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Paixão (PT) vê dúvidas em alianças para 2018


Gilberto Paixão: contra a presença da direita em uma aliança de apoio à candidatura de Wellington Dias

 

As possíveis alianças para as eleições de 2018 são uma interrogação que somente o tempo vai dizer o que efetivamente pode acontecer. Foi o que disse esta manhã, em entrevista ao Acorda Piauí (Rádio Cidade Verde), o presidente do Diretório Municipal do PT, Gilberto Paixão. Mas ele deixa claro que, se depender da corrente Articulação Sindical, à qual pertence, o partido não deve se aliar à direita.

“A direita não tem nada a oferecer a não ser o 'Estado mínimo'. E a população não aceita”, disse Paixão, observando que a opção pelo "Estado mínimo" significa tirar direitos dos trabalhadores. Nesse sentido, vê dificuldade numa aliança entre o petista Wellington Dias (PT) e o senador Ciro Nogueira (PP).

Paixão defende um bom debate sobre esse tema. Reconhece, porém, a dificuldade dessa discussão, já que as estratégias eleitorais de Wellington podem levar a alianças que tenham rejeição em boa parte do partido. “Ele (Wellington) é que é o candidato, ele é quem deve avaliar”, afirma.

 

Crise econômica e Dilma

Na entrevista ao Acorda Piauí, Gilberto Paixão fez críticas ao governo Temer e à crise econômica que sacrifica os trabalhadores. Ele foi lembrado que a crise começou no governo Dilma e foi questionado sobre a autocrítica do PT sobre essa crise, a mais grave da história do país.

Paixão observou que Dilma frustrou o próprio partido ao fazer opções econômicas que contrariavam as diretrizes do PT. Segundo Paixão, os rumos da política econômica de Dilma estão assentadas em opções equivocadas que fez, como a de colocar nomes da direita no ministério.  

 

Lula e a Lava Jato

O presidente do PT em Teresina também falou sobre as denúncias contra Lula, que qualificou de perseguição ao ex-presidente. Ao ser lembrado das denúncias feitas por Antonio Palocci – que além de fundador do PT foi homem de confiança nos governos Lula e Dilma – Paixão afirmou que trata-se de um ato desesperado para o ex-ministro se livrar da cadeia.

Para ouvir a entrevista completa de Gilberto Paixão ao Acorda Piauí, acesse o arquivo abaixo.

 

A última semana de Janot começa com tudo

Rorigo Janot: última semana para mandar flechadas, uma delas possivelmente contra Michel Temer

 

O Procurador Geral da República, Rodrigo Janot, começa contagem regressiva da última semana à frente de dois mandatos que o transformaram em uma figura central nos acontecimentos do país, nos últimos quatro anos. Mas Janot não está para festas. Pelo indicativo dos últimos dias, será uma semana movimentada, em que o Procurador Geral tende a mandar flecha contra muitos. E começa bem, vendo atendido o pedido de prisão temporária de Joesley Batista e Ricardo Saud, bambambãs da JBS.

Queiram ou não os seus desafetos, Janot tem um lugar na história. Esteve à frente do Ministério Público em um dos momentos mais cruciais de um país que tenta enfrentar o mal crônico da corrupção. E cumpriu papel importante – importantíssimo – ao oferecer denúncias contra poderosos antes intocáveis.

Mas há uma dúvida que paira até mesmo entre aqueles que festejam Janot: qual o lugar exato que o ainda Procurador Geral da República terá na história. Sim, porque a trajetória que assina tem altos e baixos. E um dos pontos mais baixos dos últimos quatro anos está precisamente neste início de setembro, nos últimos dez dias.

As gravações de Joesley e Saud, revelando omissões nas delações dos executivos da JBS, deixaram o chefão da PGR de calças curtas. E trouxeram mais questionamentos sobre as questionadíssimas vantagens oferecidas pelo Ministério Público Federal (e acatadas pelo ministro Edson Fachin) na delação de Joesley & Cia. A bem da verdade, o Brasil nunca engoliu tantas regalias concedidas.

A reação da semana passada foi uma maneira de reparar os vacilos de antes. Menos mal que Janot começa sua ultima semana com Joesley e Saud na cadeia.

 

Vem mais chumbo grosso de Janot

A escolha de Raquel Dodge como sucessora de Janot, ainda no mês de junho, parecia o comesso do enfraquecimento do chefe da PGR. Nada disso.

