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Wellington e Previdência: dilema entre a política e a gestão

Wellington Dias: o político é contra a reforma da Previdência; e o gestor pede uma saída para o deficit da previdência estadual

 

O governador Wellington Dias (PT) já decidiu. E a secretária de Educação, Rejane Dias, confirmou: os dois deputados federais do Piauí afastados para exercício de cargos de secretário – a própria Rejane e o secretário de Segurança Fábio Abreu – vão retornar à Câmara dos Deputados por ocasião da votação da reforma da Previdência. Wellington quer assegurar dois votos contrários à proposta do governo.

A decisão atende ao político Wellington e seus compromissos com o PT, no embate com o governo federal e de olho em 2018. Mas essa decisão cria embaraços para o gestor Wellington, o governador que reconhece dificuldades com as contas da Previdência estadual.

O sono do governador deve ficar um pouco atormentado. De um lado, povoa a cabeça a possibilidade da reforma passar. De outro, a da reforma não passar. O que seria pior para Wellington, no conflito interno entre o político e o gestor?

De acordo com dados já revelados pelo próprio governador, a Previdência estadual tem um déficit de R$ 1 bilhão por ano. Se lembrarmos que a economia do Piauí representa meio por cento do PIB nacional, esse valor, nacionalizado, corresponderia a um déficit de R$ 200 bilhões nas contas da União. É quase 30% mais que o rombo federal. Mas, claro: essa conta não é precisa; aqui fazemos uma simples associação para destacar as dificuldades do governo estadual.

Essa associação também serve para mostrar que o problema é grave, tanto lá quanto cá.

Se a reforma não passa, o político Wellington vai comemorar por ajudar a infligir uma surra ao governo Temer. Mas é possível que o governador lamente diante da falta de perspectivas para o drama das contas com a Previdência estadual.

O mais grave é que, se a reforma passar, o dilema não diminui. O Wellington político terá, nesse caso, sofrido uma derrota junto com o PT, mas o governador terá à mão a possibilidade de seguir uma receita aprovada pelo Congresso.

O drama adicional de Wellington é que, no caso da reforma passar, outra vez o gestor e o político estarão em conflito. Se for aprovada como se encaminha a proposta de reforma da Previdência, os estados terão um prazo (seis meses) para fazer sua própria reforma – ou simplesmente não fazer nada e aderir à regra aprovada no plano federal.

Portanto, Wellington terá uma receita definida pelo Congresso. Mas não necessariamente precisa segui-la. E aí permanecem os dilemas. Não seguir a reforma é apegar-se a uma pregação política que pode não ajudar a corrigir o rombo previdenciário do estado. Segui-la é matar o discurso de ser contra a proposta.

O empenho do governador, através da exoneração dos secretários-deputados para exercício do voto contra a reforma, é um ingrediente a mais na complicação do dilema que Wellington terá pela frente.

Dilma ou Temer. Quem é o pai ou mãe da crise brasileira?


Temer e Dilma: pai e mãe de uma crise “como nunca antes na história deste país”

 

Quando Michel Temer assumiu pra valer, há menos de um ano, o Brasil já tinha 12 milhões de desempregados e avançava no terceiro ano de crise econômica – o segundo de recessão braba. E os especialistas apontavam para o crescimento desse desemprego. Pois bem: o desemprego chegou aos 14 milhões. E, menos de um ano depois de Temer chegar ao Planalto, no rastro da pouca eficácia das ações de governo e da absoluta incapacidade comunicativa do presidente, vai-se trocando o nome do pai da criança.

A crise de fato começa ainda no final do segundo governo Lula, mercê de ações que minavam as perspectivas da política econômica. Com Dilma, a coisa saiu do sinal amarelo, passou para o sinal vermelho e logo chegamos ao quadro negro. As medidas adotadas tentavam criar uma outra matriz econômica. Muitas medidas eram desencontradas, inócuas ou simplesmente um tiro no pé.

