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Como Gilmore Girls me inspira

Não é só um seriado de TV americano. Pra mim, Gilmore Girls é o retrato de gerações de mulheres que vem se emancipando em todos os aspectos da sua vida, que procuram a felicidade verdadeira, independente de relacionamentos amorosos, que buscam seguir a integridade dos seus sentimentos, realizar suas próprias vontades, serem o que quiserem em suas vidas. 

 

 

Vejo nele a minha mãe, que por uma vida toda exerceu profissão "de homem", tomando conta de oficina mecânica, que sabia cozinhar mas não gostava tanto assim, a ponto de, muitas vezes, preferir comprar comida pronta aos domingos porque tava cansada demais da rotina do trabalho.

Também me vejo com minha vontade de estudar na adolescência, fugindo das profissões "óbvias", as mais desejadas pelos pais, sem vontade nenhuma de subir a um altar, casar no relogioso, civil. Dando sempre preferência a seguir um plano de vida que eu estabeleci, sem preocupação com as opiniões dos outros, criando minha filha de uma forma aberta, conversando com ela e deixando que ela faça parte da minha vida integralmente. 

As Lorelais são uma fonte de inspiração para mulheres que querem mais do que a vidinha que lhes for apresentada. Elas fazem o que tem vontade, desagradando ou não. Às vezes podem até parecer um pouco egoístas, mas se mulheres não são um pouco egoístas não conseguem sair do status quo do machismo. 

Tô ansiosa para ver a nova temporada liberada pela Netflix nesta sexta (25). Vou chorar litros, vou morrer de rir do humor às vezes ácido, das referências culturais dos anos 80, e mais que isso, vou me inspirar mais ainda a ser uma mãe companheira, tranquila, que dá muito valor aos momentos mais simples. Só não quero me viciar em café. 

Corpo preparado para o parto

Existe um movimento lindo para permitir que mais e mais mulheres possam ter o direito ao seu parto normal no Brasil. A partir disso, muitos profissionais tem se dedicado a estudar e aplicar técnicas que proporcionem um parto melhor. Um exemplo disso é a fisioterapia especializada em obstetrícia. 

O acompanhamento desse profissional faz parte do pré-natal e pode se estender ao parto e ao pós-parto também, ajudando a mulher a acompanhar as mudanças que ocorrem no seu corpo.

As técnicas são focadas no preparo da musculatura e orientação para a postura correta da coluna, isso para evitar que ela tenha fortes dores durante o parto. 

A fisioterapeuta Ruth Pires explica que os benefícios se estendem ainda para o controle do peso e da pressão arterial; diminuição do risco de pré-eclampsia e diabetes gestacional; prevenção do inchaço nas pernas; redução e prevenção de dores nas costas; diminuição do risco de parto pré-maturo; melhora da autoestima, ansiedade e humor; prevenção da depressão pós-parto; além do retorno mais rápido da aptidão física.

O profissional faz uma avaliação minuciosa para detectar os problemas e tratá-los através de exercícios terapêuticos de alongamento, fortalecimento, respiração e relaxamento; orientando a gestante em relação à alimentação, postura, amamentação, momento do parto e pós-parto.

Você cria uma princesa/príncipe?

Em tempos em que até o fantástico mundo da Disney teve que se reinventar para se adaptar à nova realidade das mulheres e homens, dos seus novos desafios nesse mundo, de repente voltamos a uma era medieval no Brasil. Uma escola forma "princesas".

A proposta da psicopedagoga Nathalia de Mesquita, dona da escola, é transformar meninas de 4 a 15 anos em mulheres preparadas para cuidar da casa, dos filhos e ainda ser capacitada para o mercado de trabalho. É despertar nelas o lado princesa, com humildade, solidariedade e bondade, além das tarefas mais "fofas", como arrumar o cabelo e se maquiar, até regras de etiqueta, de culinária e noções de como organizar a casa.

