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‘Quinta sem lei’ de Heráclito reúne articuladores pró-Temer

"Turma do Poire" de Ulysses (com Heráclito bem à sua frente): inspiração para a "Quinta Sem Lei" que agora se reúne para salvar Temer

 

Era para ser um momento de descontração repetido a cada quinta-feira, em geral em torno de um prato com tempero piauiense. Mas, apesar do cardápio culinário seguir valorizando as receitas nordestinas, as reuniões ganham tons mais leves ou não, segundo o sabor dos ventos políticos de Brasília. Agora mesmo, o tempero que domina os encontros é a segunda denúncia contra o presidente Michel Temer. E lá, todo mundo é favor do presidente.

Os encontros acontecem às quinta-feira, na casa do deputado piauiense Heráclito Fortes (PSB), no Lago Sul de Brasília. Sempre procurando cultivar o bom humor, Heráclito chamou a reunião de “Quinta Sem Lei”, saudosismo dos tempos que os cinemas tinham a “segunda sem lei”, com filmes dedicados ao faroeste. Dos encontros que o deputado promove, não sai bala. Mas sai munição farta que interfere nos destinos do Congresso e do país.

A importância do encontro é óbvia, porque a cada semana passam pela casa de Heráclito nomes de peso da política, de Michel Temer a Rodrigo Maia, de José Carlos Aleluia a Fernando Bezerra. E chama a atenção da imprensa: neste final de semana foi motivo de matéria do jornal O Estado de S. Paulo.

Heráclito sabe se relacionar. Nos tempos em que Ulysses Guimarães era o bambambã da política brasileira, ele fazia parte da Turma do Poire, grupo seleto que se reuniu no restaurante Piantela em torno do “poire”, o aguardente de pera tão apreciado pelo Senhor Diretas. Depois frequentou o núcleo palaciano de Fernando Henrique Cardoso e integrou a República Baiana em torno de Luís Eduardo Magalhães. E, em todos esses momentos, sempre teve um lugar para reunir os poderosos em sua própria casa.

O tempero piauiense – capote, Maria Isabel, carne de sol, sarapatel, buchada etc – sempre foi festejado pelos frequentadores de Heráclito. Em outros tempos menos crispados, iam políticos de todos os matizes, no governo e na oposição. Isso até se transformar, em 2016, em cenário de articulação pró-impeachment. Não cabia mais todo mundo.

Agora o grupo tem outra vez um lado bem claro: a cada semana passam pela casa de Heráclito os que defendem a permanência do presidente Temer no poder, e trabalham pelo engavetamento da denúncia contra o presidente. A urgência do assunto está até comprometendo o nome do evento: as articulações não estão mais restritas às quintas.

Esta semana mesmo, Michel Temer esteve na casa do Lago Sul na terça-feira. Com ele estava o piauiense Moreira Franco, com atuação no Rio de Janeiro. Moreira também é alvo da mesma denúncia. E tem muito interesse em estar perto do grupo que trabalha intensamente contra a aceitação da última flechada de Rodrigo Janot.

Aliás, Heráclito tem trabalhado para reaproximar Temer e Rodrigo Maia, que andaram se estranhando. Talvez não seja tarefa tão difícil: uma boa receita de cozido de bode ao leite de coco ou uma maxixada bem temperada faz esquecer qualquer desavença.

E se for esse o problema, Heráclito certamente terá uma receita no ponto. Desse jeito, não haverá deputado que resista nem denúncia que sobreviva.

Investimento público é R$ 50 bi menor que há 3 anos

Artur Feitosa, da APEOP: redução de obras públicas compromete a atividade econômica

 

No início de 2013, a empresa de Artur Feitosa, especializada em obras públicas, tinha 360 funcionários. Menos de dois anos depois, no final de 2015, a mesma empresa tinha reduzido a 12 colaboradores, tamanha a escassez de obras públicas. A realidade de hoje não é tão caótica quanto a de 2015, o ápice da recessão recente enfrentada pelo Brasil. Mas o setor reclama horrores da falta de investimento público, que pode ser pior: o pouco realizado pode não se converter em recebimento.

Artur Feitosa, que é presidente da Associação Piauiense das Empresas de Obras Públicas (APEOP), fez essa revelação em entrevista ao Jornal do Piauí, da TV Cidade Verde, na sexta-feira. Mas está longe de traduzir a realidade apenas do Piauí, ainda que aqui a preocupação seja também com a falta de pagamento desse pouco realizado. O Brasil inteiro reclama mais investimentos públicos.

