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Há dois anos sem patrocínio, Cruz Nonata dribla aposentadoria e que voltar para o Piauí

Cruz Nonata vive hoje em Ceilândia (DF), mas com saudades de casa. O filho mais velho, o cabeleireiro José Alexandre, voltou para Teresina e montou um salão. Não que a corredora esteja insatisfeita com a vida no Distrito Federal, onde mora com o marido Raimundo e a filha Alessandra. É que ela prefere ter a família reunida. Quer voltar para casa. Se possível, ainda em 2017. 

- Não estou com condição de voltar porque o que eu construí aqui eu não quero desfazer do nada. Eu não tenho recurso para poder construir minha casa aí, só tenho um terreno. - disse em conversa por telefone com o Cidadeverde.com na tarde do último domingo (8). 

A fundista piauiense se mudou para o Centro-Oeste no final da década passada, pouco tempo depois dos primeiros bons resultados no atletismo. Foi lá onde passou a viver só do esporte, o que garante ainda conseguir mesmo sem ter patrocinador há dois anos e meio. 

Dona de duas medalhas de prata nos Jogos Pan-Americanos de Guadalajara, em 2011, venerada por corredores do Piauí e inspiração para muitos atletas, Cruz Nonata vive das provas de rua. Quando não aparece nas grandes competições nacionais, é porque está cuidando do seu ganha pão. 

A atleta passou boa parte de 2016 sem treinar como queria por conta de uma lesão. Evitou disputar algumas provas. Veio a Teresina, mas apenas como convidada especial de uma corrida de rua.

- Minha saúde é muito mais importante do que qualquer competição.

Por conta do ano menos produtivo, Cruz Nonata se conformou com o 19º lugar na Corrida Internacional de São Silvestre, em São Paulo. E também por ter disputado a prova com um dedo do pé esquerdo machucado. A unha caiu na semana da prova. Entretanto, com passagens compradas, ela preferiu competir. 

- Eu sou daquelas que insiste. Não desisto fácil, não. 

Thiago Amaral/Arquivo/Cidade Verde

Cruz Nonata foi convidada especial da Corrida do Pessoal da Caixa

A persistência de Cruz Nonata inclui a idade. Ela começou a correr somente aos 30 anos. Em agosto, fará 43 anos e não pensa em parar.  

- A minha idade não influi muito. Sou uma atleta que começou tarde, mas estou correndo quase de igual para igual com as outras meninas. 

A idade parece mesmo não influir. A piauiense foi a sétima colocada na Volta da Pampulha, no ano passado, em Belo Horizonte (MG), semanas antes da São Silvestre. Já pensou se ela não tivesse machucado o dedo? Maldita unha...

Mas 2016 ficou para trás. Cruz Nonata vai se planejar de acordo com os recursos que tem. A conta precisa ser certeira: investir nas provas que darão retorno. Assim ela e o técnico José Alessandro vão planejar a temporada, que deve começar em março. A fundista estuda inclusive correr provas em Teresina, para fazer a base de sua preparação e visitar o filho. 

A única coisa que não está nos planos de Cruz Nonata é mesmo parar de correr. 

- Eu não tenho essa previsão ainda, não. Eu quero voltar para Teresina, mas eu ainda quero ficar competindo. Na hora que eu chegar (e ver que é a hora) eu vou parar. Eu sou uma pessoa objetiva. Quando eu quero as coisas eu busco e não desisto fácil.  

E é por isso que ela é a guerreira que tanto orgulha a gente.