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Resenha do Livro Bifurcações

foto: Aldenora Cavalcanti

Multifurcações Transbordantes em Atravessamentos Poéticos

Resenha do livro “Bifurcações” (2014), de Demetrios Galvão, por Lia Testa*

 

A poesia de Demetrios Galvão realiza uma escritura que fala/rasga a página tal qual um filho ao ventre. O seu livro bifurcações é marcado pela linguagem inventiva e seus muitos jogos, a exemplo das reiterações de frases e/ou palavras, das metáforas, do uso dos sinais de pontuações (dois pontos, pontos de exclamação, reticências, parênteses e travessão), dos enjambements (cavalgamento e/ou encadeamentos, no plano lógico da construção poética), das invenções de termos via palavras compostas (por exemplo, cinema-nosferatus, tecido-muscular-elástico, tecido-de-peixes, selo-carne, olhos-de-fogo, capim-santo, bondade-acesa, ciclone-devir, lua-cheia-de-poesia, nômade-heterodoxa, solidão-analgésico, anzol-espinha, noite-guardanapo, desconhecido-fugidio, celulose-branca, carta-salva-vidas, etc.), para potencializar/poetizar a língua.

Outro ponto que chama a minha atenção é o modo como alguns poemas foram construídos na página, a partir do uso do recuo da margem esquerda, há versos e títulos que mantêm um grande espacejamento (o que para nós é muito expressivo, porque gera um respiro maior na performance do leitor). Além disso, acreditamos que esse modo de construção na página indicie pensar a “página em branco” em consonância com as ideias de Mallarmé. Também verificamos que o poeta constrói diferentes diálogos intertextuais (seja através das epígrafes, seja por citações/referências) com poetas/escritores, tais como: Rubéns Zárate, Marcelino Freire, Floriano Martins, Herberto Helder, Vicente Huidobro, António Ramos Rosa, Ademir Assunção, Dylan Thomas. Ainda, vemos que este corpo-escritura se apresenta indiciando uma voz-experiência-corpórea-potência de vivo transbordar: “tenho um poema vivo/ que me tira o sono/ e me faz demasiado humano”, assim, a “palavra-mágica” que comparece em bifurcações está entre o “silêncio e o barulho”, o humano e o etéreo, o humano e o inumano, é neste local que: “a língua quando bem plantada / atinge veios profundos/ manancial voluptuoso de fabulações”, que o poeta busca a “sobrenatural beleza”. Por isso, o poeta em nome desta “busca” ou da “sobrenatural beleza” faz da escritura, no seu fazer poético, um exercício de alfabeto que é gestado na pele que arde de “alumbramento” (com uma palavra-mágica adornando os olhos) nas formas-poemas-peles vivos pelo “esticar do mundo” (ainda é possível esticar o mundo com a palavra poética). Além disso, seus poemas nos inquieta pelas “imagens profundas”, quiçá porque o poeta consegue fotografar “grafando” “o absurdo para não dizer nada” dizendo.

O livro é um jorro de encantamentos diversos, numa topografia pulsante e visceral, em que tudo é vivo e vai expandindo o mundo, para a construção de uma poesia que pode, em determinados momentos, trazer à tona essa palavra-mágica-xamânica num mundo também expandido (‘esticar o mundo’), para romper com as dualidades/dicotomias/disjunções e ser, ao mesmo tempo, a pesca e o pescado, a colheita e o coletor, a constelação de imagens de caminhos mais que bi-furcados, são construções multiplicadas em multifurcações. Porém, se estamos nos “bifurcando” é porque entramos em “realidades alternativas”, entramos nos desvios e/ou nas deformações do “real”, ou ainda, no poder mágico, no “alumbramento” que as palavras têm sobre o papel e o leitor.

