Cidadeverde.com

Wellington terá conversa com Júlio e Frank Aguiar


Frank Aguiar e Wellington Dias: os dois devem voltar a se encontrar para definição sobre a disputa das vagas no Senado Federal

 

O ponto ainda considerado indefinido na chapa governista – o candidato à segunda vaga de senador – poderá ter uma escolha final ainda antes de sábado. É que o governador Wellington Dias (PT) terá conversas com o deputado Júlio César (PSD) e o cantor Frank Aguiar (PRB), fundamentais para definição de quem será mesmo o quarto integrante da chapa majoritária.

Duas vagas eram desde sempre consideradas fechadas: a de Wellington para o governo e a de Ciro Nogueira (PP), para o Senado. Os fatos das últimas semanas parecem consagrar Themístocles Filho (MDB) na vaga de vice-governador. Restaria a segunda vaga ao Senado. Apesar do PT seguir reafirmando a opção por Regina Sousa, o lugar tende a ser para uma quarta sigla.

O encontro de Wellington com Júlio César deveria ter acontecido no domingo passado. A agenda do governador terminou inviabilizando a conversa, que pode acontecer hoje ou amanhã. Já no caso de Frank Aguiar, o cantor estará em Teresina amanhã. Ele tem programado um show em Caxias, mas vai lá e volta. É provável que converse com Wellington até sexta-feira – o próprio cantor deseja esse encontro.

Esses dois diálogos devem garantir a Wellington as condições para uma escolha sem a produção de efeitos negativos dentro da aliança governista.
 

Júlio e Frank, perfis opostos

A base governista se divide sobre o nome ideal para a segunda vaga de senador. Há um entendimento razoavelmente generalizado de que não cabe ao PT indicar o candidato – basicamente só o PT pensa diferente. Os perfis de Júlio César e Frank Aguiar são bem diferentes e animam de modo distinto os aliados.

Júlio não tem o apelo popular de Frank, mas tem um amplo leque de relação com lideranças políticas. No que diz respeito às disputas majoritárias, o cantor é visto como o um suporte importante, já que agregaria mais força popular, capaz até de reduzir o espaço da oposição.

Já os concorrentes à disputa proporcional vêem em Júlio César a possibilidade de um suporte em suas pretensões particulares: o deputado saindo da disputa pela reeleição deixa um espaço livre para outros candidatos governistas.

Mas outra vez a história se repete: quem vai decidir mesmo é o governador Wellington Dias.

Uma vaga por partido: Wellington avisou em janeiro


Wellington Dias: estratégia do governador para chapa majoritária, de uma vaga por partido, estava definida desde a virada do ano

 

O Progressista bem que tentou. Mas não conseguiu. Também o PT vem tentando, e é provável que igualmente não consiga emplacar um segundo nome na chapa majoritária. O desfecho dos entendimentos capitaneados pelo governador Wellington Dias (PT) soa como surpresa para alguns segmentos da aliança governista. Não deveria: Wellington avisou o critério de uma vaga por sigla ainda antes da virada do ano.

Em publicação aqui na coluna, dia 8 de janeiro, Wellington avisava: nenhum partido terá duas vagas. Apesar do aviso, o Progressista manteve o sonho de repetir Margarete Coelho como candidata a vice. Também o PT cresceu os olhos e decidiu reivindicar a segunda vaga ao senado para Regina.

Despachado pelo próprio governador, o Progressista já abandou essa luta. Agora, falta o PT lembrar da decisão de Wellington.

Os petistas podem argumentar que o cenário não é mais o mesmo de janeiro. Não é mesmo. E as declarações de Wellington à coluna na virada do ano apontavam uma dificuldade que persiste, ainda que com novos nomes. O governador avaliava que a dificuldade, naquele cenário da virada do ano, seria acomodar o que chamava de cinco grandes partidos nas quatro vagas em disputa.

Esses partidos seriam: PT, PP, MDB, PSD e PTB.

