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O palhaço Tiririca pode explicar o que é ser um bom deputado?

Uma coisa é certa: os políticos andam em baixa. E a frase “eles não me representam” ganhou eco nos últimos anos, ressonando de forma mais forte na eleição passada, quando a abstenção alcançou níveis nunca vistos, assim como os votos nulos e brancos. O descrédito coloca o Congresso e os partidos entre as instituições com menos prestígio popular. Tal situação gera a pergunta: o que é ser um bom político? Ou, olhando o Congresso, o que vem a ser exatamente um bom parlamentar?

A pergunta deve ser posta à mesa, outra vez, quando dados da Câmara dos Deputados revelam o comportamento do deputado Tiririca (PR-SP), o palhaço profissional que chega à metade do seu segundo mandato, amparado em extraordinárias votações. Segundo levantamento desses seis anos no Congresso, Tiririca não faltou um único dia sequer dos 612 em que aconteceram sessões. Também é muito presente na Comissão Técnica da qual é membro - a que cuida da Educação e Cultura. Em compensação, nunca fez um único discurso. Presença e silêncio, 100%.

Quem esperou ouvir a voz do palhaço-deputado teve que esperar o sexto ano de mandato do parlamentar. E foi uma fala curta, de apenas nove palavras. “Senhor presidente, pelo meu país, meu voto é sim”, disse seguro e sem gracejo, dia 17 de abril de 2016, quando a Câmara votou o impeachment de Dilma Rousseaff. Curioso é que não são poucos os que consideram positivamente surpreendente a atuação de Tiririca.

E aí se multiplicam as perguntas: bom parlamentar é o sempre presente? É o que mais discursa? É o que mais apresenta propostas? É o que mais está nas ruas com o eleitor (portanto, longe do plenário)?

Creio que a resposta não é simples. Depende muito da sensibilidade e dos compromissos de cada parlamentar. E até da situação desse parlamentar. Aqui vale olhar um exemplo: Ulisses Guimarães. Quando líder da oposição, Ulisses fez das ruas seu campo de luta – e ajudou a redemocratizar o País. Depois, como presidente da Constituinte, comandava sessões de cinco, seis, sete horas sem desapear da mesa – e ajudou a parir a Constituição Cidadã. Ele foi excelente parlamentar nos dois modelos, atento ao seu tempo, ao lugar que ocupava e às suas convicções.

O parlamentar que joga apenas para as estatísticas – mais projetos; mais discursos; menos ausências etc – certamente entra nos registros da mídia de hoje. Mas não passa muito disso. Tiririca está nas estatísticas: mais votado, menos ausente... Fora isso, não acrescenta tanto. Possivelmente nem quem votou nele leva em conta tais dados.

O caso de Ulisses talvez traduza bem o papel do bom parlamentar: precisa estar atento às demandas do País, sensível ao apelo e necessidade popular. Aí, talvez, esteja a principal deficiência de uma parte significativa do mundo político: ser sensível aos apelos populares; responder às demandas da nação. Quando isto acontece, a frade “ele não me representa” não representa nada.

Tiririca, no dia da votação do impreachment: nove palavras na única fala em seis anos