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A boa notícia do aumento do emprego. E a pergunta: é pra valer?

Reação da economia: construção civil foi único setor que não teve aumento de emprego em abril

 

Duas pesquisas divulgadas neste início de semana reacendem a esperança. Uma mostra o crescimento do emprego, quebrando uma série negativa que durava desde 2014. A segunda, mostra que a população está mais disposta a consumir. Juntas, as duas pesquisas abrem uma perspectiva de reaquecimento da economia. Mas, por enquanto, é só perspectiva. Boa. Mas só perspectiva.

Nos registros sobre emprego, divulgados a cada mês pelo Ministério do Trabalho, a boa notícia é que houve crescimento em praticamente todos os setores. Isso reduz o argumento da sazonalidade que acontece, por exemplo, no carnaval ou dia das mães, que alcança apenas alguns setores como comércio e serviços. Poderia, assim, traduzir uma tendência.

Nos registros do Ministério, o dado negativo é a perda de emprego em um setor importante: a construção civil. Este é um setor que emprega muito, especialmente aquele segmento mais afetado pelo desemprego – o do trabalhador com menor qualificação. Para se ter uma ideia, no Piauí as demissões de 2015 e 2016 reduziram a massa de empregados da construção civil a menos da metade.

Apesar do senão para a construção civil, os dados do Ministério são animadores. E ganham mais ênfase quando observamos uma outra pesquisa agora divulgada, que destaca a confiança do consumidor. Segundo essa pesquisa, realizada pela Confederação Nacional do Comércio, cresceu entre as famílias brasileiras a intenção de consumirem. Tal intenção está presente em mais de 77% das famílias,.

Esse otimismo pode afiançar a leitura dos dados como tendência. Há uma redução no endividamento dos brasileiros, o que abre a perspectiva para a contratação de créditos. E dois fatores devem ser considerados neste cenário: a redução (ainda pequena, mas real) das taxas de juro para o consumidor; e a injeção de recursos com a liberação de recursos antes empacados nas contas desativadas do FGTS.

Otimismo. Mais crédito. Menos juros. E um pouco mais de emprego. Tudo isso pode ser uma boa soma a alicerçar a recuperação econômica tão esperada pelos brasileiros.

É claro, ainda temos muito a percorrer, porque é muito fundo o poço em que nossa economia foi jogada.  A recuperação apontada agora é só um degrau na subida até a borda. Para sair do poço da crise, ainda faltam muitos degraus.

A vantagem é que agora há um caminho que se abre, ao contrário dos últimos meses e anos, quando o horizonte esbarrava na completa falta de perspectivas. Com este novo cenário, é razoável acreditar que os números agora revelados sejam apenas o primeiro indicador de uma série positiva. E que os dados de agora são, sim, o passo inicial de uma tendência na economia por fim em recuperação.