é capaz de proporcionar. Ela sempre se virou sozinha, contando com doações de voluntários, muitas vezes anônimos. Assim, chegou a ser personagem do programa Caldeirão do Huck, da rede Globo, o que lhe garantiu uma boa visibilidade para sua causa.

Agora, essa destemida professora encara mais um desafio. A escola onde leciona tornou-se pequena para a grande quantidade de crianças interessadas em aprender a tocar um instrumento musical e, quem sabe, fazer disso profissão. Wânya descobriu que, próximo á sua casa, existe uma escola estadual fechada há dois anos. Antes que o prédio se deteriore por completo, a professora quer ocupar o espaço com suas aulas de música. Ela já está mobilizando a população por meio de uma campanha na internet para tentar sensibilizar o governo do estado a ceder o prédio para o funcionamento da sua escola. Uma causa que merece o apoio de toda a sociedade e a decisão do governo de ajudar a quem, sozinha, tem feito muito pelo futuro das nossas crianças. Escola não foi construída para viver fechada. Se não está servindo para o ensino fundamental, que sirva para o ensino da arte.

Posts anteriores