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Secretários-candidatos criam clima ruim na aliança com PT, diz Tapety


Mauro Tapety: problemas com secretários-candidatos criam clima ruim na aliança do PMDB com PT

 

Tudo começou com um discurso do deputado Júlio Arcoverde (PP), que reclamou contra a segurança pública. Agora, a gritaria está aberta, e não são poucos os deputados estaduais da base aliada que estão reclamando da ação dos secretários pré-candidatos a um cargo eletivo em 2018. A reação dos aliados cria, pelo menos momentaneamente, um clima ruim na aliança com o governo comandado pelo PT.

O alvo principal são aqueles secretários-candidatos sem mandato, que buscam uma cadeira na Assembleia. Mas não só. O discurso de Júlio, há exatamente uma semana, atacava uma área onde estão dois gestores que se preparam para a disputar das eleições de 2018: Fábio Abreu (PTB), secretário de Segurança que deve buscar a reeleição para a Câmara Federal; e o coronel Carlos Augusto, o comandante da PM que é visto como candidatíssimo a uma cadeira na Assembleia. Outro alvo muito citado é Franzé Silva, da Administração.

Poucos esperavam um discurso crítico pronunciado por Júlio Arcoverde, que se portou nos últimos anos quase como um líder do governo Wellington Dias. A fala do presidente estadual do PP, no entanto, funcionou como uma senha para a reclamação geral. Aí apareceram outros, que deixaram a sutileza de lado, como Mauro Tapety e João Madison, os dois do PMDB.

Tapety foi explícito quanto ao descontentamento que, segundo diz, alcança até mesmo deputados do PT que não controlam alguma pasta de primeiro escalão. E advertiu que a ação ostensiva dos secretários-candidatos cria sim um clima ruim dentro da aliança do PMDB com o governo. Daí, pede uma reunião urgente do governador com os deputados.

Esse tipo de reclamação não é nova. Todo governo é acusado de privilegiar esse ou aquele candidato, pelo parentesco ou afinidade política e pessoal com o titular do momento no Palácio de Karnak. Mauro Tapety diz, no entanto, que alguns secretários estão passando da conta, com assédio explícito às bases de deputados aliados.

Para controlar o jogo, Wellington já disse que não estimula e nem tem interesse nesse tipo de conduta dos secretários. O governador não disse, mas também deve saber que terminará realizando essa reunião que os deputados cobram. E também é provável que termine aplacando a fúria dos aliados com duas medidas: um pedido de comedimento por parte dos secretários e, claro!, alguns afagos nos excelentíssimos senhores parlamentares.

Wellington já provou mais de uma vez que é um craque na arte de unir as diferenças e de driblar os desconfortos. Não por acaso está no terceiro mandato de governador. E quer chegar ao quarto exercendo essa mesma habilidade plenamente.

Clausula de Barreira já causa ajuste no sistema de partidos


Rodrigo Maia: pensando nas regras das futuras eleições, o presidente da Câmara já articula um novo partido

 

O Congresso tem o prazo de dois meses para aprovar a reforma política que vai definir as regras para as eleições do próximo ano. As mudanças devem ser poucas, mas uma delas promete impacto imediato no sistema político, em especial no quadro partidário que será obrigado a ficar mais enxuto por fusões e migrações.

Essa mudança é a Cláusula de Barreira – ou cláusula de desempenho, como desejam alguns –, que muda completamente as estratégias dos partidos e dos candidatos à Câmara e às Assembleias. E trata-se de um sistema que exige um percentual mínimo (o tal desempenho) de cada partido para assegurar, por exemplo, representação na Câmara dos Deputados.

Algumas propostas em discussão no Congresso exigem que, para ter representação, o partido tenha um mínimo de 3% dos votos nacionais, índice que deve ser alcançado também em pelo menos 9 estados. Se valesse em 2014, o resultado para a Câmara seria bem diferente: dos 28 partidos que elegeram pelo menos um deputado, só dez tiveram mais de 3% dos votos totais. Diante disso, se a Clausula prevalecer, os partidos têm que buscar fusões. Ou alguns deputados terão que migrar para partidos mais robustos.

A regra que exige um certo desempenho ainda não está assegurada na reforma, porque muita gente no Congresso prefere o Distritão, que torna inócua a exigência de uma barreira como piso de desempenho. Pelo Distritão, que é um voto majoritário, são eleitos os candidatos mais votados, independente de coligação ou voto de legenda.

