Cidadeverde.com

Secretários-candidatos criam clima ruim na aliança com PT, diz Tapety


Mauro Tapety: problemas com secretários-candidatos criam clima ruim na aliança do PMDB com PT

 

Tudo começou com um discurso do deputado Júlio Arcoverde (PP), que reclamou contra a segurança pública. Agora, a gritaria está aberta, e não são poucos os deputados estaduais da base aliada que estão reclamando da ação dos secretários pré-candidatos a um cargo eletivo em 2018. A reação dos aliados cria, pelo menos momentaneamente, um clima ruim na aliança com o governo comandado pelo PT.

O alvo principal são aqueles secretários-candidatos sem mandato, que buscam uma cadeira na Assembleia. Mas não só. O discurso de Júlio, há exatamente uma semana, atacava uma área onde estão dois gestores que se preparam para a disputar das eleições de 2018: Fábio Abreu (PTB), secretário de Segurança que deve buscar a reeleição para a Câmara Federal; e o coronel Carlos Augusto, o comandante da PM que é visto como candidatíssimo a uma cadeira na Assembleia. Outro alvo muito citado é Franzé Silva, da Administração.

Poucos esperavam um discurso crítico pronunciado por Júlio Arcoverde, que se portou nos últimos anos quase como um líder do governo Wellington Dias. A fala do presidente estadual do PP, no entanto, funcionou como uma senha para a reclamação geral. Aí apareceram outros, que deixaram a sutileza de lado, como Mauro Tapety e João Madison, os dois do PMDB.

Tapety foi explícito quanto ao descontentamento que, segundo diz, alcança até mesmo deputados do PT que não controlam alguma pasta de primeiro escalão. E advertiu que a ação ostensiva dos secretários-candidatos cria sim um clima ruim dentro da aliança do PMDB com o governo. Daí, pede uma reunião urgente do governador com os deputados.

Esse tipo de reclamação não é nova. Todo governo é acusado de privilegiar esse ou aquele candidato, pelo parentesco ou afinidade política e pessoal com o titular do momento no Palácio de Karnak. Mauro Tapety diz, no entanto, que alguns secretários estão passando da conta, com assédio explícito às bases de deputados aliados.

Para controlar o jogo, Wellington já disse que não estimula e nem tem interesse nesse tipo de conduta dos secretários. O governador não disse, mas também deve saber que terminará realizando essa reunião que os deputados cobram. E também é provável que termine aplacando a fúria dos aliados com duas medidas: um pedido de comedimento por parte dos secretários e, claro!, alguns afagos nos excelentíssimos senhores parlamentares.

Wellington já provou mais de uma vez que é um craque na arte de unir as diferenças e de driblar os desconfortos. Não por acaso está no terceiro mandato de governador. E quer chegar ao quarto exercendo essa mesma habilidade plenamente.