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Velhos partidos estão dando lugar à política-movimento? Vale conferir


Emmanuel Macron: o ex sem-partido vira lider do movimento Em Marca e está no segundo turno na França

 

Os casos estão aí: Grécia 2015, Espanha 2016, Estados Unidos 2016 e França 2017. Do nada (ou quase), surge um candidato que surpreende. Sem partido, ou com partidos de pouca expressão, alcança desempenho surpreendente. E passa a governar seu país ou a ter papel fundamental na política da Nação.

O movimento vem chamando a atenção para a acentuada perda de relevância dos partidos tradicionais, muitas vezes com a quebra de estruturas bipartidárias que duraram décadas. Há casos onde alguns desses partidos tradicionais foram tragados pelo rechaço do eleitor, que busca novas alternativas. O caso da eleição para a presidência da França, ontem, é bem emblemático.

Desde a fundação da 5ª República, no final da década de 1950, as disputas pelo governo da França sempre tinham como referências os partidos de centro-esquerda/esquerda (Socialistas) e centro-direita (Republicanos). Este ano, os candidatos desses grupos nem chegaram perto do segundo turno, que será disputado por Emmanuel Macron, do movimento centrista Em Marcha!, e Marine Le Pen, da ultradireitista Frente Nacional.

O resultado da França diz algo que acontece lá e em boa parte do mundo. E diz, sobretudo, do desencanto do cidadão com as antigas fórmulas e estruturas. No caso dos partidos, estão sendo substituídos por verdadeiros movimentos que se ajustam às demandas do momento.

A Grécia já tinha apontado o caminho em 2015, quando o Syriza chegou ao poder. Vale lembrar, apenas três anos antes, o partido de discurso radical tinha conseguiu 50 das 300 cadeiras do parlamento. Em 2015, em meio a uma crise econômica sem precedentes, foi o depositário das esperanças de mudança, chegou a 149 cadeiras e passou a governar.

Na Espanha, dois novos partidos – o Podemos e o Ciudadanos – romperam o bipartidarismo onde PP e PSOE dividiam o eleitorado desde a redemocratização, há 40 anos. E há ainda o caso dos Estados Unidos, onde Trump virou as costas para a elite de seu partido, venceu as primárias e, depois, a eleição presidencial.

Esses episódios apontam para um caminho que pode ser mais consistente do que aparenta. Pode indicar que os partidos tradicionais já não se sustentam só em cima de um discurso ideológico. É preciso se transformar em movimento, entendendo-se movimento como uma mobilização em cima de temas mais pontuais. Se quiserem ser ideológicos, como são os dois finalistas da disputa francesa, precisam ser mais que isso.

Marine Le Pen é a cara da França que torce o nariz para os imigrantes e para a União Europeia. Macron é a tradução de uma França que reprova a gestão socialista de François Hollande e não deseja dar as costas ao europeísmo, ao mesmo tempo que teme um governo radical de Le Pen. Os dois que chegam ao segundo turno abraçam questões muitos pontuais, atuais, imediatas. E, assim, ganham a feição de movimento.

O caso de Macron é especialmente revelador dessa faceta. Ele foi ministro de Hollande. Mas deixou o governo e resolveu criar seu próprio partido, o Em Marcha! – assim mesmo, com  exclamação. O próprio nome já diz muito da ideia de movimento. E Macron, que há bem pouco sequer era levado em conta na corrida presidencial, começa a campanha para o segundo turno como aquele que mais acende as esperanças dos franceses.

Não deixa de ser um recado e tanto para outros países, inclusive um situado nos trópicos americanos. Aqui a crise gerou desesperança geral. E quem conseguir alimentar mais esperança, pode ser o depositário dos votos de milhões de desesperançados brasileiros.

