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Brasil se complica com ‘Diplomacia ideológica’


Palácio do Itamaraty: Política de Relações Exteriores do Brasil se complica com um viés ideológico excessivo

 

O Itamaraty, o ministério das Relações Exteriores do Brasil, tem um grande desafio pela frente: resgatar uma posição de referência e de alta respeitabilidade da diplomacia nacional. Há mais de século visto como o mais profissional dos corpos diplomático das América Latina, o Itamaraty viu sua reputação decair em meio a um jogo que se deixou levar em demasia pelo aspecto ideológico vinculado mais ao interesse do governo de plantão que ao do país.

Vale lembrar, a boa reputação da política externa brasileira ganha acento com a chegada do Barão do Rio Branco ao Itamaraty, ele que foi ministro das relações exteriores de quatro presidentes (entre 1902 e 1912). Com vivência diplomática fora, modernizou o Itamaraty, conferindo reconhecimento internacional ao corpo diplomático brasileiro, tecnicamente muito preparado.

As diretrizes diplomáticas de Rio Branco tinham como parâmetro uma ação internacional firme e sóbria, abraçando temas nem sempre tranquilos mas sempre de interesse nacional. Isso seguiria pelas décadas futuras, até mesmo no período Vargas, em que o governo central abrigava conflitos ideológicos fortes. Outro exemplo é o brado dos “Países não alinhados” em uma década de 1970 consumida pela guerra fria. O Mercosul é mais outro passo nessa mesma linha.

Mas na última década e meia o viés ideológico tomou um bocado das diretrizes da diplomacia brasileira. Ganhou corpo no período Lula, quando o Assessor Internacional da Presidência da República passou a dividir protagonismo com o Itamaraty. E o viés ideológico em muitos momentos falou mais que a diplomacia. Só não foi pior porque Lula tinha um prestígio pessoal importante, em um momento de grande relevâncias dos países emergentes.

Com isso, o Brasil passou a pautar relações muito mais pelo interesse dos governantes que do país. Que o digam as recentes revelações nas delações da Odebrecht, onde viu-se a política de aliados ideológicos – na Venezuela, no Equador, em Angola, na República Dominicana – terem seus projetos bancados por dinheito brasileiro, em esquemas nos quais a Odebrecht funcionava como canal financeiro.

Com o governo Temer a situação não mudou, especialmente no primeiro momento, quando José Serra desembarcou no Itamaraty. Com Serra, viu-se um ministro de Relações Exteriores torcendo descaradamente por um candidato a presidente em um país amigo. Isso ocorreu, por exemplo, com a disputa nos Estados Unidos: o ministro disse que gostaria de ver Hillary Clinto eleita.

Ora, um ministro – talvez nenhum menos ainda um de relações Exteriores – não pode torcer publicamente por um lado de uma disputa onde a autonomia do país amigo deve ser respeitada. Pois bem: Donald Trump ganhou. Sorte que o ministro-torcedor não está mais lá.

Esse tipo de conduta, no entanto, fragiliza a posição institucional do Brasil. Cria rusgas nas relações bi e multilaterais. Impõe barreiras adicionais em um momento em que as relações internacionais se fazem mais e mais complexas.

Mais que nunca o Itamaraty tem que resgatar a política das relações pautadas pelos interesses nacionais. Não que venha a ser uma Maria Mole. Não. O próprio Barão do Rio Branco se firmou sendo duro, negociando e conquistando novas fronteiras para o Brasil, contra a França, Bolívia ou Argentina. Mas a firmeza partia de argumentos técnicos, de inegáveis trajetórias históricas. E sempre tendo à frente os interesses do Brasil.

Pensar só na política ideológica, em diplomacia não ajuda muito.

Aliança com PTC quer eleger 2 deputados federais e 3 estaduais


Evaldo Gome, do PTC: meta para 2018 é eleger 2 deputados federais e 3 deputados estaduais

 

O feriado de 12 de outubro vai ser de discussão para um grupo de partidos que, com PTC à frente, planejam marchar juntos na eleição de 2018. A discussão é mais um passo na construção de uma aliança que pretende eleger dois deputados federais e pelo menos três representantes na Assembleia Legislativa.

