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O povo sempre paga as campanhas, com ou sem Fundo Eleitoral

O Congresso discute com fervor a reforma política, que será aprovada até o início de outubro. E vai decidir, entre outras coisas, sobre o sistema de financiamento das campanhas – ou mais precisamente da próxima campanha, já que as reformas políticas aqui costumam valer mesmo para uma ou duas eleições. E a discussão sobre financiamento ganha calor pela criação do Fundo Eleitoral, formado com dinheiro público.

É o dinheiro do povo no bolso dos políticos, resumem de forma simplista alguns críticos.

O que não tem se dito às claras é que, pelo menos no Brasil, é mesmo o povo quem banca as campanhas eleitorais. Consciente ou não. Autorizando ou não. De forma lícita ou não. É o cidadão quem vem há anos bancando as campanhas – e coisas muito piores.

Os modelos de financiamento são basicamente três: o público, onde os recursos destinados pelo Estado bancam os partidos; o privado, onde empresas e cidadãos financiam os partidos e candidatos, sem recursos públicos; e o misto, que mescla parte dos dois modelos anteriores.

Pode-se dizer que, no Brasil, o financiamento da política (e aqui não usei o termo campanha) sempre se deu a partir das duas fontes. O Fundo Partidário, dinheiro que os partidos recebem para manter suas atividades mesmo em anos não eleitorais, é dinheiro público. O Orçamento deste ano contempla mais de R$ 800 milhões para esse Fundo. Também é público o tempo que os partidos usam na TV, na campanha ou nas inserções não-eleitorais, já que as emissoras têm uma dedução fiscal por uma parte do tempo cedido.

Nas campanhas especificamente, até 2014 vigorou o financiamento privado: os candidatos que procurassem empresas e conseguissem doações. Mas, agora sabe-se em detalhes, esse dinheiro terminava mesmo sendo dinheiro público. E da pior maneira: em propinas, em obras superfaturadas, em dinheiro de governo (portanto, do povo) que escorregava pelo subterrâneo da vida política até destinos diversos como a compra de partidos, de liderança e também contas em paraísos fiscais.

Os valores envolvidos nessas transações eram (ou são) simplesmente astronômicos. A Lava Jato tem revelado depoimentos em que delatores falam de centenas de milhões como se falassem de uma gorjeta dada ao atencioso garçom do restaurante.

Sob o aspecto dos valores, o Fundo Eleitoral em discussão no Congresso – de R$ 3.6 bilhões – até que pode não ser tão absurdo, se compararmos com os prejuízos da Petrobrás no vendaval de corrupção que por lá passou. Há cálculos que avaliam que o rombo na petroleira foi 8 vezes o valor do Fundo proposto. Tudo dinheiro do povo.

O problema, no entanto, está mesmo em dois aspectos: o valor efetivo das campanhas e a transparência dos recursos utilizados.

O modelo brasileiro, de grandes distritos (cada Estado é um distrito), de lista aberta e de personalismo que aplasta ideologias e partidos, encarece as campanhas. Outra: a transparência é quase inexistente e nem o Fundo Eleitoral, com dinheiro oficializado, traz alguma garantia de que ela vá existir no futuro.

O mais provável é que, nas eleições de 2018, haja o Fundo Eleitoral e o velho caixa 2 das doações privadas. O caixa 2 será obviamente subterrâneo como sempre, pois é a essência da contabilidade paralela. E o dinheiro público do Fundo terá uso privilegiado de algumas lideranças mais destacadas de cada sigla.

Se for assim, a mudança pode até assegurar os recursos que os candidatos viram escassear com a crise e o novo modo oficial de financiamento. Mas não vai mudar a essência das campanhas, onde o dinheiro de qualquer origem tem força. Da mesma forma, o pós-eleição tende a ser a velha fase de contrapartida. Não a contrapartida do eleitor, mas a dos que meteram a cara na campanha e... a mão no bolso.

Nove em cada dez prefeituras têm situação fiscal crítica, diz estudo

Que as prefeituras brasileiras passam por um grande aperto, não há nenhuma novidade nisso. Mas dados de estudo feito pela Federação da Indústria do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) mostram que a situação nunca esteve tão caótica. Segundo o chamado Índice Firjan de Gestão Fiscal, 86% das prefeituras brasileiras estão em situação crítica. Praticamente 9 em cada 10.

