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MDB mantém a tradição de se dividir nas campanhas


Marcelo Castro: mantendo o discurso de crença na unidade do MDB nas eleições deste ano no Piauí

 

Em duas entrevistas à TV Cidade, o deputado Marcelo Castro, candidato do MDB ao Senado, demonstrou uma enorme confiança na unidade do partido. Acredita que a sigla vai “fechada” para as eleições, votando em peso não apenas no candidato ao Senado como também no petista Wellington Dias, que busca o quarto mandato. Também acredita que Themístocles Filho exercitará sua “tradição” de seguir o partido.

É natural que Marcelo assim se manifeste, porque não ficaria bem admitir que a chapa governista – e ele em particular – possa ficar sem parte dos votos do partido que preside. Mas a declaração, que se alimenta na esperança da palavra virar ação, não corresponde à tal “tradição do partido”. Mais de uma vez o MDB (desde quando era PMDB) se dividiu, uma boa fatia dos partidários virando as costas para a decisão em convenção.

O caso mais notório está na eleição de 2006, quando a convenção decidiu aprovar a candidatura de Mão Santa ao governo do Estado, mas uma boa parte do partido – Marcelo e Themístocles inclusos – apoiou Wellington Dias. Há um outro caso especial, em que a união da sigla se deu precisamente contra o candidato do então PMDB. Foi em 2002: Jônathas Nunes era o nome escolhido pela convenção, mas os peemedebistas cristianizaram o candidato e votaram em Wellington.

Em 2010 não houve defecções relevantes no apoio que o partido deu à candidatura de Wilson Martins. Mas em 2014 muitos candidatos a deputado se fizeram de mortos, esqueceram Zé Filho, o candidato do partido, e outra vez votaram em Wellington. Agora em 2018 a divisão se repete e há possibilidade de uma boa parte dos emedebistas esquecer não apenas o nome de Wellington, mas o do próprio Marcelo.
 

Governo em qualquer governo

Desde a redemocratização, o PMDB/MDB vem se notabilizando por integrar os governos. O mito que perdura é o de que o partido se divide na campanha e se une no governo. Não é bem assim. Mas é certo que a sigla sempre povoa os governos, independente de quem seja. Nacionalmente, faz parte da tropa que garante governabilidade desde o governo Sarney. Mesmo no período Collor havia peemedebistas participando do governo, ainda que em pequena escala.

Em 1994, a maioria esqueceu que o partido tinha um candidato (Orestes Quércia), votou maciçamente em Fernando Henrique e ocupou postos de destaque desde o início da gestão FHC. Em 2002 colocou Rita Camata como vice de José Serra, mas teve muitos dos seus caciques – Sarney à frente – votando em Lula. O MDB já começou a fase petista ocupando cargos.

Seguiu no segundo governo do petista e nos dois de Dilma Rousseff. No caso de Dilma, só abandonou o governo para apoiar Michel Temer e seguir,,, governo!

Candidatos anunciam adesões para transferir confiança


Luciano Nunes: anúncio de adesões como caminho para transmitir confiança na candidatura ao governo

 

Passada a fase que definiu as candidaturas majoritárias que disputam as eleições deste ano, começa o esforço de cada concorrente visando passar uma ideia de viabilidade eleitoral. É quando ganham importância não apenas as pesquisas de opinião como o anúncio de adesões. Até agora, Wellington Dias (PT), candidato a um quarto mandato de governador, tem o trunfo das pesquisas. Mas a oposição é quem vai transformando adesões em motor da campanha.

 O fato que alavancou a série de adesões aos oposicionistas foi a definição da chapa de Wellington: ao optar pela chapa pura – governador e vice, ambos do PT – gerou descontentamento enorme no MDB. Também gerou descontentamento dentro do Progressista, além de empurrar PRB e PTC oficialmente para a oposição. Desde lá, Luciano Nunes (PSDB) anunciou o apoio de diversas lideranças do MDB e PP. E Dr. Pessoa (Solidariedade) anuncia um “ato de adesão” para a próxima quinta-feira, o primeiro dia de campanha. Wellington não quer ficar atrás e anunciou o apoio recebido de Robert Freitas (PSB), ex-prefeito de José de Freitas.