 

foto: Aldenora Cavalcanti

 

Assim, saímos da esfera cotidiana para realizarmos uma invasão na polivalência dos signos estéticos, captando-os por mais de uma direção, pois estamos sempre no paradoxo que nos configura “demasiado humano”, nos condicionando às mutações emocionais ou, então, aos simultaneísmos experienciados sensivelmente pelo prazer e pela coabitação das linguagens, pois “o texto de prazer é Babel feliz” (Barthes). Destaco os seguintes poemas na obra: “os centauros também amam”, “céu de porcelana”, “para uma criatura encantada vol. 6”, “cosmologia invertebrada”, “domador de infernos” e “matadouro”, em que sobressaem a imaginação plástica e difluente desdobradas da mente do poeta para desencadear uma série de transfigurações complexas e de sínteses, em que se situam ambiguidades e uso de metáforas para nos tencionar e nos distorcer ao máximo. Sem falar na apresentação feita pelo poeta Afonso Henriques Neto, que é linda e de excelente nível textual/contextual, de um olhar apurado para falar do fazer do poeta.

Ao ler as bifurcações de Galvão, fiz uma relação com uma obra-projeto experimental de videoarte, do artista norte-americano Stan Van DerBeek, que exibe imagens simultâneas de filmes na cúpula do planetário do Rio de Janeiro, no mostra ArtRio (2015). Afinal, por que fiz esta relação? Porque tanto o projeto quanto o livro apresentam inúmeras imagens (que, às vezes, nos chegam caóticas pelo excesso de signos) e nos propõem múltiplas conexões, a partir de o entrelaçamento de imagens (sons) e sensações. As duas obras conseguiram desencadear em mim uma vertiginosa sensação, ao mesmo tempo, uma Babel “verbivocovisual” feliz.

No “céu de porcelana” de bifurcações que é, ao mesmo tempo, delicadeza e surpresa pelas pinceladas gestuais feitas à palavras (para criaturas “encantadas”), há uma “cosmologia invertebrada” de palavras-memória-sagradas-profanas-esponjosas-líquidas criando, movimentando e dando luz a novos mundos em esferas sempre gasosas, em virtude das indeterminâncias e imprevisibilidades.  

 

 

 

domador de infernos

para rubervam du nascimento

 

me empresta um cavalo, dom ruffato

pôe uma bala na mira

dispara a sorte na tangente das ocasiões

destranca a fechadura das asas, solta o arroubo do vento

faz movimento do céu virar poema

desce ao fundo da tua cela

saqueia o espólio dos bandeirantes

diz adeus no riscado do lagarto

murmura um samba sem letra

diz pra mim a profissão dos peixes.

 

 

matadouro

 

a província diz não aos seus filhos,

            é rude e árida, mesmo quando farta e molhada.

entoa liturgia de campo arrasado.

 

a província tem canto maldito.

            não hospeda sementes em seu leito.

exporta desertos para quem mal diz sua sina.

 

a província é geografia esquecida.

            nenhum coração palpita por seu mapa.

            nas suas rotas corre sangue de matadouro.

 

a província deflagra dizimações.

cultiva um cemitério vasto.

sisuda e quente, cozinha a própria cria.

 

 

céu de porcelana

 

céu impermeável 

translúcido

 

noite bifurcada em

duas luas

vitrificadas

            .

 

tapeçaria galáxia

concebida em tear

astronômico

 

malha de estrelas selvagens

            a projetar um arquipélago

            materno

            .

 

(o povo do deserto

são seus intérpretes. )

 

uma vagina de

quartzo

guia as caravanas

na direção de sua

constelação

            .

 

 

para uma criatura encantada vol. 6

 

de beleza, vivem os seres que festejam a vida sem grandes estardalhaços. existem sem a cobrança e a espera pelo amanhã. se espalham pelas planícies de mansidão confortável. não se preocupam com a independência das nações ou com a previsão do tempo. praticam uma espiritualidade que abdicou dos livros, dos ensinamentos e dos deuses. sua revolução é um desenho do olhar, desdenham do cronômetro e da hiper-interatividade. o silêncio lhes basta para o gozo tranquilo do sono, enquanto o mundo se desespera à beira do precipício.

 

 

 

Nota: BARTHES, Roland. O prazer do texto. Trad. J. Guinsburg. São Paulo: Perspectiva, 2008. (p. 08)

 

*Lia Testa, além de produzir poesias e outras artes, é doutora em Comunicação e Semiótica e professora de Literatura Portuguesa, Brasileira e História da Arte da Universidade Federal do Tocantins (UFT). Participa de algumas antologias poéticas e é autora do livro de poesia “guizos da carne” (Poesia menor, 2014).

