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SUS precisa ser repensado para melhorar saúde, diz diretor do HUT


Gilberto Albuquerque, diretor do HUT, quer redefinição do SUS

 

No setor de Saúde brasileiro, o Sistema Único de Saúde (SUS) é considerado fundamental para atenção ao cidadão em geral, especialmente o mais carente. Mas o formato parece exigir urgentes mudanças. “O sistema precisa ser repensado”, diz o diretor do Hospital de Urgência de Teresina, Gilberto Albuquerque. A razão? Óbvia: há um complexo descompasso entre a realidade dos hospitais e as práticas do SUS.

Em entrevista ao Acorda Piauí, hoje pela manhã, na rádio Cidade Verde, Gilberto apresentou os dados do próprio HUT: os repasses do SUS cobrem menos de 16% dos gastos do hospital municipal de urgência. Traduzindo em números: das despesas mensais do HUT, que somam em média R$ 16,5 milhões, o SUS responde por apenas R$ 2,5 milhões. Outro R$ 1 milhão é coberto pelo Estado, com a alocação de pessoal. O restante sai dos cofres municipais.

“O SUS deveria cobrir 100% dos custos”, diz Gilberto, lembrando que alguém tem que pagar o resto da conta – e é basicamente o Município. Para o diretor do HUT, esse descompasso afeta a qualidade. “Não tem como manter um atendimento ótimo se o SUS não cobre nem mesmo um quinto dos custos dos atendimentos”, ressalta.

Por isso o médico acha que o sistema precisa ser repensado para melhorar o atendimento da saúde. Uma das razões desse descompasso é a tabela de valores dos procedimentos médicos. Esses valores estão congelados há 19 anos. A defasagem gera uma relação complementa artificial, com valores que estão muito, muito distante da realidade de mercado.
 

Menos pacientes, mais qualidade

O HUT comemorou neste carnaval a redução no número de pacientes atendidos: 36% menos que no carnaval do ano passado. Na prática, o sistema público de saúde no Piauí passou a concretizar uma receita antiga, sempre reclamada: agora, está acontecendo a triagem e só chegam ao HUT os pacientes que realmente devem ir para lá.

A mudança está em sintonia com os hospitais estaduais e outras unidades municipais. E, pela mudança, o HUT não recebe mais nenhum paciente diretamente. Agora, o cidadão que necessita de atendimento hospitalar precisa antes passar em uma outra unidade de saúde de menor complexidade. Só se essa unidade não tiver condições de atender o paciente é que ele será encaminhado ao hospital de urgência.

No fim das contas, está-se reinventando a roda. Sim, porque essa fórmula (com a triagem funcionando) era há muito apresentada como a solução. Por fim ela prevalece e mostra que gera resultados.

PT tem novos nomes na lista de candidatos e mira renovação


Franzé Silva: o secretário de Administração é uma das fortes opções do PT para 2018


O PT deverá contar, nas eleições de 2018, com uma lista importante de nomes que podem gerar significativa renovação na representação popular do partido. São nomes de peso, como os secretários Franzé Silva (Administração) e Francisco Costa (Saúde), bem como o comandante da PM, coronel Carlos Augusto. Outro nome possível é o ex-prefeito de Parnaíba, Florentino Neto.

A lista de novos candidatos não é novidade. Ela aparece a cada eleição, na maior parte das vezes só para constar. Mas as figuras que surgem desde agora têm um diferencial: já se articulam desde cedo e mostram um poder de fogo que não pode ser nem de longe desprezado.

Talvez o mais destacado da lista seja o secretário de Administração, Franzé Silva. Articulado e com amplo trânsito no governo, Franzé é visto como uma alternativa mais que provável para a Assembleia Legislativa. Além disso, muda o feitio da Secretaria de Administração: ao invés da tradicional lista de más notícias, a secretaria vai criando ações positivas, como os feirões voltados para os servidores, facilitando a aquisição de carros e casa, por exemplo. Fica bem na fita. E isso dá voto.

Para completar, Franzé entra ainda na lista dos orgânicos – aqueles petistas que são vistos como partidários mesmos!

Também devem disputar cadeira na Assembleia o comandante da PM, coronel Carlos Augusto, assim como o secretário de Saúde, Francisco Costa. Dão mostras de muito fôlego e, portanto, de viabilidade.

