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Obama dá a receita: jovem precisa participar da política


Barack Obama com jovens brasileiros, em São Paulo: estímulo à participação da juventude na política

 

Em passagem pelo Brasil, o ex-presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, teve uma preocupação: enviar uma mensagem particular para os jovens. E também saiu do discurso para a ação: manteve encontro com 11 jovens que considera lideranças promissoras, todos envolvidos em ações cidadãs que antes olham para o outro antes, jovens que pensam no coletivo. Na menagem, um brado que não deixa dúvidas: a juventude precisa participar da política. 

A preocupação de Obama vai no sentido contrário ao sentimento que move os jovens brasileiros. Aqui, os jovens cultivam – não por acaso – um sentimento antipolítica. Rejeitam a política pelo que a política tem oferecido de palpável e evidente: ineficiência, descompromisso, roubalheira. Diante de quadro tão terrível, os jovens se alheiam da política, essa praticada dentro dos partidos.

O que Obama diz é que essa rejeição é o mesmo que empurrar o país para as mãos dos aproveitadores que fazem da política um meio para fins nada dignos. E só há uma saída possível: participar, agir para mudar. É uma pregação que começa a ganhar corpo em alguns movimentos Brasil afora.

Nos últimos meses, o desencanto com a política deu lugar à esperança, no rastro de movimentos que tentam buscar novas lideranças. Exatamente o que prega Obama. Há plataformas à direita e à esquerda buscando alternativas, à procura de nomes que possam se comprometer com um novo jeito de lidar com a coisa pública e que entenda um novo caminho para a representação popular.

Há de tudo. Há grupos que reúnem pessoas preocupadas com os direitos individuais, com ações de natureza social, com a competitividade empresarial ética, com o meio ambiente etc. Mas todos coincidem em um aspecto: a nova política tem que pensar no coletivo, na sociedade. E aí temos uma boa notícia: há cada vez mais pessoas – não só, mas sobretudo jovens – pensando em agir numa perspectiva de mudar o coletivo.

Nesse time que traz essa nova faceta da mobilização social, há movimentos como o Bancada Ativista, que está procurando candidatos que podem vir a ser apoiados. O apoio se concretizará na medida da qualificação e dos compromissos do pretendente. A preocupação é encontrar quem esteja preparado tecnicamente para abraçar a ideia de um novo modo de gestão.

Outro movimento é a Transparência Partidária, que abraça a ideia de um novo arcabouço jurídico pautado pela transparência. Para esse grupo, a transparência é fundamental para a renovação das práticas políticas. Essa mesma linha é seguida pelo movimento Acredito.

O bom nisso tudo é que as pessoas envolvidas nesses movimentos não estão embaladas pela mosca azul, aquela que torna o poder uma meta a qualquer preço. Não. Não querem ser candidatos. Boa parte desses grupos pretende escolher candidatos que traduzam esses princípios que elegeram como fundamentais para a transformação da política.

Quando esteve no Brasil nessa última semana, Obama conversou precisamente com lideranças como essas, que estão pensando não em cargos, mas em diretrizes, em rumos para o país. E o ex-presidente dos Estados Unidos deixou também uma boa notícia: está disposto a apoiar grupos que tenham essa preocupação de participar da política.

Vale ressaltar: participar da política, não da politicagem.

Tendência autoritária cresce porque Democracia frustra

A política brasileira está conseguindo desmoralizar o que há de mais sagrado na político: o direito a fazer política livremente. Foi o que mostrou pesquisa do DataFolha, realizada a pedido do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, apontando um crescimento da tendência autoritária no brasileiro.

O viés autoritário não é novidade no Brasil: faz parte de uma sociedade edificada sobre alicerce patriarcal, machista e oligarca, portanto autoritário. Esses traços seguem vivos, como parte de uma cultura cívica débil. Nas pesquisas sistemáticas do instituto chileno Latinobarômetro para toda a América Latina, o Brasil sempre ficou mal na fita, com um dos menores índices de apoio à Democracia. Em setembro do ano passado, o Latinobarômetro mostrou o Brasil em último lugar entre 16 países: apenas 32%, contra 54% um ano antes.

Agora o DataFolha confirma o quadro, com um índice ainda pior: a sociedade brasileira atinge, em uma variação de 0 a 10, o elevado índice de 8,1 na propensão a endossar posições autoritárias. Há uma clara frustração com o funcionamento do país. Significa que nossa Democracia funciona mal e povo sabe disso porque sente na pele. Daí, não falta (aliás, sobra) quem flerte com o autoritarismo.

