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Mãe do menino Caio escreve carta à mãe que perdeu bebê na gestação


Lara Rodrigues e o filho Caio (foto: arquivo pessoal)

Sem direito ao luto, muitas mulheres que tiveram perda gestacional sofrem com o não reconhecimento dessa dor. Além de viverem a dor de perder um filho durante a gestação, elas precisam superar a ausência de carinho e do cuidado da sociedade com essa despedida. Para elas, uma mulher sempre está preparada para gerar a vida em seu ventre; nunca a morte.  

Para o Especial Dia Das Mães 2017, o Cidadeverde.com recebeu as cartas das mamães Lara Rodrigues e Viviane Bandeira. Elas defendem: toda Mãe é Mãe dentro de cada individualidade e maternidade. E, não há no mundo dor maior que perder um filho, antes ou depois de segurá-los nos braços. 

Duas cartas. Duas mães. Três estrelinhas. Lara e Viviane trocaram cartas contando um pouco da história, das dores e das perdas gestacionais.  

Lara Rodrigues é mamãe de dois anjinhos e do Leozinho (foto ao lado). Um dos anjinhos é Caio. O Piauí acompanhou a sua trajetória contra a leucemia. Ela, que também sofreu uma perda gestacional, escreveu uma carta a Viviane, que após a primeira gravidez, sofreu um aborto espontâneo.  A tão sonhada segunda gravidez de Lara e Viviane às fizeram mães de duas estrelinhas. 

 

Viviane acompanhou pelo noticiário e pelas redes sociais toda a história de Lara na luta pela cura do filho, Caio.

Em sua carta, Viviane agradece e diz "sentir o amor em cada linha" e que "todas as mães são iguais, mesmo sendo diferentes. A dor de uma mãe é a dor de todas as mães. O amor também". 

Sobre a perda do segundo bebê, que carinhosamente chama de Maria Lucas, Viviane fala sobre imaginar os cabelos, os olhos e sentir o cheirinho das mãos. Hoje, Viviane tem duas filhas, Laura e Luísa (foto ao lado). Viviane e o marido fizeram a mesma tatuagem em amor a Maria Lucas. 

"Eu poderia pensar que esse será o terceiro Dia das Mães sem a minha estrela Maria Lucas. Mas não. Hoje eu sei que não perdi um filho. Estaremos sempre ligados e eu sempre o verei ao voltar os olhos para o céu. Ele é aquela estrela que me sorri, que pisca para mim, todas as noites. E eu sigo sendo mãe de três"

 

"Desejo que toda a dor que possa haver em nossos corações seja substituída pela energia do amor que sentimos pelos nossos filhos. Desejo que esse amor nos humanize e nos torne mais próximas umas das outras. E que em todo e qualquer momento uma mãe tenha sempre outra mãe para abraçá-la, entendê-la, acalentá-la, ajudá-la e amá-la" (Viviane Bandeira). 

 

Carlienne Carpaso
carliene@cidadeverde.com

Em Teresina, doulas já trouxeram mais de 200 bebês ao mundo

Maria Romero e Graciane Sousa
redacao@cidadeverde.com


Doulas Naira e Márcia

Em dois anos e meio como doulas em Teresina, Márcia Silva e Naira Cibele participaram de cerca de 100 partos cada uma. Quase 200 bebês nasceram sob os cuidados das duas profissionais, que hoje possuem entrada livre em maternidades privadas e casas de parto da Capital por meio da lei 4935/2016. A atuação das doulas, ao contrário do que muitos pensam, não se assemelha ao de uma "parteira", mas visa garantir conforto e acolhimento às grandes protagonistas no momento do parto natural humanizado: as mães. 

Para ser doula, a mulher pode realizar um curso cuja carga horária varia de 80 a 120 horas e não está apta a realizar intervenções famacológicas. 

Naira explica:

"A doula não faz toque, não escuta os batimentos cardíacos do bebê e não tira pressão, isso é função da enfermeira obstetra ou do médico obstetra. A doula usa massagens, posicionamento, banho quente, palavras de conforto, trabalha mentalmente aquela gestante e deixa o ambiente preparado para aquela mulher se sentir confortável, confiante e acolhida". 

Doula faz massagem para alívio das dores

Márcia, com suas massagens, aromaterapia com sálvia e lavanda francesa, as compressas de água quente e o posicionamento sobre a conhecida bola de Pilates, tornou-se conhecida entre as mães de Teresina como a "doula das mãos de fada". 