O preço da corrupção: Rio viverá uma década de crise


Sérgio Cabral e Eduardo Paes: carnaval com o dinheiro do contribuinte produz crise de décadas

 

Não é uma crise qualquer. É uma crise que vai durar muito – talvez ainda mais de dez anos, segundo avaliam especialistas. E essa crise traga o horizonte de um dos estados icônicos do país: o Rio de Janeiro. Mas a crise fluminense não é isolada. Ela traduz um quadro de irresponsabilidade geral e corrupção sistêmica na gestão pública brasileira. E como ícone, o Rio de Janeiro pode ter na sua crise uma lição para o Brasil. Várias lições.

A primeira lição é para a cidadania. O brasileiro deve deixar de lado a visão segundo a qual roubar a coisa pública “é normal”, ou que “faz parte do jogo”. E também deve entender que não fica bem entregar o comando da coisa pública a qualquer um. É fundamental compromisso. Capacidade. Responsabilidade. Seriedade.

As lições para os gestores são muitas. Talvez a mais importante venha não da crise do Rio, mas da apuração dos escândalos recentes do Brasil. Ou seja: ser esperto, roubar, apropriar-se do que é do cidadão (agora!) dá cadeia.

Há apenas dez anos, o Rio de Janeiro era olhado como o estado que surfava na crista da onda. Petróleo. Grandes eventos mundiais (Copa e Olimpíada). Grandes obras. E lideranças políticas em ascensão (Cabral, Cunha, Paes...). O estado do presente e do futuro. Mas essas lideranças jogaram tudo a perder, especialmente pelo gigantesco esquema de corrupção que sugou a grana e as perspectivas.

Sim, a recessão e o preço do petróleo ajudaram. Mas os gestores fizeram o maior estrago. E, este ano, o governo do Rio de Janeiro conta com um rombo de R$ 22 bilhões em suas contas. A situação é falimentar – salários atrasados, calote em fornecedores, colapso dos serviços essenciais. E investimento em baixa, desemprego em alta e arrecadação em queda.

O caos completo.

A avaliação feita por instituições como a Federação da Indústria do Rio é que o estado vai amargar os efeitos dessa crise por pelo menos mais dez anos. Quer dizer: os efeitos da irresponsabilidade e da corrupção – que sempre andam juntas – vão alcançar quase duas décadas. Duas décadas de seríssimos danos na vida do cidadão.

Esse quadro dramático do Rio de Janeiro se repete (em menor dosagem, mas de maneira também trágica) em boa parte do Brasil. E, em boa medida, na administração da União.

Mas ainda há quem ache que pode escolher governantes pela mera simpatia, sem olhar capacidade e compromisso. E ainda há político achando que a administração pública é a “casa da Mãe Joana”, onde se faz o que dá na telha. Gestão? Só a gestão política, o toma lá de sempre.

Pior: ainda há quem ache que as investigações dos escândalos são mero espetáculo. Se for espetáculo, é de mau gosto. Um filme de terror. Mas com efeitos aterrorizantes muito além do fim da sessão. Podem durar anos. Ou décadas.

Dr. Pessoa defende eleições gerais ainda este ano


Dr. Pessoa: deputado defende, para superar a crise política, a realização de eleições gerais ainda em 2017

 

O deputado estadual Dr. Pessoa (PSD) quer que o Brasil realize, ainda este ano, eleições gerais “de vereador a presidente da República”. Para ele, esta é a forma de passar o país a limpo, diante da situação dramática em que as investigações da Lava Jato revelam o comprometimento de quase toda a classe política.

Dr. Pessoa se diz preocupado com esse quadro em que faltam alternativas para o Brasil. “Eu procuro com uma lupa e não enxergo”, diz, observando que os escândalos afetam a praticamente todos os partidos. Cita o caso do ex-presidente Lula (PT), “enlameado da coroa da cabeça à sola dos pés”, e também do ex-presidente Fernando Henrique (PSDB), que está menos comprometido, mas também é salpicado pelos escândalos.

