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Seca vai aumentar demanda por carro pipa, diz Coronel Nixon


Tenenete-coronel Francisco Nixon: preocupação com o agravamento da seca no estado do Piauí

 

O Piauí vive uma perspectiva preocupante em relação à seca que já entra em seu sétimo ano. E um dos primeiros programas a sentir os efeitos desse problema é o que faz a distribuição de água através de carros pipa. Hoje, 65 municípios são atendidos por carro pipa, um número que seguramente vai aumentar e pode se aproximar dos 100 municípios.

Quem aponta essa perspectiva é o comandante do 25° Batalhão de Caçadores (25 BC), tenente-coronel Francisco Nixon. O Exército é o responsável pela operacionalização do programa de carros pipa no Piauí. E o coronel Nixon está certo que a demanda aumentará muito nos próximos meses.

Essa convicção tem razões objetivas. Primeiro, que o Piauí está chegando ao sétimo ano de baixa precipitação. Além disso, o ciclo chuvoso que acaba de ser concluído não garantiu o acúmulo de água nas principais barragens do semiárido piauiense. Para se ter uma ideia, barragens como Petrônio Portela, em São Raimundo Nonato, tem apenas acumulado 7% da capacidade. Em Piaus, a situação é ainda pior, com água correspondente a apenas 5% da capacidade.

A redução da água disponível vai gerar custos adicionais. Conforme explica o coronel Nixon, alguns mananciais vão se esgotar e os pipeiros terão que buscar abastecimento em lugares mais distantes. Ao invés de 20 ou 40 km, a água será buscada em distâncias de até 80 km – o que implica em mais tempo e mais combustível, por exemplo.

No link abaixo, ouça a íntegra da entrevista do tenente-coronel Francisco Nixon, concedida ao Acorda Piauí, da rádio Cidade Verde.

 

Nada de PT, PMDB ou PSDB. Maior partido é o da JBS. Depois, o da Odebrecht.


Congresso Nacional: ampla parcela dos parlamentares recebeu financiamento da JBS e Odebrecht

 

Segundo os dados do TSE, as maiores bancadas da Câmara resultante das eleições de 2014 eram, pela ordem, as do PT (69 deputados), PMDB (65), PSDB (54) e PP (38). As evidências a partir das delações no âmbito da Lava Jato mostram outra coisa: os grandes partidos brasileiros eram os constituídos pelo rol de financiados pela empreiteira Odebrecht e a “rainha do bife”, a JBS.

Dos eleitos para a Câmara dos Deputados em 2014, a JBS injetou dinheiro em 165 eleitos – o que significa cerca de um terço da Casa (exatos 32,16% dos deputados). Pouco menos que a soma dos três principais partidos do governo Dilma: PT, PMDB e PP. No senado, a parcela de representantes da JBS fica até um pouco mais alta: 34,5% dos senadores – isto é, 28 dos 81 senadores, parte eleita em 2014, parte em 2010.

As delações dos executivos da Odebrecht apontaram uma representação no Senado semelhante à bancada do bife. Mas a bancada da empreiteira na Câmara fica longe da conseguida pela JBS: cerca de 40 deputados.

Mesmo considerando a superposição – parlamentares que receberam das duas mega financiadoras da política brasileira –, pode-se dizer que o número de representantes de Odebrecht e JBS é majoritária no senado e não fica muito longe da maioria também na Câmara. Podiam, sem muito esforço, ditar os rumos do país.

E o que as investigações tem mostrado é exatamente isso: Marcelo Odebrecht ditava decretos para ministros de Dilma Rousseff; Joesley Batista definia estratégias com o presidente Michel Temer. Tinham as rédeas do país nas mãos: direcionavam licitações, moldavam Medidas Provisórias, escolhiam obras a serem financiadas dentro e fora do Brasil, elegiam os beneficiados pelos recursos do BNDES etc etc.

Na prática, tinham governos e governantes debaixo do braço. Como poderia ser diferente? Todos com o rabo preso, pelo financiamento formal e, mais ainda, pela grana solta que corria por baixo dos panos.

Veja abaixo o tamanho da bancada da JBS, segundo levantamento do jornal O Estado de S. Paulo.
 