Mas se o grosso do Congresso sonha com o Distritão, importantes lideranças mostram preferir manter o sistema atual, de voto proporcional. E se articulam para formar partidos mais fortes, uma condição imposta pela Clausula de desempenho. Essa reaglutinação deve acontecer tanto à direita quanto à esquerda.

As articulações de bastidor estão em curso. E algumas já dão mostras públicas das tratativas, como revelou em primeira mão aqui o deputado Heráclito Fortes (PSB-PI). Segundo Heráclito, um grupo com Rodrigo Maia (DEM-RJ) à frente já discute um grande partido de centro-direita. A nova sigla, se confirmada, terá egressos do DEM e descontentes de partidos como PSB, PSDB e PMDB.

A reaglutinação vai fortalecer os partidos e vai dar consistência ao sistema político, com menos atores na mesa da governabilidade. É possível que consiga oferecer um caráter mais ideológico à atuação de partidos e parlamentares.

É um caminho que os estudiosos do tema sempre defenderam, mas que os políticos teimaram em fugir dele, pelos atalhos do pragmatismo.

Crime Organizado pode ser o financiador das campanhas em 2018


General Etchegoyen: há o risco do crime organizado atuar como financiador nas campanhas de 2018

 

A presença do crime organizado na vida nacional é óbvia: há espaços em cidades como o Rio de Janeiro em que o poder público não entra. E quem quiser ter acesso à área, tem que pedir licença ao crime. Também é conhecido o esforço do crime organizado para estar presença em funções de decisão no setor público, em todos os três poderes. Mas a força do crime no setor político pode crescer ainda mais em 2018, em razão das regras de financiamento eleitoral.

Aqui cabe uma observação: de fato, o crime se mostrou muito presente na política, através de grandes empreiteiras e frigoríficos, que se estruturaram como verdadeiras corporações criminosas, financiando a maioria dos congressistas ilegalmente. Mas, aqui, quando nos referimos a crime organizado estamos falando das organizações clandestinas, que assaltam, matam, traficam. Verdadeiras máfias.

A possibilidade de um papel destacado dessas organizações mafiosas nas eleições do próximo ano foi acentuada pelo general Sérgio Etchegoyen, ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República. Antes dele, o presidente do TSE, ministro Gilmar Mendes, advertia para o risco de, nas eleições, só o crime organizado ter dinheiro.

Tanto Mendes quanto Etchegoyen estão chamando atenção para a mudança de regras, com a introdução do financiamento público das campanhas. A previsão é que o dinheiro seja escasso. Daí, a busca do dinheiro fácil pode levar muito candidato a ceder aos “encantos” dos criminosos. Ou dos criminosos deixarem de lado os intermediários e inventarem seus próprios candidatos, que terão o diferencial da grana farta.

O atrevimento do crime organizado ficou patente no ano passado, especialmente no Rio de Janeiro, quando vários candidatos a vereador foram assassinados. Descobriu-se que as mortes traduziam uma disputa eleitoral, sim. Mas revelavam especialmente a disputa por domínio: qual facção tinha chance de eleger o vereador de uma determinada área, implicando em força política e também no controle dos negócios da droga, por exemplo.

O alerta do general Etchegoyen é extremamente preocupante, sobretudo quando temos um país que pede para ser passado a limpo. De repente, podemos ter uma campanha em que o dinheiro sujo de sangue e envolvido com droga venha a ser o grande financiador de candidaturas, com chances efetivas de eleger um bom punhado de representantes populares.

Certamente não é a limpeza que o Brasil espera.

Dilemas seguram projetos do PSDB, no plano nacional e local


Aécio e Firmino, em foto de 2014: duas faces dos dilemas de hoje do PSDB no Brasil e no Piauí

 

Os PSDB vive um momento complicado, com dilemas que refreiam a discussão objetiva de cenário e estacionam a definição mais clara de projetos para o ano que vem. Os dilemas do PSDB não distintos no plano nacional e local, mas da mesma forma minam um tanto das forças da sigla com vistas às eleições de 2018.

No plano nacional, o dilema começa com um ser ou não ser governo, traduzido na votação de quarta-feira, quando os tucanos se dividiram ao meio. Essa dúvida se mistura com uma outra: a permanência ou a saída do senador Aécio Neves (MG) do comando do partido, situação embaraçosa desde as gravações da JBS. Indeferente, na última semana Aécio se reuniu com o presidente Temer, pediu votos contra a denúncia e ainda disse que vai seguir como presidente do PSDB, ainda que licenciado.