Sombras na Caverna

                                                                                                                                                  Gabriel Archanjo

 

texto: Roberto Menezes*

 

Pra mim escrever é uma forma ancestral e sofisticada de pintura, uma pintura codificada. Minha mente seria apenas escuro, se não fosse bombardeada pelo que vem de fora, do meio que me transformou no que sou. É essa encomenda que procuro representar quando sento pra escrever, domar a luz que ricocheteia nas paredes da consciência. Os dilemas existenciais impostos aos meus personagens são consequências de fatores externos, e não uma realidade fechada e por si só completa. Esse personagem, esse narrador, apesar de estar mim, não sou eu; é só sombra na parede da caverna.

Escrever é projetar no papel o que encontrei nessa parede. As sombras sobre ele delineiam o texto. Não se faz literatura com carvão, é preciso cor. Literatura não é só projeção da realidade, literatura é projeção da mente.

Pego meu estojo de giz de cera e começo a cobrir a penumbra com cores. Não me importo em ter muita cor, muita tinta atrapalha. Cores primárias, um preto, um branco, um bege servem. E na parede, não me contento em copiar a luz feito esboço de um plano cartesiano. Nada me impede de misturar essas sombras assim como as tintas, já que tudo aqui dentro é uma sopa e não uma fardo de agulhas. E posso dizer que a graça está aí, desmanchar o retrato e dos seus pedaços fazer um outro. Um retrato recortado diz muito de quem o rasgou. Gosto de mundos que rodem ao contrário e dos que enfiam chifres nas cabeças dos seus cavalos. Quando escrevo, faço figa pra que muita cobra de asa pouse em meu papel.

Tento descrever um jardim em que a flor se sobressaia mais que a fada. Há mais na flor do que cor e cheiro, e isso é o que me impressiona, não o que vem de bandeja por um desejo de salomé. Um escritor não é um cozinheiro de uma sopa de letras, está mais pra um cientista que brinca no laboratório de criar mundos de proveta.

O caminho que se dá à escrita é um atalho entre o aqui e o ali, não a via engarrafada em linha reta. O caminho da literatura é um atalho repleto de nós. É bem melhor entrar na selva de facão e arpão do que ficar preso no trânsito vendo os mesmos outdoors.

 

 

*Roberto Menezes é paraibano. Nasceu em 1978. É professor da Universidade Federal da Paraíba. Faz parte do Clube do Conto da Paraíba. Tem quatro livros publicados "Pirilampos Cegos" (romance), "O Gosto Amargo de Qualquer Coisa" (romance), "Despoemas" (contos) e "Palavras que devoram lágrimas" (romance) e "Julho é um bom mês pra morrer" (romance). Foi vencedor do Prêmio José Lins do Rego (2011). É um dos criadores da FLIPOBRE.

**texto publicado originalmente no site LiteraturaBR no dia 14 de abril de 2016

 

O Difícil Ofício de Editar Livros

Resenha:

O Negócio do Livro, Jason Esptein. (SP: Record, 2002.)
&
Memória de Editor, com Salim Miguel & Eglê Malheiros.
(Florianópolis: Escritório do Livro / IOESC, 2002.)



*Aníbal Bragança
 

Nascido das palestras proferidas na Biblioteca Pública de Nova York, em outubro de 1999, a obra de Jason Epstein, O negócio do livro tem como fio condutor o relato autobiográfico de sua vitoriosa trajetória profissional na indústria livreira americana, iniciada em 1950, aos 20 anos, na editora Doubleday, onde criou a importante série Anchor Books, passando, oito anos depois, para a Random House, da qual foi diretor editorial por cerca de 40 anos. Epstein viveu todo o processo de profundas transformações do mundo editorial e cultural ocorridas na segunda metade do século 20.

Além de pormenorizar as atividades que desenvolveu — aulas imperdíveis para todos os que militam ou se interessam pelo mundo editorial e livreiro —, o autor faz um retrato impiedoso do que considera a "cada vez mais desgastada indústria" na qual trabalhou no último meio século. Para Epstein, a edição de livros desviou-se da "sua verdadeira natureza" para entrar numa "dança da morte", da qual não encontra saída.