O anúncio de Wellington é uma tentativa de anular a sensação de que tem perdido apoios importantes. Quer, dessa formar, manter a percepção de que está prestes a conquistar mais um mandato. Isso se faz relevante porque as desavenças geradas pela formação de chapa pura quebraram muito tal percepção.

Por outro lado, os adversários de Wellington tentam dar asas à sensação de que pode haver mudança. Para tanto, reforçam o discurso de crítica ao governo, apontando o que qualificam de “falência da administração” estadual. E se esforçam no anúncio de apoios alheios à própria aliança. Tudo para passar a ideia de que está no páreo, que pode vencer.

Como se sabe, o eleitor (nem ninguém) fica confortável em um lado sem perspectivas.
 

À espera da primeira pesquisa

As coligações definem o cenário político das campanhas. Mas o que está sendo aguardado mesmo é a primeira pesquisa que possa tatear a configuração popular dessas candidaturas. Ou dito melhor: quem está caindo nas graças ou desgraças do eleitorado.

Desde o encerramento das convenções, nenhuma sondagem foi divulgada. A partir de agora, as pesquisas serão feitas em cima das candidaturas postas. Sai de cena a especulação, com avaliação do cenário definitivo. Daí, o que aparecer agora vai identificar movimentos, especialmente as tendências impulsionadas pelo sentimento do eleitor.

Os números vão dizer se uma candidatura avança ou não. Revelam se um candidato caiu ou não no gosto do eleitor.

Wellington parte pra campanha com as armas que tem


Wellington e Ciro: esforço para mostrar a unidade política que a composição da chapa majoritária deixou seriamente abalada

 

Em busca de um quarto mandato de governador, Wellington Dias (PT) não esquece os desgarrados do MDB, PRB e também do PP. Se pudesse, gostaria de ter todos em seu palanque. Mas, sem perder tal perspectiva, partiu para o foco principal: entrou na campanha em busca da reeleição, e devidamente enlaçado com seus dois companheiros de chapa, Ciro Nogueira (PP) e Marcelo Castro (MDB).

Wellington quer mostrar a força da campanha, que tem vários trunfos. O primeiro, o de ser governo – que cria a possibilidade de acomodar dezenas, centenas de aliados. O segundo, o de contar com a aliança oficial dos dois partidos que, com o PT, fazem a trinca poderosa da política piauiense. Essa demonstração de força ocorreu na sexta-feira em Floriano. Wellington, Ciro e Marcelo estavam juntos, de mãos dadas.

O candidato à recondução ao Karnak quer mostrar força porque isso faz parte da mensagem política. Ninguém quer ficar do lado do perdedor. Mostrar consistência política é fundamental para reafirmar a confiança que ultimamente ficou abalada, sobretudo depois dos desentendimentos advindos do anúncio da chapa majoritária com uma cabeça de chapa pura, com governador e vice do PT.

A formação da chapa deixou sequelas. Sérias sequelas. O PT perdeu o apoio oficial do PRB e PTC e tem a oposição oficiosa de uma boa parte do MDB e até mesmo do PP. Em defesa da articulação governista há o registro histórico indicando que traições partidárias sempre acontecem, muitas vezes empurradas por desavenças locais.

Mas há de se reconhecer que as desvenças parecem ir além das intrigas locais. Luciano Nunes (PSDB) já recebeu apoios explícitos de gente do MDB e PT, assim como muitos medebistas se aproximam de Dr. Pessoa. Um exemplo dessas perdas é Oeiras: lá, o governador não tem o apoio de nenhum dos dois principais grupos políticos. Os Tapety estarão com Dr. Pessoa. E o grupo de B. Sá e do prefeito José Raimundo se encaminham para Luciano Nunes.

