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Uma constituinte para passar o Brasil a limpo?


Robertônio Pessoa: defesa da Constituição de 1988, um texto bom em tempos desafortunados

 

A perplexidade nacional em meio à gigantesca crise política, econômica e ética, tem gerado uma certeza: algo precisa ser feito, sobretudo em relação ao sistema político, visto como falido pela maioria dos analistas. Mas, dessa reflexão geral em diante, os caminhos que surgem são os mais diversos. Entre eles, a ideia de uma constituinte.

Alguns juristas e/ou políticos têm abraçado a proposta de uma constituinte, ou uma constituinte específica para a reforma política.  Um dos políticos que concorda com essa ideia é o deputado federal Marcelo Castro (PMDB-PI). Um dos juristas é o ex-ministro do STM e também ex-deputado Flávio Bierrenbach.

Não é uma proposta pacífica, inclusive por que muitos consideram que uma constituinte ou é geral ou nã9o; não cabe uma específica para tratar da política.
A proposta parte da ideia de que o Congresso que está aí sofre com um enorme desgaste que coloca em xeque sua representatividade. E é complementada pelo entendimento de que o legislador que faz mudanças na legislação tende a fazer a opção que o beneficie, não necessariamente a melhor alternativa para o país. Daí a ideia de uma reforma a ser feita por quem não vai se servir dela.

Bierrenbach chega a atribuir à Constituição de 1988 a causa da crise política, já que a Carta Magna contempla tantos direitos que termina por gerar conflitos. O argumento do ex-ministro é categoricamente rechaçado pelo constitucionalista piauiense Robertônio Pessoa, doutor e professor da UFPI. Robertônio festeja nossa Constituição, que considera um bom texto, apesar de reconhecer a infelicidade do tempo em que ela vigora. O problema é contexto.

O professor Robertônio questiona a eficiência dessa constituinte específica. E acha que as mudanças devem ser feitas dento do Parlamento. Sim,. Um parlamento renovado no voto, porque o que está aí se insere dentro de um contexto em que a governança está sob o controle do capital. As delações de ex-executivos da Odebrecht são reveladores desse controle por parte do capital.

Os argumentos de Robertônio reforçam o debate sobre a proposta de uma constuituinte para a reforma política. Não é um debate tolo, inócuo. Ele se coloca como importante cenário para discussão das alternativas que temos pela frente. E essa discussão se faz mais importante ainda quando a alternativa que se coloca como mais factível é a de uma reforma que muda quase nada, e deixa tudo praticamente como está.

Certamente, esse encaminhamento que parece ser o mais provável não ajuda a passar o país a limpo.

Burocracia atrasa instalação da Fundação Hospitalar, e Pablo aguarda


Deputado Pablo Santos: esperando a burocracia para assumir a Fundação Hospitala do estado

 

A burocracia está atrasando a instalação da Funda Hospitalar, criada em março pela Assembleia Legislativa, aprovando projeto de iniciativa do Executivo. Até o momento, a Fundação sequer tem CNPJ e o deputado Pablo Santos, indicado pelo PMDB para ocupar a presidência do novo órgão, ainda espera para assumir de fato.

A criação da Fundação foi uma longa novela. O primeiro capítulo foi a reação de setores do PT, que relutavam em aceitar dividir a gestão da saúde estadual. Depois, a discussão envolveu as atribuições da Fundação, pois os petistas queriam que o novo órgão cuidasse apenas das unidades de saúde de Teresina. O terceiro capítulo veio na forma de um embate jurídico.

Esse embate se deu porque o deputado Pablo Santos queria garantias quando à possibilidade de assumir o cargo de presidente da Fundação sem por em risco o mandato. Como não é secretaria, era preciso que o novo órgão tivesse status de secretaria e que o presidente, status de secretário. Sem isso, o deputado estaria impedido de ocupar a pasta. Emendas à proposta do governo deram essa garantia.