Não é para menos. Que o diga o Governo Federal: levantamento da ONG Contas Abertas mostra que, de janeiro a setembro desde ano, a União investiu R$ 25,3 bilhões. O valor é praticamente um terço do que foi investido (R$ 73,7 bi) no mesmo período de 2014, ano anterior ao descalabro recessivo deixado por Dilma Rousseff. Quase R$ 50 bi a menos em três anos. E, desde lá, os números só despencaram.

As quedas mais expressivas estão nos ministérios dos Transportes e das Cidades – sozinhos somam quase 15% do que foi subtraído de 2016 para 2017. Essas duas pastas respondem por obras de infraestrutura (sobretudo estradas), mobilidade urbana e moradia. Ao mesmo tempo, ferem de morte um dos setores cruciais para reversão do terrível índice de desemprego: a construção civil.

Quando Artur Feitosa se lamenta da situação do setor, ele traduz uma outra realidade: a redução do número de obras públicas, que resulta na perda de vagas de trabalho. Vale lembrar, conforme dados do Sinduscon, a construção civil piauiense demitiu mais da metade de seus operários apenas nos anos de 2015 e 2015. E 2017 não permitiu a reversão das estatísticas.

Todos esses números levam a uma outra informação, esta do IBGE: o reaquecimento da economia, nesses últimos meses, tem exatamente na construção civil o ponto negativo. É o freio no reaquecimento, uma espécie de agronegócios ao contrário. No ano, o setor registrou desaceleração superior a 15%.

Dois fatores apontam para essa queda: o fim das obras de projetos como Olimpíadas e os rescaldos da Copa do Mundo; e o enorme descontrole das contas públicas. Muitos estados estão falidos, como o Rio de Janeiro. O governo federal não está muito longe, com um rombo previsto para este ano de R$ 159 bilhões, repetindo 2016 e já apontando para a manutenção do mesmo deficit em 2018.

Em condições tais, fica difícil ter dinheiro para obras. E, assim, fica também difícil a retomada da economia nos níveis que o país exige.

Comércio de Teresina espera crescer até 6% no Natal


Tertulino Passos, do Sindilojas: expectativas positivas para o movimento do comércio no final do ano

 

O comércio de Teresina vem registrando reações positivas nas vendas nos últimos meses. E a expectativa é que a recuperação siga adiante neste final de ano, em razão das compras em torno do Natal, quando a projeções apontam para um crescimento entre 5 e 6%, segundo informa o presidente do Sindicato do Comércio Lojista (Sindilojas) da capital, Tertulino Passos.

Segundo o lojista, no dia das crianças – que com o Natal e o Dia das Mães forma o trio de grandes datas para o comércio – o setor já registrou em Teresina um aumento de 3% em relação ao ano passado. É uma recuperação importante, que reforça a tendência de recuperação do segmento lojista nos próximos meses.

Tertulino mostra otimismo em relação ao ano de 2018, ainda que revele preocupações quando às dificuldades no setor público, onde o governo do Estado tem mostrado limites financeiros. Para ele, qualquer problema na área pública tem reflexo importante no comércio, já que 65% da receita que circula no mercado local é proveniente da área pública.

 

Fórum Piauí Brasil é oportunidade

O presidente do Sindilojas, Tertulino Passos, falou também do Fórum Piauí Brasil, que acontecerá no  próximo dia 30, com o tema “Crise e oportunidade para o desenvolvimento”. Para o lojista, esse será “o momento certo” para se discutir o redesenho da economia piauiense, para que haja maior participação do setor privado.

Em entrevista ao Acorda Piauí, na Rádio Cidade Verde, Tertulino Passos ressaltou a importância do setor privado participar dessa discussão que oferecerá uma reflexão sobre os passos futuros do Piauí.

Para ouvir a entrevista completa de Tertulino Passos, acesse o arquivo abaixo.

 

Câmara vota na terça projeto que muda regras para ZPE


ZPE de Parnaíba: uma realidade ainda em construção

 

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, colocou na pauta das votações plenárias da próxima terça-feira, um Projeto de Lei (PL) que interessa muito ao Piauí e às regiões brasileiras que buscam um desenvolvimento diferenciado. É o PL 5957/2013 que modifica a lei que regula as Zonas de Processamento de Exportações (ZPE). A proposta amplia o leque de empresas que podem se instalar em uma ZPE.