No outro polo do tucanato, Geraldo Alckmin pede que o partido rompa com o governo e até estimulou seus seguidores a votarem pela denúncia contra Temer. Para dizer o mínimo, essa discussão traz dúvidas sobre a convicção do PSDB sobre o combate à corrupção.

Tudo isso tem consequências junto ao cidadão que espreita a política e tenta encontrar um chão seguro em meio à areia movediça. E no embate de posições, fica a dúvida sobre que partido é esse e o que ele pode oferecer de alternativa para o país.

 

Firmino está ou não está com Wellington?

No plano local, também cabe a pergunta: o PSDB é governo ou é oposição? A pergunta cabe em razão da própria postura dos representantes do partido: salvo falas esporádicas e contidas do deputado Marden Menezes,  não se ouve voz de tucano contra o governo. Além disso, nomes muitos próximos do prefeito Firmino Filho – a começa por sua esposa, Lucy Silveira – foram instalados no PP, um partido aliado de Wellington.

Tal cenário lança dúvida (muita dúvida) sobre o rumo do partido em 2018. O time de Firmino poderá até estar no palanque de Wellington, ainda que com o carimbo PP. Especula-se até que Firmino pode ser candidato na chapa de Wellington, situação em que mudaria de sigla, porque oficialmente o PSDB não se aliaria ao PT.

Os dilemas tucanos podem até gerar uma nova simbologia para o partido. Historicamente o PSDB é associado ao “muro”, que traduz a incapacidade de decidir, de tomar um lado. Mas, tanto no plano nacional como o local, a sigla hoje se assemelha ao sujeito que chega na festa e toma duas cadeiras. Senta em uma, na mesa em que está. E coloca os pés na cadeira da mesa vizinha.

Quer ser parte das duas.

Tem as reformas. Mas clima eleitoral passa a dominar Congresso


Congresso: de olho em 2018, clima eleitoral vai predominar no segundo semestre

 

Passada a tempestade da votação sobre a denúncia da PGR contra o presidente Michel Temer, o Congresso Nacional tenta definir uma agenda que possa ser efetivamente factivel. Alguns temas aparecem no horizonte, mas o que deve predominar mesmo é o que já vinha norteando os ânimos dos congressistas: a perspectiva das eleições de 2018. E qualquer tema que aparecer deverá passar por esse filtro que costuma dar lugar aos discursos em detrimentos dos argumentos.

O Congresso tem três reformas à vista:

Reforma Tributária: está longe de ser uma proposta que se preocupa com a relação entre os entes federados. Tem o olhar quase único do governo Federal. E isso é um complicador em para parlamentares que precisam fazer acernos às bases.
Reforma da Previdência: polêmica desde o nascedouro, não é uma simples questão de  Governo x Oposição. Os interesses corporativos falam mais alto. E a reforma pode simplesmente não ser apreciada, apesar de está no alto das prioridades do governo.
Reforma política: é a única que tem prazo para acontecer. Ou é aprovada pelo menos um ano antes da próxima eleição, ou só valerá para 2020. Como os deputados e senadores têm interesse direto, é também a única que com certeza vai ser votada. E, também pelos interesses dos parlamentares, deve mudar muito pouca coisa.

A própria reforma política já implica em um clima pré-eleitoral: a partir dela saberemos as regras da disputa de 2018 e ficará mais clara a intenção nos movimentos de partidos e políticos. As mudanças mais impactantes nas relações entre candidatos é o financiamento público e a instituição do chamado Distritão.

Com as estratégias colocadas na mesa os aliados potenciais  começando a se delinearem mais claramente, as movimentações (e os discursos) no Congresso serão cada vez mais direcionados para outubro de 2018.

O resto é só consequência.

Temer consegue o inimaginável: tem maioria e sai mais forte


Planário da Câmara dos Deputados, ontem: vitória de Temer com votação acima do esperado 

 

O prognóstico para a votação de ontem era quase geral: Temer conseguiria escapar da denúncia de corrupção passiva, mas sairia cambaleante; um presidente ainda mais fraco, quase um cadáver político ambulante. Mas esta convicção começou a ser abalada pouco depois do meio-dia de ontem, quando o quórum de 342 votos – necessários para a votação acontecer – foi alcançado. O número mostrava uma inesperada força do governo.