Em entrevista ao Acorda Piauí, hoje cedo na Rádio Cidade Verde, o presidente estadual do PTC, deputado Evaldo Gomes disse que esses partidos estão somando forças dentro das regras estabelecidas pela reforma política – as regras conservaram a possibilidade de coligação proporcional em 2018. “Estamos jogando dentro da regra”, disse ele.

Além do PTC, a aliança deve contar ainda com o PCdoB, Podemos, PR e PRB. As conversações podem ampliar a coligação com a participação do PHS, PRP, PSC e PSL. Para Evaldo, esse grupo reúne as condições para alcançar uma grande votação. A meta é eleger dois federais e pelo menos três estaduais.

Segundo Evaldo Gomes, a aliança deve seguir junta na disputa por vagas na Câmara dos Deputados e formar duas coligações menores na disputa por vagas na Assembleia: de um lado, PR e PRB e, de outro, PTC, PCdoB e Podemos. A acomodação dos demais partidos vai ser definida no andamento das conversações.
 

CCJ recua na discussão sobre aumento de imposto

O deputado Evaldo Gomes, que é presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Asssembleia Legislativa, falou também sobre o projeto do governo estadual que inclui aumento de impostos sobre diversos itens, como combustível, energia e telefonia. Houve protesto dos empresários e Evaldo decidiu tirar a matéria da pauta de discussão da CCJ para discutir com a sociedade.

Ainda hoje acontece discussão dos deputados com empresários visando um entendimento. Na próxima terça-feira acontecerá uma audiência pública sobre o tema, antecedendo a reunião da CCJ que vai decidir sobre a constitucionalidade da matéria encaminhada pelo governador Wellington Dias.

Evaldo Gomes diz que a CCJ não discute mérito, mas apenas a constitucionalidade. Ele rebateu opinião do deputado Rubem Martins (PSB), que vê inconstitucionalidade na proposta, sobretudo ao permitir que empréstimos tomados para investimento sejam utilizados para pagamento de pessoal. “É uma posição de quemm é oposição”, disse ele.

Para ouvir a íntegra da entrevista do deputado Evaldo Gomes, acesse arquivo abaixo.

 

André Baia admite candidatura: ‘Estou dialogando’


Empresário André Baia: crítica ao aumento de impostos e possibilidade de candidatura ao governo do Estado

 

O empresário André Baía, presidente do Sindicato da Construção Civil no Piauí, admitiu que pode apresentar seu nome como postulante ao governo do Estado em 2018. Em entrevista ao Acorda Piauí, hoje cedo na Rádio Cidade Verde, Baía disse que atua como líder empresarial sem nenhuma pretensão política, mas que a falta de alternativas faz que seja procurado por outros segmentos da sociedade.

O empresário lembrou que em 2012 já teve seu nome especulado como alternativa à prefeitura de Teresina, mas que não levou muito em conta os apelos recebidos. Agora torna a ser procurado, como alternativa política para o Piauí. “Estou dialogando”, disse, ressaltando que até março – prazo para filiação partidária – ele tomará uma decisão.

O representante da construção civil falou ainda das dificuldades enfrentada pelo setor, que  já registra três anos seguidos de desempenho negativo. Ele criticou a crise política que impede o Brasil de um melhor controle nas contas públicas.

Lembrou que o investimento em construção civil é de longo prazo, com grande desemboldo de recursos, começando com aquisição de terreno, desenvolvimento de projeto e construção. Esse ciclo é, em média, de sete anos. A recomendação no setor é que as empresa da construção civil tenham uma carteira de projetos aprovados para que possam reagir mais fácil quando a crise arrefecer. Mas essa carteira significa a imobilização de recursos, criando dificuldades para as empresas.
 

Empresário critica aumento de imposto no Piauí

O presidente do Sindicato da Construção Civil, André Baía, foi duro nas críticas ao governo do Piauí, que encaminhou à Assembleia Legislativa um projeto que aumenta impostos para vários itens, incluindo combustível e energia. Para Baía, o aumento de imposto é inexplicável e compromete a própria recuperação econômica.