Mas ainda havia novos capítulos, como a aprovação do estatuto da Fundação. Por fim aprovado, o estatuto precisa ser publicado no Diário Oficial o que deve acontecer ainda hoje, na edição a ser disponibilizada às 14 horas.

Terminou, então? Nada. Tem mais.

Depois de publicado, o estatuto precisa ser registrado em cartório. Aí então a Fundação poderá ser registrada como tal, passando a ter um CNPJ. Somente depois disso é que o órgão pode efetivamente funcionar. E isso pode significar mais uma ou duas semanas.

Para a coisa não ficar no marasmo da espera, o deputado Pablo Santos vem tomands as providências nos preparativos para a Fundação funcionar. Ainda hoje tem reunião com o secretário de Saúde, Francisco Costa, harmonizando as ações. Ao mesmo tempo, já cuida do espaço físico que ocupará uma estrutura na Avenida Kennedy.

Quando se tornar efetivamente presidente, quer que a Fundação Hospitalar funcione sem demora.

Feriado com ponto facultativo reduz vendas, reclama Sindilojas

Tertulino Passos, do Sindilojas: tentando reduzir "pontos facultativos" que reduzem movimentação na economia

 

O excesso de feriados com pontos facultativos entrava a economia, causando queda na atividade especialmente do comércio. É o que diz Tertulino Passos, presidente do Sindicato dos Lojistas do Comércio do Estado do Piauí (Sindilojas). Nos dias transformados em ponto facultativo nas repartições públicas, a queda de movimentação nas lojas é de 30%, com redução de 18% nas vendas.

Em entrevista ao Acorda Piauí, hoje cedo na rádio Cidade Verde, Tertulino disse que está negociando com o poder público para que seja revista essa prática de conceder pontos facultativos – uma situação particularmente grave em um estado como o Piauí, onde o setor público tem forte presença na economia. Segundo ele, a receptividade tem sido boa. Mas até agora não houve mudanças.

E as perspectivas para o comércio, este ano, é de mais impacto negativo, tantos são os feriados próximos ao final de semana, levando à adoção dos pontos facultativos. Neste primeiro semestre, a segunda-feira de carnaval e a quarta de cinzas foram facultativos para o servidor público – na prática, vira feriado estendido. Há ainda a previsão do dia 16 de junho, o dia seguinte a Corpus Christi. Também tende a ser facultativo.

Mas a situação fica mais complicada mesmo é no segundo semestre, com quatro feriados caindo em uma quinta-feira: 7 de setembro, 12 e 19 de outubro e 2 de novembro. Se for mantida a regra, os dias seguintes serão facultativos, criando quatro grandes feriadões no segundo semestre. Tem ainda o 16 de agosto e o 15 novembro caindo na quarta-feira, o que também quebra o ritmo da economia.

Não entra na reclamação do Sindilojas os feriadões provocados pelo 21 de abril (cai numa sexta-feira), do dia do trabalho (uma segunda) ou o 25 de dezembro (também uma segunda). Esses são feriados oficiais, não há ponto facultativo

De qualquer forma, os pontos facultativos mostram que é muita folga para um país que pede para crescer.

 

Aquecimento lento

O setor lojista está sentindo uma leve melhora nas atividades do comércio. Mas nada que seja para comemorar. Segundo Tertulino Passos, presidente do Sindilojas, há mais ânimo e confiança no consumidor, que está indo às lojas, consultando preços. Mas as compras ainda não reagiram como se esperava.

Nem mesmo os saques do FGTS provocaram o aquecimento esperado. Há, segundo disse Tertulino, uma queda na inadimplência, como se o dinheiro tivesse sido utilizado particularmente para pagar dívidas. Mas as compras são cresceram no ritmo projetado.

Essa situação se reflete nos postos de trabalho. “Ainda não é possível falar em novos postos de trabalho”, diz o lojista. Ele deposita a esperança de alguma elevação nas vendas por ocasião do Dia das Mães, mas as projeções não extraordinárias. “Vão ser pouco melhores que em 2016, que foi um ano muito ruim”, finaliza.

