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Quantos 'Pastor-Laranja Everaldo' as eleições brasileiras aguentam?


Aécio e Pastor Everaldo: ao invés de adversários, amigos, irmãos e camaradas com as bênçãos da Odebrecht

 

Causou espanto, nas delações dos ex-executivos da Odebrecht, a revelação de que o Pastor Everaldo, candidato a presidente pelo PSC em 2014, não passava de um “laranja”. De fato, o Pastor encenando um teatro que atendia aos interesses de outro ator, no caso o tucano Aécio Neves. Mas é para causar tanto espanto a presença de laranjas nas campanhas brasileiras – as piauienses incluídas?

Se algum espanto possa causar de verdade a revelação é a afirmação de que a Odebrecht atribuía algum futuro ao tal Pastor. É mais crível imaginar que, ao despejar R$ 6 milhões nas contas de um político sem expressão, a Odebrecht queria mesmo agradar a outro cristão: o também evangélico Eduardo Cunha, que apresentou Everaldo à Odebrecht e se postulava como seu padrinho.

Em Cunha a Odebrecht enxergava futuro. Enxergava, portanto, a possibilidade de retorno. E Cunha mostrou ter futuro, ainda que por pouco tempo, chegando à presidência da Câmara. E é possível que, no posto, tenha facilitado algumas tramitações de matérias e obstruído outras, conforme o interesse da doadora.

Mas a Odebrecht sempre soube otimizar seus investimentos: impôs ao inexpressivo Pastor o papel de laranja, na estratégia de ser camarada com Aécio nos debates entre candidatos em rede nacional. Assim, o Pastor perguntava a ele, Aécio, e sempre perguntas feitas sob medida. Cabe até uma curiosidade: as perguntas também tinham a contribuição da Odebrecht, da mesma forma que teve na elaboração da famosa “Carta ao Povo Brasileiro” de Lula, em 2002?

Mas o papel de laranja, risonhamente desempenhado pelo Pastor Everaldo, não é novidade. Nem no Brasil. Nem no Piauí. Aqui, na eleição de 2014, recaia sobre um dos candidatos ao Senado a suspeita de que cumpria o papel de laranja. Não apresentava propostas. Atacava apenas um adversário. Ponto.

Ponto? Não. Vírgula!

Porque, conforme se dizia em qualquer roda era que atacava um único candidato só e somente só porque cumpria o papel de laranja de outro que se empenhava de verdade pela conquista do posto. Fácil provar? Não.

Da mesma forma sempre se desconfiou dos laranjas, inclusive os nacionais – tais como o Pastor Everaldo. Neste caso, desconfiava-se da suavidade que dispensava a Aécio. E precisou a delação da Odebrecht para evidenciar que as suspeitas eram reais. Que as conversas de mesa de bar tinham fundamento.

Os laranjas são filhos do sistema partidário onde a fabricação de siglas é mais fácil que a abertura de uma pequena empresa. E certamente rende mais. Muito mais, como deixam evidentes as delações da Odebrecht.

Fabrica-se partida como instrumento de negociata. Para uso do fundo partidário. Para troca de favores na eleição (inclusive como laranja). Para a venda de apoio aos governos.

Se quisermos mesmos reduzir essa negociata, é hora de diminuir o número de partidos.

Seria fácil. Basta uma cláusula de barreira. Ou o fim (de verdade) das coligações proporcionais. Mas aí vem a pergunta de sempre: quem (no Congresso) quer isso mesmo?

A persistir o quadro atual, não sabemos é quantos Pastor Everaldo as eleições brasileiras aguentam.

Prefeitos vão cobrar em Brasília solução para BR 135


BR 135: acidentes frequentes mostram necessidade urgente de mudanças na rodovia

 

Os prefeitos do Sul do Piauí vão cobrar, em Brasília, uma solução urgente para a situação da BR 135, que tem importância crucial para o transporte no Estado. A BR 135 se transformou num verdadeiro drama, concentrando a maioria das mortes em rodovias que cortam o Piauí e também quebrando o ritmo de crescimento da região sul.