Consciente de tais situações, Wellington faz o que melhor sabe fazer: vai para campo fazer campanha. E leva seus dois companheiros de chapa como uma demonstração da força e de uma união que é mais de fachada que real.
 

MDB 'está fechado' com chapa, diz Marcelo

Candidato ao Senado na chapa governista, Marcelo Castro (MDB) diz que seu partido está unido em torno de Wellington, Ciro e do próprio Marcelo. Quando questionado sobre algumas desavenças explícitas – como Themístocles Filho, Mauro Tapety e João Henrique Souza – Marcelo dá a medida do que significa “fechado”.

Segundo o candidato a senador, nunca um partido vai 100%. Daí, a ideia de “fechado” para ele é o apoio de uns 90% do MDB. A medida do apoio dos emedebistas ao governo tem outros números, se for feita por membros da ala descontente do partido. Ainda assim, Marcelo acredita que será suficiente para garantir a vitória da chapa inteira nas eleições de outubro.

No início da campanha oficial, Dr. Pessoa quer fustigar PP e MDB


Dr. Pessoa, candidato do Solidariedade: ato inaugural da campanha com adesões de lideranlas de partidos governistas
 

Depois de muita confusão pré e pós-convenção, o quadro da disputa eleitoral vai se definindo e o prazo oficial de campanha está aí – começa na quinta-feira. Os candidatos há muito se movimentam como se campanha oficial fosse, mas todos programam uma “largada” que marque a caminhada até o dia 7 de outubro. Pelo menos um candidato quer começar essa nova fase mostrando que está crescendo na seara alheia.

A organização da campanha de Dr. Pessoa (Solidariedade) quer fazer um ato inaugural em Teresina. E com um detalhe: trazendo para esse ato lideranças de outros partidos que vão declarar apoio ao candidato do SD. A ideia é mostrar que a campanha tem corpo, não estando restrita a alguns pequenos partidos.

Alguns enxergam nessa estratégia a mão de estrelas do MDB que ainda não assimilaram (e talvez nem desejem assimilar) o desenho da chapa pura que o governador Wellington Dias (PT) entregou ao partido. Daí, o que se espera é a presença de algumas lideranças do MDB e também de outras siglas, inclusive o PP de Ciro Nogueira.

No caso do PP, o movimento de algumas lideranças não significa diretamente que têm o apoio de Ciro. Na verdade, o PP cresceu muito e em diversas cidades enfrenta a situação de ter outras duas outras forças locais aliadas do governo. A impossibilidade de união no espaço local leva algumas lideranças para outros palanques. É aí onde entra o time de Dr. Pessoa, tentando atrair para o lado do Solidariedade essas pessoas que nãi estão confortáveis no palanque governista.

Seja como for, Dr. Pessoa tenta crescer na adversidade alheia. E quer deixar claro esse crescimento no ato que abre na quinta-feira, oficialmente, a campanha deste ano.
 

Tempo para levantar dados

Só um tema está conseguindo afastar Dr. Pessoa das caminhadas e reuniões: levantamento de dados sobre o Piauí. Ele se cercou de uns quatro ou cinco técnicos. E sai distribuindo tarefas: dados sobre saúde, informações sobre educação, situação da transcerrados, do porto e das BRs de acesso a Teresina.

“Eu quero números”, teria dito a um desse técnicos, conforme revelou o próprio técnico à coluna. A intenção é se preparar com dados atualizados para o que muitos acreditam ser a maior fragilidade do candidato do Solidariedade: os debates.

Resta saber se os técnicos conseguirão tais dados realmente atualizados. E se o candidato vai conseguir mentalizar tanta coisa.

Recorde de assassinatos expõe fracasso da política de segurança


Polícia do Exército no Rio de Janeiro: ação de socorro à crise de segurança no Rio, mas que não deu certo

 

O Fórum Brasileiro de Segurança Pública trouxe à tona a gravíssima realidade da segurança no Brasil. Tivemos em 2017 um recorde de mortes violentas no país. Foram 63.880 assassinatos, 2.283 a mais que os já gritantes 61.597 registrados em 2016. A leitura do número parece óbvia: a política de segurança pública no país é um tremendo fracasso.