Reforma Política deve repetir anteriores. E não muda nada


Congresso Nacional: pronto para uma reforma política que não reforma e mantém privilégios

 

Parecia que o debate esquentava e que alguma coisa de consistente até poderia sair da discussão da reforma política. Mas os ânimos vão esmorecendo, ainda mais em meio a um Congresso que volta seus olhos para as conseqüências das delações de ex-executivos da Odebrecht, que deixam o mundo político em maus lençóis. E o que pode sair dessa reforma em discussão são uns poucos remendos, com mudanças pontuais e pouco expressivas. E alguns esforços até para piorar o que precisa ser melhorado de forma quase radical.

Ou seja: o esforço vai ser mudar para tudo continuar como está. Ou até mudar para proteger ainda mais o mundo político, sob a espada da Lava Jato.

De verdade, o que se avista como mudança não mexe em nada da essência de um sistema que se mostrou completamente falido, incapaz de oferecer governabilidade a não ser às custas de muita troca de favores e sangria dos cofres públicos.

O financiamento de campanha deve manter as restrições à doação de empresas – mas na eleição municipal passada não impediu o velho caixa 2. E pode até ficar explícita a descriminalização do caixa 2, numa espécie de anistia para os muitos envolvidos na Lava Jato.

O voto distrital deve seguir como um debate interminável e uma saída inaplicável. Sim, pode piorar, com a criação do “distritão”, que elege simplesmente os mais votados, independente de partidos – o que dá mais poder a quem já tem todo o poder. A lista (aberta ou fechada?), que provocou tanta discussão, seguirá aberta, já que mantém os caciques e uma eleição em que o eleitor vota num e elege outro.

Até algo que parecia uma boa saída, o fim da coligação proporcional, pode ter um remendo que anula o efeito. Sim, porque o fim da coligação pode ser acompanhado da introdução do sistema de federações partidárias. Na prática, as federações mantêm vivos os mais de 30 partidos existentes, a maior parte simples organizações caça níquel, candidatos a laranja em qualquer eleição.

Perdão pelo termo “caça níquel”. Não é apropriado, porque os escândalos têm mostrado que os valores envolvidos nessas transações estão longe de simples tostões. Longe de simples “níqueis”, porque entram em jogo milhões e milhões de Reais, tradutores da falência do sistema.

O que define o futuro do sistema político pode ser traduzido de maneira simples: a reforma política esbarra nos interesses imediatos dos parlamentares. Todos vão buscar a sobrevivência. E se todos estão dentro do sistema, vitoriosos, com mandatos, por que mudar o que (para eles) está dando certo?

Assim, a reforma de verdade, que mude substancialmente o sistema político fica para outro tempo. Inclusive talvez para nunca.

Não basta uma Base Curricular para mudar ensino, diz especialista


Professor Dutra, nos estúdios da Cidade Verde: Base Curricular é importante, mas não é tudo

 

O Brasil ainda não está preparado para a nova Base Nacional Comum Curricular (BNCC), a grande aposta para a transformação da educação fundamental no país. Quem garante é o professor Raimundo Dutra, doutor em educação, que considera a nova Base Curricular como um passo imprescindível para a transformação da educação brasileira, mas um passo que carece de complementos.

E, nesse aspecto, o país ainda não está preparado.

A BNCC estabelece “os direitos, os conhecimentos, as competências e os objetivos de aprendizagem para todas as crianças e adolescentes brasileiros desde a Educação Infantil até o Ensino Médio", conforme informa o próprio Ministério da Educação. Ou seja: será referência “obrigatória para a elaboração dos currículos nos estados, nos municípios, na rede federal e nas escolas particulares”.

Ou, como observar Dutra, estabelece rumos para que os estudantes das mais diversas regiões ou de escolas distintas tenham um aprendizado comum mínimo. Mas a concretização dos objetivos depende muito dos currículos definidos em cada escola ou rede educacional, bem como das condições de desenvolvimento do ensino.