A movimentação por uma solução para a rodovia começou com a Associação dos Prefeitos do Extremo Sul do Piauí (Ames), que no mês passado decidiu agir de forma ordenada e coletiva. Ao invés de pedidos isolados desse ou daquele prefeito junto a determinado congressista, está se desenhando uma ação conjunta. E ela se materializará de forma mais consistente durante da Marcha dos Prefeitos, que está marcada para os dias 15 a 17 de maio.

Os prefeitos piauienses vão ter um encontro com a bancada do Estado no Congresso. Querem que os deputados e senadores – todos eles – se comprometam com a busca de uma solução para o problema. E querem fazer isso com dados de todo tipo e vozes as mais diversas, defendendo a necessidade de alargamento da rodovia.

Por isso mesmo, o movimento que era setorial conta com o apoio institucional da APPM. E no encontro com os congressistas estarão representantes de órgãos como o DNIT – que tem projeto de duplicação mas não tem dinheiro alocado. Ou do superintendente da Polícia Rodoviária Federal, que pode ressaltar o drama da BR em número de acidentes e de mortes – mais der 80% dos óbitos em rodovias federais que cortam o Piauí.

Também estarão em Brasília representantes dos produtores dos cerrados, que poderão falar dos problemas de infraestrutura – que não se resumem à BR 135, mas em que ela é parte significativa. A 135 foi construída numa época que o sul do Piauí não conhecia nem soja nem os caminhões gigantes que a transportam. Precisa ser repensada.

Hoje, a BR 135 é estreita, quase não tem acostamento e, quando tem, há desnível de até 35 centímetros em relação ao leito da pista. Isto é: o acostamento vira arapuca; um convite ao desastre Daí, a proposta que vai ser apresentada aos congressistas é a de alargamento da rodovia.

Os prefeitos vão dizer: tem projeto; falta grana. E aí está o papel da bancada: pensar conjuntamente, agir coletivamente, assegurar recursos orçamentários da União e garantir a concretização de uma obra que será de grande valia para os piauienses. Inclusive os piauienses do Norte, que têm na BR 135 um canal de ligação com a parte sul do estado e com o centro-sul do país.

Sobra Judas neste Sábado de Aleluia. Pode escolher

Na Santa Ceia (criação de Da Vinci), Judas segura o saco de moedas: mais atento ao dinheito que ao pão da vida?

 

A tradição está aí, viva: Sábado de Aleluia é dia de malhar o Judas. E a tradição diz que cada um escolha o seu Judas mais representativo e vá à forra. Extravasar. O detalhe é que este ano as opções de Judas são bem maiores que nos anos anteriores, quando já eram tantas as alternativas.

Judas Iscariotes era, segundo os Evangelhos, aquele responsável por guardar a bolsa de dinheiro dos apóstolos. Um dinheiro que já tinha um fim público: comprar um terreno para ser transformado em Campo Santo, em cemitério para o povo. Mas o apóstolo desconsiderou o projeto comum e tratou de fazer seus próprios planos.

Ainda segundo os evangelhos, Judas confessa que apegou-se mais ao dinheiro que à missão que Jesus lhes atribuía. Não apenas apoderou-se do dinheiro do grupo como ainda tratou de conseguir mais: dedurou Jesus aos romanos por 30 dinheiros. Trinta moedas de prata.

Os escândalos vividos pelo país – não apenas o destapado pela Lava Jato, mas sobretudo – mostra que há Judas aos montes. Gente que assume um posto com uma missão e abandona tal missão por algum dinheiro, normalmente bem mais que 30 moedas. Gente que se corrompe, que se esbalda com o dinheiro que não é seu, que mente, dedura, trai.

Tem o representante popular que não representa o popular. Pra que maior traição que essa? E só aqui já são centenas de “malháveis” nesse Sábado de Aleluia. Só em Brasília são uns 600.