Brasil procura ‘reserva moral’ para eventual saída de Temer

Meireles, Jobim, Carmem Lúcia e Cardoso: badalações em torno de uma eventual sucessão de Michel Temer

 

O cenário é de incerteza, e as dúvidas incluem o destino do presidente Michel Temer: ele fica ou sai? Na quinta e sexta-feira, a certeza quanto à saída do presidente era enorme. Hoje, perdeu força. Mas não foi descartada. Por via das dúvidas, o país discute as alternativas e procura, desesperadamente, uma “reserva moral” que sirva de opção.

O presidente já anunciou que vai resistir e só deixa o cargo se for derrubado. E sai do discurso à ação: atacou os delatores Joesley e Wesley Batista e contratou o sempre pirotécnico perito Ricardo Molina, conhecido de outros carnavais, com o objetivo específico de desqualificar as gravações feitas por Joesley, o dono da JBS. Ah, e também recuou no questionamento da abertura de inquérito pelo STF.

As ações do presidente não apagam as dúvidas. E muitos acham que ainda são grandes as chances de Temer deixar o poder. Ou ser deixado: se não renunciar, há chance do presidente ser derrotado no TSE, com a cassação da chapa Dilma-Temer. Ou seja: há real possibilidade do Congresso – se não for aprovada uma emenda que estabeleça eleições diretas – ter que escolher um novo presidente, num prazo de 30 dias após a vacância do cargo.

E aí começa outra discussão: quem substituiria Temer?

No dia seguinte, seria o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia. E aí teria que proceder a escolha do presidente pelo resto do mandato, uma escolha que tende a ficar entre nomes próximos ao governo ou independentes.

Indagado sobre essa possibilidade, um congressista do Piauí que não se bica com o governo Temer, foi categórico: temos que encontrar uma reserva moral. Ele mesmo admite que não pode ser um nome do atual Congresso. A população não aceitaria. E reconhece que, fora, as alternativas são poucas.

Nesse debate mal disfarçado, alguns poucos nomes foram colocados na mesa. Um dos mais badalados é o do ministro Henrique Meireles, festejado pelo mercado e avalista das reformas tão desejadas por esse mesmo mercado. Resta saber se encantaria os congressistas, votantes desse processo eleitoral indireto.

Outro nome lembrado e não apenas entre tucanos é do ex-presidente Fernando Henrique. Complicado: tem explícita ligação com um partido específico (PSDB) e uma idade avançada, sobretudo para um presidente com tarefas hercúleas pela frente.

A presidente do STF, ministra Carmem Lúcia, também foi lembrada por muitos – e atacada particularmente por alguns petistas, que alertam para o risco de uma ditadura de toga. Mas a própria ministra tratou de serenar as especulações dizendo que não deseja a tarefa. Será?

Há ainda Nelson Jobim, ex-senador, ex-ministro (da Justiça e da Defesa) e ex-membro do STF. Tem trânsito em várias frentes: Judiciário, Congresso, militares. Por muito tempo alimentou o sonho de ocupar o gabinete do Planalto. Volta a sonhar.

São nomes que aparecem e alimentam as muitas especulações e alguns debates sérios. Mas esbarram em dois detalhes. O primeiro, a necessidade de Temer ser desapeado do poder para que esses (e outros) nomes possam realmente ser levados em conta. Segundo, qualquer um que deseje substituir Temer terá que construir um consenso mínimo.

Num Brasil tão fragmentado, não é tarefa fácil. Não é mesmo!

PSB decide sair do governo. Fernando Filho ainda espera

Ministro Fernando Bezerra Filho: permanência no governo até a decisão das bancadas do PSB na Câmara e no Senado

 

O comando nacional do PSB decidiu deixar o governo Temer, em razão das gravações vindas à tona com a delação premiada dos irmãos Joesley e Wesley Batista, da JBS. As denúncias são consideradas graves e as explicações do presidente, em dois pronunciamentos, insuficientes. Mas a decisão do partido ainda não levou o ministro Fernando Bezerra Filho a pedir demissão.

O ânimo do partido, desta vez, parece se encaminhar para decisão única. É uma reação diferente daquela sobre as reformas, quando a Executiva Nacional posicionou-se contra, orientou a bancada nesse sentido mas metade dos deputados do partido votaram a favor.

Não há, dentro da bancada, vontade de permanecer no governo – segundo indicou o deputado Rodrigo Martins, em entrevista ao Acorda Piauí, da rádio Cidade Verde. E disse que a decisão de Fernando Filho de não deixar imediatamente o Ministério das Minas e Energias leva em conta a grave situação do país.