Resultado: Dilma deixou o Brasil com uma sequência de dois anos de recessão num quadro tão grave que os especialistas dizem que supera até mesmo os anos de 1930 e 1931, o trágico biênio pós-crash da bolsa novaiorquino.

Se dermos atenção a certas manifestações dos últimos dias, especialmente de algumas lideranças do PT, há um esforço para se dar nova paternidade à crise. Ao invés de Dilma, Michel Temer. Talvez seja injusto. Mas que se traga rápido uma explicação: não é injusto atribuir a Temer. É injusto deixar Dilma de fora.

Se um governo é uma coalizão, PT e PMDB são parte direta da construção da crise. Desde 2011 Temer fazia parte do governo. E se manteve, porque se reelegeu com Dilma em 2014, seguindo avalista das ações da petista.

Portanto, a questão não é saber se a crise tem pai ou mãe. Mas lembrar que ela tem pai e mãe.

 

As perspectivas de recuperação

Independente do pai ou mãe da crise, o país se pergunta quando teremos a retomada do desenvolvimento. E o que é possível ser feito para que o Brasil reencontre o caminho do reaquecimento econômico. Por enquanto, o que tem crescido é tão somente a temperatura política, no embalo dos conflitos que deixam de lado as discussões substantivas. O debate é tomado pelo bate boca.

Vem o governo e diz que a reforma da Previdência é importante – uma frase já dita antes por Lula e Dilma, quando presidentes. Mas reação no âmbito político não tem sido racional. O emocional toma conta. Prevalece o clima de torcida, do contra ou a favor, sem maiores (ou qualquer) argumento.

Seria bastante razoável que as lideranças políticas do país pensassem um pouquinho no Brasil. E fizessem um debate real, não uma discussão, um bate boca. Caberia, mais que nunca, um debate em que cada um, ao invés de gritar, argumentasse.

Por exemplo: é contra a reforma da Previdência? Ok. Então, qual a alternativa. É contra a reforma trabalhista? Mais uma vez, Ok. E outra vez: qual seria a alternativa?

O país está cheio de perguntas. Mas faltam respostas, sobretudo respostas consistentes e desprovidas de paixão, essa paixão que embala as arquibancadas dos estádios em dia de clássico.

Silas Freire, com o governo agora e contra o governo, depois?

O deputado Silas Freire (ainda no PR mas a um passo do Podemos) votou com o governo na proposta de reforma trabalhista. Mas tem avisado que é contra a reforma da Previdência. Se tiver oportunidade e se a proposta continuar como está, vota contra. Mas talvez sequer tenha a oportunidade de votar, já que Wellington Dias vai mandar de volta para a Câmara os deputados titulares Rejane Dias (PT) e Fábio Abreu (PTB), tirando temporariamente da cadeira os suplentes Silas e Mainha (PP).

O governador Wellington Dias quer assegurar esses dois votos contra a reforma da Previdência. No caso de Silas, talvez nem precisasse. O deputado já é contabilizado como membro do Podemos (a ser formalmente criado dia 19 de maio). E na votação desta semana entrou na conta dos 8 votos dados pelo partido à proposta do governo. Mas no caso da reforma da Previdência o governista se transforma e antigovernista.

A bancada do futuro Podemos tem 14 membros, Silas entre eles. E o deputado piauiense já avisou que acompanhou o grupo na reforma Trabalhista. Mas só teria condições de apoiar a reforma da Previdência se fossem feitas algumas mudanças. Entre elas, um tratamento diferenciado para as forças de segurança pública.

Silas se alinha com a chamada “bancada da bala”, aquele grupo de parlamentares que defendem posições como redução da maioridade penal e acham que esse negócio de direitos humanos é uma boa maneira de defender bandido. São posições polêmicas, mas com considerável apoio popular.


Senador Álvaro Dias: um nome que Podemos colocará como opção para a Presidência da República

Álvaro Dias candidato a presidente?

