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Agora é a hora do Brasil ganhar


Depois da despedida da Copa, é a hora do Brasil mudar o jogo, em especial em campos como saúde, educação e segurança 
 

Os brasileiros choraram a desclassificação da Copa, na Rússia. Não poderia ser diferente: é um dos poucos setores em que (neste acaso, ainda) somos de ponta, mundo afora. Mas há dois aspectos positivos na perda. O primeiro, a própria reação do brasileiro – a derrota não significou o fim do mundo; o Brasil já não se comporta como uma mera Pátria de Chuteiras que, fora da vitória, nada é possível. O segundo: sem a artificial euforia “rumo ao hexa”, agora o Brasil pode cuidar de seus problemas reais e urgentes.

É a hora do Brasil mudar o jogo e começar a ganhar – e ganhar naquilo que mais importa: saúde, segurança, educação, emprego etc.

E como acontece a cada quatro anos, sai a Copa, entra a campanha. Um momento crucial que não está sendo levado muito a sério nem pelos eleitores nem mesmo pelos candidatos, cujo único viés é o do resultado de 7 de outubro.

Os candidatos não discutem rumos, políticas públicas, soluções para nossas tragédias nacionais e locais. O termo “tragédia” pode parecer exagerado. Mas como tratar a realidade da segurança pública brasileira, que deixa mais de 60 mil mortes violentas a cada ano? Como nominar o caos no trânsito, que fulmina outras 40 mil pessoas nas ruas e estradas? Ou como qualificar uma saúde que deixa morrer milhares e milhares à míngua ou na angustiante lista de espera por uma cirurgia? E a educação, que coloca no mercado alunos que sequer sabem fazer as operações básicas de matemática, como rotulá-la?

Quase sem exceção, os candidatos não estão olhando para esses temas a não ser genericamente. Escolhem uma frase de efeito como slogan e a repetem à exaustão. Repetem que vão enfrentar o desemprego com o aquecimento da economia – mas não dizem como seria possível ativar a economia. Afirmam que vão melhorar a saúde com mais investimentos na estrutura e em pessoal – mas em todos os cantos, e sob todas as siglas, a saúde segue com estrutura precária (vide Evangelina Rosa) e condições de trabalho horríveis.

Na pregação dos candidatos, os problemas são só um discurso destinado a um eleitor que é, sim, também ele, só um detalhe.
 

Eleitor precisa ser mais que ‘um detalhe’

Se há um ponto frágil nessa relação representante (o político) e o representado (o cidadão), é o cidadão. Duplamente frágil, porque é olhado como um simples detalhe (um voto!!) e, também, porque o cidadão não se leva muito a sério. É uma cidadania, em boa medida, sem grandes cobranças, sem maiores horizontes e sem demandas minimamente elaboradas.

Os candidatos se apresentam sem propostas consistentes. Tudo se resume a um slogan publicitário. E o eleitor engole, às vezes com satisfação.

A campanha deste ano parece apontar um novo comportamento do eleitor, em grande parte disposto a anular o voto. A não votar em ninguém. Entende-se esse sentimento, diante de uma política que não produz resultados satisfatórios. Mas o não-voto talvez não seja a melhor opção, porque não traz novas alternativas.

O melhor mesmo é saber escolher. Procurar uma opção que nos leve para a direção sonhada. Se assim fizermos, o 8 de outubro pode ter um sabor bem diferente deste sábado, 7 de julho. O 8 de outubro pode ser o dia seguinte de uma grande vitória.

Uma goleada. E com o Brasil inteiro comemorando.

Elmano e Dr. Pessoa discutem estratégias de campanha


Elmano e Dr Pessoa, em reunião com Major Elisete e Jorge Lopes: estratégias visando ampliar base política para a campanha
 

O senador Elmano Ferrer (Podemos) e o deputado Dr. Pessoa (SD) se reuniram hoje pela manhã. No encontro, a discussão sobre as diretrizes da campanha, em especial as estratégias para a conformação de uma chapa politicamente mais robusta, com a incorporação de novos aliados. O grupo está de olho especialmente no cantor Frank Aguiar.

Elmano é candidato ao governo do Estado e Dr. Pessoa se apresenta como postulante ao Senado. Os dois buscam outros nomes fortes que assegurem maior competitividade à chapa pela oposição. Uma das possibilidades é ter Valter Rebelo (PSC) como candidato a vice de Elmano.

