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Sobra Judas neste Sábado de Aleluia. Pode escolher

Na Santa Ceia (criação de Da Vinci), Judas segura o saco de moedas: mais atento ao dinheito que ao pão da vida?

 

A tradição está aí, viva: Sábado de Aleluia é dia de malhar o Judas. E a tradição diz que cada um escolha o seu Judas mais representativo e vá à forra. Extravasar. O detalhe é que este ano as opções de Judas são bem maiores que nos anos anteriores, quando já eram tantas as alternativas.

Judas Iscariotes era, segundo os Evangelhos, aquele responsável por guardar a bolsa de dinheiro dos apóstolos. Um dinheiro que já tinha um fim público: comprar um terreno para ser transformado em Campo Santo, em cemitério para o povo. Mas o apóstolo desconsiderou o projeto comum e tratou de fazer seus próprios planos.

Ainda segundo os evangelhos, Judas confessa que apegou-se mais ao dinheiro que à missão que Jesus lhes atribuía. Não apenas apoderou-se do dinheiro do grupo como ainda tratou de conseguir mais: dedurou Jesus aos romanos por 30 dinheiros. Trinta moedas de prata.

Os escândalos vividos pelo país – não apenas o destapado pela Lava Jato, mas sobretudo – mostra que há Judas aos montes. Gente que assume um posto com uma missão e abandona tal missão por algum dinheiro, normalmente bem mais que 30 moedas. Gente que se corrompe, que se esbalda com o dinheiro que não é seu, que mente, dedura, trai.

Tem o representante popular que não representa o popular. Pra que maior traição que essa? E só aqui já são centenas de “malháveis” nesse Sábado de Aleluia. Só em Brasília são uns 600.

Tem o ministro que não ministra, e até deixa que um decreto onde vai colocar sua assinatura seja redigido pelo empresário poderoso. O ministro que descuida da bolsa de dinheiro do povo e a entrega a quem não devia

Tem o policial que recebe "o seu" para garantir a empresa, não as ruas.

Tem o sindicalista que leva um robusto trocado para fazer ou obstruir greves, fazendo renascer com força entre sindicalizados a expressão “massa de manobra”.

Tem o pastor que reza em outra cartilha, não a de Deus, e risonhamente se transforma em Homem Laranja em plena rede nacional de televisão, em um debate presidencial.

Tem até o índio que desmobiliza a aldeia para deixar que a empreiteira siga livre na construção da nova represa.

Sim, tem também a Carta ao Povo Brasileiro que na verdade era Carta ao Grande Empresário, feita com a empenhada colaboração de grandes empresários.

Tem escola que não ensina, hospital que não cura, segurança que não segura e um país que simplesmente não funciona. Ou pelo menos não funciona conforme a lógica que deveria funcionar. Porque, como se viu nos últimos dias, meses e anos, tem coisa que vinha funcionando muito bem.

Bem até demais. Para tristeza da Pátria subtraída. Traída – tal como Jesus pelo Iscariotes.