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Encontro vai definir ação de emergência para BR 135, anuncia Ciro


Ciro Nogueira: gestões em Brasília para uma ação de emergência na BR 135, a chamada "estrada da morte"

 

Um encontro da bancada federal do Piauí no ministério do Planejamento, nesta quinta-feira, vai procurar definir medidas emergenciais para a situação da BR 135. Foi o que anunciou hoje o senador Ciro Nogueira (PP-PI), presidente nacional do PP, em entrevista ao Acorda Piauí, na rádio Cidade Verde.

Ciro disse que a situação da BR 135, que sozinha concentra quase um terço das mortes em rodovias no Piauí, tornou-se um clamor, além de passar a ser um assunto nacional. Por isso, o senador já levou o problema ao próprio presidente da República, Michel Temer, para viabilizar uma saída de emergência.

Na entrevista, Ciro também falou sobre a necessidade de um pacto federativo que atenue a situação de penúria de estados e municípios. Acha que, diante da dificuldade de aprovação desse novo pacto, a redefinição nas relações entre os entes federados poderia ser discutida num governo para implantação no seguinte.

O senador comentou ainda a situação nacional, com a denúncia contra o presidente Temer. Avalia que, se a denúncia for realmente fatiada, a PGR estará adotando não uma estratégias jurídica, mas política, que terá como efeito a paralisação do país.

Ouça a íntegra da entrevista de Ciro Nogueira no link abaixo.

 

Denúncia contra Temer vai impor longa agonia... ao país


Janot e Temer, entre a presidente do Supremo, Carmem Lúcia: embate que pode durar meses

 

Pela primeira vez na história do Brasil um presidente da República no exercício do mandato está sendo denunciado por corrupção. O que já é inusitado pode se tornar mais extraordinário, porque a denúncia deve vir em dose dupla. Ou tripla. E produzir uma longa agonia não apenas para Michel Temer, mas para o país.

Ao fazer a denúncia junto ao Supremo Tribunal Federal contra o presidente Temer, o procurador Geral da República, Rodrigo Janot, adotou a estratégia de fatiar a denúncia. Ao invés de uma, três. Uma para cada crime que acusa o presidente de cometer. Na primeira, apresentada ontem, Temer é acusado de corrupção passiva. Pode ainda ser acusado de formação de organização criminosa e de obstrução da justiça.

O resultado da estratégia de Janot é o alongamento da agonia do presidente, que precisará se desdobrar na defesa na Câmara, tendo que se empenhar uma, outra e mais outra vez para conseguir o número necessários de deputados para barrar a denúncia. Será também uma longa agonia para o Brasil, que será espectador do alongamento de uma crise política que já dura anos.

A reação do mercado à denúncia de ontem não foi desastrosa: o país segue andando. Mas não quer dizer que o mercado esteja imune à crise política. Longe disso.

A crise brasileira já dura uns quatro anos, com um biênio trágico em 2015 e 2016, quando tivemos a maior recessão de toda a nossa história. Nos últimos quatro anos, nosso PIB encolheu cerca de 10%. Uma lástima! E a situação atual não anima investidores, especialmente os de fora, que não destinam ao Brasil os seus dólares.

Com a denúncia contra Temer fatiada em três denúncias distintas, o Supremo e a Câmara vão ter que se debruçar três vezes sobre basicamente o mesmo tema. Aí então, o país que espere pela conclusão desses processo. E fica o aviso: até chegar ao final, pode ser um longo percurso. Uma agonia que se amplia no tempo.

Na melhor das hipóteses, cada denúncia impõe de um mês meio a dois meses de espera. Essa hipótese é a que leva em conta a possibilidade do ministro Edson Fachin não dar os 15 dias para a defesa, antes de encaminhar o pedido de autorização para o processo à Câmara. E leva em conta também que a Câmara rejeitará o pedido rapidamente.