O grupo sonha ainda com a possibilidade de Frank Aguiar (PRB) como o segundo candidato ao senado. O nome de Frank ganhou maior ressonância após a pesquisa Cidade Verde/Opinar, em que o cantor aparece como o segundo colocado, depois de Wilson Martins (PSB). O PRB faz parte da base de sustentação ao governo Wellington Dias, mas Frank admitiu disputar o Senado pela oposição.

Essa possibilidade alimenta o sonho no lado oposicionista e Elmano Ferrer está atento ao que pode acontecer no lado governista.
 

Elisete e Jorge Lopes, candidatos a deputado

O encontro de hoje pela manhã entre Elmano Ferrer e Dr. Pessoa teve a participação da Major Elisete e de Jorge Lopes, ambos filiados ao Solidariedade. Os dois são pré-candidatos a uma vaga no Legislativo.

A Major Elisete deve disputar uma vaga na Assembleia, enquanto Jorge Lopes pretende concorrer a uma cadeira na Câmara dos Deputados.

Baixa cobertura vacinal é um escândalo na saúda pública

A saúde, no Brasil, é um grande problema. Mas cada dado que sai a respeito mostra que o problema é muito maior do que se imagina. É o caso da informação do Ministério da Saúde sobre a cobertura vacinal no país contra a poliomielite. Temos 312 municípios no Brasil que não alcançaram sequer 50% da cobertura de vacina contra a pólio. No Piauí, proporcionalmente, a situação é ainda pior, já que 31 dos 224 municípios piauienses não conseguem vacinar sequer 50% das suas crianças.

O dado é por si só um escândalo, porque mostra um descaso absurdo e generalizado em torno de um tema que deveria ser simplesmente trivial: vacinar a criança devia ser como escovar os dentes, uma tarefa corriqueira. O mais grave é que temos municípios com cobertura vacinal ao redor de 5%. Vale repetir, porque é inacreditável: conforme o Ministério da Saúde, apenas 5,38% das crianças do município de Gilbués foram vacinadas contra a poliomielite, em 2017.

Diante de dado tão arrepiante, cabe a pergunta: o que estão fazendo prefeitura, postos de saúde, escolas (sim, as escolas devem ser parte na formação de uma cultura preventiva)? Também vale perguntar: o que fazem os pais, tios e avós de crianças que não cobram a vacina, ou (se a vacina existe) não levam a meninada até o posto?

Vale notar que a orientação da Organização Mundial de Saúde é que a cobertura vacinal ideal deve ser de 95%. Abaixco disso, há risco de proliferação da doença. Portanto, essas cidades estão a uma distância abissal da meta recomendável. O problema é que esse descaso em forma de número não se resume a estatísticas. Ele se traduz em riscos: com imunização tão baixa, o vírus circula com mais facilidade e pode trazer de volta uma doença que já tinha deixado de ter registros há mais de duas décadas.

Como o caso é gravíssimo, vale conferir a relação das 31 cidades piauienses que sequer alcançam os 50% de cobertura vacinal. A lista pode, pelo menos, causar constrangimento e produzir reações a respeito desse absurdo.
 

Vacinação: os municípios campeões da ineficiência

MUNICÍPIO COBERTURA (%)
Gilbués  5,38
Dirceu Arcoverde 13,10
Morro Cabeça no Tempo  17,24
Jerumenha 18,39
Palmeirais 19,63
Luzilândia 26,82
Juazeiro do Piauí 28,17
Ipiranga 28,33
Sebastião Barros 29,23
Buriti dos Lopes 30,25
São Gonçalo 34,21
Cristalândia 34,51
São Francisco Piauí  36,00
Passagem Franca 36,59
Esperantina 37,63
São Raimundo Nonato  38,79
Manoel Emídio 39,73
Várzea Grande 40,48
Socorro do Piauí 41,46
Miguel Alves  41,94
Beneditinos 42,06
Padre Marcos  42,65
São Braz do Piauí 43,33
Jaicós 43,47
Santa Luz 44,58
Canto do Buriti  46,83
Riacho Frio  47,56
Pedro II  47,57
Monsenhor Hipólito 48,08
São João da Canabrava 49,12
Monte Alegre 49,41

As regras eleitorais só fortalecem os fortes


Moreira Franco: cúpula do MDB vai controlar Fundo Eleitoral e não deve sobrar um centavo para o presidenciável Henrique Meireles

 

Como quem anuncia uma grande decisão estratégica, o ministro das Minas e Energia, Moreira Franco, disse ontem que o MDB vai destinar recursos do Fundo Eleitoral prioritariamente para os candidatos do partido que tenham efetivas condições competitivas. A fala do ministro mostra o quanto o Fundo Partidário é mais um instrumento para fortalecer os que já são fortes.