Fernando Filho espera uma decisão formal das bancadas do PSB na Câmara e no Senado. A reunião dos deputados será amanhã. E a dos senadores, na quarta. Para deixar clara suas motivações, o ministro enviou mensagem aos socialistas. Veja o teor abaixo:

Os últimos dias não têm sido fáceis. Tenho conversado com muitos na bancada e no parlamento para poder interpretar esse momento que estamos vivendo.

Quero, antes de mais nada, esclarecer a todos que não dei entrevista para nenhum veículo de comunicação.

Esse ano, faço 12 anos de filiado ao PSB e 10 anos como deputado federal do partido na Câmara e durante todo esse período pautei minha atuação, sobretudo, respeitando as pessoas.

Fui indicado para o Ministério pelo apoio de nossa bancada, a quem sou imensamente grato, e contei durante todo o tempo com a total confiança do Presidente da República para construirmos uma alternativa ao país que tirasse o Brasil da maior recessão de sua história. Infelizmente, nos primeiros sinais de recuperação da nossa economia, mais uma crise.

O mais fácil e mais cômodo, sem duvida nenhuma, seria entregar o cargo o quanto antes. Porém, os meus princípios me afastam da comodidade da covardia e me fazem ter a necessária consideração e respeito com as pessoas que me prestaram sua total confiança, incluindo logicamente a bancada do meu partido, com quem irei debater minha situação antes de qualquer posicionamento definitivo.

Tendo em vista a reunião da bancada na Câmara Federal amanhã e a do Senado na quarta, aguardarei a realização das duas reuniões para final avaliação”.
 


Dr. Francisco Ramos, ou simplesmente Chico Ramos: uma referência para a Medicina do Piauí
 

Morre o ex-deputado Chico Ramos

Morreu hoje cedo, em Teresina, o medido Francisco Ramos. Filiado ao PSB, ele chegou a assumir cadeira de deputado estadual, entre 2013 e 2014. Um homem sério, reconhecido por sua integridade e pureza de espírito.

Chico Ramos foi, acima de tudo, um grande médico e professor. De certa forma, criou uma escola médica na área de neurologia, com muitos discípulos, entre eles o ex-governador Wilson Martins. Como referência no setor, foi por três vezes diretor do HGV.

Uma enorme perda para a Medicina piauiense.

Temer tem prazo para manter base de apoio e preservar cargo

Michel Temer: pronunciamentos de sexta e sábado não apagaram o incêndio que devora a base aliada

 

Dois episódios de ontem, domingo, dão a medida da indefinição do rumo político do país. Primeiro, a decisão do PSDB de adiar a posição formal do partido quanto à manutenção ou retirada de apoio ao presidente Michel Temer. Segundo, a própria decisão do presidente de cancelar um jantar em que pretendia reunir o grosso das lideranças políticas do Congresso.

O adiamento da reunião do PSDB poderia ser lido como a continuidade do partido no governo. Longe disso. Na verdade, significa que o partido se junta a outras siglas – como DEM e a ala governista do PSB – para a tomada de uma decisão comum. E aguardam o veredito do Supremo Tribunal Federal, na quarta-feira, quanto à continuidade ou suspensão do inquérito para investigar o próprio presidente.

O humor em Brasília não é bom. Os dois pronunciamentos feitos por Michel Temer sexta e sábado não convenceram boa parte da base de apoio ao governo. Temer apegou-se a detalhes como forma de desqualificar a delação dos donos da JBS. Questiona a edição do áudio, acusa o empresário Joesley Batista de falastrão e de desonesto – especialmente pela operação de compras de dólares. Argumentos corretos, mas sem efeito consistente.  

Agarra-se às filigranas jurídicas e deixa as questões políticas de lado. E não consegue tirar a base governista da perplexidade – e boa parte simplesmente deseja ver a mudança de guarda. Quer dizer: que o presidente renuncie e dê passo a uma transição. O cancelamento do jantar que o presidente quis oferecer aos políticos é sintoma dessa realidade. Quase ninguém confirmou presença. Sem quorum, o jeito foi cancelar.