Olhando o levantamento referente ao ano passado, o mínimo que se pode dizer é: a política de segurança não está funcionando. Essa política é norteada basicamente por ações repressivas, voltadas para o aprisionamento. E também aí há dificuldades: as polícias são mal aparelhadas, os policiais não têm o treinamento adequado e os sistemas judicial e prisional deixam muito a desejar.

Sobre o sistema judicial, podemos dizer uma de duas coisas: ou as leis são falhas ou a aplicação delas não tem o efeito que deveria. Basta notar o tanto de criminosos presos que apresentam como histórico um rosário de passagens por delegacias e presídios. Esse entre e sai expõe as falhas do sistema. Também é grave a avaliação que se faz sobre o sistema prisional, onde os presídios funcionam como escritório do crime organizado e sala de aula que leva à sofisticação da criminalidade.

A atuação policial também falha, e muito. Basta ver a incapacidade de diálogo entre as polícias. É igualmente reveladora dessa ineficiência a presença comum da droga na vida de nossas cidades. Isso quer dizer, no mínimo, que a ação policial não consegue estancar a ação quase livre do tráfico.

O resultado está nos dados do Fórum: quase 64 mil mortes violentas em apenas um ano, número que supera até mesmo países em guerra civil, como a Síria. Pior é que não aparece nada consistente como perspectiva de solução. Mesmo a criação do SUSP não anima os especialistas, já que foca basicamente na ação policial. Também a intervenção federal no Rio de mostrou-se insatisfatória.

O resumo da história também parece óbvio: é preciso buscar outro tipo de caminho, incluindo aspectos como o educacional e o econômico. Mas a discussão que a campanha eleitoral está possibilitando não considera, pelo menos de forma consiste, a busca de novas alternativas.

Rede Sustentabilidade pode lançar chapa pura, com Irmã Graça

As divergências em torno da indicação do candidato ao Senado na chapa encabeçada pelo senador Elmano Ferrer (Podemos) ameaça ter como desdobramento o lançamento de uma nova chapa para disputar os cargos majoritários. E pode ser uma chapa pura, formada por integrantes do partido Rede Sustentabilidade, a sigla de Marina Silva.

A chapa deve ser encabeçada pela Irmã Graça, e teria como candidato a senador o professor Paulo Henrique Pinheiro. Essa decisão foi desenhada em reunião no início da noite. A discussão é um desdobramento do impasse em torno da candidatura ao Senado: a Rede queria o posto, alegando ter mais representatividade que o AVANTE, o partido de Quem-Quem, o nome escolhido na convenção dos aliados de Elmano.

Nesses últimos dois dias, a discussão buscava, a substituição de Quem-Quem. O Rede reivindicava o lugar. A falta de acordo fez surgir a opção da candidatura do advogado Norberto Campelo, mas ele declinou do convite.

Sem solução, e determinado a apresentar a candidatura de Paulo Henrique, o Rede decidiu partir para a opção “puro sangue”, com candidato ao governo e ao Senado da própria sigla. Além de Paulo Henrique, candidato a senador, teria Irmã Graça, concorrente ao Palácio de Karnak.

Essa ideia de um palanque próprio atende ainda ao interesse de Marina, que deseja ter espaço nos estados para dazer sua campanha à Presidência da Repúbloca. A decisão final sobre a participação do partido nas eleições deste ano no Piauí será anunciada na manhã desta quinta-feira, em entrevista coletiva.

Cresce número de candidaturas femininas


Movimento de deputadas por mais mulheres na política: resposta no crescimento de candidaturas femininas para cargos majoritários

 

Os esforços para garantir maior participação da mulher na política estão conseguindo resultados importantes, pelo menos no primeiro estágio, o do registro de candidaturas. Conforme os dados do TSE, o número de mulheres candidatas cresceu na disputa pelos governos dos estados e nos cargos de vice, seja vice-presidente, seja vice-governadora. Somente na disputa pel presidência houve redução.