E Janot tratou de, rapidamente, deixar claro que seguia com todo gás, que não era um pato manco. Primeiro em discurso, ao dizer que, enquanto tivesse bambu, ia mandar flecha. Depois em atos, mandando flecha e renovando denúncias contra figurões do Senado e outros políticos de renome, como Lula e Dilma Roussef. Agora espera-se a fechada final: uma nova denúncia contra o presidente Michel Temer.

Segundo avalições diversas, qualquer nova denúncia que chegue agora à Câmara dos Deputados terá destino idêntico à primeira, especialmente após dúvidas sobre as delações dos executivos da JBS. Mas é provável que Janot não abra mão dessa possibilidade de oferecer uma nova denúncia.

Será o fecho em grande estilo de quatro anos de mandato de muita, muita repercussão.

‘Estado devolve dinheiro todo mês’, diz Henrique Pires


Henrique Pires diz que Piauí devolve dinheiro federal todo mês e critica secretário de Turismo, Flávio Nogueira Jr.

 

O Secretário de Infraestrutura do Ministério do Turismo, o piauiense Henrique Pires, revelou que o Piauí devolve recursos federais todos os meses. A revelação foi feita em entrevista hoje cedo ao Acorda Piauí, na Rádio Cidade Verde. “Infelizmente, o estado do Piauí devolve financeiro todos os meses para o governo federal”, afirmou.

Quando usa o termo “financeiro”, Henrique Pires se refere a recursos liberados e utilizados em ações do governo, mas que não têm prestação de contas dos gastos. Em sendo assim, segundo ele explica, o Estado se vê obrigado a cobrir as despesas com recursos próprios e devolver os recursos da União.

Henrique Pires fez críticas específicas ao deputado Flávio Nogueira Júnior (PDT), que atualmente ocupa a secretaria de Turismo do Estado. Ele reagiu às declarações de Flávio Junior, que considerou o cargo de Pires meramente decorativo, sem assegurar qualquer recurso para o Estado. O Secretário fez referência específica ao Centro de Convenções, cujos recursos estariam assegurados desde 2009, contradizendo Pires.

Em reação às críticas de Nogueira, Henrique Pires disse que conseguiu liberar, via Ministério dom Turismo, R$ 2,7 milhões para a finalização das obras do Centro de Convenções de Teresina. E contra-atacou:  para ele, decorativo é um deputado assumir uma secretaria com preocupações individuais e afastar-se do trabalho em prol dos eleitores com os quais se comprometeu.

Ainda no ataque, o Secretário de Infraestrutura do Ministério do Turismo disse que desde 2013 o Estado tinha disponível R$ 40 milhões para o novo Centro de Eventos, previsto para ser construído no Parque de Exposição. Pires observa que, três anos e meio depois, os recursos não foram utilizados, já que até agora sequer foi licitado o projeto do Centro de Eventos, cujas obras estão projetadas apenas para o final de 2018.

Diante disso, Pires conseguiu realocar esses R$ 40 milhões para a obra da adutora do litoral. Essa mudança foi um dos primeiros pontos de atrito entre Henrique Pires e Flávio Júnior. Mas o Secretário de Infraestrutura do Ministério do Turismo disse que a mudança tinha a intenção de aproveitar no Estado um recurso já disponível. Diz ainda que teve o aval formal do governador Wellington Dias.

Para ouvir a entrevista completa de Henrique Pires no Acorda Piauí, acesse o arquivo abaixo.

 

Heráclito quer impedir uso do Fundo Partidário por dirigentes

 Heráclito Fortes: deputado quer mudar lei, impedindo que diretórios partidários sejam verdadeiras empresas familiares com altos salários 
 

No calor da discussão da reforma política, o deputado Heráclito Fortes (PSB-PI) quer mais rigor na aplicação dos recursos do Fundo Partidário. E vai apresentar um Projeto de Lei com a intenção de fazer o Fundo ser usado mais especificamente para as atividades partidárias. Entre outras coisas, o Projeto proíbe o uso dos recursos para o pagamento de dirigentes partidários.

A proibição vai ser explícita quanto às proibições: o dinheiro do Fundo não poderá ser utilizado para salários, auxílios e ajuda de custo a dirigentes de partidos políticos. Heráclito explica que os salários são “extremamente elevados" e as regalias terminam se convertendo em abusos que distanciam o uso dos recursos aos objetivos dos partidos.

