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Reforma da Previdência: Governo comunica mal e agora aposta, pasme!, na CPI


Henrique Meireles: governo agora aposta na CPI da Previdência para esclarecer sobre a reforma

 

Sete em cada dez brasileiros rejeitam a reforma da Previdência. É o que revela pesquisa do instituto DataFolha. A pesquisa também revela contradições nas respostas dos entrevistados. Por exemplo: apenas 27% rejeitam a idade mínima de 65 anos para os homens. Talvez um outro índice da sondagem traduza esse descompasso: apenas 18% se dizem bem informado sobre a reforma.

Os indicadores da pesquisa não chegam a surpreender. Mas fizeram o governo dar a mão à palmatória: comunicou-se mal com a sociedade e não foi capaz de superar o embate político com informações técnicas claras e tradutoras do real impacto da reforma na vida do cidadão.

Dizer que se comunicou mal é um eufemismo. A comunicação do governo foi péssima, ineficiente tecnicamente ou politicamente. O presidente Temer tem dificuldades em ser claro e acessível. A seus principais auxiliares falta capacidade comunicativa e, em muitos casos, credibilidade. Resultado: hoje o governo não encanta nem os aliados no Congresso, cheios de dúvidas quanto ao voto na proposta.

Diante de quadro caótico, o Planalto revolveu fazer uma espécie de operação de guerra para recuperar o tempo perdido. Articula as liderranças no Congresso. Mas para alcançar o objetivo de informar à sociedade – pasme! – começa a depositar esperanças onde menos se esperava: na CPI sobre a Previdência, que o Senado vai instalar.

O governo não conseguiu estabelece um debate aberto com a cidadania. A divisão conflituosa do país em dois campos políticos enfrentados é complicador, já que os argumentos desaparecem, dando lugar a discursos tão apaixonados quanto desprovidos de base. E de ambos os lados,

Faltou, a cada lado, dizer porque é a favor ou contra a reforma. E se é contra, qual alternativa: uma outra proposta? Ou proposta nenhuma? Ficar como está resolve? Se é pra mudar, o que muda? E com que efeito? Como fica cada cidadão, nos casos mais diversos, diante de possíveis mudanças?

Ah, sim! O governo diz que a reforma é importante para reaquecer a economia. Como isso se dá?

Ontem, o ministro da Fazenda, Henrique Meireles – talvez o único com alguma lucidez nos argumentos, mas excessivamente frio nas falas –, contestou os que afirmam não existir déficit. E afirmou que, se todos os devedores da Previdência saldassem hoje suas dívidas, nem de longe cobriria o déficit de um ano. Quer dizer: no próximo ano teríamos os mesmos R$ 150 bilhões (ou mais) de déficit.

Ciente da incapacidade do governo de ser claro na explicação da reforma. Meireçles foi mais: disse que a CPI da Previdência pode ser uma boa oportunidade para o governo lançar luz sobre esse quadro tão politicamente turvo. Para o ministro, a CPI vai evidenciar os argumentos do governo. E mostrar que a reforma não apenas é necessária, como urgente.

Mercado procura profissional que dê ‘algo a mais’, diz especialista


André Loiola: mercado procura profissional que não se acomoda à zona de conforto

 

Em tempos de desemprego nas alturas, saber como chegar ao mercado de trabalho pode fazer uma grande diferença para o profissional que desejar garantir um lugar ao sol. E a receita é bem clara: o mercado quer profissionais capazes de “trazer algo mais”, segundo diz André Loiola, especialista em gestão de carreiras.

Em entrevista ao Acorda Piauí, hoje cedo na rádio Cidade Verde, Loiola falou sobre os desafios profissionais do momento. Ressalta a qualificação técnica como fundamental para a inserção no mercado de trabalho. Mas adverte que isso não é tudo. O profissional precisa estar preparado também emocionalmente.

