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Intervenção traz pergunta: para onde vão os bandidos do Rio?


Presidente Michel Temer, ao anunciar intervenção no Rio e Janeiro: medida gera preocupaçao em outros estados do país
 

Há um entendimento amplamente aceito: a criminalidade não é – e não é há muito – um problema local. Ela se organiza em âmbito nacional e até internacional. Isso quer dizer que um criminoso como o traficante Nem, mesmo a 5 mil quilômetros do Rio, continua dando as cartas na Rocinha e outros morros cariocas. Isso também deixa a pergunta: se a intervenção na segurança Pública do Rio de Janeiro for eficiente e afugentar de lá os bandidos, para onde vão esses bandidos expulsos?

A questão já está colocada na mesa, em manifestações dos governadores do Espírito Santo e Minas Gerais. Também São Paulo, que não se manifestou, alimenta a mesma preocupação. Pode-se dizer que estados mais distantes onde as organizações criminosas estão bem enraizadas – como Ceará, Rio Grande do Norte e Alagoas – também devem estar muito atentos aos desdobramentos.

A intervenção na segurança do Rio de Janeiro dá lugar a duas perspectivas mais concretas: ou teremos uma matança enorme de criminosos ou teremos uma debandada desses criminosos para novos “mercados”. Pode ainda haver a possibilidade dessa bandidagem se fazer de morta, esperando ver se a intervenção acaba. Mas o crime é um sistema que se empenha em ser realimentado, daí a possibilidade de se fazer de morto é menos provável.

Vale lembrar, as organizações criminosas estão articuladas em âmbito nacional. O Comando Vermelho (CV) nasceu o Rio e espalhou-se pelo resto do país. Já o Primeiro Comando da Capital (PCC) surgiu em São Paulo e logo se instalou nos demais estados. Ambos funcionam como uma espécie de franquia e como tal têm projetos, metas e compromissos. Portanto, não vão simplesmente cruzar os braços ou se esconder em um barraco.

Nesse sentido, a  busca de novos mercados pode levar à ampliação da presença desses grupos em estados – como o Piauí – onde hoje atuam de forma não tão intensa. Daí, a preocupação que hoje alcança os governadores de São Paulo, Minas Gerais e Espírito Santo deve esquentar a cabeça dos governadores dos demais estados do país.

‘Bandido armado tem que ser fuzilado’, diz General sobre intervenção


General Augusto Heleno: ex-comandante das tropas no Haiti defende ações radicais no Rio de Janeiro. Foto: Band.uol.com

 

Há uma grande interrogação sobre os rumos da intervenção federal na segurança pública do Rio de Janeiro. Ou melhor: há muitas interrogações. A primeira delas é quanto à própria atuação das Forças Armadas neste novo cenário, tendo em conta que essas mesmas Forças Armadas já estão no Rio há muito tempo. O que, agora, será feito de diferente? Quais recursos estarão disponíveis? Os de sempre?

O debate sobre os rumos da intervenção ganhou um forte argumento na voz do general da reserva Augusto Heleno. Partidário de medidas radicais, o general coloca três condições básicas para que a ação federal tenha efeito concreta. Sem elas, o fracasso é uma perspectiva bastante provável. Antes de dizer das condições, é bom lembrar quem é o general Augusto Heleno: ele foi Comandante Militar da Amazônia e chefiou a primeira missão da ONU no Haiti, em 2004.

O general é um crítico das políticas de segurança brasileiras desde o governo Lula, sendo alvo inclusive de duras críticas do então presidente. E faz uma relação entre a ação no Rio de Janeiro e a missão que viveu no Haiti. É quando coloca as três condições necessárias, em especial a primeira.

1- Liberdade de ação: para ele, é preciso que o comando de cena (isto é, o comando de uma operação específica, sem esperar o comando geral) tenha liberdade para agir. Nesse caso, ele é claro e faz uma relação com os que ostensivamente portam armas de guerra pelas ruas do Rio: “Bandido armado tem que ser fuzilado”. Afirma que foi assim no Haiti e que essa informação foi disseminada, levando a um comportamento contido por parte dos bandidos. E, indiferente às reações no campo jurídico, o general diz que não pode haver processo contra o autor desse ato. 