O resultado no final da votação confirmou. Temer não apenas se livrou dessa primeira denúncia como conseguiu esse feito com a maioria dos votos da Câmara. Foram 164 votos a favor, além de 2 abstenções e 19 ausências – Rodrigo Maia (DEM-RJ), com presidente da Câmara, não votou.

Quando o quórum para votação foi alcançado por volta de 12h30, ficou claro que a estratégia da oposição não deu certo. Ainda ontem cedo líderes do PT e do PCdoB reafirmavam a estratégia de obrigar o governo a formar o quórum. Pois bem: o governo formou o quórum. E a oposição teve que correr para o plenário. E perdeu.

Temer conseguiu pouco mais da metade da Câmara. Número longe para garantir votações tranquilas, ainda mais de temas que exigem quórum qualificado, como a reforma da Previdência. Como é emenda à constituição, a reforma terá que ter 308 votos. Mas com forças renovadas, Temer poderá fazer o que melhor sabe fazer: conquistar apoios dentro do Congresso. Ainda que à base de liberação de emendas, sabe fazer essa conquista.

Poderá agora empreender uma nova empreitada: reconquistar algumas ovelhas perdidas. Vai atrás, primeiro, dos descontentes da base. O Piauí tem pelo menos um, o deputado Rodrigo Martins.

 

Marcelo surpreende com a ausência

No final das contas, a bancada do Piauí na Câmara deu a goleada a favor do presidente Michel Temer: apenas três votos contrários, entre os dez possíveis. Mas os sete a favor não foram diretos. Marcelo Castro favoreceu Michel Temer pela ausência.

Terminou sendo a surpresa entre os piauienses, porque Marcelo dizia – pelos menos antes de viajar para a Grécia, de férias – que votaria contra a denúncia para não paralisar o país. O curioso é que o PMDB decidiu fechar questão e pedir exatamente esse voto. Mas Marcelo, que é presidente do PMDB no Piauí, não apareceu.

Confira o voto dos piauienses:
A FAVOR DA DENÚNCIA: Assis Carvalho (PT), Silas Freire (Podemos) e Rodrigo Martins (PSB).
CONTRA A DENÚNCIA: Átila Lira (PSB), Heráclito Fortes (PSB), Iracema Portella (PP), Júlio Cesar (PSD), Maia Filho (PP) e Paes Landim (PTB).
AUSÊNCIA: Marcelo Castro (PMDB).

Lucy disputa a Câmara e Margareth a Assembleia, revela Júlio


Lucy Silveira e Margareth Coelho (na foto com Iracema Portella): força feminina do PP nas eleições de 2018

 

A informação de que o projeto da primeira-dama de Teresina, Lucy Silveira, seria disputar uma cadeira na Assembleia Legislativa provocou reações. E revelações. E, pelo menos segundo entendimentos prévios do grupo de Firmino Filho (PSDB) com o PP – que recebeu a filiação de Lucy em fevereiro – a primeira-dama vai disputar uma vaga na Câmara Federal. Soube-se ainda que o projeto real (o Plano A) da vice-governadora Margareth Coelho é retornar à Assembleia.

As reações quanto à possibilidade de Lucy disputar uma vaga de deputado estadual começaram dentro do PSDB, o partido comandado pelo marido, o prefeito Firmino Filho. Os tucanos acham que essa decisão seria um equívoco: a candidatura sequer ajudaria à legenda do PSDB, pois tiraria votos dos tucanos e levaria para o PP. Todos os atuais deputados seriam afetados, especialmente Firmino Paulo, o sobrinho do prefeito.

Houve reação elegante, mas firme, dentro do PP. Falando como presidente do partido, o deputado Júlio Arcoverde foi claríssimo: o que está combinado é que a primeira-dama vai mesmo disputar uma vaga na Câmara Federal. E combinado é combinado.

Nos bastidores, avalia-se até mesmo o possível desempenho de Lucy nas eleições de 2018. Alguns aliados da primeira-dama acreditam que ela pode sair de Teresina com uns 50 mil votos, completando o resto da votação no interior. Esse argumento é amparado na força do prefeito e no trabalho de Lucy, especialmente na periferia.