“Pode ser que eu ache, mas estou procurando um nome e não encontro”, diz ele. E acredita que a mudança deve ser feita através do voto popular. Como entende que o país pede urgência, defende a aprovação de uma emenda constitucional que assegure a imediata realização de eleições, em todos os níveis.

— Eu não me preocupo em perder dois anos de meu mandato – afirmou.

 

Disputa eleitoral no Piauí

Em relação à disputa eleitoral no Piauí, o deputado do PSD diz que não é “nem governo nem oposição”, mas independente. Admitiu, porém, que esteve reunido com o governador Wellington Dias (PT), no encontro do petista com os parlamentares do PSD.

Nessa reunião, cobrou do governador a liberação de suas emendas impositivas – que, segundo diz, estão sendo retidas como retaliação, já que as emendas de outros parlamentares são liberadas. E também defendeu um lugar para o PSD na chapa majoritária das próximas eleições.

Esse lugar seria para o próprio presidente do partido, o deputado federal Júlio César. O que o partido gostaria era de ter Júlio como um dos candidatos ao Senado. Dr. Pessoa não deixou de alfinetar o próprio Júlio César: o deputado estadual se acha merecedor de mais espaço dentro do PSD piauiense, quase integralmente controlado por Júlio.

Menos de 0,5% dos piauienses fez IR via celular


Declaração do Imposto de Renda via celular: ainda sob desconfiança do contribuinte

 

A tecnologia ainda assusta um número importante de brasileiros. E o período de acerto com o Leão da Receita Federal (que vai até sexta-feira próxima) tornou-se revelador quanto a isso. No Piauí, até agora, pouco mais de 500 contribuintes fizeram declaração de renda via celular.

A declaração via celular é simples. Na verdade, o contribuinte baixa um aplicativo e vai lançando os dados. No envio, tudo é criptografado e os dados ficam armazenados nas nuvens. Segundo a receita, simplifica muito o processo para a maioria: mais de 90% dos contribuinte se enquadrariam tranquilamente nos recursos oferecidos via celular.

Mas até quinta-feira pela manhã, o número de contribuintes a usar esse recurso não passava muito de meio milhar, num universo de quase 110 mil piauienses que já haviam prestado contas com o Leão. Significa que menos de 0,5% – vale repetir: menos de meio por cento – do total recorreu a esse recurso.

Mesmo não tendo dados concretos, a suspeita da Receita é que ainda há uma desconfiança do contribuinte quanto à segurança. Há o temor de ter os dados disponibilizados. O interessante é perceber que esse recurso não vem sendo utilizado nem mesmo pelos jovens.

Esse tipo de reação ainda persiste em muitos até mesmo em compras via internet, sobretudo entre os mais idosos.

Mas a tendência é que o uso de recurso como o celular seja mais estimulado nos próximos anos, com uma mudança que se mostra a tendência: o cidadão, quando for fazer sua declaração, poderá simplesmente encontrar seus dados gerais já previamente preenchidos. Ao colocar o CPF, verá todas as informações já em poder da Receita, como salários, imposto retido na fonte, contribuições previdenciárias e pagamentos informados por terceiros, como o gasto com plano de saúde.

Essa alimentação prévia dos dados impedirá o esquecimento (com ou sem aspas) de dados. E um lançamento existente (por exemplo, o valor por um serviço prestado) que não for reconhecido, é desautorizado pelo cidadão. Nesse caso, a Receita iria atrás daquele que lançou erradamente a informação.

Essa é a tendência. Mas até ela se tornar uma prática ampla, vai ter que primeiro conquistar a confiança do contribuinte.

Uma constituinte para passar o Brasil a limpo?


Robertônio Pessoa: defesa da Constituição de 1988, um texto bom em tempos desafortunados

 

A perplexidade nacional em meio à gigantesca crise política, econômica e ética, tem gerado uma certeza: algo precisa ser feito, sobretudo em relação ao sistema político, visto como falido pela maioria dos analistas. Mas, dessa reflexão geral em diante, os caminhos que surgem são os mais diversos. Entre eles, a ideia de uma constituinte.