Tanto PT quanto PP estão agraciados com uma vaga – a de Wellington para o governo e a de Ciro Nogueira, para o Senado. Ao que tudo indica, o MDB ficará com a vice. Resta a segunda vaga de senador, ainda em disputa. O PSD de Júlio César está no ringue, ao contrário do PTB, que saiu de cena em função do discurso oposicionista de João Vicente Claudino. Mas há agora o PRB, que ganhou lugar de protagonista com a boa resposta popular da pré-candidatura de Frank Aguiar.

O PT, fechado com Regina Sousa, segue sem querer dar crédito ao critério anunciado pelo governador ainda em janeiro. Mas o sentimento predominante entre as lideranças dos partidos aliados é que a segunda vaga ao Senado sairá do PSD ou do PRB. Concretamente, a segunda candidatura estará entre Júlio César e Frank Aguiar.

A última palavra, como no caso da vice, está com Wellington Dias.

Júlio César ou Frank Aguiar são opções para o Senado


Deputado Júlio César: o presidente do PSD é uma das opções do governo para a disputa de uma das duas vagas para o Senado Federal

 

A saída de Margarete Coelho da disputa pela vice-governadoria, anunciada pelo presidente do Progressista, senador Ciro Nogueira, praticamente sacramenta a indicação de Themístocles Filho (MDB) para o segundo posto na chapa majoritária. Mas a escolha de Themístocles como vice não encerra as discussões para a formação da chapa governista. Há uma indefinição relacionada à segunda vaga de senador, onde a indicação de Regina Sousa (PT) não está nada garantida.

A escolha de Regina é reivindicada pelo PT. Mas o próprio partido – incluindo Regina – diz que a palavra final cabe a Wellington Dias (PT). Wellington usou como principal argumento para fazer o PP esquecer da vice (que os progressistas queriam para Margarete) a tese de dar uma vaga para cada sigla. Se é assim, o PT não teria essa segunda vaga.

Aí começam as especulações sobre o candidato a senador. Sem Regina, quem poderia ser o candidato?

Hoje, há dois nomes absolutamente certos na chapa governista: Wellington como candidato ao governo e Ciro Nogueira, ao Senado. Themístocles teria a terceira vaga, a de vice. O quarto posto é a segunda vaga de senador, que ainda indefinida. Mas Wellington pensa muito nesse quarto nome. O governo quer caprichar nessa escolha, alimentando a possibilidade de eleger dois aliados.

Dois nomes se destacam nas especulações: o deputado Júlio César (DEM) e o cantor Frank Aguiar (PRB). Os dois apresentam perfis bem distintos – que agradam e desagradam, conforme quem observe essas alternativas. Júlio tem o perfil de relação com lideranças políticas. Já Frank se credencia pelo apelo popular.

Na percepção dos governistas mais próximos a Wellington, a melhor opção seria a de Frank Aguiar. Ele agregaria um caráter popular, somando à chapa um perfil novo. Já alguns mais próximos de Ciro vêem com olhos mais generosos a opção Júlio César, que tem ligação com lideranças, mas não na mesma dimensão do presidente do PP.
 

Georgiano pode mudar de plano

A possibilidade de Júlio César como candidato ao Senado tem um trunfo extra: a torcida de um punhado de deputados estaduais.Isso porque, se o deputado federal for escolhido como candidato ao Senado, Georgiano Neto deixaria de concorrer à Assembleia para buscar uma vaga na Câmara. E isso pode beneficiar muitos candidatos ao legislatuivo estadual.

Hoje, nas contas de metade da Assembleia, Georgiano tem tudo para ser um dos mais votados para deputado estadual – pode até ser o mais votado. Se mudar de planos, teria muitos colégios eleitorais para transferir para colegas que se dispuserem a reforçar não só sua candidatura à Câmara, mas a de seu pai ao Senado.

Lucy e Margarete podem fazer dobradinha eleitoral


Firmino e Lucy: o casal pode se tornar um importante suporte em eventual candidatura de Margarete Coelho à Câmara

 

Candidata a deputada estadual, a ex-tucana Lucy Silveira poderá fazer uma dobradinha com Margarete Coelho nas eleições de outubro. As duas fazem parte do Progressista de Ciro Nogueira. E como está cada vez mais distante o projeto de Margarete manter o posto de candidata a vice-governadora, as apostas agora apontam para uma possível candidato a deputado federal. Nesse caso, fazendo dobradinha com Lucy.

