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Crianças desaparecidas do meu Brasil

Desejo nunca saber o que significa a palavra dor para quem tem um filho desaparecido. Esse 25 de maio é uma data de reflexão: o Dia Internacional da Criança Desaparecida.

Os números são de 40 mil crianças que desaparecem no Brasil a cada ano. Mas é tudo subnotificado, certamente, já que muitos casos nem chegam ao conhecimento das autoridades.

Há pouco mais de um mês tivemos em Teresina duas tentativas de roubo de crianças registrados na Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente. Muitos relatos começaram a circular em grupos de Whatsapp, nas rodas de amigos, entre familiares. Um dos casos ocorreu no bairro Mocambinho e o outro no Centro da cidade. Depois começou a circular um vídeo em que um pesquisador propunha aos pais, em um parque, que observassem o comportamento dos seus filhos ao serem abordados por ele. Com o argumento de mostrar o lindo cachorro que levava, o rapaz conseguiu que todas as crianças abordadas fossem com ele. Os pais permaneciam estarrecidos.

Passei dias pensando nisso e no quanto estamos vulneráveis. Você está andando com o filho no colo e de repente é abordado por uma pessoa que te toma a criança e você jamais a verá novamente. 

Ontem, minha sogra ficou chateada porque queria levar Nina à missa e eu não permiti. Pedi desculpa, mas não tinha como. Meu coração apertado, imaginando que dor é essa para uma família. 

Nessa data, 25 de maio, no ano de 1979, nos Estados Unidos, o menino Etan Patz desapareceu. A comoção fez o presidente Ronald Reagan proclamar o Dia Nacional da criança Desaparecida em 1983 e a data ganhou proporções internacionais três anos depois.

Nenhuma paranóia é saudável, mas não há como não temer e ficar sempre atento a qualquer estranho que se aproximar. As crianças pracisam ser alertadas também para jamais dar atenção ou falar com estranhos, não aceitar nada de ninguém, muito menos comida ou bebida. Também é preciso ter um controle rigoroso sobre o que elas acessam na internet. Recomendações nunca são demais.

Em Teresina existe a Delegacia de Proteção à Criança e do Adolescente e qualquer denúncia ou suspeita pode ser feita pelo número 3216-2676. Também existe o Disque 100 e o Disque Cidadania, pelos números: 0800 086 2400 ou 0800280 5688.

O site desaparecidosdobrasil.org traz fotos de crianças. Acesse e veja as fotos. Quem sabe uma não está próxima a você. 

Vamos vacinar, minha gente!

Apenas 17% do público alvo da campanha de vacinação contra a gripe no Piauí compareceram para tomar a dose nos postos de saúde e hospitais do Estado. É impressionante o quanto temos colocado esse tipo de campanha em segundo plano no nosso cotidiano. E isso terá uma consequência futura. A meta é vacinar 152 mil pessoas somente na capital.

É um serviço gratuito e pode livrar seu filho por um ano de todos os tipos de gripes, da mais simples até a H1N1, que pode evoluir para a morte. Vamos deixar de vacilo e correr porque a campanha se encerra dia 22. 

Mas o baixo índice de imunização registrado em Teresina não está entre as crianças. As grávidas constituem o público menos imunizado. Infelizmente... Mãezinhas, cuidando de si mesmas vocês estarão cuidando dos seus bebês também.

Quando estava grávida, tinha muita facilidade de gripar. Durante oito meses, passava duas semanas gripadas e as duas subsequentes boa. E não foi por falta de vacina, não. Tomei a minha dose direitinho e me alimentava bem. Mas tenho rinite alérgica e, com o organismo mais suscetível, não deu outra. Foi o único incômodo nesse período lindo da minha vida. Imagine se eu não tivesse tomado a vacina.

Corre, meu povo! Gravidinhas, as que tiveram bebês há no máximo 45 dias e as crianças menores de cinco anos de idade (quatro anos, 11 meses e 29 dias) devem ser levados aos postos da Prefeitura. Além desse público, idosos, trabalhadores da saúde, população indígena, aqueles que estão sob custódia no sistema prisional, pessoas portadoras de doenças crônicas não transmissíveis ou com outras condições clínicas especiais devem ser vacinados.

Todos os anos precisamos fazer esse alerta porque as metas estão cada vez menos sendo atingidas. Então, não deixem passar esse prazo!

O que o amor ensina

Semana do dia das mães pra mim é sempre dolorosa e linda! É sinestesia demais pra um coração só. Tento escrever alguma coisa, mas sempre falta exatidão e força, a melancolia não deixa. 

