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Heráclito não espera PSB e já decide apoiar Alckmin


Heráclito Fortes: filiado ao PSB, o deputado já anuncia apoio ao tucano Geraldo Alckmin

 

Na bancada federal do Piauí, o deputado Heráclito Fortes é visto como um caso à parte. Tem raia própria, não espera orientação partidária e dialoga lá em cima, com as grandes figuras do país, como os presidentes da Câmara, do Senado e da República. Ele acaba de confirmar essa “linha independente” ao anunciar, quase dois anos antes, quem será seu candidato a presidente da República, em 2018.

Em entrevista ao Acorda Piauí, da Rádio Cidade Verde, nesta quinta-feira, Heráclito disse que vai apoiar Geraldo Alckmin, que tende a ser o candidato do PSDB ao Planalto. O problema é que Heráclito é do PSB, um partido que hoje vive uma acirrada disputa interna e está longe de decidir seu próprio futuro. Na briga interna dos socialistas, de um lado está o grupo de Pernambuco, que tenta ser dono do espólio de Eduardo Campos; de outro, o grupo de São Paulo, que orbita em torno de Márcio França, que vem a ser precisamente o vice de Alckmin – portanto, com boa perspectiva de assumir o governo paulista.

O PSB do Piauí sempre foi aliado de Eduardo Campos. Mas, após a morte do principal líder socialista, os piauienses passaram a se apoiar mais em Márcio França. Isso quer dizer que a escolha que Heráclito faz agora pode coincidir com a dos demais socialistas piauienses, mais adiante.

O raciocínio e a decisão de Heráclito, no entanto, não passa por essa avaliação partidária. De fato, Heráclito sempre teve uma grande proximidade da cúpula do PSDB desde os tempos do governo FHC. Não por acaso, o deputado foi um dos coordenadores da campanha de Alckmin ao Planalto, em 2006. Agora, ao justificar a decisão, afirma que mantém a coerência e a transparência – e, assim, segue alckimista.

Sim, segue alckimista, esquecendo de ser partidário.

A lógica que norteia Heráclito não é rara na política. Longe disso: ele segue suas relações pessoais, que já destoavam da orientação partidária desde os tempos em que esteve filiado ao PFL. É amigo de muitos tucanos de alta plumagem. E pretende seguir fiel a essas relações, desde já anunciando o apoio a Alckmin.

É possível que os deputados Átila Lira e Rodrigo Martins, bem como o ex-governador Wilson Martins  – as outras referências nacionais do PSB piauiense – também apoiem Alckmin em 2018. Mas, quando desembarcarem na campanha do atual governador paulista, lá já encontrarão bem acomodado o deputado Heráclito Fortes.