Temer tem calculado mal o cenário. Demorou a fazer o primeiro pronunciamento. Fez um segundo sem novidades. E o jantar cancelado também é revelador disso. Achou que o mundo político abandonaria seu sossego domingueiro para fazer loas ao presidente. Esqueceu que não tem agora a força dos momentos prévios ao impeachment, quando promoveu concorridos jantares domingueiros. Naquele momento, oferecia perspectivas de futuro e de poder. Hoje, inspira algo bem diferente. Daí a ausência dos políticos e o cancelamento do jantar.

Essa distância da base é sintomática. Mostra que o futuro de Temer é visto pelos congressistas como de caminho curto. Somente a decisão do STF pode alterar essa percepção. E olhe lá!

A corrupção e o jeitinho brasileiro explicados em livros

Livros que explicam o Brasil: Raízes do Brasil; Os Donos do Poder; Carnavais, Malandros e Heróis, Democracia Tropical; e A Era dos Imprevistos

 

O que faz o Brasil Brasil?  É uma boa pergunta que já rendeu livro com esse mesmo título (O que faz o brasil, Brasil? – Roberto da Matta, 1984). E vai render bibliotecas inteiras, sobretudo diante dos escândalos quer revelam como a corrupção faz parte da vida corriqueira do país. Mas, apesar da dificuldade da pergunta, há disponíveis muitas explicações para o caráter do brasileiro, sua relação com a corrupção e o exercício da cidadania.

Poderíamos fazer uma longa lista de livros que mostram porque o Brasil é esse Brasil – de Joaquim Nabuco a Gilberto Freyre; de Caio Prado Jr a Florestan Fernandes, etc etc. Abaixo, segue uma seleção bem curta de livros bem interessantes para compreendermos um pouco mais desse país.
 

Raízes do Brasil – SÉRGIO BUARQUE DE HOLANDA (1936)
Um livro fundamental para entender o perfil do brasileiro, em especial esse traço de misturar vida pública e privada. Lançado em 1936, com algumas revisões do autor, faz uma construção histórica desse modo de ser do país, identificando o que chama de herança ibérica. Traz o conceito de “homem cordial” que caracterizaria o brasileiro e ajuda a entender as bases da corrupção a partir do patrimonialismo – essa “tradição” que não distingue o público do privado e faz do público patrimônio próprio. Tudo a ver com os escândalos que vivemos hoje.

Os Donos do Poder – RAYMUNDO FAORO (1958)
Publicado no final da década de 1950, faz um estudo sobre a construção social do Brasil desde a colônia até 1930. E aponta aspectos históricos sobre a corrupção no contexto brasileiro. Para ele, já na colônia as práticas corruptas se tornam parte da estrutura economia e política do Brasil. Como o título indica, tenta explicar as origens da elite dirigente brasileira. E mostra como a burocracia portuguesa trouxe para o Brasil toda a estrutura patrimonialista que persiste.

Carnavais, Malandros e Heróis – ROBERTO DA MATTA (1997)
Este ótimo livro mostra as dificuldades do brasileiro de construir relações sociais pautadas pela igualdade de direitos e deveres. Isto porque o brasileiro não quer ser tratado como indivíduo, mas como pessoa – onde tenta se diferenciar pelo personalismo e o familiarismo. Na prática, a questão é o velho “jeitinho brasileiro”, que procura resolver o conflito na base da simpatia, evitando o confronto.

Cidadania no Brasil – JOSÉ MURILO DE CARVALHO (2001)
O livro mostra o percurso da democracia brasileira desde a independência, com conquistas e perdas de direitos. E, claro, faz uma enorme diferenciação entre direitos e cidadania. Lembra que, com a redemocratização (em 1985), o país passou a ter direito a constituir partidos, a votar, a eleger seus representantes, a gritar nas ruas. Mas cidadania é muito mais. E diz que a cidadania brasileira vive numa encruzilhada.

Democracia Tropical – FERNANDO GABEIRA (2017)
Lançado no mês passado, repassa nossa história recente, desde o movimento Diretas Já (1983-84). É um olhar de um dos protagonistas dessa fase, mas que não perde o lugar de crítico rigoroso. Ao refazer esse percurso com base em anotações próprias, deixa perguntas no ar. Por exemplo: em que encruzilhada nos metemos? Que país surgirá dos escombros de 2016 e 2017?