Margarete tem cuidado com muita atenção da própria imagem. Em primeiro lugar, esse cuidado visaria o fortalecimento da pretensão de ser outra vez a vice de Wellington Dias (PT) na disputa deste ano. Mas o próprio partido já dá sinais de que não conta muito com isso – líderes como Ciro Nogueira e o deputado estadual Júlio Arcoverde dizem que desejam a vice para Margarete, mas que não romperão com Wellington se não tiverem o lugar.

Em bom politiquês: ok, Wellington, pode escolher outro vice. Daí vem outra tradução do politiquês: Margarete, cuide de outra candidatura. E o novo projeto pode ser a disputa por uma vaga na Câmara dos Deputados.

A im,agem cuidada cria as condições para o voto de opinião. E também facilita apoios de lideranças, tanto que a atual vice-governadora tem ampliado seus laços com líderes municipais dentro e fora do Progressista. Isso abre a possibilidade de apoios de lideranças que hoje não têm compromisso fechado e amarrado com outros candidatos a deputado federal. O cuidado principal é para não criar embaraços para outros aliados, em especial Iracema Portella e Mainha, candidatos à Câmara pela mesma sigla.

O evento batizado de “Fica Margarete” teve importante papel nesse estreitamento de relações. O evento também serviu para reforçar a relação específica com Lucy Silveira, que chegou a defender o nome da vice para a titularidade do Palácio de Karnak.

Mas o estreitamento entre as duas parece se encaminhar mesmo para uma dobradinha, Lucy disputando uma vaga na Assembleia e Margarete, na Câmara. O prefeito Firmino Filho (PSDB) tem algum compromisso com Iracema. Mas também vem alimentando candidaturas municipais a formar chapinha para concorrer à Câmara. Ou seja: lideranças que podem ser preteridas em favor de um apoio a Margarete – o que também agradaria a Ciro, o mais estreito aliado de Firmino.

Integrantes do Progressista avaliam que Margarete pode sair de Teresina com meia eleição garantida.
 

Troca de apoios entre Margarete e Lucy

Se Firmino pode assegurar um precioso apoio a Margarete Coelho em Teresina, a vice-governador pode também assegurar um bom punhado de votos para a primeira-dama, Piauí afora. Em mais de um reduto do interior, Margarete tem conseguido aproximar lideranças de sua confiança ao grupo de apoios a Lucy Silveira.

Há o entendimento de que Lucy tem tudo para sair eleita deputada só com a votação de Teresina. Mas os cálculos de Firmino vão além: ele deseja ver a primeira-dama não só eleita, mas bem eleita. Em concreto, entre os cinco mais votados entre os postulantes à Assembleia.

Nesse sentido, a aliança com Margarete pode garantir uma troca de votos que favorecerá os projetos das duas.

Candidatura de Frank Aguiar anima governistas


Frank Aguiar: parte dos governistas gostaria de ter no palqnque de Wellington Dias o apelo popular do "Cãozinho dos Teclados"

 

A possibilidade da candidatura de Frank Aguiar (PRB) ao Senado anima uma boa parte da base governista, que vê no cantor a possibilidade de fortalecer ainda mais o apelo popular do palanque de Wellington Dias (PT). Na avaliação de aliados do governo petista, Frank Aguiar teria como primeiro efeito o esvaziamento de parte da oposição, sobretudo por tirar “votos soltos” que tenderia a ser destinados ao candidato Dr. Pessoa (SD).

Esse cálculo leva em conta que há uma ampla fatia do eleitorado que rejeita os políticos em geral. E, no que diz respeito à disputa por cadeira no senado, parte desse segmento estaria depositando seu voto naquele político menos associado ao feitio tradicional da política, no caso o deputado estadual Dr. Pessoa.