2- Ampla Mobilidade: é preciso condições para a ação, em especial a mobilidade. Ele adverte para a realidade carioca: não dá para se deslocar pelo Rio de carro, uma cidade de transito caótico. Daí, o interventor tem que ter helicópteros para chegar rápido aos locais de ação.

3- Pessoal qualificado: para ele, o interventor deve contar com pessoal qualificado, mais concretamente pessoal das forças especiais e de fora do Rio de Janeiro. Sem isso, além da baixa qualidade técnica dos agentes da segurança, haverá sempre a possibilidade de vazamento de informação nas operações, reduzindo ou anulando sua eficácia.

As manifestações do general Augusto Heleno mostram o quando é complexa a ´situação, o que complica a tarefa dos interventores. E mostra o quanto de interrogações persistem. Somente o tenpo dirá qual rumo a intervenção tomou, e qual resultado trouxe.

Sob intervenção, Rio tem a primeira rebelião em presídio

Dois dias após sofrer intervenção federal no seu sistema de segurança pública, o estado do Rio de Janeiro registra na noite deste domingo a primeira rebelião em presídio. Essa rebelião acontece no presídio de Japeri, na Baixada Fluminense – área da Grande Rio – após uma tentativa de fuga. A PM foi chamada a agir para conter a rebelião que fez reféns pelo menos três agentes penitenciários.

Rebelião em cadeias há muito deixou de ser novidade no Brasil, muito menos no Rio de Janeiro, onde as principais organizações criminosas existentes no país concentram especial força. Mas o episódio ganha destaque por ser a primeira após a intervenção, lembrando que tudo que se refere à segurança púbica do Rio – incluindo o sistema prisional – está agora sob o controle do interventor, o general Braga Neto.

O sistema prisional brasileiro é uma tradução trágica da realidade da segurança pública no país. Há superlotação em todos os estados, reflexo da falta de ação dos governantes e também resultado de uma legislação que é complexa e alimenta a morosidade. A superlotação também é bem tradutora de um Judiciário que não consegue dar razão a um mundo de processos que se arrastam por anos.

As condições internas dos presídios alimentam o crime nas ruas. Lá dentro, os chefões do crime fazem das celas escritório de administração da criminalidade, adotando sistemática que obriga cada novo detento a ser parte das organizações que mandam e desmandam na bandidagem.

Com tudo isso, o sistema prisional nem de longe cumpre com sua função, qual seja a de reeducar. Da forma como funciona, o detento que chega a um presídio sai de lá requalificado como bandido, muitas vezes deixando de ser um mero ladrão de galinha para se transformar em uma célula importante do tráfico de drogas ou roubo de bancos.

No episódio deste domingo, no presídio de Japeri, há indícios preliminares de que não foi uma articulação das grandes organizações criminosas – tipo CV ou PCC – em resposta aos novos mandachuvas da segurança. Mas não deixa de ser um desafio para os novos gestores da área. Por exemplo: como justificar que um presídio com mais de 2 mil detentos tenha apenas de 4 a 6 agentes penitenciários por turno?
 

Como começou a rebelião

A rebelião no presídio do Japeri, na Baixa Fluminense, acontece no dia em que a Secretaria de Administração Penitenciária iniciou um reforço nas “medidas de controle”, ação planejada há alguns dias. A medida, no entanto, foi antecipada para evitar reações d população carcerária à intervenção federal na Segurança do Rio.

A rebelião começou após uma tentativa de fuga. Durante a contagem dos presos, agentes foram abordados por detentos com dois revólveres e uma pistola. A fuga não se materializou, mas causou a rebelião da penitenciária. Na sequência, a PM enviou o Batalhão de Choque, o Bope e de batalhões da Baixada Fluminense.

O presídio Milton Dias tem capacidade para 884 detentos, mas contabilizava em janeiro 2.027 presos, segundo o Conselho Nacional de Justiça. O presídio tem ainda registro de esquemas de favorecimento de alguns presos, através de relações corruptas dentro e fora do cárcere.

Intervenção ou ação de marketing?


