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PP não tem nada com a indicação de Florentino para Saúde, diz Júlio Arcoverde


Júlio Arcoverde: PP não tem nada a ver com indicação de Florentino Neto para Saúde

 

As mudanças na Secretaria de Saúde, que em breve terá no comando o ex-prefeito de Parnaíba Florentino Neto, foram vendidas por assessores palacianos como resultado da vontade do deputado Assis Carvalho (PT) e do aval do senador Ciro Nogueira (PP). A história não caiu bem dentro do PP de Ciro.

“Florentino não contempla o Partido Progressista”, disse o presidente estadual do PP, deputado Júlio Arcoverde. Júlio se apressa em dizer que é amigo de Florentino Neto, mas que isso não quer dizer que sua indicação implique em algum tipo de aval do partido que preside no Piauí.

Para deixar clara a diferença entre ser amigo e dar aval, oferece um exemplo: “Também sou amigo do Nerinho [secretário de Desenvolvimento Econômico], mas a presença dele no governo não tem nada a ver com o PP. Ele representa outras forças políticas”, diz.

A reação de Júlio Arcoverde deixa evidente que essa indicação não está na cota do partido, e que talvez sequer agrade ao PP. E, de certa forma, revela a tensão entre o grupo de Ciro Nogueira e uma parte do PT, em especial o que orbita em torno do deputado Assis Carvalho. Uma tensão que pode ter conseqüências em 2018.

Há algumas semanas, o mesmo Assis Carvalho, ainda no calor da campanha para a presidência estadual do PT, disse iria “exigir respeito” dos aliados ao partido. Uma das reações à fala veio do próprio Júlio: “E tem alguém faltando com o respeito ao PT?” – indagou o deputado do PP.

Dentro do PT, há um segmento importante que não engole Ciro Nogueira por sua postura em relação ao impeachment de Dilma Rousseff. O problema é que parte desse segmento e de outras tendências petistas também não engolem o PMDB – a sigla que se fez dona do cargo que era de Dilma. Na semana passada, o presidente municipal do PT, Gilberto Paixão, deixou transparecer esse sentimento e disse que “o PMDB sempre foi oportunista”.

Por essas forças petistas, nem PMDB nem PP estariam no palanque de Wellington Dias (PT), em 2018. O problema é que Wellington faz uma conta diferente. Sabe que precisa somar apoios. Talvez até desejasse se distanciar de Ciro. Mas, pelo menos por enquanto, vai se mantendo junto. E sabe que ter o PMDB por perto é importante tanto para conter o ímpeto de Firmino Filho como para conservar suas próprias perspectivas de um quarto mandato.

Dessa forma, a vontade de boa parte do partido de ver Ciro longe pode não se transformar em fatos. Porque isso só ocorrerá se Wellington entender que tem as forças necessárias para, sem o PP, rumar tranqüilo para a reeleição. Pr enquanto, não é isso que acontece.

TCE questiona e deputado cobra transparência na licitação da Ceapi


Gustavo Neiva: cobrando transparência e legalidade na licitação que passa Ceapi para setor privado

 

O deputado estadual Gustavo Neiva (PSB) criticou duramente, hoje cedo no Acorda Piauí, na rádio Cidade Verde, o processo licitatório de transferência para o setor privado da gestão da Ceapi (antiga Ceasa). Entre outros problemas, Gustavo diz que o processo está viciado, criando restrições que beneficiam a um concorrente específico. "Tanto que só teve um concorrrente", diz.

As críticas do deputado do PSB tomaram como base o relatório técnico de auditoria do Tribunal de Contas do Estado (TCE), que recomenda uma série de ajustes no processo. Entre deficiências apontadas pelo TCE está a falta de projeto básico para as ações propostas na concorrência, bem como imprecisões como a referente à pavimentação.

“Não especifica que tipo de pavimentação”, ressalta Gustavo, observando que faz muita diferença no final do custo definir se essa pavimentação é asfáltica ou poliédrica. O deputado também faz dura crítica à pressa do governo do Estado em assinar o contrato da empresa vencedora, desconsiderando o parecer do TCE.

