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Evaldo Gomes e Ravenna Castro discutem 'Chapinha'

Deputado Evaldo Gomes e advogada Ravenna Castro: PTC e PMN devem marchar juntos nas eleições de outubro

 

O deputado Evaldo Gomes, presidente estadual do PTC, está disposto a consolidar e ampliar a “Chapinha”, aliança de pequenos e médios partidos que vão disputar juntos vagas na Assembleia Legislativa e na Câmara dos Deputados. As conversações mais recentes são com o PMN, através da presidente da sigla no Piauí, a advogada Ravenna Castro.

Ravenna e Evaldo estiveram conversando na tarde desta sexta-feira. “Foi uma conversa nuito positiva, a soma de vontades que buscam caminhos mais adirmativos para o Piauí”, disse o presidente do PTC. Segundo Evaldo, a soma de forças é importante para essas siglas, que passam a contar com possibilidades mais amplas de eleição de seus representantes.

A ideia é que o PMN esteja junto na “Chapinha”, aliança que pretende contar com uma meia dúzia de partidos nas eleições deste ano. O grupo deve ser uma segunda coligação proporcional de apoio à campanha de reeleição do governador Wellington Dias (PT).

Themístocles diz não ter pressa, e que definição só depois de abril

Deputado Themístocles Filho: sem pressa para a definição da chapa governista às eleições de outubro

 

O deputado Themístocles Filho, nome do MDB para compor a chapa de Wellington Dias (PT) como candidato a vice-governador, disse que não tem pressa para a definição da chapa. A declaração foi ao Acorda Piauí, hoje cedo na Rádio Cidade Verde, e contraria a manifestação de outros membros do partido, como o deputado João Madison.

No início da semana, Madison afirmou que o MDB deseja uma definição imediata sobre a composição da chapa majoritária. Chegou até mesmo a usar um tom de ameaça, lembrando ao governador que o partido tinha direito a maior tempo para propaganda eleitoral no rádio e TV.

Questionado sobre a pressa cobrada por Madison, Themístocles mostrou tranquilidade: “Eu tenho dito a meus amigos que tenham calma”. Segundo ele, tudo vai se definir no tempo certo. Disse ainda que não vê possibilidade de qualquer definição acontecer antes de 8 de abril.

A data é uma referência ao prazo para mudança partidária, que vai até 7 de abril. Themístocles avalia que não deve haver mudanças significativas até lá, mas há sempre a possibilidade de alguma mudança que produza impacto, o que leva à necessidade de se esperar. Só então estará definido o quadro partidário com vistas às eleições.

O deputado Themístocles Filho também falou sobre a relação com o PP de Ciro Nogueira, partido que – assim como o MDB – reivindica o posto de vice. Ele diz que mantém diálogo com Ciro, de quem se considera amigo.

Para ouvir a íntegra da entrevista de Themístocles Filho, acesse o arquivo abaixo.

 

Pré-campanha traz luta de candidatos por viabilidade eleitoral

Ciro Gomes: movimentação para se credenciar com opção em um segmento onde o PT dominou nas últimas décadas

 

Lançados oficialmente como pré-candidatos à Presidência da República, Rodrigo Maia (DEM) e Ciro Gomes (PDT) dão um passo decisivo no esforço de se viabilizarem como candidatos competitivos em seus espectros ideológicos. Não será uma tarefa fácil, nem de um nem de outro, já que dividem essa mesma intenção com adversários nada desprezíveis.

Maia tenta se firma como uma alternativa no segmento da centro-direita, procurando sensibilizar especialmente as forças que hoje orbitam em torno do governo Michel Temer. Já Ciro está no lado oposto, tentando se tornar receptivo às forças de centro-esquerda, em especial a que se posiciona mais claramente contra o governo Temer.

Rodrigo e Ciro fazem parte dos dois principais grupos que tendem a construir a competição eleitoral deste ano. Um terá que travar embate fratricida com o tucano Geraldo Alckmin; o outro com o candidato que o PT apresentar. A esses dois grupos se somam outros dois, cada um com seus trunfos e debilidades.