Ele disse que os empresários vão pressionar a Assembleia para que rejeite a proposta. O empresário criticou o governo pelo desequilíbrio das contas públicas. E diz que o Piauí caminha para ser um novo Rio de Janeiro – estado considerado falido em razão do desequilíbrio das contas, paralisando até serviços essenciais.

A proposta do governo aumentando impostos será discutida ainda hoje na Comissão de Constituição e Justiça da Assembleia. A expectativa do deputado Rubem Martins, que também esteve no Acorda, é que o trâmite – se não for interrompido – esteja concluído em 45 dias.

Para ouvir a entrevista completa do empresário André Baía, acesse o arquivo abaixo.

 

Candidatos moderam discurso em busca do eleitor de centro


Ciro Gomes: movimento da direita para a esquerda e, agora, em busca do eleitor de centro

 

Os analistas de campanhas mundo afora costumam dizer que ganha uma campanha quem conquista o eleitorado de centro. A eleição de Emmanuel Macrón, na França, seria um caso típico. Mas é bom lembrar de Trump, que nega a tese. Os pré-candidatos ao Palácio do Planalto, no entanto, parecem acreditar na afirmação. E boa parte já começa a moldar o discurso para não ficar encurralado nem à direita nem à esquerda.

No Brasil, o casso mais clássico de movimentação para o centro foi o PT, que resolveu ainda nos anos 1990 moderar o discurso em busca de um eleitorado de centro e centro-direita que se mostrava resistente e terminava por derrotar Lula. O Lulinha Paz e Amor de 2002 é a tradução dessa mudança, culminando com a famosa Carta ao Brasileiros – que, de fato, foi uma carta aos empresários e ao mercado.

Agora políticos que abraçavam um discurso de confronto começam a baixar  tom. Um deles é o próprio Lula, que há alguns anos alimentava o “nós contra eles” e, nos últimos tempos, passou a adotar um tom mais conciliador, capaz de unir mais forças em torno do PT. João Dória (PSDB), que também partiu para o confronto (contra o próprio Lula), viu que estava indo para a direitona e resolveu tentar discurso mais ao centro.

Mas os exemplos mais fortes são mesmos os de Ciro Gomes (PDT) e Jair Bolssonaro (PSC).

No caso de Bolsonaro, a tentativa de mostrar-se mais palatável começou com uma viagem aos Estados Unidos. Com ela, quer fazer crer que é um estadista e que não tem o único discurso da violência contra a violência: na viagem, empunhou propostas liberais na tentativa de cativar investidores.

O problema é que o pré-candidato do PSC não resiste: nos Estados Unidos terminou testando pistolas e defendeu modelos mais letais para o Brasil. É Bolsonaro sendo Bolsonaro, alheio às estratégias marqueteiras.

Já Ciro Gomes se notabilizou por trajetória erratica: nasceu na Arena, cresceu no PDS, passou pelo PMDB e projetou-se no PSDB. Em busca de caminho próprio, foi para o PPS, experimentou o PSB e o PROS para, enfim, dizer-se brizolista no PDT. Ciro também é conhecido por uma língua afiada que pode ser comparada a uma metralhadora giratória. São conhecidas suas reações nada diplomáticas, em especial na eleição de 2002, quando chegou a ser uma ameaça à liderança de Lula. Por pouco tempo: pressionado por eleitores e jornalistas, respondeu o que não devia e ganhou a imagem de espoletado.

Agora Ciro tenta atenuar o discurso, abandonando de vez o espectro de esquerda e  abraçando a centro-direita. O primeiro que conseguiu foi desagradar os aliados de até ontem o PT. Talvez, com a mudança, Ciro deseje afastar-se da imagem dos velhos aliados sem deixar de atacar o governo Temer, seu alvo preferido.
 

Teresina será teste para Ciro

 O presidenciável Ciro Gomes participa hoje de encontro do PDT em Teresina. Será uma boa oportunidade para sentir o tom do discurso de Ciro, para saber se a promessa de moderação se verifica.

