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Férias da Páscoa

Esta colunista saiu de férias por dez dias, na esperança de encontrar um país mais pacificado no retorno.

Em banho maria

O governador Wellington Dias (PT) é um dos políticos mais hábeis do estado. Acena a todos com simpatia, até mesmo aos mais combativos opositores do seu governo. E segue costurando alianças silenciosamente, sem pressa, na certeza de que tudo tem seu tempo e, em política, esse tempo nem sempre acompanha a dinâmica do relógio.

Desde o ano passado, o governador vem sendo pressionado para indicar o vice na sua chapa para concorrer à reeleição. Não diz sim nem não para os partidos que lhe assediam. Mantém todos em fogo brando, criando uma expectativa e valorizando ainda mais a cadeira que tem para oferecer.

PP e MDB, os dois mais fortes nessa corrida rumo à vice, apresentam seus trunfos, argumentos, até mesmo alguma chantagem. Mas Wellington permanece impassível, conversando com um e com outro, distribuindo afagos e esperança a ambos. Ora apresenta-se ao lado do senador Ciro Nogueira (PP), que tem dado uma ajuda substancial ao seu governo, por meio da obtenção de verbas federais, ora acena para o MDB, que tem o comando da Assembleia Legislativa.

Ontem, o governador disse que um partido com a capilaridade e dimensão do MDB merece um espaço na chapa majoritária, mas, espertamente, não disse que lugar é esse, mantendo o suspense até o último minuto e segurando possíveis movimentações alternativas desses mesmos partidos.

Segunda parcela do empréstimo permanece suspensa

Ainda não está totalmente esclarecida a questão da prestação de contas da primeira parcela do empréstimo feito pelo governo do estado junto à Caixa Econômica Federal. O banco se manifestou, por meio de nota, dizendo que a liberação da segunda parcela, que corresponde à R$ 292 milhões, só ocorrerá após completa análise da prestação apresentada pelo governo, o que, segundo cálculos da própria CEF, só deve acontecer em meados do mês de maio.

Além desta segunda parcela, há ainda um outro empréstimo, no valor de R$ 315 milhões, que aguarda liberação. Mas, também este, só será liberado depois de uma análise detalhada da prestação de contas que encontra-se pendente na Caixa.

O governo diz que já apresentou a prestação e aguarda a liberação o mais rápido possível para investir em obras de infraestrutura no estado. A Caixa, cautelosa, especialmente por ser um ano de eleição, não demonstra a mesma pressa.

 

Ameaça à República

É de extrema gravidade a denúncia feita ontem pelo ministro do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, de que ele e a família estariam recebendo ameaças. O ministro disse que está preocupado e que teme, especialmente, pelos integrantes da família dele. Fachin é o relator do pedido de Habeas Corpus do ex-presidente Lula e já se manifestou contrário à aceitação do pedido.

Ameaça feita ao ministro da mais alta Corte de justiça do país é um fato que ameaça a democracia e a instabilidade das instituições republicanas. Parece até coisa da máfia. A Presidente do Supremo, ministra Carmem Lúcia, e o ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, garantiram reforço na segurança do ministro.

Os adeptos da teoria da conspiração não tardaram em lembrar o acidente de avião ocorrido com o também ministro do Supremo, Teori Zavascki, no ano passado. O filho dele já havia postado que estavam tentando barrar a Lava Jato.

O recado de Moro

O juiz federal Sérgio Moro esclareceu ontem, de forma clara e didática, às principais dúvidas sobre a Operação Lava Jato, a maior ação de combate à corrupção já realizada no Brasil. Os números que envolvem essa operação são hiperbólicos. O desvio de dinheiro na Petrobrás chega a R$ 6 bilhões.

E o juiz falou, no Programa Roda Viva, exibido pela TV Cultura, justamente no momento em que a jurisprudência sobre a prisão após a condenação em segunda instância pode ser revista pelo Supremo Tribunal Federal. Como esclareceu o próprio juiz, a revisão desse entendimento vai liberar, só na 13ª Vara, onde atua, 114 casos de condenados, e não só por corrupção, mas também por tráfico de drogas e até por pedofilia.

Outro ponto de destaque levantado pelo juiz é o caso das indicações políticas para cargos de direção nas estatais. Esse loteamento, no entendimento de Sérgio Moro, levou ao sucateamento da Petrobrás. E é o que acontece também em outras estatais, para infortúnio do país.

A Lava Jato está completando quatro anos com um legado de que, finalmente, o país começou a punir os corruptos que dilapidaram o patrimônio público e, mais, que o  Erário fosse ressarcido, coisa nunca antes vista nesse país. Com essa operação, a população brasileira voltou a acreditar na justiça e a ter esperança de que o país estava mudando, de que a lei vale para todos. Seria muito triste que esse sonho fosse enterrado justamente agora.

 

 

Vitória da impunidade

A oitava turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região julga hoje o recurso apresentado pela defesa do ex-presidente Lula contra a sentença que o condenou a 12 anos e um mês de reclusão por conta do processo do apartamento triplex na praia do Guarujá. Independente do resultado, Lula não tem muito com o que se preocupar, pelo menos durante a Semana Santa.

Resguardado por uma liminar aprovada pelo STF no apagar das luzes da quinta-feira passada, que garantiu um salvo conduto a ele até que seja julgado o mérito do habeas corpus, Lula poderá desfrutar do seu feriadão tranquilamente, já que o STF só volta a se reunir para julgar a matéria no dia 4 de abril.

A tendência do Supremo hoje é acabar com a prisão após a condenação  na segunda instância, uma conquista do Brasil para tentar conter o mar de impunidade que banhava os apenados da elite, que podem pagar bons e caros advogados para que seus processos sejam empurrados para o Supremo, onde a tramitação ocorre com a velocidade de uma tartaruga em repouso.

Com a revogação da prisão após a condenação na segunda instância, não só o ex-presidente, mas uma enxurrada de políticos presos atualmente irá se beneficiar, voltando à cena com a certeza de que, no Brasil, o crime realmente compensa.

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