 

Margareth, a Assembleia como Plano A

Se há um ponto que gera muita discussão é o futuro da vice-governadora Margareth Coelho, do PP. Como a vaga do partido numa chapa com Wellington Dias está reservado a Ciro Nogueira, resta saber o que caberá a Margareth. As respostas normalmente apontam mais de uma alternativa. Inclusive a possibilidade de ser lançada ao governo do Estado, caso PP e PT não permaneçam juntos.

Mas o deputado Júlio Arcoverde, em entrevista na AL, ontem, deu com a língua nos dentes. Ao negar a candidatura de Lucy ao Legislativo estadual, disse que o PP terá chapa forte à Assembleia. E citou nomes: Belê Medeiros, B. Sá Filho e... Margareth Coelho.

Júlio está muito confiante em um bom desempenho do PP. Para ele, se passar mesmo o Distritão, aí é que o partido se sairá bem mesmo!

Imagine se não tivesse crise política: dólar cai e bolsa sobe em julho


Bovespa: mesmo com a grave crise política, a economia reage e ações na bolsa sobem 4,8% em julho

 

Eita país danado de forte: num dos meses mais convulsos da longa crise política vivida pelo Brasil, julho registrou queda na cotação do dólar e alta nos negócios na bolsa de valores. Um sinal de confiança no país e um olhar positivo sobre os últimos indicadores econômicos. Agora, imagina se não vivêssemos uma das mais complicadas crises políticas do país, incluindo uma denúncia contra o próprio Presidente da República!

Não por acaso, o mês de julho consolidou uma série de boas tendências: queda da inflação, aumento do emprego (dois trimestres seguidos), redução dos juros, aumento do consumo e queda no endividamento dos brasileiros. Tudo isso gerou confiança e o cidadão começa a diminuir o medo de fazer planos. Volta a ter (ou pelo menos, a desenhar) horizontes.

E julho teve boa notícia até da política: o Congresso aprovou a reforma trabalhista. A aprovação das novas regras trabalhistas foi motivo de comemoração entre os empresários, o que amplia a disposição para novos investimentos.  

O mercado também mantém a esperança com a manutenção de uma equipe econômica que reverte a sequência de dois anos de recessão, o duro biênio 2015-2016 que fabricou a mais terrível crise econômica da história do país. Tem mais: mesmo a possibilidade de mudança imediata do presidente não traz uma perspectiva de alteração no núcleo dessa equipe que é apontada como a principal responsável pelos bons indicadores dos últimos meses.

Assim, se o mercado está confiante, os números saem: o dólar fechou o mês cotado ao redor dos R$ 3,10, uma redução de 5,87% desde primeiro de julho.  Dólar em queda significa que o investidor não está escondendo o seu dinheiro na segurança de uma moeda que não será afetada pelas incertezas internas. E se o dinheiro são se esconde atrás do dólar, ele termina indo para a bolsa, para investimentos concretos.

Aplicar em ações significa que o dinheiro está sendo investido aqui, capitalizando empresas e dando força à atividade econômica. E os números da bolsa são animadores: o principal indicador da Bovespa fechou ontem em alta. Esta foi uma regra no mês de julho, que chegou ao final com uma alta média nas ações da ordem de 4,8%. Desde janeiro, a alta acumulada é de 9,45%.

A partir de amanhã, o mercado segue se movimentando com um olho na cotação e outro na política. Isso por conta da votação na Câmara sobre a denúncia contra o presidente Michel Temer. Mas o olhar principal será mesmo para as cotações e para as oportunidades de investimento que podem surgir. Porque a crise política está aí. Mas o Brasil parece mostrar que é maior que toda a crise.

Heráclito integra grupo que articula novo partido de centro


Heráclito Fortes: articulador de um "partido forte" de centro-direita que terá Rodrigo Maia como estrela

 

Em meio à crise de representação que provoca sérios desgastes nos partidos atuais, um nova nova sigla com capacidade de ser decisiva nos rumos do país começa a ser articulada em Brasília. A figura central da nova legenda é o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ). E tem como um dos articuladores principais o deputado piauiense Heráclito Fortes (PSB).

A revelação foi feita pelo próprio deputado, em entrevista hoje cedo ao Acorda Piauí, na rádio Cidade Verde. Inicialmente, Heráclito chamou o movimento de “uma frente”, logo depois confessando o desejo de constituir um “partido forte” com egressos do DEM e descontentes de siglas como PSB, PSDB e PMDB.