Na pior das hipóteses, o ministro dará 15 dias para o presidente se manifestar, mais uma semana para Janot fazer considerações e aí encaminha à Câmara, que aceitaria o pedido. Nesse caso, o processo pode durar diversos meses. E pode chegar a 2018.

Até lá, o desejo de ver o país de volta à normalidade terá que esperar. Enquanto isso, o Brasil sangra por todos os poros.

Reforma política vai mudar muito pouco, admite relator


Deputado Vicente Cândido: relator da reforma política admite que mudanças serão mínimas

 

O que se desenhava há tempos ganha quase anúncio oficial: segundo o relator da reforma política na Câmara, deputado Vicente Cândido (PT-SP), as mudanças nas regras das campanhas com vistas às eleições de 2018 serão muito poucas. De acordo com o relator, falta apoio para mudanças substantivas.

A diversidade de interesse dentro do Congresso reduz a possibilidade de entendimentos que possam levar às mudanças esboçadas pela comissão da reforma. Isso se agrava com a fragmentação dos grupos políticos dentro do Parlamento, com predomínio do individualismo.

"Hoje é muito difícil construir maioria. Nós temos um monte de general sem tropa. Os presidentes e líderes não têm mais os domínios e comandos de suas bancadas. Resta a negociação individual e isso é muito difícil", disse ontem Vicente Cândido.

Entre as propostas elencadas no relatório de Vicente estão temas que ele praticamente já dá por perdido, pelo menos para 2018. É caso do fim das coligações proporcionais, a adoção da cláusula de barreira e a alteração do sistema de votação para lista fechada ou distrital. Nem mesmo a adoção gradual de novas regras está viabilizando as mudanças.

No caso da lista fechada, ela valeria para 2018 e 2020, depois migrando para o chamado modelo distrital misto, consagrado na Alemanha, que mistura lista fechada e voto distrital. Nem assim vai.

A delação da JBS piorou as coisas: fez crescer nos congressistas o temor de que a lista fechada já em 2018 traria dificuldades extras para eleição das principais lideranças dos grandes partidos. Daí ganhou força o chamado “distritão”, que tornaria os partidos ainda menos importantes e favoreceria os que já têm mandato. É o que deve vingar.

Ou, como disse o próprio Vicente Cândido: "Salvaria o atual Congresso".

Ao que tudo indica, mudança para valer, além do "distritão", só mesmo o financiamento público. O financiamento público é uma das poucas que resta do relatório com chance de prevalecer. Para isso prevê-se a criação de um fundo partidário de R$ 3,5 bilhões.

É possível que esse novo modelo gere um efeito prático: a redução do número de candidatos. É possível também que o arremedo de reforma política traga já essa definição: hoje, cada partido pode indicar 150% das vagas e cada coligação pode indicar 200% das vagas. As mudanças podem estabelecer que cada partido indique o número de candidatos correspondente a 70% das vagas.

É menos candidato dividindo o nada desprezível bolo de R$ 3,5 bilhões.

Em meio à crise, empresariado pede tranquilidade para produzir

Robson Andrade e Michel Temer: para o empresário, é melhor o presidente ficar onde está

 

Brasil a fora, muitos se perguntam: o que é melhor, Temer sair ou Temer ficar?

Se depender do empresariado ligado à indústria, é melhor que o presidente fique, porque uma nova mudança no governo geraria mais turbulência. E o que o empresariado quer é tranquilidade para investir e produzir.

Quem mostra essa preferência é Robson Andrade, presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), entidade que reúne as 27 federações estaduais da indústria e 1.250 sindicatos patronais, com quase 700 mil companhias filiadas.

A posição de Robson não é unânime sequer entre o empresariado. Também divide o Congresso e mais ainda a cidadania. Mas revela uma preocupação de boa parte do país. E talvez a pergunta correta não seja “o que é melhor”, mas sim o que “menos ruim” para o país.