• CENTRO-DIREITA: Geraldo Alckmin, o nome do PSDB, ainda não conseguiu deslanchar: patina em todas as sondagens. É aí onde Rodrigo pretende crescer, atraindo os governistas e alguns centristas que não se deixaram encantar pelo tucano.
• CENTRO-ESQUERDA: Ciro Gomes vê difícil a situação do PT e lança afagos para o eleitorado lulista. Terá a dura tarefa de superar o candidato petista – que pode ser Fernando Haddad – para ser o representante desse segmento em um eventual segundo turno.
• ESQUERDA: nesse grupo, o nome mais palpável é o de Marina Silva (REDE). Tem bom recall das últimas campanhas, mas quase nada de suporte político – inclusive com exíguo tempo de TV.
• DIREITA: Jair Bolsonado (PSL) apresenta forte apelo popular. Mas tem os mesmos problemas de Marina: falta se ressonância política e um tempo de TV que, até agora, é quase nada. Precisa da pré-campanha para se viabilizar politicamente.

O desafio de usar a pré-campanha para se credenciar à eleição cabe a todos esses pré-candidatos. Uns para se firmarem no próprio segmento – caso de Rodrigo e Alckmin; e de Ciro e o petista que vier – e outros para contarem nas articulações. Dentro desse objetivo, vai-se ver, de março a junho, a peregrinação de pré-candidatos pelos estados.

Aqui no Piauí mesmo já há o agendamento das visitas de Rodrigo Maia, Manuela D’Ávila (PCdoB), Ciro Gomes e Jair Bolsonaro. Logo, logo os demais estarão chegando.

Toda essa movimentação é a preliminar do jogo principal, que será jogado mesmo a partir de 20 de  julho, quando começam as convenções que dizem quem efetivamente estará na partida decisiva.

Médica Lúcia Santos se filia ao PSDB e deve ser candidata

Dra. Lúcia Santos: importante liderança no setor médico do Piauí, ela agora entra no campo político-partidário através do PSDB

 

A médica Lúcia Santos, uma referência no setor médico piauiense, assina hoje ficha de filiação no PSDB. A solenidade foi escolhida a dedo: o Dia Internacional da Mulher. O evento está marcado para as 11 horas, no Plenarinho da Assembleia Legislativa.

Lúcia foi presidente do Sindicado dos Médicos do Piauí por 6 anos e segue como uma das lideranças centrais no setor médico do Piauí. No PSDB, ela poderá dar um salto maior, disputando uma cadeira de deputada. Ele já chega ao partido com duas bandeiras com as quais tem toda afinidade.

A primeira das bandeiras é a saúde, fruto da própria profissão que abraçou – e que conhece bem desde casa, como filha de médico. A outra bandeira é a causa da mulher, já que Lúcia Santos desembarca no ninho tucano como uma referência no segmento feminino, abraçando as causas que cobram um lugar de mais destaque para as mulheres.

O evento mostra que o PSDB deposita muitas esperanças na nova filiada. Tanto que a filiação não será na sede do partido, e dentro da Assembleia, em uma hora que permite maior presença de políticos e populares. Além disso, o partido está convocando para o evento indicando unicamente a filiação de Lúcia Santos.

Chega com status de estrela.

Brasil tem 12 assassinatos de mulheres a cada dia



Os dados são estarrecedores: 12 mulheres são assassinadas todos os dia no Brasil. Tomando-se as estatísticas de 2017, foram 4.473 homicídios, onde 946 representam feminicídios. Os números, especialmente esse último indicador, são um tradutor da realidade da mulher no país, onde predomina uma cultura machista e da violência.

Esses dados são do Monitor da Violência, que têm à frente o Núcleo de Estudos da Violência da USP e o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, em parceria com o Grupo  Globo. O levantamento divulgado hoje tem ainda algo mais terrível: o assassinato de mulheres está aumentando. Os números de 2017 são  6,5% maiores que os de 2016, quando foram contabilizados 4.201 homicídios – desses, foram 812 feminicídios.

