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Oposição ainda não conta com Firmino


Prefeito Firmino Filho: A briga com o deputado Themístocles Filho não dá à oposição certeza de contar com Firmino em 2018
 

A querela do prefeito Firmino Filho (PSDB) com o PMDB de Themístocles Filho deu um ânimo a muitas lideranças da oposição, que viram na manifestação do tucano um brado de independência. E de oposicionismo. O deputado Robert Rios (PDT), sempre irônico, chegou a dizer que Firmino havia rompido com o governador Wellington Dias (PT). Há controvérsias.

De fato, de fato, a oposição ainda não conta com Firmino. Não tem nenhuma segurança sobre os rumos do prefeito: se será candidato ou ao menos se estará na oposição. E Wellington Dias usou de sua esperteza para lançar um pouco mais de fumaça nesse cenário: um dia após a querela aberta entre o tucano e Themístocles, o governador saiu de seu gabinete e foi até o Palácio da Cidade. Afagar Firmino. E espalhar dúvidas.

Apesar do ânimo trazido à oposição pela briguinha Firmino-Themístocles, poucos se atrevem a cravar um rumo para o tucano. Primeiro porque o destino do prefeito parece atrelado às decisões do senador Ciro Nogueira (PP), quem pode de uma só tacada viabilizar a oposição e fragilizar o governo. Vale lembrar, a relação de Firmino com Ciro é tão estreita que a mulher do prefeito está filiada ao partido presidido pelo senador. Mas também ninguém é capaz de cravar o futuro de Ciro.

Outro fator: Firmino também está amarrado ao PMDB de Themístocles, que indicou o vice-prefeito Luís Júnior para compor a chapa vitoriosa de 2016. Para ser candidato, Firmino terá que deixar a prefeitura até o início de abril. E é pouco provável que faça isso deixando a caneta na mão de um adversário. Fala-se no namoro dos tucanos com Luís Júnior, no sentido de atraí-lo para o tucanato e afastá-lo de Themístocles. O entorno de Junior é categórico: não contem com traição.

Para completar, há uma dúvida que paira sobre todas as outras, lembrada sobretudo pelos desafetos: a real coragem do prefeito para entrar nessa empreitada. Avalia-se que teve momentos mais favoráveis – como a disputa de 2002 – que simplesmente desperdiçou. E que agora repetiria o mesmo gesto de 2002. Inclusive com o mesmo desenho de conduta: sair da oposição para o governo, como apoio.

Os adversários repetem esse “falta de coragem”. Resta saber se por convicção ou se é simplesmente uma provocação para ser se Firmino sai mesmo para se candidatar.

Quanto à oposição, não pode fazer muito mais que esperar. Por enquanto, tem como certo o auto-oferecimento do deputado Dr. Pessoa.

Disposto a ser candidato, Huck já começa a apanhar


Luciano Huck: apresentador que se diz disposto a ser candidato já começa a apanhar da possível concorrência

 

Pesquisa do Instituto Ipsos apontou, ontem, uma surpreendente aprovação ao nome do apresentador Luciano Huck, um nome que está sendo citado como potencial candidato á presidência da República. Surpreendeu o índice. Mas surpreendeu mais ainda a reação do mundo político, que não perdeu a oportunidade de atacar o apresentador e exibir o que consideram ser suas vulnerabilidades.

Chamou especial atenção os ataques partidos de dentro do PT, Lula à frente. O ex-presidente disse que Huck pode realizar seu desejo, porque nada melhor que enfrentar um candidato com o logotipo da Rede Globo na testa. O líder do PT no Senado, Lindbergh Farias, afirmou que o lançamento da candidatura do apresentador é “desespero da direita” para atacar Lula. E olha que ainda nem lembraram que Luciano apoiou Aécio Neves em 2014.

As reações talvez mostrem uma força que não era enxergada em Huck. E revela de modo particular um aspecto do cenário da disputa eleitoral do próximo ano, em que o apresentador se coloca com uma alternativa – ainda longe de ser concretizada até mesmo como simples candidato.

Antes de mais nada, é preciso olhar o que significa a pesquisa Ipsos: é um barômetro de opinião com sondagens sequenciadas mostrando a aprovação ou desaprovação de personalidades. Enquanto quase todo mundo perdeu aprovação, Huck deu um salto de 17 pontos porcentuais desde setembro, passando de 43% para 60% de aprovação – a desaprovação caiu de 40% para 32%.