A preocupação com a maior presença da mulher na política é óbvia: o eleitorado feminino soma 52% do total de votantes. Maioria absoluta. Mas a participação da mulher em cargos políticos é muito, muito pequena. Basta lembrar 2014, quando o número de congressistas eleitas ficou em torno de 10%.

Na tentativa de mudar esse quadro, muitas mãos de juntaram. A sociedade gritou, o Congresso aprovou cotas para as mulheres (elas devem representar pelo menos 30% das candidaturas proporcionais) e o TSE garantiu que essa cota deveria estar também na divisão dos recursos do fundo Partidário. Além disso, o TSE fez uma intensa campanha pela participação feminina e ainda exigiu que a propaganda partidária fizesse ferência à mulher.

Os números mostram que há resultados, pelo menos nesta primeira fase, a de constituição de candidaturas.

• Presidente: das 13 candidaturas, duas são mulheres. Marina Silva (REDE) e Vera Lúcua (PSTU). Em 2010 também foram duas, e três em 2014.
• Vice-Presidente: são quatro candidatas a vice-presidente, número que deve chegar a cinco, quando Manuela D’Ávila (PCdoB) tornar-se a segunda na chapa encabeçada pelo PT. Em 2010 foram duas e, em 2014, três.
• Governadora: serão 30 mulheres disputando o comando dos estados, contra as 17 de 2010 e as 18 de 2014. Só no Piauí são três (10% do total).
• Vice-governadora: São 67 em um conjunto de 167 concorrentes. Isso representa 37,6% do total, bem acima dos 27,7% (48 postulantes) de 2014 e dos 19,5% (correspondente às 28 concorrentes) de 2010.
 

Partidos fazem cálculo político e econômico

A presença de tantas mulheres em cargos majoritários atende a duas estratégias dos partidos. Primeiro, a estratégia política: todos querem fazer algum tipo de aceno para essa fatia que corresponde a 52% do eleitorado. Ou seja: ter uma mulher na chapa pode significar mais votos.

Mas há também o cálculo econômico. Ter uma mulher na vice, por exemplo, amplia a possibilidade de uso dos recursos partidários, diante da decisão do TSE de que as mulheres têm direito a pelo menos 30% dos recursos do Fundo Partidário. Daí, uma chapa só de homens não pode pleitear um centavo dessa fatia de 30%.

Já uma chapa com mulher, essa sim, pode usar uma parte dessa grana exclusiva.

Disputa presidencial traz chapas com maior coesão ideológica

A disputa presidencial deste ano traz um movimento que é contrário ao verificado nas quatro últimas eleições: as alianças em torno das candidaturas estão mais coesas em termos ideológicos. A constatação deve ser atribuída a uma tendência de agrupação entre aliados realmente mais próximos em termos ideológicos e , também, à alta fragmentação que dificultou alianças.

Das 13 candidaturas postas, cinco saíram sem aliados: são aquelas de uma única sigla, em geral candidaturas relacionadas a um partido com visão programática mais detida e, em certo, sentida, mais estrita. É o caso da Democracia Cristã, com uma visão norteada por valores religiosos. Ou o PTSU, com uma pregação bem à esquerda. Ou ainda o Novo, que está do outro lado do espectro ideológico na defesa de um estado mínimo e da eficácia na gestão.

Mas o que chama mesmo a atenção é que dez das 13 candidaturas são de chapas “puro sangue”, com candidato a presidente e a vice de uma mesma sigla. Isso se dá mesmo no caso de candidatos com aliança, como o MDB de Henrique Meireles: aliado ao PHS, Meireles tem como vice outro emedebista, o gaucho Germano Rigotto.