O parlamentar observa que o relatório com restrições ao processo foi encaminhado pelo TCE ao governo do Estado na quarta-feira da semana passada. Mas, ao invés de procurar dar ouvidos às recomendações do Tribunal de Contas, o governo apressou a assinatura do contrato - o que aconteceu ontem.

Gustavo diz que não é contra a transferência da Ceapi para gestão da iniciativa, mas diz que deve ser feito dentro de um processo legal e transparente. E mostra preocupação com o descaso do governo com as recomendações do TCE, repetindo no caso da Ceapi um procedimento que já havia acontecido no processo de subdelegação da Agespisa.

Ouça a íntegra da entrevista do deputado Gustavo Neiva no link abaixo.

 

O lugar histórico do voto de Gilmar que libertou José Dirceu


Gilmar Mendes: voto que libertou José Dirceu pode ter alto valor histórico, pelo efeito sobre Lava Jato

 

No dia seguinte à decisão do STF que, terça-feira, determinou a saída da prisão do ex-ministro José Dirceu, o ministro Gilmar Mendes evitou fazer considerações sobre o voto que proferira. Foi dele o voto que desempatou a votação em favor de Dirceu. Mendes, que é muito de falar sem a toga, escorregou das perguntas dos jornalistas, mas deixou escapar uma frase que pode ser premonitória:

— Já disse tudo o que tinha pra dizer no meu voto. Acho até que foi um voto histórico.

Dizer que o voto foi histórico pode ser algo pretensioso. Ou não. E é precisamente o peso histórico desse voto que muitos tentam entender. Porque a soltura de Dirceu pode ser uma de tantas outras decisões do Supremo na mesma linha. Com impacto poderoso sobre, por exemplo, a Lava Jato.

Não é de hoje que o uso das prisões preventivas no âmbito da Lava Jato recebe críticas. Mas até mesmo os críticos da operação se curvam à eficiência desse recurso, sobretudo por ter ajudado a gerar um sem número de delações, revelando o terrível subterrâneo da corrupção no Brasil.

Os que defendem a Lava Jato têm sempre um argumento: as prisões alongadas decididas pela Justiça Federal de Curitiba estão amparadas em um fato que pare eles seria óbvio: as ordens de prisão estão mantendo detidos pessoas poderosas, todas com capacidade de interferir nos rumos dos fatos, exercício de influência e destruição de provas.

Para não ir mais longe, o próprio Dirceu, mesmo condenado pelo Mensalão, seguiu mexendo os pauzinhos do poder e praticando atos ilícitos. Outro caso é o de Marcelo Odebrecht, que agiu fortemente para destruir evidências sobre as falcatruas orquestradas pela empresa que leva seu sobrenome. Só parou quando ficou entre as grades.

Esse poder exercido à exaustão seria suficiente para manter José Dirceu entre as grades.

Mas não foi assim que entendeu a 2ª Turma do Supremo, que com o voto de Gilmar Mendes libertou o ex-ministro. Curiosamente, o voto do desempate é do mesmo Gilmar que deixou na cadeira o ex-prefeito de Redenção do Gurguéia, Delano Parente. O ex-prefeito, solto, seria um risco. E se Delano deve ficar entre as grades por representar risco, o que dizer de Dirceu?

Após a decisão de terça-feira, muitos tentam entender o alcance da decisão do STF. Nessa busca de entendimento, procura-se entender o peso histórico do voto de Gilmar Mendes. Muitos chegam a dizer que é o começo do fim da Lava Jato, pois fará surgir agora uma enxurrada de habeas corpus, pedindo a libertação de outros envolvidos.

Se o STF mantiver nas próximas análises o mesmo entendimento que teve no caso de José Dirceu, é possível mesmo que o voto de Gilmar Mendes tenha esse alto valor histórico. Especialmente pelo impacto sobre o futuro da Lava Jato.

Niède tem razão: homem chegou às Américas bem antes do imaginado

Niède Guidon e a Serra da Capivara: descobertas na Califórnia fortalecem as pesquisas feitas no sertão do Piauí

 

Uma boa parte do mundo científico sempre guardou certa cautela diante das conclusões das pesquisa da arqueóloga Niède Guidon na Serra da Capivara. Muito natural: ao encontrar vestígios da passagem do homem pelo sertão piauiense há dezenas de milhares de anos (há restos de fogueiras e instrumentos de pedra deixados há quase 50 mil anos), Niède colocou de cabeça para baixo as principais teorias sobre a ocupação do continente americano.

