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Viagem ao Canadá poderia ser trocada pela Coreia do Sul

O governador Wellington Dias segue com uma caravana para o Canadá, a fim de conhecer o sistema carcerário daquele país. É sempre bom aprender com quem sabe mais e ostenta posições de destaque no primeiro mundo. As prisões do Canadá são, literalmente, coisa de cinema, com celas amplas, limpas, bem vigiadas e programas de ressocialização para os presos.

Utopia é imaginar transpor esse modelo para um país de brutal desigualdade social, com escassez de recursos até mesmo para fazer a faxina nas delegacias de bairro. Ainda mais no Piauí, onde as carências são gigantescas, e onde chega a faltar até mesmo combustível nas viaturas policiais, o número de agentes penitenciários é bem inferior ao necessário e não se consegue sequer bloquear a entrada de aparelhos celulares nos presídios.

Se era para procurar um modelo de sucesso internacional, melhor faria o governador se procurasse conhecer o sistema educacional da Coreia do Sul ou da Finlândia. Aí, sim, era possível acreditar em uma mudança verdadeira. Não dá para consertar o estado de trás para frente. O presídio está lá no fim de uma sequência de falhas na administração pública. E a primeira delas, sem dúvida, é na educação, onde começa todo o processo de desenvolvimento de um povo e pode evitar, no futuro, a superlotação nos presídios.

O estado que tem um povo educado, consciente, e com oportunidade de trabalho, tem menor índice de violência e, portanto, não precisa gastar tanto em prisões, como já dizia Darcy Ribeiro: “ Se os governadores não construírem escolas, em vinte anos faltará dinheiro para construir presídios.” E não só construir escolas, mas trabalhar para que nelas o aluno aprenda de verdade e possa tornar-se um protagonista do avanço social do seu estado.

O que sustenta a Lava Jato?

Em conversa ontem com um leitor atento, surgiu a seguinte pergunta: o que sustenta a Operação Lava Jato, com tantos interesses poderosos contrários à sua atuação implacável? Respondi de pronto: a democracia. Só ela para fortalecer as instituições, assegurar a liberdade de imprensa e mobilizar a opinião pública. Não fosse isso, não se iludam, a Lava Jato já teria sido esquecida na página de um jornal velho.

É por isso que, com todas as falhas, a democracia ainda é, de longe, o melhor regime político que existe. Ela permite que a Nação permaneça vigilante, fiscalizando o que tentam subtrair-lhe na calada da noite. O coletivo prevalece sobre os interesses privados e cobra justiça social e igualdade de oportunidades.

Em qualquer lugar do mundo, quando se apagam as luzes da democracia, as trevas do autoritarismo cometem todo tipo de atrocidade, violam os direitos do cidadão, e calam a sua voz. É o que está acontecendo agora na Venezuela, com o fechamento de quase todos os veículos de comunicação e até mesmo a agressão física contra quem pensa diferente do ditador de plantão.

Precisamos botar as barbas de molho ao olharmos para o país vizinho porque aqui tem muita gente que diz ter lutado contra a ditadura militar, mas sonha em implantar as mesmas práticas do lado de cá. É só prestar atenção em quem, vez por outra, levanta a voz para defender o controle da mídia. A quem interessa amordaçar a imprensa? A quem quer reinar soberano, sem vozes dissonantes para questionar o que está errado.

Imprensa livre significa cidadãos bem informados, capazes de fazer seu próprio julgamento sobre o mundo que os cerca. São essas pessoas informadas sobre o que aconteceu nos gabinetes da Petrobrás que vão à rua, se manifestam em abaixo-assinados e defendem o trabalho fantástico feito pela Operação Lava Jato, que está ajudando a limpar o país da sujeira da corrupção.

Ministério da Saúde é acionado para resolver atendimento a pacientes com câncer atendidos pelo SUS

Os problemas referentes ao atendimento dos pacientes de oncologia do Hospital São Marcos podem, enfim, encontrar uma solução. Em reunião esta semana em Brasília, na companhia do senador Ciro Nogueira (PP), o presidente da Fundação Municipal de Saúde de Teresina, Sílvio Mendes, do mesmo partido que o senador, solicitou a revisão na tabela de pagamento dos procedimentos do SUS. Como se sabe, a tabela encontra-se defasa há bastante tempo e não cobre mais os custos com a maioria dos tratamentos realizados .