Será no próximo dia 19 o lançamento oficial do Podemos, o novo nome do velho PTN. O partido, com essa sigla, já teve em seus quadros Jânio Quadros e Celso Pitta, ex-prefeito de São Paulo. Agora quer dar uma remoçada repetindo um nome que faz sucesso na Espanha.

Lá, o Podemos é um partido de esquerda e bastante horizontal – com ampla participação dos militantes em suas decisões, inclusive utilizando-se muito das redes sociais. Aqui o perfil é outro, no espectro da centro-direita.

Mas os sonhos do Podemos são ambiciosos. E ao ganhar novo nome no dia 19 – vale observar, 19 é o número do partido –, o Podemos quer também incorporar novos personagens, e de peso. Entre os novos filiados estarão os senadores Romário (PSB-RJ) e Álvaro Dias (PV-PR). Para ambos, os projetos são grandiosos.

Álvaro Dias será lançado à presidência da República no mesmo dia. E Romário ao governo do Rio de Janeiro. No caso de Álvaro, a intenção é ocupar o que o partido considera um vácuo de lideranças e perspectivas no Brasil. 

É ver e conferir no que vai dar.

TSE quer apressar julgamento da chapa Dilma-Temer. Defesa quer o contrário


Herman Benjamin: fim de mandato apressa julgamento da chapa Dilma-Temer

 

Se depender do ministro Herman Benjamin, relator do processo que pede a cassação da chapa Dilma-Temer, a matéria entra, ainda em maio, na pauta do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O ministro e boa parte do TSE desejam assim. Mas não depende só da vontade dele e de alguns colegas, porque agora vai-se travar uma luta em torno do tempo até o fim do processo.

O presidente Michel Temer se agarra ao tempo como recurso fundamental, porque as evidências levantadas ao longo do processo jogam contra seus interesses. Está mais que documentado o uso de recursos de caixa 2 na campanha de 2014, bem como a origem ilegal desses recursos. Os depoimentos dos ex-executivos da Odebrecht, assim como os do casal de marqueteiros João Santana e Mônica Moura, sacramentam essa leitura.

Na contramão, o ministro Herman Benjamin tem pressa. E tem pressa por dois motivos principais. O primeiro, que deseja esgotar logo um processo importante em seu currículo. Segundo, porque precisa correr mesmo, pois há o risco de sair do TSE sem ver a matéria votada. O problema é que o mandato de Herman Benjamin termina em outubro próximo.

As mudanças na composição do TSE têm se convertido em um aliado de Dilma Rousseff e (principalmente) Temer, que jogam com o atraso do relógio – isto é, com a protelação. Em abril, saiu o ministro Henrique Neves, substituído por Admar Gonçalves, que assumiu ontem. A substituição aconteceu dentro do previsto, já que Gonçalves era ministro-substituto. Mas isso não quer dizer que ele não venha pedir prazo extra para avaliar melhor o processo.

Agora em maio haverá uma nova mudança. Sai a ministra Luciana Lóssio, cujo mandato acaba dia 5 – portanto, na próxima semana. Em seu lugar assume o também ministro-substituto Tarcísio Vieira Carvalho. Não será surpresa se também ele pedir prazo para analisar o processo mais detidamente.

Herman Benjamin quer que o TSE coloque o processo em pauta. A partir dessa decisão, a defesa terá cinco dias úteis para apresentar suas alegações. Após esse prazo, o Ministério Público terá dois dias para seu último parecer. E o que o relator quer é ver o processo esgotado até outubro.

Se não, será substituído. E aí a tarefa caberá a outro ministro. Que precisará de mais tempo.

Deputados do Piauí mostram fidelidade a Temer e mantêm cargos


Paes Landim: fidelidade ao governo e controle do ICMBio e delegadias da Agricultura e Trabalho

 

No primeiro “teste de governismo” pra valer, os deputados do Piauí mostraram toda a fidelidade ao poder. Na votação da reforma trabalhista, só o deputado Assis Carvalho (PT) votou não. Os demais disseram “sim”. O resultado concreto é que ninguém sai abalado na sua relação com o governo federal.