No caso do Nordeste, os dados – referentes a 2016 – apontam uma situação ainda mais caótica: nada menos que 94,9% das prefeituras analisadas vivem uma realidade bem crítica. E pode ser pior: o estudo da Firjan foi feito nas cidades com dados disponibilizados via portal de transparência. É provável que a falta de transparência alcance exatamente municípios em situação calamitosa.

A situação tem dois ingredientes importantes: a queda na arrecadação e o aumento com pessoal. Diante disso, as prefeituras são obrigadas a fazer ajustes nas contas. E com efeito gravíssimo. Por exemplo, nos investimentos: “Mesmo 2016 tendo sido ano de eleições, quando os municípios historicamente costumam investir 20% a mais, o volume direcionado foi inferior ao de 2015 em R$ 7,5 bilhões. Para se ter uma ideia do problema, 3.663 cidades investiram menos de 12% do seu orçamento.  No total, a média de recursos investidos foi de 6,8%, a menor dos últimos dez anos”, afirma a Firjan.

Ainda segundo o estudo, em 2016, “apenas 136 prefeituras conseguiram ter mais de 40% de suas receitas oriundas da arrecadação de tributos municipais, revelando que a dependência crônica de transferência de recursos dos estados e da União é outro fator agravante para a gestão fiscal das cidades”. Além disso, as despesas com pessoal sufocam as contas municipais. “Somente 30% do total das cidades conseguiram ter boa gestão da folha de salários, contra 575 que desrespeitaram o limite imposto pela LRF”, observa o relatório da Firjan.

Quanto ao Piauí, não tem nenhuma prefeitura entre as dez melhores, nem entre as dez piores. E emplaca três entre as 100 melhores posicionadas: São João, Pimenteiras e São Gonçalo. Teresina é sexta. Confira a lista das melhores do ranking de equilíbrio fiscal:

 

Hora de discutir o pacto federativo

Os dados do Índice Firjan chovem no molhado: mostra uma crise que todos percebem na cara e na pele; e que administrar (bem) um município, hoje, é quase uma tarefa heroica. O dado não mostra tão as clara, no entanto, uma outra verdade igualmente óbvia: é hora de discutir seriamente um novo pacto federativo.

A União concentra 59% das receitas do país, ficando os estados com 25% e os municípios com os restantes 26%. É um desequilíbrio grande, especialmente para muncípios que viram suas atribuições crecerem numa proporção muito maior que as receitas. O (esperado) fim da crise vai diminuir o caos. Mas só um novo pacto federativo vai resolver o problema de verdade.

PT recebeu mais em emendas que o PSDB, diz Heráclito


Heráclito Fortes: deputado apresenta dados que mostram PT com mais emendas que o PSDB
 

O deputado Heráclito Fortes (PSB-PI) abraçou com força a defesa do presidente Michel Temer (PMDB), seu amigo de longas datas. E cuidou de desqujalificar o discurso de que o presidente teria conseguido engavetar a denúncia da PGR na Câmara dos Deputados na base da compra de votos de deputados, através da liberação de emendas parlamentarea. Heráclito apresentou dados que apontam a liberação de emendas para partidos de todos os matizes, e onde o PT aparece mais beneficiado que o PSDB.

Ao ocupar a Tribuna da Câmara para tratar do tema, Heráclito mostrou números que colocam o PT como partido com o segundo maior volume de recursos liberados. Segundo o parlamentar piauiense, esses números se referem às liberações das últimas semanas.

De acordo com os dados, o partido que mais recebeu recursos de emendas foi o PMDB (R$ 651 milhões), seguido do PT (R$ 474 milhões). Vale lembrar, o PT não deu um único voto a Temer na votação da semana passada. Já o PSDB, que deu 22 votos e ainda contribuiu com quatro ausências, ficou em terceiro com R$ 443 milhões em emendas, conforme os dados de Heráclito.

Confira os valores em emendas liberadas, por partido, na lista apresentada pelo deputado Heráclito Fortes:

 

PMDB                — R$ 651 milhões;
PT                      — R$ 478 milhões;
PSDB                 — R$ 443 milhões;
PP                      — R$ 380 milhões;
PR                     — R$ 314 milhões;
PSD                   — R$ 305 milhões;
DEM                  — R$ 202 milhões;
PRB                   — R$ 164 milhões;
PDT                   — R$ 146 milhões;
Solidariedade    —  R$ 93 milhões;
PSB                   — R$ 68 milhões;
PCdoB               — R$ 69 milhões;
PPS                   — R$ 59 milhões;
PHS                   — R$ 40 milhões;
PROS                — R$ 39 milhões;
PV                     — R$ 29 milhões;
REDE                — R$ 26 milhões;
PEN                   — R$ 19 milhões; 
PSOL                 — R$ 15 milhões;  
Podemos           — R$ 4 milhões. 