O problema que eu vejo aí é que nossas meninas não precisam continuar sendo tratadas como princesas, vivendo em um modelo fechado, oprimidas pelo espartilho. Nem nossos filhos precisam ser obrigados a serem os provedores, distantes dos dilemas cotidianos, sem participação no lar, na vida dos filhos. Acho mesmo que a gente precisa rever o modelo de criação das nossas crianças. 

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Acho mesmo que prefiro a nova Branca de Neve apresentada em Once Upon a Time, que convive com o remorço de ter abandonado a filha para protegê-la e tentar se redimir cuidando dela, já adulta, mas que nem por isso deixou de lado seus ideiais de sempre, tomar as decisões pensando no coletivo, procurando sempre agir de forma correta, lutando com espadas, sem jamais perder a ternura, sendo dura e amorosa, cada sentimento no seu momento certo. Prefiro ainda um Príncipe Encantado que também luta com espadas, ao lado da Branca, contra todos os vilões, mas lava a louça do jantar, ajuda a cuidar do bebezinho, mantém a sua coragem e lealdade, a força e a conduta ereta. 

A desconstrução desse mito de príncipes e princesas, já em curso há algum tempo, deveria nos fazer pensar em como estamos agindo e não retroceder colocando nossas filhas em "escolas de princesas". Todo aquele arquétipo, a menininha que usa tudo rosa, o cabelo sempre arrumadinho, o chá, os ensinamentos de como ser uma boa esposa, as "obrigações", como se comportar, uma vida cheia de regras, presa em um espartilho, tudo isso caiu por terra há muito tempo. 

Nossas heroínas hoje são Fiona, mãe de três filhos e esposa de um ogro, que passou por uma transformação estética; e Elsa, que não precisou viver um relacionamento com um homem para saber o que é o amor verdadeiro, lutando para se aceitar, convivendo com "defeitos" impostos por aqueles que não queriam aceitar sua liderança.

Temos dilemas todos os dias, homens e mulheres. Somos seres complexos, numa sociedade complexa mas que está num movimento de simplificar a vida. Acho que esse movimento, que propõe um olhar pra dentro, de focar no que realmente importa, de dar valor às coisas mais intimistas, de estar perto daqueles que amamos, de manter os ideais e os sentimentos mais verdadeiros, é o caminho.

Nossos filhos não podem estar deslocados desse contexto. Eles são parte de nós, são inseridos nessa sociedade. Precisamos prepará-los para levarem consigo os ideais de príncipes e princesas sim, mas tratando a todos com igualdade de deveres, de direitos. Meninas e meninos sem diferenças.

Criança teimosa, mãe teimosa

Quantas vezes já me peguei teimando com a teimosia da Nina... Infinitas vezes! Na maioria das ocasiões, ela nem estava fazendo nada demais, apenas sendo criança. A teimosia é sim uma das principais características deles. É graças a ela que as crianças descobrem muita coisa nesse mundo e, assim, saem um pouco da barra da saia da mãe. 

Elas não precisam que a gente fique ali regulando tudo. Ao contrário do que pensamos. As experimentações, as danações, a teimosia em fazer diferente do que querem os pais, tudo isso faz parte do processo de entendimento do mundo. 

Tava lendo um texto da guru maior quando o assunto é criança, Rosely Sayão, e ela observa o comportamento dos pais na atualidade. Nós estamos querendo que nossos filhos se adultem cada vez mais cedo, adotando um comportamento que não é deles. Que eles sejam "quietos". 

Qual a lembrança que temos da nossa infância? Brincadeiras o dia todo, ao ar livre, amigos muitos, íamos para a escola e passávamos apenas um turno do dia lá, não tínhamos obrigações e ainda ouvíamos nossos avós dizendo: "aproveita que infância é curta". Nós estamos encurtando ainda mais a infância dos nossos filhos. Quando paro pra pensar no que tenho exigido da Nina me dá medo. Decidi que vou preservar isso e me policiar para deixar de ser tão exigente. 