Eu me dou o direito de passar a semana lembrando as coisas da minha infância. Isso porque superar perda de uma mãe é impossível. É impossível. 

É uma semana em que vem aquela sensação de que poderia ser diferente, que a minha mãe poderia estar ali compartilhando diretamente a facerice da neta, cozinhando alguma coisa nas manhãs de domingo, saindo pra passear e sorrindo alto das tiradas da Nina. 

Você imagine uma semana em que sua vida se resume a ficar feliz e triste com apenas uma lembrança, mudar de humor e sair da lágrima para o riso, da falta para o preenchimento total. 

A mesma vida que te leva as pessoas que você mais ama te traz seres iluminados pra bem perto, te confia a guarda e te encarrega de conduzir para o resto dela. 

Depois de passada mais uma semana como essa, avivou na minha alma a certeza de que não precisamos sentir essa antagonia com tanta intensidade. Que o tempo passa e o que precisamos, na verdade, é entender que a vida tem um curso e um dia todos estaremos juntos.

 

Dia da Família! É disso que precisamos sempre!

Não há preconceito nesse mundo que barre o avanço social no Brasil. Existem novas configurações de famílias e isso é inegável. Pesquisa recente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) identificou 60 mil casais homoafetivos vivendo juntos no país. São pessoas que se declararam homossexuais vivendo como um casal, morando juntos, fazendo supermercado todos os meses, dividindo as contas e criando filhos. 

É inevitável que todos os seres humanos desse país convivam, em algum momento, no trabalho, numa partida de futebol, na universidade, com um homossexual. Por isso, é surpreendente que a intolerância persista em manter cegas as pessoas que pensam viver em uma redoma. 

Não podemos, e nenhuma instituição pode, fingir que essas novas configurações de famílias estão do nosso lado. Nesses lares existe amor, assim como no meu ou no seu. 

E, assim como na minha casa, fiz questão de que a escola que minha filha estuda seja uma extensão do nosso modo de vida. Jamais aceitaria ver minha filha sendo vítima de preconceito ou saber que outras crianças são e ficar calada. 

A iniciativa de uma escola de Teresina em promover o Dia da Família nas proximidades do Dia das Mães, permitindo a participação de todas as famílias que integram a escola, é simplesmente o reconhecimento de que não há mais "família padrão", não há mais apenas "pai, mãe e filhos". 

Senti vontade de que todas as escolas de Teresina fizessem o mesmo. É apenas o reconhecimento de que a realidade mudou. É lindo reunir todos os pais, mães e filhos, principalmente aqueles que foram adotados, aquelas crianças que têm algum tipo de deficiência, que são aceitas na escola para conviver como igual (porque o são de fato!). 

É uma lição! Para mim, para os meus, dia da família é o sinal do respeito acima de tudo!

Matricule seu filho e monte um armarinho

Na primeira semana de aula da Nina eu tive a sensação de que precisaria reforçar minha caixinha de coisinhas que uso em trabalhos manuais. Mas, dois meses depois, eu tenho a certeza de que preciso ter diversidade de armarinho em casa. 

A primeira tarefinha que chegou com esse tipo de "surpresa" pediu para usar botões coloridos diversos e meia para confeccionar um fantoche. Depois foram lantejoulas. Depois a coisa foi piorando e pediram casca de ovo para colar num enfeite de Páscoa. Depois, barbante para fazer uma teia de aranha.

Amo trabalhos manuais, sei fazer croche, bordado, desenhos, pinturas, trabalhos com papel vegetal, fitinhas, tecidos e todos esses fru-frus de quem tem muita paciêcia. Amo! Mas na pressão é complicado. 

Principalmente porque só chego em casa às 19h. É aí que pego a agenda escolar e vejo o que temos de desafios. Posso dizer que, a cada semana, ao menos em uma tarefa há essas pegadinhas. Se não tiver o estoque na caixinha, aí me lasco!

E toda aquela infindável lista de material do início do ano? Ah, agora tô percebendo, como toda mãe de primeira viagem, que é preciso ter tudo aquilo em casa também. 

Tudo bem, agora eu já sei... O resultado disso é que hoje vou precisar usar o horário do almoço para comprar mais cola, botões, outra coleção e um tanto de coisinhas para não ser pega de surpresa próxima semana.

Hora da tarefa escolar: choro e ranger de dentes

"Mãe, dá um abraço?"