O núcleo duro do novo partido tem, além de Rodrigo Maia e Heráclito, os deputados José Carlos Aleluia (DEM), Benito Gama (PTB), Danilo Fortes (PSB), Rubem Bueno (PPS) e Teresa Cristina (PSB). Chama a atenção a presença de três integrantes do PSB, entre eles a própria líder do partido na Câmara, Teresina Cristina.

A articulação coincide com entrevistas de Rodrigo Maia  defende o fortalecimento de forças no espectro centro-direita. A diferença é que, agora, esse fortalecimento se dará não pelo reforço do DEM, mas através de um “partido forte” – como diz o deputado piauiense – que una o DEM e também os descontentes aninhados em diversas outras siglas.

 

Deputado vai votar para Temer continuar

Na entrevista ao Acorda Piauí, Heráclito Fortes disse que votará pela não aceitação da denúncia contra o presidente Temer, acusado pela Procuradoria Geral da República de corrupção passiva na relação com os donos da JBS. Segundo afirmou, vai votar dessa forma tendo em conta os interesses do Brasil.

Segundo Heráclito, a oposição aposta no “quanto pior melhor”, o que não contribui para tirar o país da crise. “Essa brincadeira tem que acabar”, disse.

Para ouvir a íntegra da entrevista de Heráclito Fortes, acesse o arquivo abaixo.

 

Após 7 meses, só 10% dos agricultores renegociaram dívidas


Júlio César: alerta para o prazo de renegociação das dívidas dos agricultores. Até agora, só 10% renegociaram

 

Desde janeiro, os agricultores do Nordeste e Norte de Minas e Espírito Santo (área de alcance da Sudene) podem renegociar dívidas em atraso. Depois de sete meses do prazo estabelecido por lei, apenas 10% dos que podem usufruir do benefício recorreram aos bancos do Brasil e do Nordeste para renegociação dos débitos. E olha que os descontos que podem chegar a 95%.

A situação levou a Federação de Agricultura do Piauí (FAEPI) a fazer uma campanha alertando os agricultores para o prazo, que termina em 29 de dezembro. O presidente da FAEPI, deputado federal Júlio César (PSD), se mostra preocupado com a baixa adesão até o momento, e acha que a principal causa é a desinformação. Daí a campanha que veicula em rádio e TV.

Júlio César é também o coordenador da Bancada do Nordeste na Câmara dos Deputados e foi um dos principais articuladores da Lei, que alcança todas as dívidas contraídas entre 2007 e 2011. Segundo ele, mais de 90% dos contratos em atraso – portanto, passíveis de renegociação – são de agricultores familiares, incluindo créditos do Pronaf.

Em todo o Nordeste, Minas e Espírito Santo, são 674 mil contratos. No Piauí são 116 mil, distribuídos entre os bandos do Brasil e do Nordeste. Mas apenas 10% foram renegociados até agora. “Faltam apenas cinco meses de prazo”, adverte Júlio César. Ele diz que a realidade é semelhante em outros estados, tanto que a campanha de informação feita no Piauí está sendo copiada por outras federações.

 

Seca permite renegociar dívida contraída até 2016

Uma decisão tomada na semana passada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) vai permitir que contratos feitos entre 1º de janeiro de 2012 e 31 de dezembro de 2016 poderão ser renegociados. Esses contratos não eram cobertos pela Lei anterior. Serão beneficiados os agricultores da mesma área de alcance da Sudene, a região Nordeste e o Norte de Minas Gerais e Espírito Santos. 

Conforme o deputado Júlio César, essa medida era uma reivindicação da Bancada do Nordeste na Câmara, acatada pelo CMN. O argumento principal utilizado na solicitação é a seca que afeta a região já há seis anos. O deputado observa que essa situação, junto com a recessão vivida pelo país, criou muitas dificuldades para os agricultores, em especial os mini e pequenos.

Os interessados têm até 29 de dezembro deste ano para manifestar a intenção de renegociar seus débitos. Para isso, devem procurar a agência bancária onde o empréstimo foi contratado. Para os contratos feitos entre 2012 e 2016, a medida estabelece prazo de pagamento de até dez anos, com a primeira parcela sendo paga somente em 2021, estendendo-se até 2030. Os encargos financeiros serão os mesmos da ocasião em que o contrato foi celebrado.

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