"Você não tem ideia de como isso alivia a dor", confidencia a advogada Marisol Andrade entre uma contração e outra, exibindo para nossa equipe a compressa morna com seu aroma floral suave. A compressa fica sobre o ventre da mãe, durante o momento em que sente dor.

Foi pensando na saúde dela e do filho que Marisol optou pelo parto humanizado e foi aí que a advogada contratou uma equipe para assisti-la. Assim, surgiram na vida da então futura mamãe, Márcia e mais duas profissionais (sendo uma médica e uma enfermeira obstetras) que passaram a acompanhar sua gestação a partir do 5º mês.

Marisol no 9º mês de gestação

"Me senti bastante segura durante toda a gestação pois sabia que tinha uma equipe à minha disposição.  A ginecologista (obstetra), enfermeira (obstetra) cuidaram da parte técnica, da minha saúde e do meu filho. Já a doula deu suporte psicológico para mim, meu esposo e demais familiares, olhava pra gente com outros olhos. A médica, por exemplo, escutava o meu coração e do bebê. Já a doula fazia o alívio da dor de forma não farmacológica, mas por meio de massagens, além de me ajudar a não desistir. Com elas, a minha única a ansiedade era por querer ver o bebê, pois a gente passa a gestação inteira querendo saber qual o dia que ele vai nascer", relembra a mãe.

A advogada pretendia ter um parto normal, mas teve que respeitar a vontade do bebê que veio ao mundo por meio de uma cesariana, o que não causou frustração à nova mãe. Marisol optou por sentir todas as contrações e e só foi para a mesa de cirurgia após indicação médica. 

Matheus veio ao mundo no dia 02 de maio

 

Ela estava com 40 semanas e três dias e após mais 29 horas em trabalho de parto deu à luz Matheus, que nasceu no dia 02 de maio. 

"A preparação para o parto normal foi o diferencial para a minha rápida recuperação da cirurgia. Apesar de não ter conseguido finalizar o parto de forma natural, meu propósito foi alcançado: o Matheus nasceu quando quis. Passei por todas as etapas do parto normal e isso fez muito bem pra saúde do meu filho, que foi capaz de mamar já na primeira hora de vida, não teve nenhuma complicação, não necessitou de observação ou oxigênio e permaneceu ao meu lado desde o momento que saiu da minha barriga", diz empolgada a advogada. 

Além dos benefícios para o bebê, ela conta que o parto humanizado fez muito bem também para ela. 

"A minha recuperação está sendo excelente. Para se ter uma ideia, com menos de dez dias após o parto, já estava com o mesmo peso de antes de engravidar", disse.

A mulher tem que ser respeitada

Contudo, a escolha pelo parto normal e humanizado não foi tão fácil por alguns fatores como pressão de familiares e a dificuldade em encontrar médicos em Teresina que realizassem o procedimento.

"Antes mesmo de engravidar, sempre quis ter parto normal. Só começamos a entender com  o tempo, o que era o parto humanizado, pois a primeira coisa que vem à cabeça é que é um parto em casa, na água, e não é isso. O parto humanizado é aquele que respeita o corpo e a vontade da mãe. Nele não há violência obstétrica ou procedimentos desnecessários. O médico pergunta antes de fazer qualquer tipo de procedimento", disse a mãe do pequeno Matheus. 

O pai de Matheus, Vinícius Andrade, também advogado, conta que decidiu acompanhar a decisão da esposa. "Eu desde o início quis acompanhar a decisão decisão, fazendo de tudo para que ocorresse tudo bem", declarou.

Após descobrir a gravidez, Marisol passou por três obstetras até encontrar um que pudesse assisti-la através do parto normal. Para a Organização Mundial da Saúde (OMS), a taxa ideal de cesáreas é de 10% a 15% dos partos em um país, o que na prática é bem diferente. 

"É muito difícil encontrar um médico que queira assistir e acompanhar o parto. Se a gente for parar pra pensar, eles são muito mal remunerados para fazer um parto normal, pois ela ganham o mesmo valor para fazer uma cesárea. No parto normal, o médico tem que se dedicar pelo menos 12 horas do dia dele. Enquanto que ele consegue fazer de cinco a seis cesáreas por dia. Ele só consegue fazer um parto por dia. Então, acredito que essa dificuldade venha dessa questão financeira", diz Marisol que cita ainda fatores tido como 'culturais'.