O diagnóstico do DataFolha preocupa ainda mais diante da crise institucional estabelecida. O ex-ministro do STF Joaquim Barbosa alertou que essa crise não é nada boa para a Democracia. Na sexta-feira, o jornal espanhol El País também analisava o tema com sobressalto e chamava atenção para a “evocação de saídas para a crise à margem da política, cuja eficácia está em xeque”.

Essa é uma questão fundamental: nossa Democracia passa a ser questionada porque a política não está oferecendo caminhos razoáveis para atender às mínimas demandas da cidadania. Na prática, é a política colocando a política em xeque. E o mais grave: não se vê no seio político uma preocupação razoável com tal situação.

O estudo encomendado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública é explícito na leitura dos dados da pesquisa DataFolha: a baixa eficácia das políticas públicas rebaixam a confiança na democracia e aumenta a tendência autoritária. Tudo isso com uma enorme contribuição da política.

Talvez a política – isto é, os políticos – não estejam se dando conta disso. Ou pode ser que simplesmente não se importem.

Apenas para concluir, vale um dado mais da pesquisa DataFolha: o viés autoritário não é exclusive de um segmento. Por exemplo, é majoritário em todos os níveis educacionais. Entre analfabetos ou com Ensino Fundamental incompleto, o índice chega a 8,4 pontos. Alcança 8,6 pontos entre os que têm o Fundamental completo. Entre os que têm ensino superior, o índice é de 7,4 e, entre os brasileiros com pós-graduação, é de 6,5. Também é ampla a tendência autoritária em todas as regiões (conforme gráfico abaixo): 8,4 pontos no Nordeste, o maior índice no país. Mas a pontuação mais baixa não fica longe: 7,9 pontos, no Sudeste.

Reforma política foi ‘passo atrás’, diz Heráclito


Heráclito Fortes: crítica ao uso de recursos de emendas de bancada nas campanhas eleitorais

 

O deputado federal Heráclito Fortes (PSB-PI) criticou a Reforma Política aprovada pelo Congresso, estabelecendo as regras para as eleições de 2018 e apontando algumas mudanças com vistas aos pleitos seguintes. De acordo com Heráclito, a reforma foi um passo atrás. “Total. Total (passo atrás)”, disse ele em entrevista ao Acorda Piauí, hoje na Rádio Cidade Verde.

Heráclito criticou de modo especial o Fundo Eleitoral, que será constituído por recursos públicos. Foi especialmente crítico pelo fato de incluir parte dos recursos das emendas de bancada. O deputado entende que as emendas são importantes para estados e municípios, não se justificando essa destinação de parte dosn recursos para as campanhas eleitorais.

O representante do PSB defendeu a elaboração de uma reforma política com metas de longo prazo. Para ele, a definição de regras olhando a eleição seguinte termina sendo contaminada pelos interesses específicos dos parlamentares, que olham para o umbigo. Por isso acha que deve ser discutida logo uma completa reforma que olhe para 2022 e as eleições seguintes.

Heráclito também falou sobre a crise vivida por seu partido, que está dividido entre os grupos de São Paulo e de Pernambuco. Foi duro ao criticar o atual presidente nacional do PSB, Carlos Siqueira. Sem citar nome, disse que Siqueira é “um burocrata sem sensibilidade”. Vale lembrar, Carlos Siqueira não é político e chegou à presidência do PSB após a morte de Eduardo Campos.

 

Deputado festeja Aeroporto de Bom Jesus

 O deputado Heráclito Fortes (PSB-PI) destacou como uma grande conquista para o Piauí a assinatura do termo que autoriza a licitação para a construção do aeroporto regional de Bom Jesus. Para ele, essa obra assume grande importância pelo papel estratégico que terá no desenvolvimento dos cerrados piauienses.

Heráclito lembrou que está nessa luta desde a década de 1990. Festejou ainda o prefeito Marcos Elvas (PSDB) e a soma de forças políticas em torno dessa reivindicação. A solenidade de assinatura da autorização de licitação ocorreu ontem, em Brasília, com a participação de diversos políticos piauienses, como o governador Wellington Dias, o senador Ciro Nogueira e o deputado federal Marcelo Castro. A obra terá contrapartida do Estado e será executada pela Secretaria de Transportes.

