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A bravura de Jovita Feitosa

Submissa, incapaz, frágil: estes eram alguns dos termos atribuídos à mulher num passado não tão distante. Porém, estas características não formavam a personalidade de Antônia Alves Feitosa, conhecida como Jovita Feitosa. 

Natural do Ceará, mas foi no Piauí que a jovem gravou seu nome na história. Saiu de Jaicós ao saber que o Estado iria enviar tropas para a Guerra no Paraguai. Com 17 anos, cortou o cabelo, usou vestes grosseiras de homem, chapéu de couro e alistou-se como uma voluntária da Pátria, sem se importar com a condição de mulher. 

No início quis esconder, mas logo foi descoberta pelos traços femininos, então se apresentou ao presidente da Província, em Teresina, pedindo autorização para participar da Guerra, em 1867. 

O livro “Grande dicionário histórico biográfico piauiense” de Wilson Carvalho Gonçalves, descreve o diálogo que Jovita teve com Franklin Dória, presidente do Piauí na época. “É o meu maior desejo bater-se com os monstros, que tantas ofensas tinham feito às suas irmãs tinham feito à suas irmãs de Mato Grosso e vingar-lhes as injúrias ou mortes nas mãos desses tigres sedentos”. O presidente atendeu a súplica e deu-lhe o posto de sargento.
 
O gesto de Jovita teve grande repercussão nacional e alvo de manifestações populares. Na viagem até o Rio de Janeiro com o Corpo de Voluntários, ela foi ovacionada como heroína. Em São Luís e Recife foi recebida por autoridades locais, recebeu homenagem com espetáculos de teatro e jantou com presidentes das Províncias.
 
Mas, ao chegar na então capital do país, o ministro da Guerra não autorizou seu embarque. 

“Mandou desligar Jovita, em virtude de sua condição de mulher ser incompatível com o serviço a que ela se propôs a realizar. Triste e desiludida, encaminhou-se para a perdição. Deprimida e abandonada na sua nova vida, suicidou-se em 09 de outubro de 1867, no Rio de Janeiro”, descreve o Wilson Carvalho Gonçalves, em seu livro.  

 

Caroline Oliveira
carolineoliveira@cidadeverde.com