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Não basta uma Base Curricular para mudar ensino, diz especialista


Professor Dutra, nos estúdios da Cidade Verde: Base Curricular é importante, mas não é tudo

 

O Brasil ainda não está preparado para a nova Base Nacional Comum Curricular (BNCC), a grande aposta para a transformação da educação fundamental no país. Quem garante é o professor Raimundo Dutra, doutor em educação, que considera a nova Base Curricular como um passo imprescindível para a transformação da educação brasileira, mas um passo que carece de complementos.

E, nesse aspecto, o país ainda não está preparado.

A BNCC estabelece “os direitos, os conhecimentos, as competências e os objetivos de aprendizagem para todas as crianças e adolescentes brasileiros desde a Educação Infantil até o Ensino Médio", conforme informa o próprio Ministério da Educação. Ou seja: será referência “obrigatória para a elaboração dos currículos nos estados, nos municípios, na rede federal e nas escolas particulares”.

Ou, como observar Dutra, estabelece rumos para que os estudantes das mais diversas regiões ou de escolas distintas tenham um aprendizado comum mínimo. Mas a concretização dos objetivos depende muito dos currículos definidos em cada escola ou rede educacional, bem como das condições de desenvolvimento do ensino.

Poder-se dizer, a BNCC define um ponto onde se quer chegar; e os currículos (e suas condições de aplicação) estabelecem os caminhos. É aí que o professor Dutra adverte: o Brasil ainda não está preparado para a nova BNCC.

O especialista diz que a Base Curricular que passa a existir é um passo fundamental, mas é só um passo. Para que seja efetiva, é preciso cuidar das condições de ensino (estrutura e equipamentos das escolas, por exemplo) e da qualificação continuada de professores. É uma nova realidade que exige um novo profissional – adverte.

Vale lembrar, a Base Curricular é parte de um esforço que pretende promover importantes mudanças no ensino fundamental brasileiro. Nas avaliações internacionais, como o PISA, o Brasil tem ficado sempre em posição vexatória. As avaliações mostram desconhecimento básico, por exemplo, da língua, traduzido na incapacidade para compreensão de textos elementares. Ou, também para a resolução de equações simples de matemática.

A mudança quer passar uma borracha nessa realidade. E promover uma educação mais eficiente, capaz de transformar e colocar o Brasil em outro patamar.