Tem o ministro que não ministra, e até deixa que um decreto onde vai colocar sua assinatura seja redigido pelo empresário poderoso. O ministro que descuida da bolsa de dinheiro do povo e a entrega a quem não devia

Tem o policial que recebe "o seu" para garantir a empresa, não as ruas.

Tem o sindicalista que leva um robusto trocado para fazer ou obstruir greves, fazendo renascer com força entre sindicalizados a expressão “massa de manobra”.

Tem o pastor que reza em outra cartilha, não a de Deus, e risonhamente se transforma em Homem Laranja em plena rede nacional de televisão, em um debate presidencial.

Tem até o índio que desmobiliza a aldeia para deixar que a empreiteira siga livre na construção da nova represa.

Sim, tem também a Carta ao Povo Brasileiro que na verdade era Carta ao Grande Empresário, feita com a empenhada colaboração de grandes empresários.

Tem escola que não ensina, hospital que não cura, segurança que não segura e um país que simplesmente não funciona. Ou pelo menos não funciona conforme a lógica que deveria funcionar. Porque, como se viu nos últimos dias, meses e anos, tem coisa que vinha funcionando muito bem.

Bem até demais. Para tristeza da Pátria subtraída. Traída – tal como Jesus pelo Iscariotes.

Vídeos de Odebrecht. Ou 'Não me subornaram, será que é o meu fim?'

Cazuza, ironia bem lembrada em tempos de Odebrecht: "Não me subornara, será que é o meu fim?"

 

Foi assim como os rojões de Réveillon: fazem um barulho danado, mas não assustam ninguém; são esperados. Mas com a enorme diferença de que não há beleza, muito pelo contrário. Ao invés de encantamento, uma sensação de asco.

Essa é mais ou menos a imagem que ficou em boa parte do país depois da chamada Lista de Fachin, que autorizou investigação contra 75 nomes da elite política brasileira. Se alguma coisa fez barulho e também gerou algum susto foram os vídeos dos depoimentos de ex-executivos da Odebrecht, em especial o de Marcelo Odebrecht.

O que surpreende na fala de Marcelo é a riqueza de detalhe sobre os encontros que tinha com (perdoem o termo) a nata política da nação. Ditava decretos. Corrigia ministro da Fazenda. Discutia valores com presidentes. Algo de novo nesses fatos? Não, a não ser a certeza de que essa conduta era a regra, não a exceção.

Também surpreende os valores. Milhões são citados como se trocado fossem. A expectativa de Fulano é arrecadar R$ 100 milhões – informou na delação. Beltrano pediu R$ 10 milhões, mas “só” foram liberados 7 ou 8. Mais ou menos como quem diz que queria chegar cedo no trabalho e, por isso, pretendia pegar o ônibus das 6h30; mas não deu, só pegou o ônibus das 7h.

Uma trivialidade.

Vendo os vídeos, vem à mente Brasil, a canção de Cazuza. Em determinado trecho, o poeta apela: “Brasil / Mostra tua cara / Quero ver quem paga / Pra gente ficar assim”.

A cara que encontramos nas delações é a da armação ilimitada, dos acordos (nem tão) por baixo dos panos, das maquinações com roubalheira partilhada entre uns de sempre. E aí ficamos sabendo o que já sabíamos mas não de forma tão crua e dura: nós é que pagamos pra ficar assim. Assim sem segurança, assim sem saúde, assim sem educação de qualidade e assim cada vez mais sem perspectivas.

Percebemos que quase ninguém da tal elite política está fora. É a estranha democratização... da roubalheira. Quase duas dezenas de partidos diferentes envolvidos. Tem pai e filho. Tem gente do norte e do sul. Tem esquerda e direita. Soa quase desprestígio não estar na lista, não ter um diálogo com Marcelo Odebrecht, não tirar um naco do cofre da viúva.

É como se valesse outro trecho da canção, na ironia fina de Cazuza: “Não me subornaram / Será que é o meu fim?

Surpreende nas falas de Marcelo Odebrecht a facilidade com que conta tudo, em detalhes, tranquilamente, sem sobressalto ou rubor. Tudo normal.