Para ele, essa proibição se ajusta ao sentimento da sociedade, que cobrar mais moralidade na atuação dos partidos. O deputado lembra noticiário recente que mostrou o uso inadequado desses recursos. "É preciso, de alguma forma, moralizar a utilização dos recursos do Fundo Partidário, cuja composição é majoritariamente oriunda de recursos públicos", diz. 

Ainda segundo o deputado, a prática mostra que em muitos casos os diretórios partidários têm uso pessoal, com destinação dos recursos para pessoas da relação direta dos que controlam a sigla. Heráclito afirma que esses diretórios "se transformam em verdadeiras empresas familiares, com a divisão dos postos de direção, todos obviamente bem remunerados e com valores acima do que qualquer uma dessas pessoas ganharia no mercado”.

A proposta do deputado piauiense quer assegurar que os recursos do Fundo Partidário tenham uso nas atividades políticas dos partidos, não em benefícios de seus dirigentes.

 

Um Fundo de quase R$ 1 bi

O Fundo partidário é formado basicamente por dinheito público. E não é pouca grana. Em 2015, o Fundo praticamente foi multiplicado por três. No Orçamento da União previsto para este ano, se tudo o que está previsto for liberado, vai somar uma bela fortuna de R$ 818 milhões.

A previsão é que, em 2018, o Fundo torne a crescer acima da inflação. Na proposta de Orçamento que está no Congresso, a previsão é que fique em R$ 888 milhões. E a expectatuiva é que assim permaneça já que não vê entre os parlamentares nenhum esboço de reação no sentido de reduzir o tamanho da bolada.

Firmino repensa estratégia: Luciano federal, Lucy estadual


Luciano Nunes: estratégia tucana pode levar o deputado da Assembleia para a Câmara Federal

 

Sobre as eleições de 2018, o prefeito Firmino Filho diz pouco. Quanto à própria candidatura, tangencia e lança as perspectivas para 2022. Quanto às candidaturas dos que compõem seu grupo político, cala. E nem mesmo seus assessores mais próximos e amigos conseguem ser categóricos sobre os planos do prefeito.

Mas, apesar do mutismo do tucano, algumas coisas começam a ser divisadas – especialmente as que dizem respeito aos integrantes do seu grupo. Firmino acha que o partido deve ter um candidato a deputado federal competitivo. Poderia ser Lucy Silveira, a primeira-dama do município, como desenhado desde o ano passado nas conversações entre o prefeito e o senador Ciro Nogueira. Mas esse plano passa por mudanças.

O candidato a deputado federal poderá ser o hoje estadual Luciano Nunes. E Lucy iria para a Assembleia. Mas a definição de Firmino inclui vários detalhes.

Aliança com Ciro: A proximidade do prefeito com Ciro parece quase inabalável. O tucano diz, inclusive, que Lucy filiou-se ao PP em uma deferência ao senador, que tem se mostrado fundamental na alocação de recursos federais para o município. Mas pode significar muito mais. Inclusive uma candidatura de Firmino a um cargo majoritário, em 2018.

Candidatura ao governo: A oposição espera um sinal de Firmino, quanto às suas intenções para 2018. Mas Firmino não deixa claro nem para os aliados da cozinha do PSDB. Não se pode descartar, no entanto, uma candidatura majoritária: ao governo, pela oposição; ao senado, pela situação.

Lucy Silveira: A filiação da primeira-dama ao PP estava atrelada a uma candidatura à Câmara Federal. Pode trocar por uma candidatura à Assembleia Legislativa. Mas a mudança traz desdobramentos, sobretudo por prejudicar Firmino Paulo e também Mardem Menezes.

Luciano Nunes: É visto como um perfil de deputado federal. Disputaria uma vaga na Câmara. Os colégios dos quais abriria mão poderiam compensar parte das perdas dos colegas de Assembleia.

Vale destacar a vontade do PSDB de ter um deputado federal para chamar de seu. Nas últimas eleições, despejou votos em Júlio César (2010) e em Rodrigo Martins (2014). Nenhum com ficha no PSDB, muito menos DNA tucano.

Luciano poderia ser esse tucano de sangue e alma.