O levantamento deixa claro que alguns estados ainda não fecharam os dados do ano passado. Isso significa dizer que os números podem crescer, aumentando a diferença em relação a 2016.

Integrantes do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Samira Bueno e Juliana Martins dizem que os dados são reveladores de uma brutal realidade. E cravam: não há o que comemorar no Dia Internacional da Mulher, amanhã. As duas pesquisadores utilizam estatísticas da Organização Mundial da Saúde para mostrar a situação do Brasil: no último relatório da OMS, o país é o 7º entre as nações mais violentas para as mulheres, em um universo de 83 países avaliados.

O balanço do Monitor da Violência deixa à mostra a escalada da violência contra a mulher, bem na contramão do discurso inclusivo e mesmo de leis que buscam assegurar mais proteção para elas. Na prática, as leis não estão conseguindo tudo o que se desejava, atropeladas por uma cultura que naturaliza a violência contra a mulher.

O Monitor da Violência traz alguns dados que merecem ser olhados para reflexão. Eis um resumo:

•  Mais homicídios: o Brasil teve 4.473 homicídios dolosos de mulheres em 2017, o que representa um aumento de 6,5% sobre 2016.
•  Feminicídios: do total de homicídios, 946 são feminicídios. Com um detalhe: esses dados são considerados subnotificado.
•  Mais feminicídios: em 2015, 11 estados não registraram dados de feminicídios. Já em 2017, só três ainda não tinham casos registrados.
•  Campeão de homincídios: Rio Grande do Norte é o que tem o maior índice de homicídios contra mulheres: 8,4 a cada 100 mil mulheres.
Campeão de femincídios: Mato Grosso é o estado com a maior taxa de feminicídio: 4,6 a cada 100 mil.

José Hamilton pode até deixar PTB, mas não sai do governo


José Hamilton: deputado diz que população não entenderia se passasse agora para a oposição  (FOTO: Assembleia Legislativa)

 

A filiação do ex-senador João Vicente ao PTB pode ter efeitos imediatos sobre a composição do partido. Um dos a atuais representantes da sigla na Assembleia Legislativa, o deputado José Hamilton, admite até sair do partido caso a entrada de João Vicente signifique uma guinada para a oposição.

Zé Hamilton preferiria deixar o PTB a sair do governo. A proximidade do PTB com o governo de Wellington Dias (PT) não se restringe ao representante de Parnaíba. De fato, todos os deputados que integram o sigla são governistas, a começar pelo deputado federal Paes Landim, o presidente estadual. Também seguem essa mesma linha os estaduais Janaína Marques, Nerinho e Liziê Coelho.

Nos últimos dias, em contato com seus aliados em Parnaíba, Zé Hamilton foi explícito quando à opção por seguir o governo nas eleições deste ano, independente da posição que o partido siga com a chegada de João Vicente. Foi aí quando deixou no ar a possibilidade de sigla.

João Vicente já tem data certa para retornar ao PTB: dia 6 de abril. O discurso do ex-senador é claramente de oposição, apontando fragilidades administrativas do governo de Wellington. Segundo João Vicente, falta um projeto para o Estado. Ele diz que o governo só tem projeto político.

Esse tipo de discurso não agrada aos atuais deputados do partido, todos governistas.

O deputado Zé Hamilton argumenta que a população não iria entender uma repentina mudança de comportamento e discurso dos parlamentares. “Fica uma situação bem difícil você passar quatro anos com um discurso e em pouco tempo mudar totalmente. A população é sabia e com toda certeza não entenderia essa mudança tão brusca”, afirmou.

O deputado diz que a intenção é permanece no PTB, desde que o partido mantenha o apoio à reeleição do governador Wellington Dias. ‘’Eu, com toda certeza, estarei ao lado do governador Wellington Dias, do senador Ciro Nogueira. E queria contar muito com o senador João Vicente em nossa chapa”, afirmou.