Na análise do sistema que, segundo ele, levou à "decrepitude terminal" do universo americano do livro, não resta pedra sobre pedra. De agentes literários a livreiros de shopping, de editores-executivos a serviço de conglomerados da mídia, que não gostam de ler, aos impasses do comércio eletrônico de livros, com os prejuízos constantes da Amazon.com, tudo passa pelo seu crivo implacável.

Epstein afirma que sua carreira "percorreu a longa e decrescente (...) ladeira" da indústria editorial americana. Segundo Robert Escarpit, em A revolução do livro, editado entre nós pela Fundação Getúlio Vargas, em 1976, "o big business irrompeu na edição americana" em 1955, levando-a a uma "mudança de escala". Epstein garante que hoje "o mundo editorial dos Estados Unidos é dominado por cinco impérios", três do quais, pelo menos, são estrangeiros.

O autor é um representante da transição entre os editores-empresários e os editores-executivos da indústria da mídia. O editor-empresário tem, em geral, "sólida formação intelectual e é movido por objetivos que são, ao mesmo tempo, econômicos e culturais". Segundo nossa tese, "muitas vezes sente-se com responsabilidades políticas diante da sociedade", acentuando-se o seu "eros pedagógico", sem se dispensar da "exigência de grande aptidão empresarial para mobilizar recursos, próprios ou de terceiros, para viabilizar seus empreendimentos". Para Roger Chartier, esse "empreendedor singular" se vê também como um intelectual, e cuja "atividade se faz em igualdade com a dos autores". Em determinado momento, afirma Epstein, o seu trabalho assemelha-se ao de um missionário, com a diferença apenas "no conteúdo de suas respectivas escrituras".

Ignorando que a edição tem uma história sóciocultural, de Gutenberg aos editores-executivos dos conglomerados atuais, Epstein afirma que "o negócio da edição de livros é por natureza pequeno, descentralizado, improvisado, pessoal; mais bem desempenhado por pequenos grupos de pessoas com afinidades, devotadas ao seu ofício, zelosas de sua autonomia, sensíveis às necessidades dos escritores e aos diversos interesses dos leitores", e vê com descrença e desconfiança absolutas o processo de concentração editorial e livreira, que fez do editor um executivo de um negócio comum.

Suas críticas mais severas vão para o processo social que levou à criação das redes de livrarias de shopping, que, pelos altos aluguéis, passaram a exigir maior rentabilidade e a rotatividade do estoque, baseado em best-sellers de fórmulas prontas e livros de ocasião escritos por personalidades da mídia, em detrimento dos livros de venda permanente e lenta, que formam a base dos catálogos das editoras mais sérias.

Mas Epstein faz um diagnóstico equivocado das raízes da crise, ao localizá-las na "migração do pós-guerra para os subúrbios e no mercado homogeneizado dela resultante", o que teria levado ao fechamento de milhares de livrarias independentes tradicionais, esquecendo que essa crise tem suas origens nas inovações tecnológicas dos meios de comunicação, desde a popularização do rádio e, posteriormente, da televisão, e, mais recentemente, nas novas tecnologias informáticas, que operam transformações na própria cultura e, especialmente, no caso, na relação do leitor com o livro impresso.

No entanto, Epstein revela-se um otimista quanto às possibilidades para o universo editorial criadas pelas novas tecnologias, especialmente a internet, antevendo para novos editores "uma vida de aventuras criativas muito mais conseqüentes e diferentes", em comparação com o que esperava a geração de 1920.

Corajoso, contundente, profundo, sério, mas leve, sem dúvida, este é um livro fruto de uma paixão duradoura pelo ofício. Nunca antes um editor consagrado havia feito um diagnóstico do mundo do livro como este.