Mas, como bem diz o senador Cristovam Buarque (PPS), essa aprovação talvez fosse alcançada também por Faustão. Ou seja: não é a aprovação a um potencial candidato, mas a uma personalidade presente na mídia e amplamente conhecida. Ainda assim, não deve ser desprezada. Mostra que há campo aberto para o marido de Angélica.

O cenário pré-eleitoral deixa evidente um claro vácuo no eleitorado de centro, que ainda não se decantou por nenhum candidato. Praticamente todo mundo está tentando conquistar esse eleitorado, de Bolsonaro (PEN) a Lula. Bolsonaro atenua o discurso e Lula abandona o bordão do “nós contra eles” para reencarnar o tom da conciliação. Há ainda Geraldo Alckmin e João Doria, os dois presidenciáveis do PSDB, que poderiam mais facilmente falar com o Centro. Ainda não foram ouvidos pelo eleitor.

De verdade, até agora ninguém ocupou esse vácuo. O perfil de Luciano Huck poderia se encaixar nessa lacuna. Mas o perfil não é suficiente. O apresentador é visto como novidade – o que é bom para ele. Mas também é enxergado como inexperiente – o que é uma má notícia. Tem o desafio de aproximar-se de políticos tradicionais sem perder o verniz de novidade.

Antes tem que convencer o próprio PPS – partido de Cristovam, que o convidou para ingressar na sigla – de que é um candidato a ser levado em conta.

Agora é esperar os próximos passos. E vê como Luciano Huck vai reagir às pancadas que aumentarão de intensidade. E também como vai conseguir mexer nesse caldeirão político recheado de desesperança cidadã. Com certeza, é muito mais complicado que mexer no cenográfico caldeirão de um programa de TV.

Demitido por Firmino pode ganhar cargo na Câmara


Vereador Jeová Alencar: prestes a nomear um dos peemedebistas demitidos por Firmino Filho

 

A polêmica entre o prefeito Firmino Filho (PSDB) e o PMDB de Themístocles Filho provocou a demissão dos dois peemedebistas – James Guerra e Ricardo Rego Monteiro – que faziam, parte do primeiro escalão da administração municipal de Teresina. Mas pelo menos um deles deve ser agraciado rapidamente com um cargo tranquilizador. E, se não houver contratempos, deve ganhar um cargo precisamente na Câmara Municipal.

Na Câmara, já se dá como certa a indicação de Ricardo Rego Monteiro para um cargo de assessoria de Jeová Alencar (PSDB), o presidente da Câmara. Vale lembrar, foi a antecipação da eleição de Jeová que provocou toda a desavença entre Firmino e Themístocles, já que o Palácio da Cidade enxerga a direta participação do deputado na articulação. E como Ricardo foi indicação de Themístocles, pagou com o cargo que ocupava, a Superintendência de Desenvolvimento Rural de Teresina.

A nomeação de Ricardo para uma assessoria na Câmara pode complicar o esforço do palácio da Cidade de reconciliação com Jeová Alencar. Essa reconciliação é considerada importante pelo aspecto da governabilidade: um presidente do Legislativo sempre tem força para definir a agenda de discussão na casa. E nenhum prefeito gosta de ter o o presidente da Câmara contra.

Hoje mesmo o prefeito Firmino Filho deve manter conversação com Jeová. Resta saber se a ideia de nomear Ricardo Rego Monteiro vai gerar alguma nova rusga entre os dois.

Mexer na Frei Serafim é mexer com a identidade visual de Teresina

Avenida Frei Sertafim: o espaço livre dos canteios e o a liberdade dos banquinhos pode dar lugar a estações de passageiros

 

É oficial. A prefeitura de Teresina pretende fazer uma profunda intervenção na Avenida Frei Serafim, em razão das mudanças no sistema de transporte da capital. Segundo foi informado pelo superintendente da Strans, Carlos Daniel, serão sete estações de passageiros exatamente no canteiro central da Avenida.

A cidade pede melhorias no sistema de transporte. Mas a proposta é polêmica, e por vários motivos. Primeiro, que a Frei Serafim é protegida por uma série de leis. Segundo, pelo impacto no corredor que mais identifica a cidade. Mexer no canteiro da Frei Serafim é mais ou menos como Paris ocupar o canteiro central da Champs-Élysées, Barcelona tirar os pedestres das Ramblas ou o Rio de Janeiro colocar um VLT pelo meio do calçadão de Copacabana.