Segundo o especialista, o mercado cobra profissionais que não se acomodam à zona de conforto e que buscam inovar. E ressalta uma ferramenta importante para quem deseja se destacar: a capacidade de comunicação, de estabelecer conexões. Para ele, essa capacidade vai separar o joio do trigo.

André Loiola também enfatiza a capacidade organizacional como elemento diferenciador dos profissionais de êxito.

A íntegra da entrevista de André Loiola você pode conferir no link abaixo.

 

PMDB sempre foi oportunista, diz Gilberto Paixão


Gilberto Paixão: novo presidente do PT em Teresina quer partido mais ligado aos movimentos sociais

 

O PT de Teresina pode ser um importante condutor do debate em torno dos rumos do partido nas eleições do próximo ano. É o que deixa entrever o ex-vereador Gilberto Paixão, que ontem se elegeu presidente do diretório do PT em Teresina. Paixão concedeu  entrevista hoje cedo ao Acorda Piauí, na rádio Cidade Verde. E manifesta a preocupação com o tamanho do espaço ocupado pelo PMDB no governo de Wellington Dias.

O novo presidente do PT na capital quer que o partido tenha uma discussão série sobre as eleições de 2018, inclusive a composição em torno da candidatura de Wellington Dias à reeleição. Nesse caso, destaca a escolha do vice, já que poderá implicar na entrega do governo ao aliado em 2022 (caso Wellington se desincompatibilize para disputar o Senado).

O receio é exemplificado com a escolha de Michel Temer (PMDB) para vice de Dilma Rousseff, que terminou assumindo o governo com bandeiras bem diversas das defendidas pelo PT. “O PMDB sempre foi oportunista”, diz Paixão, observando que o partido não reúne as condições para pleitear diretamente o cargo (de presidente ou de governador) e se associa ao PT, para depois assumir o cargo de carona.

Diante disso, alerta para a composição da chapa de Wellington, em 2018. Paixão aponta o risco de ver um governo conquistado pelo PT entregue a um aliado sem os mesmos compromissos. Daí, apresenta uma proposta radical: acha que Wellington deveria permanecer no cargo para não entregar a quem não compartilha os compromissos petistas.

Gilberto Paixão diz que assume o PT municipal com algumas teses que buscam resgatar a trajetória histórica do partido. Entre elas a de reaproximar o partido dos movimentos social e sindical. Entende que houve negligência nesse sentido, sobretudo durante o governo Dilma.

Paixão quer promover o debate sobre a trajetória futura do partido. Nessa discussão, pede uma reflexão sobre a conduta petista dos últimos anos. Entende que Lula não poderia ter governado sem aliança com setores da direita, mas acha que o preço pago pelo PT foi muito alto. Nesse sentido, também critica o afastamento dos movimentos sociais.

Outro ponto destacado por Gilberto Paixão é a ação do PT na capital piauiense. Ele criticou a imposição de uma aliança de pouca aceitação, nas eleições de 2016. E acha que o PT deve se  preparar para ter candidatura própria competitiva nas eleições de 2020.

A íntegra da entrevista de Gilberto Paixão você pode conferir no link abaixo.

 

Combate à corrupção, novo produto de exportação ‘Made in Brazil’


Dilma Rousseff, Cristina Kirchner e Lula: nomes na lista ex-presidentes envolvidos na Lava Jato

 

De onde menos se esperava surgiu o novo produto de exportação do Brasil: o combate à corrupção. E esse novo produto de exportação tem nome óbvio: Lava Jato. A operação que começou há três anos e já levou para a cadeia um punhado de figurões da política e do empresariado, está fazendo escola e deixa frutos em uma dezena de países, na América do Sul, América Central e África. E ainda tem Suíça e Estados Unidos, onde a Odebrecht já foi punida. E Portugal, onde a investigação reverbera.