Para ouvir a entrevista completa do deputado Heráclito Fortes, acesse o link abaixo.

 

Autorizada licitação para o Aeroporto de Bom Jesus


Solenidade que autoriza licitação para construção do aeroporto de Bom Jesus: união das lideranças políticas piauienses

 

Um importante sonho do Sul do Estado e particularmente da região produtora dos cerrados piauienses começa a se concretizar: foi assinado hoje, em Brasília, a ordem de licitação para a construção do Aeroporto de Bom Jesus. A assinatura do documento foi no gabinete do Ministro dos Transportes, Maurício Quintela, com a presença de lideranças políticas piauienses, entre elas o governador  Wellington Dias.

A obra será realizada pelo governo do Estado, através da Secretaria de Transportes, num custo ao redor de R$ 28 milhões, a maior parte repasse federal. O aeroporto terá pista de 1.200 metros de extensão por 30 metros de largura, além de Terminal de Passageiros. O projeto foi desenhado nos padrões exigidos para ser homologada com capacidade para receber aviões de até 50 passageiros. O prazo de construção é de um ano e meio, a partir do início da obra.

A assinatura do documento coroa uma luta iniciada há mais de três anos, através do prefeito Marcos Elvas (PSDB), com suporte direto do deputado Marcelo Castro (PMDB), bem como do deputado Heráclito Fortes (PSB). Com o propósito de viabilizar a obra, Elvas chegou a levar a Bom Jesus o à época Secretário de Aviação, Moreira Franco.

“Estamos felizes que essa luta esteja chegando ao fim com sucesso, realizando um sonho que não é só de Bom Jesus, mas de todo o sul piauiense. Será um suporte importantíssimo para a transformação econômica de nossa região, que já se destaca pela produção de grãos e pelo dinâmico pólo educacional”, disse Marcos Elvas.

O prefeito destacou ainda o envolvimento de diversas lideranças políticas nessa luta. “Esta é uma conquista do Piauí”, disse ele.

 

Valeu o ditado: a união faz a força

A foto da solenidade diz que, quando as lideranças políticas do Estado se unem, as coisa andam com mais facilidade. Estavam lá no evento, ao lado do ministro Maurício Quintela, o governador Wellington Dias (PT), a vice-governadora Margarete Coelho (PP), o senador Ciro Nogueira (PP), os deputados federais Marcelo Castro (PMDB) e Heráclito Fortes (PSB), o prefeito Marcos Elvas (PSDB) e os deputados estaduais Luciano Nunes (PSDB) e Fábio Novo (PT), além do secretário de Transportes, Guilhermano Pires.

O governador Wellington Dias ressaltou que o aeroporto de Bom Jesus vai ter uma importância nacional, já que facilita a ligação com uma das áreas mais promissoras da economia nacional – o pólo de grãos que une os estados do Piauí, Maranhão, Tocantins e Bahia. Para Wellington, é um sonho que se realiza.

Cai 41% número de mortes no local dos acidentes de trânsito


Arão Lobão, do Detran: comemorando a redução dos acidentes violentos causados pelo uso do álcool

 

Caiu em 41% o registro de mortes nos acidentes de trânsito, registradas no local do acidente, em Teresina. O dado foi revelado pelo Diretor-Geral do Detran, Arão Lobão, em entrevista ao Acorda Piauí, hoje cedo na rádio Cidade Verde. Segundo ele, essa queda é resultado direto do trabalho voltado para redução do uso de álcool por quem dirige, causa de acidentes geralmente violentos.

Arão Lobão disse que o Dertran e a Strans – órgão de trânsito no município de Teresina – tem juntado forças para conscientizar condutores sobre o risco da união de álcool com direção. Os resultados começam a aparecer, revela o diretor do Detran, com a queda das mortes no local do acidente.

Segundo ele, esse indicador está associado à gravidade dos acidentes que envolvem álcool, com registro de mortes imediatas, no próprio local do sinistro. Arão observa que os acidentes pelo uso de celular são numericamente elevados, mas em geral com uma gravidade menor que os casos que envolvem motoristas alcoolizados.

O Diretor-Geral do Detran afirma ainda que o órgão está empenhado em fortalecer um trânsito mais consciente, resultando em menos ocorrências. Esse trabalho segue através da Escola de Trânsito, com recursos próprios do órgão.