O ex-prefeito de Parnaíba, Florentino Neto, também deverá enfrentar as urnas em 2018, mas de olho em uma vaga na Câmara Federal. O caso de Florentino revela o ânimo renovador dentro do PT. Em 2014, ele carreou votos para Assis Carvalho (federal) e José Hamilton (estadual). Agora será ele mesmo o candidato a federal, em tabelinha com o ex-prefeito José Hamilton (PP). A tabelinha mantém a relação entre os dois (Florentino foi vice-prefeito de Hamilton). E também tenta potencializar a resposta entre o eleitorado parnaibano, que tem preferência por candidatos da própria terra.

A renovação na representação – ou a incorporação de novos nomes – é uma das preocupações do PT, nacionalmente. Isto porque o partido, ao chegar ao poder, teria perdido aspectos de sua identidade a partir de duas situações: um certo afastamento das ruas (e dos movimentos sociais) e a baixa renovação dos quadros. Quer resgatar tudo isso. Daí a posta em novos nomes, ainda que sem abandonar as antigas estrelas.

Sintonizado com esse espírito de renovação, o secretário Rafael Fonteles (Fazenda) chegou a ser citado como candidato à Câmara. Mas – pelo menos até o momento – não tem se movimentado como candidato. Porém, convém ficar atento. Porque encarnaria bem o perfil de renovação. E tem poder de fogo para entrar na briga.

PIB do Nordeste vai cair este ano, prevê Júlio César


Deputado Júlio César: defesa de um novo pacto federativo

 

Empenhado na reforma fiscal, que pode redefinir o pacto federativo, o deputado Júlio César (PSD-PI) anda preocupado. Não só pelo que pode surgir a partir da reforma, mas pela situação atual do país, onde a crise tende a deixar resultados ainda negativos. Na avaliação de Júlio, um desses resultados é a queda no PIB per capita do Nordeste.

A razão é que, há uns quatro anos, a economia está a passos de tartaruga (em alguns momentos andou para trás). E a soma do ano de 2016 (recessivo) com o de 2017 (pequeno crescimento) deve passar a conta para as regiões menos desenvolvidas – em especial Norte e Nordeste. Tomado o crescimento e descontado o aumento populacional, o PIB per capita fica menor.

Para Júlio César, é necessária uma reavaliação das políticas de desenvolvimento regional, que não têm conseguido ser efetivas na redução das desigualdades entre regiões. Essa crítica vale inclusive para os Fundos Constitucionais criados pela Carta de 1988. As mudanças que esses fundos acenavam ficaram longe de virar realidade – e as regiões que eram pobres seguem pobres.

O deputado acredita que a discussão da reforma fiscal é a oportunidade para alteração desse desnível regional. Na prática, a reforma traz de volta a discussão sobre o pacto federativo. “Precisamos fazer um novo pacto”, afirma Júlio César.

Os dados sobre a distribuição dos tributos dão indicação da urgência dessa discussão: hoje, os municípios ficam com apenas 16% das receitas; aos estados cabe a fatia de 25%; e a União abocanha os 59% restantes. O problema é que estados e (sobretudo) municípios assumem responsabilidades cada vez maiores.

Júlio César propõe a criação de Fundos (como Fundo Nacional de Segurança Pública) como estratégia redistributiva imediata. Mas sabe que não resolte tudo. A reforma fiscal deve ser o local adequado para a formalização de uma nova relação entre os entes federados.

Isso quer dizer que a guerra está só começando, porque há muitos interesses enfrentados. Os estados ricos não querem ceder nada aos estados mais pobres, assim como a União faz de tudo para não repartir um tostão com estados e municípios. Há interesses contrários até mesmo dentro das regiões, como no Nordeste.

Ainda assim, Júlio César quer fazer valer a condição de coordenador da bancada nordestina (com 151 deputados) para articular uma ação conjunta. Os nordestinos querem ter peso na comissão que vai discutir a reforma. Para, quem sabe, estabelecer novos parâmetros distributivos, olhando com olhos diferenciados quem realmente precisa ser olhado diferenciadamente.

Disputa nacional deve guiar alianças locais em 2018, diz Flávio


Robert, entre Flávio Nogueira, pai e filho: ainda juntos

 

O cenário nacional deverá ter, em 2018, um papel preponderante na composição das disputas locais. Essa avaliação é feita pelo presidente do PDT no Piauí, o suplente de deputado federal Flávio Nogueira. E Flávio deve estar atento à evolução do desenho político-eleitoral, porque tem dentro de seus quadros uma situação especial: a do deputado Robert Rios.