Para se ter uma ideia do efeito Lava Jato, as investigações já alcançam 14 ex-presidente e pelo menos dois presidentes no cargo, em cinco países. “Há um antes e um depois da Lava Jato na América Latina”, diz o jornalista Martin Leon Espinoza, do jornal peruano El Comércio, responsável por uma série de reportagens sobre o escândalo continental revelado a partir de Curitiba.

É uma reportagem dele que traz a lista de ex-presidentes envolvidos na investigação. Só no Brasil são cinco: dos presidentes dos últimos 32 anos, só escapa Itamar Franco. Estão na lista da Lava Jato Dilma Rousseff, Lula, Fernando Henrique, Fernando Collor e José Sarney. Na Argentina, a lista inclui Cristina Kirchner e Carlos Menem. O Peru iguala o Brasil em número, cinco: Alejandro Toledo, Alan Garcia, Ollanta Humala, Alberto Fujimori e Morales Bermudez. El Salvador acrescenta mais dois: Antonio Saca e Maurício Funes.

A lista pode incluir ainda Hugo Chavez, já falecido. E cita dois presidentes em exercício: o brasileiro Michel Temer e o dominicano Danilo Medina.

No caso da Republica Dominicana, o escândalo da Lava Jato já resultou em um livro cujo título é sugestivo: Odebrecht, a queda de um império corruptor. O livro é do advogado e economista Angel Lockward. A publicação é vendida como o primeiro livro sobre a Odebrecht após o escândalo da Lava Jato.

De fato, a Lava Jato está estabelecendo um divisor importante na política do continente. E também fora das fronteiras latino-americanas. Quem diz isso é o mesmo Leon Espinoza, avaliando o impacto das revelações de ex-executivos da Odebrecht:  “A relevância da investigação da Odebrecht é tamanha que promotores e procuradores-gerais de 10 países da América Latina e de Portugal concordaram em realizar ação coordenada”. Algo absolutamente novo.

Há nessa constatação uma grande dose de esperança: que os escândalos levem a um novo modo de fazer política. Olhando a realidade brasileira e o comportamento dos políticos – tentando mais impedir as punições que corrigir rumos –, é preciso colocar as barbas de molho.

Seja como for, a Lava Jato tem um grande mérito: mostrou que há um outro caminho. Sobretudo, mostrou que o caminho que vinha sendo trilhado tem fundamentalmente um perdedor: a cidadania.

Wellington e Previdência: dilema entre a política e a gestão

Wellington Dias: o político é contra a reforma da Previdência; e o gestor pede uma saída para o deficit da previdência estadual

 

O governador Wellington Dias (PT) já decidiu. E a secretária de Educação, Rejane Dias, confirmou: os dois deputados federais do Piauí afastados para exercício de cargos de secretário – a própria Rejane e o secretário de Segurança Fábio Abreu – vão retornar à Câmara dos Deputados por ocasião da votação da reforma da Previdência. Wellington quer assegurar dois votos contrários à proposta do governo.

A decisão atende ao político Wellington e seus compromissos com o PT, no embate com o governo federal e de olho em 2018. Mas essa decisão cria embaraços para o gestor Wellington, o governador que reconhece dificuldades com as contas da Previdência estadual.

O sono do governador deve ficar um pouco atormentado. De um lado, povoa a cabeça a possibilidade da reforma passar. De outro, a da reforma não passar. O que seria pior para Wellington, no conflito interno entre o político e o gestor?

De acordo com dados já revelados pelo próprio governador, a Previdência estadual tem um déficit de R$ 1 bilhão por ano. Se lembrarmos que a economia do Piauí representa meio por cento do PIB nacional, esse valor, nacionalizado, corresponderia a um déficit de R$ 200 bilhões nas contas da União. É quase 30% mais que o rombo federal. Mas, claro: essa conta não é precisa; aqui fazemos uma simples associação para destacar as dificuldades do governo estadual.

Essa associação também serve para mostrar que o problema é grave, tanto lá quanto cá.