 

CNH digital começa em fevereiro

A partir de fevereiro, os Detrans de todo o Brasil começam a emitir as Carteiras Nacional de Habilitação em formato digital. Ela até poderá ser emitida, também, em formato físico, impressa. Mas será uma opção a ser exercida pelo usuário, já que a obrigatoriedade passará a ser a emissão da CNH digital.

Segundo o Diretor-Geral do Detran do Piauí, Arão Lobão, o órgão já está preparado para essa nova etapa, com emissão das novas CNHs em formato digital em todas as unidades do órgão. A CNH digital poderá ser exibida através dos smartphone, podendo ter sua autenticidade conferida por um agente de trânsito através de um simples aplicativo.

Arão Lobão diz que esse novo procedimento é uma evolução importante que acompanha o avanço das tecnologias. Ressalta ainda que ela implicará em mais agilidade para o usuário e menor custo para o Detran.

Para ouvir a entrevista completa de Arão Lobão, acesse o link abaixo.

 

Velha política apresenta conta antes da votação da denúncia


Gilberto Kassab: ouvindo do PSD reclamações que têm como endereço o presidente Michel Temer

 

Não adianta Laja Jato, nem Sérgio Moro, nem Marcelo Bretas, nem Edson Fachin, tampouco a grita nacional por uma nova política. A velha política segue mandando na Esplanada de Brasília e a segunda denúncia contra o presidente Michel Temer, que agora será votada na CCJ da Câmara dos Deputados, é uma boa oportunidade para ela colocar suas cartas na mesa.

A faceta da velha política ficou explícita ontem, através de um dos partidos mais fieis ao governo – ou melhor, aos governos, qualquer governo. A bancada do PSD na Câmara dos Deputados – são quase 40 votos, uma preciosidade na votação da denúncia quando ela chegar ao Plenário – fez uma reunião com a liderança maior do partido, ministro Gilberto Kassab. Na pauta um único ponto: reclamação contra o tratamento dado pelo governo aos membros do partido.

Para muitos, soou como ameaça de ruptura. Para outros, uma mera cobrança. Um recado que o ministro recebeu, ainda que o endereço seja o Palácio do Planalto.

Não há perspectivas palpáveis do PSD romper com o governo. Mas não custa ficar atento. Até porque o movimento do partido deve ser somado a um outro movimento, o do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ). Nas últimas semanas, Maia já teve três jantares com integrantes da oposição, dois deles na casa da senadora Katya Abreu (PMDB-TO), uma das vozes mais críticas ao governo Temer.

Em meio a cardápios refinados, Rodrigo Maia chama atenção para o papel que desempenha nesse momento: com ele, Temer tende a ter um caminho razoavelmente tranquilo no enfrentamento à segunda denúncia; sem ele, pode ter muito mais trabalho. O mesmo vale para o PSD.

Na prática, o partido de Kassab está dizendo: cuide bem da gente, exatamente da gente que tem cuidado tão bem dos seus interesses. Não chega a ser uma ameaça de ruptura muito levada a sério, mas é uma cobrança que chega em um momento crucial.

É a velha política mostrando toda a sua face.

Cláusula de barreira força fusão de partidos, diz vereador


Levino de Jesus: reforma política que cria cláusula de barreira vai levar à fusão de partidos

 

O Brasil deve ver, nos próximos meses, uma onda de fusão partidária, com a união de pequenas siglas. A avaliação é do vereador Levino de Jesus (PRB), atualmente licenciado em razão da nomeação para a presidência da Empresa Teresinense de Serviços Urbanos (Eturb).  Ele concedeu entrevista ao Acorda Piauí, hoje cedo, na Rádio Cidade Verde.

A onda de fusões seria, na avaliação de Levino, um desdobramento da aprovação pelo Congresso da cláusula de barreira como condição para que os partidos tenham acesso ao tempo de TV e aos recursos do Fundo Partidário. Ele admite que seu partido, o PRB, já mantém conversações no sentido de compor com siglas de perfil ideológico semelhante. “Em Brasília, já existe diálogo” com outras siglas, revela.

O vereador fez críticas à reforma política no que diz respeito ao fim da coligação proporcional, que vai vigorar a partir de 2020, precisamente nas eleições municipais, quando ele deve buscar a reeleição. O PRB seria um dos partidos a ter problemas para atingir o coeficiente eleitoral.

