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Reforma trabalhista quer nova relação entre empresa e trabalhador


Deputado Átila Lira: defesa de novas regras para as relações trabalhistas no Brasil

 

O Brasil, através do Congresso, tem quatro grandes desafios este ano. São quatro grandes reformas: a da Previdência, a Trabalhista, a Fiscal e a Política. Todas consideradas cruciais para a redefinição do arcabouço institucional e para o próprio estabelecimento de um novo perfil de país. No caso da reforma trabalhista, a grande preocupação é modernizar a relação entre empresas e trabalhadores.

Não é uma tarefa fácil, porque – tal como as outras três reformas – tem implicações diversas. Ou seja: afronta interesses distintos e contrários.

O Piauí tem representante na comissão que cuida da reforma trabalhista. É o deputado Átila Lira (PSB), que em entrevista ao Acorda Piauí, da rádio Cidade Verde, nesta sexta-feira, disse considerar a discussão fundamental e urgente. Átila lembra que as principais legislações trabalhistas, mundo afora, surgiram na primeira metade do século passado. “Mas todo mundo já fez a revisão. E o Brasil não fez”, diz.

As relações trabalhistas, ou especificamente os custos dessa relação, são apontadas como uma das razões do chamado “Custo Brasil”, considerado muito elevado. Tal Custo é visto como razão de afastamento de muitos investidores, já que o custo de um empregado brasileiro é muito mais elevado que em outras partes do mundo, diante do impacto de tributos e contribuições de caráter social.

Mas esta é só uma das muitas preocupações da reforma. Quando o deputado Átila fala da necessidade de modernização da relação entre empregador e empregado ele está se referindo a questões até triviais, como o “ponto” que é cobrado ao trabalhador como confirmação de cumprimento da jornada.

Em tempos de novas tecnologias da informação, estranha-se a cobrança de ponto para algumas atividades. Basta lembrar o crescimento do trabalhador que presta serviço a partir de casa ou de estações remotas. Nesse caso cada vez mais comum, como exigir o tal ponto?

Outro item muito debatido é o do acordo coletivo. Muitas categorias negociam redução de jornada e até de vencimentos, tendo como contrapartida a garantia do emprego. Muitas vezes esses acordos, sacramentados entre empresas e sindicatos, são derrubados na Justiça do Trabalho.

A comissão da reforma trabalhista está discutindo esse tema de modo muito especial. A tendência é que esses acordos coletivos tenham mais força que as leis; que se sobreponham à legislação geral – como já acontece há décadas em nações mais desenvolvidas. É verdade, há reações por parte de alguns sindicatos. Mas é provável que prevaleça essa tendência.

Os debates na comissão ainda vão se alongar pelos próximos meses, devendo resultar em momentos críticos. Mas há uma esperança razoável de que, através do debate saudável e necessário, avanços significativos sejam alcançados. E que se possa chegar a um bom termo entre a redução de custo para o empregador e a proteção ao empregado.

O que o Brasil deseja é uma legislação mais moderna, capaz de tornar mais fluida a relação entre empresa e trabalhador. E que as novas condições ajudem a construir uma quadro de empregabilidade mais favorável.

Deputado Evaldo Gomes deverá ser o presidente da CCJ


Deputado Evaldo Gomes deverá ser novo presidente da CCJ, e com o aval do palácio de Karnak

 

O deputado Evaldo Gomes (PTC) deverá ser o novo presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Assembleia Legislativa do Piauí. O entendimento foi adiantado pelo líder do governo na Alepi, deputado João Deus, em entrevista ao Acorda Piauí, hoje pela manhã, na Rádio Cidade Verde.

A CCJ é considerada a mais importante das comissões técnicas do Legislativo, já que todas as matérias que tramitam pela Assembleia precisam do parecer desse colegiado. Normalmente, a CCJ é a comissão que mais merece atenção do governo – de qualquer governo –, que se empenha em ter na presidência um aliado. Isso porque o presidente da comissão tem papel determinante na tramitação das matérias, já que é diretamente responsável pelo agendamento (ou não) dessas matérias. Traduzindo: pode ajudar muito; ou atrapalhar.