Rodrigo Maia muda data de visita ao Piauí

Rodrigo Maia: esforço para se credenciar como aklternativa dos governistas à Presidfência da República  (FOTO: Câmara dos Deputados)
 

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ) adiou a data da visita que fará ao Piauí neste mês de março. Inicialmente, a data marcada era o dia 10, próximo sábado. Mas a vinda de Maia deve ficar para sexta ou sábado da próxima semana.

A visita do presidente da Câmara ao Piauí atende a dois objetivos. O primeiro, visa afiançar a filiação de novos membros do DEM, no caso do Piauí, os deputados Heráclito Fortes e Átila Lira, que deixam o PSB; e possivelmente o deputado estadual Robert Rios, ainda no PDT. O segundo objetivo é catapultar a candidatura do próprio Rodrigo Maia à presidência da República.

Ontem, em Brasília, Rodrigo admitiu que terá seu nome lançado como pré-candidato à Presidência pelo DEM. O partido se reúne nesta quinta-feira para fazer alterações no estatuto. A ideia é promover mudanças que tornem as diretrizes da sigla mais sintonizadas com temas sociais, mesclando com a orientação econômica tão presente no texto atual.

Essa mudança visa atrair para o DEM nomes que se posicionam na centro-esquerda, como alguns egressos do PSB. Essas filiações são consideradas fundamentais para as pretensões eleitorais de Rodrigo, de olho no Palácio do Planalto.
 

Rodrigo tenta ser o candidato do governo

Ao se colocar como candidato à Presidência da República, Rodrigo Maia tenta ser atrativo a um segmento do eleitorado que ainda não demonstrou uma preferência: o setor de centro, com avanço tanto à direita como à esquerda. Para ganhar competitividade, Maia faz um discurso que abraça teses sensíveis ao mercado e procura agora agregar temática de impacto social, entre eles o tema da segurança.

O presidente da Câmara também tenta se credenciar como a alternativa do governo – ou, mais concretamente, do MDB. Os palacianos chegaram a sonhar com a candidatura de Henrique Meireles, que não conta com o apoio do próprio partido a que é filiado, o PSD. Também chegou-se a falar na candidatura do próprio Michel Temer, atropelada pela alta impopularidade e também por seguidas denúncias.

Na falta de uma opção mais palpável, Rodrigo quer ser a alternativa dos governistas, com o aval do próprio governo.

Pelo menos no tempo de TV, Temer pode sair na frente

Pouca gente é capaz de dizer se a candidatura do presidente Michel Temer (MDB) ao Palácio do Planalto é pra valer ou se é uma estratégia para limitar as decisões de aliados do governo. Ou ainda se, conforme a crença de muitos, não passa de uma piada alimentada por auxiliares desejosos de fazer um afago no chefe. Mas o que ninguém discute é que, se fosse (ou se for) candidato, Temer teria uma boa fatia do tempo de rádio e TC – o tesouro mais disputado neste momento em que os partidos se movimentam na encenação de alianças.

Tanta atenção ao cálculo do tempo no rádio e TV tem uma razão histórica: quem tem mais tempo para a propaganda eleitoral costuma se dar melhor nas disputas eleitorais brasileiras. Há, claro, casos de candidatos com pouco tempo que se deram bem nas urnas. Foi o caso de Lula em 2002. Mas, na mesma eleição, um desidratado José Serra (PSDB) cresceu precisamente nas costas do horário eleitoral e saiu de quarto para o segundo lugar, sendo derrotado apenas no segundo turno.

Este ano, acredita-se que a propaganda no rádio e TV terá menor peso, diante da campanha mais curta, da redução do tempo e também do crescimento de outros canais, em especial as redes sociais. Mas ninguém duvida que a centralidade da TV segue firme, o que alimenta a disputa por aliados que vão garantir tempo aos candidatos.

O tempo no rário e TVF é distribuído proporcionalmente à representação parlamentar dos partidos, criando um “top five”: MDB, PT, PP, PSDB e PSD. Quem tem esses partidos em uma aliança ganha enorme reforço no horário eleitoral. É aí que muitos colocam Michel Temer, se não como candidato, pelo menos como um aliado importante, na condição de controlador do MDB.