Pela proposta em tramitação desde 2013, as ZPEs passarão a poder abrigar não apenas indústrias, mas também empresas de serviço na área de tecnologia da informação. É mais um esforço no sentido de tornar realidade uma idéia que já leva três décadas sem andar muito.

A discussão sobre a criação das ZPEs no Brasil vem desde o final da década de 1980, quando o milagre econômico chinês começou a chamar a atenção do mundo. Para muitos, a chave do milagre estava nas zonas econômicas com regimes especiais, sobretudo as ZPEs, voltadas para o mercado externo.

A China tem quase 200 ZPEs funcionando, tornando tão comum os “made in China” ao redor do mundo. O Brasil quis seguir o modelo. Mas, três décadas depois, ainda engatinha. Hoje temos 24 ZPEs autorizadas, todas em regiões que necessitariam um empurram extra: Norte, Centro-Oeste, Nordeste e norte de Minas. Das 24 zonas, 9 estão no Nordeste, uma delas – a de Parnaíba – no Piauí.

O problema é que tudo anda muito lentamente. Até agora, apenas a ZPE do Pecém (CE) conta com uma atividade industrial realmente em funcionamento. E com um detalhe: lá, a primeira indústria começou a operar apenas no ano passado.

A mudança de legislação proposta pelo PL 5957 tenta dar um novo impulso no modelo, com a inclusão de empresas de serviço. Há também quem veja na mudança um desvirtuamento da proposta consagrada mundo afora e a concessão de privilégios, já que aqui há uma inovação: se lá fora o que uma ZPE produz é para o comércio exterior, aqui uma parte pode ser colocada no mercado interno, com vantagens fiscais que impactam na competitividade.

De qualquer forma, as ZPEs são uma tentativa de alavancar a economia em áreas que carecem de um impulso extra. É por isso que uma delas está no Piauí. Nossa ZPE está formalmente criada, com base física concluída e levando a cabo contatos com empresas de áreas diversas.

A concretização da ZPE de Parnaíba será importante não apenas para o norte piauiense, mas para todo o Estado. 

STF perdeu lugar de poder moderador, diz Chico Lucas


Chico Lucas, presidente da OAB-PI: duras críticas ao comportamento do Judiciário, em esepcial do STF

 

O presidente da Ordem dos Advogados do Piauí (OAB), Chico Lucas, fez duras críticas ao comportamento do Judiciário e em especial do Supremo Tribunal Federal (STF), que extrapolou suas funções e perdeu credibilidade. Segundo ele, o Supremo perdeu o lugar de poder moderador quando quis ultrapassar suas atribuições.

As declarações de Chico Lucas foram dadas ao programa Acorda Piauí, hoje cedo na Rádio Cidade Verde. O presidente da OAB-Piauí analisou a crise institucional que se estabeleceu no país e avalia que um dos ingredientes dessa crise foi um comportamento do STF que não se limitou ao fator técnico. Criticou a falta de isonomia nos julgamentos na Corte, e citou os casos de Eduardo Cunha e Delcídio Amaral, quando o Supremo teve posição distinta da que adotou no caso Aécio Neves.

Ele também aponta esse ativismo jurídico para o caso do senador Renan Calheiros. Ao que parece, afirma, há um comportamento distinto quando o julgamento se refere a personagens com maior poder de relacionamento. Chico Lucas teme que esse ativismo jurídico possa acontecer nas eleições de 2018, o que não será positivo para o país.

O presidente da OAB acha que somente a participação efetiva da sociedade na política pode conter esse ativismo. Nesse quesito, não deixa de cobrar mais empenho da cidadania. “Brigamos por direitos mas não exercemos esses direitos”, ressalta.

Chico Lucas também falou sobre a iniciativa do INSS e da OAB no Piauí, para adoção de novos mecanismos nos processos administrativos no instituto de previdência. Com a iniciativa, os beneficiários do INSS e os advogados poderão requerer benefícios através da internet.

Para o presidente da Ordem, essa ferramenta é importante inclusive porque vai permitir que cidadãos que moram em cidades onde não tem posto do INSS possam requerer seus benefícios de forma mais prática e ágil.

Para ouvir a entrevista completa do presidente da OAB-Piauí, Chico Lucas, acesse o arquivo abaixo.

 

 

Piauí tem 1 aposentado para cada servidor da ativa, diz secretário


Antonio Neto, secretário de Planejamento: alerta para a necessidade de uma saída para o problema previdenciário

 

O Piauí está chegando à realidade de um aposentado para cada servidor da ativa, apontando para o agravamento da situação previdência. Foi o que revelou o secretário de Planejamento do Estado, Antonio Neto, em entrebvista ao Acorda Piauí, hoje cedo na Rádio Cidade Verde.