"Ow, mãe, peraí..."
"Mamãe, preciso de um copo d'água"
"Não, agora não! Deixa eu brincar?"
"Dá um beijo?"
"Ah, mãe, de novo?"
"Por favor, mãe, não quero fazer a falefa [é assim mesmo que ela pronuncia tarefa]!"
"Quero ficar sozinha!"

Tudo isso faz parte do repertório de uma menininha de três anos na hora de fazer a tarefa. É a parte estressante do dia. Você acordou às 05h30, deu conta de tudo em casa, foi pro trabalho e despachou filho pra escola, cumpriu expediente por oito horas e à noite tem essa diversão.

Poderia mesmo ser uma diversão, uma hora em que a gente senta com eles para, rapidamente, conferir como anda a evolução na escola, o desenvolvimento, as novas descobertas nesse mundão de meu Deus. 

Mas ao primeiro "Ah, mãe, não quero!" você percebe que sua tentativa de proporcionar uma noite mais agradável se foi. E é birra de um lado, choro pra outro, lápis sendo jogado no chão e sua paciência sendo espezinhada. 

Aí você pensa que precisa criar um mantra pra essas horas ou apelar pros céus. Há algum santo específico, um cuidador dos deveres de casa impossíveis? Eu tenho pra mim que há de ter no meio de tantos um a quem a gente possa se apegar. Há de ter alguma alternativa senão arrancar os cabelos, gritar e esbravejar que a tarefa precisa ser feita.

Como eu ainda sou nova nesse ramo, vou insistindo com as armas de que disponho: paciência. Certo que nem sempre a gente consegue mantê-la integralmente. Sempre se esvai um pouco entre uma questão e outra. 

Já deixei de castigo, já cortei jogo no tablet, desenho na TV, brincadeira na casa da vovó. E você aí pensa que qualquer desses apelos faz diferença na larga experiência de birras da minha pequena rebelde? Santa inocência essa sua.

Inocente sou eu em pensar que um "Nina, ou faz a tarefa ou não vê mais desenho nenhum hoje" pode superar um "Eu não, quero não".

Só percebo que "venci" a batalha quando, depois de dar um tempo para que ela se desestresse volto a insistir e ela acaba fazendo a bendita questão.

O direito de registrar um filho

A efetivação do direito que só agora (as mães) temos de registrar nossos próprios filhos é prova de uma ineficiência rudimentar. As leis não acompanham os passos da sociedade, não acompanham as necessidades do cidadão. A Constituição não previa que pais pudessem rejeitar seus filhos.

Antes tarde do que nunca, a lei, de número 13.112/2015, foi sancionada e, a partir do dia 31/03, todas as mães podem efetuar os registros dos filhos que geraram, sem a necessidade de ter uma figura masculina, no prazo de 15 dias após o nascimento.

Impressiono-me o quanto as leis engatinham enquanto a sociedade evolui. Envergonha-me a quantidade de situações que passamos na maternidade e não temos amparo legal ou somos amparados por leis que não funcionam, sem efetiva participação nas vidas de mães e pais.

Um exemplo que está no cotidiano dos pais é lei da da lista do material escolar, que proíbe a cobrança de material de uso coletivo como pincel para quadro, papel higiênico e outros itens. 

Você se deparou com algum item desse na lista do seu filho esse ano? Muitas escolas já se adequaram, mas há quem persista na infração. Isso porque a fiscalização é quase inexistente. 

E há ainda medidas que deveriam ser tomadas, com ou sem a existência de lei no Estado. É o caso da venda de comida calórica, refrigerantes e balinhas nas cantinas das escolas. Um projeto de lei tramita no Congresso, mas muitos estados brasileiros já possuem suas leis próprias. 

No Piauí, algumas escolas já implementaram planos de nutrição saudável e, por elas mesmas, introduzem essas noções básicas de alimentação no lanche da escola. Porém, outras continuam oferecendo coxinhas, bombas e refrigerantes aos alunos todos os dias. 

Assim como as famílias, as escolas também precisam se adequar à realidade, ao que está acontecendo no mundo. Não há mais como aceitar a permanência de certas atitudes num Brasil que viu crescer em 1.000% a obesidade e o sobrepeso entre suas crianças em 40 anos. 

O fim do xixi na cama

Depois de alguns xixis na cama, Nina finalmente está controlando bem e já consegue passar a noite toda sequinha, sem surpresas. 

Acho que esse foi mais um processo que passamos tranquilamente, sem traumas, e isso deve ter ajudado bastante no desfralde. Não tivemos ansiedade e ela mesma conduziu tudo.