A escolha de Evaldo Gomes – e ainda mais que revelada pelo líder do governo – termina por explicitar o alcance do acordo do PTC com o governo Wellington Dias. Nas mudanças de secretariado negociada nestas últimas semanas pelo governador, o PTC será agraciado: caberá ao partido a Coordenadoria de Crédito Fundiário – que deixa de ser diretoria da SDR e ganha autonomia financeira. E também a presidência da CCJ. Evaldo chega ao potsto, portanto, com o aval do Karnak.

Outra comissão que tem nome praticamente certo é a de Finanças, que será presidida pelo peemedebistas Severo Eulálio. Severo também atende aos interesses do governo. Basta lembrar, até agora ele era presidente precisamente da CCJ, que passa ao comando de Evaldo.

A definição dos integrantes do conjunto de comissões técnicas ainda não foi concluída porque depende dos partidos ou grupos de partidos. Há distribuição proporcional ao tamanho do partido ou bloco. Falta ainda o PSDB decidir quem será seu líder, ou se estará no bloco com o PDT de Robert Rios – neste caso, o líder seria Robert.

Toda essa definição em torno das comissões só deve ser finalizada depois do carnaval, quando serão formalizados os membros e, principalmente, os dirigentes de cada comissão.

Idade mínima de aposentadoria pode ser modificada na reforma da Previdência, admite Marun


Deputado Carlos Marun admite mudança na idade mínima de aposentadoria, diferente dos 65 anos propostos

 

A idade mínima para aposentadoria no Brasil pode ser modificada, como resultado das negociações no âmbito da comissão especial da Câmara dos Deputados que discute a Reforma da Previdência. Essa possibilidade foi admitida pelo presidente da comissão, deputado Carlos Marun (PMDB-RS), em entrevista ao Acorda Piauí, na manhã desta quarta-feira, na rádio Cidade Verde.

Marun disse que o estabelecimento de uma idade mínima para aposentadoria é um dos pontos que considera inegociável na proposta de reforma apresentado pelo governo.Mas reconheceu que é negociável, sim, a idade a ser fixada. Na proposta, essa idade seria de 65 anos. Ele observa que, na América Latina, somente Brasil e Equador não têm uma idade mínima para aposentadoria.

O próprio Carlos Marun reconhece que há margens para discussão, já que outros países adotam idades distintas. Ele cita Estados Unidos, com idade mínima de 62 anos; França, com 66 anos; e Israel, com idade mínima de 60 anos.

Na entrevista à rádio Cidade Verde, O presidente da comissão especial da Reforma da Previdência afirmou que inegociável, mesmo, deve ser “o caráter de uma reforma efetiva”. Ele entende como efetiva uma reforma consistente, que tenha validade para décadas, e não seja uma mera maquiagem a ser modificada em poucos anos.

Ele enfatizou a necessidade da reforma diante da explosão do déficit da Previdência. Lembrou que os números referentes a 2016 estão sendo fechados, mas acredita que o déficit deve passar de R$ 250 bilhões. Também defende a ampla discussão sobre o tema, especialmente no debate que vai ser feito na comissão, logo depois do carnaval.

Perguntado sobre a reação popular,  ele disse considerar natural essas reações e que o trabalho da comissão será de ouvir essas vozes da sociedade. Mas ressalta a convicção de que a reforma é importante para o Brasil. Diz ainda que assumiu a espinhosa missão de presidente da comissão precisamente por entender que a reforma precisa ser feita, sob pena de termos no futuro aposentados sem aposentadorias, simplesmente pela incapacidade dos governos de cobrirem os custos do setor.

Temer lança o ‘Estado Mínimo 3.0’ com pacote de socorro aos estados


No pacote de Temer, as empresas de água devem ser privatizadas. No Piauí, a Agespisa está sendo Subdlegada

 

Nos anos 90, o Brasil e a América Latina conheceram e repetiram uma palavrinha que quase se transformou em palavrão: neoliberalismo. E eis que seu espírito está de volta, não exatamente com a mesma palavra, e já sem esse sentido tão assustador. E o retorno se dá através de mais uma iniciativa do governo Temer, que se propõe socorrer os estados falidos através de uma série de medidas que podem ser enquadrada na ideia de “Estado Mínimo”, agora em sua versão 3.0. O "novo neoliberalismo" – ou neo-neoliberalismo.

O conceito de Estado Mínimo implica em um poder estatal que mais regula que comanda as ações na sociedade, esta guiada pelos humores do mercado. E o conceito está aí à mesa.