A Era do Imprevisto – SÉRGIO ABRANCHES (2017)
Abranches é o autor do conceito de “presidencialismo de coalizão”, que explica esse confuso modo de governança no Brasil. Neste livro, traz reflexões e projeções para o percurso do século 21. Diz que vivemos uma conturbada transição e que o mundo será muito diferente em pouco tempo. A boa notícia: essa mescla brasileira pode ajudar o país a fazer essa transição com menos desassossego.

Fitas editadas e a renúncia de Temer. Como fica o caso JBS?


Michel Temer: entre fitas editadas e encontros furtivos, uma situção grave também para o país

 

Como nas acusações contra Lula, Dilma e Cia, agora aparecem tantos questionando aspectos da denúncia em torno do caso JBS. Não tantos quanto no caso de Lula, um líder popular. Mas aparecem. E o que mais ganha corpo é a ideia de uma armação contra o presidente, incluindo edição das fitas do encontro entre Temer e o dono da JBS, Joesley Batista.

As dúvidas em torno do caso, por mais sérias que sejam não anulam um aspecto: o presidente meteu-se ele próprio em uma grande enrascada. E levou o Brasil junto. Daí, não falta quem peça a imediata renúncia de Temer. Um pedido que não é só na oposição.

Vamos a alguns pontos que geram debate:

A ARMAÇÃO: Há armação no caso quando Joesley Batista, dono da JBS, vai no palácio presidencial munido de um gravador, para registrar um encontro. O presidente cai como um patinho. Também é armação a compra bilionária de dólares pela mesma empresa que sabia do escândalo a chegar – com isso, ganhou horrores. E pode também haver armação nos depoimentos divulgados: a Folha de S. Paulo encomendou perícia que apontou vááárias montagens nas fitas que registram os encontros.

O QUE NÃO É ARMAÇÃO: O presidente recebeu um megaempresário investigado em pelo menos cinco inquéritos. E recebeu já quase entrando a madrugada, nem nomes nem registros na lista de visitantes. Pior: no encontro, o presidente foi informado de diversos delitos. E teve duas atitudes: ou não discordou ou simplesmente avalizou. Também não é invenção a participação do senador Aécio Neves ou do deputado Rocha Loures em ações escandalosas, revelando com todas as letras a horrível regra nas relações entre os ditos homens públicos e a coisa pública.

O QUE FICA: Fica uma dúvida que alcança a Polícia Federal e o Ministério Público, diante da possibilidade de edição de depoimentos, o que significa manipulação de provas. Essa dúvida termina alcançando o próprio STF, que engole tudo isso sem mais nem menos. Mas fica também a certeza de que tanto Temer quando Aécio e Loures estão envolvidos em atos nada, nada republicanos. Também fica a certeza de que os tentáculos da JBS eram enormes, alcançando quase 2 mil candidaturas nas eleições dos últimos anos. Só no caso de Lula e Dilma a soma chegaria a R$ 150 milhões em repasses. As delações da JBS, como as da Odebrecht, tornam a envolver praticamente toda a política, à direita e à esquerda, deixando poucas alternativas para os brasileiros em 2018, casos esses brasileiros queiram escolher candidatos a partir de um viés ético.

COMO FICA TEMER: Com armação ou sem armação, a situação de Temer (e do Brasil) é muito ruim. A governabilidade, que o presidente vinha conseguindo quase como um milagre regado por benesses a parlamentares, torna-se quase impossível. A tramitação das reformas paralisa; a economia dá um passo atrás; a base parlamentar do governo se esfarela. Nesse contexto, cresce o clamor pela saída de Temer. Pode ser pela renúncia, a saída rápida. Mas pode ter que esperar a votação no TSE, em pouco mais de 15 dias. Mas a situação é tão grave que muitos acham que esse tempo é muito longo.

 

UMA DÚVIDA MAIS

Cabe um esforço para tentar entender as críticas de alguns apoiadores de Lula à possibilidade da presidente do STF, ministra Carmem Lúcia, ser a depositária da transição dessa grave crise. Criticam o que chamam de uma virtual “ditadura da toga”. Vamos lembrar, os apoiadores de Lula apostam em uma única alternativa à crise: saída de Temer e imediata realização de eleições diretas. Uma saída que, estão convictos os lulistas, deixa como principal beneficiário o próprio Lula.