Alguns juristas e/ou políticos têm abraçado a proposta de uma constituinte, ou uma constituinte específica para a reforma política.  Um dos políticos que concorda com essa ideia é o deputado federal Marcelo Castro (PMDB-PI). Um dos juristas é o ex-ministro do STM e também ex-deputado Flávio Bierrenbach.

Não é uma proposta pacífica, inclusive por que muitos consideram que uma constituinte ou é geral ou nã9o; não cabe uma específica para tratar da política.
A proposta parte da ideia de que o Congresso que está aí sofre com um enorme desgaste que coloca em xeque sua representatividade. E é complementada pelo entendimento de que o legislador que faz mudanças na legislação tende a fazer a opção que o beneficie, não necessariamente a melhor alternativa para o país. Daí a ideia de uma reforma a ser feita por quem não vai se servir dela.

Bierrenbach chega a atribuir à Constituição de 1988 a causa da crise política, já que a Carta Magna contempla tantos direitos que termina por gerar conflitos. O argumento do ex-ministro é categoricamente rechaçado pelo constitucionalista piauiense Robertônio Pessoa, doutor e professor da UFPI. Robertônio festeja nossa Constituição, que considera um bom texto, apesar de reconhecer a infelicidade do tempo em que ela vigora. O problema é contexto.

O professor Robertônio questiona a eficiência dessa constituinte específica. E acha que as mudanças devem ser feitas dento do Parlamento. Sim,. Um parlamento renovado no voto, porque o que está aí se insere dentro de um contexto em que a governança está sob o controle do capital. As delações de ex-executivos da Odebrecht são reveladores desse controle por parte do capital.

Os argumentos de Robertônio reforçam o debate sobre a proposta de uma constuituinte para a reforma política. Não é um debate tolo, inócuo. Ele se coloca como importante cenário para discussão das alternativas que temos pela frente. E essa discussão se faz mais importante ainda quando a alternativa que se coloca como mais factível é a de uma reforma que muda quase nada, e deixa tudo praticamente como está.

Certamente, esse encaminhamento que parece ser o mais provável não ajuda a passar o país a limpo.

Burocracia atrasa instalação da Fundação Hospitalar, e Pablo aguarda


Deputado Pablo Santos: esperando a burocracia para assumir a Fundação Hospitala do estado

 

A burocracia está atrasando a instalação da Funda Hospitalar, criada em março pela Assembleia Legislativa, aprovando projeto de iniciativa do Executivo. Até o momento, a Fundação sequer tem CNPJ e o deputado Pablo Santos, indicado pelo PMDB para ocupar a presidência do novo órgão, ainda espera para assumir de fato.

A criação da Fundação foi uma longa novela. O primeiro capítulo foi a reação de setores do PT, que relutavam em aceitar dividir a gestão da saúde estadual. Depois, a discussão envolveu as atribuições da Fundação, pois os petistas queriam que o novo órgão cuidasse apenas das unidades de saúde de Teresina. O terceiro capítulo veio na forma de um embate jurídico.

Esse embate se deu porque o deputado Pablo Santos queria garantias quando à possibilidade de assumir o cargo de presidente da Fundação sem por em risco o mandato. Como não é secretaria, era preciso que o novo órgão tivesse status de secretaria e que o presidente, status de secretário. Sem isso, o deputado estaria impedido de ocupar a pasta. Emendas à proposta do governo deram essa garantia.

Mas ainda havia novos capítulos, como a aprovação do estatuto da Fundação. Por fim aprovado, o estatuto precisa ser publicado no Diário Oficial o que deve acontecer ainda hoje, na edição a ser disponibilizada às 14 horas.

Terminou, então? Nada. Tem mais.