O PDT de Flávio Nogueira é, claramente, oposição ao governo federal. Já tem inclusive um pré-candidato a presidente da República, o ex-ministro Ciro Gomes, que é visto inclusive como alternativa para o PT, caso Lula não tenha condições de ser candidato. Isso alinha o partido com o governo estadual, do petista Wellington Dias. Flávio, oposição no campo nacional, é governo aqui, com aberto apoio a Wellington. E aí começa o problema.

Robert Rios é, na Assembleia Legislativa, a voz mais forte – ou melhor, a única voz efetiva – contra o governo estadual. E quer ser candidato a senador. O PDT local respaldou a pré-candidatura senatorial de Robert, dentro do discurso de que o partido quer fazer parte da chapa majoritária. Mas aí as intenções não convergem.

Robert quer ser candidato a senador numa chapa oposicionista, e Flávio não cogita deixar o time de Wellington Dias. Por isso mesmo tem-se como certa a saída de Robert para um partido de oposição, como o PSDB. Mas nada disso vai acontecer (se acontecer...) agora: os deputados podem mudar de partido sem a possibilidade de represálias em uma janela em março do próximo ano.

Os dois, Robert e Flávio, mantêm excelente relação. Têm convivência partidária harmoniosa e respeitosa. Conversam sempre e nenhum faz nada sem que o outro tome conhecimento antes. Mas nada disso quer dizer que estarão juntos em 2018.

O problema é que as definições vão ter que esperar. O presidente do PDT, Flávio Nogueira, mantém o pensamento de que o cenário nacional será preponderante nas alianças locais. E também está convicto que as importantes decisões estão esperando a mudança de ano, ou pelo próximo carnaval. Até lá, todo mundo tenta ficar bem na fita, para fazer o melhor movimento em 2018.

Corso e blocos apontam novo modelo de carnaval em Teresina


Corso, um sucesso que mostra o caminho para firmar Teresina como ótima opção carnavalesca

 

O carnaval de Teresina, este ano, parece ter dado pistas mais claras do que realmente funciona e agrada à cidadania. O Corso, que levou quase 350 mil pessoas à Raul Lopes, se firma como “o” carnaval da cidade, sacramentando o grande momento festivo no pré-carnaval. Os blocos, oficiais ou não, asseguram seu lugar de destaque. Em contrapartida, as Escolas de Samba vão ter que se rebolar para voltar a ser um atrativo real.

Para efeito de “marca carnavalesca”, Teresina se posiciona como o lugar do “pré-carnaval”, uma alternativa e tanto inclusive para fortalecimento do turismo. Essa conquista se dá menos pelos bailes – que este ano perderam um pouco mais de brilho – e mais pelo Corso. Este ano, o tradicional desfile de carros teve menos caminhões e mais povo. E ainda mais alegria.

O modelo do Corso pode até ser repensado, assegurando aperfeiçoamentos permanentes. Por exemplo: vale a pena agregar trios ao cortejo? É uma boa pergunta. Mas, independente das mudanças que possam acontecer, o que parece realmente certo é que o Corso é um sucesso que se repete e cresce.

No caso dos blocos, a lista oficial da Prefeitura relacionava mais de 50, distribuídos por todas as zonas – inclusive um na zona rural. É indiscutível o sucesso de blocos como Capote da Madrugada, Pinto na Morada, Sanatório Geral, Barão de Itararé e Paçoca. E não faltaram blocos quase espontâneos, ocupando praças e avançando festivamente pelas avenidas – e sem esperar subsídio.

Esses dois formatos parecem indicar um bom retorno do investimento público no corso e nos blocos. Além disso, tanto Corso quanto blocos (pelo menos os maiores) puderam contar com a sempre importante participação da iniciativa privada. Ou seja: em grande parte, a sociedade banco sua própria festa. E essa é uma boa receita.

O êxito do Corso e o fortalecimento dos blocos deixa em posição delicada as escolas de samba. As escolas vinham recebendo muitas críticas – muitos considerando que o retorno do recurso investido não era tão amplo quando no caso dos blocos. E ainda havia a incostancia: algumas desfilavam ano sim, ano não – ou quando desse na telha.

O bom carnaval vivido por Teresina neste 2017 não quer dizer que as escolas firacam no passado. Mas quer dizer, sim, que precisam de um novo modelo. Parodiando a marchinha, para as escolas, o próximo ano não vai ser como aqueles que passaram.