Será igualmente surpreendente se isso tudo não indignar. E, assim, não produzir efeito algum na cidadania.

Caixa 2, uma instituição brasileira a ser combatida

Marcelo Odebrecht: como grande doador de campanhas, empresário refazia até decreto do ministro da Fazenda

 

Pronto. Não tem mais desculpa. O ministro Edson Fachin, o relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal, quebrou o sigilo das delações premiadas dos executivos da Odebrecht. Incluindo as mais de 900 horas de vídeo. São depoimentos reveladores, tanto da promiscuidade entre empresas e políticos como, especialmente, da institucionalização do caixa 2.

A quebra do sigilo acaba com a defesa escorada na crítica aos tais vazamentos seletivos. Agora, tudo pode ser visto. E o que se vê é pior do que se imaginava. Fica claro como o sistema político funciona, na mistura geral entre as ações de interesse público e privado.

O depoimento de Marcelo Odebrecht, por exemplo, chega a revelar o momento em que ele recebe uma cópia de decreto a ser assinado pelo Ministro da Fazenda. E Marcelo observa que o decreto não estava de acordo com os interesses de sua empresa. Daí faz os reparos e o decreto é refeito, para só então ser assinado. Na prática, o ministro assinou um decreto elaborado pelo empresário, dentro dos interesses (privados) do empresário.

Ao justificar essa relação, Marcelo Odebrecht reconhece que tinha essa “abertura” (leia-se, “força”) porque era um importante doador de campanha. Campanhas, diga-se, na grande maioria regadas via caixa 2, essa onipresente instituição política nacional.

Aliás, o empresário hoje preso em Curitiba é explícito: “Não conheço nenhum político que tenha sido eleito sem caixa 2”. Uma afirmação direta. E que nem surpreende: o caixa 2 é reconhecido como amplamente presente nas campanhas. Uma instituição nacional.

Mas é também uma instituição que precisa ser combatida, porque as revelações da Lava Jato evidenciam os desdobramentos do caixa 2: troca de favores, corrupção, uso dos recursos públicos com fins particulares etc. Preservar o caixa 2 é manter uma relação entre o público e o privado onde sempre o público sai perdedor.

Alguém pode argumentar: não tem como combater o caixa 2 porque ele sempre estará presente. É possível que ele sempre esteja presente, mas nem por isso vai ficar de braços cruzados. É razoável entender, por exemplo, que a criminalização do caixa 2 é um caminho curto para a redução de sua presença. Não acaba. Mas diminui muito.

Outra preocupação é com o custo da campanhas. Se as campanhas são mais baratas, o caixa 2 deixa de ser tão onipresente. E como se consegue isso? A resposta é simples: com uma profunda reforma política.

Mas da resposta à ação, o simples se complica. Porque o desenho de cenário aponta para a manutenção das regras, a persistência no sistema, a preservação continuada das práticas tão criticadas, essas práticas que vêm produzindo representações tão descompromissadas com a coisa pública.

‘Só se ganha eleição ciscando pra dentro’, diz Júlio Arcoverde em resposta ao PT


Júlio Arcoverde: deputado do PP defende aliança mais ampla em torno de Wellington Dias (PT)

 

O deputado Júlio Arcoverde, presidente estadual do PP, defendeu uma ampla aliança em torno da candidatura de Wellington Dias (PT) ao governo, em 2018. A manifestação foi uma resposta a membros do PT, que advogam que o partido deva ter dois integrantes da chapa, incluindo Regina Sousa como candidata à reeleição para o Senado.

“Só se ganha eleição ciscando pra dentro, não ciscando pra fora”, ressaltou o deputado, em entrevista hoje cedo ao Acorda Piauí, na rádio Cidade Verde. Ele acha que a reivindicação de alguns petistas enfraquece a aliança, já que excluiria a possibilidade de atração de outras forças políticas. Exatamente por isso, diz ele, é que o PP abriria mão do posto de vice-governador no sentido de ampliar o grupo.