Se vier a ser candidato e atrair para seu grupo partidos como PSD, PP, PTB e DEM, Michel Temer poderia ter até a maior fatia de tempo – avalia-se que passaria de 5 minutos por programa. Em contrapartida, o vice-líder das pesquisas, Jair Bolsonaro (PSL), assim como Marina Silva (REDE), poderia ter meros 12 segundos na TV – menos do que Enéas em 1989. Como tempo (em tese) é voto, há uma enorme disputa pelo apoio de siglas do quilate de PP, PSD e PTB. Algumas delas, como o PTB, estão se encaminhando para apoiar o tucano Geraldo Alckmin. Mas não tem nada certo.

No campo da esquerda, o único que entra no “top five” é o PT, que vive uma situação bem diversa das três últimas campanhas, quando a força do poder inflaram o tempo de Lula e Dilma. Agora o PT tem poucas chances de construir uma grande aliança, até porque aliados naturais – como o PCdoB, PDT e PSOL – estão com candidaturas próprias nas ruas.

Mas cabe repetir outra vez: nada está definido. Muitos candidatos – como Fernando Collor (PTC) e Paulo Rabello (PSC) – vão se manter nas ruas até julho. Quando chega a fase das convenções, se não conseguirem se mostrar viáveis, podem mudar de estratégia e buscar alianças. Assim, poderão ter algum peso em um governo que carregue o carimbo de outra sigla.

Confira abaixo algumas possibilidades de soma de tempo em torno de algumas candidaturas, simulação feita pelo jornal Correio Braziliense. Vale lembrar, algumas siglas são contabilizadas em mais de uma candidatura, já que neste momento são objeto de encarniçada disputa política.

2018 promete ser a eleição dos rejeitados


Henrique Meireles e Michel Temer: dois dos líderes de rejeição popular no Brasil  (FOTO: Palácio do Planalto/Divulgação)
 

A eleição de 2018 se encaminha para ser a eleição dos rejeitados. Todos os candidatos apresentam maior índice de rejeição que o de intenção de voto. A tendência acaba de ser confirmada por pesquisa do instituto Ipso, realizada para O Estado de S. Paulo. Segundo a pesquisa, os candidatos de centro têm maior reprovação que aprovação. E boa parte segue a estela do presidente Michel Temer, com aprovação que não alcança dois dígitos.

A rejeição dos candidatos segue o clima de rechaço à política em geral. E a rejeição alcança a todos: Lula, Bolsonaro, Alckmin, Maia, Ciro, Meireles etc. Lula, por exemplo, sempre teve em torno de 35% das intenções de voto, mas cerca de 55% de rejeição. Claro, o clima pode mudar no correr da campanha, quando alguns senões são esquecidos em nome da escolha de um candidato que pode se dar tanto por afinidade como pela clássica opção pelo “menos ruim”. Ou seja: a rejeição de muitos pode cair na medida em que fica escondida por uma rejeição maior. O pior esconde o menos ruim.

Mas os dados estão aí, presentes. A pesquisa Ipso (que ouviu 1.200 pessoas em 72 municípios do País, entre os dias 1º e 16 de fevereiro) não estava preocupada em sondar intenção de voto. Faltando sete meses para a eleição, o Ipso abordava o eleitor assim: “Agora vou ler o nome de alguns políticos e gostaria de saber se o (a) senhor(a) aprova ou desaprova a maneira como eles vêm atuando no País”.

Os resultados não chegam a surpreender. O presidente Michel Temer (MDB) – que alguns auxiliares querem ver candidato – teve 4% de aprovação, com 93% de desaprovação. Em defesa do presidente precisa-se registrar que a pesquisa foi feita antes da intervenção no Rio de Janeiro.