Segundo o secretário, o déficit da previdência do Piauí, em 2018, deve chegar a R$ 100 milhões por mês, projetando um déficit global superior a R$ 1 bilhão no ano. Ele reconhece que o problema previdenciário é de difícil solução e aponta para dois caminhos: aumento da receita (o que não depende só do Estado) e reduzção de benefícios. No incremento de receitas poderia ser considerado o aumento de alíquota – hoje há o recolhimento de 14% dos vencimentos do servidor, mas Estados como o Rio de Janeiro já elevaram para 18%.

Para Antonio Neto, o problema da previdência exige uma discussão ampla, passando muito provavelmente por um regime complementar, com a migração para um sistema de capitalização. “Eu nunca vi uma quadra de governo não difícil quanto esta”, diz o secretário.

As dificuldades afetam todos os setores. Começa por um Orçamento pouco acima de R$ 12 bilhões, mas com receitas líquidas – o que efetivamente fica com o o governo do Estado – da ordem de R$ 8 bilhões. Esse dinheito é insuficiente para o tamanho das atribuições, onde folha, encargos e aposentados consomem metade das receitas líquidas.

“A situação é difícil”, alerta Antônio Neto. “Estamos caminhando célere para a situação do Rio de Janeiro”, advertiu, embora acrescentando que o Piauí tem a possibilidade de superar esse quadro a partir de uma discussão que envolva não só o Executivo mas também os outros poderes. ”O Piauí tem condições de fazer uma reforma a quatro mãos”, afirmou.

Para ouvir a entrevista completa do secretário Antonio Neto, acesse o arquivo abaixo.

 

Rejane Dias assume mandato para definir emendas


Deputada Rejane Dias: rápido retorno Câmara Federal, com o foco específico nas emendas parlamentares

 

A deputada federal Rejane Dias (PT) deve voltar na quarta-feira à Câmara Federal, reassumindo o mandato que conquistou em 2014. Mas será um retorno breve, apenas para cuidar das emendas parlamentares que deseja ver contempladas no Orçamento de União para 2018.

Com a ida para Brasília, dona Rejane deixa momentaneamente a Secretaria de Educação, que comanda desde janeiro de 2015. Mas como está mesmo focada é na educação do Estado, o afastamento não chegará a uma semana: a previsão é que a deputada esteja de volta à secretaria já na próxima segunda-feira.

O afastamento é só para que, como deputada titular e em pleno exercício do mandato, ela possa exercer o direito de definir a aplicação dos recursos das emendas parlamentares. O foco será o setor de saúde (por lei, metade dos recursos das emendas deve ser para políticas públicas nessa área) e a educação, setor que no Piauí está hoje sob a responsabilidade da deputada.

Rejane Dias tem algumas preocupações específicas. No orçamento deste ano, por exemplo, ela destinou recursos de suas emendas parlamentares para a construção do Centro de Reabilitação de Parnaíba.

 

Sem votar na denúncia contra Temer

O rápido afastamento de Rejane Dias da Secretaria de Educação não será suficiente para que vote a denúncia contra o presidente Michel Temer. Mesmo que a denúncia seja votada na CCJ ainda nesta quarta-feira, não terá o voto da deputada piauiense: como estava licenciada do mandato na Câmara, ela não integra a comissão.

Há ainda a possibilidade da denúncia ser apreciada em plenário na próxima semana. Mas aí a deputada já terá retornado às suas atividades na Secretaria de Educação.

O secretário de Segurança, deputado Fábio Abreu (PTB) anunciou hoje na Rádio Cidade Verde que retorna ao mandato para cuidar das emendas parlamentares e também para participar da votação da denúncia contra o presidente Temer. Nesse caso, Fábio Abreu anunciou que vai votar em plenário pela admissibilidade da denúncia.

Rejane e Fábio voltam à Câmara na véspera de votação de denúncia


Deputado Fábio Abreu: retorno à Câmara de olho nas emendas parlamentares e com críticas a Michel Temer

 

Os deputados Rejane Dias (PT) e Fábio Abreu (PTB) vão se afastar das funções de secretário de Estado para reassumirem a cadeira de deputado federal, às véspera da votação sobre a admissibilidade da denúncia contra o presidente Michel Temer. Foi o que revelou Fábio Abreu, em entrevista hoje cedo ao Acorda Piauí, na Rádio Cidade Verde.

