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Onde A Poesia Acontece?

  • 12346908_1092632124088973_1234661161_n.jpg Foto: Luzia Maninha
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“escrever o que não acontece é tarefa da poesia” Manoel de Barros
 
Onde a poesia acontece? Qual o melhor lugar para se falar de poesia?
 
Inicio com essas perguntas simplistas para dizer que tod@s têm necessidade de poesia e de que, ela faz bem para a nossa saúde mental. A poesia nos ensina a sonhar para dentro e nos lembra, de que não podemos perder a dimensão utópica da existência. 
 
No último final de semana, alguns escritores resolveram encarar a estrada e o desconforto das empresas de ônibus Irmãos Coragem e Bonitão, e foram até a cidade de Luzilândia para bater papo sobre diversos assuntos do campo literário. Eu também resolvi, encarei as ironias da estrada “coragem” e “bonitão” e aceitei o convite do professor e poeta Ivanildo Di Deus e do poetamigo Rubervam Du Nascimento e fui participar do 2º FLIÁGUAS – Festival Literário das Águas. Evento que aconteceu sem nenhum financiamento institucional e foi realizado pela iniciativa corajosa do Ivanildo Di Deus, com o apoio do SINTE-PI.
 
Especificamente no sábado à tarde, 28/11, participei de uma das mesas do evento, juntamente com os escritores Rubervam Du Nascimento, Valdecirio Teles Veras e a Dalila Teles Veras. Alguns temas, tais como: “qual o lugar da poesia” e a relação “poesia e cidadania”, nortearam o debate. Ficamos por quase 3 horas desenvolvendo essas questões e outras mais. Na ocasião, o poeta Rubervam lançou o seu livro de poemas ESPÓLIO e eu lancei o meu objeto poético CAPSULAR.
 
Porém, o que mais me chamou a atenção foi o público de cerca 40 jovens que assistiu e participou ativamente do bate-papo. Um público atento, curioso e que se instigou com nossas falas. Vários desses jovens foram pra casa levando nossos trabalhos.
 
Voltei de lá com o corpo vibrando, por ter tido mais uma vez a confirmação de que não existe um lugar “especial” para a poesia acontecer e que o seu lugar, é onde existe sensibilidade e afeto. 

Uma Janela Aberta

Ao som da banda Supercordas // disco: Terceira Terra (2015)// pensei em vários inícios para essa página. Mas um início e um fim são sempre complicados, se o que importa de fato, em um percurso, é o meio do caminho. Pois bem, então podemos saltar para o meio.

O ano está se encerrando com dois indicativos claros para o campo editorial. Primeiro que, com essa economia, o mercado e o consumo de bens culturais começa a ficar comprometido. Inclusive, isso pode ser percebido com a redução de investimentos em todo o circuito. Com a queda nos editais de cultura e o cancelamento de eventos por todo o Brasil. Ontem, 30/11, uma das melhores editoras do país e especialista em livros de arte, decretou que irá encerrar suas atividades após 19 anos de atividade. Tristeza geral para os leitores que admiram as edições da Cosac Naify. A editora tem os melhores projetos gráficos do mercado editorial nacional, com edições bem elaboradas e ótimo catálogo de autores. O editor Chasles Cosac disse preferir fechar as portas, a ter que fazer o mesmo que as outras editoras. Provavelmente, ele está se referia a prática de publicar biografias de celebridades, auto ajuda, livros de colorir, etc. 

Leia mais sobre o assunto 

Na ponta contrária da crise do grande mercado editorial, estão as “pequenas” editoras e suas astúcias. Interessante notar que, nos últimos anos, essas “pequenas”, que são comumente chamadas de editoras independentes, estão se multiplicando e aparecendo cada vez mais. Conseguindo ter seus livros nas listas dos principais prêmios literários do Brasil. No mesmo dia que a Cosac Naify ganhou um das categorias do Prêmio São Paulo de Literatura 2015, com o Estevão Azevedo e o romance “Tempo de Espalhar Pedras”. A Editora Patuá marcou presença com a pernambucana Micheliny Verunschk e o seu livro “Nossa Teresa – Vida e Morte de uma Santa Suicida”. Grandes e pequenas começam a dividir espaços, até então impossíveis.    

 

Se, por um lado, uns estão com as pernas bambas. Por outro, tem gente aprendendo a dar passadas bem firmes. É só observar a lista dos finalistas de todos os grandes prêmios literários do país. No tradicional Jabuti, categoria poesia, dois dos ganhadores são autores de editoras independentes. O carioca Alexandre Guarnieri com o seu “Corpo de Festim”, Editora Confraria do Vento, e o Manoel Herzog com “A Comedia de Alissia Bloom”, Editora Patuá. No Prêmio da Biblioteca Nacional, categoria conto, ganhou uma autora estreante, Carol Rodrigues, com o livro “Sem Vista Para o Mar” pela Editora Edith. Que, por um acaso, também ganhou o Jabuti com o mesmo livro e na mesma categoria.     

  

Não faltam exemplos e isso é um ótimo sinal. Se as grandes têm dificuldades, as pequenas também. O que vale ser ressaltado é que as pequenas estão conseguindo sobreviver e mostrar sua produção, com “planos de negócios” flexíveis e modestos, se utilizando de táticas que encaram as publicações como um trabalho sério, mas sem deixar de lado os toques artesanais e a paixão pelo livro. Nesse cenário, novos autores e livros significativos surgem revigorando a literatura nacional.

O blog JANELAS EM ROTAÇÃO chega para discutir e compartilhar com os leitores notícias e questões do universo cultural. Interligando nossos debates locais com o restante do mundo. O blog irá abordar temas ligados à literatura e ao circuito do livro, bem como às demais manifestações culturais. 

Já existe uma série de entrevistas sendo produzidas para o blog. Uma delas é com editores independentes. Logo mais elas vão aparecer nessa janela.

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