Frank Aguiar teria muita força para conquistar essa faixa do eleitorado. Mesmo já tendo ocupado cargos políticos – deputado federal e vice-prefeito, ambos no Estado de São Paulo –, o cantor não tem o carimbo de político profissional. E, como artista, tem forte apelo popular. Essa soma anima uma boa parte dos governistas.

Mas a candidatura de Frank Aguiar não é pacífica: está longe de ser sacramentada. Ela não agrada à cúpula dos dois principais partidos da aliança governista – o PT e o Progressista. O PT quer Regina Sousa como candidata. E o PP tem Ciro Nogueira como postulante. O cálculo é que Frank Aguiar pode ferir de morte não apenas a candidatura de Dr. Pessoa, mas a de pelo menos um dos dois candidatos governistas até agora citados como concorrentes ao Senado.
 

PRB espera para decidir sobre Chapinha

A recente pesquisa Cidade Verde/Opinar, que apontou Frank Aguiar na vice liderança na corrida pelo Senado, teve efeitos nas discussões em torno da disputa proporcional. O PRB gostou do que viu na pesquisa e acha que a candidatura o cantor deve ser levada em conta. Uma candidatura que poderia ser materializar pelo governo ou pela oposição, conforme disse o próprio pré-candidato.

Daí, o PRB deu um passo atrás na discussão sobre sua participação na chamada Chapinha. Essa pausa tem a ver como o que acontecerá com Frank Aguiar. Se permanecer no governo, fazer parte da Chapinha não seria nenhum problema. Já se a opção for uma candidatura ao Senado pela oposição, isso encerraria a discussão com a Chapinha.

O desejo do PRB, no entanto, é ver Frank Aguiar candidato ao senado. E pelo governo.

Apatia do eleitor deve reduzir quociente eleitoral


Evaldo Gomes: estratégia do PTC com a "chapinha" faz cálculos sobre quociente eleitoral e o deputado já prevê redução

 

A apatia do eleitor nas eleições deste ano deve ter impacto no chamado quociente eleitoral, e vai obrigar os partidos a refazem as contas e metas na disputa de outubro. Vale lembrar, o quociente eleitoral é a votação mínima que um partido ou coligação deve alcançar para conseguir cadeiras nas disputas proporcionais – este ano, para Câmara dos Deputados e Assembleia Legislativa.

Em 2014, o quociente na disputa por vagas na Assembleia ficou em pouco mais de 59 mil votos. Esse número é conseguido pela soma de votos válidos – atribuídos a um candidato ou a uma legenda – divididos pelo número de vagas em disputa. Na eleição passada, os 226 candidatos a deputado estadual tiveram 1.607.165 votos, que se somaram a mais de 166 mil votos de legenda.

Os votos nulos e brancos não entram na conta. Daí, os votos válidos somaram 1.773.649 que, divididos pelas 30 vagas na Assembleia, levaram a um quociente eleitoral de pouco mais de 59.100 votos. Mas, apesar do crescimento do eleitorado, a expectativa é que esse quociente caia em pelo menos 2 mil votos.

Um político que já conta com essa queda é o deputado Evaldo Gomes, presidente do PTC e articulador da chamada Chapinha. Em 2014 ele apostou em uma aliança de pequenos partidos: com candidatos de votação mediana, a coligação ultrapassou com folga o quociente e elegeu dois deputados. Agora ele acha que pode eleger três, inclusive porque a queda no quociente pode facilitar a vida das pequenas siglas.

Evaldo avalia que o quociente deve ficar entre 57 mil e 58 mil votos. Ele reconhece que há uma apatia no eleitorado que, na forma de abstenção, voto nulo e branco, tende a reduzir o número de votos atribuídos a algum candidato.
 

Apatia cresce com descrédito da política

As eleições de 2016 já apontaram um importante crescimento no número de eleitores que não escolheram nenhum candidato em disputa. E a tendência admita por políticos e analistas é que este ano o chamado “não-voto” tende a crescer.

Em 2016, cidades como o Rio de Janeiro viram esse não-voto – a soma de abstenção, nulos e brancos – ficar em segundo lugar na corrida para prefeito já em segundo turno. A eleição suplementar para o governo de Tocantins, no início deste mês, mostrou que metade dos eleitores não fez opção por ninguém.

