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‘Mães de Anjo’ ganham ensaio de presente e fotos emocionam

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Hérlon Moraes
herlonmoraes@cidadeverde.com

Aquela tradicional frase de que "quando nasce um bebê, nasce uma mãe" está sendo desmistificada por um grupo de mães em Teresina.  Elas têm em comum a dor de perder os filhos ainda durante a gestação ou até um ano de vida. Para essas mulheres, a maternidade nasce quando descobrem que estão grávidas e passam a amar seus bebês ainda no ventre. Para ajudar na difícil missão de superar o trauma, elas viram no aplicativo WhatsApp a oportunidade de falar abertamente sobre o tema e lutar para serem reconhecidas como mães. 

Um grande passo foi dado neste sábado (13). As "Mães de Anjo", como são conhecidas, foram presenteadas com um ensaio fotográfico emocionante. Sensibilizada com as histórias, a fotógrafa Cybelle Soares resolveu levar todas para um estúdio e imortalizar as lembranças deixadas.

Lucélia é uma dessas mães. Ela engravidou em 2013 e quando estava no 6º mês de gestação de Ana Luiza, descobriu uma pré-eclâmpsia. No mês seguinte recebeu o triste diagnóstico de que o coração do bebê não mais batia e que o parto precisava ser realizado. "Ela nasceu em silêncio como a gente chama", lembra.

Após passar um ano sofrendo sozinha, Lucélia resolveu buscar contato com outras mães que passaram pelo mesmo problema. A rede social foi o primeiro ponto de pesquisa. "Após o parto eu me sentia muito sozinha. Quando existe uma perda gestacional as pessoas tendem a fazer tipo um pacto de silêncio, de não falar da criança. Enquanto ela estava na minha barriga era a Ana Luiza, depois, quando ela foi para o céu, me deu esse reconhecimento que a minha filha existiu. Foi quando surgiu a necessidade de falar sobre ela, mas ninguém entendia. Entrei em um grupo fechado no Facebook chamado Mães de Anjo. Lá eu publiquei que era de Teresina e que queria contato com mães de Teresina para criar um grupo no WhatsApp. Foram várias mensagens que recebi", lembra.

A intenção é manter a memória de nossos filhos, já que eles existiram”, afirma Lucélia.

O grupo, batizado de Reviver, se formou em 2015 e conta hoje com 25 mães. Em pouco tempo os encontros deixaram de ser virtuais e os assuntos passaram a ser discutidos presencialmente, inclusive com a participação de psicólogos. “A gente faz encontros mensais. Eu sempre levo uma psicóloga para conversar com a gente. Discutimos vários temas. O grupo ajuda a mãe se recuperar dessa perda desastrosa”, afirma Lucélia.

De acordo com a idealizadora, a ideia do grupo foi mostrar para a sociedade que elas também são mães. “O luto gestacional é considerado um dos piores lutos, pois é um luto daquilo que você não viveu. É a frustação da perda que você não viveu. O objetivo do grupo é que nós não somos consideradas mães para a sociedade. Ninguém deseja feliz Dia das Mães, já que não vê a matéria. Como se mãe só fosse aquilo que é matéria. A intenção é manter a memória de nossos filhos, já que eles existiram”, afirma.

Memórias que agora ganham cores e imagens através das lentes da fotógrafa Cybelle Soares. “O ensaio foi para chamar atenção. A Cybelle Soares foi muito sensível em entender que nós somos mães.  Ela foi uma pessoa que aceitou e buscou através das lentes mostrar o tipo de mãe que somos. Foi um gesto muito caridoso. Ao terminar as fotos, ela nos disse que foi um dos ensaios mais emocionantes de sua carreira”, ressalta Lucélia.

Além de trabalhar o processo de recuperação da mãe, o grupo encoraja todas elas a terem uma segunda gestação. “90% das mães do grupo estavam na primeira gestação. Estamos no processo de ajudar na 2ª gestação. O grupo ajuda a mãe a ter uma nova gestação, pois existe o medo de passar por aquilo de novo”, concluiu.