No caso das três metrópoles citadas, esses corredores são identificadores da própria cidade. São a identidade visual de todas. Assim também a Frei Serafim, o pedaço urbano do centro de Teresina que junta beleza e humanidade. Na Frei Serafim as pessoas sentam nos bancos ou simplesmente saem caminhando, protegidas pela sombra e estimuladas pelo amplo canteiro central de piso reto. Não há nada igual no resto da cidade, em geral brindada com avenidas de canteiros irregulares, superestreitos e impossíveis de serem usados. Um exemplo? A relativamente nova avenida dos Ipês.

Essa característica deve ser seriamente comprometida com as mexidas anunciadas para a Frei Serafim. É uma proposta que agride inclusive o bom debate que o prefeito Firmino Filho (PSDB) vinha fazendo sobre a possibilidade de transformar Teresina em uma cidade caminhável. Pois bem: um dos poucos trechos caminhável pode simplesmente deixar ser.

Esse tipo de consideração não quer dizer que a Frei Serafim não possa ser alterada. Pode. E até deve, buscando atualizações. Mas sempre com muito cuidado para não agredir o que ela tem demais importante, belo e vivo. Já foi uma lástima a perda das fontes – retiradas com o argumento do risco da dengue. Quer dizer: diante da incapacidade de lutar contra a dengue, acabam-se as fontes.

A ideia da prefeitura de construir sete estações de passageiros ao longo da Frei Serafim deve ser melhor avaliada. Melhor discutida com a sociedade. Melhor ponderada ante outras alternativas e frente aos danos que possa causar a essa avenida que é mais que um cartão postal: é um pouco do DNA, da identidade desta cidade.

Comércio de Teresina espera 6% a mais nas vendas com Black Friday


Tertulino Passos, do Sindilojas: boa expectativa de vendas no comércio de Teresina com a Black Friday

 

A promoção da Black Friday deve gerar uma boa injeção na movimentação do comércio de Teresina. Segundo o presidente do Sindicato do Comércio Lojista de Teresina (Sindilojas), Tertulino Passos, a expectativa é que o aumento nas vendas seja entre 5 e 6%, contribuindo para o incremento do faturamento geral neste final de ano.

Segundo disse Tertulino ao Acorda Piauí, hoje cedo na Rádio Cidade Verde, as lojas da capital já registram, nesses dias prévios à Black Friday, uma movimentação cerca de 20% acima do normal. Some-se a isso o fato de que mais lojas teresinenses aderiram às promoções vinculadas à data, o que deve ser um ingrediente importante para o aumento das vendas.

Questionado sobre as vendas online como competidoras das lojas físicas, o presidente do Sindilojas afirma que o efeito é inverso: a internet termina gerando a possibilidade de pesquisa de preços. Segundo Tretulino, essa pesquisa está levando o consumidor a se decidir pela compra nas lojas de Teresina. Primeiro, porque o comércio local oferece preços competitivos. Segundo, pela possibilidade de receber o produto tão logo é feita a compra.

Para completar, o comércio dará sequência à promoção no sábado, o dia seguinte à Black Friday deste ano. Além de manter os preços promocionais, haverá horário especial de funcionamento: as lojas do centro de Teresina vão ficar abertas até as 18 horas deste próximo sábado.

Para ouvir a entrevista completa de Tertulino Passos, acesse o arquivo abaixo.

 

Funrural soma 80% dos gastos com previdência no Piauí


Ney Ferraz, Superintendente do INSS: aposendorias do Fundural são maioria no estado do Piauí

 

As aposentadorias dos trabalhadores rurais, o chamado Funrural, representam 80% dos benefícios do INSS que todos os meses são pagos no estado. Foi o que revelou ao Acorda Piauí, hoje cedo na Rádio Cidade Verde, o superintendente do INSS no Piauí, Ney Ferraz.

Segundo Ferraz, os benefícios do INSS pagos a piauienses somam cerca de R$ 500 milhões mensais. Os 80% a que se refere Ney Ferraz corresponderiam a R$ 400 milhões. “É um valor que até assusta”, admitiu Ferraz. Vale ressaltar, esses benefícios são assegurados a aposentados que nunca contribuíram para a Previdência.

O superintendente também admitiu que pode haver irregularidades em parte dessas aposentadorias. Mas ressaltou o empenho do INSS no combate aos diversos tipos de irregularidades. Esse trabalho levou à prisão, ontem, de um casal envolvido em fraudes à Previdência. Em um primeiro momento avalia-se que o casal gerou prejuízo de R$ 2 milhões, mas o valor pode ser muito maior e envolver muito mais pessoas.