Poder-se dizer, a BNCC define um ponto onde se quer chegar; e os currículos (e suas condições de aplicação) estabelecem os caminhos. É aí que o professor Dutra adverte: o Brasil ainda não está preparado para a nova BNCC.

O especialista diz que a Base Curricular que passa a existir é um passo fundamental, mas é só um passo. Para que seja efetiva, é preciso cuidar das condições de ensino (estrutura e equipamentos das escolas, por exemplo) e da qualificação continuada de professores. É uma nova realidade que exige um novo profissional – adverte.

Vale lembrar, a Base Curricular é parte de um esforço que pretende promover importantes mudanças no ensino fundamental brasileiro. Nas avaliações internacionais, como o PISA, o Brasil tem ficado sempre em posição vexatória. As avaliações mostram desconhecimento básico, por exemplo, da língua, traduzido na incapacidade para compreensão de textos elementares. Ou, também para a resolução de equações simples de matemática.

A mudança quer passar uma borracha nessa realidade. E promover uma educação mais eficiente, capaz de transformar e colocar o Brasil em outro patamar.

Reforma política pode ser para piorar, teme deputado Rodrigo Martins

Deputado Rodrigo Martins diz que Brasil precisa de reforma política profunda, mas ela pode não acontecer

 

Os escândalos da Lava Jato, explicitados de forma mais crua nas delações de ex-executivos da Odebrecht, deixam clara a falência do sistema político brasileiro. Diante disso, mudanças profundas precisam ser feitas. Mas as mudanças podem não ser significativas e não se pode desconsiderar, sequer, o risco de algumas alterações mudarem o sistema para pior.

Quem pensa assim é o deputado federal Rodrigo Marins (PSB-PI). Em entrevista hoje cedo ao Acorda Piauí, na Rádio Cidade Verde, ele foi categórico: “Precisamos fazer mudanças no modo de fazer política”. Defende o fim das doações de empresas, que alimentam esquemas como o da Odebrecht. Também é a favor da Lista Fechada. Mas reconhece que a possibilidade de mudanças substantivas é pequena.

Rodrigo Martins considera fundamental o fim do foro privilegiado, “no Brasil inteiro”. Perguntado sobre o movimento de envolvidos na Lava Jato, visando criar uma espécie de anistia para o caixa 2, respondeu que esse é um risco real. “Não duvido”, disse, afirmando que a pressão popular pode ser o antídoto contra esse tipo de articulação. “A sociedade não iria aceitar”, ressalta.

Reconheceu que as delações de ex-executivos da Odebrecht criam problemas para o funcionamento do Congresso e aprovação das reformas em tramitação: Previdência, Política e Trabalhista. “Uma delação como essa compromete qualquer tipo de debate”, diz, lembrando o número de parlamentares citados.

 

Rodrigo vê oposição forte no Piauí

Sobre as eleições do próximo ano, o deputado do PSB disse que enxerga com boas perspectivas as chances da oposição, no Piauí. Para Rodrigo Martins, a aliança formada pelo governador Wellington Dias (PT) não se sustentará até as eleições. Criticou o governo estadual, que não teria obras e tudo o que deveria dar continuidade, está parado.

Rodrigo criticou ainda a aliança montada por Wellington, que trocou cargos por apoio político. Mas, acredita, é uma aliança frágil que “não fica como está”. Além disso, acha que o cenário nacional terá influência nas disputas locais. Como exemplo, diz que não enxerga PMDB e PP em um mesmo palanque do PT. "Não ocupam o mesmo espaço", diz. 

Sobre nomes da oposição para disputa majoritária em 2018 no Piauí, acha que não será problema. E cita o ex-governador Wilson Martins, o ex-senador João Vicente Claudino e o deputado Robert Rios como alternativas ao governo do Estado. Também não descarta o nome do prefeito Firmino Filho. Para ele, a oposição será forte na campanha porque o sentimento popular é por mudanças no, Piauí.

Quantos 'Pastor-Laranja Everaldo' as eleições brasileiras aguentam?