Depois de publicado, o estatuto precisa ser registrado em cartório. Aí então a Fundação poderá ser registrada como tal, passando a ter um CNPJ. Somente depois disso é que o órgão pode efetivamente funcionar. E isso pode significar mais uma ou duas semanas.

Para a coisa não ficar no marasmo da espera, o deputado Pablo Santos vem tomands as providências nos preparativos para a Fundação funcionar. Ainda hoje tem reunião com o secretário de Saúde, Francisco Costa, harmonizando as ações. Ao mesmo tempo, já cuida do espaço físico que ocupará uma estrutura na Avenida Kennedy.

Quando se tornar efetivamente presidente, quer que a Fundação Hospitalar funcione sem demora.

Feriado com ponto facultativo reduz vendas, reclama Sindilojas

Tertulino Passos, do Sindilojas: tentando reduzir "pontos facultativos" que reduzem movimentação na economia

 

O excesso de feriados com pontos facultativos entrava a economia, causando queda na atividade especialmente do comércio. É o que diz Tertulino Passos, presidente do Sindicato dos Lojistas do Comércio do Estado do Piauí (Sindilojas). Nos dias transformados em ponto facultativo nas repartições públicas, a queda de movimentação nas lojas é de 30%, com redução de 18% nas vendas.

Em entrevista ao Acorda Piauí, hoje cedo na rádio Cidade Verde, Tertulino disse que está negociando com o poder público para que seja revista essa prática de conceder pontos facultativos – uma situação particularmente grave em um estado como o Piauí, onde o setor público tem forte presença na economia. Segundo ele, a receptividade tem sido boa. Mas até agora não houve mudanças.

E as perspectivas para o comércio, este ano, é de mais impacto negativo, tantos são os feriados próximos ao final de semana, levando à adoção dos pontos facultativos. Neste primeiro semestre, a segunda-feira de carnaval e a quarta de cinzas foram facultativos para o servidor público – na prática, vira feriado estendido. Há ainda a previsão do dia 16 de junho, o dia seguinte a Corpus Christi. Também tende a ser facultativo.

Mas a situação fica mais complicada mesmo é no segundo semestre, com quatro feriados caindo em uma quinta-feira: 7 de setembro, 12 e 19 de outubro e 2 de novembro. Se for mantida a regra, os dias seguintes serão facultativos, criando quatro grandes feriadões no segundo semestre. Tem ainda o 16 de agosto e o 15 novembro caindo na quarta-feira, o que também quebra o ritmo da economia.

Não entra na reclamação do Sindilojas os feriadões provocados pelo 21 de abril (cai numa sexta-feira), do dia do trabalho (uma segunda) ou o 25 de dezembro (também uma segunda). Esses são feriados oficiais, não há ponto facultativo

De qualquer forma, os pontos facultativos mostram que é muita folga para um país que pede para crescer.

 

Aquecimento lento

O setor lojista está sentindo uma leve melhora nas atividades do comércio. Mas nada que seja para comemorar. Segundo Tertulino Passos, presidente do Sindilojas, há mais ânimo e confiança no consumidor, que está indo às lojas, consultando preços. Mas as compras ainda não reagiram como se esperava.

Nem mesmo os saques do FGTS provocaram o aquecimento esperado. Há, segundo disse Tertulino, uma queda na inadimplência, como se o dinheiro tivesse sido utilizado particularmente para pagar dívidas. Mas as compras são cresceram no ritmo projetado.

Essa situação se reflete nos postos de trabalho. “Ainda não é possível falar em novos postos de trabalho”, diz o lojista. Ele deposita a esperança de alguma elevação nas vendas por ocasião do Dia das Mães, mas as projeções não extraordinárias. “Vão ser pouco melhores que em 2016, que foi um ano muito ruim”, finaliza.