Júlio alerta que o bom exemplo deve começar em casa. Assim, entende que o primeiro passo no sentido de ampliar o leque de apoio político em torno de Wellington deve partir do próprio PT, abrindo mão da vaga ao senado. Ou seja: Wellington deve convencer seus aliados dessa importância.

“Cada um que cuide de seus cabritos”, afirmou o deputado do PP, observando que “nós aqui vamos cuidar dos nossos” no sentido de fazer compreender a importância de abrir espaço para outros partidos. Júlio Arcoverde destaca o diálogo fluido que tem com o governador Wellington Dias e com a bancada estadual do PT.

E reafirmou a convicção de que o grupo será mantido, e que não enxerga nenhum problema na chegada do PMDB, partido que reivindica o lugar de vice na chapa de Wellington. “Temos um compromisso com a reeleição de Wellington”, afirmou.

 

Lista de Fachin 'é oportunidade'

Na entrevista ao Acorda Piauí, Julio Arcoverde também falou sobre a lista do ministro Edson Fachin, que inclui entre os 75 denunciados da elite política brasileira o senador Ciro Nogueira (PI), presidente nacional do PP. Segundo Júlio, a divulgação da lista vai dar a oportunidade de Ciro se defender.

Júlio também defendeu o fim do sigilo das delações dos ex-executivos da Odebrecht, porque acaba a especulação sobre as denúncias. Com o sigilo, avalia, muitos nomes eram colocados na mídia de forma descontextualizada. Agora, com a transparência, as pessoas tomam conhecimento sobre o que é atribuído a cada investigado.

Quer ouvir a entrevista na íntegra? Acesse o link abaixo.

 

Brasília fica em sobressalto com lista de Fachin, a lista do desassossego


Congresso Nacional: sobressalto e desassossego com a lista de Edson Fachin

 

Causou um mal disfarçado rebuliço, em Brasília, a divulgação, ontem à tarde, do que já está sendo chamada de “a lista do ministro Edson Fachin”, o relator da Lava Jato para os casos com foro especial, no Supremo Tribunal Federal. É uma lista robusta, com 75 nomes do alto escalão da política, incluindo boa parte das estrelas do governo e da oposição. E deixa Brasília em sobressalto, com possíveis efeitos sobre a economia, a política e o futuro das reformas em discussão no Congresso.

Pra dizer o mínimo: a lista deixa o mundo político de cabeça pra baixo, de cabelo em pé, com as barbas de molho. É a lista do desassossego.

A lista do desassossego envolve mais de um terço do Senado e perto de 10% da Câmara. São 24 senadores e 39 deputados investigados. Some-se aí oito ministros do governo Temer e ainda três governadores. É muita gente graúda. E ninguém sequer pode cantar de galo, por que a lista desmoraliza mais ainda a classe política brasileira como um todo – à direita e à esquerda; no norte e no sul; do partido A ao Z; no governo e na oposição.

A reação foi de uma desconcertante tranquilidade, disfarçando o rebuliço real. De certa fora, todo mundo já esperava por essa lista. Daí, todo mundo já tinha se preparado para o momento crítico, com explicações protocolares que desqualificam as delações dos executivos da Odebrecht.

A maior parte acusou os “vazamentos seletivos”, sem maiores questionamentos sobre o conteúdo. Outros pediram que seja quebrado o sigilo das delações. Taí um desejo que será atendido: o ministro Fachin vai quebrar o sigilo, e aí ninguém mais vai se esconder no ataque ao “vazamento seletivo” porque tudo vai estar às claras.

Na tentativa de demonstrar tranquilidade, o presidente do Senado, o denunciado Eunício Oliveira (PMDB-CE), disse que a pauta do Congresso não muda. A palavra que usou e repetiu é “normalidade”. Tudo, menos isso. E, em consequência, a pauta muda.