Aliás, as regras eleitorais das últimas eleições têm cuidado em “ciscar para dentro”. Isto é: são regras que beneficiam os que já estão no jogo, prejudicando seriamente os novatos e, assim, a possibilidade de mudança. Mas possivelmente nenhuma outra regra foi tão camarada com os que “já estão aí” como as deste ano, aprovadas na mixuruca reforma política do ano passado. Tudo beneficia quem já está na elite política.

O encurtamento da campanha ajuda quem tem cargo e, portanto, visibilidade e recurso. Também o menor tempo de propaganda no rádio e TV prejudica quem já não é estrela. Por exemplo: quem disputa a reeleição – seja nos cargos de Executivo ou de Legislativo – levam séria vantagem. Para completar, tem o generoso Fundo Partidário, inteiramente controlado pelos caciques que já chefiam os partidos.

A Justiça Eleitoral até estabeleceu uma cota do Fundo para as mulheres. Reduz um pouco esse controle quase absoluto, mas não encerra com o essencial: a grana do Fundo fica na mão de poucos, que destinam os recursos para quem bem entendem, ou quase. A fala do ministro Moreia Franco é bem uma revelação disso.

Vale lembrar, esse Fundo – criado pela tal reforma eleitoral que definiu as regras para este ano – soma R$ 1,7 bilhão. Dinheiro público, rateado conforme a força dos partidos no Congresso. O MDB, por exemplo, terá uma fatia de R$ 234 milhões. É muita grana, que a cúpula do partido vai destinar a seus preferidos.

E, assim como o MDB, todas as demais siglas farão o rateio como bem entender. Foi com base nessa grana que muitos partidos incharam, às véspera do fim do prazo da janela de transferência.
 

Meireles está fora do jogo

A fala do ministro Moreira Franco sobre a fatia do Fundo Eleitoral que cabe ao MDB revela muito mais que o poder da cúpula partidária em definir como quer o rumo dessa dinheirama. Revela também que o MDB não aposta um centavo em Henrique Meireles, o pré-candidato da sigla à Presidência.

Ao falar que o MDB investiria nos candidatos viáveis, o ministro foi indagado se alguma parte do Fundo iria para a campanha de Meireles. A resposta de Moreira foi um rotundo “não”. Nem uma banda... E acrescentou: Meireles pode fazer sua campanha com seu próprio dinheiro.

A fala de Moreira Franco é um claro “te vira”. Ou, se preferir, um sonoro “não mexa no meu queijo”. Ou ainda um "vai catar coquinho".

Além de levar a paz, violência deixa muito prejuízo econômico


Sem segurança: Brasil gasta a cada ano com segurança o equivalente a 9 vezes o PIB do estado do Piauí

 

O Brasil vai se transformando em um triste campeão: o campeão da violência. A consequência mais sentida pelo cidadão comum é a perda da paz, da tranquilidade, do prazer de ir e vir. Mas as perdas impostas pela violência têm outros efeitos igualmente poderosos, ainda que a maior parte das pessoas simplesmente não se dê conta disso. Por exemplo, há as perdas econômicas. E não são poucas: segundo levantamento feito pela Confederação Nacional da Indústria (CNI),a violência causa um prejuízo de 5,5% do PIB nacional.

Transformando os índices em números, a CNI aponta um prejuízo anual da ordem de R$ 365 bilhões, resultado da violência. Desse total, R$ 101 bilhões são cobertos pelo poder público. Mas o setor privado tem uma conta mais salgada ainda: R$ 264 bilhões. Para se ter uma ideia do que representa toda essa dinheirama, o gasto total corresponde a 9 vezes o PIB do Piauí. Isto mesmo: o Brasil gasta 9 vezes toda a economia do Piauí com segurança. Como se percebe, um gasto sem o retorno esperado.