O governo Temer – e o presidente em particular – vem mostrando debilidades sérias, que passam pelo próprio modo de gerir, assim como pelos dramas pessoais (leia-se escândalos) vividos por vários integrantes do primeiro escalão. A reação da economia, que se insinuava nos meses de março e abril, foi atropelada por novos escândalos, o da JBS em particular.

Após o 17 de maio, quando surgiu a gravação do dono da JBS com o presidente, muitos empresários até desejaram a renúncia de Temer. Hoje esse sentimento mudou. E Robson Andrade chega a dizer que “todo o empresariado” prefere ver o presidente continuar.

O argumento que se seguem a essa fala não é exatamente uma defesa de Michel Temer. “Hoje a posição é essa: é melhor seguir e fazer a transição no país. Chega de turbulência", afirmou. Acrescentou: "O processo de escolha de um novo governo demoraria meses, até o final deste ano, para depois no ano que vem já termos campanha para as eleições".

Traduzindo: não é que esse Temer fragilizado seja o presidente dos sonhos do empresariado ou mesmo da indústria. É que a coisa chegou a nível tão extraordinariamente instável e sem previsibilidade que qualquer previsibilidade já é um sonho.

Ou, no entendimento de Robson Andrade: o empresário quer um pouco de paz para produzir. E não mexer mais ainda no vespeiro da crise política já seria uma saída e tanto.

Tal desejo por parte do presidente da CNI mostra onde o Brasil chegou. E o quanto o sonho imediato ficou tão estreito.

Mudança no FGTS é vista como confisco contra trabalhador

Henrique Meireles: ministro admite usar FGTS de demitidos para cobrir gastos com seguro-desemprego

 

A última pesquisa DataFolha é reveladora: apenas 7% dos brasileiros aprovam o governo do presidente Michel Temer. É um índice que só é superado por Sarney, em 1989, engolfado pelos escândalos de corrupção e a hiperinflação. O governo Temer tem caprichado para, quem sabe, ocupar o primeiro posto. Sim, porque consegue até anular os poucos gestos positivos que conseguiu construir ao longo de 13 meses.

Se houve uma ação com bom efeito popular – e também sobre a economia – foi a decisão do governo de liberar as chamadas contas inativas do FGTS. Mas o ministro da Fazenda, Henrique Meireles, acaba de dar outra notícia sobre o FGTS. E essa não tem nada, nada de positiva: o seguro desemprego dos demitidos poderá ser parcialmente coberto pelo Fundo de Garantia do próprio trabalhador que acaba de perder o emprego. A proposta já é vista como uma espécie de confisco de um dinheiro que não é do governo, mas do trabalhador.

É uma mudança e tanto de uma para outra notícia. A liberação da grana das contas inativas, anunciada em dezembro passado, foi festejada pelos trabalhadores e pelo mercado. Era um dinheiro que estava lá, nas contas da Caixa, sem que o trabalhador pudesse usar. E que a Caixa sequer conseguia emprestar, já que a Construção Civil estava (e está) mais que parada.

Também era uma montanha de dinheiro nada desprezível: algo em torno de R$ 45 bilhões. Foi essa grana que permitiu que muitos brasileiros pagassem suas dívidas e abandonassem as listas negras de devedores. O dinheiro extra também permitiu certa elevação do consumo, especialmente no Dia das Mães. O mercado também comemorou.

Tudo isso pode ir por água abaixo agora, quando Meireles anuncia a intenção do governo de reter parte do FGTS dos trabalhadores demitidos sem justa causa.  Meireles ressalva: não está decidido, mas cogitado; é um “assunto embrionário”. Em bom politiquês: a coisa está na boca do forno.

Só para lembrar: o FGTS é um depósito que o empregador faz cada mês em uma conta do empregado, administrada pela Caixa. O trabalhador pode sacar esse dinheiro, por exemplo, ao ser demitido sem justa causa – quando o valor é acrescido de multa de 40%. Nos planos do governo, haveria o parcelamento do saque da conta vinculada ao FGTS e da multa de 40% em três meses. O valor de cada parcela seria equivalente ao último salário do trabalhador. Se depois de três meses ele não conseguir outro emprego, aí poderia recorrer ao seguro-desemprego.