De fato, pode-se dizer que é a volta dos que não foram, porque a ações para diminuir o tamanho do Estado vinham se mantendo, e mesmo o PT – que tão ferozmente atacou o neoliberalismo – adotou e adota medidas do receituário liberal. Um exemplo: as empresas administradoras de hospitais e as subconcessões, como no caso das empresas de abastecimento d’água.

A feição refeita do liberalismo, com a defesa do Estado Mínimo, vem da década de 1980, nas asas das eleições de Ronald Reagan (EUA) e Margaret Thatcher (Inglaterra).  Essa versão 1.0 não teve tanto efeito no Brasil, que mais se empenhava em sair de vez da ditadura. Já a versão 2.0, já pós-Reagan, torna-se quase imposição à América Latina, e deu sinais com Collor e se estabeleceu pra valer com FHC e seu programa de privatização.

A Era PT, a despeito da enorme pregação contra o neoliberalismo, não enterrou o receituário – nem podia, tendo à frente da economia um senhor chamado Henrique Meireles, respeitado banqueiro em Wall Street. Pois é o mesmo Meireles que agora, sob as ordens de Michel Temer (ou seria ao contrário?), retoma com mais força a ideia do Estado Mínimo, onde o poder estatal reduz sua presença e transfere as rédeas da economia para o setor privado.

As propostas que reduzem o tamanho do Estado estão nas condições colocadas pelo governo federal para o socorro aos estados. Elas valem por três anos. Alguns estados, como Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul, não têm muita alternativa: ou são salvos nas condições impostas ou estão praticamente mortos.

Entre as condições estão:

  • Nada de aumento real de salário a servidores
  • Limites à realização de novos concursos públicos
  • Nade de criação de despesa obrigatória de caráter continuado (as provisórias que viram permanentes)
  • Sem novos incentivo fiscais a empresas, e redução dos já existentes em, pelo menos, 20%.
  • Aumento da contribuição previdenciária de servidores estaduais de 11% para 14%
  • Privatização de empresas estaduais de água, saneamento, eletricidade

O mercado festeja. E esses estados que entraram em bancarrota nem podem reclamar. Na prática, deram motivos de sobra, com absurda ineficiência e alto grau de pouco caso com a aplicação do recurso público. E a incompetência apresenta a conta, na forma do neo-neoliberalismo.

Teresina precisa de R$ 2 bi para obras contra alagamentos


BR 343, após chuvas em Teresina: alagamento que tende a se repetir no futuro (foto: Wilson Filho)
 

Os constantes alagamentos em Teresina, após chuvas de médio e grande porte, não deverão parar no curto prazo. O problema é que faltam intervenções fundamentais, especialmente a construção de galerias adequadas às necessidades. Mas a cidade não tem dinheiro.

Segundo cálculos do secretário de Desenvolvimento Urbano do Município, Marco Antonio Ayres, para implantar as obras fundamentais para solução do problema, seria necessário algo em torno de R$ 2 bilhões. Um dinheiro que, ele reconhece, a prefeitura não tem.

Para se ter uma ideia do tamanho da dificuldade, esse dinheiro corresponde a dois terços do orçamento da Prefeitura de Teresina para o ano de 2017. Assim, para que as obras sejam implementadas, a PMT precisaria contar com aporte especial do Governo Federal ou recorrer a empréstimos junto a instituições como o Banco Mundial – que financiou a concretização do projeto Lagoas do Norte.

Na realidade de hoje, os problemas de drenagem se multiplicam pela cidade. Marco Antônio Ayres explica que Teresina conta com oito bacias de drenagem. Mas o fluxo natural das águas não acontece por diversos fatores, começando pelos desmatamentos – sobretudo para dar lugar a grandes empreendimentos habitacionais, seja os conjuntos populares como no Torquato Neto, na Zona Sul, ou os condomínios de Luxo na Zona Leste, no entorno da BR 343 ou na PI 112 (sentido de União).

A lista da Secretaria de Desenvolvimento Urbano vai além. Dentro das oito bacias que cobrem a cidade de Teresina, são problemas recorrentes os alagamentos na  Senador Area Leão, nas proximidades da Homero; no Dirceu (área da Manoel Evangelista); e na Satélite, além do Torquato Neto e BR 343.