Caso BR 135 reúne Ciro, Elmano e Marcelo em Bom jesus


Senador Ciro Nogueira; presença em Bom Jesus nesta sexta para discutir ações na BR 135

 

Os senadores Ciro Nogueira (PP), Elmano Ferrer (PMDB) e o deputado Marcelo Castro (PMDB) participam nesta próxima sexta-feira de reunião em Bom Jesus para tratar de uma solução definitiva para o problema da BR 135, que este ano já matou quase 40 pessoas. O encontro terá ainda a participação de representantes do DNIT, além de prefeitos e lideranças comunitárias e empresariais do sul do Piauí.

Segundo o prefeito de Bom Jesus, Marcos Elvas, a reunião será a partir das 8h30 da sexta-feira, na área de embarque do aeroporto do município. O prefeito diz que a situação da BR 135 é dramática e precisa de uma solução definitiva. “São vidas que se perdem, são dramas que se repetem”, afirmou Marcos Elvas.

A reunião da sexta-feira vai tentar acelerar as providências para melhorar a situação da BR que corta todo o sul do Piauí. A rodovia federal, com cerca de 600 km em território piauiense, tem um traçado antigo, é estreita e em muitos pontos não tem acostamento, além de haver desnível entre o leito da pista e lateral da estrada.

Em maio, lideranças do sul do estado entregaram um documento à bancada federal do Piauí no Congresso, pedindo providências para a rodovia. Em junho, o senador Ciro Nogueira conseguiu o empenho do próprio presidente Michel Temer para que fosse agilizada uma saída para a rodovia. Ainda em junho, a bancada esteve com o ministro do Planejamento, Dyogo Oliveira, buscando a garantia de recursos para implementação do projeto de ampliação da BR, orçado em cerca de R$ 350 milhões.

Nessa reunião, ficou definido um cronograma de ações emergenciais, com obras de melhorias em pontos críticos da estrada. O encontro desta sexta-feira pretende dar um passo a mais nas providências, daí a presença de representante do DNIT no encontro em Bom Jesus.

Distritão ‘é um horror’ para minorias, em especial as mulheres, diz Margarete


Margarete Coelho: crítica ao "distritão", que aponta como contrário às minorias

 

A vice-governadora Margarete Coelho (PP) criticou duramente a possibilidade de adoção do distritão nas eleições do próximo ano. Acordo entre lideranças no Congresso deve garantir a aprovação do distritão, que estabelece o voto majoritário para deputado: são eleitos os candidatos mais votados, independentemente de coligação ou partido.

Segundo Margarete, “o distritão é um horror” para a democracia e especialmente para as minorias. Observa que, com a mudança, a cota para mulheres não é possível, o que coloca o modelo na contramão das lutas femininas. Ela entende que o modelo beneficia figuras midiáticas – como jogadores e artistas – e quem tem posses, o que não necessariamente melhora a democracia.

Em entrevista ao Acorda Piauí, hoje cedo na rádio Cidade Verde, Margarete Coelho abordou diversos temas, como o financiamento público de campanha, o lobby na política e as críticas de deputados estaduais aos secretários que estariam usando a máquina pública com fins políticos.

Margarete também falou da proposta do presidente nacional do PMDB, Romero Jucá, que deseja ver o partido proibindo aliança com o PT e o PCdoB. E reafirmou a posição do PP de seguir com Wellington Dias nas eleições de 2018.

Para ouvir a íntegra da entrevista da vice-governadora Margarete Coelho, acesse o arquivo abaixo.

 

Romero Jucá abala aliança no Piauí: quer PMDB longe do PT


Rometro Jucá, em reunião com prefeitos piauienses: disposição de manter o PMDB longe do PT e do PCdoB

 

A notícia chegou em primeira mão através do Jornal do Piauí, na TV Cidade Verde, ontem. No programa comandado por Joelson Giordani, o presidente nacional do PMDB, senador Romero Jucá, foi entrevistado pelo correspondente da Cidade Verde em Brasília, Délio Rocha, após ter recebido o ex-ministro João Henrique Souza e 19 prefeitos piauienses. E Jucá não segurou a língua: disse que vai propor à Executiva Nacional do PMDB que tome a decisão de proibir o partido de se aliar em 2018 com o PT e o PCdoB.