"A sociedade impõe que a mulher tenha cesariana. As pessoas perguntam: como você vai ter um bebê sem saber o dia que ele vai nascer? sem montar o quarto da maternidade para receber as visitas? Isso não existe. Em Teresina, ter um parto cesárea virou cultural. Você vê aqueles quartos de maternidade que parecem o aniversário da criança", critica a advogada.

As doulas e o empoderamento feminino

E apesar dos muitos mitos que cercam o trabalho das doulas e o que seria o parto humanizado, Márcia e Naira destacam que a procura pelos serviços tem aumentado significativamente a cada ano em Teresina. 

"A procura tem aumentado sim, porque a humanização do atendimento tem sido um movimento internacional. Além do mais, as pessoas acham que o parto natural é algo para quem tem muito dinheiro, e não é", destaca Márcia. 

Marisol diz que o custo benefício do acompanhamento vale o que é pago. Hoje, em Teresina, ter o acompanhamento de uma equipe para o parto assistido - com doula, enfermeira e médico obstetra - custa cerca de R$ 7 mil. Os custos hospitalares não estão incluídos, caso a gestante opte por um estabelecimento privado, mas a equipe pode atender a mulher em um Centro de Parto Natural público. Teresina hoje possui dois: na maternidade Dona Evangelina Rosa e na do bairro Buenos Aires.

Pensando na importância desse trabalho junto às mulheres, Márcia e Naira criaram a Casa Mães de Gaia, local voltado para o empoderamento, suporte e acolhimento de homens e mulheres para o parto.

"Mesmo as mulheres não gestantes podem se beneficiar desse tipo de acompanhamento, porque temos massagens, terapias para autocuidado, rodas de conversa, tudo voltando para o feminino, para cuidar da mulher em todos os seus ciclos de vida com foco na cura pela natureza", explica Naira.

Mães meditam com filhos e garantem que prática melhora a personalidade das crianças

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Paz espiritual, bem-estar, diminuição ou fim de dores corporais e do estresse, harmonia familiar, redução da ansiedade ...Os benefícios na vida de quem pratica a meditação são inúmeros e, conscientes destas benfeitorias, mães estão, cada vez mais cedo, meditando acompanhadas dos seus filhos. 

Meditar consiste na ação de pensar com grande concentração de espírito. Quem pratica o ato com seus filhos garante que os momentos de meditação refletem positivamente na formação da personalidade das crianças. A professora e advogada Zenilda Rocha, 43, é mãe da Gabriela, de 5 anos. Ela conta que desde a gestação da menina pratica a yoga - a meditação mais consciente. 

A mãe acredita que a meditação foi fundamental até para o sucesso da gestação. Ela relembra que teve sucessivos abortos prematuros de bebês e que nestas gestações não meditava. 

"Eu precisei muito da meditação para aguentar. Além do acompanhamento do obstetra tive todos os benefícios da terapia natural. Quando fazia meditação, sentia um bem-estar, as dores da coluna aliviavam, parecia que não tinha nada, paz, confiança de que a gravidez iria mesmo chegar ao nono mês.  A Gabriela foi uma benção  que eu atribuo muito às terapias naturais", conta Zenilda. 

Gabriela e Zenilda 

Desde que Gabriela nasceu Zenilda faz meditação com a filha. Antes de dormir, elas ouvem um mantra, que é uma música, frase ou repetição que ajuda quem medita a centralizar a energia, e meditam antes da criança adormecer. Segundo a mãe, anos de prática de meditação resultaram na formação da boa índole da sua filha. 

"Agradecemos ao dia, por tudo, pelo alimento, pela vida. A meditação fez com que a Gabriela se tornasse calma , tranquila, serena, focada, humana, solidária, fraterna. A meditação agrega vários comportamentos que trazem enorme benefício para a vida da gente", assegura Zenilda. 

A psicóloga e professora universitária Gina Quirino, 37, reforça o conjunto das mães que vivenciam a meditação no desenvolvimento emocional e comportamental de seus filhos. Mãe da Rafaela, de 5 anos, Gina diz que, de forma espontânea, a filha começou a acompanhá-la na prática há quase um ano. 

"Ela repetia, fazia posições. Ela via eu fazer e começou a fazer também. A meditação é uma maneira de eu ter outra convivência com ela", disse Gina. 