A opção Carmem Lúcia náo é natural. Teria que ser resultado da saída de Temer e da deslegitimação dos presidentes da Câmara (Rodrigo Maia) e do Senado (Eunício Oliveira), ambos envolvidos em denúncias sérias no âmbito da Lava Jato. Seria, também, a opção pela constitucionalidade. Uma constitucionalidade que, sem uma mudança na atual Carta, estabelece eleição indireta – quando até mesmo a própria Carmem Lúcia poderia ser a escolhida para fazer a transição do país até as eleições de 2018. 

Átila se diz perplexo e vê renúncia de Temer como saída para a crise


Deputado Átila Lira: perplexo com a dimensão dos escândalos, ele acha que saída de Temer pode abreviar crise

 

O deputado federal Átila Lira (PSB) se disse perplexo com a sequência de escândalos vividos pelo Brasil e afirma que o país precisa de uma solução urgente. No caso das denúncias contra o presidente Michel Temer, avalia que deixam o governante praticamente sem condições de governar. E vislumbra a renúncia como uma possibilidade real.

Em entrevista ao Acorda Piauí, na rádio Cidade Verde, Átila mostrou um misto de descontentamento e indignação. Criticou a criminalização generalizada dos políticos, fato que atribui ao Ministério Público Federal, incluindo o procurador Rodrigo Janot. Ele também defendeu a Lava Jato e atacou o PT, que acusava a operação de ser contra o partido. Segundo ele, a Lava Jato está aí para moralizar. “É igual para todos”.

Veja os principais pontos da entrevista do deputado Átila Lira:

TEMER: Apontou as denúncias como graves e vê poucas condições de governabilidade após as gravações com o dono da JBS. Mas pede uma saída rápida, incluindo a possibilidade de renúncia ou imediato julgamento pelo Supremo. “Se não serve, tem que substituir”.

DIRETAS: Acha irresponsável a proposta de eleição direta, já que exige emenda à constituição. Para ele, a solução tem que ser rápida. E diz que a opção por eleição direta demoraria. “Quer dizer que nós vamos passar seis meses conversando fiado?” – indaga.

LAVA JATO: O deputado defende as ações da Lava Jato e diz que o juiz Sérgio Moro merece aplausos. Para Átila, a Lava Jato veio para moralizar, e não apenas no Executivo e no Legislativo, mas também no Judiciário e no Ministério Público.

ATAQUE AO PT: Lembrou quer os petistas diziam que a Lava Jato era para perseguir o PT. Acha que os fatos mostram que não: ela está aí para todos. E atacou ainda o PT no caso da JBS, que aponta como uma cria dos governos petistas, com dinheiro do BNDES.

CRIMINALIZAÇÃO DA POLÍTICA: O deputado critica a criminalização da política, que leva o povo a achar que todo político é ladrão e que o Congresso está cheio de bandidos. Aponta como principal responsável o Ministério Público Federal, incluindo o procurador  Rodrigo Janot. “Não sou igual a Eunício Oliveira, nem a Rocha Loures. Não me compare com ninguém”.

GOVERNO: Defendeu o estado mínimo, porque o governo, como é, atrapalha. E atrapalha especialmente a iniciativa privada. “Eu quero ver um cidadão que encontre uma bondade no serviço público”.

Ouça a íntegra da entrevista de Átila Lira no link abaixo.

 

Gravação com Temer mostra relação ‘normal’ da política com pilantragem


Aécio e Temer, protagonistas de gravações da JBS: faceta de um Brasil "esperto" que precisa ser mudado

 

Nos dias anteriores à bomba da JBS, o Brasil via o presidente Michel temer viabilizar a tramitação das reformas trabalhista e da Previdência à base do velho e conhecido “toma lá, dá cá”. E a reação era sempre mesma: no Brasil isso é normal. É assim que se faz política. As gravações feitas pelos donos da JBS mostram outra faceta do “é assim que se faz política”.

A normalidade é a esperteza. É a malandragem. É o levar vantagem em tudo, como bem diz a tão conhecida Lei de Gerson.

Mas aí é que vem o problema da nossa política: a pilantragem naturalizada. E o que o país pede – ou pelo menos brada, discursa – é um novo rumo. Tirar da normalidade e colocar no estranhamento esse tipo de conduta. Fazer do jeitinho brasileiro – tão festejado aqui quanto reprovado mundo a fora – um ato estranho, condenável.