Cabe uma ressalva para o caso do PT, com chapa pura mas que deve ser alterada nas próximas semanas: há um acordo com o PCdoB para que Manuela D’Ávila assuma a vice no momento em que houver definição sobre a candidatura de Lula. Manuela irá para a vice seja com a confirmação da candidatura Lula, seja ainda com o deslocamento de Fernando Haddad para a cabeça de chapa.

O caso do PT também é ilustrativo da mudança das alianças. A política de ampla composição, colocada em prática a partir de 2002, não se repetiu. Ao contrário, o PT se deslocou para a esquerda, caminho inverso das últimas quatro campanhas.
 

PT e PSDB se fecham em seus campos

Em 2002, o PT se juntou a um partido de direita, o PL de José Alencar. E recebeu o apoio de velhos caciques, como José Sarney e Renan Calheiros. Nas três campanhas seguintes, o partido foi ampliando o leque de aliados: ao mesmo tempo que tinha o PCdoB, atraia grupos como o PMDB e o PP.

Agora, em meio um posicionamento do “nós contra eles”, o PT se estreitou na esquerda. Já o auto-nominado esquerdista Ciro Gomes  (PDT) tentou o guarda chuva do “Centrão”. Não conseguiu. O grupo se refugiou na candidatura de Geraldo Alckmin (PSDB), escolha coerente com um grupo que soma partidos de centro e de direita.

Dessa forma, PT e PSDB se fecham em seus campos, assim como Marina Silva (REDE) se respalda nos políticos vinculados aos movimentos sociais. Já Jair Bolsonaro, estreito no discurso, fica também estreito nas alianças, com o apoio único do PRTB.
 

 Candidatos e alianças partidárias

Tempo de Alckmin na TV será mais do dobro do candidato do PT

Encerradas e convenções e definidas candidaturas e alianças, fica estabelecido um importante componente do jogo eleitoral: o espaço de cada candidato no horário para propaganda eleitoral no rádio e televisão. Levantamento preliminar indica que Geraldo Alckmin (PSDB) deve ter mais de duas vezes e meia o tempo do candidato do PT, o ex-presidente Lula. Jair Bolsonaro (PSL) deve ficar com apenas 9 segundos de tempo.

O tempo de TV é resultado direto das alianças formadas. Cada partido tem direito a um determinado tempo, que está relacionado à representação da sigla no Congresso. É isso que gera a disputa por apoios oficiais dos partidos. É isso, portanto, que vai dar a Alckmin a maior fatia do tempo de rádio e TV, já que o ex-governador de São Paulo conseguiu formar o maior bloco de alianças na corrida pelo Palácio do Planalto.

Alckmin conta com o apoio de dez partidos, que somam 255 deputados, praticamente a metade da Casa. A legislação tenta reduzir a forças dessas alianças gigantes e permite que seja computado o tempo apenas das seis maiores siglas de uma coligação. Feitas as contas, Alckmin terá 5 minutos e 32 segundos nos blocos de propaganda eleitoral, veiculados às terças, quinta e sábado. Também terá direito a mais 12 inserções de 30 segundos por dia.

O segundo maior tempo caberá a Lula (PT) ou seu substituto. O PT teve dificuldade para formar alianças; vai para a campanha com o apoio do PROS, PCO e PCdoB. Deverá ter 2 minutos e 28 segundos, somados os 18 segundos garantidos por Manuela D’Ávila e seu PCdoB. Com essa composição, o candidato petista terá cinco ou seis inserções diárias. O terceiro colocado no tempo de TV é Henrique Meireles. Ele não tem aliados, mas o MDB sozinho garante 1m55s de tempo nos blocos de propaganda, além de 4 inserções diárias.

Ciro Gomes (PDT) terá 40 segundos e três inserções a cada dois dias, mesma situação de Álvaro Dias (podemos). Ruim mesmo é a situação de Marina Silva (Rede) e Jair Bolsonaro (PSL). A ex-ministra terá apenas 21 segundos nos blocos de propaganda e duas inserções a cada três dias. Bolsonaro tem menos tempo ainda: 9 segundos nos blocos e uma inserção a cada tr~es dias. Os dois terão que fazer render a atyuação que fazem nas redes sociais.