Ao lado do deputado Rodrigo Maia e do governador Pezão, Michel Temer assina a intervenão ba segurança do Rio de Janeiro
 

A grande maioria da população fluminense está aplaudindo a intervenção federal na segurança pública no Rio de Janeiro, definida na quinta-feira pelo presidente Michel Temer e já em vigor desde a sexta. Não é para menos: o caos no Rio é total, e mais escandaloso na área de segurança, onde o poder público parece ter ação muito, muito limitada. A intervenção vem como uma “ação efetiva” e se torna a esperança de mudanças substanciais na segurança.

Mas a intervenção não resolve o problema, já que – conforme foi dito há semanas pelo próprio ministro da Defesa, Raul Jungmann –, a criminalidade não é uma questão pontual, local. O crime, disse o ministro, se nacionalizou e até se internacionalizou, o que exige novas estratégias, nova legislação e, com as ovas leis, uma nova estruturação das forças de segurança. Nesse novo desenho, avalia Jungmann, todos (inclusive os municípios) devem ser parte, mas o governo federal deve ter o papel central – hoje esse papel cabe aos estados. 

Ocorre que a intervenção é pontual, animando a população local – e preocupando outros estados. No Rio sob intervenção, o governo federal passa a dar as cartas no setor de segurança. Em tudo: desde a PM à Polícia Civil, passando pelos bombeiros e sistema prisional. Em tese, é o que o ministro defendia há algumas semanas. Apesar disso, a ação federal no Rio é vista por muitos como uma ação que está mais para o marketing. Um que pensa assim é o sociólogo Michel Misse, que vem a ser coordenador do Núcleo de Estudos da Cidadania, Conflito e Violência Urbana da UFRJ.

Para Misse, a ação traz ótimos efeitos políticos junto a uma população amedrontada e acuada. Mas ele tem dúvidas sobre o efeito prático. “Chamar as Forças Armadas é uma forma politicamente eficiente de produzir, no curto prazo, uma sensação de segurança na cidade”, avalia. “Mas, se o critério for o aumento da violência, tem que intervir no Ceará e em tantos outros Estados com índices mais altos que os do Rio” – disse em entrevista à Folha de S. Paulo.

Resumindo: a ação do Rio não tem força de política pública, como ação planejada e sequenciada no longo prazo. E, pior, não olha o todo, mas só o Rio.

De qualquer forma, a ação do governo federal traz a oportunidade de se discutir com alguma consistência uma política pública de segurança. Apesar da violência que toma conta do país, muito pouco se tem discutido. Em geral, os “debates” se resumem a discursos do contra ou a favor, seguido da transferência de culpa. Quando muito, limita-se à oferta de propostas no campo eminentemente policial, quando a questão da violência é muito maior.

A possibilidade e urgência do debate enfrentam ainda outro problema, o que truncar tudo: o ano eleitoral é farto em interesses imediatos que geram ações espetaculosas e discursos oportunistas. Em resumo, é um ano próprio para ações “marqueteiras". E isso costuma deixar para depois (ou para nunca) o enfrentamento real das questões substantivas que afligem o país.

Não foi por acaso que chegamos onde chegamos nessa segurança tomada pelo caos.

Olhe o cenário político e acredite: não tem nada decidido


Wellington e Firmino: já estiveram junto em 1998, depois se distanciaram. Seguirão separados em 2018?

 

O cenário político piauiense parece cada vez mais definido. Olhando-se os movimentos partidários, as duas principais chapas parecem ganhar contornos bem claros. Mas quem olha um pouco para trás – por exemplo, para as seis últimas campanhas para o governo do Estado, pode ver que a estabilidade não é regra nas disputas piauienses.

Pode até ser que os fatos mostrem o contrário. Pode ser que as convenções de julho-agosto terminem por consagrar o desenho de hoje. Mas vale rememorar o que aconteceu nas últimas eleições piauienses.

