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Planalto fica atento à eleição no Congresso para evitar problemas em 2017

Em tempos de instabilidade política e econômica, o Brasil (e particularmente o Palácio do Planalto) olha com atenção o processo de eleição dos novos presidentes do Senado e da Câmara dos Deputados. O que era para ser um processo tranqüilo, tem aqui e ali a ameaça de mudança de roteiro – com potencial para se tornar um complicador a mais na grave crise nacional.

Até agora, o governo de Michel Temer não tem sofrido sobressaltos no Congresso, aprovando o que realmentre deseja. Não é para menos: na prática, o período Temer pode ser considerado um “semi-parlamentarismo”, tamanha a presença e a força dos grupos parlamentares na composição ministerial. É essa força que tem garantido a tranqüilidade na tramitação de matérias de interesse do Planalto. E Temer deseja manter assim.

Mas há ruídos no processo de eleição dos novos dirigentes das duas casas legislativas. No Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE) há muito é tido como favoritíssimo. Há, porém, dois novos ingredientes que podem criar problemas. O primeiro, o temor de que o senador seja engolfado pela Lava Jato, criando problemas institucionais. O segundo, a oposição de Renan Calheiros ao seu nome, o que está levando o atual presidente da casa a ensaiar uma aliança com a oposição.

Para muitos, essa aliança não terá êxito. Primeiro porque falta número: sem apoio, o movimento se esvazia. Segundo, porque Renan quer mesmo só criar alguma dificuldade para colher facilidades – e um acerto seria só questão de tempo.

No caso da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ) tem as bênçãos do Planalto (e particularmente de seu sogro, Moreira Franco) para seguir na cadeira. Depende, primeiro, do aval jurídico: pode ou não pode concorrer à reeleição, dentro de um mesmo mandato? Depois, depende da acomodação do chamado Centrão, que se acha merecedor do posto, pela fidelidade ao governo.

Por via das dúvidas, o Planalto se esforça para evitar divisões que quebrem a fortaleza parlamentar do governo, tão necessária à estabilidade sonhada para a travessia de 2017. Como se sabe, os presidentes da Câmara e Senado não fundamentais para a agenda política e econômica. Quando aliados, fazem tudo correr bem para o governo; quando distantes, criam problemas sérios, como bem mostrou Eduardo Cunha na relação com Dilma Rouseaff.

O governo Temer quer tudo, menos um Eduardo Cunha em sua vida já bastante tumultuada.
 


Rena  e Temer: afinados ou em conflito, impacto sobre a agenda política de 2017