Aécio e Pastor Everaldo: ao invés de adversários, amigos, irmãos e camaradas com as bênçãos da Odebrecht

 

Causou espanto, nas delações dos ex-executivos da Odebrecht, a revelação de que o Pastor Everaldo, candidato a presidente pelo PSC em 2014, não passava de um “laranja”. De fato, o Pastor encenando um teatro que atendia aos interesses de outro ator, no caso o tucano Aécio Neves. Mas é para causar tanto espanto a presença de laranjas nas campanhas brasileiras – as piauienses incluídas?

Se algum espanto possa causar de verdade a revelação é a afirmação de que a Odebrecht atribuía algum futuro ao tal Pastor. É mais crível imaginar que, ao despejar R$ 6 milhões nas contas de um político sem expressão, a Odebrecht queria mesmo agradar a outro cristão: o também evangélico Eduardo Cunha, que apresentou Everaldo à Odebrecht e se postulava como seu padrinho.

Em Cunha a Odebrecht enxergava futuro. Enxergava, portanto, a possibilidade de retorno. E Cunha mostrou ter futuro, ainda que por pouco tempo, chegando à presidência da Câmara. E é possível que, no posto, tenha facilitado algumas tramitações de matérias e obstruído outras, conforme o interesse da doadora.

Mas a Odebrecht sempre soube otimizar seus investimentos: impôs ao inexpressivo Pastor o papel de laranja, na estratégia de ser camarada com Aécio nos debates entre candidatos em rede nacional. Assim, o Pastor perguntava a ele, Aécio, e sempre perguntas feitas sob medida. Cabe até uma curiosidade: as perguntas também tinham a contribuição da Odebrecht, da mesma forma que teve na elaboração da famosa “Carta ao Povo Brasileiro” de Lula, em 2002?

Mas o papel de laranja, risonhamente desempenhado pelo Pastor Everaldo, não é novidade. Nem no Brasil. Nem no Piauí. Aqui, na eleição de 2014, recaia sobre um dos candidatos ao Senado a suspeita de que cumpria o papel de laranja. Não apresentava propostas. Atacava apenas um adversário. Ponto.

Ponto? Não. Vírgula!

Porque, conforme se dizia em qualquer roda era que atacava um único candidato só e somente só porque cumpria o papel de laranja de outro que se empenhava de verdade pela conquista do posto. Fácil provar? Não.

Da mesma forma sempre se desconfiou dos laranjas, inclusive os nacionais – tais como o Pastor Everaldo. Neste caso, desconfiava-se da suavidade que dispensava a Aécio. E precisou a delação da Odebrecht para evidenciar que as suspeitas eram reais. Que as conversas de mesa de bar tinham fundamento.

Os laranjas são filhos do sistema partidário onde a fabricação de siglas é mais fácil que a abertura de uma pequena empresa. E certamente rende mais. Muito mais, como deixam evidentes as delações da Odebrecht.

Fabrica-se partida como instrumento de negociata. Para uso do fundo partidário. Para troca de favores na eleição (inclusive como laranja). Para a venda de apoio aos governos.

Se quisermos mesmos reduzir essa negociata, é hora de diminuir o número de partidos.

Seria fácil. Basta uma cláusula de barreira. Ou o fim (de verdade) das coligações proporcionais. Mas aí vem a pergunta de sempre: quem (no Congresso) quer isso mesmo?

A persistir o quadro atual, não sabemos é quantos Pastor Everaldo as eleições brasileiras aguentam.

Prefeitos vão cobrar em Brasília solução para BR 135


BR 135: acidentes frequentes mostram necessidade urgente de mudanças na rodovia

 

Os prefeitos do Sul do Piauí vão cobrar, em Brasília, uma solução urgente para a situação da BR 135, que tem importância crucial para o transporte no Estado. A BR 135 se transformou num verdadeiro drama, concentrando a maioria das mortes em rodovias que cortam o Piauí e também quebrando o ritmo de crescimento da região sul.