Caso JBS traz dúvidas sobre futuro da delação premiada


Rodrigo Janot: revisão no caso JBS traz dúvidas sobre atuação do MPF e instituto da delação premiada

 

Um acabrunhado Rodrigo Janot colocou-se diante dos jornalistas, ontem no início da noite, para dar uma notícia que não gostaria. Com a voz mais contida que o habitual, Janot anunciou uma investigação que pode alterar muitos da delação dos donos da JBS. Mas o anúncio feito pode ter desdobramentos muito maiores, salpicando a reputação da própria instituição comandada por Janot, a Procuradoria Geral da República. De quadra, pode dar argumentos aos adversários do instituto da delação premiada.

Certamente não foi o desfecho sonhado pelo Procurador Geral da República para seus dois mandatos, quando se tornou uma espécie de vingador da Nação, apontando o dedo contra poderosos que mergulharam em esquemas de corrupção. Nesse período, Janot ajudou a consolidar a delação premiada como um instrumento poderoso contra os corruptos.

Vale ressaltar, a delação premiada não é nenhuma invenção brasileira. Existe em vários países, sem questionamentos relevantes. Coisa nova no Brasil, aqui também mostrou extrema eficácia. Mas é questionada por muita gente graúda, em geral pessoas envolvidas nos escândalos onde a delação se revelou importante recurso de investigação e revelação dos esquemas subterrâneos que sugam recursos públicos.

Mas a delação da JBS trouxe questionamentos sobre esse instituto. Não propriamente questionamento jurídico, mas uma descondfiança na opinião pública. Primeiro, pouca gente entendeu o tamanho das vantagens oferecidas aos irmãos Joesley e Wesley Batista. Muitos fizeram comparações óbvias: Marcelo Odebrecht entregou meio mundo, com farta documentação, e já está há mais de dois anos na cadeia. Por outro lado, após a delação, Joesley mudou-se para Nova Iorque e anda o mundo em um jatinho seis estrelas.

Essa desconfiança agora se agrava quando Rodrigo Janot revela que a delação tem omissões graves, implicando membros da própria PGR, do Congresso e até do Supremo Tribunal Federal. O cidadão deve perguntar: até onde vale a delação premiada?

O gravíssimo fato que Janot trouxe a público dá argumentos aos que combatem a delação premiada, os advogados de defesa dos muitos figurões implicados nas investigações da Lava Jato. Ontem mesmo alguns deles já questionavam não apenas a delação dos Batistas, mas o próprio instrumento e as provas conseguidas através dele.

A investigação aberta pela PGR explicita a dúvida sobre o futuro do instrumento da delação premiada. Certamente, não era este o legado que Janot gostaria de deixar ao sair do comando da Procuradoria Geral da República.

O caos político está aí, com ou sem reforma


Deputado Marcelo Castro: preocupado com a reforma política que pode simplesmente não acontecer

 

O deputado Marcelo Castro (PMDB-PI) fez um alerta, ontem, no Cidadeverde.com: se o Congresso não aprovar uma reforma política que altere as regras para as eleições do próximo ano, o Brasil entrará no caos. O deputado observa que, no quadro da discussão sobre a reforma, em Brasília, está tudo descoordenado. “Uma bagunça muito grande”.

Marcelo é, provavelmente, o parlamentar piauiense que mais conhece de reforma política, sobretudo porque foi relator de uma comissão especial que, em 2015, visava desenhar as regras para as eleições de 2016. Ao pensar em promover mudanças reais, foi bombardeado pelo seu ex-padrinho, o então presidente da Câmara, Eduardo Cunha.

Agora, ao fazer uma análise do cenário que envolve a reforma política, o deputado piauiense erra feio no tempo do verbo, ao dizer que o país “entrará” no caos. Lamento informar: o país já vive o caos político, construído em um sistema que encarece as campanhas, facilita a roubalheira e amplia a instabilidade.

Tenho outra notícia ruim: nenhuma das propostas em discussão no Congresso muda a essência das campanhas para as próximas eleições. Portanto, não vai mudar o custo da campanha que está chegando.

Algumas das alternativas aventadas no Congresso até poderiam tornar as campanhas mais caras, como o distritão. Por esse sistema, as campanhas para deputado (federal e estadual), assim como para vereador, passam a ser majoritárias. Como alertam alguns especialistas (com certo exagero, mas com algo de verdade), apontando para a disputa das 513 vagas na Câmara: é como se fossem 513 campanhas para o Senado.

Para reduzir o custo efetivo das disputas eleitorais, é preciso olhar para os fatores que tornam nossas campanhas tão caras. Por exemplo, é necessário reduzir o número de partidos (o que já reduziria o número de candidatos). Também é razoável pensar em fragmentar os distritos. Fazer campanha em uma área menor significa menos viagens, menos atração (ou cooptação) de lideranças, menos dinheiro desembolsado.