1994, a surpresa Mão Santa: a disputa era para ser entre Hugo Napoleão e Wall Ferraz. E assim se acreditou até o início de abril, prazo da desincompatibilização. Wall não deixou a prefeitura e aí todo mundo pensou: vai ser um passeio para o Hugo. Mas em Maio Hugo disse que não seria candidato ao governo e foi substituído por Átila Lira. Aí pensou-se que o passeio seria de Átila. Não foi. Surgiu Mão Santa, atropelou a lógica e os prognósticos e ganhou a eleição.

1998, a inacreditável união de PSDB e PT: o PSDB tinha o vice de Mão Santa e o governador queria os tucanos outra vez na chapa. Não teve: no final de maio o PSDB resolveu lançar Chico Gerardo e, surpresa geral, fez aliança com o PT, que ofereceu o vice. Terminaram juntos no segundo turno, na renovação do mandato de Mão Santa.

2002, a surpresa Wellington: Firmino Filho era para ser o candidato do lado de Mão Santa. Mas o governador foi cassado, Hugo Napoleão assumiu o Karnak e Firmino refluiu. Até junho, ninguém queria enfrentar Hugo, tanto que Firmino foi para o lado dele – aliança que desagradou os dois lados da coligação. Mas Wellington Dias – que pensava em ser senador –, disposto a ajudar a campanha de Lula e pensando na eleição municipal de 2004, topou a parada. Ganhou.

2006, a surpresa Mão Santa – desta vez negativa: até maio, o PMDB dava sinais de apoiar a reeleição de Wellington. Mas Mão Santa mostrava bons índices nas pesquisas. Em junho, liderava. E o PMDB decidiu lançar Mão Santa ao governo. João Henrique, que sonhava em ser o vice de Wellington, ficou no mato em cachorro. Melhor para Wilson Martins, que ocupou o posto. E pior para Mão Santa, que levou uma surra.

2010, o ‘sai, não sai e sai mesmo’ de Wellington: no período do carnaval de 2010, todo mundo tinha a certeza que João Vicente Claudino era o candidato de Wellington e, portanto, o próximo governador. Wellington ainda tentou fazer valer seu desejo em meados de março. Mas os partidos governistas reagiram. Então o petista disse dia 17 de março que ficaria no governo – e todo mundo achou que Antonio José Medeiros seria o candidato que o governador tiraria do bolso. Não foi: dia 2 de abril, Wellington deixou o governo e passou a apoiar Wilson Martins. Tem mais: quando se perguntava quem eram os apoios incondicionais de Wilson, apontava-se Osmar Júnior e Flávio Nogueira. Pois em junho Flavio mudou de lado e foi ser vice de João Vicente.

2014, um mundo de surpresas: em dezembro de 2013, Wilson Martins espalhava que ficaria no governo. Janeiro chegou e Wilson anunciou que saía, que Zé Filho assumia e o candidato era Marcelo Castro, com Silvio Mendes de vice. Mas em maio tudo mudou: Zé Filho deixou claro que queria ser candidato, Marcelo ficou a ver navio e Silvio disse que não seria candidato a data, em solidariedade a Marcelo. Logo mudou de ideia, tornou-se vice de Zé Filho e, na eleição, os dois morreram abraçados.

Agora diz-se que o deputado Dr. Pessoa será candidato a um posto majoritário pelas oposições. Será? Também se diz que Firmino Filho será o capitão da oposição, sendo ou não candidato – com a mulher instalada em um partido (até hoje) confortavelmente governista, cabe a mesma pergunta: será?

Os exemplos das eleições passadas estão aí só para que todo mundo coloque as barbas de molho. Fica fácil concluir: tudo pode ficar como está, mas até agora não tem nada decidido.

Enzo será o candidato a deputado federal do PCdoB

Vereador Enzo Samuel: missão de disputar vaga na Câmara dos Deputados e garantir votação para o PCdoB superar cláusula de barreira

 

O vereador de Teresina Enzo Samuel será o candidato do PCdoB a uma vaga na Câmara dos Deputados. Inicialmente, a indicação do partido recaía sobre o ex-deputado Osmar Júnior, principal liderança do PCdoB no estado. Mas Osmar pode fazer parte do secretariado de Wellington Dias (PT), após as mudanças que acontecerão no início do abril, por força da legislação eleitoral.