Se a reforma não passa, o político Wellington vai comemorar por ajudar a infligir uma surra ao governo Temer. Mas é possível que o governador lamente diante da falta de perspectivas para o drama das contas com a Previdência estadual.

O mais grave é que, se a reforma passar, o dilema não diminui. O Wellington político terá, nesse caso, sofrido uma derrota junto com o PT, mas o governador terá à mão a possibilidade de seguir uma receita aprovada pelo Congresso.

O drama adicional de Wellington é que, no caso da reforma passar, outra vez o gestor e o político estarão em conflito. Se for aprovada como se encaminha a proposta de reforma da Previdência, os estados terão um prazo (seis meses) para fazer sua própria reforma – ou simplesmente não fazer nada e aderir à regra aprovada no plano federal.

Portanto, Wellington terá uma receita definida pelo Congresso. Mas não necessariamente precisa segui-la. E aí permanecem os dilemas. Não seguir a reforma é apegar-se a uma pregação política que pode não ajudar a corrigir o rombo previdenciário do estado. Segui-la é matar o discurso de ser contra a proposta.

O empenho do governador, através da exoneração dos secretários-deputados para exercício do voto contra a reforma, é um ingrediente a mais na complicação do dilema que Wellington terá pela frente.

Dilma ou Temer. Quem é o pai ou mãe da crise brasileira?


Temer e Dilma: pai e mãe de uma crise “como nunca antes na história deste país”

 

Quando Michel Temer assumiu pra valer, há menos de um ano, o Brasil já tinha 12 milhões de desempregados e avançava no terceiro ano de crise econômica – o segundo de recessão braba. E os especialistas apontavam para o crescimento desse desemprego. Pois bem: o desemprego chegou aos 14 milhões. E, menos de um ano depois de Temer chegar ao Planalto, no rastro da pouca eficácia das ações de governo e da absoluta incapacidade comunicativa do presidente, vai-se trocando o nome do pai da criança.

A crise de fato começa ainda no final do segundo governo Lula, mercê de ações que minavam as perspectivas da política econômica. Com Dilma, a coisa saiu do sinal amarelo, passou para o sinal vermelho e logo chegamos ao quadro negro. As medidas adotadas tentavam criar uma outra matriz econômica. Muitas medidas eram desencontradas, inócuas ou simplesmente um tiro no pé.

Resultado: Dilma deixou o Brasil com uma sequência de dois anos de recessão num quadro tão grave que os especialistas dizem que supera até mesmo os anos de 1930 e 1931, o trágico biênio pós-crash da bolsa novaiorquino.

Se dermos atenção a certas manifestações dos últimos dias, especialmente de algumas lideranças do PT, há um esforço para se dar nova paternidade à crise. Ao invés de Dilma, Michel Temer. Talvez seja injusto. Mas que se traga rápido uma explicação: não é injusto atribuir a Temer. É injusto deixar Dilma de fora.

Se um governo é uma coalizão, PT e PMDB são parte direta da construção da crise. Desde 2011 Temer fazia parte do governo. E se manteve, porque se reelegeu com Dilma em 2014, seguindo avalista das ações da petista.

Portanto, a questão não é saber se a crise tem pai ou mãe. Mas lembrar que ela tem pai e mãe.

 

As perspectivas de recuperação

Independente do pai ou mãe da crise, o país se pergunta quando teremos a retomada do desenvolvimento. E o que é possível ser feito para que o Brasil reencontre o caminho do reaquecimento econômico. Por enquanto, o que tem crescido é tão somente a temperatura política, no embalo dos conflitos que deixam de lado as discussões substantivas. O debate é tomado pelo bate boca.

Vem o governo e diz que a reforma da Previdência é importante – uma frase já dita antes por Lula e Dilma, quando presidentes. Mas reação no âmbito político não tem sido racional. O emocional toma conta. Prevalece o clima de torcida, do contra ou a favor, sem maiores (ou qualquer) argumento.