E tudo isso pode levar a coalizões mais enxutas, favorecendo uma governabilidade mais fácil e menos dispendiosa. Traduzindo: menos corrupção.

O que os congressistas então discutindo para o próximo ano não altera muito esse cenário, a não ser o fim da coligação proporcional - e mesmo assim, se não empurrar goela abaixo a tal federação de partidos. O resto não muda a essência do que está aí, esse coquetel de regras que faz borbulhar o caldeirão do caos político.

 

O que é péssimo pode piorar

Se a reforma política não vem, o caos pode até aparecer para um segmento que às vezes dá mostras de estar pouco preocupado com as mudanças de regras. Os parlamentares.

Boa parte do Congresso pensa em um único item das regras: o financiamento de campanha. A avaliação de analistas, dentro e fora do Parlamento, é que vai faltar dinheiro para a campanha de 2018. O Fundo Eleitoral tinha esse objetivo: garantir os recursos para a campanha.

E sem esse rico dinheirinho, o caos se estabelece de um modo tal que até a Abin já adverte para um outro risco: o crime organizado (como os grupos de narcotraficantes) pode ser um importante financiador da política.

Aí já será mais que o caos. Será o fim.

Temer atira antes como antídoto contra nova denúncia

Michel Temer: ataque à delação de Lúcio Funaro antes mesmo do conteúdo ser conhecido é antídoto contra nova denúncia

 

Surpreendeu ontem a nota divulgada pelo Palácio do Planalto contestando a delação do doleiro Lúcio Funaro. Surpreendeu duplamente: pela nota em si, já que desqualifica um fato ainda não conhecido; e pela extensão e tom agressivo da mensagem.

Há claramente um esforço de qualificação do conteúdo da delação, que muitos consideram de potencial explosivo, diante da relação que Funaro tinha com o núcleo do chamado “PMDB da Câmara”. Avalia-se que tenha detalhes sobre recebimentos de propinas e depósitos em contas de terceiros.

Vale lembrar, o tal “PMDB da Câmara” costuma ser associado a um seleto grupo de políticos com enorme poder dentro do governo desde os tempos de Lula e Dilma. Aí estariam Eduardo Cunha, Gedel Vieira e o próprio Michel Temer.

Na nota, o Planalto fala de “suposta segunda delação”, lembrando que Funaro já havia feito delação antes, no caso do Mensalão. Mas a ideia de “suposição” logo é deixada de lado quando o texto ataca o conteúdo daquilo que não se conhece, pelo menos publicamente. Diz por exemplo, que a delação traz “inconsistências e incoerências próprias de sua trajetória de crimes”. E afirma que tudo não passa de “ficções e invenções”.

O texto também lança petardos contra o Procurador Geral da República, Rodrigo Janot, ao dizer que tudo se resume à “vontade inexorável de perseguir o presidente da República” capaz de transformar o criminoso Funaro “em personagem confiável”. A mudança de status de Funaro é ironizada: “do vinagre, fez-se vinho”. Coroa a chuva de insinuações com uma pergunta: “Quem garante que, ao falar ao Ministério Público, instituição que já traiu uma vez, não o esteja fazendo novamente?”

O inusitado da resposta ao conteúdo de uma delação que ainda não se conhece tem uma explicação: vem chumbo grosso. E esse chumbo grosso tem tudo para se transformar na base de uma possível segunda denúncia a ser oferecida por Rodrigo Janot contra o presidente Michel Temer.

Tal situação tende a mudar as perspectivas, já que após a primeira denúncia avaliava-se que uma segunda acusação a ser feita por Janot não teria a força da primeira, lastreada nas delações da JBS. Funaro pode ter dado a consistência que já não se divisava no horizonte do restante de mandato do Procurador Geral – ele tem mais 15 dias no cargo.

Daí, a nota de Planalto é uma espécie de antídoto, um esforço para reduzir o impacto da bomba que estar por vir e tentar que os fragmentos da explosão não afetem tão seriamente o presidente Temer. O problema é que a estratégia termina por revelar tanto a força da delação quanto o temor dos que possam nela estar citados.