Nas últimas semanas, o Ciro metralhadora giratória voltou a funcionar. Disse que a delação de Palocci foi uma bomba para Lula. E os petistas passaram a atacar o presidenciável do PDT, achando que ele está cometendo um suicídio político.

Em Teresina, Ciro estará falando em um palanque aliado de Wellington Dias, do PT. E muito provavelmente fará seu discurso na presença de vários petistas. Resta saber qual o tom a ser usado.

O Brasil um ano antes da eleição: 2013 versus 2017


Mudança: em 2013 "o cara" da Justiça era o ministro Joaquim Barbosa; agora é o juiz Sérgio Moro

 

A um ano da eleição geral de 2018, a revista Veja fez um interessante comparativo entre o momento de hoje e o mesmo período de 2013, um ano antes da eleição de 2014.  Há algumas semelhanças. Mas, no geral, as diferenças são enormes, particularmente em relação a personagens específicos. Por exemplo: em outubro de 2013, a Java Jato sequer existia, enquanto hoje assombra meio mundo político. Em 2013, "o cara" da Justiça era o ministro Joaquim Barbosa, à frente do Mensalão. Agora é o juiz Sérgio Moro, da Lava Jato.

Vale conferir esses dois momentos, acrescentando uma olhada específica sobre o Piauí.

Economia
• 2013: a política econômica já fazia água, mas a maquiagem cuidava de deixar tudo beleza. Ainda mais que vinha a Copa e a Olimpíada.
• 2017: depois de três anos recessivos, fala-se em recuperação. Mas nada consegue maquiar os 13 milhões de desempregados.

Política
• 2013: estava em baixa, com críticas que ressoavam desde as grandes manifestações de junho.
• 2017: está mais em baixa ainda. E o país carece de nomes que produzam esperança em multidões.

Lava Jato
• 2013: o nome no Judiciário era Joaquim Barbosa, que levou no peito o Mensalão.
• 2017: o nome do Judiciário é Sérgio Moro, o homem-símbolo da Java Jato, que (com 213 prisões e 107 condenações) superou o Mensalão com sobra.

Dilma
• 2013: estava no jogo, como favorita para as eleições de 2014 (que acabaria vencendo).
• 2017: está fora do cargo, afastada em um processo de impeachment. E sem força no PT.

Aécio Neves
• 2013: estava no jogo, como principal nome pela oposição. Perdeu, em uma disputa muito acirrada.
• 2017: após a delação da JBS, é quase um cadáver político ambulante, com dificuldades entre eleitores e no seio do seu partido.

Lula
• 2013: depois de passar sem processos pelo Mensalão, seguia popular e inclusive pensando em ser candidato no lugar de Dilma. Não conseguiu.
• 2017: segue popular, mas muito distante do que já foi. E com alta rejeição, além de uma condenação na Lava Jato que pode impedi-lo de ser candidato.

Michel Temer
• 2013: era o “vice decorativo” sem força popular. Contava porque tinha o respaldo do PMDB.
• 2017: assumiu o lugar de Dilma, ganhando poder e impopularidade. Para piorar, está no centro das delações da JBS. Seu governo tem aprovação de apenas 3%.

Sérgio Cabral
• 2013: era governador do Rio. Na onda da Rio 2016, via aumentar seu poder político. Chegou a ser cogitado para substituir Temer como vice de Dilma.
• 2017: é citado em praticamente todo escândalo de corrupção no Rio de Janeiro. Está preso e condenado a mais de 40 anos de prisão.

Eduardo Cunha
• 2013: não tinha força popular. Mas era reconhecido nos corredores da política de Brasília, pela força no baixo clero e nas maquinações dentro do governo.
• 2017: chegou a virar personagem nacional, após a eleição para a presidência da Câmara. Hoje está preso e condenado pela Lava Jato.

Jair Bolsonado
• 2013: mesmo bem votado, era visto mais como uma piada. Uma espécie de Tiririca da Bancada da Bala.
• 2017: segue na Bancada da Bala e tem o discurso do confronto como sua arma. É vice-líder na corrida à Presidência e ninguém ri mais de sua presença.