Já no Brasil, são escassos os trabalhos de reflexão publicados por editores. O mais importante é, ainda, o de Monteiro Lobato, em A barca de Gleyre, em que, na correspondência com seu amigo Godofredo Rangel, relata seus sonhos, as lutas do cotidiano, as realizações e frustrações de seu trabalho de editor, nas primeiras décadas do século 20. Érico Veríssimo teve sua experiência de editor publicada em Um certo Henrique Bertaso, que escreveu sobre seu patrão na Editora Globo, de Porto Alegre. Mário da Silva Brito, também escritor e editor, deixou um bom depoimento, em Ângulo e horizonte, sobre o trabalho de José de Barros Martins. Nelson Palma Travassos foi outro desses raros editores a deixar suas reflexões e projetos para enfrentar as dificuldades do mercado editorial no país, enfeixados em Livro sobre livros, editado pela Hucitec, em 1978.

Ênio Silveira, que estagiou nos Estados Unidos com Alfred Knopf — uma das referências fundamentais de Jason Epstein —, pretendeu escrever suas memórias de editor. O poeta Moacyr Félix pôde reunir em Ênio Silveira, arquiteto de liberdades, postumamente, apenas pequenos textos e entrevistas sobre sua trajetória de editor, significativos, mas que não conseguem dar-nos plenamente a visão crítica e toda dimensão que teve Ênio na história editorial brasileira.

O lançamento de Memória de editor, com Salim Miguel e Eglê Malheiros, integra o projeto Memória do Livro, criado por Dorothée de Bruchard. O singelo e belo volume é o resultado de uma longa entrevista feita por ela e Tânia Piacentini. A obra, além de mapear a vida cultural dos anos 1940 a 1960 na capital catarinense, resgata a história editorial iniciada com a criação da revista Sul (1948-1957), vinculada ao Círculo de Arte Moderna, grupo de intelectuais e artistas que expressou de forma singular ("mais de integração que de ruptura") o movimento modernista naquele Estado. Outra realização editorial analisada nesse livro é a da revista Ficção, criada no Rio de Janeiro por Cícero Sandroni e Antonio Olinto, aos quais Salim Miguel e Eglê Malheiros se uniram, com Laura Sandroni e Fausto Cunha, em 1975. AFicção, que chegou a alcançar a tiragem de 15 mil exemplares, marcou época e resistiu até 1979.

A obra mostra ainda o trabalho de Salim Miguel à frente da Editora da UFSC, nos anos de 1983-1991, e na Fundação Franklin Cascaes, de Florianópolis, coroando uma carreira de editor, desenvolvida paralelamente à atividade de jornalista e escritor vencedor de vários prêmios literários, inclusive o Juca Pato, este ano.

A iniciativa de Dorothée de Bruchard, embora mais ampla em suas pretensões, guarda semelhanças com o projeto Editando o Editor (Com-Arte/Edusp), criado por Jerusa Pires Ferreira, na ECA-USP, e que já publicou volumes de entrevistas com os editores Jacó Guinsburg, da Perspectiva, Flávio Aderaldo, da Hucitec, Ênio Silveira, da Civilização Brasileira, Arlindo Pinto de Souza, da Luzeiro, e de Jorge Zahar.

 

 

 

*Aníbal Bragança é professor adjunto do Depto. de Comunicação Social da UFF e doutor em Ciências da Comunicação pela ECA/USP com a tese Eros pedagógico: a função editor e a função autor. É autor de Livraria Ideal, do cordel à bibliofilia.

**Publicada originalmente no  "Caderno Idéias" do Jornal do Brasil em 06/07/2002 e copiado do site  http://www.escritoriodolivro.com.br/bibliografia/resenha_anibal2.html


 

Acrobata em dia de Ogum - Primeiro Lançamento

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Ogum é o oxirá da guerra, senhor do ferro, da agricultura e da tecnologia. Ele forja suas próprias ferramentas para realizar suas atividades. É um inventor potente e corajoso. A Acrobata n 5 foi lançada justo no seu dia, 23/04, talvez tenha sido uma brincadeira do acaso ou uma revelação das forças inomináveis, mas ficamos felizes com a coincidência. Depois de um ano, desde o lançamento da n 4, aparecemos com mais uma edição forjada com o espírito de resistência e muito afeto.