A intenção do governo é reduzir os gastos com seguro desemprego, melhorando o desempenho das contas oficiais. Mas a medida é polêmica porque afeta diretamente o trabalhador. Por enquanto, o governo vai colhendo as reações negativas à possibilidade de adotar a medida. E pode talvez ficar só nisso.

É provável que a proposta, se realmente formalizada, gere questionamentos jurídicos. Sim, porque o dinheiro do FGTS não é visto como um dinheiro do governo, ainda que seja um banco estatal que o administre. É um dinheiro do trabalhador, que lança mão dele em situações específicas, como no caso das demissões sem justa causa.

Nesse aspecto, a intenção de Meireles pode ser lida como uma espécie de confisco. Além disso, há sérias dúvidas sobre a eficácia dessa ação sobre a economia e as contas oficiais. Traduzindo: o efeito real seria só e somente só o desgaste, que já se materializa a partir do anúncio da possibilidade da medida.

Convenhamos: para um governo que tem só 7% de aprovação, é um extraordinário esforço para bater recorde de impopularidade. E, quem sabe, superar o Sarney da hiperinflação.

Temer fez no exterior a viagem que não poderia fazer


Temer e a primeira-ministra da Noruega: micos, pitos, puxões de orelha e perdas de recursos para o meio ambiente

 

Quando formou seu núcleo duro de governo, há pouco mais de um ano, dizia-se que Michel Temer estava se cercando de profissionais da política. Olhando retrospectivamente, a pergunta que fica é: profissionais de que tipo de política? Porque desde maio do ano passado, Temer soma um sem-número de atitudes que beiram o amadorismo. A última foi a viagem à Europa, que acumulou gafes, pitos, puxões de orelha e até perdas de recursos.

Desde o começo, o governo Temer mostrou que não conhece um aspecto fundamental: o valor simbólico das coisas, especialmente na política, onde um gesto vale não apenas mil, mas um milhão de palavras. E o simbólico foi jogado às favas quando formou um ministério com meia dúzia de envolvidos em escândalos, a começar pelo “primeiro-ministro” informal, Romero Jucá. Não por acaso, Temer foi vendo um punhado de diletos auxiliares caindo como dominós.

Caiu Jucá, depois Fabio Silveira, depois Henrique Eduardo Alves, depois Geddel Vieira. Só não caiu mais – entre eles os mais diretos colaboradores Elizeu Padilha e Moreira Franco – porque o presidente tratou de criar escudos especiais. Um deles: transformou o secretário Moreira Franco em ministro, mantendo-o longe de Curitiba.

O gesto de apreço aos auxiliar trouxe junto um recado: temos um governo que não está nem aí para os escândalos, nem para as questões ética e menos ainda para a opinião pública. É como como se fosse um outro mundo, um universo paralelo no qual habita a política. Para piorar, o presidente comunica mal. E planeja mal. E executa mal.

A única coisa que tem feito bem é a relação com os políticos, repetindo aquele profissionalismo construído à meia luz.

A viagem à Europa, esta semana, foi uma prova de que a turma de Temer não é profissional, pelo menos da política dos grandes entendimentos feitos à luz do dia e das relações construídas em cima de tratados e resultados. Assim, foi para a Rússia – que os estudos de Ciência Política tratam atualmente como uma cleptocracia, um Estado de Ladrões – e bradou contra a corrupção. Isso mesmo: bradou contra a corrupção, sem dar bolas para o fato de que está prestes a ser denunciado junto ao STF; e ao lado de um Putin que é visto como autêntico líder da cleptocracia russa.