Fico louca quando digo a ela pra não fazer uma coisa e minutos depois lá está ela repetindo. "Não ouviu o que eu acabei de falar, Nina?" é a primeira coisa que vem à ponta da língua. Muitas das vezes é medo dela se machuar, cair... 

Enfim, mea culpa. 

Ao invés do "Não ouviu o que eu acabei de falar?", melhor ter um pouco mais de paciência, observar à distância e só chamar realmente a atenção em situações de perigo, risco real, não aquele risco que a gente cria na cabeça. 

É errando que elas aprendem também. Vamos pensar nisso e ser menos cri-cris.

Gastos com meninas são 30% maiores que com meninos

Você aí, pai/mãe/pãe de meninos e meninas, concorda? Vive essa realidade? 

O dado foi constatado em pesquisa da Abefin (Associação Brasileira de Educadores Financeiros) feita ao longo dos últimos três anos. Segundo o levantamento, esses 30% seriam por conta da maior oferta de produtos de confecção, higiene e beleza para as meninas. 

Isso é fato. Isso está nas vitrines. Não há como negar. 

Mas vamos ter aí em mente duas reflexões. 

Uma delas é que as meninas levam isso para a vida adulta. Roupas demais, sapatos, uma necessaire que não cabe na bolsa. Tanta coisa que não precisamos e mesmo assim compramos. Esse estereótipo é reforçado a cada geração porque principalmente nós, mães, reproduzimos. A família é responsável por incluir isso no dia a dia da criança. É o bicho do consumismo.

Outro fato que observo é que nossa sociedade ainda vai demorar muito para "desprincesar" as meninas. O rosa, os vestidos, sempre a mesma fórmula de que menina usa vestido e menino bermuda. Menina usa rosa e menino azul. A vida dos meninos é tão mais simples... 

Pois quando vou comprar roupa para a Nina, nunca vou apenas na sessão feminina. É na sessão masculina que tem as camisetas mais legais de personagens que ela gosta, por exemplo. Tem umas camisetas de cores mais sóbrias, como amarelo, verde, cinza. Qual o problema?

Por várias vezes, quando vamos sair, Nina está comigo no quarto no momento em que vou me arrumar. Peço opinião a ela e, às vezes, abro a parte em que ficam as camisetas do meu marido. Você se espanta? Eu uso camisetas dele. Algumas já ficaram tão cativas que nem voltam mais para o armário dele. 

Faço questão que ela me veja usando roupas do pai para que ela saiba que nós, mulheres, temos inúmeras possibilidades e nem por isso perdemos a feminilidade. Boto a camiseta "masculina" e um batom vermelho.  E daí?

Assim como ela pode brincar de boneca, de fazer comidinha, com bloquinhos de montar, pode também brincar com bola, andar de bicicleta, com carrinhos, com bonecos, de amarelinha, de peteca. As possibilidades são infinitas e o que estimulamos é que ela use o rosa, como ela tá adorando no momento, mas que também use a camiseta verde, o tênis ao invés da sapatilha ou sandália, roupas sem estampas de personagens. 

As noções primeiras de que a vida oferece diversas formas e diversas escolhas são, a meu ver, essenciais para que as nossas crianças possam ter mais liberdade para construírem seu futuro. Isso, inevitavelmente, é também um caminho para livrarmos nossos pequenos dos preconceitos e do machismo. Vamo pensar um pouquinho sobre isso?

Afinal, mulheres podem tudo, se quisermos. 

As pequenas voltas por cima

Um grande hiato! Você aí que vive a vida real sabe que essa condição de ser mulher nunca é fácil. Aquela vontade de abandonar tudo, sair correndo, esquecer de todas as obrigações, sabe. Enfim, a estafa me pegou e a inspiração pra escrever se foi. Agora to aqui, pedindo perdão por essa pausa.