O Brasil segue como um dos países mais violentos do planeta. Temos, a cada ano, mais de 60 mil mortes violentas – número que rivaliza com o de países em aberta guerra civil, como a Síria. Mesmo estados como o Piauí, que está entre os menos violentos do país, têm índices de homicídios de estarrecer qualquer nação minimamente decente. Aqui, são mais de 20 mortes para cada grupo de 100 mil habitantes.

O mais grave nisso tudo é que tanta violência Brasil afora até assusta e gera críticas. Mas não chega a estarrecer, como de fato deveria. Cidades como Belém (Pará) registraram este ano mais de 40 execuções em um único final de semana. Salvador e Feira de Santana (na Bahia) tiveram registros semelhantes. Mas a violência está tão banalizada que fatos como esses quase nem são noticiados. Fazem parte do dia a dia. Estão dento da normalidade – triste normalidade.

A reação da população é se enclausurar. Os comerciantes dos bairros cercam seus estabelecimentos com graves, apartamentos cobrem os muros de câmeras e quarteirões inteiros contratam vigilância móvel. Tudo isso tira a paz dos cidadãos e leva uma boa parte de suas economias.

Para traduzir esse desassossego em valores, vale outra vez recorrer ao estudo da CNI. O gasto total com segurança – vamor lembrar, R$ 365 bilhões ou 5,5% do PIB nacional – é equivalente à economia produzida pelo setor da construção (5,2% do PIB), ou pela agropecuária (5,3%). É uma grana que supera tudo o que o país gera em divisas através da indústria extrativa-mineral (petróleo e minério de ferro) e de utilidade pública (água, esgoto e energia elétrica). Esses dois segmentos, somados, representam 4,5% do PIB brasileiro. Bem abaixo do que se gasta com segurança.

Apesar do tamanho do problema, a discussão sobre a segurança no país passa quase que somente pela estratégia do “prendo e arrebento”. Essa tem sido a estratégias das últimas décadas, sem efeito positivo. Está na hora do país refletir sobre esse tema tão complexo e que exige medidas em diversas áreas.

Se não for assim, o país continuará sem a paz que tanto sonha. E, também, dispendendo muitos recursos com retorno muito, muito limitado.

Elmano cogita se licenciar do Senado para focar a campanha


Senador irá discutir o assunto com a direção do Senado e do Podemos
 

O senador Elmano Ferrer (Podemos) cogita se licenciar do mandato para cuidar exclusivamente da campanha ao governo do Piauí. Elmano viaja hoje à tarde para Brasília, onde deve avaliar mais objetivamente essa possibilidade. 

Segundo disse à coluna, o senador vai discutir o assunto com seu núcleo de gabinete e com a direção do Senado. Na terça-feira ele vai a São Paulo, quando discutirá o assunto também com a direção do Podemos. 

A intenção de Elmano Ferrer é focar exclusivamente na campanha, providência que considera importante para ganhar a resposta popular que espera. Ele disse que a decisão de disputar o governo do Estado “não tem volta”.

O senador ressaltou que está muito preocupado com a situação do estado. “O Piauí está, administrativamente, acabado”, afirmou. Segundo ele, “o atual governo só fez política e esqueceu o Estado e o povo”. Para Elmano, o trabalho do próximo governador será gigantesco, no sentido de reorganizar o estado.

Temer não tem apoio nem fora, nem dentro da política


Michel Temer: sem apoio popular, o presidente agora vê desaparecer também o apoio político que tinha em boa parte do Congresso

 

Desde o início, o governo Michel Temer (MDB) era visto como uma espécie de parlamentarismo branco, informal, tanto era o peso dos grupos políticos no Congresso dentro da administração federal. Essa estreita relação era vista como a tradução da habilidade do presidente no trato com os políticos, sobre os quais conseguia manter uma forte liderança. A rejeição das duas denúncias da PGR revelaria essa força.

Mas é tudo coisa do passado, como mostra o índice de aprovação do presidente entre os líderes partidários: em uma escala de zero a 100, a aprovação é de menos de 7 pontos.

De verdade, o mundo político já praticamente deu baixa do governo Temer. Isto porque os políticos costumam ter dois olhares: o do presente e o do futuro. E o governo Temer não oferece nenhuma das duas perspectivas.