Esse trabalho está sendo feito com a fundamental participação da Polícia Federal. Há suspeita inclusive da participação de serviços do órgão, que podem funcionar como facilidades das irregularidades.


O que é mesmo o Funrural

Funrural é a sigla para Fundo Nacional de Assistência ao Trabalhador Rural, instituto criado em 1971 com o fim de assegurar benefícios e proteção para os trabalhadores do campo, que normalmente não tinham vínculo empregatício. Através de testemunhos e outros documentos atestando a atividade rural do trabalhador, ele passava a ter a cobertura do Funrural.

Ainda na década de 1970, o Funrural se transformou em um grande instrumento político, com unidade administrativa na maioria dos municípios. Essa relação com a política também gerou a produção de muitas aposentadorias para pessoas que nunca tinham de fato trabalhado no campo.

Na discussão da Reforma da Previdência, a proposta inicial previa o fim dessa aposentadoria no futuro, resguardando os direitos adquiridos. Mas a pressão especialmente da bancada do Nordeste levou à exclusão dessa mudança na “reforma enxuta” agora proposta pelo governo.

Para ouvir a entrevista completa de Ney Ferraz, acesse o arquivo abaixo.

 

Fundo Partidário vai fazer diferença na eleição 2018


Campanha eleitoral: em 2018, valores assegurados pelo Fundo Partidário podem começar a fazer a diferença entre candidaturas

 

É cada vez maior o número de analistas que enxergam o cenário eleitoral de 2018, na disputa pela presidência da República, como muito semelhante ao de 1989. Há muita coisa igual: onda de corrupção, enorme crise econômica, descrédito da política, desesperança. Tudo isso deve deixar a eleição do próximo ano completamente aberta, e talvez indefinida até a fase final da disputa.

Mas há importante diferença em relação a 2018 que pode começar a afunilar a corrida por um mandato,  especialmente no suporte de recursos. Isto é: o Fundo Partidário pode ser um definidor de rumos das campanhas, porque há uma enorme diferença na distribuição entre partidos.

Em entrevista recente, o ex-presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, disse que esta será a primeira eleição em que os partidos não terão acesso às tesourarias das empresas. A afirmação mostra que os partidos vão enfrentar problemas para o financiamento das campanhas, antes feito à base de caixa 2. Isso dá mais força ao dinheiro proveniente do Fundo Partidário.

Isso é uma má notícia para as pequenas siglas, porque o Fundo tem uma distribuição proporcional à representação partidária no Congresso. E isso terá efeito nas campanhas majoritárias e proporcionais.

Quando foi criado na micro reforma política encerrada no início de outubro, os legisladores olharam para o umbigo: o dinheiro do Fundo vai privilegiar os parlamentares. Mas isso também tem a ver com as eleições majoritárias, porque os candidatos a deputado tendem a seguir com os candidatos majoritários de seus partidos. Assim, candidato a deputado forte tende a fortalecer o candidato majoritário, pois consegue carrear mais votos para o seu candidato a governador, senador ou presidente.

 

PSDB e PT, sete vezes mais que PPS

Um exemplo da diferença de valores distribuídos pelo Fundo Partidário pode ser visto na avaliação de três partidos que deverão apresentar candidatos ao palácio do Planalto. Segundo levantamento da Folha de S. Paulo, PT e PSDB, as duas siglas que monopolizam a disputa presidencial desde 1994, terão sete vezes mais recursos que o PPS.

Isso quer dizer que, se o PPS realmente sair com a candidatura de Luciano Huck, começa em enorme desvantagem. Além do pouco tempo na TV, terá dinheiro de menos para levar adiante a candidatura do apresentador. Esse dinheito faz a campanha: carro de som, viagem, montagem de palanques, contratação de assessores etc

Os valores não estão claros, mas avalia-se que o PPS terá em 2018 algo em torno de R$ 50 milhões do Fundo Partidário. Já o PT e o PSDB podem ter valores acima de R$ 300 milhões.

Margarete já aparece como possível candidata


Vice-governadora Margarete Coelho: lembrada como alternativa ao governo do Estado do Piauí nas eleições de 2018

 

O nome da vice-governadora Margarete Coelho (PP) está sendo citado seriamente como alternativa nas eleições de 2018, na disputa pelo governo do Estado. Sondagens informações estão sendo realizadas desde que lideranças pedem Margarete como uma opção ao Palácio de Karnak. Tais sondagens mostram a ótima receptividade ao seu nome: ela é vista como maleável, competente e séria.