Tenho certeza que todas nós passamos por isso. E não pensem que filho é o problema no meio dessa zona de vida. Pelo contrário. Nina é um raiozinho de sol que espanta essas nuvens todas, todo dia. 

Problema mesmo é o resto. É tentar [conseguir mesmo a gente só consegue por ser mulher] dar conta de tudo. Os empregos, as obrigações do cuidado com a casa, as pequenas mudanças no dia a dia e a adaptação, as questões familiares. A vida é muito complicada. Mas um dia a gente consegue colocar a estafa de lado e dar a devida importância às coisas. A estafa, essa companheira da vida moderna, difícil a gente conseguir se livrar dela. Melhor mesmo é tentar diminuir os sintomas e tocar a vida pra frente.

Se você me perguntar como vai a vida, vou dizer que está ótima. É uma resposta em forma de esperança porque, enfim, as férias estão chegando e vou poder dar uma pausa em boa parte dessas preocupações.

Ontem já diminuíram porque as tarefas escolares, essa obrigação noturna, não vieram mais. Foi meu assunto da noite com a Nina. - Nossa, filha, que legal que a gente vai poder passar a noite brincando e assistindo a um filminho! 

Então, estou de volta e espero que me perdoem heart Prometo tentar diminuir os efeitos do cansaço e vir sempre por aqui conversar com vocês. Sugestões são muuuuuuito bem aceitas também. 

O tempo do dia a dia

Quando se vê, já passou, acabou... 

Dia desses uma amiga postou em sua página no Facebook que a escola do filho estava desenvolvendo atividades em três disciplinas novas: "expressividade emocional e autocontrole", "empatia" e "amizade". Aquilo me despertou um sentimento inicial: "meu deus, professores estão precisando ensinar isso na escola porque nossos filhos não têm mais a rua, a pracinha e amigos, aqueles que a gente fazia quando tocava a campainha do vizinho e saía correndo pra se esconder".

Foi exatamente isso que eu pensei e senti uma tristeza profunda.

Quando eu era criança era assim que a gente fazia amigos. A manga do vizinho, que delícia! Sempre que chovia, saíamos todos com o sal e a pimenta no saquinho, no rumo da casa do vizinho, aquele sovina que não dava manga pra ninguém. Ela era deliciosa mesmo! 

Brincávamos na rua, todas as noites depois da aula. Brincávamos até ouvir os berros dos nossos pais chamando pra dormir. Eu não tenho lembrança melhor na vida. Era assim que desenvolvíamos a empatia, socializávamos, aprendíamos a esperar a vez de brincar, estreitávamos os laços, alguns ainda perduram. 

Sabe o que acontece hoje? A rua não vê mais crianças brincando. Minha filha anda de bicicleta dentro de casa. E sabe o que eu sinto quando vejo essa solidão? Uma imensa dor por tudo que ela não vive e não terá oportunidade.

Os dias de brincadeiras agora são marcados. Nós ligamos pros pais das coleguinas e marcamos uma horinha no fim de semana para que elas se vejam e tenham um dia de criança. 

Se nós e o ambiente que proporcionamos a eles não pode lhes oferecer brincadeiras na rua, amizades a partir de traquinagens, alguém tem que fazer não é? Por isso a escola vem tomando um papel cada vez maior na vida dessas crianças. E isso está certo? Ela está assumindo um papel que nós estamos suficientemente ocupados para não perceber que é nosso. E isso vai piorar!

O que nos custa chegar do trabalho e sentar no chão com eles, dar atenção, ler uma revistinha em quadrinhos juntos, preparar o jantar e comer junto, ensinar a tarefa, colocar pra dormir, tudo isso mantendo um diálogo sincero e dedicado, oferecer o nosso pouco tempo integralmente a essa relação. E, sempre que possível, proporcionar a essa criança o contato com outras que não sejam o mero contato do ambiente escolar. 