No caminho de volta da escola da filha para casa, Gina coloca um mantra para tocar no som do carro e, a partir daí, inicia um processo de desaceleração da mãe e da criança. 

"É preciso que as pessoas parem, respirem, tenham contato consigo mesmas. A meditação fez com que a Rafaela se tornasse uma criança que escuta mais, uma criança antenada, com vocabulário extenso, com musicalidade muito boa,muito ativa, mas também muito tranquila, dorme no mesmo horário. Grande parte dessas características dela eu atribuo à meditação", conta Gina. 

Inverso

Diferente de Zenilda e Gina, foi o filho da advogada Rosangela Santana, 48 anos, quem lhe apresentou a meditação. Há seis anos o estudante de 18 anos, Giordanno Mazza, começou a meditar no intuito de diminuir crises de ansiedade e déficit de atenção. A mãe percebeu a prática do filho e também se tornou adepta do método de concentração. 

Além de meditar, os dois praticam da terapia japonesa Reiki, que é um sistema natural de harmonização e reposição energética que mantém ou recupera a saúde. 

"Os filhos ensinam muito a gente. Lá em casa tenho dois filhos adolescentes e se não fosse a meditação nem sei como seria. A meditação é a melhor forma de se comunicar com Deus e desde que começamos a praticar melhoramos nossa ansiedade, melhorou nosso relacionamento em casa. No momento em que você medita, você para e olha para dentro de si e se entende", explica Rosangela. 

O filho de Rosangela, Giordanno, tenta neste ano vestibular para medicina e conta que usa os métodos de meditação para estudar. Ele conta que sua concentração, humor e estresse melhoraram depois que começou a meditar e praticar o Reiki. 

"Meditar é o momento em que você está ponderando consigo mesmo. É importante pensar como o meu eu reflete nesse mundo", reflete Giordanno.

 

 

Mãe tranquila, filho tranquilo

A terapeuta transpessoal e holística, Tarsila Macêdo, reforça a tese de que a meditação melhora a personalidade das crianças e que, grávidas que meditam durante a gestação, tendem a terem filhos mais tranquilos. 

Tarsila cita uma pesquisa do professor e psicoterapeuta Ribamar Tourinho que aponta que emoções sentidas pela grávidas interferem nos seus filhos. 

"Até os 5 anos de idade a mãe e o bebê possuem somente  um único campo espiritual para os dois. Se a mãe está bem, o filho também está. Até os cinco anos as crianças são os pais", explica a terapeuta. 

A meditação contribui para uma gravidez tranquila e psicoterapeuta ressalta que qualquer pessoa pode meditar. Antes do início da prática é recomendável um momento de alongamento e flexibilização do corpo. 

"A meditação a busca  da consciência do aqui agora",  explica Tarsila. 


Izabella Pimentel (especial para o cidadeverde.com)
redacao@cidadeverde.com 

‘Mães de Anjo’ ganham ensaio de presente e fotos emocionam

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Hérlon Moraes
herlonmoraes@cidadeverde.com

Aquela tradicional frase de que "quando nasce um bebê, nasce uma mãe" está sendo desmistificada por um grupo de mães em Teresina.  Elas têm em comum a dor de perder os filhos ainda durante a gestação ou até um ano de vida. Para essas mulheres, a maternidade nasce quando descobrem que estão grávidas e passam a amar seus bebês ainda no ventre. Para ajudar na difícil missão de superar o trauma, elas viram no aplicativo WhatsApp a oportunidade de falar abertamente sobre o tema e lutar para serem reconhecidas como mães. 

Um grande passo foi dado neste sábado (13). As "Mães de Anjo", como são conhecidas, foram presenteadas com um ensaio fotográfico emocionante. Sensibilizada com as histórias, a fotógrafa Cybelle Soares resolveu levar todas para um estúdio e imortalizar as lembranças deixadas.

Lucélia é uma dessas mães. Ela engravidou em 2013 e quando estava no 6º mês de gestação de Ana Luiza, descobriu uma pré-eclâmpsia. No mês seguinte recebeu o triste diagnóstico de que o coração do bebê não mais batia e que o parto precisava ser realizado. "Ela nasceu em silêncio como a gente chama", lembra.