No presente, tem uma máquina desnutrida, sem grande capacidade de aportar ações que gerem dividendos políticos. Para piorar, tem a mais baixa popularidade dos presidentes, desde que se faz avaliação pública dos mandatários. Dessa forma, não funciona como cabo eleitoral, nem direto (Temer pessoalmente como avalista), nem indireto (a máquina ajudando).

Quando ao futuro, a situação é ainda pior. O horizonte de depois de dezembro não oferece um lugar minimamente destacado para o presidente Temer. O eleito de outubro provavelmente não terá nenhuma relação com Temer. Além disso, a perspectiva é que o atual presidente tenha muito trabalho com a Justiça, a partir de janeiro. Ninguém vai querer estar perto para defender o tal “legado”.
 

Lideranças viram as costas para Temer

Levantamento do Painel do Poder faz uma avaliação sistemática do humor dos líderes partidários no Congresso em relação ao presidente. O último indicador, divulgado na semana que acabou, ouviu 56 líderes. A aprovação do governo Michel Temer ficou em 6,9 pontos, contra 23,9 da avaliação feita em março.

Os líderes consideram que Temer perdeu seus trunfos, em especial aquele que mais alavancava seus indicadores: a relação com o mercado. Em março, os líderes davam nota 54 para a capacidade do presidente de “elevar a confiança do mercado”. Esse índice agora é de 43.

O resultado do levantamento mostra que o “parlamentarismo branco” de Temer acabou. E, junto, acabou o governo – do qual não se espera praticamente mais nada.

Há 5 anos as universidades federais perdem dinheiro


Financiamento em queda: universidades federais perdem recursos e comprometem as pesquisas 

 

Dilma deu a largada, e Temer não conseguiu interromper a corrida das universidades federais brasileiras para o precipício. Já em 2014, as universidades reclamavam a retenção dos repasses, problema que chegou ao ápice no primeiro semestre de 2016. Com a mudança de governo, alguns repasses foram recuperados, mas a tendência se manteve, com as federais vendo diminuir sua capacidade de financiamento do ensino, da pesquisa e de ações de extensão.

E os dados estão aí bem fortes para mostrar: em cinco anos, a verba para as instituições federais de ensino superior caiu 28%. O resultado é o agravamento de uma situação que já não era boa, apesar da expansão física verificada na década passada.

Os dados internacionais são claros: a universidade brasileira em geral não anda bem. Entre as duzentas melhores do mundo, temos apenas uma – a USP, e já lá na 118ª posição. Se a tendência não se reverter e os investimentos não crescerem, poderemos piorar. Por que? Ora, porque quando falamos em pesquisa nas universidades brasileiras, falamos fundamentalmente das universidades públicas, em especial as federais, além das estaduais paulistas (USP e UNICAMP à frente).

Se as federais pioram, a nossa fotografia fica mais embaçada ainda. E bota embaçada nisso!!

Segundo análise dos dados do próprio Ministério da Educação e do Ministério do Planejamento (que controla o orçamento), 90% das federais receberam em 2017 valor abaixo do recebido em 2013. Em 18 universidades, a redução do dinheiro levou, por exemplo, ao corte de terceirizados – em algumas dessas instituições, sem os terceirizados, alguns setores param.

Também há cortes de bolsas e auxílio aos estudantes, além do corte de apoio para que pesquisadores participem de eventos científicos.
 

Problema não é só falta de verba

Fazer pesquisa e, mais ainda, pesquisa de qualidade, exige dinheiro. E as universidades brasileiras reclamam da falta de recursos. Os dados mostram que há perdas substantivas. Mas os problemas da universidade brasileira não se resumem a isso.

Há alto índice de evasão, o que significa jogar dinheiro público fora. Os analistas também apontam falta de foco, com a ênfase (sobretudo nas públicas) no cumprimento de regras que levam não a boas descobertas, mas à simples promoção funcional. E isso leva a outro ponto altamente criticado: o divórcio entre o que a universidade produz e o que a sociedade anseia e carece.

Em outras palavras: a universidade se envolve consigo mesma e produz muito coisa que é festejada internamente, mas sem ressonância fora dos campi.