Osmar é cotado para ocupar a Secretaria de Governo, em substituição ao deputado Merlong Solano (PT). Merlong terá que se desincompatibilizar para disputar vaga de deputado federal nas eleições de outubro. Além de Merlong, cerca de 20 ocupantes do governo deixarão seus cargos para a disputa de outubro.

O PCdoB vai lançar candidaturas à Câmara Federal em todos os estados, com a intenção de superar a cláusula de barreira estabelecida pela Lei Eleitoral. O partido que não superar essa cláusula perderá o acesso ao Fundo Partidário e ao tempo de rádio e TV. A Lei exige que o partido tenha pelo menos 1,5% dos votos válidos para a Câmara, distribuídos em no mínimo um terço das unidades federativas (nove unidades), com um mínimo de 1% dos votos válidos em cada uma delas. No Piauí, esse 1% significa cerca de 20 mil votos.

Essa é a missão de Enzo: garantir que o Piauí seja um dos nove estados que vão permitir o acesso do PCdoB ao Fundo Partidário.
 

Elisângela Moura vai concorrer à Assembleia

O PCdoB vai disputar também vaga na Assembleia Legislativa. O nome a ser apresentado pelo partido é o da presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura (FETAG), Elisângela Moura. A ideia é fazer uma campanha casada com a de Enzo Samuel, o candidato a deputado federal.

O PCdoB está em discussão com diversos partidos de médio e pequeno porte, no sentido de formar a chamada “Chapinha”. Entre as siglas que discutem essa articulação estão PTC, Podemos e PHS. Outras siglas, como o PR de Fábio Xavier, também integravam as articulações. Fábio, no entanto, manifestou a intenção de deixar a Chapinha.

Osmar Júnior é cotado para Secretaria de Governo


Osmar Júnior: líder do PCdoB no Piauí pode trocar candidatura a deputado federal por Secretaria de Governo
 

O ex-deputado e ex-vice-governador Osmar Júnior está sendo cotado para substituir Melong Solano (PT) no posto de secretário de Governo a partir de primeiro de abril. A pasta terá que substituir o titular em razão do prazo de desincompatibilização dos ocupantes de funções executivas que pretendem disputar as eleições de outubro: Merlong vai disputar uma vaga na Câmara dos Deputados.

Merlong é atualmente o segundo suplente da coligação que apoiou Wellington Dias (PT) em 2014. Com o licenciamento de Rejane Dias e Fábio Abreu para as secretarias de Educação e Segurança, Merlong chegou a assumir a cadeira de deputado federal – mas logo se licenciou, dando lugar ao terceiro suplente, Maia Filho, o Mainha.

A saída de Merlong do cargo está programada para o dia 30 de março. Nessa data, Wellington deverá substituir cerca de 20 ocupantes de funções de confiança que vão enfrentar as urnas de outubro. Alguns nomes começam a ser mais fortemente citados para o novo secretariado – como o de Lindomar Castilho para o comando da PM e Helder Jacobina, para a Educação. No caso da Secretaria de Governo, o nome com mais possibilidades é o de Osmar Júnior.

Osmar era citado como a alternativa do PCdoB para a disputa de uma vaga na Câmara dos Deputados, integrando a chamada Chapinha. Um nome do partido disputando a vaga de deputado federal é importante para o PCdoB alcançar a cláusula de barreira. Mas a possibilidade de assumir a Secretaria praticamente tirou Osmar da candidatura à Câmara.

Vale lembrar, Osmar foi vice-governador no primeiro mandato de Wellington Dias. Depois emplacou dois mandatos de deputado federal, sempre aliado do PT. Na última eleiçao, o PCdoB não se aliou ao PT. Mas a relação entre Welington e Osmar Júnior se restabeleceu sem problemas, até pela proximidade dos dois partidos em torno dos principais temas políticos do país, desde a luta contra o impeachment de Deilma Rousseff até as duras críticas à reforma da Previdência.