Levino avalia que esse é um problema para a maior parte das siglas, salvo alguns dos grandes partidos. Ele diz que o sistema político brasileiro está esgotado e que é preciso buscar novos caminhos. Nesse sentido, defende o sistema distrital misto.

 

Revitalização do Centro de Teresina

Na entrevista ao Acorda Piauí, Levino de Jesus falou do trabalho da Eturb no projeto da Prefeitura de Teresina para requalificar e revitalizar o centro da cidade. Segundo afirmou, o esforço visa assegurar um amplo diálogo com a sociedade para que o desenho desse novo centro tenha a voz dos teresinenses.

Reconheceu a complexidade do processo, em razão dos diversos fatores envolvidos nesse trabalho. Levino lembrou que repensar o Centro significa repensar e redimensionar aspectos como o transporte público, a relação da cidadania com o espaço urbano e também a revitalização da área como polo  econômico.

Para ouvir a entrevista completa do vereador Levino de Jesus, acesse o link abaixo.

 

Cláusula de barreira vale já em 2018. Como ficam os partidos?


Congresso Nacional: reforma política que muda muito pouca coisa para as eleições 2018

 

O Congresso rodou, rodou e rodou para ficar praticamente no mesmo lugar. A reforma política finalizada ontem no Senado – contra o relógio, porque o prazo limite para aprovação seria esta sexta-feira – mudou praticamente nada em relação à legislação anterior. A mudança mais aguardada para fazer frente à farra de partidos caça-níqueis existente no Brasil, o fim da coligação proporcional, ficou para 2020.

A valer já em 2018, mudança algo significativa só a formula de financiamento de campanha – com dinheiro público irrigando diretamente a caça ao voto – e a cláusula de barreira, que começa com um percentual baixo, bem baixo: 1,5%. Traduzindo essa mudança:  para terem direito ao tempo de TV e ao Fundo Partidário (razão da existência de boa parte das siglas), os partidos terão que ter em âmbito nacional 1,5% dos votos válidos para a Câmara Federal, com votação de pelo menos 1% dos votos válidos em 9 estados. Ou eleger pelo menos um deputado em um terço das unidades federativas (9 estados, 9 deputados).

Se estivesse em vigor em 2014, só a observação do 1,5% já teria deixado 11 partidos sem o maná do Fundo Partidário e a possibilidade de negociar o tempo de TVF. E aí, qual o sentido de existência da grande maioria dessas siglas pequenas? Nenhum.

No Piauí não mudaria muito: todos os partidos que aqui elegeram deputados federais em 2014 alcançaram com sobra o percentual exigido por lei. O menos votados dos deputados eleitos, Fábio Abreu (PTB), teve 4,66% dos votos válidos para deputado federal. O problema seria para partidos que tem força na Assembleia mas não concorre de verdade à Câmara Federasl – porque o que conta para efeito de cláusula de barreira é o voto para a Câmara Federal. Aí haveria problemas, como bem vale notar o sempre lembrado PTC.

Na disputa por vaga na Assembleia Legislativa, todos os partidos que elegeram deputados estaduais tiveram mais de 1% dos votos válidos, na eleição de 2014. Se tomarmos o exemplo do PTC de Evaldo Gomes, só Evaldo e Dr. Hélio teriam chegado perto dos 2% de votação. Evaldo teve 1,19% dos votos válidos para deputados estadual, e Dr. Hélio chegou a 0,73. Soma dos dois: 1,93% dos votos válidos.

O problema é que isso não garante o cumprimento da meta do partido, em termos de cláusula de barreira. E aí vem uma mudança importante: os partidos vão se esforçar no sentido de apresentar candidatos a deputado federal que sejam capazes de alcançar o 1%, visando ajudar a representação da sigla no plano nacional, e os recursos do Fundo Partidário. E não chega a ser uma meta do outro mundo: em 2014, bastariam cerca de 18 mil votos para que um partido tivesse no Piauí o 1% dos votos válidos para a Câmara Federal.

Só 20% das piauienses fazem prevenção do câncer de mama


Dr. Sabas Vieira, nos Estudios da Cidade Verde: só 20% das mulheres piauienses fazem prevenção

 

No Piauí, apenas 20% das mulheres fazem exames para detecção do câncer de mama. Em Teresina, essa média chega a 40%, mas ainda assim é um percentual muito abaixo dos 70% de cobertura recomendado pela Organização Mundial de Saúde.