Pois os céticos podem ter que se render às descobertas da Capivara: cientistas encontraram na Califórnia (próximo a San Diego) um sítio arqueológico com vestígios humanos que remontam há 130 mil anos. Uma descoberta que também coloca de cabeça para baixo as antigas teorias, que eram vistas quase como leis. E, de quebra, podem dar toda razão às conclusões de Niède.

O achado que dá suporte às conclusões de Niède Guidon foi objeto de artigo publicado na Nature, a mais prestigiosa revista científica do planeta. Nesse artigo, um bem documento estudo aponta registros de rudimentares ferramentas de pedra utilizadas por humanos para o abate de um mastodonte. Que os primeiros homens americanos caçavam grandes animais, não é novidade. Mas a data surpreende.

Até agora, as teorias mais aceitas apontavam para a chegada do homem às Américas há 15 mil anos – e era isso que deixava as descobertas de Niède em xeque. Agora, essa data recua para 130 mil anos. E pode dizer simplesmente que Niède tem razão. Porque essa descoberta leva à possibilidade muito provável de que os primeiros americanos (nômades) saíram pelo continente. E chegaram à América do Sul, onde os registros mais antigos estão precisamente na Serra da Capivara.

Por muito tempo, as contribuições de Niède foram consideradas ousadas – um eufemismo para descrença. E nem mesmo testes que confirmavam a datação de restos de fogueira com quase 50 mil anos não anulavam o descrédito de muitos. Niède também apresentava pedras toscas talhadas como instrumentos feitos pelo homem. Mas nem isso era muito levado em conta: muitos dos seus pares não se mostravam convencidos de que as pedras são mesmo instrumentos feitos por pessoas.

Pois bem: mostra-se agora que há razoável semelhança entre essas pedras e instrumentos encontrados mais recentemente no sítio da Califórnia. Mais um ponto para os achados no sertão piauiense. Mais um ponto para Niède Guidon.

80% dos que estão na prisão tiveram trabalho infantil, diz Meton


Desembargador Francisco Meton: educação é instrumento contra trabalho infantil

A maioria dos que estão nas penitenciárias não teve uma formação adequada. Quem garante é o desembargador Francisco Meton, coordenador do programa de combate ao trabalho infantil, no Tribunal Regional do Trabalho (TRT). Em entrevista ao Acorda Piauí, na rádio Cidade Verde, Meton disse que “80% dos que estão nas penitenciárias tiveram trabalho infantil”.

Como coordenador do programa, Meton está organizando o 3º Seminário de Combate ao Trabalho Infantil, cujas inscrições estão abertas a partir de hoje. Segundo explica, a preocupação do TRT é combate essa prática que tira perspectivas das crianças e, muitas vezes, leva por caminhos tortos.

A campanha tem como foco principal a cidadania e especialmente os pais, criando uma cultura de proteção à criança, e combatendo a cultura do trabalho infantil. Francisco Meton admite que há uma certa condescendência social com essa prática. Mas alerta que criança não é para estar trabalhando, mas sim na escola, de preferência em escola de tempo integral.

Para Francisco Meton, o fundamental é que a criança tenha uma rotina de disciplina e aprendizado, num processo educativo que fortalece a cidadania.

Questionado sobre a deficiência na oferta de escolas de tempo integral – esse tipo de eswcola ainda é minoria –, o desembargador admitiu a necessidade da campanha buscar sensibilizar também os gestores públicos. Isso é importante porque muitos pais não têm onde deixar seus filhos enquanto trabalham, e os gestores tem que investir em alternativas.

Também criticou o que chamou de “fiscalização histérica” por parte de instituições como Conselho Tutelar, que termina sendo excessivamente rigorosa, sem observar o contexto em que está situada a criança.

Ouça entrevista na íntegra no link abaixo.