É uma novidade. Nos últimos meses o nome da vice-governadora foi associado a diversos planos. Meio a sério e meio de brincadeira, dizia-se que o “Plano A” sempre foi a recondução ao lugar de vice-governadora, como segunda de Wellington Dias (PT). O “Plano B” era a volta à Assembleia Legislativa, também em uma chapa de apoio ao petista. Havia até um certo “Plano C”, que a relacionava com a disputa pelo senado.

Pois sabe-se agora que pode haver um “Plano D” – e que ele pode prevalecer ante os demais. Tal plano está nascendo quase espontaneamente, através de manifestações de lideranças na capital e no interior que provocam as lideranças maiores – entre elas estariam Ciro Nogueira, Iracema Portella, Júlio Arcoverde, Firmino Filho, Wilson Martins – a levarem em conta a alternativa Margarete.

Nota-se, são manifestações que partem de campos políticos distintos, inclusive alguns que hoje se situam dentro do governo. O principal argumento é que Margarete poderia, sem dificuldades, abraçar as principais demandas de um país desencantado com a política: uma espécie de novidade com capacicade de gestão e sem escândalos.

Some-se a essas manifestações um crescente movimento nas bases do PP, não exatamente contente com o tratamento que recebe do governo do Estado. Esse sentimento aflorou especialmente nas dicussões sobre a proposta de aumento de imposto apresentada pelo governador Wellington Dias, que expôs em público diferenças entre o governador e Ciro Nogueira. Muitos populares queria a saída do PP do governo.

A candidatura de Margarete pode ser esse caminho de saída. Sem o PP ficar órfão.

 

Lealdade a Wellington Dias

Vale destacar, Margarete tem demonstrado uma grande lealdade ao governador Wellington Dias. Não é uma vice de faz-de-conta. Mas também não atropela o campo de ação do governador.  Consegue assim manter-se em lugar secundário sem perder o brilho.

Mas há um problema. Aliás, dois – um contra e outro a favor dos que clamam por Margarete. O primeiro, a favor: Margarete tem lealdade a Wellington, mas tem lealdade e fidelidade ao seu partido, o PP de Ciro Nogueira. Poderia seguir um novo caminho sem dificuldades. O segundo, contra: não há – pelo menos por enquanto... por enquanto – indícios consistentes que mostrem a vontade de Ciro de mudar de barco, do governo de Wellington para oposição contra o petista.

No Dia da Consciência Negra, o que podemos comemorar?


Negro no Brasil: ainda em grande desvantagem quanto às oportunidades, longevidade, emprego, renda...

 

Se depender de decisão da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados, o mês de novembro deve ganhar em breve mais um feriado. Além dos dias 2 (finados) e 15 (proclamação da República), o dia 20 também pode se transformar em feriado nacional, pelo Dia Nacional da Consciência Negra. A proposta ainda depende de avaliação em outras comissões e da votação no Plenário. Independente do final dessa tramitação, vale uma avaliação sobre a realidade dos negros no Brasil.

Os dados do IBGE mostram que há muita coisa a se lamentar. Oportunidades, escolaridade, longevidade, cargos de chefia, empregos, salários. Tudo o negro tem de menos. De mais, muito pouca coisa – e em geral nada festejáveis, como o índice de mortes violentas.

Não cabe repetir um bordão simplista de que a Lei Áurea ainda não entrou em vigor. Tampouco cabe dizer que o Brasil é uma democracia racial, que alguns ainda teimam em repetir, mesmo o termo tendo caído de moda há muito. O que parece óbvio é que temos um nível de preconceito grave, muito elevado. Uma boa parte dele vem na forma do chamado “preconceito silencioso”, em que o cidadão acredita não ter preconceito mas age preconceituosamente sem sentir, naturalmente – porque naturalizado está esse sentimento na sociedade.

Os efeitos desse preconceito se traduzem em números, repetidos a cada nova pesquisa do IBGE. Alguns vieram a público nas últimas semanas. Por exemplo, sobre emprego e salário.  Entre a população branca, o desemprego é de 9,9%. Entre pretos e pardos chega a 14,6% – média cerca de 50% maior. Em números absolutos, temos 8,3 milhões de pretos e pardos sem emprego, ou 63,7% do total de 13 milhões de brasileiros desempregados.