Reforma trabalhista quer nova relação entre empresa e trabalhador


Deputado Átila Lira: defesa de novas regras para as relações trabalhistas no Brasil

 

O Brasil, através do Congresso, tem quatro grandes desafios este ano. São quatro grandes reformas: a da Previdência, a Trabalhista, a Fiscal e a Política. Todas consideradas cruciais para a redefinição do arcabouço institucional e para o próprio estabelecimento de um novo perfil de país. No caso da reforma trabalhista, a grande preocupação é modernizar a relação entre empresas e trabalhadores.

Não é uma tarefa fácil, porque – tal como as outras três reformas – tem implicações diversas. Ou seja: afronta interesses distintos e contrários.

O Piauí tem representante na comissão que cuida da reforma trabalhista. É o deputado Átila Lira (PSB), que em entrevista ao Acorda Piauí, da rádio Cidade Verde, nesta sexta-feira, disse considerar a discussão fundamental e urgente. Átila lembra que as principais legislações trabalhistas, mundo afora, surgiram na primeira metade do século passado. “Mas todo mundo já fez a revisão. E o Brasil não fez”, diz.

As relações trabalhistas, ou especificamente os custos dessa relação, são apontadas como uma das razões do chamado “Custo Brasil”, considerado muito elevado. Tal Custo é visto como razão de afastamento de muitos investidores, já que o custo de um empregado brasileiro é muito mais elevado que em outras partes do mundo, diante do impacto de tributos e contribuições de caráter social.

Mas esta é só uma das muitas preocupações da reforma. Quando o deputado Átila fala da necessidade de modernização da relação entre empregador e empregado ele está se referindo a questões até triviais, como o “ponto” que é cobrado ao trabalhador como confirmação de cumprimento da jornada.

Em tempos de novas tecnologias da informação, estranha-se a cobrança de ponto para algumas atividades. Basta lembrar o crescimento do trabalhador que presta serviço a partir de casa ou de estações remotas. Nesse caso cada vez mais comum, como exigir o tal ponto?

Outro item muito debatido é o do acordo coletivo. Muitas categorias negociam redução de jornada e até de vencimentos, tendo como contrapartida a garantia do emprego. Muitas vezes esses acordos, sacramentados entre empresas e sindicatos, são derrubados na Justiça do Trabalho.

A comissão da reforma trabalhista está discutindo esse tema de modo muito especial. A tendência é que esses acordos coletivos tenham mais força que as leis; que se sobreponham à legislação geral – como já acontece há décadas em nações mais desenvolvidas. É verdade, há reações por parte de alguns sindicatos. Mas é provável que prevaleça essa tendência.

Os debates na comissão ainda vão se alongar pelos próximos meses, devendo resultar em momentos críticos. Mas há uma esperança razoável de que, através do debate saudável e necessário, avanços significativos sejam alcançados. E que se possa chegar a um bom termo entre a redução de custo para o empregador e a proteção ao empregado.

O que o Brasil deseja é uma legislação mais moderna, capaz de tornar mais fluida a relação entre empresa e trabalhador. E que as novas condições ajudem a construir uma quadro de empregabilidade mais favorável.

Deputado Evaldo Gomes deverá ser o presidente da CCJ


Deputado Evaldo Gomes deverá ser novo presidente da CCJ, e com o aval do palácio de Karnak

 

O deputado Evaldo Gomes (PTC) deverá ser o novo presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Assembleia Legislativa do Piauí. O entendimento foi adiantado pelo líder do governo na Alepi, deputado João Deus, em entrevista ao Acorda Piauí, hoje pela manhã, na Rádio Cidade Verde.

A CCJ é considerada a mais importante das comissões técnicas do Legislativo, já que todas as matérias que tramitam pela Assembleia precisam do parecer desse colegiado. Normalmente, a CCJ é a comissão que mais merece atenção do governo – de qualquer governo –, que se empenha em ter na presidência um aliado. Isso porque o presidente da comissão tem papel determinante na tramitação das matérias, já que é diretamente responsável pelo agendamento (ou não) dessas matérias. Traduzindo: pode ajudar muito; ou atrapalhar.

A escolha de Evaldo Gomes – e ainda mais que revelada pelo líder do governo – termina por explicitar o alcance do acordo do PTC com o governo Wellington Dias. Nas mudanças de secretariado negociada nestas últimas semanas pelo governador, o PTC será agraciado: caberá ao partido a Coordenadoria de Crédito Fundiário – que deixa de ser diretoria da SDR e ganha autonomia financeira. E também a presidência da CCJ. Evaldo chega ao potsto, portanto, com o aval do Karnak.