João Dória
• 2013: era um apresentador de TV com grande capacidade de ganhar dinheiro.
• 2017: após surpreendente eleição para a prefeitura de São Paulo, o prefeito-marqueteiro sonha com a Presidência. Também é bom não rir.

 

No Piauí, tudo igual com sinal trocado

No Piauí, a situação econômica reflete a realidade nacional, tanto em 2013 quanto em 2017. Já na política, o ano de 2013 tinha os governistas procurando um nome para disputar o Karnak. E a oposição exibia um nome certo: o de Wellington Dias (PT). A situação agora se inverteu, sem trocar de nome: Wellington é nome certo dos governistas, enquanto a oposição busca uma alternativa desesperadamente.

Resta saber se o desfecho será o mesmo de 2018.

Violência expulsa morador do Rio. E o turista também

Cena recente de espaço turistico do Rio: em lugar de turistas, tanques que traduzem o tamanho da violência na cidade

 

O Rio de Janeiro vem, todos os dias, fazendo alertas para o Brasil. Mostra, por exemplo, o impacto da corrupção na vida do cidadão: atolado na roubalheira, o Estado faliu e os cidadãos se viram afogados por um mundo de ineficiência. A violência é o emblema principal desse caos, tanto que não só mais os turistas que se afastam no Rio. Agora são os próprios cariocas que desejam outro canto. Outro lugar. Uma outra cidade. Outro destino.

Não é por acaso: o Rio é a terra de Sérgio Cabral, Eduardo Cunha, Carlos Nuzman, Eike Batista – alguns dos campeões nacionais em corrupção. E dá no que temos visto: o Estado ausente em pedaços importantes da cidade como a Rocinha, com seus 100 mil habitantes. Também dá no que acaba de revelar pesquisa DataFolha: 7 em cada 10 cariocas gostariam de deixar a cidade.

Vale a pena conferir alguns dados da pesquisa DataFolha.
• exatos 72% dos moradores do Rio dizem que gostariam de morar em outra cidade em razão da violência.
• 90% se sentem inseguros ao andar pelas ruas à noite.
• 62% dizem que as Unidades de Polícia Unificadora (UPP) não melhoraram a segurança na cidade.
• 57% afirmam que as UPPs sequer melhoraram a segurança dentro das comunidades.
• e 70% dos entrevistados são categóricos: o modelo de segurança precisa ser revisado.

A pesquisa tem como foco principal a problemática da violência e foi feita dez dias depois da ação na Rocinha que levou as Forças Armadas para a favela. O resultado se soma a outros dados, como o da Confederação Nacional do Comércio, que em julho mostrava o impacto da violêrncia no turismo: perdas de R$ 320 milhões em apenas quatro meses. Os turistas fogem da alta criminalidade carioca.

Os dados da recente pesquisa DataFolha agravam a leitura do impacto da violência em uma cidade onde dois terços dos moradores ouviram pelo menos um tiro na semana anterior. A avaliação do DataFolha também deixa evidente que a ação tradicional de combate a violência – só e somente só ação repressiva – está longe de ser eficaz. Nos últimos dez anos, o Rio viu uma enxurrada de ações especiais tais como a da Rocinha. Ocorreu em larga escala no Pan, na Copa das Confederações, na Copa 2014 etc. E tudo só tem piorado a tal ponto que o Rio se tornou caso único de mortes de policiais no mundo: já são mais de 100 este ano.

Também piorou a gestão pública, onde os gestores se esmeraram em tomar para si dinheiro que deveria ser destinado aos serviços e obras de interesse coletivo. Mais grave é que as ações de socorro ao Estado e à cidade do Rio de Janeiro não passam por correção de rumo, mas tão somente pelas velhas operações tapa-buraco. Ou seja: o cidadão segue pagando a conta sem ter nada em troca, nem mesmo perspectivas.