Evaldo garante que ‘Chapinha’ vai se viabilizar


Evaldo Gomes: conversas com Silas Freire e Osmar Júnior para garantir formação de 'Chapinha' competitiva
 

O presidente do PTC no Piauí, deputado Evaldo Gomes, mantém a confiança na viabilização da chamada “Chapinha” para as eleições deste ano. A afirmação foi feita em entrevista há, pouco, no Cidade Verde Notícias (Rádio Cidade Verde), quando informou ter participado já hoje pela manhã de reunião dos o deputado Silas Freire (Podemos) e o ex-deputado Osmar Júnior (PCdoB).

Silas dava indicações da intenção de não integrar a “Chapinha”, após o deputado Fábio Xavier ter dito que o PR não estava mais discutindo a participação na articulação de pequenos e médios partidos no sentido de formar uma coligação alternativa para a disputa de vagas nos legislativos Estadual e Federal. “A Chapinha vai sair”, disse Evaldo, categórico.

Ele acrescenta que a aliança deve contar com o Podemos de Silas Freire e com o PCdoB de Osmar Júnior. E não descartou a permanência do PR dos deputados Fábio Xavier e Fábio Abreu. Tudo isso, segundo ele, assegura grande competitividade à "Chapinha".
 

PTC faz filiações dia 15 de março

O presidente do PTC, deputado Evaldo Gomes, anunciou “filiações de peso” para o mês de março. Um primeiro evento vai acontecer dia 15 do próximo mês e inclui na lista de novos filiados os deputados Henrique Rebelo, Antônio Felix e Tererê. Pode ainda congtar com a filiação de Francis Lopes.

Até 7 de abril o PTC quer promover outro evento para filiações de ressonância, para disputa de vagas tanto na Assembleia Legislativa como para a Câmara dos Deputados. Indagado sobre os possíveis novos filiados, Evaldo tangenciou: “É surpresa”, disse.

Partidos terão R$ 2,6 bi para campanha deste ano


Campanhas Eleitorais: este ano, a conquista do voto terá a injeção de R$ 2,6 bilhões provenientes dos cofres públicos

 

Uma decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) vai engordar de forma bem substancial os cofres das campanhas deste ano. É que o Tribunal autorizou os partidos a utilizarem os recursos do Fundo Partidário nas campanhasde 2018. Isso quer dizer que a bolada será de pelo menos R$ 2,6 bilhões, valor que vai ser acrescido de doações individuais – já que a Justiça Eleitoral tambem autorizou o autofinanciamento.

Em consonância com a decisão do TSE, os partidos terão R$ 888,7 milhões provenientes do Fundo Partidário, recursos que financiam as atividades regulares das siglas. Há ainda R$ 1,7 bi do Fundo Eleitoral, dinheiro que se destina exclusivamente às campanhas. Ocorrer que o TSE decidiu que os partidos podem usar o dinheiro do Fundo nas campanhas.

Tem gente festejando, como o presidente do PTB, Roberto Jeferson: ele diz que fez uma poupança nos anos anteriores e, portanto, tem grana extra para a campanha deste ano. E, conforme o TSE, esse dinheiro pode ser usado na campanha, sem restrições. Partidos como Podemos reclamam: acham um desvio de finalidade, já que há um Fundo específico para o financiamento das campanhas.

De qualquer modo, a distribuição dos dois fundos favorece os grandes. Tome-se o caso do Fundo Partidário, que este ano está nos R$ 888,7 milhões, valor mais alto desde que foi criado. Vale lembrar, esse Fundo cresceu geometricamente desde 2014, apoiado por uma Dilma que buscava apoio dos partidos. Naquele ano, o Fundo foi de R$ 364 milhões. Dilma permitiu que ele pulasse em 2015 para R$ 867 milhões. Em 2016 e 2017 o Fundo Partidário estacionou em nada desprezíveis R$ 819 milhões, para agora chegar a quase R$ 900 milhões, com as bênçãos de Michel Temer e dos mais que interessados deputados e senadores.

Da bolada prevista para esse ano, 5% (R$ 44,5 milhões) serão divididos em partes iguais entre todos os partidos com registro no TSE. Mesmo aquela sigla quase sem voto e sem nenhum representante parlamentar, receberá uma fatiazinha de cerca de R$ 1,3 milhão. Os restantes 95% serão distribuídos proporcionalmente à representação do partido na Câmara dos Deputados. É onde as grandes siglas bombam.
 

