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O Congresso Nacional é mesmo a cara do Brasil?

Qualquer pesquisa constata: os políticos estão muito mal na fita, com baixíssimo índice de confiança entre os cidadãos. Escândalos de corrupção e episódios como a Operação Lava Jato lançam mais sombras sobre essa percepção. Há uma sensação generalizada de que todo político é ladrão – um jeito simplista de ver as coisas. Essa discussão traz o questionamento: afinal, o Congresso é a cara do Brasil? Ou está muito longe disso?

Qualquer apressado tomaria a segunda opção como resposta. Mas não é tão simples assim. E há nesse debate pelo menos duas obviedades – e não confluentes.

A primeira: uma parte nada desprezível do Congresso tem se lixado para os compromissos com o cidadão e com o país. Os interesses pessoais prevalecem – e sequer cuidados elementares (por exemplo, os gastos da verba indenizatória) são tomados no sentido de dar uma mínima satisfação ao digníssimo contribuinte, ainda mais em momento tão crítico da Nação. E esse comportamento ajuda nos enormes índices de rejeição da política.

A segunda: sim, os políticos são eleitos pelo voto, portanto são representantes da sociedade. Daí, é muito razoável dizer que o Congresso – sempre tão mal avaliado país afora – é, para o bem e para o mal, a cara desse mesmo país. Lá há representantes de todos os segmentos. Para ficar em dois exemplos: lá tem o Jean Wylys (PSOL) e o Jair Bolsonaro (PSC). Cada um representa muito bem o segmento pelo qual foi eleito. Os seguidores de Wylys acham que ele faz um bom trabalho; e os de Bolsonaro, idem. E um segmento condena visceralmente o representante do outro.

Outra obviedade: o cidadão não cuida de sua representação. As pesquisas mostram que a maioria não sabe em quem votou para deputado, evidenciando o pouco caso com a formação do Congresso. O sistema de distritos enormes – cada estado é um distrito – ajuda nessa amnésia. Mas muitos eleitores dão sua contribuição, fazendo escolhas com pouco critério, elegendo representantes por pura galhofa ou, pior, vendendo o voto. Cá pra nós: vender o voto é uma forma de legitimar tudo o que o representante possa fazer.

Assim, podemos dizer que muitos congressistas fazem pouco caso do eleitor e do voto que receberam. Mas muitos eleitores fazem menos caso ainda do candidato que escolheram. E fica aí esse Congresso, tão achincalhado, mas com um jeitão bem próprio desse enorme e diverso Brasil.


Congresso Nacional: um jeito bem brasileiro de ser