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Ciro Gomes mostra suas armas: uma metralhadora giratória

A eleição presidencial do próximo ano ainda está longe, e há muitas dúvidas quanto ao embate que se terá daqui a um ano e meio. Mas pelo menos dois pré-candidatos ganham a estrada e verbalizam suas idéias: Ciro Gomes (PDT) e Jair Bolsonaro (PSC). Ambos vão assumindo discursos mais extremados, nos lados apostos do espectro político.

Vale olhar especialmente para Ciro, que tomou assento na frente da internet e usa seu canal de rede social com manifestações sobre os temas de interesse nacional. Com suas falas freqüentes, o agora trabalhista Ciro vai mostrando suas armas. E, pelo que se tem visto, é uma metralhadora giratória. Com muita bala.

Ciro, que nasceu e se criou na direita, abraça um forte discurso à esquerda – tanto que seus vídeos são divulgados pelo movimento “Esquerda Valente”. Ciro ataca a política em geral mas poupa os petistas. E desanca particularmente o governo Temer e boa parte do grande empresariado, especialmente o setor financeiro.

A conhecida virulência de Ciro Gomes está em quase todas as suas mensagens. Na sexta-feira, em vídeo para evento promovido pelos funcionários do BNDES, defendeu o papel do banco como financiador da economia nacional. Em contraponto atacou: “O pacto da agiotagem internacional, aqui no Brasil representada pelo oligopólio do setor financeiro, destruiu qualquer vinculação da poupança da sociedade ao investimento produtivo”.

Esse vai ser o tom de Ciro Gomes candidato a presidente (veja vídeo abaixo).

Ao falar sobre a reforma da previdência, segue na mesma linha. “Mais da metade do que a previdência gasta hoje são as aposentadorias precoces dos políticos, da magistratura, do ministério público”, diz o pré-candidato. E completa: nada disso é alterado pela proposta do governo Temer.

No calor da inauguração do trecho que leva água do São Francisco para região da Paraíba, Ciro ataca o “governo golpista” de Michel Temer e tenta ser pai da obra, junto com o ex-presidente Lula. Chama de farsa a inauguração oficial da obra e vaticina: “Esses vermes da política passarão”.

Tudo isso é puro Ciro.

Vale lembrar, em 2002, essa linguagem ferina tirou muito das possibilidades de Ciro na corrida pelo Palácio do Planalto, ainda mais numa eleição em que se buscava estabilidade futura. Naquele ano, prevaleceu o “Lulinha Paz e Amor”. Ano que vem pode ser diferente.

Os tempos extremos de “pós-verdade” e “fatos alternativos” se somam a uma realidade de grande desconfiança contra a política em geral. Quem chega com um discurso de confronto “ao que aí está” pode colher frutos.

É nisso que Ciro aposta. Com uma vantagem: ele sempre foi essa metralhadora giratória que está aí. Não há choque de imagem. Nem economia de verbo. Nem de munição.