Reforma Política deve repetir anteriores. E não muda nada


Congresso Nacional: pronto para uma reforma política que não reforma e mantém privilégios

 

Parecia que o debate esquentava e que alguma coisa de consistente até poderia sair da discussão da reforma política. Mas os ânimos vão esmorecendo, ainda mais em meio a um Congresso que volta seus olhos para as conseqüências das delações de ex-executivos da Odebrecht, que deixam o mundo político em maus lençóis. E o que pode sair dessa reforma em discussão são uns poucos remendos, com mudanças pontuais e pouco expressivas. E alguns esforços até para piorar o que precisa ser melhorado de forma quase radical.

Ou seja: o esforço vai ser mudar para tudo continuar como está. Ou até mudar para proteger ainda mais o mundo político, sob a espada da Lava Jato.

De verdade, o que se avista como mudança não mexe em nada da essência de um sistema que se mostrou completamente falido, incapaz de oferecer governabilidade a não ser às custas de muita troca de favores e sangria dos cofres públicos.

O financiamento de campanha deve manter as restrições à doação de empresas – mas na eleição municipal passada não impediu o velho caixa 2. E pode até ficar explícita a descriminalização do caixa 2, numa espécie de anistia para os muitos envolvidos na Lava Jato.

O voto distrital deve seguir como um debate interminável e uma saída inaplicável. Sim, pode piorar, com a criação do “distritão”, que elege simplesmente os mais votados, independente de partidos – o que dá mais poder a quem já tem todo o poder. A lista (aberta ou fechada?), que provocou tanta discussão, seguirá aberta, já que mantém os caciques e uma eleição em que o eleitor vota num e elege outro.

Até algo que parecia uma boa saída, o fim da coligação proporcional, pode ter um remendo que anula o efeito. Sim, porque o fim da coligação pode ser acompanhado da introdução do sistema de federações partidárias. Na prática, as federações mantêm vivos os mais de 30 partidos existentes, a maior parte simples organizações caça níquel, candidatos a laranja em qualquer eleição.

Perdão pelo termo “caça níquel”. Não é apropriado, porque os escândalos têm mostrado que os valores envolvidos nessas transações estão longe de simples tostões. Longe de simples “níqueis”, porque entram em jogo milhões e milhões de Reais, tradutores da falência do sistema.

O que define o futuro do sistema político pode ser traduzido de maneira simples: a reforma política esbarra nos interesses imediatos dos parlamentares. Todos vão buscar a sobrevivência. E se todos estão dentro do sistema, vitoriosos, com mandatos, por que mudar o que (para eles) está dando certo?

Assim, a reforma de verdade, que mude substancialmente o sistema político fica para outro tempo. Inclusive talvez para nunca.

Não basta uma Base Curricular para mudar ensino, diz especialista


Professor Dutra, nos estúdios da Cidade Verde: Base Curricular é importante, mas não é tudo

 

O Brasil ainda não está preparado para a nova Base Nacional Comum Curricular (BNCC), a grande aposta para a transformação da educação fundamental no país. Quem garante é o professor Raimundo Dutra, doutor em educação, que considera a nova Base Curricular como um passo imprescindível para a transformação da educação brasileira, mas um passo que carece de complementos.

E, nesse aspecto, o país ainda não está preparado.

A BNCC estabelece “os direitos, os conhecimentos, as competências e os objetivos de aprendizagem para todas as crianças e adolescentes brasileiros desde a Educação Infantil até o Ensino Médio", conforme informa o próprio Ministério da Educação. Ou seja: será referência “obrigatória para a elaboração dos currículos nos estados, nos municípios, na rede federal e nas escolas particulares”.

Ou, como observar Dutra, estabelece rumos para que os estudantes das mais diversas regiões ou de escolas distintas tenham um aprendizado comum mínimo. Mas a concretização dos objetivos depende muito dos currículos definidos em cada escola ou rede educacional, bem como das condições de desenvolvimento do ensino.