O retorno à Câmara deve acontecer amanhã, terça-feira. Segundo Fábio – que é titular da Secretaria de Segurança –, a preocupação principal é com a definição das emendas parlamentares no orçamento da União no próximo ano, como aconteceu no ano passado. Mas o deputado admitiu que vai permanecer para votar a favor da denúncia contra Temer.

Fábio Abreu disse que o Brasil cobra atitudes rígidas contra a corrupção e não tem sentido fazer vista grossa precisamente no caso de denúncias robustas que recaem contra o principal mandatário do país. Reafirmou sua decisão de votar pela admissibilidade da denúncia, fazendo questão de dizer que não sabe qual será a posição de Rejane Dias, que também se afastará da Secretaria de Educação, retornando à Câmara.

Sobre as emendas parlamentares, o deputado do PTB disse que nos últimos anos tomou o cuidado de direcionar suas emendas para setores vinculados à Segurança Pública piauiense. Mesmo no caso das escolhas vinculadas à saúde – por lei, metade dos recursos das emendas deve ser destinado ao setor –, teve o cuidado de destinar para ações no Hospital da Polícia Militar. E os recursos restantes para ações diretamente ligados à segurança.

Este ano, segundo informou, vai manter a prioridade, mas deve destinar recursos para outras áreas e também para municípios do interior, quebrando a centralização em Teresina.

Para ouvir a entrevista completa do deputado Fábio Abreu, acesse o arquivo abaixo.

 

Piauí devia cuidar melhor de seus personagens, como Torquato


Gilberto Gil, no casamento de Ana Maria e Torquato Neto: personagens da história da cultura brasileira

 

Um documentário está chamando a atenção para um dos mais ricos personagens da história cultural do país. Um personagem de quem se fala tanto e do qual se sabe tão pouco. Pior: um personagem que perde o devido lugar na história da cultura brasileira porque não há quem o abrace, ressaltando o tanto de inovador e transgressor que conseguiu ser.

O documentário é “Todas as Horas do Fim”, de Eduardo Ades e Marcus Fernando. O personagem é Torquato Neto, um dos nomes fundamentais da Tropicália. E Torquato é piauiense. Mas parece ser exatamente no Piauí onde é tratado com mais relaxamento, como se não tivesse importância. Ou se fosse apenas um pedaço do que efetivamente foi.

Quem melhor cuida da memória de Torquato é George Mendes, publicitário e primo do “Anjo Torto”. Mais que primo, um apaixonado pelo que Torquato representou. George é o curador do acervo de Torquato – que recebeu de Ana Maria, a viúva do poeta. O documentário, que teve festejada estreia no Festival de Cinema do Rio de Janeiro, tem como base o acervo cuidado por George.

Na sexta-feira, o publicitário esteve na Rádio Cidade Verde. Em entrevista ao Acorda Piauí, falou do que Torquato significa: é, junto com Capinam, o ideólogo da Tropicália, que teve em Gil e Caetano as faces mais visíveis.

Muitos acham que Torquato foi apenas um letrista. Não. Foi muito mais. Foi sim um letrista extraordinário, um poeta único e inigualável. E também foi inovador no jornalismo cultural, com sua Geleia Geral, uma coluna que marcou época. Foi ainda cineasta, inventando temas e linguagens. Pode-se dizer, foi um multimídia – numa época em que esse termo estava longe de ser inventado.

Mas esse personagem é desconhecido de boa parte dos brasileiros. E também dos piauienses, que festejam Torquato sem saber exatamente de quem se trata. Como diz George, Torquato é o mais importante nome da cultura brasileira com raízes no Piauí. E o Piauí devia se orgulhar disso, e cuidar para que esse personagem tenha o reconhecimento devido – aqui e em outros cantos.

 

Um lugar para Torquato

Quando ocupava a Coordenadoria de Comunicação do Estado, tentei levar a cabo dois projetos relacionados a Torquato Neto, mesmo sabendo que essa não era a atribuição principal da Coordenadoria. Primeiro, pensei em um evento que marcasse os 70 anos de nascimento do Anjo Torto. O segundo, a construção de uma estátua em praça pública, tal como a de Drummond em pleno calçadão de Copacabana. Com um detalhe: irrequieto como sempre foi, não caberia uma estátua de um Torquato sentado. Teria que ser em pé, a capa esvoaçante, provocante.