Outro nome do governo que aspira ao Planalto, o ministro Henrique Meireles (PSD) não tem situação muito diferente: aprovação de apenas 5% dos entrevistados. Ao que parece, o eco da evolução do PIB não ressoa. Talvez o desemprego fale mais alto. Rodrigo Maia (DEM), que abraça teses parecidas às de Meireles, aparece com 4%. A favor dos dois, em comparação com o presidente Michel Temer, vale observar que há o amplo desconhecimento da população. Para o grande público, eles não existem, o que explicaria boa parte da rejeição.

Geraldo Alckmin (PSDB) tem uma aprovação cinco vezes maior que a de Maia: 20%. Em compensação, soma 68% de desaprovação. Jair Bolsonaro está um pouquinho melhor: 24% de aprovação. Mas a desaprovação é mais que o dobro desse índice, chegando a 58%. Pesquisas anteriores apontaram alto índice de rejeição para nomes como Ciro Gomes.

O resumo da ópera é: não escapa ninguém. Ainda que o clima de opinião se altere com o envolvimento emocional do eleitor no correr da campanha, o ponto de partida é óbvio: teremos uma campanha dominada pelos rejeitados.

Alckmin atrai partidos por apoio político e tempo de TV

Geraldo Alckmin: o governador de São Paulo tenta atrair aliados para fazer deslanchar candidatura  (FOTO: Governo de São Paulo/Divulgação) 
 

Desde quando o PT ainda estava no Palácio do Planalto, Geraldo Alckmin (PSDB) era visto como a alterna mais palpável do grupo então na oposição. A favor dele estava o fato de ser governador do principal estado (e reduto eleitoral) do país e a descrença em Aécio Neves – que caiu de vez em desgraça em maio do ano passado, com a delação da JBS. Mas Alckmin ainda não deslanchou como pretendente ao Planalto, e agora se esforça para somar apoio político.

Aparentemente, está conseguindo agregar apoios importantes, o que é uma má notícia para os que tentam se credenciar como alternaniva no centro do espectro político, como Henrique Meireles e Rodrigo Maia. Ao atrair siglas de grande e médio porte, Alckmin consegue somar musculatura política, atraindo para seu entorno lideranças fortes nos estados. Ao mesmo tempo, os apoios significam um bom aporte de tempo em rádio e TV, que vem se mostrando fundamental nas campanhas brasileiras.

Ainda há muita coisa a se definir, especialmente pela ação do Planalto, que tenta garantir um candidato do entorno de Michel Temer, dentro ou fora do MDB. Temer está usando a reforma política que acontece no final do mês como moeda: ficam no ministério os partidos sintonizados com o desejo palaciano de uma candidatura igualmente palaciana.

Por conta disso, nomes como Gilberto Kassab, que gostariam de dizer logo que apoiam Alckmin, têm que realizar um jogo de cena, fazer de conta que estão refletindo. Ainda que o cenário seja um tanto turvo, o tucano vai avançando nas articulações com diversas siglas.

• PSD – O partido tem um potencial candidato, o ministro Henrique Meireles. Mas Gilberto Kassab dá indicações de apoio a Alckmin. Também pensa em pedir a vice para Meireles.
• PTB – O partido de Roberto Jefferson, deixa claro que “o partido abriu todas as portas para Alckmin”.
• PPS – Com a desistência de Luciano Huck, Roberto Freire diz que a tendência é apoiar o tucano.
• SD – A sigla comandada por Paulinho da Força mantém conversações com Rodrigo Maia (DEM), mas está cada vez mais próxima do apoio a Alckmin.
• PV, PROS e PRB – As conversações estão em andamento e há indícios reais de que podem desembarcar em breve no ninho tucano.
• PR e PSC – Há um esforço de aproximação, ainda não materializado.
• PSB, MDB e DEM – Os socialistas estão divididos e a fatia que controla o partido pretende ir para a esquerda. Já o MDB espera ter um candidato para chamar de seu, mesmo que não seja do partido. Já o DEM tem a candidatura de Rodrigo Maia, que promete sair do lugar esta semana.

As articulações dão fôlego e horizonte a Alckmin. Mas deixam rusgas com potenciais aliados em um eventual segundo turno, como o MDB de Temer e o DEM de Rodrigo Maia.

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