 

Reforma da Previdência: Governo comunica mal e agora aposta, pasme!, na CPI


Henrique Meireles: governo agora aposta na CPI da Previdência para esclarecer sobre a reforma

 

Sete em cada dez brasileiros rejeitam a reforma da Previdência. É o que revela pesquisa do instituto DataFolha. A pesquisa também revela contradições nas respostas dos entrevistados. Por exemplo: apenas 27% rejeitam a idade mínima de 65 anos para os homens. Talvez um outro índice da sondagem traduza esse descompasso: apenas 18% se dizem bem informado sobre a reforma.

Os indicadores da pesquisa não chegam a surpreender. Mas fizeram o governo dar a mão à palmatória: comunicou-se mal com a sociedade e não foi capaz de superar o embate político com informações técnicas claras e tradutoras do real impacto da reforma na vida do cidadão.

Dizer que se comunicou mal é um eufemismo. A comunicação do governo foi péssima, ineficiente tecnicamente ou politicamente. O presidente Temer tem dificuldades em ser claro e acessível. A seus principais auxiliares falta capacidade comunicativa e, em muitos casos, credibilidade. Resultado: hoje o governo não encanta nem os aliados no Congresso, cheios de dúvidas quanto ao voto na proposta.

Diante de quadro caótico, o Planalto revolveu fazer uma espécie de operação de guerra para recuperar o tempo perdido. Articula as liderranças no Congresso. Mas para alcançar o objetivo de informar à sociedade – pasme! – começa a depositar esperanças onde menos se esperava: na CPI sobre a Previdência, que o Senado vai instalar.

O governo não conseguiu estabelece um debate aberto com a cidadania. A divisão conflituosa do país em dois campos políticos enfrentados é complicador, já que os argumentos desaparecem, dando lugar a discursos tão apaixonados quanto desprovidos de base. E de ambos os lados,

Faltou, a cada lado, dizer porque é a favor ou contra a reforma. E se é contra, qual alternativa: uma outra proposta? Ou proposta nenhuma? Ficar como está resolve? Se é pra mudar, o que muda? E com que efeito? Como fica cada cidadão, nos casos mais diversos, diante de possíveis mudanças?

Ah, sim! O governo diz que a reforma é importante para reaquecer a economia. Como isso se dá?

Ontem, o ministro da Fazenda, Henrique Meireles – talvez o único com alguma lucidez nos argumentos, mas excessivamente frio nas falas –, contestou os que afirmam não existir déficit. E afirmou que, se todos os devedores da Previdência saldassem hoje suas dívidas, nem de longe cobriria o déficit de um ano. Quer dizer: no próximo ano teríamos os mesmos R$ 150 bilhões (ou mais) de déficit.

Ciente da incapacidade do governo de ser claro na explicação da reforma. Meireçles foi mais: disse que a CPI da Previdência pode ser uma boa oportunidade para o governo lançar luz sobre esse quadro tão politicamente turvo. Para o ministro, a CPI vai evidenciar os argumentos do governo. E mostrar que a reforma não apenas é necessária, como urgente.

Mercado procura profissional que dê ‘algo a mais’, diz especialista


André Loiola: mercado procura profissional que não se acomoda à zona de conforto

 

Em tempos de desemprego nas alturas, saber como chegar ao mercado de trabalho pode fazer uma grande diferença para o profissional que desejar garantir um lugar ao sol. E a receita é bem clara: o mercado quer profissionais capazes de “trazer algo mais”, segundo diz André Loiola, especialista em gestão de carreiras.

Em entrevista ao Acorda Piauí, hoje cedo na rádio Cidade Verde, Loiola falou sobre os desafios profissionais do momento. Ressalta a qualificação técnica como fundamental para a inserção no mercado de trabalho. Mas adverte que isso não é tudo. O profissional precisa estar preparado também emocionalmente.

Segundo o especialista, o mercado cobra profissionais que não se acomodam à zona de conforto e que buscam inovar. E ressalta uma ferramenta importante para quem deseja se destacar: a capacidade de comunicação, de estabelecer conexões. Para ele, essa capacidade vai separar o joio do trigo.

André Loiola também enfatiza a capacidade organizacional como elemento diferenciador dos profissionais de êxito.

A íntegra da entrevista de André Loiola você pode conferir no link abaixo.