Os dados, levantamento, feito pelo jornal Valor Econômico, é preliminar e pode sofrer alterações com o registro das candidaturas.

PT tenta nova ‘grande transição’, agora para a esquerda


Rui Pimenta, do PCO: expulso do PT em 1995 e crítico dos petistas em quatro eleições, ele agora entra no bloco de aliança do PT

 

Os que estudam a trajetória do PT, encontram no Congresso interno de 1995 um momento de inflexão na história do partido. Ali o PT deu o primeiro e decisivo passo para uma grande transição que o levaria ao pragmatismo político em busca do sucesso eleitoral. Não queria mais repetir as derrotas de 1989 e de 1994, quando a sigla ficou na segunda posição da corrida presidencial. O Poder era o objetivo desse grande passo.

Agora, também pensando no Poder – talvez um poder sem as amarras heterodoxas –, o partido tenta fazer uma nova travessia. Mas em sentido inverso. Não se percebe bem se esse retorno significa também uma revisão das próprias práticas ou se é mais uma estratégia pragmática que se ajusta a um cenário eleitoral em que o eleitor cobra algo diferente.

O pragmatismo desenhado no Congresso de 1995, sob a matuta estratégica e operacional de José Dirceu, levou a concessões de todo tipo, começando pela linguagem, as atitudes e os discursos. O primeiro passo concreto, após a expulsão das correntes de esquerda, foi buscar “marqueteiro profissional”, um daqueles que o mercado paga a peso de ouro e que tem como lema o triste bordão “feio é perder”. Daí, entregou suas estratégias do mercado eleitoral a Duda Mendonça, que se notabilizara como marqueteiro de Paulo Maluf, um ícone da política antiga e de práticas terríveis.

Isso já dizia muito.

Esse “novo PT” desenhado pelas estratégias de José Dirceu & Cia. levou o partido aos braços de gente como José Sarney, Renan Calheiros e Jáder Barbalho, bem como do próprio Paulo Maluf e Fernando Collor. Eram nomes que o partido demonizara ao longo de décadas, mas que se faziam úteis dentro do conceito de que “feio é perder”.

Aliou-se com festas ao PP, partido oriundo da Arena e do PDS. Nada a ver com o PT de antes de 1995. O resultado, porém, apareceu: o PT ganhou eleições e acumulou poder. Verdade seja dita, perdeu diretrizes; abandonou conceitos e somou desgastes. E terminou perdendo o próprio poder.

Agora parece tentar uma nova transição, uma nova travessia, desta vez de volta às esquerdas. Quem sabe, para retomar as diretrizes de antes, na “refundação do PT”, como dizem alguns, internamente. Mas há quem desconfie e veja só um novo discurso que estaria bem condizente com o pragmatismo pós-1995.
 

O PCO de Lurdes Melo agora é aliado

O novo jeitão que o PT encena para as eleições deste ano fica evidente nas alianças que tentou ou consagrou. Em 2018, o único partido que se situa no campo ideológico do Centro ou Centro-direita é o PROS. No mais, as tentativas de aliança foram à esquerda: PCdoB, PSB, PCO e PSOL – este, Lula tentou atrair para o seu lado, mas o partido permaneceu com candidatura própria.

É especialmente revelador o apoio do PCO – aqui no Piauí conhecido como a sigla de Lurdes Melo. O PCO é um partido de esquerda, bem esquerda mesmo, exatamente o perfil que o PT expulsou de seus quadros após 1995. Até o famoso Congresso, o PCO era uma corrente dentro do PT. Foi convidado a sair e aí surgiu o Partido da Causa Operária.

Desde então, Rui Pimenta foi apresentado como candidato por quatro vezes, distribuindo críticas a meio mundo, inclusive aos governos do PT. Pois esse tipo de sigla é de novo bem recebida no partido, que tenta marca um novo momento em sua história.

Se é mais uma faceta do pragmatismo, só o tempo dirá.

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