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Imagine! Até empresários estão insatisfeitos com transporte em Teresina


Transporte coletivo de Teresina: descontentamento entre usuários, poder público e empresários

 

O aumento do valor da passagem dos ônibus em Teresina trouxe, mais um,a vez, a discussão sobre o sistema de transporte coletivo na capital. E o que a gente vê é a repetição de posturas das três partes: poder público, empresários e usuários, em especial os estudantes, que estão nas ruas reclamando do novo valor e da qualidade dos serviços. E as declarações ouvidas nos últimos tempos deixam claro: ninguém está satisfeito com o transporte coletivo teresinense.

O ponto de vista dos usuários parece o mais óbvio: os serviços oferecidos têm baixa qualidade, medido especialmente pelos trajetos tortuosos e demorados. Para ficar num exemplo clássico: um universitário da zona sul de Teresina que estuda na UFPI ou na Uespi do Pirajá pode passar cerca de duas horas dentro de um  ônibus – em geral mal acomodado – para chegar ao seu destino.

A esse drama se somam outros: paradas inadequadas ou ausentes, conduções temerárias num trânsito caótico e ainda problemas de segurança, especialmente para que usa o sistema à noite ou no raiar do dia. E tudo isso oferece sobrada razão às manifestações de repúdio ao sistema.

A prefeitura também reclama, e sempre aponta os problemas de mobilidade – com planos para enfrentá-los – como uma das causas. Sabe que o serviço é ruim e aposta na plena integração com BRT incluído. Mas isso é coisa para, pelo menos, dois anos.

Agora são os empresários. Dirigentes do SETUT – o sindicado das empresas de ônibus – dizem que não vale a pena ser empresário de transporte em Teresina. Um deles avisa que está com a empresa à venda. Vale lembrar, não é a primeira vez que isso ocorre. Em outros momentos esse tipo de declaração foi feita. Mas ninguém vendeu nada. Nem faliu.

Isso não quer dizer que também os empresários não tenham muitos motivos para reclamar. Lamentam igualmente dos problemas de mobilidade – que multiplicam engarrafamentos e ampliam custos –, das gratuidades e até da falta de isenção de tributos em itens como os combustíveis.

Nesse bolo todo, ainda não se falou nos condutores. Por enquanto, estão calados. E tomara que permaneçam assim. Pelos menos não devem estar tão descontentes com o funcionamento do setor.