A movimentação por uma solução para a rodovia começou com a Associação dos Prefeitos do Extremo Sul do Piauí (Ames), que no mês passado decidiu agir de forma ordenada e coletiva. Ao invés de pedidos isolados desse ou daquele prefeito junto a determinado congressista, está se desenhando uma ação conjunta. E ela se materializará de forma mais consistente durante da Marcha dos Prefeitos, que está marcada para os dias 15 a 17 de maio.

Os prefeitos piauienses vão ter um encontro com a bancada do Estado no Congresso. Querem que os deputados e senadores – todos eles – se comprometam com a busca de uma solução para o problema. E querem fazer isso com dados de todo tipo e vozes as mais diversas, defendendo a necessidade de alargamento da rodovia.

Por isso mesmo, o movimento que era setorial conta com o apoio institucional da APPM. E no encontro com os congressistas estarão representantes de órgãos como o DNIT – que tem projeto de duplicação mas não tem dinheiro alocado. Ou do superintendente da Polícia Rodoviária Federal, que pode ressaltar o drama da BR em número de acidentes e de mortes – mais der 80% dos óbitos em rodovias federais que cortam o Piauí.

Também estarão em Brasília representantes dos produtores dos cerrados, que poderão falar dos problemas de infraestrutura – que não se resumem à BR 135, mas em que ela é parte significativa. A 135 foi construída numa época que o sul do Piauí não conhecia nem soja nem os caminhões gigantes que a transportam. Precisa ser repensada.

Hoje, a BR 135 é estreita, quase não tem acostamento e, quando tem, há desnível de até 35 centímetros em relação ao leito da pista. Isto é: o acostamento vira arapuca; um convite ao desastre Daí, a proposta que vai ser apresentada aos congressistas é a de alargamento da rodovia.

Os prefeitos vão dizer: tem projeto; falta grana. E aí está o papel da bancada: pensar conjuntamente, agir coletivamente, assegurar recursos orçamentários da União e garantir a concretização de uma obra que será de grande valia para os piauienses. Inclusive os piauienses do Norte, que têm na BR 135 um canal de ligação com a parte sul do estado e com o centro-sul do país.

Sobra Judas neste Sábado de Aleluia. Pode escolher

Na Santa Ceia (criação de Da Vinci), Judas segura o saco de moedas: mais atento ao dinheito que ao pão da vida?

 

A tradição está aí, viva: Sábado de Aleluia é dia de malhar o Judas. E a tradição diz que cada um escolha o seu Judas mais representativo e vá à forra. Extravasar. O detalhe é que este ano as opções de Judas são bem maiores que nos anos anteriores, quando já eram tantas as alternativas.

Judas Iscariotes era, segundo os Evangelhos, aquele responsável por guardar a bolsa de dinheiro dos apóstolos. Um dinheiro que já tinha um fim público: comprar um terreno para ser transformado em Campo Santo, em cemitério para o povo. Mas o apóstolo desconsiderou o projeto comum e tratou de fazer seus próprios planos.

Ainda segundo os evangelhos, Judas confessa que apegou-se mais ao dinheiro que à missão que Jesus lhes atribuía. Não apenas apoderou-se do dinheiro do grupo como ainda tratou de conseguir mais: dedurou Jesus aos romanos por 30 dinheiros. Trinta moedas de prata.

Os escândalos vividos pelo país – não apenas o destapado pela Lava Jato, mas sobretudo – mostra que há Judas aos montes. Gente que assume um posto com uma missão e abandona tal missão por algum dinheiro, normalmente bem mais que 30 moedas. Gente que se corrompe, que se esbalda com o dinheiro que não é seu, que mente, dedura, trai.

Tem o representante popular que não representa o popular. Pra que maior traição que essa? E só aqui já são centenas de “malháveis” nesse Sábado de Aleluia. Só em Brasília são uns 600.

Tem o ministro que não ministra, e até deixa que um decreto onde vai colocar sua assinatura seja redigido pelo empresário poderoso. O ministro que descuida da bolsa de dinheiro do povo e a entrega a quem não devia

Tem o policial que recebe "o seu" para garantir a empresa, não as ruas.