O cientista político Emerson Cervi, da Universidade Federal do Paraná, acha que a votação no Tocantins é só um sinal do que pode acontecer este ano. Segundo disse em recente entrevista à Rádio Cidade Verde, um dos grandes desafio dos candidatos neste ano será motivar o eleitor a votar.

A seleção, o brasileiro e a política. O que têm em comum?


Phillipe Coutinho: autor do 1º gol do Brasil contra Costa Rica, em um jogo que quase fez o brasileiro perder a fé na seleção  (FOTO: CBF)

 

Já quase no final do segundo tempo do jogo entre Brasil e Costa Rica, o placar apontava um empate sem gol. E os brasileiros já davam sinais de impaciência. Surgiam até de forma mais explícita críticas a Neymar, algumas delas – desqualificadoras – de um narrador que 90 minutos antes festejava o jogador como a síntese da genialidade brasileira nos campos. A mudança traduz dois traços da nossa relação com o futebol: primeiro, queremos sempre ganhar – e não aceitamos nada menos que isso; segundo, somos extremistas, sem meios termos e saímos do endeusamento sem reservas à condenação sem pudor.

O comportamento do brasileiro em relação ao futebol diz muito da alma nacional, da relação do país com tudo o que faz o nosso dia a dia. E revela muito mais ainda do comportamento que deveríamos ter ante questões como a corrupção, a política, os serviços essenciais e o nosso próprio compromisso com o que é importante.

Na cabeça do brasileiro, somos a Pátria de Chuteiras, o País do Futebol, o maior vencedor de Copas. Perder é o mesmo quer ver jogar no lixo uma das poucas coisas em que realmente somos reconhecidos como top. Aceita-se isso, e ponto. Mas deixamos o futebol seguir sem planejamento, com um calendário ridículo e uma gestão que dialoga permanentemente com a corrupção – a cúpula da CBF que o diga.

E se somos o país do Futebol, exigimos que vença. Mas se não vencer, não olhamos o todo: encontramos um Bode expiatório e tudo fica em paz. No jogo contra a Costa Rica, se o placar não tivesse mudado quando o ponteiro já entrava nos acréscimos, o Bode Expiatório da vez poderia ter sido Neymar.

Sim! Ele mesmo. O mesmo Neymar que era visto quase como um Deus em seguida se transformaria em diabo. O “Menino Neymar” tão festejado pelo locutor, o mesmo locutor que já começava a preparar a torcida para cobrar do jogador o resultado adverso. Depois de expiar o namorado de Bruna Marquezine – talvez até com algo sobrando também para ela –, tudo voltaria ao normal. O brasileiro estaria de novo com a alma lavada e a responsabilidades longe de seus ombros.

Sorte de Neymar e Marquezine que o resultado mudou. O Brasil venceu. E o brasileiro voltou a ficar feliz. Não quer nem saber da corrupção na CBF, nem da falta de planejamento de nosso esporte, tampouco da carta branca que – através da nossa apatia e condescendência – damos a essa gente.

Azar do Brasil, que vai seguir dependendo dos valores individuais como recurso para superação da má gestão.

Azar muito maior ainda porque essa relação com o futebol também se dá com a política, com os serviços essenciais, a corrupção, violência, a educação ruim e a saúde calamitosa. Se as coisas não funcionam, encontramos alguém ou alguma coisa para culpar. E ponto. Não nos responsabilizamos se consagramos velhas práticas e até as referendamos, na medida em que as consideramos naturais. “O Brasil é assim mesmo”.

O drama maior é que, ao contrário do futebol, os problemas do Brasil não serão resolvidos com um talento individual que faça a jogada de gênio capaz de desequilibrar o jogo.

No caso do Brasil, jogamos uma final a cada dia. E a decisão é resultado do coletivo – com especial participação do brasileiro comum, que soma 209 milhões de jogadores.