Os recados que o Rio de Janeiro dá cada dia ao Brasil são vários:
• É preciso cuidar da gestão pública, deixando a política em segundo plano.
• É preciso punir mais e mais os corruptos, sem o que não há saída.
• É preciso buscar saída contra a violência muito além da repressão.
• E, sobretudo, é preciso que o Estado faça sua parte, o elementar que seja – coisa que o Rio e boa parte do país não fazem.

Há um outro recado que fica: o cidadão também tem que fazer a sua parte. Achar que a malandragem faz parte do jogo político é o mesmo que legitimar a bandalheira. A mesma bandalheira que faliu o Rio de Janeiro e levou os cariocas e fluminenses ao desamparo e à completa desesperança.

Obama dá a receita: jovem precisa participar da política


Barack Obama com jovens brasileiros, em São Paulo: estímulo à participação da juventude na política

 

Em passagem pelo Brasil, o ex-presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, teve uma preocupação: enviar uma mensagem particular para os jovens. E também saiu do discurso para a ação: manteve encontro com 11 jovens que considera lideranças promissoras, todos envolvidos em ações cidadãs que antes olham para o outro antes, jovens que pensam no coletivo. Na menagem, um brado que não deixa dúvidas: a juventude precisa participar da política. 

A preocupação de Obama vai no sentido contrário ao sentimento que move os jovens brasileiros. Aqui, os jovens cultivam – não por acaso – um sentimento antipolítica. Rejeitam a política pelo que a política tem oferecido de palpável e evidente: ineficiência, descompromisso, roubalheira. Diante de quadro tão terrível, os jovens se alheiam da política, essa praticada dentro dos partidos.

O que Obama diz é que essa rejeição é o mesmo que empurrar o país para as mãos dos aproveitadores que fazem da política um meio para fins nada dignos. E só há uma saída possível: participar, agir para mudar. É uma pregação que começa a ganhar corpo em alguns movimentos Brasil afora.

Nos últimos meses, o desencanto com a política deu lugar à esperança, no rastro de movimentos que tentam buscar novas lideranças. Exatamente o que prega Obama. Há plataformas à direita e à esquerda buscando alternativas, à procura de nomes que possam se comprometer com um novo jeito de lidar com a coisa pública e que entenda um novo caminho para a representação popular.

Há de tudo. Há grupos que reúnem pessoas preocupadas com os direitos individuais, com ações de natureza social, com a competitividade empresarial ética, com o meio ambiente etc. Mas todos coincidem em um aspecto: a nova política tem que pensar no coletivo, na sociedade. E aí temos uma boa notícia: há cada vez mais pessoas – não só, mas sobretudo jovens – pensando em agir numa perspectiva de mudar o coletivo.

Nesse time que traz essa nova faceta da mobilização social, há movimentos como o Bancada Ativista, que está procurando candidatos que podem vir a ser apoiados. O apoio se concretizará na medida da qualificação e dos compromissos do pretendente. A preocupação é encontrar quem esteja preparado tecnicamente para abraçar a ideia de um novo modo de gestão.

Outro movimento é a Transparência Partidária, que abraça a ideia de um novo arcabouço jurídico pautado pela transparência. Para esse grupo, a transparência é fundamental para a renovação das práticas políticas. Essa mesma linha é seguida pelo movimento Acredito.

O bom nisso tudo é que as pessoas envolvidas nesses movimentos não estão embaladas pela mosca azul, aquela que torna o poder uma meta a qualquer preço. Não. Não querem ser candidatos. Boa parte desses grupos pretende escolher candidatos que traduzam esses princípios que elegeram como fundamentais para a transformação da política.

Quando esteve no Brasil nessa última semana, Obama conversou precisamente com lideranças como essas, que estão pensando não em cargos, mas em diretrizes, em rumos para o país. E o ex-presidente dos Estados Unidos deixou também uma boa notícia: está disposto a apoiar grupos que tenham essa preocupação de participar da política.

Vale ressaltar: participar da política, não da politicagem.

Tendência autoritária cresce porque Democracia frustra

A política brasileira está conseguindo desmoralizar o que há de mais sagrado na político: o direito a fazer política livremente. Foi o que mostrou pesquisa do DataFolha, realizada a pedido do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, apontando um crescimento da tendência autoritária no brasileiro.