Após passar um ano sofrendo sozinha, Lucélia resolveu buscar contato com outras mães que passaram pelo mesmo problema. A rede social foi o primeiro ponto de pesquisa. "Após o parto eu me sentia muito sozinha. Quando existe uma perda gestacional as pessoas tendem a fazer tipo um pacto de silêncio, de não falar da criança. Enquanto ela estava na minha barriga era a Ana Luiza, depois, quando ela foi para o céu, me deu esse reconhecimento que a minha filha existiu. Foi quando surgiu a necessidade de falar sobre ela, mas ninguém entendia. Entrei em um grupo fechado no Facebook chamado Mães de Anjo. Lá eu publiquei que era de Teresina e que queria contato com mães de Teresina para criar um grupo no WhatsApp. Foram várias mensagens que recebi", lembra.

A intenção é manter a memória de nossos filhos, já que eles existiram”, afirma Lucélia.

O grupo, batizado de Reviver, se formou em 2015 e conta hoje com 25 mães. Em pouco tempo os encontros deixaram de ser virtuais e os assuntos passaram a ser discutidos presencialmente, inclusive com a participação de psicólogos. “A gente faz encontros mensais. Eu sempre levo uma psicóloga para conversar com a gente. Discutimos vários temas. O grupo ajuda a mãe se recuperar dessa perda desastrosa”, afirma Lucélia.

De acordo com a idealizadora, a ideia do grupo foi mostrar para a sociedade que elas também são mães. “O luto gestacional é considerado um dos piores lutos, pois é um luto daquilo que você não viveu. É a frustação da perda que você não viveu. O objetivo do grupo é que nós não somos consideradas mães para a sociedade. Ninguém deseja feliz Dia das Mães, já que não vê a matéria. Como se mãe só fosse aquilo que é matéria. A intenção é manter a memória de nossos filhos, já que eles existiram”, afirma.

Memórias que agora ganham cores e imagens através das lentes da fotógrafa Cybelle Soares. “O ensaio foi para chamar atenção. A Cybelle Soares foi muito sensível em entender que nós somos mães.  Ela foi uma pessoa que aceitou e buscou através das lentes mostrar o tipo de mãe que somos. Foi um gesto muito caridoso. Ao terminar as fotos, ela nos disse que foi um dos ensaios mais emocionantes de sua carreira”, ressalta Lucélia.

Além de trabalhar o processo de recuperação da mãe, o grupo encoraja todas elas a terem uma segunda gestação. “90% das mães do grupo estavam na primeira gestação. Estamos no processo de ajudar na 2ª gestação. O grupo ajuda a mãe a ter uma nova gestação, pois existe o medo de passar por aquilo de novo”, concluiu.

Pedaço de mim: mães aprendem a viver após suicídio dos filhos e dão mensagem especial


Leidinalva Soares abraça o jaleco da filha Jordana, que estudava  Enfermagem na UFPI ( foto: arquivo pessoal). 

Amor de mãe é incondicional. Eterno. Os filhos nunca se vão; eles ficam no cheiro, pelos cantos da casa, nos lugares visitados, nos sonhos, na memória e em cada sorriso ou lágrima. Eles permanecem presente em tudo que já viveu e no que deixou por viver em sociedade. 

Valdete Silva e Leidinalva Soares. Duas mães que não se conhecem, mas que vivem o luto e a dor – em todas as suas particularidades - de perderem os seus filhos em um ato de suicídio.  Elas precisaram enfrentar o sentimento de culpa, a angústia e convivem com a saudade dos filhos Edvaldo Silva e Jordana Soares.

Neste domingo, Dia das Mães, elas têm um recado especial para outras mães que vivem a mesma saudade, para a sociedade que precisa trazer o assunto (suicídio e depressão) para o campo da discussão e às pessoas que – por algum momento – pensaram em tirar a própria vida.  


“Olá, eu sou Valdete Maria da Silva, pedagoga, 42 anos. Meu filho se chama Edvaldo José Silva Fontinele, tinha 20 anos e cursava Arquitetura. O ocorrido foi dia 7/04/2015. Hoje moro com minhas duas filhas (Catarina e Clarice). É difícil ainda definir quem é Valdete hoje, mas posso dizer que hoje sou uma pessoa mais serena, que entendeu a brevidade da vida”.       

Luto, ausência e rotina. 
A esperança do reencontro.