Os problemas se agravam com a estrutura instalada para o escoamento da água. Na prática, as tubulações desses empreendimentos são muito aquém da necessária para o escoamento das águas. E o secretário admite que, em alguns casos, a pouca capacidade de escoamento transforma em represa o que deveria ser um canal de drenagem.

Perguntado no Acorda Piauí, da rádio Cidade Verde, qual a saída para a população no curto prazo, Marco Antônio Ayres apenas aconselhou os teresinenses a ficarem em casa na hora de grandes chuvas. Ou seja: não há muito o que fazer, agora.

Tampouco haverá muito o que fazer nos próximos anos, já que esse tipo de obra não é rápida, nem mesmo quando se tem o dinheiro para realizá-la. Ainda mais no caso de Teresina, que não tem R$ 2 bilhões à mão. Muito longe disso.

Após ‘DR’ do sábado, Ciro e Wellington já riem juntos em público


Ciro, Themístocles e Wellington, risonhos na festa do PP: o riso de hoje vale para amanhã?

 

Ainda não dá para dizer que a relação voltou ao normal, tampouco se algum dia voltará. Mas a tensão dos últimos dez dias, entre Palácio de Karnak e PP, virou distensão após o encontro do sábado entre o governador Wellington Dias e o senador Ciro Nogueira. Ao que tudo indica, a “DR” do sábado ajudou a desanuviar o clima e, pelo menos por enquanto, evitar o pior. Tanto que Wellington esteve na festa do PP, nesta segunda-feira, na maior descontração.

Em pleno palco do Cine Teatro da Assembleia Legislativa, Ciro e Wellington – junto com o terceiro vértice do triângulo da reforma do secretariado, o peemedebista Themístocles Filho – riram fartamente. Quase reconciliação. E em trio.

O que uma “DR” bem conversada não faz!!

Ainda existe resquícios dos desencontros, naquele clima em que uma das partes faz jogo duro, qual mulher traída que aceita a reconciliação mas, para manter a estima, espalha para as amigas: “Agora é do meu jeito”. Ou, como diria Ciro Nogueira: “A gente quer ser respeitado”.

Se depender dos sorrisos largos desta segunda-feira, pode ser que logo, logo tudo esteja como antes, num romance sem ressalvas nem senões. Mas também é sempre bom ficar com as barbas de molho, porque – ainda recorrendo as ditados que cabem inclusive para as relações amorosas –, porcelana trincada nunca mais é a mesma.

Sim, eu sei: esses ditados não se ajustam bem à política, onde porcelanas quebradas se recompõem depois e são utilizadas em repetidos encontros festivos. No maior romantismo.

O que tirou um tanto da força dos sorrisos de Wellington e Ciro, no evento do PP, foi o tom tucano da festa. Todo o tucanato estava presente, inclusive técnicos de segundo e terceiro escalão da Prefeitura de Teresina. Riam em risos largos, indiferentes à DR do sábado. Isso é suficiente para indicar um toque que, se não chega a ser oposicionista, pelo menos não é automaticamente governista.

Convém ficar atento aos próximos passos, os que serão pisados pelo caminho que avança pelo próximo um ano e meio, até as convenções que vão definir os times que realmente entrarão na disputa da eleição de 2018. Aí vamos ver quem estará ao lado de quem, e com que sorriso.

Nesse caso, vale o ditado: quem ri por último, ri melhor.

Filiações ao PP consolidam estratégia combinada de Ciro e Firmino


Com filiações de tucanos ao PP, Ciro Nogueira abraça Firmino Filho. E vice versa

 

A manhã desta segunda-feira marca, com a presença do ministro da Saúde, Ricardo Barros, a filiação de importantes nomes do PSDB teresinense ao PP do senador Ciro Nogueira. Mais que filiações, a solenidade sacramenta o projeto eleitoral que une Ciro e o prefeito de Teresina, o tucano Firmino Filho. Os dois querem estar juntos em 2018 – e precisará acontecer muita coisa para separá-los.

A permuta de siglas não é por acaso. Tampouco sem prévio entendimento. A mudança do ex-prefeito Silvio Mendes e da primeira dama Lucy Silveira do PSDB para o PP está dentro de estratégias combinadas do prefeito Firmino Filho e do senador Ciro Nogueira. E nenhum dos dois tem se esforçado em esconder a convergência de objetivos.