 

PMDB sempre foi oportunista, diz Gilberto Paixão


Gilberto Paixão: novo presidente do PT em Teresina quer partido mais ligado aos movimentos sociais

 

O PT de Teresina pode ser um importante condutor do debate em torno dos rumos do partido nas eleições do próximo ano. É o que deixa entrever o ex-vereador Gilberto Paixão, que ontem se elegeu presidente do diretório do PT em Teresina. Paixão concedeu  entrevista hoje cedo ao Acorda Piauí, na rádio Cidade Verde. E manifesta a preocupação com o tamanho do espaço ocupado pelo PMDB no governo de Wellington Dias.

O novo presidente do PT na capital quer que o partido tenha uma discussão série sobre as eleições de 2018, inclusive a composição em torno da candidatura de Wellington Dias à reeleição. Nesse caso, destaca a escolha do vice, já que poderá implicar na entrega do governo ao aliado em 2022 (caso Wellington se desincompatibilize para disputar o Senado).

O receio é exemplificado com a escolha de Michel Temer (PMDB) para vice de Dilma Rousseff, que terminou assumindo o governo com bandeiras bem diversas das defendidas pelo PT. “O PMDB sempre foi oportunista”, diz Paixão, observando que o partido não reúne as condições para pleitear diretamente o cargo (de presidente ou de governador) e se associa ao PT, para depois assumir o cargo de carona.

Diante disso, alerta para a composição da chapa de Wellington, em 2018. Paixão aponta o risco de ver um governo conquistado pelo PT entregue a um aliado sem os mesmos compromissos. Daí, apresenta uma proposta radical: acha que Wellington deveria permanecer no cargo para não entregar a quem não compartilha os compromissos petistas.

Gilberto Paixão diz que assume o PT municipal com algumas teses que buscam resgatar a trajetória histórica do partido. Entre elas a de reaproximar o partido dos movimentos social e sindical. Entende que houve negligência nesse sentido, sobretudo durante o governo Dilma.

Paixão quer promover o debate sobre a trajetória futura do partido. Nessa discussão, pede uma reflexão sobre a conduta petista dos últimos anos. Entende que Lula não poderia ter governado sem aliança com setores da direita, mas acha que o preço pago pelo PT foi muito alto. Nesse sentido, também critica o afastamento dos movimentos sociais.

Outro ponto destacado por Gilberto Paixão é a ação do PT na capital piauiense. Ele criticou a imposição de uma aliança de pouca aceitação, nas eleições de 2016. E acha que o PT deve se  preparar para ter candidatura própria competitiva nas eleições de 2020.

A íntegra da entrevista de Gilberto Paixão você pode conferir no link abaixo.

 

Combate à corrupção, novo produto de exportação ‘Made in Brazil’


Dilma Rousseff, Cristina Kirchner e Lula: nomes na lista ex-presidentes envolvidos na Lava Jato

 

De onde menos se esperava surgiu o novo produto de exportação do Brasil: o combate à corrupção. E esse novo produto de exportação tem nome óbvio: Lava Jato. A operação que começou há três anos e já levou para a cadeia um punhado de figurões da política e do empresariado, está fazendo escola e deixa frutos em uma dezena de países, na América do Sul, América Central e África. E ainda tem Suíça e Estados Unidos, onde a Odebrecht já foi punida. E Portugal, onde a investigação reverbera.

Para se ter uma ideia do efeito Lava Jato, as investigações já alcançam 14 ex-presidente e pelo menos dois presidentes no cargo, em cinco países. “Há um antes e um depois da Lava Jato na América Latina”, diz o jornalista Martin Leon Espinoza, do jornal peruano El Comércio, responsável por uma série de reportagens sobre o escândalo continental revelado a partir de Curitiba.

É uma reportagem dele que traz a lista de ex-presidentes envolvidos na investigação. Só no Brasil são cinco: dos presidentes dos últimos 32 anos, só escapa Itamar Franco. Estão na lista da Lava Jato Dilma Rousseff, Lula, Fernando Henrique, Fernando Collor e José Sarney. Na Argentina, a lista inclui Cristina Kirchner e Carlos Menem. O Peru iguala o Brasil em número, cinco: Alejandro Toledo, Alan Garcia, Ollanta Humala, Alberto Fujimori e Morales Bermudez. El Salvador acrescenta mais dois: Antonio Saca e Maurício Funes.