Com, o novo clima, e diante de tanta gente com a espada da Justiça pendendo sobre a cabeça, as reformas em pauta podem esperar. Fica em xeque o futuro da reforma da Previdência, assim como a reforma trabalhista. O que pode mudar mesmo é o ritmo (e o conteúdo) da reforma política.  Desse mato pode sair coelho, na forma de maquinações que protejam o mundo político agora em sobressalto.

 

Sistema Político está condenado

Com tantas estrelas da política envolvidas em denúncias tão graves, uma conclusão é óbvia: o sistema político está condenado. Se não for essa a conclusão, como explicar que tantos políticos estejam envolvidos no mesmo tipo de esquema? Como explicar que partidos tão distintos recorram a esse expediente nada republicano?

Daí, volta a discussão sobre uma reforma política profunda. Mas cabe a pergunta: quem fará essa reforma? Exatamente esses políticos envolvidos nesses expedientes? Terão legitimidade? Mais: terão interesse em fazer uma mudança real?

Nisso tudo fica outro questionamento: o país ainda aguenta a manutenção desse sistema por muito mais tempo?

PP só pode querer a vice se Ciro desistir da Senatória, diz Themístocles


Themístocles diz que mais de 80% do PMDB apoiam a reeleição de Wellington (Foto: Glenda Uchoa)

O PMDB pleiteia, sim, a vaga de vice-governador numa chapa encabeçada pelo governador Wellington Dias (PT), nas eleições do próximo ano. Foi o que deixou claro o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Themístocles Filho, em entrevista esta manhã ao Acorda Piauí, na Rádio Cidade Verde.

Para demarcar território, mandou um recado para os aliados, especialmente para o PP de Ciro Nogueira, que chegou a dizer que a vaga de vice-governador cabe ao partido – a vice Margaret Coelho é do PP. “Para o PP querer a vice, só se o Ciro não quiser mais ser senador”, disse Themístocles, defendendo que cada partido tenha apenas um representante na chapa majoritária. Esse recado também vale para o PT, onde muitos defendem que o partido tenha a segunda vaga de senador, para Regina Sousa.

“A gente deve ter a preocupação de agregar”, disse, reafirmando a preocupação em ter mais siglas na chapa. O deputado também defendeu a aliança com Wellington, reafirmando o compromisso com a campanha de reeleição do governador no próximo ano. Afirmou ainda que mais de 80% do PMDB defende essa aliança, o que é referenciado por pesquisas internas.

A pretensão do PMDB é indicar o vice de Wellington. Quanto à possibilidade dele mesmo ser o indicado para o cargo, Themístocles disse que “depende do partido”. Ao ser lembrado de que seu nome já foi defendido por correligionários como os deputados João Madison e Zé Santana, tangenciou: “Vou aguardar lá pra mais adiante”, afirmou, em referência às convenções partidárias, que devem ocorrer em julho do ano eleitoral.

 

Reforma política atrasada 20 anos

O deputado Themístocles Filho também falou sobre a reforma política em discussão no Congresso Nacional. E disse que “essa reforma devia ter acontecido há 10, 20 anos”. Considera que o grande problema é que os legisladores estão legislando olhando a próxima eleição – portanto, guiados pelo instinto de sobrevivência.

Essa sobrevivência faz que as mudanças sejam pontuais, de pouco impacto, já que todos os legisladores tentam reduzir seus próprios riscos. Nessa mesma lógica, acha que as mudanças possíveis para este ano devem ter pouco alcance.

No entendimento de Themístocles, a reforma deve ser feita com previsão de aplicação mais graduada. As mudanças devem ser "aprovadas agora para serem introduzidas em quatro, oito anos”. Dessa forma, entende ele, o legislador não  se guiará pelo instinto de sobrevivência, até porque haverá tempo para partidos e políticos se ajustarem às novas regras.