Jucá não insinuou. Foi claro: quer o PMDB longe do PT e do PCdoB, partidos que – segundo disse – atrapalham o Brasil. A proposta será apresentada na reunião de setembro. Se for aprovada, vai abalar várias alianças Brasil afora. O Piauí é um dos estados onde boa parte do partido está junto do PT, e sonhando em manter a aliança em 2018.

O Piauí tem dois integrantes da Executiva Nacional. O próprio João Henrique e o deputado Marcelo Castro. Na representação piauiense, deve dar empate: João Henrique apoiando a proposta de Jucá; Marcelo contra. O resultado pode levar o partido para a oposição. Ou pode resultar numa debandada importante de membros do partido para outras siglas. Ou repetir um modelo já adotado pelo PMDB piauiense em 2002, 2006 e até em 2014: o partido formaliza uma candidatura, mas o grosso dos partidários apoia outra.

Seja como for, a manifestação do presidente nacional do PMDB já era o assunto central em boa parte das rodas políticas. Vai render assunto ainda algum tempo: pelo menos até a reunião da Executiva. Além disso, vale lembrar: esse não é um problema só piauiense.

 

João Henrique mostra força que poucos viam

Michel Temer e João Henrique, no centro da foto com prefeitos piauienses no Palácio do Planalto
 

O ex-ministro João Henrique, do time de amigos bem próximos do presidente Michel Temer, mostrou ontem em Brasília uma força que poucos enxergavam. Ele levou à capital federal 19 prefeitos, sendo 17 do PMDB, um do PP e outro do PSD. Primeiro colocou todos em uma reunião de mais de uma hora com o presidente do PMDB, senador Romero Jucá. Depois fez uma escolinha de gestão onde os prefeitos ouviram vários técnicos do partido. Por fim, coroou o dia com uma visita do grupo ao presidente da República em pleno Palácio do Planalto.

Não é pouca coisa. Tem prefeito que só terá na vida essa oportunidade de entrar no principal gabinete do terceiro andar do Planalto. E, pelo relato de prefeitos, foi um encontro cordial. Afável. O presidente à vontade e deixando os visitantes mais à vontade ainda.

Ao final, os prefeitos que lá estiveram mostravam uma satisfação de menino em dia de Natal. Mas quem mais sorria era mesmo João Henrique. Ele que se fez de Papai Noel para os 19 prefeitos, parecia ter ganho o melhor presente, ao mostrar que tem uma força política sistematicamente negada pelos adversários.

Secretários-candidatos criam clima ruim na aliança com PT, diz Tapety


Mauro Tapety: problemas com secretários-candidatos criam clima ruim na aliança do PMDB com PT

 

Tudo começou com um discurso do deputado Júlio Arcoverde (PP), que reclamou contra a segurança pública. Agora, a gritaria está aberta, e não são poucos os deputados estaduais da base aliada que estão reclamando da ação dos secretários pré-candidatos a um cargo eletivo em 2018. A reação dos aliados cria, pelo menos momentaneamente, um clima ruim na aliança com o governo comandado pelo PT.

O alvo principal são aqueles secretários-candidatos sem mandato, que buscam uma cadeira na Assembleia. Mas não só. O discurso de Júlio, há exatamente uma semana, atacava uma área onde estão dois gestores que se preparam para a disputar das eleições de 2018: Fábio Abreu (PTB), secretário de Segurança que deve buscar a reeleição para a Câmara Federal; e o coronel Carlos Augusto, o comandante da PM que é visto como candidatíssimo a uma cadeira na Assembleia. Outro alvo muito citado é Franzé Silva, da Administração.

Poucos esperavam um discurso crítico pronunciado por Júlio Arcoverde, que se portou nos últimos anos quase como um líder do governo Wellington Dias. A fala do presidente estadual do PP, no entanto, funcionou como uma senha para a reclamação geral. Aí apareceram outros, que deixaram a sutileza de lado, como Mauro Tapety e João Madison, os dois do PMDB.

Tapety foi explícito quanto ao descontentamento que, segundo diz, alcança até mesmo deputados do PT que não controlam alguma pasta de primeiro escalão. E advertiu que a ação ostensiva dos secretários-candidatos cria sim um clima ruim dentro da aliança do PMDB com o governo. Daí, pede uma reunião urgente do governador com os deputados.