A lista pode incluir ainda Hugo Chavez, já falecido. E cita dois presidentes em exercício: o brasileiro Michel Temer e o dominicano Danilo Medina.

No caso da Republica Dominicana, o escândalo da Lava Jato já resultou em um livro cujo título é sugestivo: Odebrecht, a queda de um império corruptor. O livro é do advogado e economista Angel Lockward. A publicação é vendida como o primeiro livro sobre a Odebrecht após o escândalo da Lava Jato.

De fato, a Lava Jato está estabelecendo um divisor importante na política do continente. E também fora das fronteiras latino-americanas. Quem diz isso é o mesmo Leon Espinoza, avaliando o impacto das revelações de ex-executivos da Odebrecht:  “A relevância da investigação da Odebrecht é tamanha que promotores e procuradores-gerais de 10 países da América Latina e de Portugal concordaram em realizar ação coordenada”. Algo absolutamente novo.

Há nessa constatação uma grande dose de esperança: que os escândalos levem a um novo modo de fazer política. Olhando a realidade brasileira e o comportamento dos políticos – tentando mais impedir as punições que corrigir rumos –, é preciso colocar as barbas de molho.

Seja como for, a Lava Jato tem um grande mérito: mostrou que há um outro caminho. Sobretudo, mostrou que o caminho que vinha sendo trilhado tem fundamentalmente um perdedor: a cidadania.

Wellington e Previdência: dilema entre a política e a gestão

Wellington Dias: o político é contra a reforma da Previdência; e o gestor pede uma saída para o deficit da previdência estadual

 

O governador Wellington Dias (PT) já decidiu. E a secretária de Educação, Rejane Dias, confirmou: os dois deputados federais do Piauí afastados para exercício de cargos de secretário – a própria Rejane e o secretário de Segurança Fábio Abreu – vão retornar à Câmara dos Deputados por ocasião da votação da reforma da Previdência. Wellington quer assegurar dois votos contrários à proposta do governo.

A decisão atende ao político Wellington e seus compromissos com o PT, no embate com o governo federal e de olho em 2018. Mas essa decisão cria embaraços para o gestor Wellington, o governador que reconhece dificuldades com as contas da Previdência estadual.

O sono do governador deve ficar um pouco atormentado. De um lado, povoa a cabeça a possibilidade da reforma passar. De outro, a da reforma não passar. O que seria pior para Wellington, no conflito interno entre o político e o gestor?

De acordo com dados já revelados pelo próprio governador, a Previdência estadual tem um déficit de R$ 1 bilhão por ano. Se lembrarmos que a economia do Piauí representa meio por cento do PIB nacional, esse valor, nacionalizado, corresponderia a um déficit de R$ 200 bilhões nas contas da União. É quase 30% mais que o rombo federal. Mas, claro: essa conta não é precisa; aqui fazemos uma simples associação para destacar as dificuldades do governo estadual.

Essa associação também serve para mostrar que o problema é grave, tanto lá quanto cá.

Se a reforma não passa, o político Wellington vai comemorar por ajudar a infligir uma surra ao governo Temer. Mas é possível que o governador lamente diante da falta de perspectivas para o drama das contas com a Previdência estadual.

O mais grave é que, se a reforma passar, o dilema não diminui. O Wellington político terá, nesse caso, sofrido uma derrota junto com o PT, mas o governador terá à mão a possibilidade de seguir uma receita aprovada pelo Congresso.

O drama adicional de Wellington é que, no caso da reforma passar, outra vez o gestor e o político estarão em conflito. Se for aprovada como se encaminha a proposta de reforma da Previdência, os estados terão um prazo (seis meses) para fazer sua própria reforma – ou simplesmente não fazer nada e aderir à regra aprovada no plano federal.

Portanto, Wellington terá uma receita definida pelo Congresso. Mas não necessariamente precisa segui-la. E aí permanecem os dilemas. Não seguir a reforma é apegar-se a uma pregação política que pode não ajudar a corrigir o rombo previdenciário do estado. Segui-la é matar o discurso de ser contra a proposta.

O empenho do governador, através da exoneração dos secretários-deputados para exercício do voto contra a reforma, é um ingrediente a mais na complicação do dilema que Wellington terá pela frente.

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