Mesmo que para isso você precise marcar hora com os pais dos amiguinhos. Nada paga a felicidade que a Nina demonstra no olhar quando digo que sábado ela vai brincar com as duas melhores amigas. Por elas seria todo dia. Então, vamos fazendo o possível para que isso se torne mais frequente. 

Precisamos driblar as atribulações, o cansaço de todo dia depois do trabalho, a dor de cabeça, a loucura dessa vida. Nossos filhos precisam ter sua infância não só na escola.

Os livros sumiram. Tarefas atrasadas. É o caos!

Minhas amigas e meus amigos,

Ano passado, a uma altura dessa do campeonato, Nina estava em plena atividade na escola, fazendo todas as tarefas que eram passadas. Mas esse ano, pela falta dos livros no mercado, ela e um monte de crianças estão com o aprendizado prejudicado. 

Não sei como as coisas estão andando aí na casa de vocês, mas lá em casa eu andava de cabelo em pé até ontem (17/02), sem encontrar um livro didático que a turminha da Nina está utilizando todos os dias, tanto em sala de aula quanto para as tarefas de casa. Um dos principais livros. Todos os dias as tarefas chegando e nada. 

Desde que a lista de material foi liberada pela escola, no dia 15 de dezembro, ando peregrinando pelas livrarias em toda a cidade, ligando, pressionando a editora Construir para que livro chegasse ao mercado. Encontrei o livro, finalmente, hoje. 

No meio da manhã me veio como um aviso do além: "liga na livraria, passa lá, pode ser que já tenha chegado". Liguei e a vendedora me disse que tinha o bendito. Depois me veio mais um aviso: "vai logo, senão no horário do almoço um monte de pai e mãe doidos que nem tu vão lá e tu vai ficar esperando de novo". Fui e quando cheguei lá a moça me deu a notícia: "só tinha esse e quando você ligou eu separei aqui no cantinho". Agradeci a atenção e fui pro trabalho com o danado debaixo do braço.

Feliz por ter encontrado e minha filha não ser mais prejudicada sem poder acompanhar os assuntos como deveria, mas me sentindo uma consumidora refém. 

Perguntei à vendedora, que foi muito gentil comigo, qual o motivo real dessa demora em encontrar um livro didático, que é utilizado numa escola inteira há um tempão. Ela me disse que foi despreparo das editoras porque isso está acontecendo com as listas escolares na cidade toda. Muitos livros estão com edições renovadas e pouquíssimos pais conseguiram comprar a lista completa. 

Mais uma vez constato que somos reféns de um "esquema". No fim do ano, bem no finzinho mesmo, fomos surpreendidos com um aumento de 10% nos preços do material escolar. Por isso, algumas livrarias (e eu fui vítima disso), esconderam [LITERALMENTE] livros em estoque para vender no dia seguinte mais caro. 

O pouco estoque que se tinha estava sendo remarcado. As editoras não abasteceram o mercado. Segundo a vendedora gentil, não houve preparo do estoque para atender a demanda. Muitos pais encontravam um ou dois livros num estabelecimento. Na tentativa de comprar a lista toda na mesma livraria e conseguir um desconto e encapamento, acabaram sem levar nenhum. 

Eu saí comprando os que achei em várias livrarias. Também não tive desconto. Estava preocupada mesmo era em mandar minha filha para o primeiro dia de aula com o material completo. 

Ontem consegui o tal "livro mais importante" da lista. Mas ainda estão lá três paradidáticos perdidos. Quem sabe um dia, desses em que o além te manda um aviso "vai lá na livraria tal, quem sabe tem", eu encontre.

A difícil separação da primeira professora

O papel de um professor na vida de uma criança jamais será substituído por todas as tecnologias do mundo. Não lembrava o quanto é linda essa relação até reviver com a Nina e seu amor pela tia Gracilene. 

