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Escritor paulista faz livro sobre importância de Petrônio na redemocratização


Petrônio Portella, em foto no Senado: articulador político da redemocratização

 

O futuro parecia promissor, inclusive apontando para a possibilidade de disputar a presidência da República. Mas naquele 6 de janeiro de 1980, há exatos 37 anos, o sonho se desfez: um brutal ataque cardíaco tratado com certo relaxamento tirou a vida de um dos mais talentosos políticos brasileiros da segunda metade do século XX. Petrônio Portella Nunes perdeu a vida aos 54 anos, quando ocupava o ministério da Justiça.

Foram menos de dez meses como ministro, mas o suficiente para Petrônio articular duas mudanças fundamentais para a volta do Brasil à democracia: a Lei de Anistia, que serenava os ânimos e trazia de voltas os exilados; e a reforma no sistema partidário, que rompeu as amarras do bipartidarismo e abriu o país para a diversidade ideológica do multipartidarismo. Petrônio foi uma das figuras centrais na redemocratização brasileira, desde o início do governo Ernesto Geisel (1974-1979), junto com o próprio presidente e o ministro Golbery da Costa e Silva. Com assento no Senado, era o avalista político de toda a articulação.

O papel de Petrônio Portella está sendo resgatado por Luís Mir, escritor paulista de envergadura. Mir tem livros importantes sobre a vida política brasileira: A Revolução Impossível (sobre a luta armada da esquerda pós-1964), Guerra Civil (sobre a violência brasileira) e O Paciente (sobre o caso Tancredo Neves), entre outros. Agora está desenvolvendo projeto editorial sobre Petrônio. Mir carrega na bagagem uma ampla pesquisa, incluindo documentos diplomáticos da Europa e Estados Unidos que mostram o cuidado e decidido trabalho de Petrônio Portella no diálogo com instituições de referência e com os próprios exilados.

Ao abraçar esse grande trabalho, Mir coloca no devido lugar histórico a figura desse piauiense que foi deputado estadual, prefeito de Teresina, governador, senador, ministro e articulador fundamental da redemocratização brasileira.  Petrônio Portella era tão fundamental que sua morte, menos de dez meses depois de assumir o ministério, deixou um vácuo enorme, tão grande que seu sucesso, Ibrahim Abi-Ackel, quase eixa a redemocratização ir pelo ralo. Sem a liderança de Petrônio, a ultradireita recobrou fôlego, sonhou com o recrudescimento político, promoveu atentados a bancas de jornais e explodiu uma bomba (no próprio colo) dentro do Riocentro.

Felizmente, a semente plantada foi mais forte, frutificou e a democracia se estabeleceu. Luis Mir se debruça sobre esse riquíssimo material, uma página importante da história do Brasil que leva a assinatura de Petrônio Portella Nunes.

 

Deputada Iracema Portella, a herdeira de uma família com história

A família Portella teve importantes representantes na vida política piauiense - e brasileira também. Petrônio foi o que ganhou mais projeção, desde estudante no Rio de Janeiro. Chegou a presidente do Senado, Casa que recebeu seus irmãos Lucídio e Elói Portela. E ainda um sobrinho-neto-afim, o senador Ciroi Nogueira, casado com a deputada Iracema Portella. Iracema é filha de Lucídio, que foi vice-governador e governador do Piauí.

Ela não esconde o orgulho da história familiar: "Meu tio foi um dos maiores estadistas que o Brasil já teve. Ele sempre foi um homem do diálogo, um político que acreditava na democracia e a defendia de todas as formas", destaca. Lembra o papel que ele desempenhou na redemocratização, amparado sobretudo no "excelente trânsito que tinha em todas as esferas, característica dos grandes políticos".

Hoje a deputada é a herdeira dessa família que tem política nas veias. A própria Iracema mostra a mesma inquietude do pai e do tio mais famoso. Ela, que já está no segundo mandato na Câmara Federal, muitas vezes é associada a voos mais altos, em um futuro não tão distante.


Iracema, a herdeira dos Portella na política