Seria bastante razoável que as lideranças políticas do país pensassem um pouquinho no Brasil. E fizessem um debate real, não uma discussão, um bate boca. Caberia, mais que nunca, um debate em que cada um, ao invés de gritar, argumentasse.

Por exemplo: é contra a reforma da Previdência? Ok. Então, qual a alternativa. É contra a reforma trabalhista? Mais uma vez, Ok. E outra vez: qual seria a alternativa?

O país está cheio de perguntas. Mas faltam respostas, sobretudo respostas consistentes e desprovidas de paixão, essa paixão que embala as arquibancadas dos estádios em dia de clássico.

Silas Freire, com o governo agora e contra o governo, depois?

O deputado Silas Freire (ainda no PR mas a um passo do Podemos) votou com o governo na proposta de reforma trabalhista. Mas tem avisado que é contra a reforma da Previdência. Se tiver oportunidade e se a proposta continuar como está, vota contra. Mas talvez sequer tenha a oportunidade de votar, já que Wellington Dias vai mandar de volta para a Câmara os deputados titulares Rejane Dias (PT) e Fábio Abreu (PTB), tirando temporariamente da cadeira os suplentes Silas e Mainha (PP).

O governador Wellington Dias quer assegurar esses dois votos contra a reforma da Previdência. No caso de Silas, talvez nem precisasse. O deputado já é contabilizado como membro do Podemos (a ser formalmente criado dia 19 de maio). E na votação desta semana entrou na conta dos 8 votos dados pelo partido à proposta do governo. Mas no caso da reforma da Previdência o governista se transforma e antigovernista.

A bancada do futuro Podemos tem 14 membros, Silas entre eles. E o deputado piauiense já avisou que acompanhou o grupo na reforma Trabalhista. Mas só teria condições de apoiar a reforma da Previdência se fossem feitas algumas mudanças. Entre elas, um tratamento diferenciado para as forças de segurança pública.

Silas se alinha com a chamada “bancada da bala”, aquele grupo de parlamentares que defendem posições como redução da maioridade penal e acham que esse negócio de direitos humanos é uma boa maneira de defender bandido. São posições polêmicas, mas com considerável apoio popular.


Senador Álvaro Dias: um nome que Podemos colocará como opção para a Presidência da República

Álvaro Dias candidato a presidente?

Será no próximo dia 19 o lançamento oficial do Podemos, o novo nome do velho PTN. O partido, com essa sigla, já teve em seus quadros Jânio Quadros e Celso Pitta, ex-prefeito de São Paulo. Agora quer dar uma remoçada repetindo um nome que faz sucesso na Espanha.

Lá, o Podemos é um partido de esquerda e bastante horizontal – com ampla participação dos militantes em suas decisões, inclusive utilizando-se muito das redes sociais. Aqui o perfil é outro, no espectro da centro-direita.

Mas os sonhos do Podemos são ambiciosos. E ao ganhar novo nome no dia 19 – vale observar, 19 é o número do partido –, o Podemos quer também incorporar novos personagens, e de peso. Entre os novos filiados estarão os senadores Romário (PSB-RJ) e Álvaro Dias (PV-PR). Para ambos, os projetos são grandiosos.

Álvaro Dias será lançado à presidência da República no mesmo dia. E Romário ao governo do Rio de Janeiro. No caso de Álvaro, a intenção é ocupar o que o partido considera um vácuo de lideranças e perspectivas no Brasil. 

É ver e conferir no que vai dar.

TSE quer apressar julgamento da chapa Dilma-Temer. Defesa quer o contrário


Herman Benjamin: fim de mandato apressa julgamento da chapa Dilma-Temer

 

Se depender do ministro Herman Benjamin, relator do processo que pede a cassação da chapa Dilma-Temer, a matéria entra, ainda em maio, na pauta do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O ministro e boa parte do TSE desejam assim. Mas não depende só da vontade dele e de alguns colegas, porque agora vai-se travar uma luta em torno do tempo até o fim do processo.

