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Feriado com ponto facultativo reduz vendas, reclama Sindilojas

Tertulino Passos, do Sindilojas: tentando reduzir "pontos facultativos" que reduzem movimentação na economia

 

O excesso de feriados com pontos facultativos entrava a economia, causando queda na atividade especialmente do comércio. É o que diz Tertulino Passos, presidente do Sindicato dos Lojistas do Comércio do Estado do Piauí (Sindilojas). Nos dias transformados em ponto facultativo nas repartições públicas, a queda de movimentação nas lojas é de 30%, com redução de 18% nas vendas.

Em entrevista ao Acorda Piauí, hoje cedo na rádio Cidade Verde, Tertulino disse que está negociando com o poder público para que seja revista essa prática de conceder pontos facultativos – uma situação particularmente grave em um estado como o Piauí, onde o setor público tem forte presença na economia. Segundo ele, a receptividade tem sido boa. Mas até agora não houve mudanças.

E as perspectivas para o comércio, este ano, é de mais impacto negativo, tantos são os feriados próximos ao final de semana, levando à adoção dos pontos facultativos. Neste primeiro semestre, a segunda-feira de carnaval e a quarta de cinzas foram facultativos para o servidor público – na prática, vira feriado estendido. Há ainda a previsão do dia 16 de junho, o dia seguinte a Corpus Christi. Também tende a ser facultativo.

Mas a situação fica mais complicada mesmo é no segundo semestre, com quatro feriados caindo em uma quinta-feira: 7 de setembro, 12 e 19 de outubro e 2 de novembro. Se for mantida a regra, os dias seguintes serão facultativos, criando quatro grandes feriadões no segundo semestre. Tem ainda o 16 de agosto e o 15 novembro caindo na quarta-feira, o que também quebra o ritmo da economia.

Não entra na reclamação do Sindilojas os feriadões provocados pelo 21 de abril (cai numa sexta-feira), do dia do trabalho (uma segunda) ou o 25 de dezembro (também uma segunda). Esses são feriados oficiais, não há ponto facultativo

De qualquer forma, os pontos facultativos mostram que é muita folga para um país que pede para crescer.

 

Aquecimento lento

O setor lojista está sentindo uma leve melhora nas atividades do comércio. Mas nada que seja para comemorar. Segundo Tertulino Passos, presidente do Sindilojas, há mais ânimo e confiança no consumidor, que está indo às lojas, consultando preços. Mas as compras ainda não reagiram como se esperava.

Nem mesmo os saques do FGTS provocaram o aquecimento esperado. Há, segundo disse Tertulino, uma queda na inadimplência, como se o dinheiro tivesse sido utilizado particularmente para pagar dívidas. Mas as compras são cresceram no ritmo projetado.

Essa situação se reflete nos postos de trabalho. “Ainda não é possível falar em novos postos de trabalho”, diz o lojista. Ele deposita a esperança de alguma elevação nas vendas por ocasião do Dia das Mães, mas as projeções não extraordinárias. “Vão ser pouco melhores que em 2016, que foi um ano muito ruim”, finaliza.