Outra comissão que tem nome praticamente certo é a de Finanças, que será presidida pelo peemedebistas Severo Eulálio. Severo também atende aos interesses do governo. Basta lembrar, até agora ele era presidente precisamente da CCJ, que passa ao comando de Evaldo.

A definição dos integrantes do conjunto de comissões técnicas ainda não foi concluída porque depende dos partidos ou grupos de partidos. Há distribuição proporcional ao tamanho do partido ou bloco. Falta ainda o PSDB decidir quem será seu líder, ou se estará no bloco com o PDT de Robert Rios – neste caso, o líder seria Robert.

Toda essa definição em torno das comissões só deve ser finalizada depois do carnaval, quando serão formalizados os membros e, principalmente, os dirigentes de cada comissão.

Idade mínima de aposentadoria pode ser modificada na reforma da Previdência, admite Marun


Deputado Carlos Marun admite mudança na idade mínima de aposentadoria, diferente dos 65 anos propostos

 

A idade mínima para aposentadoria no Brasil pode ser modificada, como resultado das negociações no âmbito da comissão especial da Câmara dos Deputados que discute a Reforma da Previdência. Essa possibilidade foi admitida pelo presidente da comissão, deputado Carlos Marun (PMDB-RS), em entrevista ao Acorda Piauí, na manhã desta quarta-feira, na rádio Cidade Verde.

Marun disse que o estabelecimento de uma idade mínima para aposentadoria é um dos pontos que considera inegociável na proposta de reforma apresentado pelo governo.Mas reconheceu que é negociável, sim, a idade a ser fixada. Na proposta, essa idade seria de 65 anos. Ele observa que, na América Latina, somente Brasil e Equador não têm uma idade mínima para aposentadoria.

O próprio Carlos Marun reconhece que há margens para discussão, já que outros países adotam idades distintas. Ele cita Estados Unidos, com idade mínima de 62 anos; França, com 66 anos; e Israel, com idade mínima de 60 anos.

Na entrevista à rádio Cidade Verde, O presidente da comissão especial da Reforma da Previdência afirmou que inegociável, mesmo, deve ser “o caráter de uma reforma efetiva”. Ele entende como efetiva uma reforma consistente, que tenha validade para décadas, e não seja uma mera maquiagem a ser modificada em poucos anos.

Ele enfatizou a necessidade da reforma diante da explosão do déficit da Previdência. Lembrou que os números referentes a 2016 estão sendo fechados, mas acredita que o déficit deve passar de R$ 250 bilhões. Também defende a ampla discussão sobre o tema, especialmente no debate que vai ser feito na comissão, logo depois do carnaval.

Perguntado sobre a reação popular,  ele disse considerar natural essas reações e que o trabalho da comissão será de ouvir essas vozes da sociedade. Mas ressalta a convicção de que a reforma é importante para o Brasil. Diz ainda que assumiu a espinhosa missão de presidente da comissão precisamente por entender que a reforma precisa ser feita, sob pena de termos no futuro aposentados sem aposentadorias, simplesmente pela incapacidade dos governos de cobrirem os custos do setor.

Temer lança o ‘Estado Mínimo 3.0’ com pacote de socorro aos estados


No pacote de Temer, as empresas de água devem ser privatizadas. No Piauí, a Agespisa está sendo Subdlegada

 

Nos anos 90, o Brasil e a América Latina conheceram e repetiram uma palavrinha que quase se transformou em palavrão: neoliberalismo. E eis que seu espírito está de volta, não exatamente com a mesma palavra, e já sem esse sentido tão assustador. E o retorno se dá através de mais uma iniciativa do governo Temer, que se propõe socorrer os estados falidos através de uma série de medidas que podem ser enquadrada na ideia de “Estado Mínimo”, agora em sua versão 3.0. O "novo neoliberalismo" – ou neo-neoliberalismo.

O conceito de Estado Mínimo implica em um poder estatal que mais regula que comanda as ações na sociedade, esta guiada pelos humores do mercado. E o conceito está aí à mesa.

De fato, pode-se dizer que é a volta dos que não foram, porque a ações para diminuir o tamanho do Estado vinham se mantendo, e mesmo o PT – que tão ferozmente atacou o neoliberalismo – adotou e adota medidas do receituário liberal. Um exemplo: as empresas administradoras de hospitais e as subconcessões, como no caso das empresas de abastecimento d’água.