O presidente Michel Temer se agarra ao tempo como recurso fundamental, porque as evidências levantadas ao longo do processo jogam contra seus interesses. Está mais que documentado o uso de recursos de caixa 2 na campanha de 2014, bem como a origem ilegal desses recursos. Os depoimentos dos ex-executivos da Odebrecht, assim como os do casal de marqueteiros João Santana e Mônica Moura, sacramentam essa leitura.

Na contramão, o ministro Herman Benjamin tem pressa. E tem pressa por dois motivos principais. O primeiro, que deseja esgotar logo um processo importante em seu currículo. Segundo, porque precisa correr mesmo, pois há o risco de sair do TSE sem ver a matéria votada. O problema é que o mandato de Herman Benjamin termina em outubro próximo.

As mudanças na composição do TSE têm se convertido em um aliado de Dilma Rousseff e (principalmente) Temer, que jogam com o atraso do relógio – isto é, com a protelação. Em abril, saiu o ministro Henrique Neves, substituído por Admar Gonçalves, que assumiu ontem. A substituição aconteceu dentro do previsto, já que Gonçalves era ministro-substituto. Mas isso não quer dizer que ele não venha pedir prazo extra para avaliar melhor o processo.

Agora em maio haverá uma nova mudança. Sai a ministra Luciana Lóssio, cujo mandato acaba dia 5 – portanto, na próxima semana. Em seu lugar assume o também ministro-substituto Tarcísio Vieira Carvalho. Não será surpresa se também ele pedir prazo para analisar o processo mais detidamente.

Herman Benjamin quer que o TSE coloque o processo em pauta. A partir dessa decisão, a defesa terá cinco dias úteis para apresentar suas alegações. Após esse prazo, o Ministério Público terá dois dias para seu último parecer. E o que o relator quer é ver o processo esgotado até outubro.

Se não, será substituído. E aí a tarefa caberá a outro ministro. Que precisará de mais tempo.

Deputados do Piauí mostram fidelidade a Temer e mantêm cargos


Paes Landim: fidelidade ao governo e controle do ICMBio e delegadias da Agricultura e Trabalho

 

No primeiro “teste de governismo” pra valer, os deputados do Piauí mostraram toda a fidelidade ao poder. Na votação da reforma trabalhista, só o deputado Assis Carvalho (PT) votou não. Os demais disseram “sim”. O resultado concreto é que ninguém sai abalado na sua relação com o governo federal.

Dito de forma claro: todo mundo vai manter os cargos que tem na esfera federal.

Para garantir a fidelidade dos parlamentares da base governista, o Palácio do Planalto entrou em ação pra valer. Fez ministro voltar para a Câmara e deixou no ar a possibilidade da perda de cargo, caso o voto não correspondesse às expectativas. Esse aceno foi feito especialmente para o PSB, que tirou posição oficial contra as reformas, tomando essa decisão como indicativo para o comportamento da bancada do partido.

Não deu muito certo. E não deu porque a decisão da Executiva traduz a disputa interna no PSB, dividido entre os grupos de São Paulo e Pernambuco. Na prática, a bancada se dividiu ao meio: 16 votaram contra a reforma trabalhista (portanto, contra o governo) e 14 a favor. Faltaram quatro. Desses, um seria contra e três a favor. Placar final: 17 a 17.

Ontem mesmo, o ministro Fernando Bezerra Filho (PSB-PE) voltou ao cargo. No caso do Piauí, todos os três socialistas (Átila Lira, Rodrigo Martins e Heráclito Fortes) acompanharam o governo. Também seguiram o governo Iracema Portela (PP), Marcelo Castro (PMDB), Júlio César (PSD), Paes Landim (PTB), Silas Freire (PR) e Mainha (PP). Só Assis carvalho (PT), que é oposição, ficou no contra.