As revelações em torno da delação dos donos da JBS mostram um líder de oposição pedindo R$ 2 milhões de reais como o adolescente que pede à mãe um trocadinho extra para comprar o presente da namoradinha. Vê-se o presidente da República recebendo sem constrangimento, e já alta hora da noite, um sujeito que – todo mundo sabia – era alvo de suspeitas e, provavelmente, de investigações.

As gravações da JBS são apenas a última cena dessa que parece uma ópera bufa mas é, de verdade, uma tragédia. São década e décadas de malandragem festejada, a confirmar a análise de Márcio Moreira Alves, em livro de 1994, sobre a diferença entre Estados Unidos e Brasil, diante de um escândalo. Lá, diz Márcio, se o sujeito é pego com a boca na botija, está lascada. Aqui, acha logo um jeito de fazer um acordo com o esperto do lado, num esquema de proteção mútua.

O raciocínio que perdura é “me proteja que, quando for sua vez, eu protejo você”. Esse argumento foi usado expressamente por Eduardo Cunha, quando do julgamento em que teve o mandato cassado por seus próprios pares. Dizia sem sutilezas: se vocês me cassam, logo poderão ser vocês.

Tomara que Eduardo Cunha tenha razão nesse quesito particular. Porque o que o Brasil precisa não é naturalizar a malandragem. O país carece – e carece muito – é de práticas ética, pautadas pelo coletivo e o interesse público. Festejar a malandragem, naturalizar o “toma lá, dá cá” é uma forma muito simples de legitimar essa faceta do Brasil que precisa ser modificada.

PCdoB e PTC já articulam aliança proporcional para 2018


Deputado Evaldo Gomes: construindo aliança com o PCdoB para ter mais influência política

 

As direções do PCdoB e do PTC no Piauí têm encontro marcado para esta sexta-feira pela manhã. E o assunto não poderia ser outro: as próximas eleições. Na prática, os dois partidos discutem amanhã a mais que possível aliança nas eleições de 2018, juntando forças para aumentarem suas chances de eleição de deputados estaduais e federais. E, em consequência, alcançarem maior protagonismo político.

O deputado Evaldo Gomes, presidente do PTC no Piauí, é o maior entusiasta da aliança. E, mesmo antes de entendimento com o PCdoB, já se movimentava para atrair lideranças capazes de carrear votos e cargos para a sigla. Os planos anunciados de Evaldo eram mais que explícitos: eleger três deputados estaduais e um federal. Não está claro se, com a nova aliança, ele amplia a meta a ser perseguida.

Ao explicar a aproximação com o PCdoB, Evaldo tem argumentos bastante simples. O primeira e mais óbvio: o pragmatismo. Ou seja: uma aliança é boa quando as partes ganham – e o que desejam mesmo é eleger representantes para o Legislativo, pelo PCdoB e pelo PTC.

Outra justificativa é a proximidade das duas siglas com o governador Wellington Dias. Pode-se dizer, é outra faceta desse pragmatismo. Por fim, do deputado diz que há afinidade de visão entre os dois partidos. Evaldo desdenha do aspecto ideológico – juntar um partido comunista com um partido cristão –, diz que isso não é relevante e lembra que começou sua militância política precisamente no PCdoB.

Ao mesmo tempo, festeja nomes históricos da sigla comunista, como Osmar Júnior, Lurdes Rufino e José Carvalho. Aliás, a união das duas siglas deve trazer de volta à cena eleitoral Osmar Júnior, que foi duas vezes vice governador (1998 e 2002) e duas vezes deputado federal (2006 e 2010), além de candidato a prefeito de Teresina (1996). Derrotado na tentativa de voltar à Câmara em 2014, Osmar pode buscar a cadeira que perdeu. Pode ser um dos principais beneficiados pela articulação.

Evaldo Gomes, por seu lado, cresce como articulador em um grupo que passa a contar com forças que muitas siglas festejadas não têm. Para ficar num exemplo: o PP de Ciro Nogueira, na eleição passada, fez apenas um deputado federal e outro estadual. Ou o PSDB de Firmino Filho, que emplacou três estaduais, mas sem fazer um único federal. O PTC, junto com o PCdoB, quer ser uma força política a ser considerada não apenas na hora da eleição, mas também nas articulações que conformam governos. 

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