Os dados foram revelados pelo médico mastologista Sabas Carlos Vieira, professor da UFPI. Em entrevista ao Acorda Piauí, hoje cedo na Rádio Cidade Verde, o Dr. Sabas advertiu para o crescimento dos casos de câncer, que – se permanecer no ritmo atual – se encaminha para se tornar a principal causa de mortes.

Uma das razões para esse crescimento dos casos de câncer está associado aos hábitos atuais, como a ingestão de alimentos processados – por exemplo, embutidos e conservas – que contam com produtos químicos cancerígenos. O médico disse que esses produtos provocam variações genéticas que levam ao câncer.

A propósito do Outubro Rosa, o Dr. Sabas Vieira fez considerações específicas sobre o câncer de mama, observando a necessidade de prevenção. Ressalta a importância dos exames regulares, já que o câncer de mama tem conseqüências menos dramáticas quando diagnosticado precocemente. Foi aí quando lembrou que o Piauí ainda apresenta uma realidade muito distante da ideal, onde somente 20% das mulheres fazem a prevenção.

O médico apresentou uma série de dados. Disse que a cada ano, no mundo, surge 1,7 milhão de novos casos de câncer de mama. No Brasil são 60 mil e, no Piauí, 600 novos casos.

O mastologista ressaltou o estigma da doença, que no caso do câncer de mama é duplo: pela doença em si e pelo fato de afetar um órgão importante para a mulher, pelo aspecto da feminilidade e da maternidade. Em muitos casos, mulheres que passam por mastectomia (retirada do seio) terminam vendo o afastamento do parceiro.

Essa situação, conforme o Dr. Sabas, exige uma atenção diferenciada. Ele revela o esforço de envolver o entorno afetivo das pacientes no tratamento.

Para ouvir a integra da entrevista do Dr. Sabas Carlos Vieira, acesse o link abaixo.

 

Podemos nasce oposição nacional e jeito de governo, no Estado


O senador Álvaro Dias, em Teresina, já recebe o aceno de Wellington Dias, que deseja o Podemos em sua aliança

 

O lançamento do Podemos, ontem, no Piauí, deu uma mostra dos problemas partidários brasileiros, onde a coerência ideológica é o que menos importa. O senador Álvaro Dias (PR), que chega com a etiqueta de presidenciável, coloca o partido na raia do “contra todos" e por uma nova política. Mas o líder da sigla no Estado, deputado Silas Freire, tem um vínculo umbilical com o governo, com a "política que está aí".

As contradições aparecem na própria União de Silas com Álvaro. O senador tem um viés centro-esquerda e algumas bandeiras que em nada se ajustam ao deputado piauiense. Numa outra linha, Silas abraça bandeiras de claro viés direitista e uma prática política que está distante do que se chama partido-movimento (das ruas, horizontal, de democracia direta).

No discurso de Álvaro Dias está o ataque direto aos grupos que dominaram o país na última década e meia. Acha que o PT fez propaganda enganosa ao vender um paraíso que nunca existiu. Em outras palavras: falseou e enganou. Quando ao atual governo, do PMDB de Michel Temer, rotula simplesmente de tragédia.

Já o líder do Podemos no Piauí é seguidor do PT, ou melhor, do governador Wellington Dias. E depende de Wellington para se manter na Câmara, já que não é dono de sua cadeira: é suplente em exercício. Assume algumas posições até dissonantes com Wellington, mas nada substantivo.

Assim, pode-se dizer que o Podemos nacional é de oposição. Mas o local tem um cheiro de governo que nem naftalina consegue esconder.

 

Wellington quer todos com ele

O lançamento do Podemos, ontem na FIESP, teve todo mundo, como de praxe. Estavam lá Wellington Dias (PT), Átila Lira (PSB), Robert Rios (PDT), Júlio César (PSD), Elmano Ferrer (PMDB), João Henrique (PMDB) etc etc. Mas Wellington foi mais rápido e lançou sua rede de arrasto.

Apesar do discurso da nova sigla, de ataque a tudo e a todos – na busca de uma “nova política” –, o governador nem deu ouvidos às falas. E disse que deseja o Podemos em sua aliança no Piauí. Isso exatamente quando o partido filiava Noberto Campelo como um potencial cabndidato ao lugar de Wellington.

O governador, portanto, segue as suas. Sabe cativar. E gosta de ter todos (ou quase  todos) no seu time.

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