TCE aponta apropriação indébita no caso dos recursos dos consignados


Rafael Fontesles, em solenidade em que é homenageado pelo governador Wellington Dias: explicações ao TCE sobre consignados

 

A oposição tem agora o respaldo do Tribunal de Contas do Estado (TCE) para cobrar explicações sobre o destino do dinheito que é descontado dos servidores em nome dos empréstimos consignados. Segundo relatório técnico do TCE, há atraso sistemático de repasses, apropriação indébita e o calote em 2017 pode ter chegada a R$ 200 milhões.

O relatório foi concluído ontem, assinado por sete técnicos, a maior parte integrante do Ministério Público de Contas. O texto final condena categoricamente o desconto de recursos do salário do servidor ou pensionista, sem o repasse devido. Sem meias palavras, qualifica a operação como apropriação indébita, como está à página 29:

“Negar o pagamento de despesas regularmente liquidadas, sem que haja justificativa sustentada jurídica e tecnicamente, faz com que o Poder Público possa se apropriar de recursos que a ele não pertence. Tem-se como ilegal o cancelamento, de ofício e sem a devida justificativa, de créditos a que credores/consignatários têm direito por despesa executada e liquidada”.

O relatório diz ainda que há um operador fantasma atuando no sistema financeiro do Estado. É o que fica claro à página 30, quando diz ter encontrado “autorização, criação e uso indevido de perfil de acesso não identificável com senha de administração no SIAFE-PI para registro de operações”.

São descobertas muito graves, que ganham contornos ainda mais graves quando observam-se os volumes de recursos envolvidos. Um buraco de mais de R$ 200 milhões referentes, entre passivos de 2017 não repassados (isto é, recebidos dos servidores e não repassados aos credores), passivos cancelados de 2016 e liquidações e passivos cancelados de 2017.

“Além disso” – conforme diz o relatório – até o final de 2017 “houve o cancelamento ilegal” de mais de R$ 324 milhões “relativo às despesas com pessoal que continham uma ou mais consignações retida”, que se somam a outros R$ 97,9 milhões referente à folha de pagamento; a quase R$ 226 milhões “referente à folha de inativos e pensionistas” e mais R$ 1 milhão referente a pensionista e inativos do BEP.

O relatório do TCE responsabiliza especialmente o corpo de diretores da Secretaria da Fazenda, à frente o Secretário Rafael Fonteles e o superintendente Emílio Júnior. Os dois e mais uma meia dúzia de outros servidores da SEFAZ serão chamados a dar explicações sobre essa situação.

O documento dá respaldo ao discurso da oposição, que apontava já para esse processo que é qualificado como apropriação indébita. Também reforça uma leitura de quase insolvência do Estado, que se desdobra em recursos de engenharia financeira para manter as contas minimamente sob controle.

PTC decide: Collor já não é mais candidato à presidência

 

O PTC decidiu que o senador Fernando Collor não é mais candidato a presidente da República nas eleições deste ano. A decisão foi tomada ontem, em Brasília, em reunião da Executiva Nacional do partido: por unanimidade, ficou decidido que o partido vai priorizar a eleição de uma bancada parlamentar mais robusta, e que o melhor caminho é a liberação dos diretórios estaduais em relação à disputa presidencial. Collor está fora da corrida presidencial.

Segundo o deputado Evaldo Gomes, presidente do PTC no Piauí, a decisão é importante porque permite que o partido seja arejado, dentro do projeto de renovação da política perseguido pelo PTC. Evaldo diz ainda que, dentro dessa renovação pretendida, não teria sentido a sigla apostar em um nome que tem uma biografia marcada inclusive por um processo de impeachment motivado por denúncias de corrupção.

Ainda segundo Evaldo Gomes, o PTC vai se empenhar em formar uma boa bancada que permita superar a cláusula de barreira – ter 1,5% dos votos nacionais para a Câmara, eleger pelo menos 9 deputados federais e alcançar 1% dos votos dados para deputado federal em pelo menos nove estados. No Piauí, o partido projeta a possibilidade de eleição de um deputado federal e pelo menos três deputados estaduais.
 