Poder-se dizer, a BNCC define um ponto onde se quer chegar; e os currículos (e suas condições de aplicação) estabelecem os caminhos. É aí que o professor Dutra adverte: o Brasil ainda não está preparado para a nova BNCC.

O especialista diz que a Base Curricular que passa a existir é um passo fundamental, mas é só um passo. Para que seja efetiva, é preciso cuidar das condições de ensino (estrutura e equipamentos das escolas, por exemplo) e da qualificação continuada de professores. É uma nova realidade que exige um novo profissional – adverte.

Vale lembrar, a Base Curricular é parte de um esforço que pretende promover importantes mudanças no ensino fundamental brasileiro. Nas avaliações internacionais, como o PISA, o Brasil tem ficado sempre em posição vexatória. As avaliações mostram desconhecimento básico, por exemplo, da língua, traduzido na incapacidade para compreensão de textos elementares. Ou, também para a resolução de equações simples de matemática.

A mudança quer passar uma borracha nessa realidade. E promover uma educação mais eficiente, capaz de transformar e colocar o Brasil em outro patamar.

Reforma política pode ser para piorar, teme deputado Rodrigo Martins

Deputado Rodrigo Martins diz que Brasil precisa de reforma política profunda, mas ela pode não acontecer

 

Os escândalos da Lava Jato, explicitados de forma mais crua nas delações de ex-executivos da Odebrecht, deixam clara a falência do sistema político brasileiro. Diante disso, mudanças profundas precisam ser feitas. Mas as mudanças podem não ser significativas e não se pode desconsiderar, sequer, o risco de algumas alterações mudarem o sistema para pior.

Quem pensa assim é o deputado federal Rodrigo Marins (PSB-PI). Em entrevista hoje cedo ao Acorda Piauí, na Rádio Cidade Verde, ele foi categórico: “Precisamos fazer mudanças no modo de fazer política”. Defende o fim das doações de empresas, que alimentam esquemas como o da Odebrecht. Também é a favor da Lista Fechada. Mas reconhece que a possibilidade de mudanças substantivas é pequena.

Rodrigo Martins considera fundamental o fim do foro privilegiado, “no Brasil inteiro”. Perguntado sobre o movimento de envolvidos na Lava Jato, visando criar uma espécie de anistia para o caixa 2, respondeu que esse é um risco real. “Não duvido”, disse, afirmando que a pressão popular pode ser o antídoto contra esse tipo de articulação. “A sociedade não iria aceitar”, ressalta.

Reconheceu que as delações de ex-executivos da Odebrecht criam problemas para o funcionamento do Congresso e aprovação das reformas em tramitação: Previdência, Política e Trabalhista. “Uma delação como essa compromete qualquer tipo de debate”, diz, lembrando o número de parlamentares citados.

 

Rodrigo vê oposição forte no Piauí

Sobre as eleições do próximo ano, o deputado do PSB disse que enxerga com boas perspectivas as chances da oposição, no Piauí. Para Rodrigo Martins, a aliança formada pelo governador Wellington Dias (PT) não se sustentará até as eleições. Criticou o governo estadual, que não teria obras e tudo o que deveria dar continuidade, está parado.

Rodrigo criticou ainda a aliança montada por Wellington, que trocou cargos por apoio político. Mas, acredita, é uma aliança frágil que “não fica como está”. Além disso, acha que o cenário nacional terá influência nas disputas locais. Como exemplo, diz que não enxerga PMDB e PP em um mesmo palanque do PT. "Não ocupam o mesmo espaço", diz. 

Sobre nomes da oposição para disputa majoritária em 2018 no Piauí, acha que não será problema. E cita o ex-governador Wilson Martins, o ex-senador João Vicente Claudino e o deputado Robert Rios como alternativas ao governo do Estado. Também não descarta o nome do prefeito Firmino Filho. Para ele, a oposição será forte na campanha porque o sentimento popular é por mudanças no, Piauí.

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