Esse tipo de reclamação não é nova. Todo governo é acusado de privilegiar esse ou aquele candidato, pelo parentesco ou afinidade política e pessoal com o titular do momento no Palácio de Karnak. Mauro Tapety diz, no entanto, que alguns secretários estão passando da conta, com assédio explícito às bases de deputados aliados.

Para controlar o jogo, Wellington já disse que não estimula e nem tem interesse nesse tipo de conduta dos secretários. O governador não disse, mas também deve saber que terminará realizando essa reunião que os deputados cobram. E também é provável que termine aplacando a fúria dos aliados com duas medidas: um pedido de comedimento por parte dos secretários e, claro!, alguns afagos nos excelentíssimos senhores parlamentares.

Wellington já provou mais de uma vez que é um craque na arte de unir as diferenças e de driblar os desconfortos. Não por acaso está no terceiro mandato de governador. E quer chegar ao quarto exercendo essa mesma habilidade plenamente.

Clausula de Barreira já causa ajuste no sistema de partidos


Rodrigo Maia: pensando nas regras das futuras eleições, o presidente da Câmara já articula um novo partido

 

O Congresso tem o prazo de dois meses para aprovar a reforma política que vai definir as regras para as eleições do próximo ano. As mudanças devem ser poucas, mas uma delas promete impacto imediato no sistema político, em especial no quadro partidário que será obrigado a ficar mais enxuto por fusões e migrações.

Essa mudança é a Cláusula de Barreira – ou cláusula de desempenho, como desejam alguns –, que muda completamente as estratégias dos partidos e dos candidatos à Câmara e às Assembleias. E trata-se de um sistema que exige um percentual mínimo (o tal desempenho) de cada partido para assegurar, por exemplo, representação na Câmara dos Deputados.

Algumas propostas em discussão no Congresso exigem que, para ter representação, o partido tenha um mínimo de 3% dos votos nacionais, índice que deve ser alcançado também em pelo menos 9 estados. Se valesse em 2014, o resultado para a Câmara seria bem diferente: dos 28 partidos que elegeram pelo menos um deputado, só dez tiveram mais de 3% dos votos totais. Diante disso, se a Clausula prevalecer, os partidos têm que buscar fusões. Ou alguns deputados terão que migrar para partidos mais robustos.

A regra que exige um certo desempenho ainda não está assegurada na reforma, porque muita gente no Congresso prefere o Distritão, que torna inócua a exigência de uma barreira como piso de desempenho. Pelo Distritão, que é um voto majoritário, são eleitos os candidatos mais votados, independente de coligação ou voto de legenda.

Mas se o grosso do Congresso sonha com o Distritão, importantes lideranças mostram preferir manter o sistema atual, de voto proporcional. E se articulam para formar partidos mais fortes, uma condição imposta pela Clausula de desempenho. Essa reaglutinação deve acontecer tanto à direita quanto à esquerda.

As articulações de bastidor estão em curso. E algumas já dão mostras públicas das tratativas, como revelou em primeira mão aqui o deputado Heráclito Fortes (PSB-PI). Segundo Heráclito, um grupo com Rodrigo Maia (DEM-RJ) à frente já discute um grande partido de centro-direita. A nova sigla, se confirmada, terá egressos do DEM e descontentes de partidos como PSB, PSDB e PMDB.

A reaglutinação vai fortalecer os partidos e vai dar consistência ao sistema político, com menos atores na mesa da governabilidade. É possível que consiga oferecer um caráter mais ideológico à atuação de partidos e parlamentares.

É um caminho que os estudiosos do tema sempre defenderam, mas que os políticos teimaram em fugir dele, pelos atalhos do pragmatismo.

Crime Organizado pode ser o financiador das campanhas em 2018


General Etchegoyen: há o risco do crime organizado atuar como financiador nas campanhas de 2018

 

A presença do crime organizado na vida nacional é óbvia: há espaços em cidades como o Rio de Janeiro em que o poder público não entra. E quem quiser ter acesso à área, tem que pedir licença ao crime. Também é conhecido o esforço do crime organizado para estar presença em funções de decisão no setor público, em todos os três poderes. Mas a força do crime no setor político pode crescer ainda mais em 2018, em razão das regras de financiamento eleitoral.