Quando percebeu que a fralda estava incomodando, ela pediu para ficar pelada. Assim, passava mais tempo de calcinha ou pelada mesmo do que de fralda. Uma semana depois, não tinha mais fralda nem por baixo do pijama. Daí até os xixis pararem de vez foi o tempo de um mês. 

Esse desapego em relação à fralda varia de criança para criança. É o tempo de maturidade do organismo deles quem vai dizer quando os colchões vão ficar sempre secos. Não adianta a gente encanar muito com isso.

Mas existem umas diquinhas, básicas, de diminuir a quantidade de água ingerida à noite, criar o hábito de levar a criança sempre para fazer o xixi antes de ir para a cama. Se tiver fazendo frio, vista Mas caso aconteça no meio do sono, troque a roupa dele de forma tranquila e converse com ele, dizendo que é normal. 

É o que insisto: não devemos tratar a coisa com mais seriedade do que merece. Claro que os casos que durarem muito tempo devem ser observados e conversados com o pediatra. Mas xixi na cama é mais que normal. Vamos deixá-los tranquilos para terem o tempo necessário de amadurecimento.

As gripes e as surpresas do primeiro mês de aula

Exatamente quando completou um mês de aula, Nina gripou. Vamos passar por muitas dessas ainda esse ano. Não há escapatória. É reforçar o suco de laranja e acerola, fazer uma reserva de vitamina C e ser vigilante, sempre vigilante.

Bom, mas o que mais me deixou intrigada e feliz, enormemente feliz, foi o fato dela estar escrevendo o próprio nome. Como eles aprendem rápido! Como eles se desenvolvem com facilidade! Isso está me fascinando!

Há duas semanas, eles foram apresentados à letra A. Quando chegou da escola, Nina foi logo dizendo: "Mamãe, é sobe, desce e cortou". Assim escreveu o primeiro A. Depois aperfeiçoou e deixou o A legível.

Essa semana, por conta da gripe, ela teve que faltar por dois dias. Perdeu preciosos dias de aula. Quando vieram três tarefas acumuladas, tivemos a surpresa: ela estava escrevendo! Lindamente!

No dia seguinte, mais uma vez a tarefinha pedia para escrever o nome. E lá fomos nós, na nossa aventura, mamãe mostrando como escreve o N, o I, o outro N e o A. Depois ela repetiu, fazendo a gente se encher de orgulho.

A cada letra do alfabeto, a cada expressão que ela fala em inglês, a cada musiquinha nova aprendida, a gente se emociona e vê o quanto vale o esforço de se desdobrar para ver tudo isso acontecendo.

Esforço de pai e mãe tem uma recompensa sem medida. Já estou imaginando a festinha de fim de ano, receber o resultado de todo esse esforço em um port folio lindo, cheio de cor e aprendizado.

Yes! We have rotina! Isso é bom?

Há quem dê valor ao ato de programar o corpo para desenvolver as mesmas tarefas todo dia. A rotina é até necessária. No caso de crianças, é indispensável! 

Essa semana tudo parece, finalmente, entrar nos eixos. Nina acordando cedo e fazendo tudo certinho para sair no horário e chegar na escola a tempo da aula começar.

Também consegui me estabelecer dentro dessa nova rotina, montada para que tudo ocorra bem ao longo do dia, sem atropelos entre dar conta de dois empregos, da casa, do marido e dos cuidados com ela.

Mas confesso que, ainda na quarta-feira, desejei loucamente que o final de semana chegasse. Desânimo total! O mantra que vem me acompanhando é "estou cansada". 

A verdade é que nesse exercício de estabeler a tal rotina venho fazendo de tudo para manter a minha fama de durona. Mas dar conta sozinha não é fácil! Todas nós sabemos disso. Mas vai explicar para o meu eu "mulher maravilha"? 

É como se fosse, a cada dia, uma tentativa incansável de superação. É uma loucura para ver a casa arrumada, Nina sempre cheirosinha, a roupa lavada e passada, a comida com aquele temperinho gostoso. 

Mas a verdade é que dá vontade de servir pizza no almoço, às vezes. E dá vontade de passar uma semana sem limpar a casa. E na bendita quarta-feira reunir um grupo de amigas e sair para tomar uma cerveja, só para desabafar as frustrações.

Por isso não vou usar a fantasia de "mulher maravilha" nesse Carnaval. Não mesmo! 

O meu exercício, daqui pra frente, vai ser me desapegar dessa ideia fixa de perfeição. Se não me cobrar tanto e não levar as coisas tão a sério, quem sabe consigo perceber que há mais graça nessa história de ter uma rotina. Afinal, ela não precisa ser opressora. 

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