Como de costume, a atual edição traz autores/artistas de diversas partes do Brasil, são 10 estados brasileiros unidos ao longo das páginas, e mais 3 autores de outros países (EUA, Portugal, Argentina). Essa geopolítica-estética foi composta para promover encontros e compartilhar invenções – montagem de um universo que fala muitas línguas e se expressa de variadas formas. A revista é uma plataforma de ação estética, política, espiritual, afetiva. Nosso trabalho é unir inventos/linguagens para que os leitores possam respirar outros ares enquanto seguem viagem por entre-págias de plánicies multiformes.

O primeiro lançamento aconteceu no nosso QG, a livraria Entrelivros, de propriedade do nosso amigo e parceiro Leonardo Dias, a quem temos que agradecer profundamente pelo apoio. Temos que agradecer também à Neila Rocha Siqueira (Mediocardio) e ao amigo Eduardo Lacerda (editora Patuá), que com os anúncios, nos ajudaram a viabilizar a impressão da revista.

A existência da Acrobata é mediada por conexões e encontros felizes, que formam um campo de forças magnético. A força desse campo é a sutileza, a sensibilidade e a vontade de não ficarmos quietos e calados. Nos aproximamos das pessoas para pensarmos juntos, para inventarmos histórias, para desatar utopias, etc etc.

A edição de n 5 chega em um momento de tensão política e de ceticismo geral. A revista é uma forma de nos posicionar e dizer que a arte é um antídoto poderoso para resistir contra esse estado de coisas. Nos fortalecemos quando conectamos energias, quando na vontade de fazer, pedimos benção aos orixás e seguimos acreditando no sonho “ingênuo” da construção coletiva. Nossa bandeira é poética, mas nosso espírito é guerreiro.

Por fim, agradecemos a tod@s os autores/artistas que colaboraram nessa edição e também, a tod@s que apareceram no lançamento e que adquiriram a revista. O nosso encontro foi bonito e é sempre bom ver a turma toda reunida para celebrar a arte. logo mais virão outros lançamentos.

 

Demetrios Galvão

 

LANÇAMENTO - Acrobata n 5

A tão esperada Acrobata n 5 está pronta e vem cheia de charme

o lançada será no próximo sábado, dia 23, às 19h na livraria Entrelivros.

 

EDITORIAL/ Acrobatta n 5

 

Vivemos um momento político muito tenso. Pairam no ar excessos de certezas, jul­gamentos apressados e uma violência engatilhada. A revista Acrobata levanta as bandeiras da conversa, do afeto, da reflexão e segue adiante. A arte pode ser um bom antídoto para a intolerância e os discursos de ódio que, atualmente, viraram praga, tal qual o Aedes aegypti.

Aqui é grande a variação de poetas compondo nosso cenário sempre plural: Laís Romero, Daniel Scandurra, André Valias, André Monteiro, Joãozinho Gomes, Rosa Laura, André Ricardo Aguiar, Tarso de Melo, Lia Testa, além do português Luís Filipe Marinheiro e do argentino Fernando Noy, traduzido por Wanderson Lima. Temos ainda o conto do Sydnei Rocha.

Nossa entrevistada é a atriz e produtora Helena Ignez, uma das figuras centrais do Cinema Novo, contando toda sua trajetória.

A discussão literária se encarna na poesia xamânica de Roberto Piva, no artigo escrito pelo pernambucano José Juva. Seguindo com o paraibano Paulo Vasconcelos, que discorre sobre alguma literatura feita atualmente. O Projeto Código Revista, de São Paulo, fala da digitalização e disponibilização dessa revista histórica, editada entre 1974 e 1990. Por fim, a pesquisadora piauiense Maria do Socorro apresenta um perfil biográfico da poeta portuguesa Violante do Céu, que viveu no século XVII.

 

 

Vamos transitar do sertão à França nas páginas de cinema, com análises fílmicas escritas por José Luís e Natasha Karenina, mergulhando nas obras de Douglas Machado e François Truffaut.

A compositora norte-americana Monique Ortiz, artista valiosa do ghotic blues and post-punk, apresenta sua viagem no universo musical. E o produtor Eduardo Crispim traz a série de vídeos S3TART (6 episódios) em que ele acompanha artistas plásticos que espa-lham sua arte pelas ruas de cidades do nordeste.

Toda a revista traz imagens do artista visual Hudson Melo para potencializar nossa viagem intersemiótica. Boas acrobacias!

 

 

 

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