As siglas que mais levam do Fundo Partidário

Até grandes partidos estão reclamando da distribuição do Fundo Partidário: argumentam que a decisão dom TSE favorece siglas que não têm efetiva vida partidária, em detrimento das que têm. Seja como for, as grandes legendas não têm muito do que reclamar porque são extremamente favorecidas tanto na distribuição do Fundo Partidário quanto do Fundo Eleitoral.

A divisão do Fundo Partidário destinará às seis maiores siglas (PT, PSDB, MDB, PP, PSB e PSD) nada menos que 53,7% do rico bolo formado com recursos públicos. Traduzindo em números: esses seis partidos ficam com R$ 477 milhões do total. Somente as três maiores (PT, PSDB e MDB) levam 35% da bolada, ou R$ 310 milhões. Uma ajuda e tanto na campanha deste ano.  

Confira o que cabe a cada um dos seis grandes do clube partidário brasileiro:

PARTIDO PERCENTUAL VALOR (R$ MILHÕES)
PT 13,3 118
PSDB 11,0 97
MDB 10,7 95
PP 6,4 57
PSB 6,3 56
PSD 6,0 53

Podemos de Silas também deve deixar a ‘Chapinha’


Deputado Silas Freire: pronto para deixar a Chapinha e disputar vaga na Câmara pela grande coligação de partidos governistas

 

A chamada “Chapinha”, que ficou ferida de morte após a decisão do PR de não mais participar da articulação, pode sofrer o tiro de misericórdia nos próximos dias. Isto porque o Podemos do deputado federal Silas Freire deve anunciar em breve que também está fora. A decisão está diretamente vinculada à viabilidade eleitoral da Chapinha, uma aliança governista alternativa para a eleição proporcional.

Iniciativa do presidente do PTC, deputado Evaldo Gomes, a Chapinha apareceu no cenário político como uma segunda coligação dentro da base do governo para disputar vagas na Assembleia e na Câmara Federal. A ideia é simples e já largamente utilizada com sucesso, inclusive pelo próprio Evaldo na disputa por cadeiras na Assembleia, em 2010 e 2014: une pequenos partidos e cria as condições para eleição de candidatos que, nas alianças com as grandes siglas, não teriam chances.

A articulação incluía PTC, PR, Podemos, PCdoB, PHS e outas siglas. E apresentou o ousado propósito de eleger dois deputados federais. Para isso, reuniu um leque de candidatos com potencial importante de votos: Marcos Vinicius (PTC), Silas Freire (Podemos), Fabio Abreu (PR), Cida Santiago (PHS) e Osmar Júnior (PCdoB). Sonhava-se, ainda, com o PRB e a candidatura de Gessivaldo Isaias – esta atropelada pela decisão nacional de entregar a sigla ao deputado Rodrigo Junior.

O cálculo era que esse time poderia ter algo em torno de 250 mil votos, com possibilidade real de eleger dois deputados federais. O afastamento do PRB – que com Rodrigo vai para a oposição – representou um baque. Também não se tem certeza na candidatura de Osmar Júnior. Mas a articulação ficou mesmo em estado crítico com a saída do PR de Fábio Abreu. Sem os votos das duas siglas, o risco é que a Chapinha sequer alcance o quociente eleitoral que garanta uma única vaga.

O cálculo de pessoas próximas a Silas Freire é que a Chapinha sem o Fabio Abreu e Osmar Júnior se resumirá a uma guerra aberta entre Silas e Marcos Vinícius para saber quem ficará em primeiro lugar. Além disso, há senões no caminho da candidatura do representante do PTC, o que pode tornar real uma situação nada confortável para Silas: ele até 80 mil votos e a aliança não atingir o quociente. Aí, nem eleição e nem mesmo suplência.

Nesse quadro, o Podemos tende a deixar a Chapinha de lado e fazer como o PR: vai disputar vagas na Câmara Federal dentro da grande coligação dos partidos governistas, junto com PT, PP, MDB, PSD e PTB. Outra briga de foice. Mas com a certeza de, pelo menos, ficar numa boa suplência.

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