Foi a primeira professora dela, ano passado, Maternal III. A tia Gracilene tinha na Nina uma ajudante, aquela pessoínha que ajudava a botar ordem nas coisas, com boa relação com os coleguinhas, amorosa e que sempre era recebida com um abraço de manhã.

A tia virou um referencial pra ela, uma pessoa que ela admira mesmo. Sempre chegava em casa contando o que a tia Gracilene tinha feito, que o amiguinho tinha ido para a cadeira do pensamento porque se comportou como não devia, mas que tudo tinha ficado bem no final da aula; as artes e brincadeiras, as musiquinhas. 

Durante as férias, sentia muita saudade da tia Gracilene, falava nela quase diariamente e pedia com frequência para que eu desse um jeito de ligar pra ela. Meu coração ficava apertado com essa impossibilidade. A tia Gracilene estava de férias e não tivemos acesso a um número de telefone para ligar.

Às vésperas do retorno das aulas, a lembrança da professora voltou forte e, por algumas vezes, conversei com ela sobre o fato da tia Gracilene não ser mais a professora esse ano. Ela ouvia, com carinha de quem não estava acreditando, mas aceitava momentaneamente. No dia seguinte perguntava de novo. 

No primeiro dia de aula, meu coração apertou porque logo na hora que acordou foi o primeiro nome que veio à cabeça. Tive a mesma conversa com ela, alertei novamente que a tia Gracilene não seria mais a professora. À tarde, quando retornei do trabalho, ela me perguntou se poderia ir até a sala da professora amada e falar com ela. Eu disse que ela poderia pedir à nova professora para ir na hora do recreio ou ao final da aula. Mas até agora não deu certo. Ela tem vergonha. 

Agora, preciso ir à escola com duas missões: uma é proporcionar que ela mate a saudade da tia Gracilene e, ao mesmo tempo, mostrar que a nova professora, que ela ainda não aprendeu o nome, tem muitas qualidades e pode se tornar uma grande amiga. 

A zika ataca crianças e a culpa é nossa

Tem a ver com nossos [poucos] hábitos de higiene a proliferação desse mosquito. O Aedes aegypti já causou tantas mortes por dengue no passado. Mas não foi suficiente para percebermos o perigo que ele causa. Chegou ao Brasil depois a chikungunya e agora a zika vem mostrando sua verdadeira cara. A microcefalia, uma de suas consequências, ataca nossos bebês e compromete o futuro de centenas de crianças pelo Brasil.

Mas a minha intenção com esse texto é dizer que a culpa é nossa. As três doenças são transmitidas por esse nosso velho conhecido. Não venha me dizer que você não lembra das inúmeras campanhas de conscientização pelas quais passamos. Houve uma época em que o país inteiro se mobilizou e limpou seus quintais. 

Depois disso, relaxamos! Deixamos que o aedes tomasse conta das nossas casas de novo. Ele é vilão e nós estamos apenas olhando passivamente para o seu avanço e o preço que estamos pagando é alto demais. As nossas crianças nascendo doentes, jovens sendo acometidos pela síndrome de Guillain Barré. Tive um caso dessa última na família e garanto a você que houve momentos de muito medo e apreensão. Como foi no início da epidemia, não tínhamos ideia do que estava acontecendo. Agora temos plena convicção de que precisamos fazer alguma coisa.

E essa atitude não há nada de diferente daquilo que já vimos no passado. É limpeza! Criemos consciência e tiremos apenas 10 minutos por semana para verificar o que está acontecendo em nossa casa. Importante fiscalizar o quintal, as plantas e piscinas, baldes, garrafas e os vasos sanitários também. Aqueles banheiros que não são usados constantemente precisam passar por higienização. 

Vamos fazer a nossa parte e começar logo porque o período chuvoso está chegando e o período de eclosão dos ovos do mosquito também. Se ele tiver as condições favoráveis (água parada) a epidemia será devastadora. 

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