A feição refeita do liberalismo, com a defesa do Estado Mínimo, vem da década de 1980, nas asas das eleições de Ronald Reagan (EUA) e Margaret Thatcher (Inglaterra).  Essa versão 1.0 não teve tanto efeito no Brasil, que mais se empenhava em sair de vez da ditadura. Já a versão 2.0, já pós-Reagan, torna-se quase imposição à América Latina, e deu sinais com Collor e se estabeleceu pra valer com FHC e seu programa de privatização.

A Era PT, a despeito da enorme pregação contra o neoliberalismo, não enterrou o receituário – nem podia, tendo à frente da economia um senhor chamado Henrique Meireles, respeitado banqueiro em Wall Street. Pois é o mesmo Meireles que agora, sob as ordens de Michel Temer (ou seria ao contrário?), retoma com mais força a ideia do Estado Mínimo, onde o poder estatal reduz sua presença e transfere as rédeas da economia para o setor privado.

As propostas que reduzem o tamanho do Estado estão nas condições colocadas pelo governo federal para o socorro aos estados. Elas valem por três anos. Alguns estados, como Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul, não têm muita alternativa: ou são salvos nas condições impostas ou estão praticamente mortos.

Entre as condições estão:

  • Nada de aumento real de salário a servidores
  • Limites à realização de novos concursos públicos
  • Nade de criação de despesa obrigatória de caráter continuado (as provisórias que viram permanentes)
  • Sem novos incentivo fiscais a empresas, e redução dos já existentes em, pelo menos, 20%.
  • Aumento da contribuição previdenciária de servidores estaduais de 11% para 14%
  • Privatização de empresas estaduais de água, saneamento, eletricidade

O mercado festeja. E esses estados que entraram em bancarrota nem podem reclamar. Na prática, deram motivos de sobra, com absurda ineficiência e alto grau de pouco caso com a aplicação do recurso público. E a incompetência apresenta a conta, na forma do neo-neoliberalismo.

Teresina precisa de R$ 2 bi para obras contra alagamentos


BR 343, após chuvas em Teresina: alagamento que tende a se repetir no futuro (foto: Wilson Filho)
 

Os constantes alagamentos em Teresina, após chuvas de médio e grande porte, não deverão parar no curto prazo. O problema é que faltam intervenções fundamentais, especialmente a construção de galerias adequadas às necessidades. Mas a cidade não tem dinheiro.

Segundo cálculos do secretário de Desenvolvimento Urbano do Município, Marco Antonio Ayres, para implantar as obras fundamentais para solução do problema, seria necessário algo em torno de R$ 2 bilhões. Um dinheiro que, ele reconhece, a prefeitura não tem.

Para se ter uma ideia do tamanho da dificuldade, esse dinheiro corresponde a dois terços do orçamento da Prefeitura de Teresina para o ano de 2017. Assim, para que as obras sejam implementadas, a PMT precisaria contar com aporte especial do Governo Federal ou recorrer a empréstimos junto a instituições como o Banco Mundial – que financiou a concretização do projeto Lagoas do Norte.

Na realidade de hoje, os problemas de drenagem se multiplicam pela cidade. Marco Antônio Ayres explica que Teresina conta com oito bacias de drenagem. Mas o fluxo natural das águas não acontece por diversos fatores, começando pelos desmatamentos – sobretudo para dar lugar a grandes empreendimentos habitacionais, seja os conjuntos populares como no Torquato Neto, na Zona Sul, ou os condomínios de Luxo na Zona Leste, no entorno da BR 343 ou na PI 112 (sentido de União).

A lista da Secretaria de Desenvolvimento Urbano vai além. Dentro das oito bacias que cobrem a cidade de Teresina, são problemas recorrentes os alagamentos na  Senador Area Leão, nas proximidades da Homero; no Dirceu (área da Manoel Evangelista); e na Satélite, além do Torquato Neto e BR 343.

Os problemas se agravam com a estrutura instalada para o escoamento da água. Na prática, as tubulações desses empreendimentos são muito aquém da necessária para o escoamento das águas. E o secretário admite que, em alguns casos, a pouca capacidade de escoamento transforma em represa o que deveria ser um canal de drenagem.

Perguntado no Acorda Piauí, da rádio Cidade Verde, qual a saída para a população no curto prazo, Marco Antônio Ayres apenas aconselhou os teresinenses a ficarem em casa na hora de grandes chuvas. Ou seja: não há muito o que fazer, agora.

Tampouco haverá muito o que fazer nos próximos anos, já que esse tipo de obra não é rápida, nem mesmo quando se tem o dinheiro para realizá-la. Ainda mais no caso de Teresina, que não tem R$ 2 bilhões à mão. Muito longe disso.

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