A situação lembra até a história do garoto que quebrou o jarro grande da casa, justo o preferido da mãe. Quando a mãe chega do trabalho e chama o garoto, antes que ela diga qualquer coisa ele já se antecipa:

? Não fui eu não!

Defensoria pode não encolher, mas não vai crescer – diz Hildete


Hildeth Leal: limitações orçamentários freiam atuação da Defensoria Pública do Estado

 

As limitações orçamentárias vão se tornando um importante limitador na ação da Defensoria Pública do Estado do Piauí, segundo afirmou a Defensora Geral, Francisca Hildeth Leal. Em entrevista ao Acorda Piauí, hoje cedo na rádio Cidade Verde, Hildeth disse que a evolução orçamentária para 2018 já está delineada e, se não provocar o encolhimento, certamente não permitirá o crescimento da atuação do órgão.

A Defensora lembrou que amanhã acontecerá Audiência Pública para discutir as condições de atuação do órgão, onde um dos convidados é precisamente o deputado Severo Eulálio Neto (PMDB), presidente da Comissão de Orçamento da Assembleia Legislativa. Ela observa que as demandas crescem, assim como as despesas, sem que haja a correspondência na evolução das receitas.

Desde 2016 a Defensorias pública tem autonomia financeira e administrativa. Significa que passa a contar com recursos definidos no Orçamento do Estado. Daí, o aumento de despesas como novas unidades no interior ou a convocação de novos defensores geram mais gastos, sem que haja mudança nas receitas.

Na entrevista ao Acorda Piauí, Hildeth falou do trabalho do órgão no sentido de assegurar uma atenção eficiente e humanizada a quem não tem condições de pagar um advogado para fazer sua defesa. Disse ainda que a maior parte dos atendimentos na Defensoria está relacionada à garantia de pensão alimentícia, cuja demanda cresce em momento de crise.

Ela também falou sobre a atuação da Defensoria na garantia de defesa de acusados de crimes. Nesse sentido, disse que os Defensores Públicos não estão defendendo o crime, mas garantindo um direito de defesa que todo acusado ter, como assegura a lei.

- O que fazemos é uma defesa técnica – diz ela, acrescentando que essa é a função da Defensoria.

Para ouvir a entrevista completa da Defensoria Geral Hildeth Leal, acesse o arquivo abaixo.

 

40% dos servidores federais se aposentam nos próximos 10 anos


Esplanada dos Ministérios: com aposentadorias, Executivo terá que repor 215 mil servidores em 10 anos

 

Os próximos 10 anos vão ver uma enorme mudança na composição – e talvez também na lógica – de funcionamento do serviço público no Brasil. E a realidade do serviço público federal dá uma mostra do que está por vir: 4 de cada 10 servidores do Executivo Federal, atualmente, vão se aposentar na próxima década.

A projeção é do Ministério do Planejamento, que contabiliza a perspectiva em números: cerca de 215 mil servidores do Executivo Federal deixarão a ativa até 2027. Uma boa fatia desse número vai ser de servidores das universidades – entre técnicos e professores, quase 64 mil vão se aposentar.

É essa perspectiva que está dando suporte (ou argumentos) para o governo Michel Temer apresentar propostas como a definição de um teto de R$ 5.000 para servidores em início de carreira. Essa discussão aberta pelo governo aponta para a possibilidade de mudanças substantivas no serviço público federal.

A primeira consideração é que, mantendo-se a filosofia atual, o governo terá que repor muita gente para a máquina continuar funcionando. Nesse caso, a realização de concurso com piso salarial baixo deve tornar desinteressante o ingresso no setor público. Ser servidor federal pode deixar de ser o sonho de muita gente.

Mas essa discussão pode levar a outra possibilidade, com alteração da filosofia de gestão na área pública. Sim, porque muitos que estão na Esplanada dos Ministérios – tanto no Executivo como no Legislativo – acham que o poder público pode passar boa parte das suas atribuições ao setor privado. E, nesse caso, não precisaria tanta reposição.

Vale lembrar, o processo de redução do tamanho do Estado está assentado lá no final da década de 1980. Passa pelo governo Collor, ganha força com Fernando Henrique e mesmo os governos petistas, que realizaram muitos concursos, não deixaram de abraçar experiências como a terceirização ou o repasse de instituições públicas para gestão por institutos como as Organizações Sociais. Os hospitais universitários são uma das facetas mais visíveis desse modelo.

Com tantas aposentadorias à vista, pode acontecer desse modelo ser mais e mais valorizado.

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