Em seguida foi para a Noruega, que muitas vezes aparece como país menos corrupto do planeta. Tem mais: a Noruega é um exemplo na luta pela preservação ambiental. Daí, Temer foi lembrado pela primeira-ministra norueguesa que o Brasil não cumpre seu papel na luta contra o desmatamento – e que isso implica em cortes de dinheiro que a Noruega enviava para o Brasil, para preservação da Amazônia. A ministra, que governa um país onde o respeito ao dinheiro público é sagrado, ainda foi além: mostrou preocupação com o combate à corrupção e os rumos da Lava Jato.

Numa situação normal, o presidente e sua equipe deveriam ter avaliado melhor a oportunidade da viagem à Europa. Resultado: de lá voltou com gestos sem consistência (como o brado contra a corrupção ao lado de Putin), micos (trocou Noruega por Suécia em plena cerimônia oficial), puxões de orelhas (ao ser cobrado sobre o combate à corrupção) e perdas (menos dinheiro para a Amazônia).

Qualquer avaliação minimamente profissional veria que era a viagem que não poderia ter sido feita. Mas talvez os profissionais da política que cercam Temer tenham avaliado que, lá fora, fariam o mesmo discurso que repetem aqui, apresentando um Brasil cheio de normalidade e que já deixou a crise para trás.

Temer talvez não tenha se dado conta de que o mundo é muito diferente do estreito círculo de poder recheado de áulicos. E que, lá fora, os ouvidos não são tão tolerantes quando os daqueles que povoam os corredores do Palácio do Planalto.

Proposta de financiamento de campanha favorece grandes partidos


Romero Jucá: proposta de fundo eleitoral de R$ 3,5 bilhões que beneficia os grandes partidos

 

Começa a ganhar corpo uma mudança crucial que o Congresso Nacional fará com vistas às eleições de 2018: um acordo entre 7 dos principais partidos brasileiros aprovou um esboço do modelo de financiamento, que será público. E o desenho da proposta favorece os grandes partidos, com um olhar bem generoso em relação ao PMDB.

O acordo foi definido em reunião dos presidentes nacionais do PMDB, PSDB, DEM, PSB, PP, PR e PSD. O PT não esteve na reunião. Mas a posição do partido – não de hoje – é pelo financiamento público. Resta saber se criará dificuldade para a proposta que será apresentada já na próxima semana. Formalmente será uma proposta do senador Romero Jucá, presidente do PMDB, mas com aval dos demais partidos que participaram do acordo.

Como os partidos avaliam que não terão dinheiro para fazer campanha em 2018, a ideia do financiamento público predomina na Câmara e no Senado. E a proposta de Jucá vai formalizar a criação de um Fundo Eleitoral. Nos cálculos do senador, o Fundo será de uns R$ 3,5 bilhões. Basicamente recurso a ser definido no Orçamento Geral da União para o ano eleitoral.

O que chama atenção mesmo na proposta de Jucá é a distribuição dos recursos:  

— 70% com base na representação parlamentar na Câmara dos Deputados;
— 25% com base na representação parlamentar no Senado;
— 5% igualitariamente entre os partidos aptos a disputar as eleições.

Hoje, a proporcionalidade (por exemplo, para distribuição do tempo de TV) leva em contra a representação partidária na Câmara. A proposta de Jucá assegura um lugar diferenciado para o Senado. Ao estabelecer a distribuição de 25% dos recursos segundo a representação do Senado, cria uma discrepância, já que a Câmara Alta tem apenas 13,6% dos membros do Congresso.

Outro efeito importante desse privilégio do Senado é que concentra a distribuição desses 25% em torno de poucos partidos. E o PMDB de Jucá é o grande beneficiado. Se na Câmara seus 64 deputados representam 12,5% da Casa, no Senado os 22 senadores significam 27,1% do colegiado. Nada mal na hora da distribuição do bolo eleitoral.