Tem o sindicalista que leva um robusto trocado para fazer ou obstruir greves, fazendo renascer com força entre sindicalizados a expressão “massa de manobra”.

Tem o pastor que reza em outra cartilha, não a de Deus, e risonhamente se transforma em Homem Laranja em plena rede nacional de televisão, em um debate presidencial.

Tem até o índio que desmobiliza a aldeia para deixar que a empreiteira siga livre na construção da nova represa.

Sim, tem também a Carta ao Povo Brasileiro que na verdade era Carta ao Grande Empresário, feita com a empenhada colaboração de grandes empresários.

Tem escola que não ensina, hospital que não cura, segurança que não segura e um país que simplesmente não funciona. Ou pelo menos não funciona conforme a lógica que deveria funcionar. Porque, como se viu nos últimos dias, meses e anos, tem coisa que vinha funcionando muito bem.

Bem até demais. Para tristeza da Pátria subtraída. Traída – tal como Jesus pelo Iscariotes.

Vídeos de Odebrecht. Ou 'Não me subornaram, será que é o meu fim?'

Cazuza, ironia bem lembrada em tempos de Odebrecht: "Não me subornara, será que é o meu fim?"

 

Foi assim como os rojões de Réveillon: fazem um barulho danado, mas não assustam ninguém; são esperados. Mas com a enorme diferença de que não há beleza, muito pelo contrário. Ao invés de encantamento, uma sensação de asco.

Essa é mais ou menos a imagem que ficou em boa parte do país depois da chamada Lista de Fachin, que autorizou investigação contra 75 nomes da elite política brasileira. Se alguma coisa fez barulho e também gerou algum susto foram os vídeos dos depoimentos de ex-executivos da Odebrecht, em especial o de Marcelo Odebrecht.

O que surpreende na fala de Marcelo é a riqueza de detalhe sobre os encontros que tinha com (perdoem o termo) a nata política da nação. Ditava decretos. Corrigia ministro da Fazenda. Discutia valores com presidentes. Algo de novo nesses fatos? Não, a não ser a certeza de que essa conduta era a regra, não a exceção.

Também surpreende os valores. Milhões são citados como se trocado fossem. A expectativa de Fulano é arrecadar R$ 100 milhões – informou na delação. Beltrano pediu R$ 10 milhões, mas “só” foram liberados 7 ou 8. Mais ou menos como quem diz que queria chegar cedo no trabalho e, por isso, pretendia pegar o ônibus das 6h30; mas não deu, só pegou o ônibus das 7h.

Uma trivialidade.

Vendo os vídeos, vem à mente Brasil, a canção de Cazuza. Em determinado trecho, o poeta apela: “Brasil / Mostra tua cara / Quero ver quem paga / Pra gente ficar assim”.

A cara que encontramos nas delações é a da armação ilimitada, dos acordos (nem tão) por baixo dos panos, das maquinações com roubalheira partilhada entre uns de sempre. E aí ficamos sabendo o que já sabíamos mas não de forma tão crua e dura: nós é que pagamos pra ficar assim. Assim sem segurança, assim sem saúde, assim sem educação de qualidade e assim cada vez mais sem perspectivas.

Percebemos que quase ninguém da tal elite política está fora. É a estranha democratização... da roubalheira. Quase duas dezenas de partidos diferentes envolvidos. Tem pai e filho. Tem gente do norte e do sul. Tem esquerda e direita. Soa quase desprestígio não estar na lista, não ter um diálogo com Marcelo Odebrecht, não tirar um naco do cofre da viúva.

É como se valesse outro trecho da canção, na ironia fina de Cazuza: “Não me subornaram / Será que é o meu fim?

Surpreende nas falas de Marcelo Odebrecht a facilidade com que conta tudo, em detalhes, tranquilamente, sem sobressalto ou rubor. Tudo normal.

Será igualmente surpreendente se isso tudo não indignar. E, assim, não produzir efeito algum na cidadania.

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