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Para os algoritmos, mulher bonita é a mulher branca e jovem


Algoritmos preconceituosos: nos buscadores, o sinônimo de mulher bonita é mulher branca e jovem


Quem acha que a tecnologia é imparcial precisa conhecer estudo desenvolvido na Universidade Federal de Minas Gerais, sob a coordenação do professor Virgílio Almeida, um especialista que inclusive ministrou cursos em Harvard. Utilizando os buscadores Google e Bing, os pesquisadores da equipe de Virgílio digitaram “mulher bonita” e “mulher feia”. O resultado é uma acachapante maioria de mulheres brancas associadas à ideia de beleza. E uma enxurrada de negras identificadas como feias.

A análise foi feita em umas dezenas de países, com resultados que seguem a mesma tendência, embora em alguns países esses indicadores sejam mais expressivos. É o caso do Brasil. As imagens que aparecem como “mulheres bonitas” são em geral brancas e jovens – quase sempre com menos de 30 anos, pele branca. Para a busca "mulher feia", a enorme maioria é de mulheres negras e com idade mais avançada.

O resultado indica que os algoritmos são tendenciosos?

O jornalista Ronaldo Lemos, especialista no assunto, faz um comentário pertinente sobre o tema: “A questão aqui assemelha-se ao problema do ovo e da galinha. É a sociedade que molda a forma como algoritmos refletem esses conceitos? Ou os algoritmos acabam reforçando essas percepções sociais?”

O próprio jornalista lembra que cresce o número dos que acreditam na segunda possibilidade, sobretudo depois da eleição de Trump, em muita medida atribuída às redes sociais e seus algoritmos. Também o professor Virgílio Almeida sugere entender do mesmo modo, ao afirmar que "a forma como os buscadores indexam e listam as imagens pode também contribuir para a criação de estereótipos".

O resultado do estudo, assim como fenômenos comunicacionais tais quais o de Donald Trump evidenciam o grande desafio que se tem pela frente. Em um mundo cada vez mais guiado pelos algoritmos e a inteligência artificial, já se discute o alcance e os limites dessas ferramentas.

Esse é um debate que está apenas começando, porque é algo que vai alcançar a vida das pessoas, inclusive na hora do banco avaliar a possibilidade de conceder crédito ou de uma empresa mensurar a oportunidade de contratar um funcionário. Pelos próximos anos, este será um tema muito presente, tanto em sisudos eventos acadêmicos como nas barulhentas mesas de bar.