 

Outra medida é adoção do Distritão

Outra mudança praticamente acordada entre lideranças partidárias no Congresso é a adoção do “distritão” para o ano que vem, e só para o ano que vem. Em 2022 seria introduzido o voto distrital misto.

O distritão desconsidera partidos e considera eleitos os candidatos a deputado (estadual e federal) mais votados nominalmente. Na prática, tende a beneficiar quem já é dono de mandato. É muito criticado por fortalecer o candidato em detrimento dos partidos. E pode ter como efeito uma fragmentação ainda maior do sistema partidário: em 2018 corremos o risco de eleger representantes de mais de 30 partidos. Uma tragédia para a governabilidade.

Se o distritão for mesmo adotado, outras discussões serão esquecidas, como a cláusula de desempenho ou as coligações proporcionais. Como o coeficiente partidário não será levado em conta, esses mecanismos perdem qualquer sentido.

PEC cria 'recall' que revoga mandato presidencial. Funcionaria?

Antônio Anastasia: relator da PEC que cria a possibilidade de proposta popular revogar o mandato do presidente


A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado aprovou ontem Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que cria um novo mecanismo no Brasil: um “recall” em que o povo pode decidir revogar o mandato do presidente da República. A proposta tenta corrigir duas fragilidades do sistema político brasileiro: a baixa participação cidadão nas decisões da Nação e a instabilidade que, quando um governo vive uma crise, alonga essa crise de forma quase interminável.

Em tese, a ideia é interessante. Mas fica a pergunta: se aprovado mesmo, vai funcionar?

A PEC original do senador Antônio Carlos Valadares (PSB-SE) estabelecia a possibilidade de amplo “recall”, também alcançando governadores, prefeitos, senadores e deputados. Mas o relator da matéria na CCJ, senador Antônio Anastasia (PSDB-MG) limitou apenas ao cargo de presidente. E assim foi aprovado o texto que agora vai para o plenário da Casa.

Conforme o texto aprovado, a concretização do “recall” passa por três etapas fundamentais e não tão fáceis de serem alcançadas.

Assinatura 10% dos eleitores: para ser recebida, a proposta popular precisa da assinatura de pelo menos 10% dos eleitores que compareceram ao último pleito. As assinaturas precisam ser distribuídas em pelo menos 14 estados e não menos de 5% em cada um deles.
Maioria Absoluta no Congresso: acolhida a proposta popular, precisará ser aprovada pela maioria absoluta da Câmara e do Senado, em votações separadas.
Referendum Sobre a Proposta: passada esta fase, aí então será feito um referendum para que a maioria dos brasileiros concorde ou não com a revogação do mandato.

 A menos complicada dessas etapas seria a consulta popular, para o brasileiro dizer sim ou não. A mais complicada é exigência da assinatura de 10% dos participantes da eleição que deu o mandato ao presidente questionada. Não é fácil. Em 2014, 115 milhões votaram no primeiro turno. Portanto, 10% desse total seriam 11,5 milhões assinaturas. Quase impossível, sobretudo porque essas assinaturas iriam ser questionadas – e precisariam ser conferidas.

Também não seriam nada fáceis as duas votações no Congresso. Produziriam uma guerra entre grupos políticos. E talvez gerassem mais instabilidade política, levando a um resultado oposto ao pretendido pela PEC.

Tem mais um detalhe: a proposta de revogação não poderia ser feita nem no primeiro nem no último ano do mandato. Na realidade de hoje, com mandato de quatro anos, esse direito só poderia ser exercido no segundo e terceiro ano. Se contar a morosidade do Congresso, pode ser que esta seja uma proposta para dar notícia e nada mais.

Se os deputados e senadores querem mesmo pensar em consertar o sistema político brasileiro, uma boa ideia é repensá-lo inteiramente. Os remendos não têm funcionado bem. Muitas vezes, mesmo cercados de boas intenções, terminam dando validade àquele venho ditado: a emenda sai pior que o soneto.