Dito de forma claro: todo mundo vai manter os cargos que tem na esfera federal.

Para garantir a fidelidade dos parlamentares da base governista, o Palácio do Planalto entrou em ação pra valer. Fez ministro voltar para a Câmara e deixou no ar a possibilidade da perda de cargo, caso o voto não correspondesse às expectativas. Esse aceno foi feito especialmente para o PSB, que tirou posição oficial contra as reformas, tomando essa decisão como indicativo para o comportamento da bancada do partido.

Não deu muito certo. E não deu porque a decisão da Executiva traduz a disputa interna no PSB, dividido entre os grupos de São Paulo e Pernambuco. Na prática, a bancada se dividiu ao meio: 16 votaram contra a reforma trabalhista (portanto, contra o governo) e 14 a favor. Faltaram quatro. Desses, um seria contra e três a favor. Placar final: 17 a 17.

Ontem mesmo, o ministro Fernando Bezerra Filho (PSB-PE) voltou ao cargo. No caso do Piauí, todos os três socialistas (Átila Lira, Rodrigo Martins e Heráclito Fortes) acompanharam o governo. Também seguiram o governo Iracema Portela (PP), Marcelo Castro (PMDB), Júlio César (PSD), Paes Landim (PTB), Silas Freire (PR) e Mainha (PP). Só Assis carvalho (PT), que é oposição, ficou no contra.

Os deputados piauienses fiéis ao Planalto mantêm o controle de pedaços importantes do governo. Confira o cargo controlado por cada um:

Marcelo Castro: Tem sob controle, no Piauí, a Conab e a DNPM.
Átila Lira: indicou dirigentes da Funasa e CPRM.
Rodrigo Martins: Controla no Piauí o MDA, INSS e Chesf.
Júlio César: É da sua cota Incra, Correios e uma Diretoria no Ministério dos Transportes.
Iracema Portela: Controla Iphan, DNOCS e Pesca.
Paes Landim: É dele indicação no ICMBio, Delegacia da Agricultura e do Trabalho.
Silas Freire: Cabe a Silas indicar a direção da Anatel no Piauí.
Mainha: É o responsável pela FUNAI.
Heráclito Fortes: Na distribuição interna do PSB, controla Ibama, Infraero e SPU (patrimônio da União). Tem ainda, numa deferência pessoal do presidente Temer, diretoria no Banco do Brasil.

Opinião pública está guiando decisões da Justiça, diz Daniel Oliveira


Daniel Oliveira: crítico à influência da opinião pública nas decisões do Judiciário (FOTO: GLENDA UCHOA)

 

O processo de decisão judicial está hoje muito contaminado pelas pressões que partem de diversos setores da sociedade. Foi o que disse em entrevista ao Acorda Piauí, na Rádio Cidade, o secretário de Justiça do Estado, Daniel Oliveira, manifestando preocupação a respeito. “Eu vejo o Judiciário muito influenciado pela opinião pública”, afirmou.

O comentário foi feito quando o secretário analisava o funcionamento do sistema prisional, criticando o que chama de cultura do encarceramento. Para ele, não se faz justiça somente com a prisão, e lamenta que predomine na sociedade e até entre alguns magistrados uma espécie de ânimo de vingança, onde a prisão seria a tradução desse sentimento.

Citou como o exemplo o caso do ex-goleiro Bruno, que acabou de voltar para a cadeia numa situação que considera absurda. Lembrou que o processo do ex-goleiro não foi concluído, e que não caberia a prisão. Daniel Oliveira foi questionado se a decisão, no âmbito do Supremo Tribunal Federal, estaria guiada pela opinião pública, que reagiu mal à soltura do jogador.