As limitações de recursos e a falta de parceria – só Geotrge Mendes se dispôs a estar junto – não permitiram que os projetos se concretizassem. Mas está aí a ideia. E vale também lembrar uma ideia de George: a Casa Torquato Neto. Um lugar para a memória do poeta. Um canto para que as ideias de Torquato – tão vivas, tão pertinentes – possam ser reverberadas.

Os gestores de cultura da cidade e do Estado de Torquato bem podem abraçar essas ideias. Fará um bem enorme para a cultura. E para a memória que nos faz mais piauienses.

Quer ouvir a boa entrevista de George Mendes à rádio Cidade Verde? Então acesse o link abaixo.

 

Por eleição, PT se junta a algozes de Dilma no Brasil inteiro


Wellington e Ciro: aliados desde 2014, devem seguir juntos em 2018, apesar das rusgas do impeachment de Dilma Roussef
 

Uma campanha pode muita coisa. Pode reavivar confrontos serenados. Ou levar ao puro e simples esquecimento de mágoas dolorosas. O PT caminha para fazer a segunda opção em boa parte do Brasil, inclusive o Piauí. Tudo em nome da eleição e da posse do poder.

O impeachment de Dilma Rousseff afastou o PT de vários ex-aliados, como PMDB, companheiro de viagem (e de chapa) das últimas disputas presidenciais, e do PP, avalista importante sobretudo no segundo mandato de Dilma. Também afastou-se do PSB, que formalmente já não dividia palanque desde a eleição de 2014; ou do PSD, que contabilizou votos para desapear a presidente e colocar Temer no seu lugar.

O Piauí dá bem uma mostra de para onde caminha o PT. Nacionalmente, o PP é considerado o fiel que fez pender a balança para o lado do impeachment. Mas aqui o PP é o principal suporte do governo Wellington Dias para assegurar recursos federais. E, apesar das vaias que parte dos petistas dedica ao senador Ciro Nogueira e à deputada Iracema Portela, Wellington reafirma todos os dias a disposição de seguir com o PP nas eleições de 2014.

O PMDB, partido do presidente Temer, tem no Piauí uma situação que foge à realidade nacional. Brasil afora, o PMDB viu seus deputados votarem amplamente pelo impeachment. Aqui, Marcelo Castro permaneceu ao lado de Dilma, de quem foi ministro da Saúde. A aliança no Piauí (formal ou informalmente) não chega a ser com um algoz. O termo cabe mais para o PSD do deputado Júlio César, que deixou de ser governo (Dilma) para votar no impeachment e seguir governo (Temer). Muitos petistas torceram o nariz parta Júlio. Mas não por muito tempo, em nome da próxima eleição.

Wellington vai costurando como pode a sua permanência no Karnak. Essa costura começou muito cedo, antes de se falar em impeachment, que aprofundou tanto as divisões nacionais. Aqui, o governador já atraiu adversários de campanha já no dia seguinte ao resultado. Exemplo: Flávio Nogueira, pai e filho, desde o começo donos de uma vaga no secretariado.

 

Alianças articuladas em 16 estados

No cenário nacional, o PT pode fazer aliança com os “algozes do impeachment” em mais da metade dos estados, mesmo que seja informalmente. Atualmente contabilizam-se 16 possíveis alianças com os adversários daquele momento tão traumático para o partido. Mas, em nome da eleição, a mágoa está sendo apagada.

O número pode mudar para mais ou para menos dependendo de quem seja o candidato do PT. Se for o improvável Lula, pode até aumentar. Se não, aí pode registrar alguma perda. Mas o PT quer casar as disputas locais com a nacional. Cabe observar um detalhe: as alianças podem ser materializadas em muitos estados com o PT apoiando um candidato desses partidos, pedindo contrapartida federal. A novidade é fácil de explicar: fora do poder, o PT não vai repetir as 17 candidaturas próprias aos governos estaduais de 2014. Nesse momento, contam-se 11.

Entre os nomes que devem receber apoio do PT, em troca de apoio na disputa presidencial estão: os peemedebistas Renan Filho (Alagoas) e Roberto Requião (Paraná), os socialistas Paulo Câmara (Pernambuco) e Renato Casagrande (Espírito Santo) e o petebista Armando Monteiro (Pernambuco) – neste caso, o partido teria que decidir entre Câmara e Monteiro, ou uma composição entre eles. Todos apoiaram o impeachment.

Mas isso já são águas passadas.

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