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As ruas não fizeram coro ao 'Fora,Temer!'

Foto: Wilson Dias/Agência Câmara

Câmara rejeita denúncia contra Temer

Depois de uma agenda política extremamente negativa que se arrastou por mais de dois meses, o mais racional agora, após a rejeição denúncia contra o presidente Michel Temer, na Câmara dos Deputados, seria os políticos e a própria Procuradoria-Geral da República deixarem o Brasil trabalhar. Ou pelo menos tomar fôlego para enfrentar seus graves desafios na área econômica.

Está claro que muitos já não querem a queda do presidente, mesmo com todos os defeitos que possa haver no seu governo. Ou principalmente por isso mesmo.

Sua permanência é justificada em nome da estabilidade econômica, pois se reconhece que nesta área ele tem melhorado a situação do país. Os indicadores econômicos atestam isso com clareza.

Saco de pancada

O PT, o principal e mais expressivo adversário do governo, ao contrário do que alardeia, de fato também não quer tirar o presidente da cadeira. O partido, pelos seus principais líderes, avalia que, como Temer está com baixa aprovação, acaba se transformando em um bom saco de pancadas para a campanha petista de 2018, que já está nas ruas.

O desgaste do governo decorre das polêmicas propostas de reformas trabalhista e previdenciária, bem como das denúncias feitas contra ele pela Procuradoria-Geral da República. Mas em parte sua impopularidade tem a ver também com a chamada “herança maldita” que recebeu do PT, com a economia arrasada.

O quórum pelo discurso

Os petistas ajudaram o governo dando quórum de 342 deputados na Câmara. Já sabiam que perderiam na votação. Mas, em compensação, ganhariam discurso para a próxima campanha, pois haviam perdido o da eficiência no governo. Também o da ética na política. O mantra "golpistas não passarão" não pegou. Muito menos o "Diretas, Já" e o "Fora, Temer!".

Quanto à PGR, ela sabe que eventuais crimes atribuídos a Temer não ficarão na impunidade. Ao final de seu mandato, ele será devidamente investigado, sem a blindagem e sem a afetação do momento político, com tantos interesses em jogo e que não são propriamente os do país.

A pauta política é um assunto que só interessa diretamente aos políticos. A maior prova é que as últimas e acaloradas discussões nesse campo não levaram ninguém para as ruas.

O recado do povo

Com isso, o povo deu o seu eloquente recado de que o país tem outras demandas, mais urgentes, para dar conta. Ou seja, o lógico a estas alturas seria todos trabalhando pela retomada do crescimento e a volta imediata do emprego.

O mais fica para o julgamento das urnas e da Justiça, no momento adequado.