Para ele, há sim uma forte influência da opinião pública nessas decisões. E diz que preocupa: “Eu vejo que é ruim porque o Poder Judiciário é nosso poder garantista”, aquele que vai assegurar as garantias individuais e os direitos coletivos. “Por isso, o Poder Judiciário precisa ter uma linha de neutralidade”, afirmou.

 

Secretário contesta Sinpoljuspi

O secretário Daniel Oliveira contestou declarações feitas ontem, no Acorda Piauí, pelo presidente do Sindicato dos Agentes Penitenciários do Piauí (Sinpoljuspi), Kleiton Holanda. Holanda denunciou a falta de ação da Secretaria na atenção aos detentos, inclusive sem oferecer cuidados médicos elementares. E que a secretaria seria incompetente até mesmo para tratar um simples caso de sarna.

“Respeito [as declarações], mas não concordo”, disse, acrescentando que as denúncias do presidente do Sinpoljuspi não são verdadeiras. Reconheceu algumas carências, como a falta de medicamentos (responsabilidade da Secretaria de Saúde). Disse ainda que o serviço de atenção médica pode não funcionar a contento, mas está presente em todas as unidades prisionais.

Daniel Oliveira também negou a denúncia de que servidores contratados pelo Estado para atuar nos presídios não estariam dando expediente. “Isso não cabe mais na gestão pública”, ressaltou, acrescentando que quando um servidor falta sem razão plausível, tem o ponto cortado.

No link abaixo, ouça a íntegra da entrevista do secretário Daniel Oliveira.

 

Sarna contamina todos os presídios e falta atenção médica, diz Sinpoljuspi


Kleiton Holanda, do Sinpoljuspi, cobra ação do Estado para garantir saúde nos presídios piauienses

 

Todos os presídios do Piauí estão contaminados, com ampla presença da escabiose (sarna) entre detentos e sem atenção médica por parte da Secretaria de Justiça. Foi o que afirmou hoje cedo ao Acorda Piauí (Rádio Cidade Verde) o presidente do Sindicato dos Agentes Penitenciários do Estado do Piauí (Sinpoljuspi), Kleiton Holanda.

Esse quadro tem um agravante: a pequena atenção que ainda é dada à saúde dos presidiários, em Teresina, acontece nas UPAs mantidas pelo município – o que geraria riscos para o cidadão que usa essas unidades de saúde. Segundo Kleiton, essa situação ocorre porque as unidades básicas que deveriam funcionar em cada presídio não funcionam por falta de equipamento ou pela ausência de pessoal contrato. “A maior parte não aparece”, denuncia.

Segundo o presidente do Sinpoljuspi, a ocorrência de sarna no presídio de Esperantina não é um caso isolado. “É uma pandemia. Está em todas as unidades prisionais”, afirma. E alerta para a falta de cuidados no tratamento da doença. “A Secretaria de Justiça não tem competência sequer para combater uma coceira”, ataca.

Segundo relata, o procedimento adotado pela secretaria no presídio de Esperantina foi dedetizar as celas. “Dedetizar é para inseto. Escabiose se trata com remédio”, diz, observando que falta medicamento em todos os presídios. Também alerta para o risco da doença se alastrar fora das unidades prisionais.

Para Kleiton, isso é possível porque há uma relação dos detentos com muitas pessoas. Lembra que eles recebem as visitas de familiares, bem ciomo dos advogados e de juízes. Essas pessoas entram em contato com detentos infectados e carregam consigo a doença, trazendo para fora dos presídios.

No link abaixo, você pode ouvir a íntegra da entrevista de Kleiton Holanda à Rádio Cidade Verde.

 

Esgotamento sanitário no Piauí dá vergonha, diz Fábio Xavier


Secretário Fábio Xavier: desafio de preparar municípios para mudanças no saneamento básico

 

O estado do Piauí está atuando em 100 municípios no sentido de elaborar os Planos Municipais de Saneamento Básico. O objetivo é assegurar as condições para enfrentamento de uma das mais graves lacunas nos serviços essenciais, no caso o saneamento e em especial o esgotamento sanitário.