Os deputados piauienses fiéis ao Planalto mantêm o controle de pedaços importantes do governo. Confira o cargo controlado por cada um:

Marcelo Castro: Tem sob controle, no Piauí, a Conab e a DNPM.
Átila Lira: indicou dirigentes da Funasa e CPRM.
Rodrigo Martins: Controla no Piauí o MDA, INSS e Chesf.
Júlio César: É da sua cota Incra, Correios e uma Diretoria no Ministério dos Transportes.
Iracema Portela: Controla Iphan, DNOCS e Pesca.
Paes Landim: É dele indicação no ICMBio, Delegacia da Agricultura e do Trabalho.
Silas Freire: Cabe a Silas indicar a direção da Anatel no Piauí.
Mainha: É o responsável pela FUNAI.
Heráclito Fortes: Na distribuição interna do PSB, controla Ibama, Infraero e SPU (patrimônio da União). Tem ainda, numa deferência pessoal do presidente Temer, diretoria no Banco do Brasil.

Opinião pública está guiando decisões da Justiça, diz Daniel Oliveira


Daniel Oliveira: crítico à influência da opinião pública nas decisões do Judiciário (FOTO: GLENDA UCHOA)

 

O processo de decisão judicial está hoje muito contaminado pelas pressões que partem de diversos setores da sociedade. Foi o que disse em entrevista ao Acorda Piauí, na Rádio Cidade, o secretário de Justiça do Estado, Daniel Oliveira, manifestando preocupação a respeito. “Eu vejo o Judiciário muito influenciado pela opinião pública”, afirmou.

O comentário foi feito quando o secretário analisava o funcionamento do sistema prisional, criticando o que chama de cultura do encarceramento. Para ele, não se faz justiça somente com a prisão, e lamenta que predomine na sociedade e até entre alguns magistrados uma espécie de ânimo de vingança, onde a prisão seria a tradução desse sentimento.

Citou como o exemplo o caso do ex-goleiro Bruno, que acabou de voltar para a cadeia numa situação que considera absurda. Lembrou que o processo do ex-goleiro não foi concluído, e que não caberia a prisão. Daniel Oliveira foi questionado se a decisão, no âmbito do Supremo Tribunal Federal, estaria guiada pela opinião pública, que reagiu mal à soltura do jogador.

Para ele, há sim uma forte influência da opinião pública nessas decisões. E diz que preocupa: “Eu vejo que é ruim porque o Poder Judiciário é nosso poder garantista”, aquele que vai assegurar as garantias individuais e os direitos coletivos. “Por isso, o Poder Judiciário precisa ter uma linha de neutralidade”, afirmou.

 

Secretário contesta Sinpoljuspi

O secretário Daniel Oliveira contestou declarações feitas ontem, no Acorda Piauí, pelo presidente do Sindicato dos Agentes Penitenciários do Piauí (Sinpoljuspi), Kleiton Holanda. Holanda denunciou a falta de ação da Secretaria na atenção aos detentos, inclusive sem oferecer cuidados médicos elementares. E que a secretaria seria incompetente até mesmo para tratar um simples caso de sarna.

“Respeito [as declarações], mas não concordo”, disse, acrescentando que as denúncias do presidente do Sinpoljuspi não são verdadeiras. Reconheceu algumas carências, como a falta de medicamentos (responsabilidade da Secretaria de Saúde). Disse ainda que o serviço de atenção médica pode não funcionar a contento, mas está presente em todas as unidades prisionais.

Daniel Oliveira também negou a denúncia de que servidores contratados pelo Estado para atuar nos presídios não estariam dando expediente. “Isso não cabe mais na gestão pública”, ressaltou, acrescentando que quando um servidor falta sem razão plausível, tem o ponto cortado.

No link abaixo, ouça a íntegra da entrevista do secretário Daniel Oliveira.

 

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