Aqui cabe uma observação: de fato, o crime se mostrou muito presente na política, através de grandes empreiteiras e frigoríficos, que se estruturaram como verdadeiras corporações criminosas, financiando a maioria dos congressistas ilegalmente. Mas, aqui, quando nos referimos a crime organizado estamos falando das organizações clandestinas, que assaltam, matam, traficam. Verdadeiras máfias.

A possibilidade de um papel destacado dessas organizações mafiosas nas eleições do próximo ano foi acentuada pelo general Sérgio Etchegoyen, ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República. Antes dele, o presidente do TSE, ministro Gilmar Mendes, advertia para o risco de, nas eleições, só o crime organizado ter dinheiro.

Tanto Mendes quanto Etchegoyen estão chamando atenção para a mudança de regras, com a introdução do financiamento público das campanhas. A previsão é que o dinheiro seja escasso. Daí, a busca do dinheiro fácil pode levar muito candidato a ceder aos “encantos” dos criminosos. Ou dos criminosos deixarem de lado os intermediários e inventarem seus próprios candidatos, que terão o diferencial da grana farta.

O atrevimento do crime organizado ficou patente no ano passado, especialmente no Rio de Janeiro, quando vários candidatos a vereador foram assassinados. Descobriu-se que as mortes traduziam uma disputa eleitoral, sim. Mas revelavam especialmente a disputa por domínio: qual facção tinha chance de eleger o vereador de uma determinada área, implicando em força política e também no controle dos negócios da droga, por exemplo.

O alerta do general Etchegoyen é extremamente preocupante, sobretudo quando temos um país que pede para ser passado a limpo. De repente, podemos ter uma campanha em que o dinheiro sujo de sangue e envolvido com droga venha a ser o grande financiador de candidaturas, com chances efetivas de eleger um bom punhado de representantes populares.

Certamente não é a limpeza que o Brasil espera.

Dilemas seguram projetos do PSDB, no plano nacional e local


Aécio e Firmino, em foto de 2014: duas faces dos dilemas de hoje do PSDB no Brasil e no Piauí

 

Os PSDB vive um momento complicado, com dilemas que refreiam a discussão objetiva de cenário e estacionam a definição mais clara de projetos para o ano que vem. Os dilemas do PSDB não distintos no plano nacional e local, mas da mesma forma minam um tanto das forças da sigla com vistas às eleições de 2018.

No plano nacional, o dilema começa com um ser ou não ser governo, traduzido na votação de quarta-feira, quando os tucanos se dividiram ao meio. Essa dúvida se mistura com uma outra: a permanência ou a saída do senador Aécio Neves (MG) do comando do partido, situação embaraçosa desde as gravações da JBS. Indeferente, na última semana Aécio se reuniu com o presidente Temer, pediu votos contra a denúncia e ainda disse que vai seguir como presidente do PSDB, ainda que licenciado.

No outro polo do tucanato, Geraldo Alckmin pede que o partido rompa com o governo e até estimulou seus seguidores a votarem pela denúncia contra Temer. Para dizer o mínimo, essa discussão traz dúvidas sobre a convicção do PSDB sobre o combate à corrupção.

Tudo isso tem consequências junto ao cidadão que espreita a política e tenta encontrar um chão seguro em meio à areia movediça. E no embate de posições, fica a dúvida sobre que partido é esse e o que ele pode oferecer de alternativa para o país.

 

Firmino está ou não está com Wellington?

No plano local, também cabe a pergunta: o PSDB é governo ou é oposição? A pergunta cabe em razão da própria postura dos representantes do partido: salvo falas esporádicas e contidas do deputado Marden Menezes,  não se ouve voz de tucano contra o governo. Além disso, nomes muitos próximos do prefeito Firmino Filho – a começa por sua esposa, Lucy Silveira – foram instalados no PP, um partido aliado de Wellington.

Tal cenário lança dúvida (muita dúvida) sobre o rumo do partido em 2018. O time de Firmino poderá até estar no palanque de Wellington, ainda que com o carimbo PP. Especula-se até que Firmino pode ser candidato na chapa de Wellington, situação em que mudaria de sigla, porque oficialmente o PSDB não se aliaria ao PT.

Os dilemas tucanos podem até gerar uma nova simbologia para o partido. Historicamente o PSDB é associado ao “muro”, que traduz a incapacidade de decidir, de tomar um lado. Mas, tanto no plano nacional como o local, a sigla hoje se assemelha ao sujeito que chega na festa e toma duas cadeiras. Senta em uma, na mesa em que está. E coloca os pés na cadeira da mesa vizinha.

Quer ser parte das duas.

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