Esse índice está relacionado a outro aspecto: a escolaridade, que é menor entre pretos e pardos. Como o desemprego está afetando especialmente os que têm menos qualificação, mais uma conta para esse segmento, que também tem menor renda: a média salarial correspondente a apenas 55% da recebida pelos brancos.

Há alguns avanços, incluindo o próprio acesso às escolas. Há mais negros em faculdades, por exemplo. Mas ainda é uma situação muito longe de traduzir a realidade do nosso tecido étnico. Cresceu o número de negros em postos de comando no setor público e nas empresas. Mas ainda está longe de ser uma relação equilibrada – se tiver dúvidas, pense aí na realidade de sua cidade, de seu entorno.

Olhando esses números, nem sei o tamanho da importância de se decretar feriado no dia 20 de novembro. Vale lembrar, a data já é considerada feriado em uns mil municípios e nos estados de Alagoas, Amazonas, Amapá, Mato Grosso e Rio de Janeiro. É curioso notar que não é feriado nem na Bahia e nem no maranhão, onde a negritude tem inegável reconhecimento e valorização.

E ao refletir sobre a proposta de feriado, termino por fazer uma relação sobre o sistema de quotas. Que bom que existem as quotas – uma pequena compensação para a desigualdade histórica. Mas bom mesmo é se tivéssemos uma realidade onde as oportunidades fossem equilibradas e as quotas perdessem o sentido.

Reação de Firmino a vereadores pode prenunciar candidatura

Firmino Filho: possibilidade de reação após "traições" de vereadores na votação que reelegeu Jeová Alencar presidente da Câmara

 

A fé que a oposição perdeu na candidatura de Firmino Filho (PSDB) ao governo do Estado pode ter um alento, hoje, quando se espera que o prefeito de Teresina reaja contra vereadores que votaram pela reeleição de Jeová Alencar (PSDB) para a presidência da Câmara. A eleição de Jeová para um mandato que só começa em janeiro de 2019 foi considerada uma traição aos interesses de Firmino.

Dentro do Palácio da Cidade avalia-se que a reeleição tão antecipada de Jeová tem o dedo e a mão do PMDB, ou mais especificamente do presidente da Assembleia Legislativa, deputado Themístocles Filho. E espera-se que, já nesta segunda-feira, Firmino tome medidas que alcancem os vereadores qualificados de traidores e especificamente o espaço do PMDB na prefeitura.

Essa possibilidade anima alguns seguidores do tucano, tanto que o tema vem consumindo as discussões no Palácio da Cidade. O final de semana serviu para desenhar-se uma estratégia. E o que parece certo é o explícito afastamento do grupo de Firmino do time de Themístocles. Teoricamente, esse afastamento seria um problema para uma possível candidatura de Firmino, já que – se sair para disputar o governo – deixaria a prefeitura nas mãos de Luís Santos Jr (PMDB), aliado de presidente da Assembleia.

“Firmino não está preocupado com estratégia”, disse um aliado do prefeito, certo que o episódio da Câmara fortaleceu Firmino Filho e abriu a possibilidade de uma candidatura ao Palácio de Karnak. Outro aliado tucano mostra confiança, certo que haverá reação à votação na Câmara: “Amanhã pode ser o primeiro dia da campanha de Firmino”, disse à coluna neste domingo pela manhã.

Mas um terceiro aliado tucano adverte: “Pode ser o primeiro dia da campanha de Firmino. Ou o último de uma pré-campanha fracassada”. Tudo depende se haverá reação – e, se houver, que tipo de reação.

 

‘Traições’ incompreendidas

O entorno do prefeito Firmino Filho (PSDB) está certo que haverá reação à votação na Câmara, que revelou “aliados em descompasso” – para usar o termo de um  assessor da prefeitura. Dois casos são especialmente destacados, por incompreensíveis.
• Luís André (PSL): foi eleito com uma base muito próxima do prefeito Firmino e da primeira-dama Lucy Silveira. Agora votou contra os interesses do prefeito. E ninguém entendeu, sobretudo porque a mãe de Luís André é assessora na prefeitura.
• Venâncio (PP): posicionou-se contra a diretriz do seu partido, que é o principal aliado do prefeito, especialmente pelo volume de grana que Ciro Nogueira consegue carrear para a capital. Seu voto a favor de Jeová Alencar só agradou mesmo ao PT, partido da mãe de Venâncio, a deputada Flora Izabel.

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