O viés autoritário não é novidade no Brasil: faz parte de uma sociedade edificada sobre alicerce patriarcal, machista e oligarca, portanto autoritário. Esses traços seguem vivos, como parte de uma cultura cívica débil. Nas pesquisas sistemáticas do instituto chileno Latinobarômetro para toda a América Latina, o Brasil sempre ficou mal na fita, com um dos menores índices de apoio à Democracia. Em setembro do ano passado, o Latinobarômetro mostrou o Brasil em último lugar entre 16 países: apenas 32%, contra 54% um ano antes.

Agora o DataFolha confirma o quadro, com um índice ainda pior: a sociedade brasileira atinge, em uma variação de 0 a 10, o elevado índice de 8,1 na propensão a endossar posições autoritárias. Há uma clara frustração com o funcionamento do país. Significa que nossa Democracia funciona mal e povo sabe disso porque sente na pele. Daí, não falta (aliás, sobra) quem flerte com o autoritarismo.

O diagnóstico do DataFolha preocupa ainda mais diante da crise institucional estabelecida. O ex-ministro do STF Joaquim Barbosa alertou que essa crise não é nada boa para a Democracia. Na sexta-feira, o jornal espanhol El País também analisava o tema com sobressalto e chamava atenção para a “evocação de saídas para a crise à margem da política, cuja eficácia está em xeque”.

Essa é uma questão fundamental: nossa Democracia passa a ser questionada porque a política não está oferecendo caminhos razoáveis para atender às mínimas demandas da cidadania. Na prática, é a política colocando a política em xeque. E o mais grave: não se vê no seio político uma preocupação razoável com tal situação.

O estudo encomendado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública é explícito na leitura dos dados da pesquisa DataFolha: a baixa eficácia das políticas públicas rebaixam a confiança na democracia e aumenta a tendência autoritária. Tudo isso com uma enorme contribuição da política.

Talvez a política – isto é, os políticos – não estejam se dando conta disso. Ou pode ser que simplesmente não se importem.

Apenas para concluir, vale um dado mais da pesquisa DataFolha: o viés autoritário não é exclusive de um segmento. Por exemplo, é majoritário em todos os níveis educacionais. Entre analfabetos ou com Ensino Fundamental incompleto, o índice chega a 8,4 pontos. Alcança 8,6 pontos entre os que têm o Fundamental completo. Entre os que têm ensino superior, o índice é de 7,4 e, entre os brasileiros com pós-graduação, é de 6,5. Também é ampla a tendência autoritária em todas as regiões (conforme gráfico abaixo): 8,4 pontos no Nordeste, o maior índice no país. Mas a pontuação mais baixa não fica longe: 7,9 pontos, no Sudeste.

Reforma política foi ‘passo atrás’, diz Heráclito


Heráclito Fortes: crítica ao uso de recursos de emendas de bancada nas campanhas eleitorais

 

O deputado federal Heráclito Fortes (PSB-PI) criticou a Reforma Política aprovada pelo Congresso, estabelecendo as regras para as eleições de 2018 e apontando algumas mudanças com vistas aos pleitos seguintes. De acordo com Heráclito, a reforma foi um passo atrás. “Total. Total (passo atrás)”, disse ele em entrevista ao Acorda Piauí, hoje na Rádio Cidade Verde.

Heráclito criticou de modo especial o Fundo Eleitoral, que será constituído por recursos públicos. Foi especialmente crítico pelo fato de incluir parte dos recursos das emendas de bancada. O deputado entende que as emendas são importantes para estados e municípios, não se justificando essa destinação de parte dosn recursos para as campanhas eleitorais.

O representante do PSB defendeu a elaboração de uma reforma política com metas de longo prazo. Para ele, a definição de regras olhando a eleição seguinte termina sendo contaminada pelos interesses específicos dos parlamentares, que olham para o umbigo. Por isso acha que deve ser discutida logo uma completa reforma que olhe para 2022 e as eleições seguintes.