Ouça a entrevista concedida no Acorda Piauí desta terça-feira (11):
 

Robert Rios se reafirma como alternativa da oposição ao governo


Deputado Robert Rios: reafirmando postulação ao governo do estado, e para consolidar espaço da oposição no Piauí

 

O deputado Robert Rios (PDT) reafirmou que seu nome está colocado como alternativa da oposição ao governo do Estado, num embate contra Wellington Dias (PT). “Quem acha que a oposição não vai ter candidato, está muito enganado”, disse Robert, em reação dupla: ao compromisso de Ciro Nogueira (PP) com Wellington; e o surgimento do nome do ex-senador Freitas Neto no rol de postulante – conforme se adiantou aqui no blog.

Robert vem sendo, desde o início desta legislatura, a voz mais consistente e sistemática de crítica ao governo Wellington Dias (PT). E vem defendendo uma articulação forte que leve à formação de uma competitiva chapa em oposição a Wellington. Nesse sentido, já sonhou com a companhia de Ciro Nogueira no palanque oposicionista. Com a debandada do PMDB. E até com a possibilidade de uma candidatura Firmino Filho (PSDB) ao Karnak.

Chegou a dizer que os esforços de Wellington Dias para formar uma grande aliança a partir da recente reforma administrativa não resistiriam ao desgaste do governo... E que tudo se desmontaria em março de 2018, quando o cenário eleitoral deverá se decantar de vez.

Mas o deputado parece perder algumas esperanças. Ou parece apostar já em outro cenário.

Ontem, disse que Ciro não cabe mais na oposição: o senador perdeu o time e sacramentou a relação com o Palácio de Karnak. E alertou: a oposição terá candidato forte ao governo. Até porque, se não aparecer nenhum outro, ele mesmo será esse candidato.

A reafirmação do próprio nome tem o propósito de consolidar o discurso e o espaço da oposição. E conta com uma razão adicional: o lançamento de Freitas Neto, na sexta-feira, pelo prefeito de Parnaíba, Mão Santa. Ocorre que, antes, o próprio Mão Santa havia colocado o nome de Robert na mesa de discussão como concorrente ao Karnak. Por via das dúvidas, o deputado do PDT reafirmou-se como alternativa.

Ontem mesmo recebeu a visita de uma das filhas de Mão Santa. Para Robert, um sinal mais que suficiente da preferência do prefeito de Parnaíba.

De fato, o deputado gostaria mesmo de ser candidato a senador. Calcula que uma das vagas é a do esquemão, do jogo de lideranças. E ela, em princípio, caberia a Ciro Nogueira. A segunda é do apelo popular, e Robert acredita que tem esse apelo.

Mas, antes de tudo, quer construir uma aliança consistente que dê voz e possibilidades à oposição. Por isso se reafirma como candidato ao governo. Inclusive porque, se não tiver outro nome consolidado na oposição, admite se apresentar. O cálculo de Robert é que o Piauí vai, em 2018, pedir mudanças.

E, quando isso ocorrer, Robert Rios quer estar pronto para todas as possibilidades, inclusive a de ser essa alternativa de mudança.

Mão Santa lança Freitas Neto ao governo, ‘para salvar o Piauí’


Freitas Neto: lançado a governador pelo prefeito Mão Santa

 

Foi com direito a muitos aplausos que o prefeito de Parnaíba, Mão Santa (SD), lançou o nome do ex-senador Freitas Neto como alternativa ao governo do Estado nas eleições de 2018. O lançamento se deu em Parnaíba, após palestra proferida por Freitas, a convite do próprio prefeito, quando falou sobre gestão pública.

Mão Santa disse que Freitas é a saída “para salvar o Piauí” e colocar o estado nos eixos. O prefeito destacou em Freitas o rigor com a gestão pública, lembrando que governou o Piauí com austeridade.  A platéia que lotava o auditório aplaudiu com entusiasmo o ex-senador.

Atualmente, Freitas Neto é o diretor de Assuntos Econômicos da Federação das Indústrias do Estado do Piauí (Fiepi). Além de senador (1995-2003), ele também governou o Piauí (1991-1994), foi deputado estadual (1979-1983), deputado federal (1983-1987) e prefeito de Teresina (1983-1986).

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