Marcelo Castro tenta ser o vice de Wellington


Marcelo Castro e Themístocles Filho, em reunião de ontem: desejo dos dois para eleição de outubro pode ser o mesmo cargo de vice 
 

Não foi uma, nem duas, nem três. Por diversas vezes o deputado federal Marcelo Castro, presidente estadual do MDB, disse que o partido pleiteia o lugar de vice na chapa de Wellington Dias (PT). Disse e também repetiu que o lugar caberia ao presidente da Assembleia Legislativa, Themístocles Filho. Os burburinhos palacianos, no entanto, apontam para outra situação: Marcelo gostaria de ser ele mesmo o candidato a vice.

A composição da chapa governista está longe de ser definida. Mesmo após o Progressista anunciar que não briga mais pela vaga de vice, o assunto acabou. E ontem foi o próprio governador Wellington Dias quem alimentou a indefinição sobre a chapa de situação, ao dizer que diversos nomes estão relacionados como alternativa ao Senado. Citou quatro nomes: Frank Aguiar (PRB), Júlio César (PSD), Regina Sousa (PT) e... Marcelo Castro.

A citação deixa a entender que o lugar do MDB não está definido. Deixa a entender que há outro nome emedebista na mesa – exatamente o do presidente do partido. E se Marcelo está com o nome posto, é razoável supor que não seja como postulante apenas à senatória.

Marcelo move as cordas para ser mais que o avalista de uma indicação emedebista. O lugar de vice está no horizonte.

O presidente do MDB faz questão de dizer que é o mais petista dos não-petistas, os de fora da sigla. Faz afagos sistemáticos a Wellington e aos correligionários do governador. Todo esse jogo é visto como um gesto muito mais que partidário, no sentido de estreitar a relação com o partido. Na verdade, tem como efeito principal fortalecer o próprio Marcelo como nome para a chapa majoritária.

A movimentação soa descompassada, levando-se em conta as repetidas entrevistas de Marcelo Castro. Mas uma mudança de discurso não seria novo na política, nem no MDB, nem mesmo para o deputado.

Themístocles que fique de sobreaviso.

Wellington ganha tempo para definir candidato ao Senado


Wellington Dias: na definição de candidaturas, governador repete estratégia de ganhar tempo, até levar decisão pronta
 

O governador Wellington Dias (PT) bem que vem sendo pressionado a decidir-se sobre a chapa majoritária para as eleições deste ano. Mas o governador repete a estratégia de sempre... e ganha tempo. Se valer o resultado de antes, tende a deixar os aliados sem alternativas, aceitando a opção que Wellington escolher.

Em conversa com Frank Aguiar (PRB), ontem, Wellington disse que definirá o segundo nome ao Senado em “uns 15 dias”. O prazo empurra a decisão para muito próximo do período das convenções, que se inicia em 20 de julho. Também empurra para próximo do encontro do PT que, exatamente na véspera do começo desse período, vai decidir oficialmente sobre temas fundamentais do processo.

Talvez seja precisamente esta a principal preocupação do governador: domar o PT; fazer com que seu partido aceite decisões que não são propriamente do agrado da maioria dos petistas. O PT quer chapa pura na disputa pela Assembleia Legislativa. E quer Regina Sousa candidata ao Senado. Pode ser que as circunstâncias leve Wellington a decidir-se com teses diversas: o chapão na disputa proporcional e um nome fora do partido para a segunda vaga de senador.

A estratégia de ganhar tempo já deu certo em relação aos Progressistas, que desejavam manter Margarete Coelho no posto. O PP terminou engolindo, sem maiores contrapartidas, que terá apenas uma vaga – a de Ciro Nogueira, candidato à reeleição.

Agora é a vez de empurrar com a barriga a disputa pela segunda vaga de senador. Segundo o governador, há diversos nomes. E cita quatro: Frank Aguiar, Júlio César (PSDB), Marcelo Castro (MDB) e Regina Sousa. Soa estranho o nome de Marcelo, já que a crença geral é que o MDB ficará com a vice, em nome de Themístocles Filho. Também soa estranho o nome de Regina Sousa, se for levado em conta o critério usado pelo próprio Wellington para fazer o PP desistir da vice: nenhuma sigla terá duas vagas na chapa majoritária.

Se for assim, a disputa está mesmo entre Frank Aguiar e Júlio César.

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