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Antonio Amaral - Uma Oficina de Gritos

Sobre uma Leitura do Livro Insólito, de Demétrios Galvão

por Antonio Amaral*

 

 

 

uma oficina de gritos

no olho do peixe

 

 

no abismo daqueles gatos

uma multidão de silêncios

aglomerou-se em torno da palavra

ela que é mãe da luz

e irmã de nosotros

 

o que eles viam

no meio de tudo?

uma explosão de metáforas

desembestadas

quase desafinadas,

abrindo um buraco no horizonte decimal

 

a palavra

 

entidade que rege todas as sintaxes

e todas as estéticas

vazou daqueles gatos

e esfarelou o espelho lateral

por onde vaza a vertigem

 

nessa cancela, por onde tudo se extravia

encontra-se a entidade, esquecida

num porto mais ocidental da distância

encarando a nós como encaram os gatos.

pode ter se retirado da demência

a equação que encara os gatos.

 

em púrpura, vimos

e o salmão também

deu testemunho

do insólito insulto

 

completamente embriagado pelas palavras

uma partícula de very bits

trazendo, na garupa

o peixe amarelo

e a mãe do tempo

que, ele, há muito, havia dito

serem ambos a mesma cria.

 

abriu sua lata de tempestades

e delas borbulharam palavras

palavras... palavras... palavras ...

que nos agridam as próprias ou

nos redima

o espírito delas é a fogueira

onde até hoje giramos em torno.

 

enfiando-se entre elas e o furacão

até as cavidades de nossas horas

em funções amorfas

e  gerúndios tão próximos de nossas cercas

na distante agonia do que vai

com a vizinha euforia do que fica

aqui

em torno do umbuzeiro

em volta do fogo

em torno da palavra

em volta da sombra

em torno do tempo...

demétrios

essa partícula de very bits

o desencabrestador de metáforas

está solto.

 

avisa que

a palavra está de passagem

pra carregar nossas almas

pelos entulhos da tarde

entre a bemóis-aflitos

e a rua-bela

ali, onde as garrafas se esvaziam

para que gregório nos exuma a alma

e o poty possa ser

a água

que nos lava a tinta das mãos

e o sangue dos pés.

 

 

Relatório sobre a queda de uma sintaxe na esteticosfera de berilo 2

 

*Amaral, Porta-voz do hipocampo e 2ª pessoa do ><"°>. É artista plásticojá háalguns giros da metade de uma era. Editou a revista Pulsa e publicou 4 ocorr~encias da revistta de arte e quadrinhos Hipocampo.

 

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