É uma soma de virtudes: a força de um na capital e a do outro, no interior.

Ciro diz que o PP – muito forte no interior – tem limitações em Teresina e que a aliança prévia com o PSDB ajuda a fortalecer a atuação política da sigla. Por outro lado, Firmino lembra que os tucanos sempre ficaram muito restritos à capital e que, apesar do sucesso eleitoral em Teresina, acumulam fracassos no restante do estado. Basta lembrar, todos os ex-prefeitos teresinenses do partido (Wall Ferraz, Francisco Gerardo, Firmino e Sílvio) tentaram chegar ao Palácio de Karnak. Todos derrotados.

Sem cerimônia, os dois lados reconhecem que há uma aliança prévia com vistas as eleições de 2018. Aliança costuma ser formalizada já quando chega a metade do ano eleitoral, no período das convenções.  Mas, neste caso, ela se desenha quase um ano e meio antes. Na prática, sacramenta a relação entre os grupos de Ciro e Firmino. Fica difícil vê-los separados em 2018. Onde estarão juntos: no governo ou na oposição?

A aliança prévia parecia encaminhar os dois, PP e o time de Firmino, para uma aproximação ao governador Wellington Dias, candidato à reeleição. Os recentes desacordos entre o PP e o PT, em torno da reforma no secretariado, por enquanto, alimentam a ideia de chapa oposicionista costurada por Ciro e Firmino.

Mas nada está decidido. É muito cedo ara qualquer aposta segura, para um ou para outro lado.

A conversa em entre Wellington e Firmino, no sábado à tarde, pode ser a reconstrução de um caminho que se delineava com força e foi momentaneamente obstruído. Nada impede que seja retomado, com prazer, por todos os lados envolvidos. Seja qual for esse caminho, é muito provável que Firmino e Ciro estarão na mesma caminhada.

STF se encaminha para restringir foro privilegiado de políticos


Luís Roberto Barroso: criando a oportunidade para STF se manifestar sobre foro privilegiado

 

O Supremo Tribunal Federal poderá, muito em breve, restringir o alcance do foro privilegiado para políticos. A oportunidade para que a Corte suprema se manifeste já está na mira do pleno, a partir de uma iniciativa do ministro Luís Roberto Barroso: na quinta-feira passada, Barroso encaminhou ao plenário do STF uma ação que discute precisamente a restrição do foro privilegiado para deputados federais e senadores.

O caso que fez Barroso encaminhar a questão para apreciação de todos os ministros é o que envolve um prefeito fluminense: o prefeito responde a uma ação por compra de voto. Em seu despacho, o ministro faz duras críticas ao sistema que contempla o foro privilegiado, que considera uma “perversão da Justiça”. E defende que os detentores de foro privilegiado somente devem responder a processos criminais no STF se os fatos a eles imputados tenham ocorrido durante o mandato.

Ainda é um importante privilégio, mas fica muito menor que a situação atual – quando muitos buscam um mandato (ou uma vaga de ministro) só e somente só para se protegerem da espada da Justiça. E o detalhe é que muitos ministros do Supremo já se manifestaram contra a dimensão do foro privilegiado.

O último a se manifestar, 24 horas de depois de Barroso, foi o ministro Edson Fachin, o novo relator da Lava Jato. E conseguiu ser mais duro que seu colega: “Eu, já de muito tempo, tenho subscrito uma visão crítica do chamado foro privilegiado por entendê-lo incompatível com o princípio republicano, que é o programa normativo que está na base da Constituição brasileira”, disse Fachin. Ou seja: foro privilegiado é incostitucional.

A manifestação do plenário do SFT sobre o tema, após o despacho de Luís Roberto Barroso, depende agora da presidente da Corte, a ministra Carmem Lúcia. E os que olham de perto o Supremo se atrevem a dizer que há importante chance das críticas ao foro privilegiado se transformarem em voto efetivo para sua restrição.

Wellington muda estilo ao fazer acordo com partidos


Ciro e Wellington:os mestres da conciliação estão em rota de colisão

 

O governador Wellington Dias está adotando um novo estilo, na busca de alianças e nos preparativos para as eleições de 2018. Ao invés de atrair lideranças isoladas, agora quer sacramentar o entendimento com os partidos. E essa mudança fica evidente no entendimento que, se tudo não desandar outra vez, está prestes a formaliza com o PMDB: o ingresso de peemedebistas no governo terá o aval do presidente do PMDB piauiense, Marcelo Castro, e do presidente da Assembleia, Themístocles Filho.

