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Brasil não investe suficiente nem para manter infraestrutura


Transnordestina: inconclusa, longe de contribuir para suprir a falta de infraestrutura

 

Desde sempre “país do futuro”, o Brasil enfrenta alguns gargalos para cumprir o projeto de potencia mundial e se firmar de vez como o país do presente. Entre esses gargalos estão a questão ética e o fortalecimento da infraestrutura – os dois temas muito em voga em tempos de Lava Jato, que relevou o envolvimento das principais empreiteiras do país em escabrosos esquemas de corrupção.

Mas se a Lava Jato traz esperanças quanto à questão ética, os minguados investimentos em infraestrutura não alimentam muitas esperanças. Nesse quesito, o Brasil vem alargando o déficit e ruindo os horizontes.

Para se ter a dimensão do problema, basta olhar o Piauí. Aqui, o porto de Luís Correia é um sonho que dura quase um século; e uma obra que se iniciou há uns 50 anos. Tem mais: a Transnordestina espera – sabe-se lá até quando – para deixar de ser apenas um reluzente anúncio de governo; e a estrada mais importante para o escoamento da safra de grãos, a BR 135, tem o mesmo desenho de quase 50 anos atrás. O problema é que a realidade mudou. A infraestrutura não.

Os dados nacionais mostram o descompasso. Segundo dados internacionais, o ideal é que o investimento em infraestrutura corresponda a cerca de 5% do PIB para conseguir acompanhar a demanda média. Ocorre que esse índice não vem sendo acompanhado desde a década de 1980.

Para quem acha que a coisa vai mal, durma com essa: não está mal; está muito mal. Ainda recorrendo aos dados do setor, avalia-se que o investimento anual apenas para manter o que se tem de infraestrutura deve ser da ordem de 3% do PIB. E aí está a péssima notícia: no ano passado, o Brasil investiu apenas 1,7% do PIB em obras infraestruturais.

E os caminhos estão longes de ser planos: o setor reclama de um marco regulatório estável, capaz de atrair investidores. Nesse quesito, como adverte o ex-ministro da Fazenda Afonso Pastore, o país estaria andando no caminho inverso, de marca à ré. E cita o caso do setor elétrico, desestruturado através de Medida Provisória. Para ele, medidas como essas reduzem ainda mais os investimentos e não permite que se chegue sequer aos 3% do PIB, quanto mais aos 5%.

Dito de outra forma: ao invés de fortalecermos o setor, estamos vendo investimentos que sequer mantém as condições atuais. Na prática, a falta de infraestrutura aumenta custos de produção/distribuição e reduz a competitividade. Tudo ao contrário do que o país precisa.