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Com escândalos, Brasil pede uma saída que políticos teimam em não dar


Deputado Alessandro Molon: pedido de impeachment de Michel Temer após gravações do dono da JBS

 

Quando achávamos que tínhamos visto tudo, uma nova bomba cai sobre a já destroçada política brasileira. E agora envolve, sem sutilezas, o próprio presidente Michel Temer. O resultado imediato é terrível: a crise que era grave se torna insuportável, insustentável, comprometendo até a leve reação que a economia esboçava. Nesse quadro, o Brasil pede uma saída urgente. Porque a sensação é que o governo acabou.

As saídas que se colocam como alternativas são todas complicadas, especialmente diante da divisão do país, onde um consenso ou a pactuação de uma saída é vislumbrada por muito poucos.  A primeira preocupação é que o caminho a seguir seja, obviamente, amparado pela constituição.

Vejamos as alternativas:

ELEIÇÃO DIRETA JÁ: esta é a opção que tem mais apoio popular. Mas não tem amparo na Constituição, que prevê eleição direta para o caso da vacância da presidência na primeira metade do mandato. Na segunda metade, tem que ser eleição indireta, no Congresso. Para haver eleição direta, precisaria de uma emenda constitucional – e a votação da PEC da reforma da previdência, por exemplo, mostra que não é um caminho rápido.

IMPEACHMENT DE TEMER: o impeachment já foi solicitado ontem mesmo pelo deputado Alessandro Molon (Rede-RJ). Há motivos, sim. Mas os nove meses até o impeachment de Dilma mostra que é outra saída que pode demorar. Ainda mais tendo em conta que o presidente da Casa, Rodrigo Maia, não se empenharia por esta tese, ao contrário do que aconteceu com Eduardo Cunha.

RENÚNCIA DE TEMER: pode ser uma saída rápida. Só depende de Temer mesmo e, se ele quiser, pode acontecer hoje mesmo, realizando-se a eleição (indireta) do sucessor na sequência. Mas os primeiros sinais, ontem, dão mostras que o presidente deve resistir à ideia.

CASSAÇÃO PELO TSE: até aliados de Temer acham que é uma “saída honrosa” para o presidente. Por que? Porque ele seria desapeado do poder por um deslize atribuído a Dilma. E seria rápida: no próximo mês o processo de cassação será votado pelo TSE. E os ministros podem cassar a chapa Dilma-Temer inteira, dando ao país a chance de sucessão imediata.

ELEIÇÃO INDIRETA: sem a opção de uma PEC, a saída é eleição indireta dentro do Congresso. Só em falar em Congresso, com uma banda da Casa sendo investigada, dá arrepios em meio mundo. Michel Temer saindo, o presidente da Câmara, o investigado Rodrigo Maia, assumiria por 30 dias. Aí realizaria eleição. O escolhido pode ser de dentro ou de fora do Parlamento.

 

Um pacto nacional pela pacificação?

O drama seguinte é: quem sucederia Temer?

Se for por eleição direta, falta até candidato, já que o mundo político inteiro – ou quase – está envolvido em denúncias graves de corrupção. Mas, neste caso, caberia ao povo decidir.

Se a escolha for indireta, esse mesmo mundo político tem poucas opções a oferecer, pelo mesma razão de termos quase todo mundo coberto de sujeira. De qualquer forma, essa eleição abriria a possibilidade para a busca de um nome capaz de pacificar o Brasil, numa transição até as eleições.

Não é uma tarefa fácil, num país com ânimos acirrados e onde cada lado olha para seu próprio quintal, sem sequer se preocupar em limpá-lo. Um pacto significaria desprendimento, pensar um pouco na Nação. Mas os escândalos mostram que essa preocupação é ausente.

Pior: as novas revelações no caso das gravações do dono da JBS evidenciam que os políticos não se preocupam sequer consigo mesmo, quanto mais com a Nação. Se não fosse assim, Aécio, Temer & Cia não teriam seguido fazendo das suas em plena efervescência da Lava Jato.

Daí, pensar em uma saída pouco traumática é quase pedir um milagre. Mas como costumamos achar que Deus é brasileiro, vale manter a esperança.