O primeiro sinal da mudança de estilo foi ainda na eleição municipal, quando Wellington arregaçou as mangas e se empenhou pelos candidatos do próprio PT. Em eleições anteriores, não se constrangia em apoiar aliados, mesmo contra petistas. Em 2016, apostou nos “de casa”, aqueles nos quais pode confiar cegamente, sem risco de mudança de rumo de uma eleição para outra – isto é, da municipal para a estadual.

Esse novo jeito de ser gerou os primeiros atritos com Ciro Nogueira, especialmente em relação à eleição de prefeito de Picos: Wellington se empenhou e viu o padre Waldir Lima ser reeleito, derrotando Gil Paraibano, o escolhido de Ciro. A mudança de estratégia fez que o Piauí fosse o único estado do país onde o PT cresceu nas eleições passadas.

A nova faceta do novo estilo Wellington se nota agora, na remontagem do governo. Além do inesperado desacordo com Ciro, o governador negocia com o PMDB em bloco. Nada de acertos isolados, como gostariam alguns peemedebistas – e como Wellington fez tantas vezes no passado. Agora, quer o aval das principais lideranças do partido, como Marcelo e Themístocles.

Para Wellington, o apoio em bloco não garante mas reforça a possibilidade de apoio do PMDB nas eleições de 2018. E, também, a estratégia interessa – e talvez interesse até mais – ao PMDB governista.O acordo em bloco passa a idéia de que o PMDB está 100% com Wellington, o que não é a exata verdade: o ex-ministro João Henrique segue na sua pregação oposicionista.

O novo estilo inova inclusive com a abertura de linhas de atrito. Wellington nunca foi de comprar brigar. Mas corre o risco de comprar uma com Ciro. Logo os dois, que nunca foram de brigar diretamente com ninguém.

PMDB vai buscar novas filiações para também mostrar força

Reunião do PMDB: novas filiações para fortalecer o partido com vistas às eleições de 2018

 

O PMDB do Piauí não quer ficar olhando a paisagem enquanto outros partidos se reforcem. E, depois de ter atraído o senador Elmano Ferrer para a sigla, agora o comando do PMDB vai se movimentar para atrair novos filiados, dando indicações de que se reforça com vistas às eleições de 2018.

A reação do PMDB parece uma resposta clara ao movimento do PP e PSDB, que fazem ações sincronizadas. O PP faz festa, na segunda-feira, para receber seus novos filiados, o ex-prefeito Silvio Mendes, a primeira-dama de Teresina, Lucy Silveira, e o secretário Washington Bonfim. E o PSDB, que cede esses nomes ao PP, tenta atrair gente como João Vicente Claudino, Robert Rios e Janaína Marques.

Dentro do PMDB, a dor de cotovelo pode ser notada em comentários do tipo: “O Elmano, que ainda tem seis anos de mandato, vale mais que um filiado sem mandato”, conforme afirmou um parlamentar peemedebista, em alusão clara a Sílvio e Bonfim. Por via das dúvidas, o partido vai em busca de filiações novas. A primeira deve ser do prefeito de Luís Correia, Kim do Caranguejo. Kim é filiado ao PSB, embora seja um velho aliado do presidente da Assembleia, Themístocles Filho. De certa forma, já é da casa.

No partido, diz-se que a filiação de Kim é apenas a primeira. E que outras virão, talvez no estilo conta gota: uma filiação agora, outra no mês que vem, outra no mês seguinte, passando a ideia de adesões seqüenciadas, como se fosse um bolo que vai crescendo, crescendo.

Há um outro fator que anima o PMDB a buscar novas adesões: o não deseja perder em 2018 o papel que sempre teve – o de fiel da balança das eleições de 2018. Até a última semana, esse papel sempre foi atribuído ao PP, ou mais particularmente ao senador Ciro Nogueira. Os analistas sempre se apegaram à mesma imagem: para onde for Ciro, penderá a balança eleitoral.

O PMDB quer ser esse peso diferenciado. Mas para isso terá que atrair muito mais que um Kim. Meio silenciosamente, os peemedebistas asseguram que vão conseguir.

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