Valdete contou ao Cidadeverde.com que poucas são as lembranças até dois dias após o sepultamento do filho e que a rotina era apenas um dia após o outro, uma sensação que estava em outro plano, até tomar consciência de que tudo de fato ocorreu: não há mais mensagens no celular, as piadas, o som dos sorrisos fartos, a comida que sobra na panela e as louças não amanhecem mais sujas dos lanches preparados nas altas horas da noite. 

 “Se eu o encontra-se hoje diria a ele o que sempre disse: Eu Te Amo. Eu ia ver aquele sorriso largo e ouvir a resposta: ‘eu também, velha gostosa’. E se me sobrasse tempo diria ainda: ‘me perdoe se eu não soube ser a mãe que você precisava’”, diz Valdete, acrescentando que a saudade passa a ser a definição de muitas mães que viram os seus filhos partir.

“Entendo que a dor está muito ligada à culpa. Eu não sinto culpa. O amor da mãe é tão incondicional que não existe o dolo em suas ações ou omissões, somos humanas passíveis de acertos e falhas. Filho não vem com manual de instrução, a relação é consolidada nos erros e acertos. Nós mães devemos lembrar que somos supermães, mas não temos superpoderes que tudo sabe, que tudo vê e tudo pressente e que na adolescência eles se relacionam bem melhor com amigos do que com os pais (e isso é natural, faz parte da formação deles). Precisamos saber também que, apesar de nossos filhos nascerem de nossas entranhas, eles são outro indivíduo,  com personalidade própria,  com pensamentos próprios, com vontades próprias. Não temos o poder de controle desse indivíduo que saiu de nós”

  Valdete Silva                    

 

Uma saudade que se vive todos os dias. 
O Amor que fortalece.

Lembrando-se da frase de Cecília Meireles (ao lado), Leidinalva recorda da filha Jordana, que tinha 21 anos e era estudante de Enfermagem: “Que seu perfume, Jordana, se irradie por todos os dias da minha vida. Difícil pensar a vida sem ela. Sempre via muito de mim nela, só que, na verdade, ela era eu mesma, melhorada”. 

A mãe, que buscou forças na religião e no acompanhamento psicológico, recorda dos conselhos de Santa Teresinha: “'Quando tem menos de nós, há mais de Deus’. Peço que o sofrimento de Jordana, que a fez sair da vida terrena, possa ter sido aliviado por Deus. Só o Amor pode nos socorrer de nossas misérias, e é este Amor que nos unirá para sempre, até o meu último suspiro, para o nosso encontro eterno"

Leidinalva, professora e também mãe de dois rapazes (João Victor e Lauro Vinicíus), comenta que diante da incompreensão dos fatos e da busca incessante das respostas que não se respondem, "só resta o esforço para encontrar um novo sentido para a vida". Dentre elas, ajudar outras famílias a entender e combater os sintomas da depressão, fazendo com que outros jovens não se percam nessa doença.

“A morte da minha filha Jordana foi a própria notícia gritando ao mundo que agira daquela forma não para socorrer a sua dor, pois já não valia mais a pena, mas propor – quem sabe – que aquela tragédia era o reconhecimento de nossa incompletude, de nossa condição humana falha, dos nossos limites. Poucas haviam sido, às vezes, em sua vida, que Jordana demostrava vestígios de suas limitações e, muito menos, qualquer possibilidade de destruir seu futuro", conta a mãe.  

 

 

Palestra pela vida
 
Dia 17 de maio de 2017 completa um ano que Jordana faleceu. Na busca por ajudar outras famílias, principalmente adolescentes, a família da jovem está organizando uma palestra para discutir os sinais da depressão e o suicídio. A atividade, que iria ocorrer na próxima quarta-feira (17), foi adiada para junho deste ano. O local e a data serão divulgados. O evento será aberto ao público.

 Paciência para ter respostas
 
Às pessoas que estão em um momento de fragilidade, um conselho de mãe: "tenha paciência, faça sua parte, procure por ajuda. Perder a vida é muito forte e não vale a pena; a dor e o trauma é muito grande para quem fica. A vida é muito boa, foi dada por Deus e sempre devemos buscar respostas para nossos conflitos seja na religião, na arte, com apoio psicológico, com os amigos, na família ou na busca por um ideal. Busque respostas, o que não pode é ficar isolada em si", pede Leidinalva.  

 

Carlienne Carpaso
carliene@cidadeverde.com

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