O Hospital São Marcos é referência no tratamento a pacientes com câncer, não só do Piauí como do vizinho estado do Maranhão. Mas, nos últimos meses, têm ocorridos alguns embaraços por conta do pagamento dos procedimentos dessa especialidade. Com a informação, no mês passado,  de que o HSM não iria mais atender as intercorrências  clínicas oncológicas, a Fundação Municipal de Saúde chegou a anunciar que esses atendimentos passariam a ser feitos na rede municipal, para que a população não ficasse desassistida. Apenas as que necessitariam de cirurgia seriam encaminhadas para o São Marcos. As intercorrências são as reações decorrentes do tratamento de quimio e radioterapia, como febre, pneumonia e dores abdominais.

Sílvio Mendes recebeu a promessa de que técnicos do Ministério da Saúde virão a Teresina para ver de perto a situação e apresentar soluções para o problema. Com relação aos procedimentos em cardiologia, o presidente da Fundação já voltou certo de que a tabela de pagamento nessa especialidade será revista com urgência.

O Sistema Único de Saúde garante o atendimento universalizado a todos os brasileiros. Há até lei no sentido de que o paciente oncológico demore, no máximo, 60 dias para começar a receber o tratamento. Na prática, porém, não é assim que funciona. Quem precisa do SUS sabe que a demora é longa e penosa. Em alguns casos, fatal. 

Prisão de Geddel é mais um golpe contra a impunidade

Daqui a pouco, vai faltar espaço para tantos presos de colarinho branco no Brasil. Desde o início da Operação Lava Jato, já foram muitos. E o caminho ainda está aberto para outros tantos que aguardam, temerosos,  na fila, cientes do que fizeram no verão passado, quando acreditavam que poderiam  pilhar indefinidamente o Erário sem que o braço da justiça os alcançasse.

O tempo passou, o juiz Sérgio Moro começou um trabalho sério e corajoso para punir os corruptos e a cascata de prisões não parou mais de acontecer. Ontem, foi a vez  do ex-ministro Geddel Vieira Lima, aquele que foi afastado depois que o então Ministro da Cultura, Marcelo Calero, denunciou que ele estava pressionando-o para obter a liberação da obra de um edifício em Salvador, na Bahia, seu estado natal. Geddel era interessado em tirar o entrave do Iphan porque possuía um apartamento no referido edifício.

A prisão dele, no entanto, dá-se por tentativa de obstrução de justiça. O doleiro Lúcio Bolonha Funaro mostrou os “prints” do celular da sua mulher com mensagens de Geddel indagando sobre uma possível delação do doleiro. Geddel temia a delação de Lúcio Funaro tanto quanto a do ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha. Os dois sabem muito sobre a passagem de Geddel Vieira Lima na Caixa Econômica Federal.

Hoje de madrugada, o ex-ministro chegou a Brasília e foi encaminhado para a sede da Polícia Federal para cumprir prisão preventiva, sem tempo determinado. O  que chama a atenção neste episódio é a desfaçatez de determinadas figuras públicas em continuarem a agir à sombra da lei, mesmo com o trabalho em curso da Lava Jato. Ou essas pessoas ainda acreditam piamente na impunidade ou são de um cinismo impressionante.

Reforma Trabalhista entra na reta final

A propagada reforma trabalhista, que vem sendo aguardada pelo setor produtivo como instrumento indispensável para o reaquecimento da economia no país, parece entrar na reta final. Amanhã, o requerimento de urgência para votação da matéria vai ser analisado pelo Senado. Caso seja aprovado, são necessárias mais duas sessões ordinárias até que a reforma seja votada em plenário. A intenção do presidente do Senado, senador Eunício Oliveira, é colocá-la em votação antes do recesso parlamentar.

Até lá, a oposição está se movendo como pode para tentar barrar a aprovação, o que parece pouco provável.  Mesmo os senadores que já falam abertamente em deixar a base de apoio do governo reconhecem a importância da votação para ajudar a recuperar pelo menos parte dos empregos perdidos durante a pior recessão que já atingiu o país.

A resistência à aprovação da reforma está restrita hoje a um foco de oposição que não admite aprovar nada que venha do governo Temer. Os mais moderados reconhecem, no entanto, que uma coisa é a figura do presidente, fragilizada por sucessivas denúncias de escândalos; outra coisa é a agenda que o país precisa enfrentar com coragem para que os investimentos voltem a acontecer para fazer com que a economia  saia do volume morto em que entrou há dois anos.

A Nação inteira está de olho em Brasília para acompanhar os desdobramentos desta semana.  Os líderes do governo acreditam que a matéria será aprovada sem maiores dificuldades. Mas, no Brasil, a imprevisibilidade está sempre presente, com sua capacidade de alterar todo o cenário político e econômico.  

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