Heráclito também falou sobre a crise vivida por seu partido, que está dividido entre os grupos de São Paulo e de Pernambuco. Foi duro ao criticar o atual presidente nacional do PSB, Carlos Siqueira. Sem citar nome, disse que Siqueira é “um burocrata sem sensibilidade”. Vale lembrar, Carlos Siqueira não é político e chegou à presidência do PSB após a morte de Eduardo Campos.

 

Deputado festeja Aeroporto de Bom Jesus

 O deputado Heráclito Fortes (PSB-PI) destacou como uma grande conquista para o Piauí a assinatura do termo que autoriza a licitação para a construção do aeroporto regional de Bom Jesus. Para ele, essa obra assume grande importância pelo papel estratégico que terá no desenvolvimento dos cerrados piauienses.

Heráclito lembrou que está nessa luta desde a década de 1990. Festejou ainda o prefeito Marcos Elvas (PSDB) e a soma de forças políticas em torno dessa reivindicação. A solenidade de assinatura da autorização de licitação ocorreu ontem, em Brasília, com a participação de diversos políticos piauienses, como o governador Wellington Dias, o senador Ciro Nogueira e o deputado federal Marcelo Castro. A obra terá contrapartida do Estado e será executada pela Secretaria de Transportes.

Para ouvir a entrevista completa do deputado Heráclito Fortes, acesse o link abaixo.

 

Autorizada licitação para o Aeroporto de Bom Jesus


Solenidade que autoriza licitação para construção do aeroporto de Bom Jesus: união das lideranças políticas piauienses

 

Um importante sonho do Sul do Estado e particularmente da região produtora dos cerrados piauienses começa a se concretizar: foi assinado hoje, em Brasília, a ordem de licitação para a construção do Aeroporto de Bom Jesus. A assinatura do documento foi no gabinete do Ministro dos Transportes, Maurício Quintela, com a presença de lideranças políticas piauienses, entre elas o governador  Wellington Dias.

A obra será realizada pelo governo do Estado, através da Secretaria de Transportes, num custo ao redor de R$ 28 milhões, a maior parte repasse federal. O aeroporto terá pista de 1.200 metros de extensão por 30 metros de largura, além de Terminal de Passageiros. O projeto foi desenhado nos padrões exigidos para ser homologada com capacidade para receber aviões de até 50 passageiros. O prazo de construção é de um ano e meio, a partir do início da obra.

A assinatura do documento coroa uma luta iniciada há mais de três anos, através do prefeito Marcos Elvas (PSDB), com suporte direto do deputado Marcelo Castro (PMDB), bem como do deputado Heráclito Fortes (PSB). Com o propósito de viabilizar a obra, Elvas chegou a levar a Bom Jesus o à época Secretário de Aviação, Moreira Franco.

“Estamos felizes que essa luta esteja chegando ao fim com sucesso, realizando um sonho que não é só de Bom Jesus, mas de todo o sul piauiense. Será um suporte importantíssimo para a transformação econômica de nossa região, que já se destaca pela produção de grãos e pelo dinâmico pólo educacional”, disse Marcos Elvas.

O prefeito destacou ainda o envolvimento de diversas lideranças políticas nessa luta. “Esta é uma conquista do Piauí”, disse ele.

 

Valeu o ditado: a união faz a força

A foto da solenidade diz que, quando as lideranças políticas do Estado se unem, as coisa andam com mais facilidade. Estavam lá no evento, ao lado do ministro Maurício Quintela, o governador Wellington Dias (PT), a vice-governadora Margarete Coelho (PP), o senador Ciro Nogueira (PP), os deputados federais Marcelo Castro (PMDB) e Heráclito Fortes (PSB), o prefeito Marcos Elvas (PSDB) e os deputados estaduais Luciano Nunes (PSDB) e Fábio Novo (PT), além do secretário de Transportes, Guilhermano Pires.

O governador Wellington Dias ressaltou que o aeroporto de Bom Jesus vai ter uma importância nacional, já que facilita a ligação com uma das áreas mais promissoras da economia nacional – o pólo de grãos que une os estados do Piauí, Maranhão, Tocantins e Bahia. Para Wellington, é um sonho que se realiza.

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