Foi o que revelou em entrevista à Rádio Cidade Verde o secretário estadual das Cidades, deputado Fábio Xavier. Para ele, esse é um problema grave. Segundo ele, nas condições atuais, “o esgotamento sanitário nos envergonha”. Cita especificamente o caso de Teresina, onde a cobertura não chega a 20%. No interior, não chega a 10% os municípios com esgotamento sanitário ao menos razoável. “A maior parte tem zero por cento de cobertura”.

O esforço da secretaria, segundo Fábio Xavier, é agilizar na elaboração desses planos municipais, sem os quais os municípios sequer podem ter acesso a recursos federais destinados ao saneamento. “Desses 100 municípios, já temos uns 30 concluindo os planos”, informou.

Ele disse ainda que o Estado, através da secretaria, investiu no ano passado cerca de R$ 40 milhões no saneamento básico de municípios do interior. Um dos municípios beneficiados é Joaquim Pires, que está com obras em andamento para alcançar uma cobertura de cerca de 90%.

Fábio Xavier destacou a importância do saneamento para uma melhor qualidade de vida, inclusive pelo impacto que tem na saúde da população. O cálculo é que, para cada Real investido em saneamento, verifica-se a economia de quatro Reais nos gastos com saúde.

 

Silas não vai atrapalhar

O deputado Fabio Xavier também falou sobre as mudanças na Fundação Nacional de Saúde (Funasa), que era presidida pelo piauiense Henrique Pires. A pasta, parceira fundamental nas ações da Secretaria das Cidades, será comandada agora por integrante do Podemos, o mesmo partido do deputado Silas Freire.

Silas foi aliado de Fábio, mas agora os dois não têm maiores afinidades. Mas Fábio ressalta que não é adversário de Silas; apenas deixou de ser aliado. Além disso, acha que a mudança na presidência não vai alterar a relação da Funasa com a secretaria.

Lembra que Silas Freire está chegando ao Podemos e “não sei a extensão da força do deputado dentro do partido”. Mas mostrou-se confiante de que Silas não vai atrapalhar: “Se ele [Silas] tiver força lá, vai usar essa força para ajudar o Piauí”.

Discussão sobre PEC mostra conflito de interesses no Ministério Público


Rômulo Cordão, do GAECO, denuncia PEC sobre Ministério Público como instrumento para conter investigações

 

O conflito em torno da PEC que redefine as regras de eleição do Procurador-Chefe do Ministério Público do Piauí (MP) revelaria o enfrentamento entre dois grupos internos. Um, que desejaria reforçar as investigações em curso, especialmente no âmbito do GAECO, relacionadas ao crime organizado. Outro, que desejaria travar tais investigações.

Essa é a conclusão que se tira da fala do promotor Rômulo Cordão, coordenador do GAECO – Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado. A PEC restringe aos procuradores a possibilidade de eleição para o cargo de Procurador-Chefe, excluindo os promotores.

Em entrevista à Rádio Cidade Verde, o promotor disse ver na proposta aprovada pela Assembleia Legislativa um desejo expresso de amordaçar o Ministério Público, na medida em que fortalece o grupo que controlou a instituição por longo período. Ao fazer referência a esses grupos, Cordão não cita nomes, mas é claro ao situar datas.

Ele lembra que os atos do MP no período de 2004 a 2008 foram objeto de investigação do Conselho Nacional do Ministério Público (CNPM), que encontrou diversas irregularidades. Nesse período, o procurador-chefe era Emir Martins, que no ano passado foi preso no âmbito da operação Il Capo, que nasceu das investigações do CNMP. A fala de Cordão é clara: o grupo que deseja amordaçar as investigações como as do âmbito da GAECO envolvem pessoas ligadas ao antigo comando do MP. Também revela que os políticos têm interesse nessa mordaça, já que o trabalho do GAECO se relaciona basicamente às pessoas com prerrogativa de foro, como deputados, prefeitos, vereadores e secretários.