Júlio Arcoverde faz cirurgia e suspende agenda política


Júlio Arcoverde: cirurgia faz deputado suspender agenda até a próxima semana

 

O deputado Júlio Arcoverde, presidente estadual do PP, foi submetido onde a uma cirurgia de hérnia inguinal. A cirurgia é simples, mas o pós-operatório cobra repouso. E o deputado terá que esperar a próxima semana para voltar às atividades normais.

Em razão da cirurgia, Júlio Arcoverde suspendeu toda a agenda que tinha programada para esta semana e também viagens que faria no próximo final de semana. Segundo informou o próprio deputado, a agenda política será retomada a partir de terça-feira.

Votação da Reforma Trabalhista mostra problemas do governo


Marta Suplicy e Ricardo Ferraço: amarga derrota com a Reforma Trabalhista em comissão do Senado

 

Poucas horas depois de desembarcar na Rússia, o presidente Michel Temer não conseguiu receber bons sinais do Brasil. Muito pelo contrário. Na manhã de ontem, a Comissão de Assuntos Sociais (CAS) do Senado mostrou que Temer pode estar sofrendo importantes abalados onde mais tem demonstrando força: no Congresso. E isso não é boa notícia para a votação das reformas patrocinadas pelo governo.

Foi uma sessão de muita confusão, para apreciação do relatório do senador Ricardo Ferraço (PSDB-ES). A presidente da Comissão, senadora Marta Suplicy (PMDB-SP) mostrou-se irritada e bateu boca com membros da oposição. Foi chamada de autoritária. E não se importou, impondo o ritmo que queria. Mas no final das contas Marta e Ferraço amargaram importante derrota. Uma derrota de todo o governo.

 Sorte que a votação da reforma Trabalhista aprovada na Câmara e em apreciação no Senado, está na fase de comissões. Na CAS, o governo apostava em um placar de 12 a 7. Deu 9 a 10 – derrota que não era esperada. O Planalto respira porque, apesar do revés na comissão, a matéria pode seguir tramitando. Agora vai para a Comissão de Constituição e Justiça e para a de Assuntos Econômico. Depois para o plenário.

O resultado não abalou o discurso otimista dos governistas, que se mantêm confiantes. O próprio presidente, já em Moscou, disse que a votação de ontem não tem grande importância. O que vale mesmo é o placar do plenário, onde espera ganhar com folga. Vale lembrar: também esperava ganhar com folga na CAS. E não foi assim.

Dos votos contrários à reforma trabalhista, um saiu do PMDB e outro do PSDB. Chamou muita atenção o voto do tucano Eduardo Amorim (SE), já que o PSDB se mostra empenhado pela aprovação das reformas mais até que o PMDB, partido de Temer mas historicamente dividido sobre todo e qualquer assunto. O voto de Amorim evidencia que a unidade tucana está quebrada.

Isso quer dizer que Temer pode esperar mais trabalho nos próximos estágios da tramitação, com atenção redobrada para a votação em plenário. O governo pode até contar vantagem antecipada. Mas não pode dormir no ponto, como ontem: algumas ausências permitiram que suplentes da comissão votassem. E votassem mais ou menos livres. Deu no que deu.

O resultado vai mostrando que as seguidas crises do governo Temer passam fatura. E podem ser fatais na votação da reforma da Previdência, que o governo considera a mais importante. A reforma da Previdência não passou sequer pela Câmara, e divide opiniões. Hoje, ninguém é capaz de garantir que o governo terá os votos de 308 deputados.

Se passar na Câmara, a tramitação no Senado será outra guerra. E novos cálculos precisarão ser feitos.
 

Votos do Piauí: um Sim e um Não

O Piauí tem dois senadores que integram a Comissão de Assuntos Sociais: Elmano Ferrer (PMDB) e Regina Souza (PT). Os votos se dividiram. Elmano votou pela aprovação da reforma. E Regina votou contra.

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