Candidatura Collor não emplacou

Apesar do argumento ético, a decisão do PTC de desistir da candidatura Collor pode ter uma explicação mais prosaica: a candidatura do ex-Caçador de Marajás simplesmente não deslanchou. Não emplacou. As últimas pesquisas a situaram com intenção de voto ao redor de 1%. O índice mostra a falta de viabilidade da postulação, ainda mais em um partido pequerno, sem grandes estruturas estaduais.

Para se viabilizar, Collor precisaria mostrar resposta popular ao seu nome, o que não aconteceu. Sem essa ressonância, ele ficou impossibilitado de dar o passo seguinte, que seria a busca de apoios em outras siglas. Agora acontece o desfecho: Collor deixa de ter o apoio até mesmo do próprio partido.

Ciro volta ao ataque e mostra que continua o ‘Velho Ciro’


Ciro Gomes: um potencial eleitoral que pode esbarrar nas reações do pedetista consideradas destemperadas 

 

Em almoço com o presidenciável Ciro Gomes (PDT), em abril passado, um parlamentar piauiense amigo do ex-ministro disse que tinha duas certezas sobre o futuro do pedetista. A primeira, que Ciro seria candidato à presidência, sim. A segunda, que no correr da campanha o representante do PDT faria alguma besteira capaz até de comprometer a campanha. A candidatura é uma perspectiva, mas ainda não está garantida. Quanto às derrapagens, dessas o ex-ministro já está cuidando. E no plural.

Esta semana foram duas derrapagens sonantes, trazendo de volta o Ciro Gomes tão criticado da campanha de 2002: sem trava na língua, pouco diplomático e cabeça quente. É o “Velho Ciro” de volta, destemperado, em um tipo de conduta que pode até ganhar alguns adeptos, mas pode afastar outros mais.

Em 2002, o à época candidato do PPS chegou a crescer bem nas pesquisas e ameaçou a liderança de Lula (PT). Mas foi atropelado pelos ataques de José Serra (PSDB) e pelos próprios tiros no pé. À época, ganhou a antipatia das mulheres ao dizer que sua então esposa, Patrícia Pilar, teria um papel de “dormir com o presidente”. Também brigou com ouvintes de uma rádio na Bahia e enfrentou manifestantes nas ruas, além de ter a companhia de um vice – Paulinho da Força – cheio de pendências a resolver.

Resultado de tanta querela: Ciro despencou e acabou quarto, atrás de Lula, Serra e Garotinho.

Nesse momento, Ciro ainda não aparece em posição de segundo turno. Mas o desempenho das últimas pesquisas e o movimento da centro-esquerda (e até de um pedaço da direita) no sentido de apoiá-lo, começou a colocá-lo como uma alternativa viável, real. O problema é que Ciro não contém a língua e compra briga com quem apareça na frente.

Esta semana chamou de “Capitãozinho do Mato” um vereador de São Paulo ligado ao movimento MBL. Também discutiu com a platéia em um debate em Belo Horizonte. Mostrou que não está muito para desavenças e simplesmente abandonou o auditório.

Com esses gestos, Ciro reafirma uma postura antiga, a de destemperado, de que não leva desaforo para casa. Uma postura que gera desconfiança em muitos. Nessa altura do campeonato, tal desconfiança só aumenta.
 

Imagem de ‘desaforado’ como estratégia

Segundo boa parte dos analistas, a demanda popular no Brasil de hoje pede um candidato com imagem de pulso forte. Isso explicaria a liderança de Jair Bolsonaro (PSL) e o crescimento de Ciro Gomes – embora não se relacione com a força de Marina Silva (Rede). Ciro e Bolsonaro estariam atento a essa demanda e esticando a corda, elevando o tom da "macheza".

O problema é que Ciro vai além da imagem de pulso forte e de quem diz o que pensa. Ele descamba para a imagem do destempero e do desequilíbrio. Muitos analistas também avaliam que esta eleição pode se decantar por uma opção do equilíbrio, uma alternativa capaz de reconciliar o país.

Se essa última versão prevalecer, Ciro – mais até que Bolsonaro – estaria destoando.

Posts anteriores