Para Rômulo Cordão, a tentativa de tirar autonomia do Ministério Público é um movimento nacional, que se revela, por exemplo, na proposta de lei de combate ao abuso de autoridade, apresentada pelo senador Renan Calheiros (PMDB-AL), “um cara muito honesto” – diz irônico. Para Cordão, a proposta é mais um intento de limitar as ações de membros do Ministério Público, juízes e Polícia Federal.

Acesse o link abaixo e escute a íntegra da entrevista de Rômulo Cordão na Rádio Cidade Verde.

 

 

Piauí tem prejuízo de quase R$ 1 bi com transporte ruim e perda de tempo

Ônibus lotados e engarrafamentos: perda de tempo que gera prejuízo de R$ 232 bi para o Brasil, cerca de R$ 1 bi só no Piauí

 

Tem pouco sentido, no Brasil, a máxima muito forte no mundo anglo-saxão segundo a qual “tempo é dinheiro”. E o país segue jogando dinheiro no lixo com as perdas econômicas geradas por “tradições brasileiras” como as filas, os transportes coletivos ruins e os enormes engarrafamentos.

Perder tempo na fila ou no engarrafamento significa dar uso nenhum a um tempo que poderia ser traduzido em produção, seja no trabalho ou no estudo. E não é pouco dinheiro jogado fora.

Pesquisa sobre o deslocamento casa-trabalho-casa dos trabalhadores na Região Metropolitana do Rio de Janeiro mostra que a região perde uma baba com o caos no trânsito: R$ 35,7 bilhões. A pesquisa, realizada pelo governo fluminense, revela que essa grana toda corresponde a 8,1% do PIB da região.

A situação do Rio é a pior, mas os outros grandes centros não perdem pouco:  6,6% do PIB em Belém; 6,2% em São Paulo; 5,2% em Belo Horizonte. E por aí vai. Em termos nacionais, o Brasil perde mais de R$ 232 bilhões, ou 2,7% do PIB. Tomando a média nacional de impacto sobre o PIB, a pesquisa aponta para perda quase bilionária no Piauí. Com um PIB da ordem de R$ 35 bilhões, os 2,7% desse bolo representariam R$ 945 milhões de prejuízos à economia piauiense. Se os críticos quiserem colocar nossa perda "somente" na metade da média nacional, ainda assim seria quase meio bilhão de prejuízo.

É muita grana jogada fora, resultado da falta de produção pelo tempo perdido no deslocamento entre casa e trabalho.

Some-se a esse prejuízo outras perdas causados pelos maus serviços e a burocracia. Por exemplo, as filas naqueles lugares onde não podemos deixar de ir: banco, Detran, cartórios etc. Calcule quantos minutos por mês você perde na fila do banco (o deslocamento e tempo de espera na agência ou no caixa eletrônico). Faça agora o cálculo do valor da sua hora de trabalho, levando em conta sua remuneração mensal e a jornada que cumpre a cada dia. Pronto: você tem ideia de mais uma perda – mais um tempo que você usou sem produzir nada.

Se somente com as perdas no trânsito chegamos perto de R$ 1 bilhão de prejuízos no Piauí, imagine quando a soma incorporar as perdas com as filas. Talvez chegue a R$ 1,5 bilhão, ou mesmo a R$ 2 bilhões. Quem sabe?

Certo mesmo é que esses dados mostram o quanto a ineficiência de nossos serviços, acrescida da absurda burocracia, implica em atraso para o Brasil e para os brasileiros. Quando se pede, por exemplo, transportes coletivos mais eficientes, pede-se um trato mais humano com a cidadania. E, ao mesmo tempo, cobra-se maior contribuição com o desenvolvimento econômico, que é outro modo de cuidar bem da cidadania.

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